Bad Reputation

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    Capítulos:

    Capítulo 4

    Pretendente a Padrasto

    Álcool, Drogas, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    BAD  REPUTATION

    - Enlouqueça

    Duas semanas e meia haviam se passado depois do nosso show no bar do Ichiraku. Duas semanas que eu passei em casa de castigo sem pode sair, depois que minha mãe me pegou no flagra entrando pela janela naquele dia. Ela havia me dado um sermão e não consegui fugir das chinelas na bunda. Doeu muito.

    Essas duas semanas haviam sido um verdadeiro inferno. Era da casa para a escola, e da escola para casa. Mamãe passou a me levar e me buscar no colégio na primeira semana, só para garantir que eu chegaria lá e não me desviaria no meio do caminho. E claro, eu que fui motivo de zoação de geral. Eu, Sakura Haruno a Pink Demon sendo levada e trazida da escola pela mãe, fala sério, estava acabado com a minha reputação manchada.

    Mas Sasuke e Naruto também se deram mal nesses dias. A minha mãe havia ligado para a mãe deles depois que descobriu que eu não estava no quarto, e as alertou para ficarem de butuca quando suas crias chegassem em casa. Naruto levou umas chineladas da madrinha Kushina, e ficou sem o seu celular, assim como as suas baquetas de estimação. Naruto chorou por três dias seguidos, como se tivesse arrancado uma parte de seu corpo. Sasuke também não ficou atrás. O tio Fugaku brigou com ele e o colocou encarregado de fazer as entregas de encomendas dos bolos da tia Mikoto, era um meio de tirá-lo da vadiagem.

    E isso foi por duas semanas.

    Minha mãe já havia me tirado do castigo a três dias atrás, depois que eu comecei a fazer a “coisa certa”. Naruto conseguiu seu celular, as baquetas, o vídeo game e o computador de volta. E Sasuke, bom, ele ainda está trabalhando como entregador das encomendas de bolo da mãe, mas agora ele só fazia os finais de semanas depois que Itachi intercedeu a seu favor. Enquanto a Gaara e Shikamaru, nada havia acontecido com eles, como sempre. Só o Neji que agora estava com celular, mas sem a mesada. Realmente, a vida não está fácil para ninguém.

    E agora nesse momento eu estou na sala de aula morrendo de tédio, tentando não dormir naquela aula chata de geografia, mas estava difícil. E olha que era a primeira aula do dia, ainda havia mais cinco aulas para poder assistir. E detalhe, era segunda-feira.

    A sala estava silenciosa, a professora Anko escrevia a matéria no quadro negro e havia alegado que cairia na prova. O final do ano estava em cima e só faltava uma semana de aula para começar a temporada final de provas, para enfim, as tão sonhadas férias de verão.

    Suspirei, extremamente sonolenta. Eu estava largadona na cadeira enquanto copiava o dever, quase no modo automático, pois a minha mente estava na minha caminha quentinha e bagunçada.

    Os meninos estavam sentados em seus lugares. Naruto atrás de mim, Gaara na cadeira do canto ao meu lado, Shikamaru atrás dele e Neji no fundão ao lado de Sasuke. Eles estavam cochichando, e escutei os remexerem na mochila.

    Virei minha cabeça para trás e pude ver eles com a atenção voltada para Neji que remexia algo em sua mochila.

    - O que vocês estão fazendo? - perguntei baixinho, virando meu rosto para frente só para constatar que a professora estava ainda escrevendo no quadro.

    - Neji trouxe uma das garrafas de uísque do pai dele. - respondeu Naruto aos sussurros.

    Não era a primeira vez que Neji desfalcava as bebidas do pai, ele sempre pegava uma ou duas garrafas escondido e trazia para nos divertirmos. Mas era a primeira vez que ele trazia bebida para a escola.

    - Legal. – sorri, as coisas estavam começando a ficar animadas.

    Disfarçadamente Neji encheu um copinho de plástico transparente e levou a boca, tomando num gole só. Em seguida encheu novamente e entregou para o Sasuke, que tomou rapidamente o devolvendo para que Shikamaru, em seguida para o Naruto, Gaara nessa ordem até chegar a minha vez. O líquido desceu queimando a minha garganta, e não demorou para que o cheio do álcool circulasse no fundão, até que um dos idiotas que sentavam por perto sentisse e comentasse alto:

    - Que cheiro de bebida.  – comentou um. Aquele era o Chouji, o gordo miserável e deletor que adorava provocar intrigas, e fugia do olho do furação quando conseguia.

    O comentário desnecessário do idiota atraiu a atenção da professora, assim como alguns dos alunos que começaram a comentar enquanto olhava para os lados com os narizes e a atenção aguçada, tentando captar algo. Mas nessa hora nós já estávamos com cara de paisagem, fazíamos o mesmo que eles, olhando para os lados com os olhos acusadores de quem seria o malfeitor de um ato tão errado.

