The Secret

Tempo estimado de leitura: 22 minutos

    18
    Capítulos:

    Capítulo 2

    Um.

    Álcool, Hentai, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência

    THE SECRET

    Ainda era escuro, mas dava para ver a paisagem cinza e fria pelo vidro da janela do táxi. As nuvens carregadas de chuva e neve havia dado uma pausa, mas não seria por muito tempo. Dei mais uma olhada no meu relógio de pulso que marcava 5:45AM. Eu estava um pouco nervosa, minhas mãos soavam geladas por dentro das mangas do meu casaco de moletom vermelho. Estava indo para o meu primeiro dia de emprego de babá de uma garotinha de sete anos. Eu não tinha muita experiência com crianças, mas isso não impossibilitava que eu gostasse delas. Eu amava crianças.

    O táxi virou mais outra rua, e a paisagem agora tomou outro cenário, as casas que via antes foram substituídas por uma floresta de pinheiros cobertas pela neve. Podia se ver algumas árvores espalhadas, mas só os galhos, pois às folhas haviam caído, dando uma espécie de cenário sombrio de um filme de mistérios. E por um segundo eu me perguntei, o que diabos eu estava fazendo ali. Eu havia largado tudo. Havia largado a minha faculdade, a minha família, as minhas amigas, a minha vida... foi num momento de surto, ajuntei minhas roupas, raspei a minha caderneta e fugi daquela minha vida que havia se tornado estranha e sem sentido depois que acordei de um acidente misterioso que me fez perder parte de minhas memórias, excepcionalmente dois anos dela.

    Juro que depois disso eu tentei voltar a minha vida normal, tentei ser a mesma Sakura de antes, mas algo faltava. Aqueles dois anos não podiam ser preenchidos a menos que eu lembrasse o que havia acontecido de tão terrível que havia deixado meus pais superprotetores de uma hora para outra, e minhas amigas estranhamente cautelosas comigo. Eu havia percebido naquele momento que eu não pertenciamais aquele lugar. Aquela vida não pertencia mais a mim.

    Eu não era mais aquela Sakura.

    - Chegamos.

    A voz do taxista havia me tirado de meus devaneios. Ultimamente eu me perdia em meus pensamentos sem ao menos perceber.

    Fitei o motorista, em seguida meus olhos focaram no portão de ferro a frente. Podia ver um pouco da mansão que insistia em ser ocultada pelo nevoeiro. O cenário era bem gótico.

    - Quanto é? – perguntei enquanto pegava minha carteira da minha mochila.

    - Cinquenta pratas.

    Entreguei duas notas de vinte e uma de dez para ele e abri a porta, mas a sua voz me fez parar no processo:

    - Você quer um conselho?

    - Conselho?

    - Seja lá o que você vai fazer nessa mansão, não é uma boa ideia.

    O meu sensor de proteção entrou em alerta. Franzi o cenho.

    - Por que você está dizendo isso para mim?

    - É por que eu já ouvi estórias, muitas estórias desse lugar e nenhuma delas teve um final feliz.

    Podia sentir a bile subir em minha garganta, e um sentimento de que estava pisando em área proibida havia se apossado de todo o meu corpo. Aquilo deveria ser um sinal de que eu havia feito uma coisa idiota. Ainda dava tempo de desistir, certo? Mas se desistir agora, talvez eu não consiga outro emprego a tempo, pois todo o dinheiro que eu tinha era só vinte e cinco pratas agora. E voltar para a casa de meus pais estava fora de cogitação.

    Reuni toda a minha coragem que existia e coloquei o pé para fora do táxi.

    - Obrigada pelo conselho. – agradeci ao taxista antes de fechar a porta do carro. E seja lá o que Deus quiser.

    O táxi deu a ré, fazendo a curva e desceu a colina, desaparecendo pelo nevoeiro, me deixando sozinha em frente ao enorme portão de ferro, e o frio que congelava da ponta do meu nariz até a ponta do meu dedão do pé.

    Dei mais uma olhada no cartão aonde continha o endereço que a mulher de agência havia me dado, certificando-me de que eu estava no lugar certo, e mais outra olhada no relógio. 5:55AM. Eu estava um pouco adiantada do horário combinado, e isso podia soar como um pontinho a mais para mim, certo?

    Apertei o botão do interfone e depois de quase dois minutos contando a voz de uma mulher soou:

    - Pois não?

