Amor De Ceo

  • Aelita
  • Capitulos 21
  • Gêneros Romance e Novela

Tempo estimado de leitura: 6 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 7

    Capítulo 6

    Álcool, Hentai, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    — Vamos almoçar. — ordena. Arruma as mangas de sua camisa, retira o paletó do terno que estava apoiado na sua cadeira e o veste.

    — Oi? — Olhei confusa quando se aproximou, pegou na minha mão e me fez levantar. Ainda estava me recuperando das últimas imagens projetadas pelo meu cérebro pervertido.

    — Sou seu chefe direto, nossa reunião ainda não terminou e precisamos comer. — ainda com seu tom mandão, arrasta-me pela sala até a porta, onde abandona minha mão. A dele mais parecia brasa ardente do prazer.

    Poderia uma mulher ficar com bolas azuis? Não sei, mas achava que estava ficando.

    — Senhor Sesshomaru, preciso passar na minha sala, acionar o redirecionamento de ligação para meu celular. — Sigo Sesshomaru, que educadamente se despede de Mirela. Ecoo sua despedida verbal, mas não perco meu tempo a olhando, sabia que ela redirecionaria farpas para mim. Preferia continuar no auge em relação a ela.

    — Passaremos na sua sala antes de sairmos. — Seguindo pela escada, acompanho sua descida rápida. Internamente me senti especial, por ele ter lembrado que prefiro usar as escadas ao invés do elevador.

     O homem era o dono da empresa, meu chefe imediato e precisava de mim em uma reunião com almoço. Bem, não tinha nenhum motivo para recusar, já que almoçava no mesmo restaurante todos os dias, perto da empresa, junto com os outros rapazes da TI.

    Invado minha sala com pressa e vejo Caio com a caneca no caminho para a sua boca.

    Sesshomaru cumprimentou todos na sala cordialmente e ficou na porta observando os meus movimentos. Tanto Caio como os outros dois responderam monossilábicos para o CEO.

    — Estarei em reunião com o senhor Switch, não vou almoçar com vocês hoje. Caio, poderia atender as chamadas enquanto estou fora? — peço enquanto sento na minha mesa e faço o redirecionamento da ligação. A empresa possuía todas as suas linhas telefônicas por IP, então, toda a configuração era por meio digital.

    — Eu não atendo telefone. — sussurra Caio que me olha apreensivo intimidado pela presença de Sesshomaru.

    Olho para o homem que considerava aterrorizante e reflito. Ele poderia ser assustador, mas havia se tornado completamente acessível quando comecei a conversar com ele. Não teria nada de mais em estar com ele, trabalhar com ele, dar...

    — Faça tudo on-line e se precisar que converse por telefone, peça para um dos meninos atenderem ou apenas encaminhe a ligação para meu celular. Já estou configurando as ligações do meu ramal para ele. — Termino o procedimento, pego o tablet que fica em cima da minha mesa, levanto para pegar minha bolsa e ir ao encontro de Sesshomaru.

    Com um olhar estranho para mim, Caio me vê colocando o aparelho eletrônico dentro da bolsa e seguir o CEO em direção ao estacionamento. Não estava pensando em todos os detalhes do que poderia acontecer ou o que poderiam interpretar. Éramos apenas o chefe e sua funcionária indo para uma reunião no almoço, embora que agradaria se fosse tudo romântico.

    — Você parece como alguém indo para guerra. — diverte-se enquanto seguimos para o imponente carro de luxo. Agora, ele estava mais descontraído do que antes. Sua preocupação parecia ter esvaído.

    — Todo dia é uma batalha estando na área de TI. — respondi com simpatia e sorri com a intenção de agradecer a porta aberta do carro por Sesshomaru. Se não fosse nossas posições hierárquicas, arriscaria dizer que estava tentando me seduzir com esse jeito cavalheiresco.

    Assim que sento, meu celular toca e percebo que Carina do setor de recursos humanos estava ligando. Provavelmente era alguma coisa que precisava referente à reunião que tivemos mais cedo. Precisava enviar os documentos para ela antes do dia terminar.

    — Olá! — atendo enquanto coloco o cinto.

    — Oi, Rin, sei que está em horário de almoço, mas minha impressora está com o mesmo problema de ontem e tenho um monte de relatórios para imprimir para o senhor Switch. — Reviro meus olhos, mas não deixo de atendê-la da melhor forma possível.

