Amor De Ceo

  • Aelita
  • Capitulos 6
  • Gêneros Romance e Novela

Tempo estimado de leitura: 2 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 4

    Capítulo 3

    Álcool, Hentai, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência

    Como da outra vez, subo os degraus ao mesmo tempo que arrumo meu visual, meu rabo de cavalo e minha blusa, que era do mesmo modelo da que usei ontem. Paro na frente da impecável Mirela e observo sua classe ao trabalhar.

    Poderia ser confundida com uma CEO, mas era apenas a secretária de um. Ela era uma bruta, mas poderia me espelhar um pouco em sua forma de vestir.

    — Pois não? — despeja desdém em seu cumprimento.

    Minha vontade era responder, há algo para se fazer nesse andar além de falar com Sesshomaru? O sócio dele não estava na empresa, então, só restava um CEO.

    Porém, como sou muito educada e profissional, respondo sem demostrar emoção:

    — Estou aqui para auxiliar o Senhor Sesshomaru leon Switch em um problema de tecnologia.

    — Seu nome e setor?

    Sorrio com desprezo, sabendo que ela não se esqueceu de mim, vim aqui ontem. Ou ela poderia muito bem olhar para o meu crachá e ler.

    — Rin da TI.

    Liga para Sesshomaru, que autoriza minha entrada. Como da outra vez, me acompanha, abre a porta e me empurra levemente para entrar.

    Viro meu rosto para uma porta se fechando e prometo a mim mesma vingar-me desta mulher. Nunca fiz nada para ela, não havia motivo para me tratar assim. A não ser que fosse com todo mundo.

    — Algo errado? — Sesshomaru pergunta sentado em sua mesa com um misto de preocupação e curiosidade.

    Voltando minha atenção e foco para o problema atual, sigo até sua mesa e paro ao seu lado. Estava impecável como ontem, seu terno azul marinho, sua camisa branca e sua gravata azul escuro, com riscos vermelho-escuro, deixavam-no completamente elegante e irresistível.

    Tento desviar meus olhos dos seus e vejo o seu cabelo bem penteado e rosto com uma barba levemente por fazer. Tudo isso completavam o figurino do homem poderoso e maravilhoso que era.

    Ninguém poderia negar nada a ele em uma reunião, porque o homem sabia se vestir tanto quanto sabia argumentar. Ou apenas mandar, Sesshomaru tinha pulso firme.

    Se fosse meu homem, com toda essa preocupação na voz, sentaria no seu colo e puxaria seus cabelos para um beijo acalorado e sensual. Iria mostrar nesse ato o quanto me agradava sua preocupação e entre nossos beijos, informaria que sua secretária era uma esnobe.

    Como é meu chefe, apenas sigo como a menina da TI que sou.

    — Posso utilizar seu notebook? — peço autorização para manusear seu equipamento com meu corpo levemente inclinado para ele. Penso na palavra “equipamento” e logo meus olhos seguem para seu colo.

    Nem um pouco recatada, minha mente imagina minha mão apertando levemente sua virilha, sentindo seu membro enrijecer e me desejar. Abriria o zíper da sua calça e encontraria meu objetivo pronto para ser devorado, seu equipamento.

    Caramba, precisava parar de pensar nesse tipo de coisas perto dele. Desviei rapidamente meu olhar sentindo meu rosto um pouco enrubescido.

    — Sente-se em uma cadeira, por favor. — com voz rouca, percebo que olha discretamente para meu decote e lembro que essa posição me favoreceu apenas para causar-nos pensamentos pervertidos.

    Sem conseguir esconder meu rosto vermelho, posiciono a cadeira ao seu lado e novamente sou atingida pela respiração de Sesshomaru no meu pescoço. Costumava usar o cabelo preso sempre, apenas por ser uma questão de praticidade, mas o tanto de calor que estava me causando, fez-me querer soltá-lo.

    Não poderia ter esse tipo de intensão, não com o meu chefe, muito menos ele sendo o dono de uma grande rede de supermercados.

    Quantos anos deveria ter? Quantas mulheres poderia ter? Quem era a menina da TI do meio de tudo isso?