    - Ahn, sou a Sakura... Sakura Haruno, e eu vim pela vaga de babá.

    Silêncio.

    E antes que eu pudesse formular o que poderia estar acontecendo de errado, o portão de ferro se abriu, convidando-me para entrar. O frio no estômago havia ficado mais incômodo de acordo quando eu me aproximava da mansão. O caminho era todo de pedrinhas brancas, com moitinhas verdes com as pontas das folhas brancas por causa da neve. Também havia árvores e muitas delas estavam sem as folhas. A mansão tinha um aspecto bem antigo, mas estava conservada, mas mesmo assim, não tirava aquele ar de casa mal-assombrada.

    Subi um pequeno lance de escadas vendo a porta da frente se abrir e uma mulher aparecer bem a minha frente.

    - Sakura Haruno.

    Ela me cumprimentou e abriu mais a porta, me dando passagem para eu entrar.

    - Obrigada. – soltei um sorriso meio fechado, meio forcado, meio nervoso e passei por ela segurando firme a alça da minha mochila que estava no meu ombro direito e a minha pequena mala com a mão direita.

    Diferente do lado de fora que estava frio, o lado de dentro estava bem quente, e pude respirar melhor aquele ar sem que sentisse meu nariz ardendo. Ergui meu olhar a volta e fiquei deslumbrada com o luxo daquele lugar. O lado de dentro da casa era totalmente diferente do lado de fora que tinha um aspecto meio abandonado. A salão era enorme, com as paredes na cor cinza esverdeado, os móveis com molduras antigas e refinadas em detalhes ultrajantes e delicados como se acabasse de ter saído de uma loja. A enorme escadaria de madeira ficava no meio daquele salão, com os corrimãos dourados com molduras circulares. Haviam quadros nas pareces e por um segundo eu me perguntei se eram verdadeiros, pois havia reconhecido um Botticelli.

    Entramos em outro cômodo que deveria ser a sala de estar, e a decoração luxuosa se igualava ao salão, tudo muito bonito e muito delicado, fora de todos os padrões de casas modernas que eu estava acostumada.

    - Sente-se.

    Voltei minha atenção para a mulher que havia me recebido e que fazia um gesto com as mãos ao sofá com a moldura dourada e com um estofado vermelho ao meu lado. Sentei-me na pontinha do sofá, deixando a minha pequena mala e a mochila no chão ao lado dos meus pés. Ela sentou-se numa poltrona que ficava entre o sofá de três lugares a mesinha oval no centro e o sofá de dois lugares no qual eu estava sentada.

    Eu havia reparado nela, era uma mulher muito bonita, alta, os cabelos eram ruivos que estavam presos num coque bem feito. A pele perfeitamente pálida e sem nenhuma pinta ou marca, os olhos na cor âmbar, batom vermelho sangue nos lábios. A roupa era um vestido rodado que batia nos joelhos risco de giz preto de gola aberta estilo blazer sem mangas com detalhes de cinco presilhas de ouro velho que começava do decote até o final da cintura. Usava uma blusa de tecido fino e delicado de mangas compridas largas e de punho, com botões redondos do mesmo material e cor das presilhas do vestido, fechados até o pescoço com a gola franzida de babados de renda delicada por debaixo do vestido. Usava meias calça preta e sapatos pretos de salto.

    A mulher ruiva pegou uma pasta preta que estava sob a mesa oval a nossa frente, folheou algumas páginas e tirou uma folha. Puxei as mangas do meu casaco para que descobrissem minhas mãos, e fiz o possível para que elas não ficassem mais soadas de nervosismo.

    - Então, senhorita Haruno, confesso que fiquei surpresa quando a agência mandou seu formulário uns cinco minutos antes de você chegar. – ela ergueu os olhos para mim e depois para a minha bagagem. – E vejo que já veio preparada para ficar.

    Senti meu coração falhando uma batida com aquela declaração, e fiz o possível para que minha expressão não falhasse em demonstrar o quanto eu estava surpresa.

    - Ah... o folheto dizia que vocês ofereciam um quarto na casa e comida devido ao horário integral.

    - Sim, oferecemos, mas isso só depois da segunda fase da entrevista.

    Ah meu Deus, eu não podia acreditar nisso. Segunda fase? Nunca imaginei que teria que passar por uma segunda fase. E se caso eu não conseguisse essa vaga eu estaria em apuros.