    Com um toque no meu braço, Sesshomaru chama minha atenção e com movimento dos meus lábios, informo que estava falando com Carina do RH.

    — Tudo bem, Carina. Lembra-se do que fizemos ontem? Vamos desinstalar sua impressora e instalá-la novamente. Clique no símbolo...

    Direcionando o carro para fora do estacionamento do subsolo da empresa, o CEO não desvia sua atenção da direção e de mim. Está com os olhos e ouvidos atentos, mesmo não demonstrando. É incrível como estou percebendo nuances que antes não via, como um leve enrugar de olhos ou pressão de seus lábios. De longe, parece estar focado apenas no carro, de perto, é fácil perceber que está concentrado em mim também.

    Alterno entre olhar pelo para-brisa e para ele enquanto faço o suporte técnico por telefone, absorvendo todo o poder que era um homem com o porte dele guiando esse automóvel. Poderia ter pedido para um dos rapazes atendê-la, mas ela sempre foi tão educada comigo que faria esse esforço.

    O atendimento acaba pouco tempo antes de chegarmos ao destino escolhido por Sesshomaru.

    Assim que paramos na frente de uma famosa cantina italiana, arregalo meus olhos e me atrapalho para tirar o cinto de segurança. Estava morrendo de medo do valor da conta dessa refeição. Por mais que o convite fosse do dono da empresa, não me sentia confortável em gastar tanto em apenas uma refeição.

    Com sua ajuda, saio do carro e um manobrista assume a direção.

    Guiando-me com sua mão nas minhas costas, assim que atravesso a porta de entrada do estabelecimento sinto-me deslocada. Havia muitas pessoas, todas vestidas formalmente, com classe e esbanjando dinheiro. Eu, com meu cabelo preso, blusa simples, calça jeans e sapatilhas nos pés, me sentia uma mendiga. Até a recepcionista estava mais bem-apessoada no vestido preto de corte simples do que eu.

    Precisava mudar meu vestuário profissional urgente!

    Em uma mesa afastada da entrada, Sesshomaru puxa a cadeira para eu sentar e sem conseguir reprimir meus sentimentos de prazer, sorrio e o observo se acomodar a minha frente como uma namorada apaixonada. Ele era lindo, imponente e só se relacionaria comigo nos meus sonhos.

    Imitando seus movimentos, coloco o guardanapo de tecido no meu colo.

    — Aqui teremos mais privacidade e você poderá se alimentar adequadamente. — diz com seu tom firme e seu sotaque irresistível. Achava que estava me acostumando, não me derretendo a cada momento que o escutava, mas era impossível.

    — Torrone é uma alimentação adequada para um lanche. — retruco fingindo seriedade, não contendo minha vontade de permitir-me intimidade com ele através de brincadeiras.

    O garçom chega, apresenta a si e a cantina. Informa o prato do dia, os vinhos que acompanham e o prato de entrada. Entrega os cardápios para cada um de nós e nos permite um momento para escolher, afastando-se da mesa.

    Abro o menu e arregalo meus olhos para os valores dos pratos. Sabia que seria caro, mas nem de longe imaginei que poderia haver pratos com três dígitos antes da vírgula.

    Tinha ouro junto com o molho de tomate?

    Olho disfarçadamente para Sesshomaru e percebo o quanto nossa realidade é diferente. Ora eu imaginava nós dois juntos e esquecia que, na vida real, amor platônico não era o suficiente. Isso apenas criou um abismo entre minha imaginação fértil e a realidade.

    Se não fosse pela atração ou hierarquia, com certeza estaríamos impossibilitados de nos relacionar por causa da diferença social. Não que houvesse algum tipo de preconceito sobre isso, mas dificilmente nos trataríamos como iguais sendo tão diferentes socialmente.

    Eu não era rica, minha família era classe média e com muito esforço! Meus namorados e ficantes nunca tiveram mais dinheiro que eu e, sinceramente, não sei se conseguiria lidar com tudo isso.

    Que banho de água fria!

    Ignorando a decepção que me invadia, engulo minha saliva como se fosse areia e escolho o prato mais barato. Coloco o menu em cima da mesa e meu assombro com os valores deveria estar refletido no meu rosto, porque Sesshomaru se preocupa e pergunta:

    — Não gosta de comida italiana?