    — Vamos lá, esse é o arquivo que o senhor quer anexar? — Dou dois cliques no mouse para que o e-mail abrisse em uma janela única. Ajudá-lo com seu problema desviaria minha mente de desejá-lo.

    Inevitavelmente, leio o assunto do e-mail e todo o seu conteúdo. Era um pedido de consultoria e auditoria de contrato social, para alguém de fora da empresa. No corpo do e-mail constava que deveria ser avaliado a veracidade e a confiabilidade das informações contidas de Sesshomaru Leon Switch.

    Que estranho, por que analisar algo já está pronto e vigente? Por que isso acionou meus alertas de problemas?

    — Vou fazer um teste, saindo e entrando novamente no site, tudo bem?

    Pela minha visão periférica, vejo-o fazer um aceno positivo de cabeça. Com destreza, abro o bloco de notas, copio o assunto e o corpo do e-mail. Fecho o browser da internet, verifico no gerenciador de tarefas se tudo foi devidamente encerrado e o abro novamente.

    — Por favor, seu e-mail e senha. — solicito que digite.

    Sem esperar, Sesshomaru inclina todo o seu corpo em minha direção para poder digitar as informações que o site solicitava. O contato foi pouco, apenas seu braço coberto pelo terno no meu braço nu, mas foi o suficiente para desequilibrar-me completamente.

    Queria esse terno roçando meu corpo. Imaginei-me nua, enquanto ele completamente vestido, nos movimentava em cima dessa mesa como dois devassos enquanto a leão de chácara ficava em sua mesa morrendo de ciúme.

    Ofegante e com os olhos arregalados, percebo que fiquei momentaneamente muda e o encarando depois que voltou a sua posição inicial.

    Merda, droga, porra...

    — Aconteceu alguma coisa? Você está muito vermelha. — comenta preocupado e novamente toca-me, mas desta vez foi sua mão na minha testa.

    Tossindo e ajeitando-me na cadeira, viro meu rosto para fugir do seu contato e para controlar meus hormônios furiosos. Pego o mouse com a mão suando, o coração batendo acelerado e sigo dizendo:

    — Tudo bem, vamos criar novamente um e-mail e anexar o arquivo que você excita-PRECISA, o arquivo que você precisa. — Se estava vermelha, agora estava roxa de vergonha.

    Céus, estava falando esse tipo de palavra na frente do dono da empresa? Queria uma dispensa com justa causa por assédio sexual invertido?

    Olho rapidamente para ele, que não demonstra nenhuma reação ao que disse. Respiro aliviada, porque precisava muito desse emprego, apesar dos pesares.

    Crio um novo e-mail, colo o assunto e corpo copiados no bloco de notas e peço para que coloque o e-mail do destinatário.

    Novamente se inclina em mim e numa tentativa de me controlar, inspiro profundamente. Não deveria ter feito, pois o cheiro do seu perfume Malbec, misturado com o seu shampoo de cabelo me fizeram fechar os olhos e gemer internamente. Era maravilhoso!

    Esse homem poderia ser menos excitante? Precisava, porque estava pensando seriamente em não aparecer mais aqui.

    — Rin, você realmente está com algum problema. Precisa que chame a senhora Ana? — preocupado e com seu olhar intenso, limpo minhas mãos na minha calça jeans, esfrego elas no meu rosto e suspiro. Entraria em combustão espontânea se continuássemos assim. Será que olhava para suas amantes assim, no ápice do prazer?

    Ana era a enfermeira da empresa e seu diagnóstico, excitação, falta de sexo e de profissionalismo iriam acabar com minha carreira.

    — Minha glicemia deve estar baixa por não ter tomado café da manhã. — Não era mentira, mas não era a explicação para minha vermelhidão. — Vamos lá, o anexo está carregando, a barra de progresso já está na metade. Em mais alguns segundos concluirá e então o e-mail poderá ser enviado.

    — Por que não tomou café da manhã?

    Sem desviar minha atenção da minha tarefa, com uma vontade imensa de fugir dali, respondo com meu nervoso dominando minhas ações:

    — Saio de casa as seis e meia para poder chegar aqui às sete e meia. Qualquer outro horário me fará chegar depois das oito e isso quer dizer atraso, ou seja, desconto no meu salário. Volto para casa às dez horas da noite, por causa do meu plantão enquanto Alex estiver de férias. Acordar as cinco e meia da manhã está fora de questão para poder fazer tudo o que preciso. — Droga, divaguei novamente, não precisava contar tudo isso para meu chefe, parecia que estava reclamando.

