O Mago Das Espadas - Livro 0: Os Escolhidos

Tempo estimado de leitura: 2 horas

    12
    Capítulos:

    Capítulo 7

    O Desejo do Tigre

    Linguagem Imprópria, Nudez, Violência

    Boa noite magos e magas! Estamos de volta com mais um capitulo da saga O Mago das Espadas! Hoje veremos um novo escolhido! Chegou a hora de conhecermos o honrado Kimahri Ronso!

    Desde já uma boa leitura para todos!!!

    Já passava das oito da noite quando a lua resplandecia no céu noturno. No alto das montanhas a leste um jovem estava sentando com sua lança ao seu lado.

    Tinha aparência de um tigre humanoide, seu corpo era da cor azul, igual às montanhas que vive, seus pelos são brancos como a neve, olhos amarelos com e íris negra, possuía orelhas pontudas como a dos felinos e um chifre pontudo no topo da testa.

    O vento sopra fazendo seus pelos tremularem, foi quando seu nariz sente um leve odor muito familiar vindo atrás de si.

    – Pode para ai mesmo mocinha!

    A menina que já ia dar um susto no tigre congela.

    – Ops! Fui pega!

    O tigre se vira.

    – Você tem que ser mais silenciosa, caso queira pegar alguém desprevenido milady. – Responde o tigre acariciando a cabeça da menina que se aproximou dele.

    Diferente da sua raça aquela menina era humana, tinha cabelos castanhos, usava um grosso quimono branco com detalhes em azul para protegê-la do frio, pele branca, para muitos uma criança normal, a única diferença eram seus olhos, cada um de uma cor, o direito era verde como uma esmeralda e direito azul como uma safira.

    – Hummmm.

    – O que foi?

    – Ki eu já te pedi. Não quero que me chame de Milady, ou sacerdotisa, quando estivermos a sós pode me chamar pelo meu nome mesmo.

    – Mas a senhorita é...

    – Yuna! – Exclama a menina pegando a bochechas do homem tigre e apertando. – E você tem que apreender a sorrir mais, assim!

    A menina então estica as bochechas do homem tigre forçando um sorriso, mas só conseguiu fazer uma careta aparecer na cara do amigo.

    – Xiii! Esse não tem salvação! Há, há, há. – Ria a menina de se acabar.

    O guerreiro massageia suas bochechas para aliviar a dor dos beliscões.

    – Tudo bem... Yuna...

    Um enorme sorriso se forma no rosto da menina que corre e pula em cima do homem tigre o abraçando.

    – Você me chamou pelo nome! Viu não foi difícil?

    – De fato... não foi. – Responde o homem tigre. – Mas mudando de assunto, o que faz aqui em cima?

    Em um estalo a menina arregala os olhos e pula do colo do homem tigre e responde:

    – O vovô Algus me pediu pra te chamar.

    Os olhos de guerreiro se arregalam ao ouvir aquilo.

    – O ancião está me chamando?

    – Sim e parece importante.

    Sem pensar duas vezes o guerreiro Ronso pega sua fiel lança, se agacha e ergue a menina a pondo em seu ombro esquerdo.

    – Ei eu posso andar, sabia? – Reclama a menina.

    – E melhor se segurar Yuna... Kimahri irá bem rápido.

    Dizendo isso o jovem Ronso dá um salto e começa a correr entres as perdas e encostas da montanha a qual seu povo reside e protege durante incontáveis gerações.

    O monte Gagazete.

    Uma imensa montanha situada ao leste do reino de Arendelle e próximo ao o ducado de Dunbroch.

    Os Ronsos são um povo de cultura e hábitos diferentes, vivendo em harmonia com a natureza e a montanha. Acreditam que tudo na vida é regido de acordo com a vontade do Grande Espirito, uma entidade invisível que dizem se manifestar na natureza.

    Tendo uma cultura espiritual muito forte os Ronsos também são famosos por suas artes de guerra e de luta ancestral, devido ao clima da montanha este povo apreendeu a lutar desde cedo, sua principal arma é a lança. Há vários séculos atrás um Ronso de nome Kamiki, deixou a vila e a montanha e se aventurou pelo mundo desconhecido. Cem anos depois ele retornou com uma força fora do comum e com a arma que se tornaria padrão para aquele povo.