    Na verdade, gosto mais é de homem italiano, meu eu pervertido se intromete e rapidamente o abafo. Chega de alimentar o impossível.

    — Pelo contrário, meu prato preferido é macarrão, o segundo é nhoque, o terceiro pizza, mas os preç... — droga, não iria falar sobre valores com alguém que com certeza nem se preocupa em pagar milhões em um carro. Sorrio para disfarçar meu embaraço e mudo de assunto. — Enfim. O que o senhor gostaria de saber sobre o setor de TI? Consigo obter algumas informações pelo tablet se precisar. — Tento mostrar eficiência, mas seu franzir de cenho pareceu não gostar da minha destreza. Será que não vou fazer nada certo hoje?

    — Você pode acessar os dados da empresa pelo tablet? Mas isso não é arriscado? — Como se isso respondesse uma pergunta interna, balança a cabeça. — Nossa informação está vulnerável, eu sabia! — irrita-se, mas sem alterar o volume de sua voz.

    Nervosa, respiro fundo e bebo um pouco da água que foi servida no meu copo. Precisava de controle e coerência nesse momento, porque era um assunto delicado quando se tratava de pessoas leigas em acesso a informação. Vulnerabilidade de informação dependia do ponto de vista.

    — Esse tipo de acesso é restrito a usuários com perfis administrativos. Todos foram devidamente autorizados pelo dono da empresa e, com isso, um termo de responsabilidade e confiabilidade foi assinado por cada um. Há reuniões e tomada de decisões que necessitam desse tipo de acesso externo. Na verdade, há mais vantagens do que desvantagens. — mostro seriedade e o quanto poderia confiar na minha informação, mas não me deixa continuar. Havia parado apenas para respirar quando ele começa a questionar:

    — Como são escolhidos esses usuários? Depois que a informação vaza, não há termo de responsabilidade que desfaça a bagunça. — Olha-me zangado, toda a sua ira direcionado a mim.

    — Posso não ter a informação do como, mas tenho a quantidade de usuários e quem são. — enquanto falava, acessava no tablet a informação, para que ele não pudesse me interromper novamente. — Veja! — mostro a tela do aparelho e ele se inclina na mesa para olhar — Essas são as pessoas com acesso as informações da empresa de fora dela. Se você clicar aqui, visualizará o termo assinado e quando foi liberado o acesso.

    O garçom aparece e recolho o tablet enquanto Sesshomaru volta a se sentar ereto.

    — Por favor, um Cioppino para mim. — Os dois me olham e envergonhada, faço meu pedido:

    — Um spaghetti à bolonhesa.

    O garçom anota nossos pedidos e sorri para meu CEO.

    — Senhor, com a intenção de agradecer a preferência, nosso gerente gostaria de ofertar um vinho branco para acompanhar com seu prato como cortesia. Aceita?

    — Sim, obrigado.

     Rapidamente outro garçom aparece com o vinho e serve nossas taças. Parecia que meu chefe vinha com frequência aqui.

    Enquanto isso, Sesshomaru estendeu a mão e entreguei o tablet para ele. Por sua atenção, percebi que analisava quem tinha acesso, um a um.

    Quando somos deixados sozinhos, decreta:

    — Remova o acesso de todos, inclusive o meu. Deixe apenas o seu. — Devolve o tablet para mim.

    Estava na ponta da língua discutir, mas assim que meus olhos focaram nos seus, percebi que nada do que eu fizesse mudaria a sua decisão. Saber o peso de ser a única com esse tipo de controle me deixou desconfortável.

    Precisava alterar minha senha urgente, apenas por desencargo de consciência.

    — Tudo bem. — Atendo seu pedido e de forma remota, faço a alteração de perfil de forma que pudesse ver. Ambos estávamos inclinados sobre a mesa para olhar a tela do tablet. Por fim, apresento o resultado. Futuramente, com certeza precisaria questionar essa exclusividade de acesso.

    — É possível rastrear o acesso de uma pessoa na empresa? — investiga ainda sério.

    — Você quer saber os horários que ela acessa o computador, o sistema ou o acesso remoto? Se existe auditoria dessas ações?

    — Tudo. Quero saber se é possível me falar quando a pessoa acessou o computador, os sites que acessou e o que fez dentro de todos os sistemas da empresa.

