Os Cinco Selos

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    14
    Capítulos:

    Capítulo 180

    Trost

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    YOOOOOO,

    Eu tardo, mas nunca falho! Só as vezes

    Bom dia, boa tarde, boa noite, senhoras e senhores. Preparados para a sequência desta parte que começou com o final um tanto quanto hypavel?

    Pois bem, que seja

    Boa leitura ^^

    Os dois foram ao chão sobre o gramado verde, ele se sentou encostando as costas em uma árvore, e ela ficou sobre ele. Os lábios se encontram em seguida, bem úmidos, mas quentes e intensos. Um arfar preguiçoso escapou dos lábios dela, ao mesmo tempo em que apertou, com as unhas, os ombros de seu companheiro. Em resposta, ele desceu suas mãos lentamente e constante pelas costas de sua amante até chegar no limite da blusa, onde a puxou apenas um pouco para cima.

    Ela afastou seu corpo apenas um pouco e retirou sua blusa, jogando-a na grama, e seus longos cabelos ruivos recaíram sobre seus seios nus. Sedenta, ela entrelaçou seus dedos no cabelo castanho escuro e ondulado de seu amante, voltando a beijá-lo intensamente. A mão dele subiu lentamente pela barriga de sua companheira, até enfim encontrar o seio desnudo e os dedos se fecharam envolta em um aperto levemente forte.

    Os pelos do corpo de ambos se ouriçaram... e suas barrigas foram tomadas por um frio.

    Ambos afastaram os lábios imediatamente, abrindo as pálpebras. Os olhos amarelos encontraram os verdes.

    — Você sentiu isso? — questionaram Kleist e Pietra em uníssono, um para o outro. — Merda.

    Pietra saiu de cima de Kleist em um pulo, já colocando sua blusa branca sem estampa e mangas, que descia apenas até um pouco acima do umbigo. Suas pernas eram completamente cobertas pelas calças de couro negro; e suas botas negras eram de cano médio e eram levemente ressaltadas.

    Kleist se levantou da grama. Ele limpou seu casaco vermelho, que mantinha desabotoado, deixando seu peitoral definido à mostra. Desta vez, ele não mantinha sua braçadeira de aço equipada em seu braço esquerdo; suas pernas eram cobertas por calças de tecido negro e suas botas de aço subiam até o joelho. Após se ajeitar, cobriu a cabeça com seu capuz.

    Os dois se entreolharam uma última vez antes de sua atenção ser inexplicavelmente atraída para os céus, então seus olhares só ficaram lá, enquanto se mantinham em silêncio.

    Segundos depois, ao longe, subindo aos céus, emergiu um espesso pilar de energia multicolorida. Em um determinado momento, aquela energia parou, parecendo chocar-se em algo, apesar de ter sido apenas contra as nuvens. Aquele pilar mantinha-se constante, ondulando quase imperceptivelmente.

    — Mentor — Pietra disse, sem desviar o olhar.

    Rachaduras começaram a surgir no céu ao redor do pilar.

    — Isso não é nada bom...

    E o céu se estilhaçou.

    Clarão cegante, estrondo ensurdecedor e ventania impetuosa: tudo ao mesmo tempo.

    Quando tudo isso cessou, surgiu uma quilométrica extensão de terra sobre as nuvens, como se fosse um continente.

    O Reino dos Céus havia sido puxado para o Reino dos Humanos.

    As sombras criadas pelo Reino engoliram a região onde os Selos estavam, indo muito além, porém o pilar de energia multicolorida emanava o mínimo de luz por ali.

    O som de trombetas ecoou, e junto a elas vieram as hordas de demônio subindo aos céus.

    Estão me escutando?, sussurrou a voz do Edward.

    Kleist retirou o cristal amarelo do bolso.

    As hostes de anjos começaram a descer logo em seguida, indo de encontro com os demônios.

    As chamas amarelas envolveram o cristal

    — Sim, capitão — disseram Kleist e Pietra.

    Aonde vocês estão?

    — Eu e Pietra estamos ao leste do reino de Trost.

    E Aiken e Dante?

    Kleist olhou para Pietra, que negou com a cabeça.

    — Não fazemos ideia.

