Procura-se um Marido

  • Aelita
  • Capitulos 11
  • Gêneros Romance e Novela

Tempo estimado de leitura: 4 horas

    10
    Capítulos:

    Capítulo 7

    Capítulo 7

    Álcool, Linguagem Imprópria

    Sasuke observava, entediado, o movimento de clientes que entravam e saíam do café. Sua expressão de poucos amigos sugeria impaciência.

    - Não pode ser ele! Não o Sasuke - comecei a voltar para o carro – Vamos embora, Mari. Agora!

    Ela correu para me alcançar.

    - Que Sasuke? O da B&L? Que você não gosta? Aquele que você diz que te detesta, mas pagou sua gasolina?

    - Bingo!

    - Mas...ele é lindo! - ela parecia confusa. - Como você pode não gostar dele?

    - Você não tem idéia de como esse cara é grosseiro - eu disse, destravando as portas do carro com o botão na chave.

    - Você não vai falar com ele? - ela se postou na frente da porta do motorista, me impedindo de abri-la.

    - Obvio que não! O Sasuke ia contar para o Clóvis o que estou tentando fazer antes mesmo que eu saísse do café, e aí já era qualquer possibilidade de retornar as rédeas da minha vida.

    - Mas ele não pode contar, afinal também está aqui - ela apontou – Ele também está fazendo algo errado.

    Sacudi a cabeça, impaciente.

    - Pode ser uma armação para me pegar no flagra. Vamos para casa antes que ele me veja.

    - Como esse Sasuke poderia saber que o anúncio era seu? - retrucou ela. – Você não colocou o seu nome. E, pela cara de impaciência, ele parece nervoso.

    Você não está nem um pouquinho curiosa para saber por que ele respondeu a um anúncio desse tip..Hã...- ela parou abruptamente e olhou fixo para meu ombro esquerdo, levantando as mãos espalmadas. - Não se mexe, fica calma.

    Vai ficar tudo bem.

    - Por que você está dizendo iss...Aaaaaah! - virei a cabeça e então vi. Pequena, azul e mortalmente assustadora, a borboleta pousara em meu ombro esquerdo.

    Gritei e me debati violentamente - Tira isso de mim!

    - Pára! - pediu Mari, tentando me imobilizar e ao mesmo tempo afastar o bicho. - Assim você vai machucar a borboleta.

    - Sai, sai, sai! - me contorci freneticamente.

    - Pronto, Sakura. Pode parar. Ela já foi - minha amiga apontou para a borboleta, que voou serelepe até repousar na janela em que estávamos grudadas havia poucos instantes - Ah, é um sinal!

    - SIm. De que as borboletas resolveram me atacar. Elas estão por toda parte! - reclamei, tentando controlar meu ritmo cardíaco e os tremores involuntários.

    - Vi uma igualzinha a essa na garagem da mansão um tempo atrás.

    - Você vê várias porque tem medo. Mas a borboleta significa coisas boas em quase todas as religiões. Ela traz sorte. E essa aí quer que você entre lá! – ela apontou para o café.

    - Era só o que me faltava! revirei os olhos. - Seguir os conselhos de uma lagarta.

    - Por favor, Sakura! Só uma conversinha rápida - ela uniu as mãos em súplica, os olhos enormes e brilhantes - Você me deve uma. Eu te salvei da borboleta!

    Eu gemi.

    - Tá bom, eu vou falar com ele. Mas se eu desconfiar de qualquer coisa, saímos correndo

    - De acordo - ela sorriu satisfeita

    - Fica por perto, pro caso de..sei lá...Só fica por perto - alertei.

    - Prometo - ela assentiu, cruzando os dedos indicadores e dando dois beijinhos.

    Lentamente - e mantendo uma distância segura do inseto que ainda estava na janela, como se me observasse - entramos na cafeteria. Mari correu para um dos bancos altos do balcão. Dirigi-me para os fundos. Sasuke me viu e imediatamente se enrijeceu. Por um momento, seu rosto se tornou inexpressivo, depois de um rubor cálido tomou suas feições. Ele acenou brevemente com a cabeça e olhou para os lados, como se procurasse uma rota de fuga. Pareceu em pânico ao me ver seguir em sua direção e sentar na cadeira à sua frente.

    - Aproveitando o tempo livre? - perguntei tentando não parecer nervosa.

    - Eu...estou esperando uma pessoa.

    - Ah. Ela te deu um bolo? - disparei, subitamente animada com a possibilidade de irritá-lo. Sasuke tinha esse efeito sobre mim. Eu sempre queria provocá-lo de alguma maneira.