    — Tirando os sistemas que não são desenvolvidos internamente, o resto, auditamos tudo. — Começo a imaginar os milhões de relatórios que seriam gerados e os vários acessos que precisaria fazer para entregar isso que ele queria, de apenas um usuário.

    — Ótimo. — Encara-me feroz e depois sorri suavemente, voltando a ficar ereto. — Agora, aprecie um pouco o vinho. — ordena enquanto ele mesmo fazia isso.

    Beber vinho no almoço? Mal bebia ele nas festas de faculdade, o famoso “sangue de boi”, imagine esse todo chique.

    — Senhor...

    — Apenas Sesshomaru. Enquanto estivermos fora da empresa ou apenas nós, me chame de Sesshomaru, por favor. — suaviza seu tom, sua feição, mas o peso em seus ombros parecia intacto. Seu sotaque se acentua e meu interior se aperta em resposta.

    Nesse momento sinto que algo entre nós muda. Chamá-lo de modo informal mudaria algo no nosso relacionamento e isso me excita ao mesmo tempo em que me preocupa.

    Nervosa, tomo um pouco de vinho e faço uma leve careta tentando não cuspir o líquido, por se tratar de um vinho seco.

    — O que foi? — Ele toma um pouco do seu próprio vinho novamente e ergue as sobrancelhas. — O vinho está bom. — conclui.

    — É seco. — respondo tímida, por não ser uma apreciadora da bebida. Meu paladar era para o doce ou os espumantes, ou seja, suave.

    Sesshomaru chama o garçom no mesmo momento.

    — Rapaz, por favor, traga um vinho mais suave. Minha acompanhante não gostou desse. — solicita outro vinho para mim.

    — Sim, senhor. — Responde e sai para atender ao pedido.

    Estava atônita por ele gastar tanto com a comida, agora, fiquei apavorada pela bebida.

    — Não há necessidade, por favor, esse está bom! — tento dissuadi-lo, mas meu apelo é ignorado.

    — É inconcebível tomar algo que te desagrada. — diz com naturalidade, como se não estivesse gastando quase todo o valor do meu vale refeição em um único almoço.

    — É muito! — Precisando me recompor e sentindo-me desconfortável, levanto da cadeira. — Vou ao banheiro e já volto.

    Deixando todos os meus pertences sobre a mesa, praticamente fujo de todo o poder e presença que Sesshomaru tinha. Entro no banheiro, abaixo o assento da privada e sento tampando meu rosto com as mãos.

    Qual seu problema, mulher? Quem está gastando dinheiro é ele, não vai sair do seu bolso. Não há nada para se incomodar. Tento me convencer do absurdo que estou sentindo, mas estava difícil.

    Gostar dele, imaginar nós dois juntos e mesclar tudo isso com a realidade começou a cobrar seu preço. Se quisesse continuar trabalhando para essa empresa, precisaria aprender a separar meus sentimentos do que é racional.

    Depois de alguns segundos respirando fundo e limpando minha mente, levanto-me e lavo minhas mãos. Precisava parar de pensar no meu chefe como um possível namorado e aceitar de uma vez por todas que ele era o homem que pagava meu salário.

    Ele queria serviço e não frescura sentimental.

    Volto para a mesa com um sorriso falso no rosto e vejo que meu copo foi substituído por um suco de laranja.

    — Não sabia se era do seu agrado, mas solicitei um suco de laranja. Tudo bem? — paciente, ele sorri tenso quando agradeço com a cabeça. — Poderia me falar um pouco das atividades diárias do seu setor?

    Dentro de um assunto seguro e confortável para ambos, começamos a conversar sobre a minha rotina, a de Alex e de todos os outros funcionários. Enquanto falava, pediu que anotasse algumas ressalvas que tinha para serem feitas, como colocar pessoas exclusivas para o suporte ao telefone, um programador exclusivo e um gerenciador de infraestrutura.

    Apresentei todos os sistemas desenvolvidos por nós e os adquiridos externamente. Mostrei relatórios sobre a quantidade de incidentes que atendemos das filiais, qual dava mais trabalho e a que tinha menos chamados. Tudo isso já tinha pronto e disponível na intranet da empresa. Uma solicitação que Alex fez a mim antes de sair de férias.