    E a guerra se intensificava lá em cima. Demônios de asas pareciam ser infinitos, aparecendo mais dois quando um morria, e o mesmo se equivalia para anjos. Haviam também demônios de tamanho três vezes maior que os de anjos, e eram os que mais traziam riscos. Feixes de energia cintilavam no ar, obliterando qualquer um em seu caminho. O vento carregava o som da guerra, ecoando por todos os cantos, chegando aos ouvidos dos Selos.

    Precisamos colocar o Reino dos Céus de volta para onde não deveria ter saído. Eu e Mikaela vamos direto para a energia multicolorida.

    — Preciso colocar Diana e Yuri em um lugar seguro.

    Eu sei. Traga-os para cá, na aldeia. Ficarão juntos com Deckard e Miana.

    — Entendido.

    Pietra, ajude-o.

    — Com certeza — ela concordou.

    Selos, vocês podem matar qualquer demônio que aparecer em sua frente, eles são os culpados desta guerra. Anjos... mate-os só caso algum deles tentarem lhe impedir de fazer algo. Não me importo. Já os humanos... são as verdadeiras vítimas. Só irão morrer nesta guerra. Não irei tolerar nenhuma morte deles pelas mãos de vocês, e terão que fazer algo a mais: protegê-los... E tenham cuidado.

    — Sim, capitão — concordaram os dois em uníssono.

    — Mande um beijo para Mikaela e Deckard e Miana para mim! — pediu Pietra.

    Mandarei.

    Kleist guardou o cristal no bolso, e dirigiu-se até sua espada. Ele segurou o cabo com força e descravou a lâmina da terra, girando-a e colocando-a repousada no ombro direito.

    — Pensei que passaríamos o dia todo sem fazer nada. — Pietra começou a se alongar. — Errei miseravelmente.

    — Nada nos reúne mais do que uma boa guerra — disse Kleist.

    — E um dia de massacre. — Pietra sorriu, docemente.

    Kleist passou correndo por ela, saltando para fora do penhasco.

    Ele caia em direção ao chão com os braços abertos; seu capuz esvoaçando junto com os cabelos. Fechou os olhos por um instante, sentindo o vento gélido contra seu corpo, desfrutando de seus últimos segundos de calmaria. Então, abriu seus olhos tomados pela coloração negra com sua íris amarela cintilando intensamente. Sua espada oscilou no ar com o movimento de seu braço e foi encrustada no penhasco, descendo rasgando a rocha, freando sua queda. Em seguida, esticou o braço esquerdo com os dedos da mão abertos.

    Pietra também saltou, rodopiou no ar e começou a cair de costas para o solo, de braços abertos, sentido seu corpo cortando o vento, seus cabelos ruivos se esvoaçando. Olhando para cima, ela observava a guerra, mas fechou os olhos; escutou nada, apenas calmaria. Seus olhos verdes cintilantes com a esclera negra se abriram, e ela segurou a mão de Kleist.

    Ele segurou-a firme, e a espada continuou cortando a rochas, freando os dois. Quando se aproximaram do fim, os dois saltaram para o solo, as chamas amarelas e verdes explodiram ao mesmo tempo, entrelaçando-se, e dois partiram correndo para Trost.

    ***

    A planície, com gramados verdes, flores lilás e amarelas, que antecedia o Reino de Trost havia se tornado um campo aberto de batalha. Anjos, demônios e os humanos se confrontavam, empapando o solo de sangue e enchendo-o com seus corpos falecidos. Os Selos contribuíam rapidamente com a destruição do cenário, passando rapidamente com suas chamas fervorosas — que queimavam o campo —, trucidando com destreza qualquer um demônio em seu caminho e desviam apenas dos humanos e anjos (estes quase que atropelando).

    Trost era um reino relativamente grande situado sobre um rochedo, onde o castelo de seu Rei, Jackdeb, situa-se mais ou menos no centro da cidade. O reino era cercado por quilômetros de planícies em sua parte frontal e nos flancos, já a parte detrás é cercado pelo mar de águas verdes. Por causa da falta de árvores ou montanhas, é muito difícil fazer algum ataque surpresa contra o reino; e a navio também é, pois Trost conta com uma grande frota para vigiar o mar — o castelo não se situa na ponta do rochedo para prevenir contra disparos de canhão. Mesmo que consiga se aproximar por terra, você dará de cara com um alto muro que rege a cidade como última defesa. Após a construção deste muro, há centenas de anos, o reino nunca mais sofreu invasão. Por conta disto, tornou-se conhecido como Trost, o reino inexpugnável.