    Aliviada, a imagem indica que o anexo foi completamente incluso, clico no botão enviar e-mail e com um pulo, levanto da cadeira.

    — Pronto, senhor Switch. Desculpe a demora e qualquer transtorno. — Não olho nos seus olhos, porque sei que a intensidade continua lá para me atormentar.

    Saio de sua sala ao som de sua voz rouca e imponente dizendo: — Obrigado, Rin.

    Depois de passar no banheiro e beber mais de um litro de água para me controlar, volto para a sala de TI, onde Caio e os outros funcionários estavam escutando rock instrumental nas caixas de som do seu computador e bebendo sua caneca diária de petrolão.

    — Algum recado? — pergunto com voz trêmula, chamando sua atenção para me ver sentar descompassada na cadeira. Ele havia abaixado o som para me escutar melhor. Os outros dois fingiam não prestar atenção, mas sabia que ambos estavam antenados em nossa interação.

    — Tive dois chamados, mas todos resolvidos. Você sabe, bloquearam minha senha, esqueci minha senha... —Toma um gole do líquido preto horroroso e ergue as sobrancelhas. — Qual foi o problema da vez? Levou bronca? Você está um pouco rubra.

    — Anexo de e-mail e minha mente fértil. — solto subjetiva e suspiro. Ajeito-me na cadeira e desbloqueio meu computador para voltar a trabalhar nas tarefas diárias. — Você sabe se Sessohmaru está fazendo alguma auditoria aqui na empresa?

    — Sesshomaru? — Caio está complemente confuso e rapidamente me corrijo.

    — O dono da empresa, senhor Switch. — Faço um movimento com a mão impaciente, como se esse homem e a forma de tratá-lo não quisesse dizer nada para mim.

    — Por que está chamando o dono da empresa pelo primeiro nome? — desconfia e faço uma careta, observando os dois antenados perto dele. Preciso controlar os danos antes que vire fofoca.

    — Foi sem querer, estamos só entre nós, pare de frescura. — respondo impaciente. — Vamos, me diga o que sabe!

    Caio era tão antissocial, quanto bem informado. Na empresa, ele sabia de tudo sobre todos, uma vez que monitorava o tráfego pelas redes internas e externas. Não era seu trabalho e achava que ninguém sabia, mas minhas olhadas disfarçadas para seu monitor, enquanto estava matando o tempo, fizeram-me ter conhecimento.

    — Não há nada oficial, mas parece que em algumas reuniões, ele deixou a entender que queria auditar a empresa. — Aproxima sua cadeira da minha e fala em tom de conspiração. — Há várias conversas sobre um desfalque na empresa que o “CEO pai” fez, mas é um boato improcedente, já que não tem cabimento o dono da empresa roubar a si próprio.

    Faço um bico, empurro para o lado e uso meu computador para fazer uma pesquisa, desviando minha atenção de Caio. Apesar de todo fogo que sentia dentro de mim, minha intuição estava gritando mais alto, precisava saber o que realmente estava acontecendo na Supermercados Star.

    Com isso, meu colega voltou para sua mesa e seu trabalho. Os outros dois antenados haviam colocado fones de ouvido, mostrando assim que não estavam ligados na nossa interação.

    Menos mal.

    Em minhas pesquisas encontrei notícias sobre CEO tanto o pai, quanto o filho. Fotos, matérias sobre eventos sociais, inauguração de filiais, o problema de saúde de Enrico pai e dos pais de Lauriano.

    Porém, de tudo isso o que li, o que mais me chamou atenção foi as fotos desse homem jovem, elegante e dominante. Descobri que tinha trinta anos, trabalhava com bolsa de valores, era muito rico, inteligente e precisou assumir a empresa de um dia para outro, depois do infarto de seu progenitor.

    Nunca havia gasto dois minutos do meu tempo pensando em alguém e agora, depois de nossa interação, não conseguia focar em meu serviço. Havia implementações novas a serem desenvolvidas no sistema gerenciador de documentos da empresa e eu estava protelando, enquanto admirava meu chefe.