    Os murmúrios começavam a ficar altos, uns que sentavam próximos a nossa carteira murmuravam que também estavam sentindo o cheiro do álcool, o que aguçava mais a atenção da professora.

    - Silêncio! - ela pediu, e seus olhos focaram em mim e nos meninos por um segundo, antes de olhar para os outros. - Eu peço para aqueles que trouxeram bebida para a escola que saia da minha sala.

    O silêncio se formou na sala, ninguém dizia nada.

    - Já que ninguém tem a coragem de se rebelar seus atos e como eu não posso acusar ninguém sem provas – e novamente seus olhos pousaram em mim e nos meninos. Ela sabia que eram a gente que bebia em sua aula. Apenas fingimos que não era com a gente -, eu quero deixar claro que isso é um ato desrespeitoso contra a escola que é um local educativo que os ensinam e os educam para a vida lá fora. E é um ato desrespeitoso comigo, a professora de vocês. Quero que pense bem diante desta besteira, e podem ficar cientes de que irei comunicar a diretoria diante dessa falta de respeito em sala de aula.

    Em seguida o sinal do término daquela aula soou, para a nossa alegria. Aquela professora já estava dando nos nervos com aqueles blá, blá, blá.

    ❊ ❊ ❊

    Depois de dois tempos de história e um tempo de matemática, finalmente o sinal do intervalo soou, fazendo todos se levantarem. Mas a representante da turma foi mais rápida do que nós em alcançar a porta e a fechar, ficando em frente ao quadro negro e chamando a atenção de todos nós para a sua comunicação:

    - Pessoal, antes de vocês saírem para o intervalo eu queria comunicá-los algo importante. Ouve recentemente uma reunião com os três representantes das turmas do ensino médio e decidimos o tema do baile desse fim de ano escolar. - ela sorriu, esbanjando sua perfeição de garota popular. - O baile desse ano será a fantasia, e só tem essa semana para vocês indicarem os seis concorrentes para o rei e a rainha do baile. Vocês poderão deixar o nome da indicada e do indicado com a Mika do terceiro ano.

    Depois daquele comunicado sem importância fomos para o intervalo e ficamos em nosso lugar de sempre no refeitório, comendo e jogando conversa fora.

    - Eu pensei que a professora fosse mandar todos abrirem a mochila naquela hora. - comentou Neji, abrindo sua latinha de Coca Cola.

    - Aquele gordo desgraçado do Chouji, acho que ele esqueceu como é a sensação ter a cabeça dentro da privada. - ralhou Gaara, deveria estar pensando em como pegar Chouji pelos cantos para praticar suas maldades.

    - Ei, Neji – chamou Naruto, terminando de engolir um pedaço da sua pizza, a boca estava toda suja. – o que você vai fazer quando o diretor bater na sala e revistar as mochilas?

    - Relaxa, eu já escondi a garrafa no armário.

    - Ah.

    - Por falar em garrafa – começou Shikamaru –, vai ter ensaio lá na garagem hoje.

    - Hoje? – perguntei, fazendo uma careta. Não estava afim de ensaiar hoje, eu tinha planos com a minha cama quando chegasse em casa.

    - Sim. – ele respondeu, me fitando. – Estou descolando um show com os caras aí para o final de semana.

    - Tomara que o pagamento seja melhor do que o anterior. – resmungou Gaara.

    - Gaara tem razão. – disse Sasuke. – A merreca que ganhamos não dá nem para comprar bala.

    - Vocês estão reclamando de barriga cheia, seus filhos da puta. – Eita, Shikamaru ficou puto. – Vocês agradeçam que tem a mim que está administrando a carreira de vocês. Seus mal-agradecidos.

    - Calma aí, Shikamaru, relaxa homem. – eu disse enquanto mastigava meu sanduíche.

    - Isso aí é falta de sexo. – disse Naruto.

    - Ora, seu...

    - Oi, gente.

    Shikamaru havia sido interrompido com a chegada da representante. O que aquela idiota queria aqui?

    Ino Yamanaka, a Miss Perfeição e a representante da turma por três anos seguidos. Eu nunca fui com a cara dela, ela era tão patricinha, tão perfeitinha que eu tinha vontade de vomitar. Tudo nela era perfeito, dos cabelos longos e loiros brilhantes até aos olhos azuis piscina. Sempre maquiada e vestida perfeitamente com jeans skinny claro, blusinha cor-de-rosa decotada e a jaqueta branca com detalhes dourados. Às vezes imagino se o cocô dela também era perfeito.

    O fato era que ela era cobiçada por todos os garotos da escola, inclusive os babacas dos meus amigos que estava faltando babar por ela naquele momento.