    Isto é, até este dia.

    Os Selos depararam-se com a guerra que já havia chegado ao reino de Trost. Anjos e demônios sobrevoavam, o exército do reino tentando inutilmente rechaçar os demônios. Uma parte do muro já havia ido ao chão, invadidos; fumaça resultante da destruição pairava no ar.

    Espada, magia, sangue, grito, desespero, anjos, demônios, humanos: guerra.

    Kleist adentrou pelos muros, parando de correr e passando a andar apressadamente, e Pietra fez o mesmo, seguindo-o um pouco atrás.

    O primeiro demônio entrou no caminho de Guerra, e ele rapidamente estocou, empalando-o sem dificuldades. Um segundo demônio o atacou pelo seu flanco direito, e ele moveu sua lâmina para o mesmo lado, rasgando o corpo do primeiro demônio e partindo ao meio o segundo. Ao virar uma rua, viu um pequeno grupo em sua frente, e logo atirou-se para cima deles.

    Um demônio de asas passou pairando sobre a Peste, e ela o pegou pelo tornozelo, forçando-o a chocar pesadamente contra o chão, depois seu machado vermelho o decapitou. Olhando para frente, viu mais humanos correndo de demônios. Seu braço esquerdo ficou envolto em chamas verdes e o turbilhão foi disparado em seguida, engolido toda rua, mas incinerando apenas os demônios.

    Ao curvar na mesma rua que Kleist havia entrado, ela o encontrou com corpos de demônios mortos ao redor dele e um empalado em sua lâmina. Kleist ergueu seu braço esquerdo com o dedo indicador em riste e fez um movimento circular. Pietra entendeu de pronto e saltou para cima do telhado de uma casa e começou a saltar de uma para a outra.

    Trost estava um verdadeiro caos. Cada rua havia corpo de anjos, demônios e humanos estraçalhados no chão; casas destruídas e pegando fogo; pessoas assustadas e desesperadas em busca de segurança. E Kleist prosseguiu em busca de sua filha e neto em meio a tudo isso.

    Em um cruzamento, de um lado ele viu um anjo prestes a ser morto e do outro um humano. Sem pensar muito, ele investiu contra o demônio quadrupede que atacava o humano, e o matou com um corte vertical. Não olhou para humano, mas por cima do ombro, e viu o demônio matar o anjo. Com indiferença, avançou e virou na rua onde mora sua filha.

    Um grupo de sete demônios devoram suas vítimas ali. Impaciente, Kleist fez as chamas amarelas arderem em sua lâmina e a cravou no chão. Quando os demônios notaram o Selo, investiram imediatamente contra ele, mas lâminas brotaram do chão e os empalou sem dificuldades.

    Ele imediatamente entrou na casa, e já deu de cara com Neitan, marido de sua filha, morto não chão sobre uma poça de sangue.

    Seu coração disparou.

    Ao olhar para o lado, no outro cômodo da casa, Kleist viu o corpo estirado de um demônio. Com poucos passos, ele passou pela abertura que levava até o demônio. Com rapidez, Kleist ergueu seu braço esquerdo e segurou uma espada, e a ponta da lâmina ficou poucos centímetros de seu rosto.

    Diana era quem segurava a espada. Seus braços, peito e rosto estavam maculados pelo sangue, e seu cabelo estava empapado de suor e sangue. Seus olhos estavam arregalados de medo e seu corpo tremia levemente.

    Percebendo que ela não parava de colocar força na espada, Kleist deixou a sua em um canto e levou sua mão livre até as dela, no cabo da espada, e apertou levemente.

    — Acalme-se, Diana. Sou eu, seu pai.

    E ela continuou forçando a espada. Os olhos amarelos e intensos de Kleist fintavam os olhos castanhos e temorosos de Diana. Ele empurrou a mão dela, e, por fim, Diana soltou a espada. Ela ergueu as mãos, tremendo ainda mais. Kleist se livrou da espada e segurou Diane pelos pulsos, trazendo-a para seu abraço. Sua filha o apertou com força, começou a chorar e gritar. Kleist apenas continuou abraçando-a, abafando os sons colocando a cabeça dela contra seu peito.