    Abro meu gerenciador de atividades, um programa que controla todas as tarefas agendadas e faço uma careta. Tudo estava vermelho, indicando que venceria hoje o prazo de conclusão. Poderia repassar um pouco dessa carta para Vitor, ele daria conta das atividades, mas certas alterações de sistema, as mais críticas, eu preferia fazer para não correr nenhum risco de falha.

    Volto a adorar as imagens do meu CEO Sesshomaru, já que meu monitor não ficava à vista de ninguém, apenas da parede. Antes que pudesse salvar alguma foto desse homem influente e imponente, completamente trajado de terno, gravata e poder, meu telefone toca no mesmo ritmo acelerado do meu coração.

    Seria ele novamente?

    Ao atender, descubro que é Carina do setor de recursos humanos com problema de impressão. Agradecendo a distração, fecho todas as janelas de pesquisa e sigo para orientá-la ao invés de repassar o atendimento para um dos rapazes daqui.

    O dia estava apenas começando e nem imaginava como terminaria.

    — Boa noite, usuária. — Caio se despede de mim com sua chacota do dia.

    Sem querer eu havia instalado um programa na minha máquina,solicitado por um funcionário da contabilidade e, não prestando atenção, já que minha cabeça toda hora seguia para um CEO impiedoso e irresistível, instalei o programa Babui, um antivírus gratuito que vem anexado com outros programas. Isso era algo que nunca deveria acontecer com uma pessoa com meu conhecimento e experiência.

    Quando fiz um som irritado com minha garganta, meu amigo e colega de trabalho perguntou o que era e depois que contei, ficou me chamando de usuária. Ainda por cima, prometeu me dar uma camiseta igual a sua.

    Anderson fingiu não perceber minha gafe e tossia escondendo seu riso. Já Vitor teve uma crise de riso e precisou ir ao banheiro para se controlar, já que havia encontrado uma tirinha cômica com a mesma situação que estava passando.

    Sim, estar na TI era motivo de riso pelo menos uma vez por dia.

    — Quem está com a camiseta é você, não eu. — digo com falsa irritação e mostro a língua com zombaria, ele ri e vai embora.

    Todos os outros funcionários já tinham ido embora, já que eram tão pontuais para entrar tanto quanto para sair da empresa. Diferente de mim que era pontual para chegar e muitas vezes não tinha horário para sair.

    Eram seis e vinte da noite e ainda faltava quase quatro horas para o meu turno acabar. Meu plantão era necessário,pois vez ou outra alguém de um supermercado ligava, por problemas de impressão ou no sistema do caixa. Não tínhamos help desk nas filiais, outra briga minha com meu chefe Alex, que gostava de centralizar tudo.

    Aproveito para terminar a programação atrasada em nossos sistemas internos. Ligo minha caixa de som do computador, coloco uma música baixa, mas agitada para afastar o sono e foco na tela. Não conseguia tomar aquele café horroroso que Caio adorava, muito forte e com pouco açúcar.

    Adorava a parte de suporte e gerenciamento de rede, mas minha verdadeira paixão era a programação. Tudo o que a envolvia, desde a entrevista com o usuário, para anotar os requisitos e montar os diagramas e fluxogramas de desenvolvimento. Isso era o que fazia meu coração acelerar e minha satisfação profissional florescer.

    Por sermos uma equipe de cinco pessoas, adotamos uma mistura de metodologias de gerenciamento de projeto, para atender nossa necessidade. Tudo era devidamente documentado quando havia tempo hábil e quando Alex não se intrometia, já que gostava de fazer do seu jeito, ou seja, sem padrão nenhum, na pressa.

    Livre para escrever todas as linhas de códigos que precisava, começo a digitar e a cantar alheia a qualquer movimento ao meu redor.

    Depois de alguns minutos ou horas, havia perdido a noção do tempo, cantei:

    — Everything you say to meeeeee.... — One Step Closer da banda Linkin Park tocava e, sem nenhuma prudência, eu cantava acima do som enquanto meus dedos digitava com velocidade no teclado. Era uma música forte, de ordem e protesto.