    Revirei os olhos. Idiotas.

    - E, aí loira. - cumprimentou Sasuke com aquele sorriso cafajeste no canto da boca.

    Ela sorriu, mostrando aqueles seus dentes perfeitamente brancos e aliados.

    - Eu queria perguntar se vocês podiam tocar no baile.

    - Tocar no baile? – perguntou Neji, ele só faltava comê-la com os olhos.

    - Sim. – ela sorriu mais, com aquela simpatia nojenta.

    - Por você, neném, eu até faço show particular. - Gaara disse, deixando a baba escorrer pelo canto da boca. Esse nem disfarça.

    A loira idiota ficou vermelha, mas sorria constrangida para não perder a pose.

    Nojenta.

    - Ahn... e-então, vocês topam tocar no baile? – ela voltou a perguntar, firmando o corpo na sua perna direita.

    - Esquece. Nós não fazemos show de graça. - já fui logo cortando as asas daquela idiota.

    - Mas...

    - Desde quando você decide as coisas sozinha? - começou Sasuke, arrumando briga comigo.

    Franzi o cenho e bati de frente com ele.

    - Desde quando eu não suporto esses bailes escolares. Tenho muito mais o que fazer.

    - Tipo, dormir? - soltou Naruto, com um sorriso zombeteiro no canto da boca.

    - Claro.

    - Então vocês não vão tocar?! – Disse Ino, o cenho um pouco franzido e parecia confusa.

    - Sim/Não. - a resposta positiva dos meninos e a minha negativa saiu em uníssonos.

    Ino piscou algumas vezes.

    - Ahn, sim ou não gente, juro que agora fiquei confusa.

    - Não. – decretei, o cenho franzido e já irritada com aquela situação.

    - Sim. - os garotos responderam, me rebatendo.

    Virei meu rosto para eles, agora eu estava puta da vida.

    - Eu disse que.... hmm... hmmm...

    Neji tapou a minha boca.

    - A gente vai tocar sim. - ele respondeu, colocando força para me manter presa em seus braços enquanto eu me contorcia.

    - Mas ela disse...

    - Não esquenta com a Sakura. - Respondeu Gaara. - A gente vai tocar no baile, e pode ter certeza que vai ser o melhor baile que essa escola já ouviu falar.

    Ino sorriu animada.

    - Tá legal. - ela sorriu animada. – Só não me deixem na mão, viu?!

    - Fique tranquila loira. - respondeu Shikamaru, soltando uma piscadela para ela.

    Ino se afastou, indo até sua mesa junto com as suas amigas loiras desmioladas.

    Me soltei dos braços de Neji e comecei a gritar com eles:

    - Que merda foi essa? Eu não vou para essa droga de baile!

    - Você é minoria, Sakura. - disse Naruto, piscando o olho enquanto apontava o dedo indicador com o polegar erguidos para mim. – Pow.

    - E quem sabe você não se torne a rainha do baile. - zoou Gaara, o que me deixava mais irritada.

    - Essa daí? É mais fácil a Karin se tornar a rainha do baile do que ela.

    - Sasuke, vai tomar no rabo.

    Não estava acreditando que ele estava me comparando com aquela nerd esquisita da Karin, aquela água sem sal.

    Apenas bufei e me levantei da cadeira de supetão, chamando a atenção de algumas pessoas ao nosso redor.

    - Vai para onde? - Neji quis saber.

    - Isso não te interessa. – ralhei, antes de dar as costas para eles e sair de lá.

    - Que bicho mordeu ela? - perguntou Gaara.

    - TPM crônica. – Sasuke respondeu.

    ❊ ❊ ❊

    Try to tell me what I shouldn't do

    (Tente me dizer o que não devo fazer)

    You should know by now,

    (Você deveria saber agora,)

    I won't listen to you

    (Eu não vou escutar você)

    Walk around with my hands up in the air

    (Ando por aí com as minhas mãos para o ar)

    Cause I don't care

    (Porque eu não ligo)

    Segurei o microfone com as duas mãos. Freak Out da Avril Lavigne nunca havia feito tanto sentido na minha vida como naquele momento, e eu estava cantando com tanto fervor só para os meninos terem noção para que nunca mais tentar dizer o que eu devo ou não fazer. Eu tinha vontade de gritar.

    Cause I'm alright, I'm fine

    (Porque eu estou bem, estou legal)

    Just freak out, let it go

    (Apenas enlouqueça e jogue tudo pro alto)

    Sasuke agora me acompanhava naquele refrão.

