Procura-se um Marido

  • Aelita
  • Capitulos 11
  • Gêneros Romance e Novela

Tempo estimado de leitura: 4 horas

    10
    Capítulos:

    Capítulo 8

    Capítulo 8

    Álcool, Linguagem Imprópria

    -Diz que você vai se casar com aquele deus, por favor,Sakura! – falou Mari enquanto tomávamos nosso café da manhã na cozinha organizada de Ana

    Não sei não Mari, o Sasuke é....insuportável – Tudo bem , talvez exagero de minha parte. Ele sempre dizia a coisa errada de maneira errada, mas não era a praga que eu havia imaginado. Não totalmente.

    Eu havia passado a noite em claro contemplando minhas opções, revendo os prós e os contras de me casar com ele, e não chegara a conclusão alguma. Tentei inutilmente afastar da cabeça as imagens pertubadoras que meu subconsiente havia criado de Sasuke e eu na mesma cama. A questão era que ele realmente não fazia meu tipo – muito certinho e cheio de regras para o meu gosto. Não consegui compreender porque eu havia ficado tão intrigada a respeito da existência ou não de pelos em seu tórax. Ridículo!

    -Os outros eram muito melhores que ele, claro – disse Mari com desdém.

    -Você sabe que não.

    -Eu acho que Sasuke tem razão. Ninguém ia desconfiar ... muito... se vocês se casassem. Ia ser o arranjo perfeito

    -Se ele fosse mudo, ia mesmo – apontei, tomando um gole de café com leite.

    Ninguém é perfeito. Se bem que o Sasuke, pelo menos por fora, chega bem perto – ela sorriu, suspirou e revirou os olhos, tudo ao mesmo tempo, depois se recompôs. – Veja a situação de outro ponto de vista. Do meu ponto de vista O Sasuke é bonito o bastante para alguém querer se casar com ele. Tem um bom emprego, casa própria e ficou louco quando conheceu você.

    -Isso é verdade. Ele parecia um doido soltando os cachorros para cima de mim.

    -Meninas, que dia maravilhoso! Perfeito para uma caminhada – exclamou Ana, passando pela porta da cozinha com sacolas cheias de frutas penduradas nos braços e alguns envelopes nas mãos. – Ainda bem que eu só tenho paciente às dez hoje. Que caras são essas? O que vocês estão tramando para o final de semana? – ela colocou as sacolas sobre a mesa.

    -Ainda estamos decidindo – respondeu Mari.

    Sim, ainda estamos decidindo.Talvez eu me case, ou talvez pinte as unhas de azul.Não sei bem.

    -Chegou uma carta para você Sakura. – disse Ana, enquanto avaliava a correspondência.

    -Sério? Clovis se dera ao trabalho de enviar uma correspondência para a casa da Mari? Por um momento me senti péssima por ter gritado com ele. E por ter dito coisas não muito agradáveis. O cara só estava tentando cumprir seu dever. A culpa não era dele se meu avô havia decidido me colocar numa situação daquelas. Suspirei exasperada. Talvez eu devesse ligar pra ele e pedir desculpas.

    -Na verdade, chegaram várias. – ela me entregou uma pequena pilha. – Vou tomar uma ducha e preparar alguma coisa para comer. Comprei frutas, se quiserem experimentar uma vida saudável... – Ela beijou carinhosamente a bochecha de Mari, depois a minha e marchou para o banheiro.

    Avaliei os envelopes, todos bancários.

    Abri o primeiro: a fatura do meu American Express

    - Oh, Deus! To ferrada!

    Minha dívida era estratosférica para o padrão de vida que eu estava levando. Nem economizando um ano de salário como assistente de secretária eu conseguiria pagar o valor mínimo daquela fatura. Nem me dei ao trabalho de abrir os outros envelopes. Eu sabia que o pior estava na fatura do Visa. Juntei tudo e guardei na bolsa.

    -Aonde você vai? – Mari perguntou, quando me viu à procura da chave do carro. – Você está com aquela cara de quem vai aprontar. Vai se atrasar outra vez!