    Sentia-me um pouco rebelde, já que ter meu chefe por perto me impedia de ter certas liberdades. Então, estando sozinha na sala e, tirando os guardas noturnos, provavelmente na empresa estava livre para fazer o que quisesse.

    Alguns toques firmes na porta da minha sala me assustaram, e me fizeram gritar e levar uma mão ao coração, que parecia ter pulado para fora do meu peito. Sesshomaru, meu CEO, estava me observando com o ombro apoiado no batente da porta, braços cruzados e um olhar sério. Assim esperava, porque parecia mais um sorriso contido.

    Impecável, seu cabelo continuava bem penteado, seu terno alinhado e seus olhos bem atentos. Como ele conseguia não fazer nenhum amassado depois de um dia de trabalho?

    O fato incomum de o meu chefe estar na minha sala não passou desapercebido por mim. Com certeza algo grave deveria ter acontecido e seu deslocamento até aqui com certeza me renderia uma advertência.

    Oh, vida!

    Rapidamente desliguei a música que tocava no meu computador, apertei as teclas que gravava na memória todo o código que estava digitando no momento e respirei levemente aliviada.

    Tinha realmente me assustado.

    — Nossa, que susto Sessho-senhor Switch. Desculpe-me pela música, mas trabalhar sozinha... — comecei me desculpando, completamente encabulada por ter sido pega completamente descontraída.

    Estava trabalhando, era verdade, mas não era uma postura muito profissional, por isso deixava apenas para quando estava sozinha, nem perto de Caio me permitia isso.

    — Não há motivo para se desculpar. — ordenou e rapidamente me calei.

    Ficamos nos encarando calados, ele com seus olhos avelas intensos e eu assustada. Não sabia o horário, mas podia sentir que meu cabelo estava em um coque bagunçado e não no meu rabo de cavalo. Acabava fazendo e refazendo as amarras do meu cabelo para me ajudar a pensar em uma solução na programação.

    Por que Sesshomaru estava aqui?

    Droga! Provavelmente precisava de algo e envolvida com minha música e programação, esqueci do telefone.

    — Você ligou e não atendi, não é? Desculpe, senhor Switch...

    — Fez algo de errado? — com seu tom ainda de ordem, me interrompe e observa como um falcão.

    — O quê? — Não sabia o que responder, já que não tinha entendido a pergunta. Sua aparência e dominação estavam bagunçando com minha cabeça e meu corpo desde hoje de manhã.

    Controle-se já! -- ordenei-me.

    — Você tomou alguma atitude que ferisse as políticas e bons costumes da empresa? — sem perder seu temperamento tranquilo, reformulou sua pergunta. Não havia movido nenhum músculo que não fosse os da boca e isso aumentava a expectativa que eu estava sentido. Estaria ele me vigiando? O CEO se daria ao trabalho de ME vigiar?

    — Tirando a música e minha cantoria, não. Estava trabalhando. — respondi hipnotizada, com medo do que minha resposta poderia ser interpretada por ele.

    — Então, não se desculpe nem assuma uma culpa que você não tem. — Descruza os braços na sua frente ao mesmo tempo em que continua ordenando.

     — Vamos!

    — Vamos?

    — Sim, são dez horas, seu plantão acabou. Não há necessidade de mais tempo de trabalho do que o necessário. — Vira as costas e sai, sem me dar a oportunidade de questionar.

    Ele está me mandando embora?

    Ou está oferecendo carona?

    Nunca fiquei tão sem reação e desnorteada como hoje, agora, nesse exato momento. Fiquei olhando bobamente para a porta e esperando alguém com uma câmera gritar que tudo não passa de uma pegadinha.

    Senhor Switch não conversa informalmente com seus funcionários.

    Ninguém era amigo dele, muito menos eu, a menina da TI que por um problema rotineiro, começou a lhe dar suporte técnico.

    Vejo Sesshomaru aparecer na porta da minha sala com um olhar ameaçador e as fadas assanhadas e baladeiras da minha barriga começam a se revolver. Ele queria me ver derreter ou desafiá-lo?

    Sério, eu não era masoquista, mas sempre tive atração pelo desafio e estar com esse homem era um.

    — Quando você terminar o que precisa, nós vamos embora. — resmungou enquanto voltava a sua posição anterior de estar com o ombro apoiado no batente da porta.