    - Escuta, será que você poderia...

    - Olha, os classificados! Posso dar uma olhada? Meu trabalho é um saco. Quem sabe tem alguma coisa mais interessante...

    - É antigo. Da semana passada - ele se apressou em dizer, recolhendo o jornal da mesa. - Só tem anúncio velho.

    - E por que você está com ele? - perguntei inocente - Não me diga que vai deixar a B&L? Seria uma perda irreparável!

    Ele suspirou exasperado.

    - Sakura, por que você não vai procurar algo útil para fazer e me deixa em paz? - sugeriu com um brilho perigoso nos olhos.

    Eu tinha que admitir, Mari estava certa. Sasuke era lindo. Sorrindo, furioso, cansado, tanto fazia. Nenhum homem conseguia ser tão sexy quanto ele, mesmo quando tentava ser justamente o oposto, como era o caso. E, apesar de tudo, tive certeza de que eu não estava caindo numa armadilha. Ele não seria sangue-frio para arquitetar um plano tão meticuloso só para me pegar em flagrante. Ao menos eu achava que não. Decidi arriscar.

    - Já vou. Só me responde uma coisa. Você trouxe seus antecedentes criminais?

    Tive a satisfação de ver seu queixo trincar e seus olhos se fecharem, exauridos, antes que ele pudesse pôr os pensamentos em ordem.

    - Você é a Lili - Sasuke constatou com um suspiro irritado. Ele me encarou com um misto de raiva, medo e mais alguma coisa que não pude identificar – Você vai burlar o testamento.

    - Brilhante dedução. Mas confesso que fiquei intrigada. Você sabe por que estou fazendo isso, mas o que estou me perguntando é por que você está aqui.

    - Pela mesma razão que você - ele respondeu secamente.

    - Você também precisa se casar para receber uma herança?

    - Não faça isso, por favor.

    - Desculpa. eu realmente não entendo que motivo você tenha para estar aqui - respondi com sinceridade.

    Isso pareceu amenizar um pouco seu mal humor.

    - Preciso de uma esposa - ele disse apenas, numa voz gentil.

    Eu o observei por um longo tempo. Sasuke era aquele tipo de homem que fazia uma garota - não a mim, claro - suspirar por semanas só porque ele lhe disse oi. E era bem normal. Eu já o conhecia um pouco, sabia que ele não era dado a esquisitices nem nada. O problema era que Sasuke era insuportavelmente arrogante, orgulhoso e muito chato. Não que eu estivesse cogitando a hipotése de torna-lo meu marido, claro que não. Mas, ainda assim, eu não entendia por que ele tentava encontrar uma esposa da maneira tradicional. Seria fácil demais alguma garota desavisada cair nos encantos daqueles olhos sedutores e um tanto agressivos.

    Contudo, ali estava ele tentando encontrar uma esposa de aluguel. Só poderia haver um motivo.

    - Então você precisa se casar, mas, dadas as circunstâncias tudo me leva a crer que não quer...assim como eu.

    Ele assentiu.

    - E precisa porque... - me interrompi sugestivamente.

    - Por motivos profissionais - ele tamborilava os dedos no tampo branco da mesa.

    Esperei por mais alguma coisa, qualquer explicação que fosse, mas ele apenas continuou me encarando com aqueles olhos flamejantes, sem dizer uma única palavra.

    - Só isso? essa é toda a explicação que você tem pra me dar? - indaguei.

    Ele suspirou profundamente e cruzou as mãos sobre a mesa.

    - Não sei se você ouviu falar que a vaga de diretor de comércio exterior está aberta. Meu nome foi citado e tenho boas chances de conseguir o cargo, mas como a diretoria segue os príncipios deixados pelo seu avô, um homem considerado responsável, de família, leva vantagem. Sou o único que foi mencionado para a vaga que ainda é solteiro. Quero igualar minhas chances.

    - Ah - fiquei um pouco decepcionada. Esperava algo mais emocionante que aquilo - Parece um motivo bastante...hã...prático, por assim dizer.

    - Tudo bem Sakura. Você já se divertiu bastante. Agora eu tenho mais o que fazer - ele se levantou, tirando o dinheiro da carteira e deixando sobre a mesa.

    - Mas o que foi que eu disse? Caramba! Você é muito estressado!

    Ele voltou os olhos avelas em minha direção.

    Pensei que ia encontrar uma mulher hoje à noite, não uma menina mimada.

    Achei que discutiríamos o assunto como dois adultos.

