O Mago Das Espadas - Livro 0: Os Escolhidos

Tempo estimado de leitura: 4 horas

    12
    Capítulos:

    Capítulo 9

    A Princesa Com o Coração de Ouro ? Parte 2

    Linguagem Imprópria, Nudez, Violência

    E como prometido eis a segunda parte introdutória de nossa querida princesinha. Boa leitura!!!

    Nos corredores do castelo...

    – Sofia espere! – Grita Miranda correndo atrás da filha, ela não respondeu a sua mãe, apenas corria com seus cabelos castanhos cobrindo seus olhos. Quando chegou a porta de seu quarto entrou correndo a batendo logo em seguida e a fechando, para logo em seguida se atirar na cama, afundando o rosto no macio colchão se desabando a chorar.

    – Sinf... por quê? – Chorava a princesinha. – Eu nunca fiz mal a ela, então porque ela me trata assim?!

    Sofia chorava em sua cama, ouvia a voz de sua mãe pedindo para entrar, mas não abriria. Encolheu-se na cama abraçando suas pernas, desejava que tudo fosse diferente, que Amber fosse carinhosa com ela, que todos eles vivessem como uma família e em harmonia. Que outros monarcas não olhassem para ela e sua mãe como intrusos em seu mundo, só por elas terem uma origem humilde. Queria ter amigos que a amassem por quem ela é. Esse foi sempre seu sonho e seu maior desejo, mas tudo deu errado, desde que chegou ao castelo não conseguiu se adaptar a vida da realeza, tudo tinha regras e ordens para seguir e isso só a deixava cada vez mais apavorada.

    Fechou os olhos deixando as lágrimas caírem e sozinha naquele grande quarto ela entoa:

     Por este mundo caminhei;

     Ao som do alude eu dancei;

     A canção das fadas eu ouvi;

     E delas eu te conheci;

    Meu tesouro precioso eu te achei;

    E nunca mais vou te perder;

    Pois sem você eu não sou ninguém;

    Minha doce criança venha para junto de mim;

    Para a terra das fadas e da magia, para em fim sermos livres;

    A terra da magia nos espera e em fim seremos um!

    Com suas mãozinhas segura seu medalhão com força, entoou a canção de ninar que ouvia de sua mãe, quando não existia realeza, títulos, quando ela era uma criança normal, como sentia falta daqueles tempos, simples, mais inesquecíveis e cheios de paz. Ainda com seu medalhão em mãos o trás para perto de sua face e o beija, adorava aquele medalhão que foi dado pelo rei como um presente de boas vindas, adorou a joia simples e prometeu que nunca iria tira-lo e assim ela o fez.

    O tempo passou lentamente no quarto da princesinha foi quando ela ouviu uma voz, primeiro começou baixa, mais depois foi aumentando até ficar mais forte, parecia um cântico, um feitiço, uma oração, um chamado...

    Eu sou o osso de minha espada;

    O aço é meu corpo, fogo é meu sangue;

    Eu abençoei mais de mil lâminas;

    E agora abençoou a sua;

    E estarei aqui;

    Em pé neste vale esperando vossa chegada;

    Para lhe dar minha benção e minha acolhida;

    Nunca se arrependa ou vacile em seu caminho;

    Pois no final estaremos todos juntos;

    NESTE VALE INFINITO DE ESPADAS!!!!

    Ao ouvir aquela voz forte poderosa a princesinha abre seus olhos e percebe que não esta mais em seu quarto.

    – O quê?!

    A princesinha se vê em um local totalmente diferente. Estava em um imenso campo desértico onde Sol se punha no horizonte.

    – Onde estou? Que lugar é esse? – Se pergunta assustada, foi quando uma lufada de vento passou tremulando seu vestido e seus cabelos, quando cessou ela vê algo reluzindo no meio daquele deserto, encarou seu brilho, se aproximou e pode perceber que não era a único. Ao redor da princesa elas estavam, fincadas como se fossem lapides, diversas, números e infinitas:

    – Espadas!!!

    Um infinito mar de espadas cobria toda a imensidão daquele deserto. Seu coração bateu forte, para cada canto que olhava via espadas cravadas no solo desértico, sentiu medo, mais acima de tudo solidão e quando mais uma ventania cruza o ambiente é que ela consegue velo.

    Um homem sentado sozinho naquele imenso vale. Seus cabelos alvos tremulando com o vento, seu manto branco resgado o cobrindo-o e seus olhos que não encaravam nada.

    A princesinha parou seu olhar sobre aquele homem, parecia que não a tinha visto, parecia sozinho, sem esperança e sozinho, assim como ela. Não soube explicar, mais enquanto mais encarava aquele homem sentia pena dele, tanta que fazia seu coração doer e derramar lágrimas, mesmo sem intenção.