    I'm gonna live my life

    (Eu vou viver minha vida)

    I can't ever run and hide

    (Eu não posso sempre correr e me esconder)

    I won't compromise

    (Não quero compromisso)

    Cause I'll never know

    (Porque eu nunca saberei)

    I'm gonna close my eyes

    (Eu vou fechar meus olhos)

    I can't watch the time go by

    (Eu não posso ver o tempo passar)

    I won't keep it inside

    (Eu não vou guardar isso pra mim)

    Freak out, let it go

    (Eu vou enlouquecer e jogar tudo pro alto)

    Just freak out, let it go

    (Apenas pirar e jogar tudo pro alto)

    Agora voltei a cantar sozinha, fechando os olhos e deixando a música me levar.

    You don't always have to do everything right

    (Você não precisa sempre fazer tudo certo)

    Stand up for yourself

    (Afirme-se)

    And put up a fight

    (E arranje uma briga)

    walk around with your hands up in the air

    (Ande por com suas mãos para o ar)

    Like you don't care

    (Como se não ligasse)

    Cause I'm alright, I'm fine

    (Porque eu estou bem, estou legal)

    Just freak out, let it go

    (Apenas enlouqueça e jogue tudo pro alto)

    I'm gonna live my life

    (Eu vou viver minha vida)

    I can't ever run and hide

    (Eu não posso sempre correr e me esconder)

    I won't compromise

    (Não quero compromisso)

    Cause I'll never know

    (Porque eu nunca saberei)

    I'm gonna close my eyes

    (Vou fechar meus olhos)

    I can't watch the time go by

    (Eu não posso ver o tempo passar)

    I won't keep it inside

    (Não vou guardar isso pra mim)

    Freak out, let it go

    (Eu vou enlouquecer e jogar tudo pro alto)

    On my own

    (Ficarei na minha)

    Let it go

    (Deixa rolar)

    Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah... yeah

    (Sim, sim, sim, sim, sim... sim)

    Cantei aquela frase sem acompanhamento do Sasuke.

    Just let me live my life

    (Apenas deixe-me viver minha vida)

    Agora, Sasuke e Gaara cantavam junto comigo aquele último refrão.

    I can't ever run and hide

    (Não posso sempre correr e me esconder)

    I won't compromise

    (Não quero compromisso)

    Cause I'll never know

    (Porque eu nunca saberei)

    I'm gonna close my eyes

    (Vou fechar meus olhos)

    I can't watch the time go by

    (Eu não posso ver o tempo passar)

    I won't keep it inside

    (Não vou guardar isso pra mim)

    Agora eu terminei as últimas estrofes sozinha.

    Freak out, let it go

    (Eu vou enlouquecer e jogar tudo pro alto)

    Gonna freak out, let it go

    (Vou enlouquecer e jogar tudo pro alto)

    Gonna freak out, let it go

    (Vou enlouquecer e jogar tudo pro alto)

     - Chega por hoje. - saí detrás do pedestal e fui até o sofá velho daquela garagem de Shikamaru e me joguei.

    - Hoje você está insuportável. - comentou Sasuke tirando sua guitarra.

    - Vai a merda, idiota. – e mostrei o dedo do meio para ele.

    - É só eu que percebi, ou essa última música era uma indireta para a gente? – questionou Neji, enquanto tirava o seu baixo.

    - Claro que é uma indireta. – respondeu Gaara. - A guria tá toda bravinha.

    - Tudo isso é por causa do lance do baile? - questionou Naruto.

    Não respondi, apenas me virei no sofá, ficando de costa para eles.

    - Acho que até vai ser divertido. – disse Neji. - Tô até pensando em convidar uma mina aí.

    - Quem vai você vai convidar? - perguntou Naruto, curioso.

    Apenas ouvi Neji sorrir.

    - Será que se eu convidar a Ino ela aceitaria ser o meu par? - perguntou Gaara aleatoriamente.

    Bufei.

    Desde que a otária da Ino mencionou esse baile ridículo que esses idiotas não falam de outra coisa. Saco.

    - No mínimo será um Não esculachado. - disse Sasuke, venenoso como sempre.

    - Mas sou guitarrista de uma banda foda. – retrucou Gaara, vendendo seu dote.

    - Você vai ter que ser mais um simples guitarrista de uma banda de quintal. Aquela lá é carne de primeira. - respondeu Shikamaru.

    - Quem é carne de primeira? - a voz de Temari soou, pegando todos de surpresa.

    Virei minha cabeça para trás e pude ver a irmã de Gaara na porta da garagem. Vestia Jeans justo, uma camiseta vermelha e sapatinhas nos pés.

    - Você né, minha linda. Quem mais seria? - Shikamaru aproximou-se dela com passos de gavião e um sorriso putamente cafajeste no rosto. Ele a agarrou pela cintura e a beijou na boca.

    Shikamaru como todos os homens não valia nem um centavo. E eu não colocava a minha mão no fogo por nenhum deles aqui dentro.