    — Esse “vamos embora” é “vamos embora juntos” ou “vamos embora, você para um lado e eu para outro”? — Sinto meu coração acelerar mais ainda se fosse possível. Não sabia como não gaguejei.

    — Vamos embora, eu te levando para casa no meu carro. — responde da mesma forma que fiz a pergunta e agora, meu coração parou.

    Ele vai me dar carona?

    Sesshomaru me levaria para casa em seu carro?

    Eu e o CEO no mesmo meio de transporte?

    Ele havia tomado a pílula vermelha da matrix e eu não sabia? Porque até alguns dias atrás ele não sabia que eu existia, aliás, achava que eu era estagiária.

    Não era porque meus hormônios e minha libido estavam completamente de acordo com suas ações que aceitaria sem nenhuma colocação impertinente.

    — Muito obrigada pela gentileza, mas não precisa se incomodar, senhor Switch. Está tudo sob controle, o ônibus que passa na esquina da empresa para perto de casa. — Tento sorrir, mas saiu de boca fechada, como se fosse falso.

    Se já divagava estando nervosa na sala dele, imagine fora do ambiente de trabalho?

    Como se despisse de sua postura profissional, suspira e relaxa, descruzando seus braços a sua frente.

    — Rin, não irei insistir, mas gostaria de fazer uma gentileza para a pessoa que com destreza resolveu alguns problemas para mim. Estava indo para o estacionamento quando escutei a música. Vi que horas eram e lembrei do que me disse, por isso estou aqui.

    Contra fatos não havia argumentos e, sem nenhuma intenção de recusar sua oferta novamente, bloqueei minha estação de trabalho, levantei-me da cadeira e segui até o armário onde deixava minha bolsa de grandes proporções.

    Entre alivio, por não estar sendo vigiada pelo CEO, e desapontamento, por não ter sido a ideia original, decidi encerrar meu expediente.

    Voltei para minha mesa, coloquei o celular no bolso traseiro da minha calça e parei na sua frente com uma pisada mais forte.

    — Estou pronta! — Bolsa debaixo do braço e firmemente apertada para sustentar meu juízo, Sesshomaru acena afirmativo com a cabeça e seguimos pela empresa até o estacionamento, que era no mesmo andar da minha sala, no subsolo.

    Apesar de não ter intimidade, não andei atrás dele, mas ao lado, como iguais. Sabia o caminho e não precisava seguir de forma submissa as suas costas.

    — Gosta de Pitty? — pergunta sem me encarar, mas virei meu rosto para vê-lo e percebi um sorriso suave em seus lábios.

    Tentando entender qual era a piada, forcei minha memória para a banda e as músicas da cantora, meu rosto ficou completamente vermelho de vergonha e assombro. Antes de ser interrompida, havia feito uma performance e tanto cantando a música Máscara. Era antiga, mas as palavras muito atuais, “o importante é ser você, mesmo que seja, estranho, seja você...”

    Lembrei que havia conseguido compilar com sucesso meu código de programação, passado nos testes básicos e estava pronto para ser testado por Caio. Além de cantar algo, dancei e chacoalhei minha cabeça como se estivesse em um show da banda. Estava me sentindo foda!

    Apenas as pessoas que programavam entendiam o verdadeiro significado de compilado com sucesso, sem alertas. Uma comemoração nem um pouco recatada era necessário, mesmo que internamente.

    — Muito engraçado... — resmungo ao ver que o sorriso aumentou em seus lábios com meu desconforto.

    Ainda bem que estava envergonhada, pois o que estava sentindo ao vê-lo descontraído me deixou completamente hipnotizada. Sesshomaru era tão lindo sério e bruto, quanto sorrindo simpático. Os dois lados do meu atual objeto de desejo estavam transformando-me em uma boba apaixonada.

    Tornei-me um caso perdido!

    — Quanto tempo você gasta da empresa até sua casa de ônibus? — Enrico não espera que me acostume com o carro luxuoso que dirige e me pergunta.

    Era um Porche Panamera de 330 cavalos, bancos de couro praticamente brancos e muita tecnologia. Conhecia carros, gostava deles, mas ficava apenas na minha imaginação. Meu pai e irmãos eram fissurados em automobilismo e mesmo que não fosse tão entusiasta quanto eles, lia e me atualizava sobre o assunto.