    - Eu sou uma adulta. - retruquei, cruzando os braços sobre o peito.

    Ele suspirou, fechando os olhos. Quando voltou a abri-los, estavam mais suaves.

    - Quer tentar discutir o assunto de forma civilizada?

    - E quando eu não fui civilizada, Sasuke? - perguntei sorrindo.

    Ele sacudiu a cabeça, mas voltou a se sentar.

    - Sakura se você puder deixar de lado esse seu sarcasmo, vai ver que é uma ótima oportunidade para nós dois. Você recebe sua fortuna, eu tenho minha promoção. Todo mundo sai ganhando.

    - E você, claro, não pretende dizer uma palavra sobre isso a ninguém.

    - Claro que não. Escuta - ele se inclinou ligeiramente em minha direção, as mãos espalmadas sobre a mesa - pelo que eu sei, você só precisa de um marido por um ano, certo? - Quando assenti, ele continuou. - Eu também não preciso de mais tempo que isso. Podemos nos divorciar em alguns meses e tudo acaba bem.

    - Você está esquecendo de um detalhe. Eu tenho que parecer casada. Convencer todo mundo que é real. A gente teria que dividir o mesmo teto e, admita, morar na mesma casa não seria como um acampamento de verão. Você me detesta, e eu...bem...não te suporto.

    - Você tem o dom de deturpar qualquer coisa, não é? - ele sorriu um pouco, correndo a mão pelos cabelos  - Tudo bem, eu te acho mimada, desatenta e irresponsável, mas isso é o que você é. Não posso te detestar por esses motivos.

    - E você me detesta por quê, então?

    - Eu não te detesto - ele afirmou categórico, os olhos fixos nos meus.

    Espantei-me com a seriedade em seu rosto e, inexplicavelmente, acreditei nele.

    Sasuke era uma pessoa bem normal, por isso mesmo eu não entendia por que justo ele, de todos os candidatos esquisitos, era o que mais me assustava. Talvez fosse aquela hostilidade que ele sempre tinha em relação a mim que me deixava tão inquieta. Ainda assim, ele era, de certo modo, confiável.

    Senti minha cabeça rodar. Eu estava ficando louca. Exatamente como tia Celine.

    - Você mora sozinho, imagino - me ouvi dizer.

    - Sim Sakura, eu moro sozinho. O apartamento é meu.

    - Onde eu ficaria se...considerasse a hipótese de casar com você?

    - No seu quarto - ele disse lentamente, desconfiado, então deu um longo suspiro. - Tudo bem, não vou mentir - Meu coração deu um pulo. Ele ia dizer que me queria em seu quarto, e eu havia deixado claro no anúncio que não haveria contato físico.

    Oh, Deus, ele me quer em sua cama!

    Por um instante, vislumbrei Sasuke na cama, o corpo nu forte e suado colado ao meu, os cabelos desgrenhados, a pele levemente corada pelo esforço físico, a mão grande brincando com meus cabelos, meu rosto, os lábios se abrindo num sorriso sensual antes de descer para cobrir minha boca mais uma vez...

    - ...meu apartamento é pequeno e modesto comparado ao conforto com o qual você está acostumada, mas tem espaço bastante pra gente viver em certa harmonia - ele concluiu.

    - Ah - sacudi a cabeça para tentar clarear os pensamentos. Por que raios imaginei Sasuke e eu na mesma cama? E por que minhas mãos estavam suando?

    - Você percebe como seria plausível? - Sasuke prosseguiu. - O casamento? Temos a desculpa perfeita. Trabalhamos juntos, nos apaixonamos e decidimos casar algumas semanas depois. Acontece o tempo todo. - ele dera de ombros.

    - Ninguém ia desconfiar do nosso acordo.

    Tentei me concentrar no que ele dizia, mas não conseguia parar de pensar em Sasuke sem roupa...Argh! Maluca. Exatamente como tia Celine.

    - Banheiros? - me obriguei a dizer.

    - Só tem um, mas poderíamos criar um cronograma com horários alternados para que cada um tenha sua privacidade - disse ele, todo negócios.

    - Só pra deixar claro, o casamento seria apenas uma formalidade. Seríamos duas pessoas livres, cada um na sua, sem se meter nos assuntos do outro. - expliquei.

    - Seríamos mais como colegas de república.

    - Não se preocupe, Eu entendi bem o recado do anúncio. Não procuro prazer pessoal nessa relação. Você não faz o meu tipo - ele sorriu.

    - Que ótimo. Vai evitar problemas, já que você também não faz o meu tipo. E esses seus comentários são extremamente inoportunos sabia? – resmunguei irritada.