    - Eu não sabia, me desculpe. – murmurei, apertando minhas mãos umas nas outras.

    - Bom, já que está aqui vamos começar. – uma pausa. – Estou vendo que você tem vinte e três anos, é solteira, sem filhos, e três anos e meio em medicina. – ergueu os olhos para mim. – Acaba de se mudar para a cidade.

    Apenas assenti com a cabeça, concordando.

    - De onde você vem?

    - Tóquio.

    - Uma cidade grande e moderna comparada com Konoha. – comentou, anotando algo na folha de papel que havia meus dados. – O que a fez tomar uma decisão de sair de uma cidade grande como Tóquio e vim morar numa cidade minúscula e atrasada?

    E novamente aqueles olhos frios e sérios me fitaram, e naquele momento eu havia percebido que aquele olhar me deixava nervosa. Eu tinha medo de errar alguma resposta, dizer algo idiota e falhar com tudo.

    - Isso é um assunto pessoal.

    Ela me fitou por alguns segundos, me avaliando detalhadamente. Em seguida sua atenção voltou para a folha.

    - Você tem alguma experiência com crianças?

    - Não muito. – e novamente aquele olhar me avaliando. – Bem, eu iria me formar em medicina pediátrica.

    - E vejo aqui que você trancou o curso.

    - Sim.

    - E presumo que isso também possa ter alguma relação ao seu assunto pessoal!?

    Engoli a seco e assenti.

    - Sim.

    - Bom, senhorita Haruno, eu entrevistei mais de trinta candidatas de segunda até terça e todas elas havia um currículo com anos de experiências com crianças. Você não tem nenhuma experiência em seu currículo, o máximo é uma quase formação em medicina pediátrica. O que faz você pensar que eu contrataria uma pessoa sem experiência nenhuma do que uma com muita experiência?

    Droga! Eu estava lascada. Como eu estava lascada.

    Eu podia me ver voltando para a casa dos meus pais com o rabo entre as pernas e eles brigando comigo – com toda a razão – o quanto eu era uma pessoa inconsequente. Eu não queria isso. Não quero voltar para Tóquio. Mas parecia que aquela mulher a minha frente tinha tido o prazer de bater à porta que me levava a ter uma nova vida na minha cara. Eu me via no fim da linha.

    - Ahn... Bem...

    O que eu podia dizer? Não tinha argumentos para debater com um currículo de anos de experiência no ramo de babá. Eu não tinha experiência. Eu só tinha uma força de vontade de não voltar para Tóquio.

    Resolvi ser sincera e dizer o que acho. Lançarei a minha sorte no ar e verei o que daria.

    - Não tenho experiência com crianças, isso é verdade... mas eu amo crianças. Talvez se a senhora contratasse uma pessoa com um currículo espetacular talvez possa ser uma péssima ideia...

    - E por que seria uma péssima ideia, senhorita Haruno? – ela havia me interrompido, a sobrancelha esquerda erguida.

    - O currículo não demonstra o verdadeiro caráter da pessoa. Ela pode ter experiência no ramo, mas nunca se sabe se vai ser amorosa com a criança. Existe muitos casos que a babá com anos experiências maltrata e ameaça crianças. Talvez os anos as fazem ser assim, o cansaço as deixem sem paciência, e não dar o devido amor e atenção que uma criança precisa. O dinheiro vem em primeiro lugar.

    - E no seu caso o dinheiro não vem em primeiro lugar?

    - Confesso que estou com alguns problemas financeiros e esse dinheiro viria muito a calhar. Mas nunca colocarei o dinheiro em primeiro lugar do que a saúde e o bem-estar da criança. E aliás, os meus três anos e meio de medicina pode ser uma vantagem a mais, pois saberei o que fazer caso a criança precise de assistência médica.

    Pronto. Agora era só esperar o resultado desastrosos desse monte de besteiras que eu disse.

    A mulher de cabelos vermelhos, me observava atentamente, processando o que eu havia dito, se seria uma boa ideia ou não me ter ali. Acho que se tivesse em seu lugar eu também faria a mesma coisa antes de contratar alguém para cuidar de um filho meu. Eu não a culpava de zelar pela segurança de sua filha.