    -Vou resolver um probleminha. – Pedir desculpas ao Clóvis. – poi sim! Eu esganaria aquele advogado presunçoso . – Depois me entendo com a Joyce.

    -Eu conheço esse olhar. Você vai se meter em confusão.

    -Minha especialidade. – Abracei-a rapidamente e corri para a garagem.

    Não me incomodei em ligar para o Clóvis e avisar que estava indo vê-lo. Eu sabia que ele estaria no escritório no centro da cidade e segui direto para lá. Quando a secretária dele quis me deter antes que eu arrombasse a porta da sala, respirei fundo, me refreando de dizer poucas e boas para a garota, que apenas cumpria a sua função. Ou pelo menos tentava, já que assim que ela deu de costas, me esgueirei pela porta e entrei.

    - O que significa isso? – exigi saber, jogando as faturas na mesa do advogado atarracado.

    Ele avaliou os envelopes brevemente, pouco surpreso com minha entrada tempestuosa.

    - São as suas faturas de cartão de crédito

    - Você sabe muito bem que não tenho como pagar nenhuma delas.

    - Então não devia ter feito uma dívida tão alta – ele voltou os olhos para a papelada à sua frente.

    - Bom, eu não sabia que o meu avô pretendia morrer e me deserdar – comentei, azeda – Você sabe que o Conglomerado Lima sempre pagou minhas contas. Sempre!

    - Sakura – ele retirou os óculos fora de moda há pelo menos uma década e os colocou sobre a mesa. – Você sabe que eu estou apenas cumprindo ordens.

    - Eu não tenho como pagar isso – insisti, mostrando-lhe as faturas. – Meu salário é uma merreca.

    - Tente negociar a dívida. Ou venda alguma coisa para levantar verba.

    - Eu não tenho nada para vender – apontei.

    - Você tem seu carro.

    - E depender de ônibus? Você já andou numa daquelas coisas? – De repente, entendi tudo. – Você está fazendo isso porque eu saí de casa, não é? Se pensa que agindo assim vai me obrigar a voltar para mansão, está muito enganado.

    - Preste atenção, Sakura. – Ele uniu as mãos e as colocou sob um de seus dois queixos. – Suas dívidas são muito altas, pelo que observei. Uma pequena fortuna, eu diria. As operadoras dos cartões sabem quem você é. Todo mundo sabe! Bragança e Lima é um sobrenome com força e tradição neste país. Assim, se as faturas não forem pagas, eles provavelmente vão protestar a dívida e entrar com uma ação monitória, que consiste basicamente na penhora de seus bens para garantir o pagamento do débito. Seu único bem, o carro, vai ser penhorado.

    - Não vou deixar ninguém levar meu carro – vociferei.

    - Nesse caso, você passaria de devedora a infiel depositária e seria presa – ele deu de ombros muito calmamente. – Entende agora?

    - Mas... mas... eu não quero ficar sem meu Porsche. Ele é lindo. Ele é vermelho! O vovô me deu de presente de dezoito anos. Não posso vender meu carro!

    - Eu sinto muito, Sakura. Estou de mãos atadas. E isso não tem nada a ver com você ter saído de casa. São ordens do seu avô. Não há nada que eu possa fazer. – Mas, de novo, senti que ele poderia sim fazer alguma coisa. Se quisesse. E, obviamente, não queria.

    - Clóvis, eu te odeio, sabia?

    - Fazia uma vaga ideia – ele resmungou, baixando os olhos, ressentido. – Quem é que vai gostar do portador de más notícias?

    - Ai, Clóvis... Argh! Me desculpa. Eu não... eu não quis dizer isso. É só que... Pelo amor de Deus, olha pra mim? – abri os braços desamparada. – Estou sozinha nessa. Completamente sozinha e... Esquece tudo que eu disse.

    - Quer dizer que você vai voltar para casa? Me deixa cuidar de você, Sakura.