    – Não chore por mim.

    – Hum? – Se surpreende a princesinha ao ouvir a voz do homem.

    – Eu não mereço lágrimas, nem palavras de consolo, apenas arrependimento.

    – Arrependimento, pelo que? – Pergunta Sofia para o misterioso.

    Então o homem ergue seu rosto e a princesinha pode ver sua face, era jovem, talvez mais novo que seu pai, porém seus olhos eram diferentes, de um dourado que parecia areia, como a daquele vale.

    – Por não ter salvado mais vidas.

    Os olhos de Sofia se arregalam ao ouvir aquilo, quem seria aquele homem e porque estava dizendo aquelas palavras? Não sabia o porquê, devia sentir medo por estar em um lugar desconhecido e encontrar um estranho, mas ao contrario, sentia-se protegida. Então sem dizer nenhuma palavra se aproxima do estranho e se senta ao seu lado.

    – O senhor teve um dia difícil? – Pergunta a princesa.

    – Muitos.

    – Eu também, bom não tantos quanto o senhor deve ter tido.

    – Mais foram difíceis?

    – Foram.

    – Me conte.

    Sofia suspira era uma situação estranha, mas decide se abrir com ele.

    – Minha mãe se casou com o rei que governa nosso reino, então acabei me tornando meio que sem querer... uma princesa. – Olha para o céu amarelado. – Parecia ser um final feliz, morar num castelo, se tornar uma princesa é o sonho de toda a menina, mas...

    – Não é tão fácil assim, não é?

    Sofia meneia a cabeça em afirmação.

    – Eu tive que apreender um monte de coisas em pouquíssimo tempo, etiqueta, modos à mesa e ao falar, jeito de agir e de se comportar com outros monarcas. Isso era... horrível!

    – Por quê?

    – Porque não sou eu! – Se levanta. – Eu não sou isso. – Aponta para si mesma. – Não sou uma princesa, sou apenas uma menina assustada em um mundo estranho, que tenta a todo momento me machucar e eu me sinto presa e não posso fazer nada, nem ao menos gritar ou chorar!

    As lagrimas irrompiam de seus olhos como orvalho, seu rosto contorcido de dor e sofrimento era como o de um anjo que quebrou suas asas.

    – Eu me sinto tão sozinha... mesmo com minha mãe ao meu lado a solidão é imensa, eu não tenho mais amigos, nem pessoas para conversar e que me queiram bem. – Cobre sua face e seus joelhos vão ao chão. Nada mais emitia som, apenas seu pranto era ouvido.

    – Vejo que já passou por muitas tribulações, mesmo sendo tão nova.

    Sofia não respondeu, apenas chorava, foi quando sentiu algo acariciar sua cabeça, então ergue seus pequenos olhos azuis que ainda vertiam lágrimas e percebe que o estranho a encarava.

    – É normal se sentir acuada, desesperada e até com medo, mas ai, eu lhe pergunto... porque você continua?

    – O-O quê...? – Sofia não entende aquela pergunta.

    – Você me ouviu. Perguntei, se você não quer ser uma princesa então porque continua sendo uma? Se esse não é seu mundo, sua escolha própria, porque continua a viver nele?

    As palavras daquele homem entraram como fachos de luz em sua mente.

    – Porque eu continuo? – Se pergunta a princesinha que se levanta e com suas mãozinhas segura seu medalhão. Seu reflexo surge na joia lilás, uma lágrima cai sobre ele e no mesmo instante a imagem de pessoas conhecidas por ela refletem nele como um espelho.

    Sua mãe, seu pai, seus dois irmãos e...

    – Encantia!

    O medalhão em seu pescoço reflete todo seu reino, as pessoas que vivem nele, humildes e batalhadoras, alegres e tristes, uma infinidade de sentimentos que correm por seu amado reino. Então em um misto de amor e carinho aperta forte seu medalhão desejando o melhor para seu reino, amor e esperança.

    – Porque mesmo que seja doloroso algumas vezes... mesmo que seja um caminho feito de espinhos, por eles vale a pena.

    – Mesmo que nisso você possa se machucar ou até mesmo morrer?

    Foi à pergunta do estranho e Sofia tinha a resposta:

    – Sim... por que... eu os amo, mesmo com todos os problemas, eu amo a todos, inclusive a Amber!

    O homem diante de si sorri.

    – Essa é a resposta que eu queria ouvir. Determinada, valente, forte digna de titulo de princesa!

    Um olhar de surpresa surge no rosto da princesinha ao ouvir tais palavras.

    – Digna... eu?

    – Sim. ­– O homem se levanta. – Ah muito tempo conheci uma princesa de um reino já esquecido. Seu jeito de agir e de mandar eram muito nobres e respeitados. Era adorada pelo povo e sempre os ajudava, não importava classe ou status. Porém...