    - Então, confesso que me aparentou ser uma pessoa diferente da primeira impressão que tive de você. Você me parece honesta e firme em suas palavras e decisões. E uma coisa tenho que concordar com você, as babás com mais experiências nem sempre são a melhor opção. Tivemos algumas experiências desastrosas. Sarada não é uma criança fácil de se lidar. Geralmente ela toma uma personalidade ignorante e fica pouco agressiva quando é questionada ou quando se irrita. Você me parece ser uma pessoa calma, e tenho a impressão que tem bastante paciência.

    - Eu tenho muita paciência. – concordei com ela, surpresa por aquela conversa está tomando um rumo positivo. – Eu garanto para a senhora que cuidarei muito bem da sua filha.

    Seu cenho franziu.

    - Minha filha? Sarada não é minha filha.

    - Ah, me desculpe.

    Droga, como eu fui dar essa mancada?

    - Como não tem experiência, você ficará sob minha supervisão por duas semanas. É como se fosse um treinamento antes de ter o contrato assinado. Irei avaliar o seu desempenho e seus métodos que usará para lidar com a Sarada.

    - Sim.

    Não podia evitar que meu sorriso começasse a escapar de pelos cantos de minha boca. Eu não podia acreditar que eu havia conseguido aquela vaga. Aquilo era quase como um milagre.

    - É o tempo que o mestre Uchiha chega. Ele está fora do país a negócios. É ele que vai assinar a sua carteira.

    - Ok.

    Ela se levantou da poltrona, e eu fiz o mesmo, meio que desastrada. Minhas pernas tremiam um pouco de nervoso.

    - Então senhorita Haruno, seja bem-vinda. – e pela primeira vez eu pude ver uma sombra de um pequeno sorriso no canto esquerdo de sua boca. – Eu me chamo Karin, eu sou a responsável por governar esta casa e todas as coisas que se relacione ao mestre Uchiha.

    Então ela era a governanta.

    Assenti com a cabeça e ela continuou:

    - Você ficará responsável somente pelas coisas que se relacione a pequena Sarada. Os horários dela acordar e dormir, até os horários de suas aulas com o seu tutor. As roupas, a comida, os lazeres, tudo. Essa é a sua função aqui.

    - Entendi.

    - Os horários que ela acorda são as sete em ponto, que é o tempo suficiente para ela se arrumar e dejejuar por que as oito em ponto ela tem que estar na sala da biblioteca onde o tutor particular estará à sua espera para começar as lições. Suas aulas duram até uma da tarde. Nesse período do tempo eu irei apresentar a casa para você. Mas geralmente nesse intervalo você cuidará do almoço e dos afazeres referentes a ela. A tarde ela costuma brincar com as bonecas, mas você tem que colocá-la para fazer as lições de casa. As sete da noite é o horário que ela está almoçando, e as oito e meia e as nove é quando ela vai dormir. É aí que o seu turno acaba. E as seis da manhã ele começa, é o temo que você precisa para preparar o dejejum dela para quando ela acordar. Aos domingos nós a deixamos dormir um pouco mais tarde, já que ela não estuda. Você pode programar qualquer coisa para fazer com ela, isso fica a seu critério. Mas a alerto que a Sarada não gosta muito de sair da casa. Alguma pergunta?

    Eu me sentia tonta com tantas coisas para fazer. Era informação demais. A agenda daquela menina era calculada demais para uma criança de sete anos.

    - Quando é que eu começo?

    - Agora. – respondeu. – Irei mostrar o seu quanto e a biblioteca. Siga-me.

    Peguei a minha bagagem e a segui assim que vi Karin caminhar para fora da sala de estar. O som de seu salto fazia eco pelo cômodo enquanto ela caminhava. Passamos por um corredor largo e paramos em frente a uma porta. Ela abriu, revelando uma sala grande e ampla repleta de estantes com prateleiras abarrotadas de livros. Também havia uma mesa grande retangular com várias cadeiras em volta.

    - Essa é a biblioteca, é aonde a pequena Sarada tem aulas particulares com seu tutor.

    Dava para perceber que o meu novo patrão era podre de rico, para ter uma casa daquele tamanho e refinada com mobílias que valeria uma fortuna se levada ao leilão devido as molduras que lembravam o século XVIII, e sua própria biblioteca particular.

    Voltamos o caminho por onde viemos do corredor e atravessamos o salão amplo por onde ficava a porta de entrada e viramos um outro corredor, passando pela ampla sala de jantar, e entramos na cozinha enorme. Diferente dos outros cômodos, a cozinha parecia o lugar mais moderno daquela casa. Pelo menos eles tinham um forno elétrico, uma geladeira e um micro-ondas.