    Franzi a testa. Por mais que eu quisesse o conforto de meu quarto, de minha casa, não me submeteria às vontades de Clóvis, ainda que ele fosse bem-intencionado. E parte de mim ainda não conseguia gostar do cara. Ressentimentos antigos custam a morrer.

    - Vou pensar – menti.

    Sem me despedir, deixei sua sala e amaldiçoei meu avô durante todo o trajeto até a B&L. Eram quase onze horas quando cheguei. Então fui procurar a última pessoa que queria ver e a única que poderia pôr fim àquele pesadelo no breve período de um ano.

    Encontrei Sasuke em sua mesa organizada, analisando atentamente a tela do computador

    - Tudo bem, Sasuke – falei, sentando sobre sua mesa e amassando alguns documentos. – Vamos nos casar.

    Ele tirou os olhos do monitor, se recostou na cadeira, me fitou e sorriu.

    - Uau! É a primeira vez que sou pedido em casamento. Não vai nem se ajoelhar? – zombou.

    - Deixa de gracinha. Eu preciso de um marido pra ontem. Você pode me ajudar a providenciar os documentos necessários?

    Ele ficou sério, de volta aos negócios.

    - Vai ser só no civil ou você sonha com...

    - Eu sonho em não ir para cadeia. Por ora, isso é suficiente. Só no civil está de bom tamanho.

    - Cadeia? – sua testa franziu.

    - Não é o que você está pensando. Estou com um probleminha com os meus cartões de crédito. A empresa sempre pagou minhas faturas. Esse mês ficou por minha conta.

    - Ah.

    - É, ah. Vou ter que vender meu cupê. Acho que consigo quitar tudo e talvez sobre algum dinheiro. – Desci da mesa e segui em direção ao elevador, completamente desanimada. – Me avisa se precisar de qualquer coisa.

    - Sakura, espera! – ele veio ao meu encontro a passos largos. – Nós não discutimos o que eu espero que você faça.

    Tentei com todas as forças deixar fora de cena as imagens criadas por meu subconsciente, mas não fui capaz de bloqueá-las. Não todas.

    - E o que seria? – perguntei insegura.

    - Provavelmente você vai ter que me acompanhar a jantares, festas e coisas do tipo – ele deu de ombros.

    - Tudo bem, posso fazer isso.

    - Vamos ter que passar a imagem de um casal recém-casado nessas ocasiões – ele disse, bastante sem jeito

    - Você quer dizer... sorrisos, dedos entrelaçados e esse tipo de coisa? – sugeri, com o coração aos pulos.

    - Esse tipo de coisa – Sasuke concordou, desviando os olhos para o corredor.

    Comecei a suar.

    - Um ano passa depressa – acrescentou ele, apressado, ao notar meu desconforto. – Vai ser só por um ano.

    Só por um ano.

    Suspirei.

    - Tudo bem, Sasuke. Você me ajuda, eu te ajudo. Esse é o acordo.

    Ele ficou sério. Muito sério.

    - Isso é um sim? – questionou.

    - Não tenho outra saída. Então... vamos nos casar –abri os braços, desamparada.

    Vi seus lábios lutarem contra um sorriso teimoso, mas acabaram falhando, e eu surpresa, me peguei retribuindo.

    - É sempre tão difícil pra você dizer sim? – ele perguntou.

    - Ah... eu não sei – minha testa franziu. Era?

    - No final, talvez a gente tenha boas histórias pra contar – ele comentou.

    - Se eu estiver contando as histórias na sala da minha casa, já fico satisfeita.

    Ele riu.

    - Pode deixar a papelada por minha conta. Acho que consigo adiantar nossas bodas. – ele fez uma careta divertida.

    Um arrepio delicioso percorreu minha coluna.

    - Falando assim, até parece que você está feliz – comentei, desviando os olhos para o chão.

    - E estou. – Havia mais que bom humor em seu tom. Tive que olhar para ele, que sorria largamente enquanto me fitava com intensidade. – Vou ter o que eu quero – ele disse, numa voz baixa e rouca.

    Engoli em seco.

    - Minha promoção! – acrescentou triunfante.


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