    Não era à toa que a profissão que escolhi seja mais masculinizada e racional. Minha mãe é filha de fazendeiro, trabalhava braçal desde criança e dentro de casa, nunca houve muito sobre delicadeza e mundo rosa. Em outras palavras, não existia nada que pudesse ser considerado frescura para os homens.

    Era a filha do meio, tinha um irmão mais velho e outro mais novo. Sempre estive no meio dos meninos e até antes de trabalhar, me vestia como um moleque. Ter um código de vestimenta me fez despertar um pouco do meu lado feminino, o suficiente para mudar meu estilo.

    Deixei as calças folgadas por jeans justos e blusas pretas e largas por blusas claras e sociais. As calcinhas da vovó foram substituídas por calcinhas estilo biquínis e renda. As sapatilhas continuaram nos meus pés, porque o salto nunca foi uma opção para mim.

    — Quase uma hora. Por um lado é bom, porque aproveito para ler ou escutar música. — tento transformar minha resposta em algo que não era realmente. Odiava ficar tanto tempo no transporte coletivo, além de ser muito receosa em ser assaltada, como já fui duas vezes.

    A primeira vez foi depois de um dia que tudo estava dando errado. Meu celular tinha caído na privada e pifado, o sistema havia sido atualizado sem minha bateria de testes e gerado um transtorno no financeiro e Alex me obrigou a ficar até mais tarde para corrigir tudo. No final, o garoto com uma faca me abordou e levou meu celular morto e o dinheiro da carteira.

    Fiquei uma semana paranoica e depois de comprar um celular em várias parcelas, algumas semanas depois fui assaltada novamente. Desta vez, a paranoia deu lugar a raiva. Depois desse dia, o meu smartphone era o mais barato do mercado, não iria sustentar esses bandidos.

    — Mora com seus pais? — Sem olhar na minha direção e não tendo pressa para chegar até minha casa, suspiro e aceito que haverá todo um questionário sobre minha pessoa. Espero não dizer nenhuma asneira, já que o estofado macio e sua voz com sotaque estavam começando a mexer com meus hormônios.

    — Sim. Meus pais, eu e dois irmãos. — Fico olhando o painel entre nós dois e admirando a tecnologia. Esse carro era luxuoso e tenho certeza que nunca mais andaria em um desses. Meus irmãos morreriam de inveja quando contasse.

    Sesshomaru era um homem irresistível dirigindo um carro impressionante. Não me importava com dinheiro, não era essa a questão e sim sua personalidade, seu intelecto e sua atitude. Com certeza ele transformaria dirigir um fusca em algo magnífico.

    — Não há carros em sua casa? Nenhum deles pode pegar você no serviço?

    — Digamos que essa foi uma escolha minha. — Droga, estava entrando em um assunto delicado dentro da minha família. Todos queriam que saísse da empresa, por causa do tanto que sofria nas mãos de Alex e a falta de pagamento de horas-extras.

    No início chegava a minha casa e buscava consolo com minha mãe sobre as coisas que acontecia, desde a pressão para concluir um projeto até as ligações de madrugada para dar suporte. Ninguém da minha família aceitou muito bem e comecei a omitir tudo, inclusive que saia tarde do serviço. Sempre falava que ia jogar RPG com Caio ou ia ao cinema com o pessoal da faculdade. Ninguém sabia que minha vida social andava mais pacata que conversa entre tartarugas.

    Todos tinham carro em casa, menos eu, que guardava dinheiro para fazer um mochilão pela Europa. Cada um tinha uma prioridade e a minha era viajar. Queria a experiência econômica, mas também não queria passar vontade.

    Sandro tinha vinte e seis anos, era funcionário público e enquanto não encontrasse uma mulher que fizesse tudo o que minha mãe fazia para ele, não sairia de casa. Ou seja, ficaria eternamente com meus pais, coitados.

    Paulo, meu irmão mais novo de vinte anos ainda cursava relações públicas e estagiava em uma emissora de televisão. Fez alguns trabalhos informais como modelo fotográfico e conseguiu dinheiro para comprar seu próprio carro. Também não tinha nenhuma intenção de sair de casa.