    - Os alimentos que precisa para preparar as refeições da pequena Sarada estão nos armários e na geladeira. Fique à vontade para mexer em tudo. Caso precise ou falte algo é só me comunicar.

    - Sim.

    Saímos da cozinha e ao lado havia um outro corredor mais estreito do que os outros e com pouca luminosidade do que os outros cômodos da casa. Não que a casa seja toda iluminada, ela não havia muita luz atravessando as janelas. Apesar de ser bem quente ela não passava uma sensação aconchegante, a casa tinha um aspecto bem frio e sombrio.

    Nossa última parada foi em frente a uma porta de madeira, a terceira daquele corredor. Karin abriu a porta para mim, revelando um quarto pequeno, com as paredes cinza, a cama de solteiro de ferro no meio, um criado mudo ao lado com um abajur. Uma cômoda do outro lado da cama em frente ao pequeno guarda-roupas de três porta da cor mogno. Uma pequena janela de frente para a porta com cortinas marrões e uma porta ao lado do guarda-roupas que deveria ser o banheiro.

    - Esse é o seu quarto. – disse Karin. – O seu uniforme está dentro guarda-roupas. É proibido andar pela casa sem ele enquanto você estiver em serviço. Como é seu primeiro dia, eu prepararei o dejejum da pequena Sarada. Você só tem vinte minutos para estar pronta. Estarei aqui para levá-la ao quarto dela, e assim começar o seu dia.

    Virei meu corpo, ficando de frente para Karin, que mantinha seu olhar fixo em mim, o rosto sem nenhuma expressão que pudesse decifrar. Ela parecia uma sentinela. Tudo o que ela dizia parecia ser ensaiado, os passos que dava parecia milimetricamente contados, e o seu jeito reto erguido e formal não deixava ninguém à vontade.

    Tentei ignorar tudo aquilo e abri o meu sorriso mais amarelo que eu conseguia.

    - Obrigada.

    Karin saiu do quarto, fechando a porta e me deixando sozinha. Soltei todo o ar dos meus pulmões de uma vez, conseguindo relaxar os meus músculos. Joguei as minhas coisas em cima da cama, e fui direto para a janela e abrir as cortinas, clareando um pouco o quarto. A neve caía com lá fora, e agradeci internamente por ter conseguido essa vaga e não ter que precisar mendigar algum lugar para dormir em algum beco pelas ruas.

    Dei uma olhada no meu relógio de pulso. Eram 6:45AM. Eu só tinha quinze minutos para estar arrumada, pois as sete eu estaria no quarto da menina para poder acordá-la.

    Abri o guarda-roupas e tirei o único conjunto de peças que havia ali. Uma blusa branca de poliéster de gola e aberta na frente com botões pequenos e redondos do mesmo tecido e com cinco plissas dos dois lados e de mangas compridas franzidas nos punhos com uma fita e babados de renda. A saia era longa com um palmo de babados que deveria bater até os joelhos e de cintura alta com um fecho grande na frente e um cinto que vinha das laterais da saia e fechava com uma fivela na frente. O tecido era mole, e me lembrava muito um jeans, até a cor era um azul jeans. Embaixo da prateleira do guarda-roupas havia um par de sapatos preto, iguais aos que Karin usava e uma meia calça preta. O conjunto era bonito, mas lembrava muito os anos 80 mais anos 90 e uma pitada de século XIX.

    Demorei dez minutos para ficar pronta, a saia havia ficado um pouco larga em minha cintura, mas aquele meio cinto havia ajustado no meu corpo. Sentei-me na cama para calçar os sapatos pretos e acidentalmente deixei a o meu casaco cair no chão, metade dele debaixo da cama. Quando o puxei de volta um pedaço de folha amarelada bem pequeno veio junto. Estava rasgada, mas havia uma frase... quer dizer, metade dela.

    LES SÃO MONSTROS, OS UC

    Fiquei observando aquele pedaço de papel, a primeira e a última palavra estava faltando as letras, no mesmo local onde estava o rasgado. Não pude evitar em franzir o cenho, intrigada com aquilo.

    Monstros?

    Que tipo de monstros aquele pedaço de papel tentava dizer?


    Somente usuários cadastrados podem comentar! Clique aqui para cadastrar-se agora mesmo!