    Revirei os olhos, voltando ao meu lugar, ignorando todos.

    - Que droga! Pornografia barata. Meus olhos queimam assim. – a voz de Gaara soou sofrida.

    - Maninho, espero que não tenha aprontado nada por hoje. – retrucou Temari. - E acho que já está na hora de você ir para casa.

    - Você disse que não viria hoje. – disse Shikamaru.

    - Eu mudei o dia do trabalho e vim fazer uma surpresinha para você. – e ouvi mais sons de beijos estalados. Ninguém merece.

    - Acho que a Temari é a única que deixa Shikamaru em modo babada. – escutei Neji murmurando e arrancando uma gargalhada de Naruto.

    - Ei, Sakura. – Temari chamou, mas não a respondi, continuei deitada de costas para todos. - O que ela tem?

    - Tá irritadinha por que vamos tocar no baile da escola. - respondeu Shikamaru.

    - Eu não vou tocar nesse baile! – eu disse auto o suficiente para eles entenderem de uma vez por todas. Eles não tinham como me obrigar.

    - Baile? – a voz de Temari soou animada. - Adoro bailes. Lembro-me na minha época de colegial, eu me acabava de dançar e beijava muito na boca.

    - Temari, me poupe desses detalhes.

    - Por quê, Shika?

    - Ih ah lá. Tá com ciúmes, Shika. - zoou Gaara, afinando a voz.

    - Dá para vocês irem embora da minha casa, quero a minha privacidade. – Shikamaru era um poço de delicadeza quando expulsava os amigos.

    - Isso aí, amigo de araque. - Naruto fingiu chateação.

    E escutei as risadas de Temari.

    - Ah, e leve esse projeto de demônio rosa com vocês.

    - Ei. - me virei e fitei Shikamaru. - Isso me ofendeu.

    - E desde quando tu se ofende com tão pouco? - questionou Sasuke, pegando a sua mochila do chão.

    Eu apenas me limitei em dar língua para ele enquanto me levantava.

    - Vão logo. – Shikamaru nos expulsava novamente.

    - Isso é tudo desespero para transar? – perguntou Neji, já na porta da garagem.

    - Imbecil. – Shikamaru se aproximou dele e estendeu a mão. – E por seu comentário idiota, a sua garrafa está confiscada.

    Neji apena revirou os olhos e abriu a sua mochila, tirando a garrafa de uísque quase pela metade e o entregou.

    - Bebam com moderação jovens.

    - Vocês estavam bebendo isso na escola? - perguntou Temari quase que incrédula.

    Shikamaru virou-se para ela.

    - Claro que não, princesa. Eu jamais faria uma coisa dessas.

    - Claro, Temari. O seu Shika, jamais faz uma coisa dessas. - minha voz soou extremamente sarcástica enquanto eu colocava a minha mão em seu ombro.

    - Sakura, sem ofensas, mas o seu cabelo está uma merda.

    - Eu sei, e estou pensando em processar o seu irmão, e receber uma indenização contra danos capilares.

    Temari sorriu debochada.

    - Só se você receber de indenização as bolas dele.

    - Ei. - repreendeu Gaara, me pegando por detrás e carregando para fora daquela garagem.

    - Porra Gaara, você está machucando a minha barriga. E eu tenho que pegar a minha mochila.

    - O Sasuke pega.

    - Gaara, vê se faz alguma coisa para a gente comer quando chegar em casa. - gritou Temari.

    - Pra quê. - ele me pôs no chão e virou-se para trás. - Você já vai sair daí comida

    - Idiota. - Temari tentou sair correndo atrás de Gaara que corria na frente, rindo. Ela desistiu no meio do caminho - Em casa eu te pego.

    - Também te amo, irmãzinha. – ele gritou sorrindo zombeteiro, um pouco longe da gente.

    Eu apenas ri, revirando os olhos e agradecendo por eu ser filha única.

    - Toma. - Sasuke estendeu a minha mochila.

    - Larva pra mim? - eu fiz minha carinha de gato do Shrek, a minha voz saindo mais fina que o normal. Tentativa fail de ser fofa.

    - Não virei seu empregado ainda. – ele respondeu e em seguida jogou a mochila em cima de mim. Agarrei antes que caísse no chão.

    - Você é um traste, Sasuke. – disse, vendo suas costas enquanto ele caminhava a minha frente.

    - Eu tenho a impressão de que ainda verei esses dois juntos. – Neji e seus comentários desnecessários.

    - Eu tô falando, e com uma renca de bacurinho catarrento. – disse Naruto.

    Virei minha cabeça para traz e os fitei. Eu podia sentir as chamas nos meus olhos.

    - Vocês dois vão para a puta que pariu.

    Apressei os passos, deixando eles para trás.