    Passando-se poucos minutos, Diana sentou-se em uma cadeira, já sem chorar. Seu pai pegou uma toalha umedecida e começou a retirar o sangue do corpo dela o máximo que conseguia.

    — Onde está Yuri? — perguntou ele, passando a toalha pelo rosto dela.

    — No quarto. Eu mandei ele ficar quieto lá — respondeu, quase mais baixo que um sussurro. — Pai... o Neitan... ele tentou defender a gente... e... e...

    — Shhh. — Ele deixou a toalha de lado e acariciou a bochecha de sua filha com a própria mão. — Não precisamos falar disso agora. Temos que tirar Yuri daqui. Estou com você agora, filha.

    — Sim, papai. — Diana colocou a mão sobre a do pai em seu rosto; as lágrimas escorreram, mas ela respirou fundo.

    Ao adentrar no quarto, Kleist viu seu neto se encolhendo ainda mais no canto, tremendo de medo. Quando Yuri percebeu que era seu avô, correu para os braços dele, choramingando também.

    — Vovô!

    — Vai ficar tudo bem, Yuri. — Kleist o abraçou, depois acertou-o com um golpe no pescoço, e Yuri desmaiou. — Desculpe por isso, mas você não merece ver o que está lá fora, e muito menos aqui dentro.

    Kleist o carregou nos braços. Saindo do quarto, viu que Diana observava seu marido morto. Com o coração doendo, Kleist a colheu nos braços novamente e sussurrou:

    — Não olhe para trás. Seu futuro está em sua frente, é por ele que lutamos. O passado é apenas um aprendizado. Faça dessa dor sua lição.

    ***

    Pietra, em cima de uma casa, segurava um demônio pelo pescoço; e seu machado empunhado na mão direita pingava de sangue. Ela viu a explosões acontecerem no céu, dizimando praticamente uma hoste inteira de reforços de anjos antes mesmo deles conseguirem chegar a Trost.

    — Mas que merda...?

    De novo outras fortes explosões, e desta vez estas foram contra o muro e o Reino, destroçando uma grande área. A ventania resultada fez os cabelos ruivos de Pietra ondularem, e ela utilizou o corpo do demônio em sua mão para se proteger dos fragmentos, depois jogou-o para baixo.

    — Anjos! Concentrem-se para fora dos muros! Agora! — soou uma voz forte e autoritária.

    O Selo seguiu a voz, olhando para cima, e lá encontrou um arcanjo sobrevoando. Como de praxe, ele utilizava uma armadura prateada cintilante e detinha um par de asas cristalinas. Seus cabelos eram de um tom negro bem forte, que descia ondulando até o meio de suas costas; seus olhos detêm uma coloração azul bem clara, quase cristalinos. Era alto e esbelto, com ombros largos. Em sua mão direita, empunhava uma espada de lâmina fina e longa de coloração azul metálica que cintilava e o punho era totalmente branco.

    — Amtiel! — chamou Pietra.

    Ao ver o Selo, o arcanjo se aproximou ainda no ar.

    — Peste...

    — O que está acontecendo lá na frente?

    — Os demônios estão usufruindo de magia para atacar nossas tropas. — Ele a olhou, sério. — Requisito sua ajuda, Selo.

    Peste parou por um instante, surpresa, depois sorrio de orelha a orelha.

    — Para um arcanjo estar admitindo incapacidade na minha frente, a situação está bem crítica.

    — Guarde suas zombarias para si, tola.

    — E onde estão seus irmãos?

    — Aonde mais? Pensa que é só aqui que os demônios estão se infestando?

    — Ah, sim. Não sobrou muito de vocês, arcanjos, depois da traição, afinal.

    Amtiel a encarou com olhos fulminantes de raiva, e Pietra devolveu o olhar com um sorriso malicioso.

    — Certo... Ajudar-lhe-ei, meu anjo. Que tal me carregar até lá?

    Agora, o arcanjo fez uma expressão de desdém. — Você tem suas próprias pernas, mulher.

    E voou em direção ao embate, deixando-a para trás.

    Pietra gargalhou alto.

    — Mas que cusão!

    As chamas verdes envolveram seu corpo e o selo da Peste começou a saltar de casa em casa.

    Continua <3 :p


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