    – Porém?

    – Ela descobriu... que não era uma princesa de verdade.

    – O quê?! – A princesinha tapa a boca em surpresa e espanto.

    – Descobriu que foi adotada pelo rei e a falecida rainha. Foi tratada como filha legitima deles. No entanto o chanceler do reino descobriu essa história e chantageou o rei o obrigado a destituir e matar a princesa!

    – Minha Deusa!

    – Mas ai que o grande milagre aconteceu, ao ser perseguida pelos soldados do chanceler, os guardas que eram fieis a seu pai se voltaram em sua defesa para protegê-la, assim como o povo que mesmo já sabendo que ela não era princesa a protegeram, foi um ato que a princesa nunca esqueceu e voltando alguns meses depois com seus amigos pode se reencontrar com seu pai e o coração de ambos falou mais alto. Eles podiam não ter o mesmo sangue, mais seus corações estavam unidos, como pai e filha. Quando o maldito chanceler tentou intervir foi morto pelo amigo e amado da princesa. E ela mais tarde governou com paz e sabedoria, entrando para a história como Natalia Sofia de Encantaia!

    Termina o estranho para Sofia que tinha a boca aberta em surpresa.

    – Espera? Ela tem o meu nome e sobrenome do meu reino... então essa história?

    – Aconteceu em seu reino minha cara, há alguns séculos atrás se me permite dizer.

    – Incrível... – Sussurra a princesinha.

    – O que estou tentando dizer princesa é que... – E aponta para ela. – Não são os vestidos, modos, tiaras e joias que fazem uma princesa! O que faz de você de verdade ser uma princesa é isso aqui...

    Aponta para seu peito.

    – Meu coração. – Diz a menina colocando sua mãozinha sobre seu lado esquerdo.

    – Você pode mentir para sua mente, sua alma e até para sua magia, mas nunca para seu coração!

    Sofia ouvia as palavras daquele homem com sua mente e coração aberto, entendia bem aquelas palavras e se sentiu feliz por ter tido uma parente que se sentia e passou pelas mesmas barreiras que ela. Uma lagrima de felicidade escorre por seus olhos que ela enxuga e diz:

    – Eu não sei quem é o senhor, mais obrigada, de verdade eu me sinto muito melhor agora.

    – Fico feliz em saber disso. E sobre estar sozinha, você não ficara por muito tempo. ­– Diz o homem se afastando.

    – O quê?

    – Quando acordar você terá uma surpresa a melhor de toda a sua vida, acredite. – E se vira indo embora.

    – Ei! Espera! – Sofia se desata a correr atrás do homem, porém uma forte ventania cobre todo o local erguendo um muro de areia os separando. – Quem é você?! Por favor, me diga?! – Exclama a princesa cobrindo os olhos.

    – Toda história tem um começo Sofia... e a sua só esta começando, um dia nos veremos de novo isso é uma promessa!

    Ao final da frase o homem desaparece assim como o vale e Sofia ao abrir os olhos se vê novamente em seu quarto, se senta na cama com sua respiração acelerada.

    – Outro sonho? – Olhou para a janela que estava aberta e viu algo diferente, uma coruja empoleirada olhando pra ela? – Mas o quê?

    – Puuuu, Princesa Sofia de Encantia?

    A princesa arregala os olhos ao ouvir que a coruja acabou de falar com ela.

    – V-Você acabou de... falar?

    – Puuuu, obvio! Devia saber que tem este dom, afinal usa o amuleto de Avalor, puuuuu.

    Na mesma hora olha para seu amuleto que brilhava e olha ainda mais surpresa para a simpática coruja.

    – Isso é incrível!

    – Puuu, bota incrível nisso! Aqui tenho uma carta para você, puuu.

    – Uma carta? Pra mim? – Pergunta a princesinha se levantando e caminhando até a coruja.

    – Puuuu, aqui pegue. – Diz a ave entregando um pequeno envelope que estava preso em uma pequena bolsa atada a seu corpo. – Gostaria de ficar, mas tenho que ir, boa sorte na sua estadia na escola, puuuu!!!

    E sem mais, nem menos decola alçando voou.

    – Ei espera, como assim escola?

    A ave antes de prosseguir grita:

    – Todas as informações estão na carta boa sorte, puuuu!!! ­­ ­– E desaparece da vista da princesa.

    Ainda incrédula com o que acabou de presenciar Sofia encara o envelope que tinha seu nome como remetente, seu coração palpitava, já teve bastante emoção por um dia, mas agora tudo parecia fazer sentido e com cuidado abre o envelope que se desdobra em uma carta que dizia:

    Para: Sofia de Encantia.

    Reino de Encantia

    Informamos que você foi formalmente aceita na escola de magia e feitiçaria de Draconia!