    ❊ ❊ ❊

    Quando cheguei em casa o céu estava escurecendo. Entrei em casa e logo fui abordada pela minha mãe que estava com aqueles vestidos floridos e o avental que combinava com o jogo de cozinha, os cabelos presos num coque frouxo, e uma colher de pau na mão. E na boa, eu me senti naqueles comerciais de margarina Qualy.

    Que merda.

    - Sakura, aonde você estava?

    - Na casa do Shikamaru ensaiando com a banda. - respondi enquanto caminhava até as escadas.

    - E por que você não atende o telefone? – ela se aproximava de mim. - Eu te liguei umas três vezes tentando saber aonde você estava.

    - Meu celular descarregou. - não menti, descarreguei ele jogando Shadow Fight 2 na aula de química. - E você sabe que sempre estou com os meninos. Relaxa.

    Segurei o corrimão e coloquei um pé no degrau, mas parei quando ela mencionou algo que me deixou de butuca ligada:

    - Bom, hoje teremos visita para o jantar.

    Meu consciente entrou em alerta. Virei meu rosto para ela.

    - Que visita?

    - Você suba e tome um banho e coloque uma roupa legal. – ela mudou a rota do assunto. - E não esses trapos que te deixa como uma sem teto...

    - Quem é que vai vir aqui? – a interrompi, não iria deixar aquilo passar abatido.

    Observei mamãe, ela pareceu um pouco tensa. Apertei os olhos.

    - Um... amigo meu. – ela coçou o braço.

    Ela coçou o braço! O BRAÇO! Toda vez que ela coçava o braço era sinal que ela estava nervosa e que alguma coisa iria me desagradar. Por que estou com uma sensação de que algo não estava certo?

    - Amigo? Mãe...

    Ela me interrompe:

    - Sakura, você pode fazer o que eu digo? E não me apareça com essas roupas. Não me mate de vergonha pelo menos uma vez na vida.

    - Assim a senhor ame ofende.

    Nossa, desde quando as minhas roupas são ruins?

    - Sakura!

    Suspirei.

    - Tá. - comecei a subir as escadas batendo o pé. - A senhora está agindo como se fosse chegar o papa.

    - Sem piadinhas.

    Eu sabia que havia algo errado, minha mãe só se vestia daquele jeito para fazer comida e arrumar a casa se fosse receber alguém aqui em casa. Ela gostava de fazer as coisas bonito para não passa vergonha. Mas seu sentia uma má intuição sobre esse jantar.

    Entrei no meu quarto o encontrando do mesmo jeito que o deixei, uma bagunça. Joguei minha mochila na minha cama bagunçada e coloquei o celular para carregar. Tirei aquela camiseta e aquela calça, só ficando de calcinha e sutiã. Liguei o computador e fui procurar alguma coisa vestível naquele lixão de guarda-roupa. Achei uma camiseta preta justa e sem mangas que minha mãe havia me dado, e um short jeans largo - que um dia já foi uma calça que eu havia cortado - que batia nos meus joelhos, toda desfiada na perna. Bom, era o máximo que eu podia fazer.

    Mexi um pouco nas redes sociais, e vi alguns vídeos no Youtube. Olhei as horas no computador e eram sete e meia. Resolvi tomar um banho. Lavei meu cabelo que estava uma droga e voltei para o quarto enrolada na toalha. Abri uma gaveta da cômoda pegando um sutiã e uma calcinha e a vesti, para em seguida vestir a roupa que eu escolhi. Sequei meu cabelo na toalha e penteei. Eu havia achado a minha escova de cabelo, ela estava detrás do guarda-roupa.

    Desci as escadas, minha barriga roncava de fome. Quando cheguei a cozinha minha mãe não estava com aquele vestido florido e sim um outro mais elegante, maquiada e com o cabelo penteado e solto. Ela arrumava a mesa.

    - Mãe, eu estou com fome.

    Ela ergueu a cabeça e me fitou, logo franzindo o cenho quando viu meus trajes.

    - Sakura, o que eu falei sobre se arrumar?

     - Eu tô arrumada.

    - Arrumada não sei de onde. Por que não coloca aquele vestido que te dei?

    - Que vestido?

    - Aquele com azul...

    A interrompi, agora lembrando do vestido azul com estampas de flores. Eu havia cortado ele e usado a saia como o desafio do Neji quando jogávamos desafio no começo do ano.

    - Nem pensar, aquele vestido é horrível, eu fico parecendo uma parasita alienada com ele. - disse, claro que mamãe não podia sonhar que eu havia arruinado o vestido que ela havia me dado de presente no natal passado.

    - E com essas roupas, é bem pior. – ela questionou, o cenho franzido enquanto apontava para as minhas roupas.

    - Mãe, minhas roupas são dá hora, eu tenho má reputação a zelar.