    Nosso almoço chegou e enquanto comíamos, entramos em outros assuntos, como a comida que preferimos, viagens e a Itália.

    Sesshomaru nasceu e cresceu no país até os dezoito anos, justificando seu sotaque. Morava apenas com a mãe. Seu pai é descendente de italianos, mas sua mãe era uma musicista e que continuava em seu país de origem. Falou que tinha outros irmãos de ambos os lados, mas não detalhou quantos ou quem eram, nem se eram próximos.

    De minha parte, falei mais sobre minha família, a profissão dos meus irmãos e a paixão dos homens por carros e velocidade. Contei que os acompanhavam em tudo, embora não fosse tão aficionada.

    Revelei o motivo de escolher Ciência da Computação como profissão, o que arrancou gargalhadas dele.

    — Mas é verdade! Adoro matemática, jogos de lógica e sudoku. — riu mais ainda e me juntei às risadas de sua mente poluída. Estava tão feliz pelo clima entre nós ter mudado, parecia que estava conversando com um amigo. — Ia fazer Engenharia Civil, mas Paulo pediu Ciência da Computação para não precisar nunca mais levar seu computador para ser formatado por um técnico.

    — Isso aconteceu? — Com sorriso no rosto, toma um gole do seu vinho e me encara atento.

    — Todo mundo acha que aprendemos isso na faculdade, mas é algo mais profundo que mexer em softwares. Aprendi a formatar um computador sozinha, com tutoriais na internet.

    Nossos olhos não deixavam de se encarar. Era íntimo, mas também confortável. Não estava nem um pouco preocupada com o que poderia significar, porque meu corpo estava bem e minha mente também.

    Há muito tempo não me sentia tão leve conversando com um homem. Enquanto continuávamos nossa conversa distraída, não pude evitar admirar o quanto esse homem tinha tudo o que buscava em alguém para ter ao lado, profissional e determinado na empresa, descontraído e brincalhão fora dela. Sesshomaru tentava esconder, mas gostava de fazer uma piada sempre que contava algo de duplo sentido.

    Parecíamos dois amigos íntimos conversando, trocamos a sobremesa por café expresso e nem reparei que o meu celular não havia tocado em nenhum momento quando depois de alguns risos, escutei-o.

    — TI, boa tarde. — Sorrindo para o homem na minha frente, saúdo meu interlocutor. Era um número de dentro da empresa, mas não havia anotado o setor.

    — O que a pobre menina da informática está fazendo com o dono da empresa? É abrindo as pernas que você quer subir de cargo? Ou você o está ajudando a sonegar impostos? — Perco o sorriso, a cor do rosto e a alegria. Não reconheci a voz, nem se era masculina ou feminina, porque se assemelhava com uma voz mecânica, ou seja, estava usando algum programa ou dispositivo para fazer.

    Movo o celular do meu ouvido e olho para sua tela. A linha havia ficado muda e percebi que a ligação havia sido encerrada. Depois, olho para os lados e não consigo encontrar ninguém conhecido.

    Como assim?

    Não tinha medo, mas meu calo sempre foi o preconceito por ser mulher e conseguir meus feitos profissionais apenas com minha capacidade e não charme ou o que tinha entre as minhas pernas.

    — Quem era? — Sesshomaru pergunta preocupado. — Está tudo bem?

    Sem responder ao meu chefe, pego o tablet e vou pesquisar na central telefônica de que setor era esse número. Não era possível que alguém, de dentro da empresa, estivesse me vigiando.

    Número desativado.

    — Precisamos voltar para a empresa. — anuncio, guardando as coisas na minha bolsa e automaticamente pegando minha carteira para pagar o almoço. Estava completamente desnorteada, entre a raiva e o choro eminente.

    — Rin! — chama-me ríspido e segura minha mão com a carteira com um aperto firme. — Diga, quem era? Por que está tão nervosa?

    Se ele estava com raiva, eu estava irada! Controlando meu coração acelerado e a fúria nas minhas palavras, respondi:

    — Algum idiota nos viu e ligou de dentro da empresa fazendo ameaças. Odeio que questionem minha capacidade, não estou brincando no serviço. — falo baixo.

    — O que foi dito? De onde era? — Sesshomaru refletiu minha indignação.