    - Desculpa. Vou tentar me conter. - ele deslizou uma mão pelos cabelos novamente, suspirando.

    Aquele gesto corriqueiro, mas extremamente sensual, me fez experimentar uma sensação única. Como se eu estivesse dentro de uma propaganda de perfume de grife e Sasuke fosse o protagonista. Eu assistia a tudo de camarote.

    Em seguida ele tiraria a camisa e borrifaria o perfume no peito liso. A névoa fragrante envolveria sua pele e...

    - Vou fazer o possível para que nossa convivência não seja pior do que já é.

    - E você? - ele perguntou.

    - Eu o quê? - Será que seu peito era liso? Sasuke tinha aquela aparência máscula, quase rústica. Homens rústicos costumam ter pelo no peito. Pelos macios e quentes. Como cashmere.

    - Sakura, você está me ouvindo?

    Desviei os olhos de seu tórax para seu rosto. Ele parecia intrigado.

    - Oi? Estou, estou sim. - acho que corei.

    Ele ficou esperando por uma resposta, mas sinceramente, eu não fazia idéia do que dizer.

    - Então... - ele repetiu a pergunta. - Você se compromete a tornar minha vida menos penosa?

    - Ainda estou considerando a possibilidade, Sasuke. Você é o último homem que eu esperava encontrar aqui. Com quem eu um dia cogitaria casar. Não sei o que é pior, isso ou a miséria. - Um pouco rude demais, eu sabia, mas precisava impor limites. Aquela coisa de ir para a cama com ele havia me deixado muito vulnerável.

    Eu precisava me manter no controle da situação.

    - Fico lisonjeado, Sakura. - ele comentou, zombeteiro.

    - Não foi isso que eu quis dizer, mas vamos ser honestos, Sasuke. Em condições normais, eu não casaria com você nem que fosse o último homem sobre a terra.

    E você nunca sonharia em ter justamente a mim como sua mulher.

    - Concordo. Caso a gente feche negócio, os próximos doze meses vão ser conturbados pra mim, não vou negar. - Ele me fitou por alguns segundos antes de desviar os olhos para as próprias mãos - Mas a questão, Sakura, é o que é prioridade. No momento minha prioridade é a minha carreira. Posso viver com você por um ano para alcançar meu objetivo.

    - Quanto ao pagamento...

    - Eu não quero pagamento nenhum. Só preciso de uma esposa para apresentar para a diretoria e nada mais. É esse o pagamento que quero. Tenho meu próprio dinheiro. Pode guardar o seu - ele respondeu, seco.

    - Eu não quis te ofender, eu só...

    - Eu sei. Não ofendeu. - ele sorriu um pouco.

    - Vou pensar no assunto. Eu...te respondo amanhã, pode ser?

    - Claro. Mas pensa bem. Pode ser um bom negócio.

    - Tá. Então...eu vou indo. - me levantei. Sasuke também.

    Um suave aroma de folhas frescas num dia chuvoso de verão inundou meu nariz, um perfume extremamente sedutor e masculino. E vinha dele. Oh, Deus! Lá estava ele outra vez, borrifando o perfume no abdome definido coberto de pelos macios e sedosos como cashmere...

    - Eu...eu queria agradecer - ele começou, inseguro, os olhos buscando os meus.

    - Você foi muito perspicaz ao ter se antecipado e encontrado os contratos dos chineses. Eu realmente estaria em apuros sem a sua ajuda. Você tem alguma coisa do seu avô, afinal. Devia usar isso mais vezes. - E colocou as mãos nos bolsos da calça, atraindo meus olhos para o volume nada modesto entre seus quadris.

    Desviei o olhar imediatamente.

    - Obrigada, Sasuke. Ganhei o dia - zombei, levemente corada.

    - Estou falando sério. - O tom doce de sua voz me fez enfrentar os holofotes avelas e quentes. - Você parece muito com seu avô. Com a diferença, claro, de que ele era menos agressivo e jamais usaria a palavra rabo – ele sorriu um pouco. - Enfim, eu só queria que você soubesse como estou grato. Fiquei muito impressionado com você.

    Corei pra valer, absurdamente satisfeita por ele ter me elogiado daquele jeito só dele - e me sentindo uma completa idiota por sentir prazer nisso.

    - Não fique achando que essa babação de ovo vai fazer eu decidir me casar com você - murmurei, constrangida.

    - Eu não ousaria - ele abriu um sorriso que fez meu coração quase parar de bater.


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