    - Uma reputação manchada.

    - Que eu tenho que zelar. – sorri.

    Ela suspirou revirando os olhos, dando-se por vencida.

    - Você é um caso perdido.

    - Eu tô com tanta fome que sou capaz de comer essas paredes. – eu fui até as panelas e comecei a destampar.

    Mamãe me deu um tapa na mão e me empurrou para fora da cozinha.

    - Aguente mais um pouco, meu amigo está quase chegando.

    - Não estou gostando nada dessa história de amigo.

    - Eu só te peço para que não me mate de vergonha.

    Saí da cozinha e fui para sala, me joguei no sofá, liguei a televisão e comecei a procura de algo legal para assistir. Dez minutos depois - e com o meu estômago devorando todos os meus órgãos - a campainha toca.

    - Eu atendo. - mamãe saiu da cozinha elétrica e nervosa enquanto arrumava o vestido no corpo e passava as mãos nos cabelos.

    - Até parece que vai receber alguma divindade. – murmurei, revirando os olhos para aquela euforia toda dela.

    - Sakura!

    Ela abriu a porta, seu sorriso era maior que a cara. Eu apenas voltei a minha atenção para a televisão, Hora de Aventura estava bem interessante.

    - Oi. - a voz da minha mãe soava melosa.

    - Oi. - escutei barulhos de beijos em seguida de barulhos de embrulho. - Para você.

    - Ah... são lindas.

    Aquela voz.

    Virei me rosto para o lado e não acreditava no que meus olhos enxergavam. Desde que mamãe falou sobre esse tal amigo eu havia ficado com a pulga atrás da orelha e um mal pressentimento, imaginado quem seria. Mas automaticamente me pus em modo de ignorância e deletei aquela teoria que havia pensado, alegando para mim mesma que meu cérebro estava querendo me pregar uma peça e que não deveria ser nada demais. Más agora eu percebia que eu estava mais certa do que nunca.

    Num rompante, me pus de pé quando aquele Invasor Comedor de Mães entrava em casa e mamãe fechava a porta.

    - O que significa isso, mãe! - minha voz atraiu a atenção dos dois para mim.

    O sorriso dela agora era tenso, enquanto segurava um buque de rosas vermelhas nos braços.

    Não, não, não e não. Isso só pode ser um pesadelo!

    - Sakura, esse é o Kakashi... – ela sorriu nervosa. -  o meu namorado.

    - Oi?

    - Olá, Sakura. – ele ainda tinha a cara de pau de sorrir como se nada tivesse acontecido.

    Minha cara era incrédula.

     - Namorado? – desviei meus olhos para mamãe. - Você disse que estava esperando um amigo.

    - Filha, esse jantar é para apresentá-lo a você formalmente. – ela disse. - Eu estou namorando.

    Precisei de dois segundos para processar. Eu estava em choque, mesmo tendo uma certa desconfiança, aquela situação não deixava de ser uma surpresa para mim. Uma surpresa um tanto quanto péssima.

    - Eu não acredito. - apontei para ele. – Mãe, esse cara é, o meu professor!

    - Sakura, tenha modos. - ela me repreendeu, o cenho agora franzidos, fazendo caras para mim e em seguida olhou para aquele comedor de mães alheia. - Me desculpe Kakashi...

    - Não precisa de preocupar Mebuki. – ele a interrompeu, colocando a mão em seu ombro e sorrindo para ela. Que nojo! Em seguida me fitou. - Eu conheço e estou acostumado com temperamento da Sakura.

    - Conhece tanto que fica me dedurado para minha mãe. – acusei, eu estava muito irritada. Minha mãe havia enlouquecido. Que mãe nesse mundo namora o professor da filha?

    - Dedurando? Como assim?

    Falso. Estava se fazendo de desentendido.

    - Não se faça de sonso. – minha voz aumentou dois décimos.

    - Sakura, você está passando dos limites. – minha mãe começou a se irritar. Ela estava o defendendo! Isso não era justo.

    - Passando dos limites? – minha voz soou incrédula. - Mãe você está pegando o meu professor e você quer que e aceite isso? Isso é nojento!

    Minha mãe franziu mais o cenho e deu um passo em minha direção, a voz soando alta e irritada:

    - Já chega, Sakura, peça desculpas para o Kakashi.

    - Não peço nada. E para mim já chega!

    Passei por ele com passos rápidos e raivosos, abri a porta e saí de casa.

    - Sakura, volta aqui! - minha mãe gritava no portal da casa que ela havia aberto de novo enquanto eu corria a rua a cima.

    Quatro casas depois parei em uma bem conhecida. Olhei para o lado e não via mais sinal da minha mãe na porta. Aposto que estava se maldizendo da filha que tinha para aquele invasor e ele a dizendo um monte de coisas melosas para a iludir.