    Eu, a filha do meio e com vinte e quatro anos só queria encontrar meu espaço no mercado de trabalho. Faria o mochilão e diferente dos meus irmãos, queria um canto apenas meu. Mas essa era uma meta a longo prazo, quem sabe com meus trinta anos.

    Meus pais nunca esbanjaram dinheiro, vivíamos sempre no limite, porém, nunca passamos dificuldades. Eles sempre nos incentivaram a conquistar as coisas ao invés de ganhá-las, já que não podiam nos dar esse luxo. Meu pai nos ajudava quando precisamos, mas a cada real emprestado, queria saber seu destino. Minha mãe havia abandonado seu trabalho como professora e cuidava exclusivamente da casa e dos seus homens.

    — Você prefere se arriscar em um ônibus a esperar uma carona de alguém da sua casa? — o tom familiar de contrariedade e irritação me fez olhar para ele e levantar as sobrancelhas.

    Se fosse qualquer um, diria que a vida era minha e o problema era meu. Mas sendo o todo poderoso e o homem que queria impressionar de alguma forma, medi minhas palavras. Queria que soubesse sobre mim tanto quanto queria saber mais dele, sem interferir em nossa relação profissional.

    Sei que não pareço uma namorada de CEO, então, continuaria desejando-o nos meus sonhos, não era crime.

    — Não gosto de me arriscar, mas também não gosto de ser controlada, o que uma carona com alguém de casa significaria. Uso o transporte coletivo pela liberdade de ir e vir.

    — Por que não compra um carro para você?

    Vê-lo dirigindo, postura ereta e braços estendidos apenas somavam pontos para o quão irresistível Sesshomaru era no meu conceito pessoal. Se ditando ordens e sendo sério me deixava completamente ofegante, pilotando essa máquina me fazia ter falta de ar.

    Como dizer que o dinheiro que tenho guardado era para viajar? Ou então, como explicar que não é tão simples comprar um carro quando se pertencia à minha família .

    — Minha meta no momento é outra. — tento encerrar o assunto, mas o homem era persistente. Que vontade de ser íntima dele e poder mostrar minha língua como fazia com Caio, apenas para mudar a direção dessa inquisição.

    — Qual é a sua meta? — seu tom muda para curioso e decido amezinhar a conversa com uma brincadeira.

    — Por que só você faz as perguntas? Minha vez. — Sorrio quando ele rapidamente olha para mim com despreocupação.

    — O que quer saber? — Sesshomaru está concentrado na direção e em todos os meus movimentos. Arrepio ao perceber que irá responder o que quiser saber.

    Será que você aceitaria um romance casual, mas que não afetasse nosso profissional? Queria perguntar isso, mas decidi por um assunto seguro, que não envolvesse minha imaginação fértil e sonhadora.

    — Você é Júnior ou Neto? — aproveito para tirar a dúvida que surgiu quando pesquisei sobre o CEO pai e filho.

    — Nenhum dos dois. — responde um pouco sombrio.

    — Você e seu pai tem o mesmo nome? Homônimos? Igualzinho? — insisto e mesmo parecendo tenso, sorri de lado.

    — Sim, homônimos.

    — Uau, estou pensando no desastre quando você era adolescente e alguma menina ligava para falar com você. — divirto-me um pouco e vejo a tensão sair de seu corpo quando ele vira o carro na minha rua.

    — Sim, seria um problema se morássemos juntos, mas nunca morei com ele. Qual dessas casas? — Vagarosamente, ele segue pela rua quando aponto a casa verde.

    — Nossa! O que será que está acontecendo que todos estão do lado de fora? — pergunto de forma retórica e tento deduzir. — Já sei, Paulo deve ter mexido com a vizinha novamente e minha mãe o está obrigando a se desculpar. Esse menino não vai aprender nunca a mudar suas conquistas para longe do bairro.

    Sesshomaru para o carro o mais próximo de casa e minha mãe se aproxima de nós completamente irritada. Droga! Algo grave aconteceu.

    Era só o que me faltava, minha mãe fazendo seus discursos acalorados na frente do meu chefe, o dono da empresa, o homem que tinha poder de me demitir.


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