    — Telefone desativado, mas dentro da empresa conseguirei rastrear como essa ligação foi feita. — Respiro fundo e peço mais educadamente: — Por favor, vamos voltar. Só quero poder resolver isso.

    Não sabia quanto tempo havia passado, estava gostando da nossa interação, mas essa ligação deixou meus cabelos em pé e a pulga atrás da orelha.

    Ou você o está ajudando a sonegar impostos?

    Será que era verdade? Sesshomaru sonegava impostos e agora, que Alex não estava trabalhando, queria minha ajuda? Mas como iria fazer algo do tipo, se não tinha acesso ao sistema financeiro? Tinha senha de administrador na empresa, mas nunca efetuei nenhuma operação dentro dos sistemas desenvolvidos por nós, seria ilógico e ilegal.

    Além do mais, ajudar a fraudar a própria empresa é algo completamente ilógico.

    Sesshomaru chamou o garçom, avisando-lhe que fechasse a conta. Antes que o rapaz trouxesse a conta na mesa, levantamos e seguimos até o caixa. Ele iria efetuar o pagamento diretamente no caixa, porque me recusei a ficar sentada. Nervosa e ansiosa por tudo, observei seu perfil e depois seus olhos de falcão em mim.

    Tudo isso não passava de um jogo? Quem estaria mentindo, Sesshomaru ou a voz ameaçadora?

    — Mais coisas foram ditas. — afirmou sério, mas sem raiva.

    — Sim. — Franzi o cenho e concordei. Não iria aliviar para o homem, só porque habitava meus sonhos desejosos ou porque era meu chefe.

    — Conversaremos mais no carro. — Coloca o cartão de crédito na carteira, guarda em seu bolso e pede uma cópia da nota fiscal da refeição em nome da empresa. Ele informa os dados a atendente, pega o papel e então, me conduz para fora do restaurante com sua mão nas minhas costas.

    Agora, esse toque que tanto gostava, parecia estranho. Não relaxaria enquanto não soubesse tudo o que realmente estava acontecendo e qual era a verdadeira intenção de Sesshomaru.

    As palavras do meu irmão voltaram a mim quando sentei no banco do carro luxuoso: “a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco”. Era isso? Meu chefe estava em busca de um elo mais fraco para servir de bode expiatório?

    Estava ansiosa, desesperada e não queria aceitar mais nada dele. Tive vontade de sair do carro quando começou a dirigir.

    — Diga. — ordenou.

    — Fui acusada de te ajudar a sonegar impostos. Li alguma coisa do tipo na mídia. Todas estavam acusando você... — paro um momento para me corrigir, sabendo que tanto ele quanto o pai possuíam o mesmo nome. — Na verdade, acusando você e seu pai, não há como saber, porque seu nome é igual ao dele, ninguém diferencia os dois. — Solto meu cabelo e passo minhas mãos neles com um pouco de frustração. Estava nervosa e divagando. — Céus, como fui cair no meio disso tudo? Só quero trabalhar, ser reconhecida no que faço, terminar de juntar dinheiro para meu mochilão e torcer para que a empresa me dê dois meses de férias, que nunca tirei, diga- se de passagem. Queria poder juntar mais dinheiro e comprar uma casa, um canto apenas meu. — Descontrolo-me completamente ao lembrar de um conhecido. — Não quero ser presa como meu amigo de faculdade que trabalha em órgão público, que foi acusado de alterar o sistema e sumir com impostos a serem pagos. Não quero destruir minha carreira, minha vida... — Paro um momento para respirar e vejo minha mãe com cara de desgosto para mim. — Céus, o que minha mãe vai falar? Minha família será completamente envergonhada...

    Não reparei que Sesshomaru estacionou o carro.

    Não percebi que havia desafivelado nossos cintos.

    Não notei que estava beirando a histeria.

    Mas senti!

    Senti Sesshomaru pegar-me pela nuca com sua mão firme, o que me fez encará-lo. Quando arregalei meus olhos e fechei minha boca, que mais parecia uma matraca, seu olhar intenso antecipou seus atos e não tive outra escolha a não ser ceder.

    Seus lábios se juntaram aos meus e, com toda a adrenalina bombeando no meu sangue, convidei-o a aprofundar o beijo ao abrir minha boca e invadir a sua língua com minha.

    Esqueci o motivo do meu assombro e decidi apenas seguir as vontades do meu corpo.


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