    Fitei a janela do segundo andar daquela casa e vi que estava aberta e com a luz acesa. E como uma exper em subir pela janela, coloquei todo o meu dom e comecei a escalar as paredes daquela casa com a ajuda de alguns arbustos. Não demorou muito e já estava agarrada no parapeito da janela e tomando impulso eu consegui entrar no quarto de Sasuke, fazendo um pouco de barulho.

    - Mas o que... Porra, Sakura, por que não usa a merda da porta.

    - Eu gosto de emoção. – sorri, enquanto erguia minha atenção para ele e o encontrando parado em frente ao guarda-roupas apenas de box preta, recheada tanto na frente quando atrás. Não pude deixar de reparar naquele corpo definido, Sasuke estava ganhando corpo a cada dia que passava. Nem parecia aquele garoto magrelo de três anos atrás.

    - Ei. - ele chamou minha atenção.  - Eu sei que sou gostoso, mas ficaria feliz se parasse de me secar.

    Revirei os olhos e dei as costas para ele, caminhando até sua cama e me jogando de cara no colchão. Eu podia sentir as minhas bochechas queimando, e o cheiro que vinha dos lençóis de sua cama não ajudava em nada. Esse bicho era muito cheiroso pra caramba.

    - Convencido do caralho. – resmunguei, tomando controle da situação e ficando de barriga para cima. Eu tinha que fazer alguma coisa para não ficar por baixo. – E fique sabendo que já vi melhores do que você.

    Isso! Eu havia conseguido ficar em modo cara de pau.

    Ele sorriu debochado enquanto colocava a bermuda.

    - Tá, conta outra, e para essa baba no canto de sua boca.

    Sasuke é uma pessoa tão humilde. Sentiram o tamanho da ironia?

    - Idiota. - me virei lado e peguei o celular dele que estava em cima do criado mudo e tentei desbloqueá-lo.

    Sasuke é tão obvio, sempre com a mesma senha.

    - Ei, larga isso. - ele veio até mim e arrancou o celular da minha mão.

    Fiz biquinho enquanto cruzava os braços.

    - Ai, Sasuke, deixa e jogar m pouquinho.

    - Joga no seu. - ele colocou o celular no bolso e votou para o guarda-roupas, procurando alguma camiseta.

    - Chato.

    - O que você quer aqui?

    - Eu quero abrigo. Não vou voltar para minha casa.

    Não até aquele Comedor de Mães estiver empoleirado lá.

    Sasuke colocou uma camiseta preta e me fitou, as sobrancelhas unidas.

    - Que merda que você fez?

    Bufei.

    - Eu não fiz nada. Minha mãe trouxe o namorado lá para casa.

    Ele pareceu surpreso com a notícia. Eu também estava surpresa e puta da vida.

    - A madrinha? Quem é... Não me diga...

    - Ele mesmo. – afirmei, ficando sentada na cama. - O Kakashi. Eu pirei na hora e falei um monte merda e saí de lá antes que eu dissesse mais merda ainda.

    - Que bosta. Eu não queria está na sua pele.

    - Valeu pela sinceridade.

    Sasuke era péssimo em fazer as pessoas se sentirem melhor. Acho que era melhor ter ido para a casa do Naruto, mas minha mãe estava na porta e eu não queria que ela me visse.

    - E o que você vai...

    - Sasuke, desce para jantar. - a voz da tia Mikoto soando alta no andar de baixo o interrompeu.

    - Já tô indo! - ele gritou de volta. - O que você vai fazer?

    - Não sei. – fitei os meus pés. - Eu tenho que pensar em algo o mais rápido possível.

    - Hm. Vamos descer para jantar, depois pensamos em algo.

    - Não quero descer.

    Ele ergueu as sobrancelhas.

    - Por quê?

    - E não quero que seus pais saibam que eu estou aqui. – respondi. - Não quero que a minha mãe saiba que eu estou aqui.

    Ele suspirou.

    - Você que sabe. – e foi até a porta, e a abriu. Em seguida me fitou. - Trago algo para você comer quando voltar.

    Acho que meu sorriso naquele momento era de partir a cara ao meio.

    - Sério? O meu estômago já devorou todas as minhas tripas nesse momento.

    Sasuke apenas soltou uma pequena risada abafada enquanto revirava os olhos.

    - Exagerada. Só não roube as minhas coisas.

    - Você acha que eu sou uma ladra? – nossa, me senti ofendida agora.

    - Você que eu seja sincero?

    Apenas revirei os olhos e joguei a sua almofada contra ele que fechou a porta antes que o acertasse.

    Bufei, me jogando de costa no colchão.

    - Cú de Galinha. – murmurei, enquanto fitava aquele teto branco.


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