    Lar de alguns dos mais brilhantes e renomados professores de todos os tempos; aqui você apreendera a se defender e a lutar por seus sonhos e desejos.

    Seus matérias e equipamentos de estudo serão fornecidos pela escola como cortesia de mais um ano letivo que se inicia.

    Pedimos que leve mudas de roupa e utensílios pessoas para higiene e é permitido levar uma mascote.

    Aguardamos-lhe no dia 31° de Agosto na Estação da Luz, às 09h00min da manha!

    Com agradecimentos; Diretor Odin Asgard, diretor interino, chefe da escola, soldado universal, comandos em ação, maluco beleza e filosofo nas horas vagas!

    P.S: Não se atrase!

    Sofia leu e releu a carta umas quatro vezes até entender a situação, tentava não ri da parte do diretor e de seus apelidos. Mas estava ali, algo novo e fabuloso acontecendo, algo que não foi dado só por ser uma princesa e sim por ser ela mesma. Uma lagrima de felicidade e alegria surge em seu rosto e ela olha para o céu azul, se lembrando do encontro com o misterioso homem no vale das espadas e sorri como se ele estivesse ali.

    Fora do quarto de Sofia...

    – Miranda!

    – Ro! – Exclama a rainha vendo seu marido e filho chegando.

    – Ela não quer sair?

    – Não! – Diz a rainha quase chorando, eu a chamei varias e varias vezes e nada! Estou preocupada.

    – Acalme-se meu amor ela deve estar bem ela só...

    Antes do rei terminar sua frase a porta do quarto da princesa é arrombado por um certo menino loiro que chutou  aporta com bastante força.

    – As aulas de defesa contra criaturas magicas deram certo! – Exclama James sorrindo.

    – James!!! – O rei repreende o menino.

    – Que foi? Vocês estavam indecisos, ai eu resolvi agir, ensinamentos do Professor Hercules, “Em caso de duvidas e discussões, chute a porta”!

    Miranda e Roland se entre olham e depois para James que sorria todo bobo.

    – D-Dessa vez passa, por que é uma emergência, vamos! – Os três adentram o quarto e vem à princesinha de e pé com algo nas mãos.

    – Sofia! – Exclama a rainha correndo, se ajoelhando ficando na altura dela e a abraçando.

    – Mãe?

    – Fiquei tão preocupada com você, esta tudo bem?

    A princesa sorri e responde:

    – Sim, agora mais do que nunca! – E retribui o abraço de sua mãe que fica sem entender as palavras da filha.

    – Sofi, o que é isso na sua mão? – Pergunta James curioso. – Parece familiar? 

    – Não parece James, é familiar!!! – Então o rei reconhecendo aquele papel, o mesmo que recebeu em sua juventude e despois seus filhos e agora era sua nova filha que a recebia. – Sofia... essa carta seria de?

    A princesa sai do abraço da mãe e estende a carta diante de todos e diz toda eufórica:

    – Eu fui convidada para estudar em Draconia!!!

    O irmão de Sofia abre a boca, mas não sai uma palavra se quer, sua mãe cobre a boca em surpresa e o rei apenas sorri orgulhoso.

    – Minha filha isso é maravilhoso!!! – Exclama a rainha.

    – A Sofi vai pra Draconia?! A Sofi vai pra Draconia?! – Exclama o príncipe bobo e ainda confuso.

    – Sim ela vai e era sobre isso que eu ia comentar hoje cedo, antes de sua irmã interromper!

    – Hum?

    – Papai? – Sofia pergunta com um olha de duvida.

    – Minha querida. – O rei se senta no chão do quarto da filha e a chama para que se aproxime. – Venha cá.

    A princesinha obedece e se senta no colo do pai que diz:

    – Quando fui com sua mãe visitar a escola de Cristalis, aproveitamos e também passamos em Draconia e deixamos uma carta de recomendação para você!

    – Mesmo?

    – Mesmo, mesmo! – Completa a rainha.

    – Mas estou surpreso, não tinha ideia que eles iriam responder tão rápido! Estou extasiado.

    Sofia sorria pelas palavras de seu pai, pelo sorriso de seu irmão e de sua mãe e por ela poder ir para o local ao qual se dizia que...

    – Os sonhos se tornam realidade... eu vou e serei muito feliz lá! – Responde com ênfase deixando o rei orgulhoso.

    – Essa é minha garotinha! – E abraça sua filha que logo depois recebe um abraço conjunto de seu irmão e mãe.

    “Se o senhor que jazes naquele vale tiver algo a ver com isso... muito obrigada!”

    Agradece em sua mente para o misterioso homem sem saber que bem longe de lá o mesmo homem que antes estava triste e solitário agora sorria enquanto jazia sentado no meio de seu santuário.


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