    Kamiki apreendeu em algum lugar ao qual ele não revelou a arte de lutar com a lança. Cada movimento, cada rotação, cada estocada eram precisos e assim ele ensinou os outros membros de sua tribo, desde então arte da lança foi transmitida de geração em geração entre os Ronsos além de habilidades únicas que só eles sabiam.

    Após alguns minutos correndo e saltando Kimahri salta chegando aos portões da vila.

    – Tudo bem ai em cima? – Pergunta o Ronso para sua acompanhe-te que tinhas os olhos em formato de espiral.

    – Te digo depois que o mundo parar de gira... AIIIIIII!!!!

    O Ronso apenas meneia a cabeça e antes de seguir seu caminho para tribo olha para a direção oposta. Atrás de si e de Yuna estava à estrada para fora do monte Gagazete, a mesma estrada que Kamiki fez para conhecer o mundo.  Sempre teve curiosidade de conhecer o mundo lá de fora, mas suas obrigações e deveres com a tribo o impediam de tal privilegio.

    “A tribo precisa mais de Kimahri, do que o mundo lá fora.”

    Seu olhar se perde ao ver aquela estrada.

    “Mas às vezes... Kimahri gostaria de ver... Como é o mundo que encantou o grande Kamiki.”

    Pensa o guerreiro que se vira é segue o caminho com sua acompanha-te ainda em seu ombro até sua vila, mal sabia ele que seu desejo logo se realizaria.

    Ao chegar à tribo Kimahri é recebido por seus irmãos da tribo que guardavam o portão.

    – Jovem Kimahri boa lua pra ti! – Saúdam dois Ronsos mais velhos erguendo suas lanças para o alto ao qual Kimahri responde erguendo a sua.

    – Para ti também Glor e Kali!

    – Oi gente! – Diz Yuna balançando a mão.

    – Oh! Lady Yuna! – Exclama Glor que se ajoelha assim como Kali. – É uma honra revê-la!

    – Sim, ficamos preocupados quando soubemos que subiu a montanha sozinha, por favor, não faça mais isso! – Diz Kali preocupado.

    – Aff! – A pequena Yuna pula do ombro de Kimahri o jovem Ronso já tinha ideia do que ia acontecer. A menina caminha até os dois guardas e sem avisar pega as orelhas de cada um. – Eu já disse... mão precisam me chamar de LADY!!!! – E berra no ouvido de ambos.

    – UAAAAHHHHH!!!! – Os dois grandes Ronsos vão ao chão com as mãos nos ouvidos.

    – Hi, hi, hi! Ter audição sensível nessas horas não é vantagem, né gente? – Pregunta Yuna dando linguinha, fazendo Kimahri menear a cabeça e dizer:

    – Precisava disso?

    – Sim! – Responde com simplicidade a menina que logo depois da dois pulinhos sobre os guardas, passando por cimas deles, se vira e acena para seu amigo. – Agente se vê depois Ki, tchauzinho! – E se desata a correr pela vila, sem perceber que o jovem Ronso também acenou de volta.

    – Mas que danadinha ela, hein? – Pergunta Kali se levantando.

    – Oh! Meus irmãos me perdoem! – Desculpa-se Kimahri ajudando os dois mais velhos a se levantarem.

    – Não se preocupe, somos durões o bastante para aguentar uma ou duas peripécias de uma criança. – Comenta Glor.

    – E além do mais, pudermos fazer Lady Yuna sorri isso já ser uma vitória para nós. – Diz Kali enfatizando seu amigo.

    Kimahri ao ouvir aquelas palavras se sente muito feliz.

    – Agradeço essa gentil demonstração de afeto com Lady Yuna meus irmãos... obrigado!

    – Disponha! Mas quer um conselho meu jovem?

    – Hum?

    – Sorria!

    – O quê? – Comenta o jovem Ronso sem entender.

    – Você ouviu filhote! Tente sorri mais, assim Lady Yuna ficara feliz.

    – Glor tem razão Kimahri, um sorriso pode revigorar a alma e as forças. – Diz Kali.

    Kimahri ao ouvir aquele comentário coça sua cabeça balançando sua juba branca, era o modo de dizer que estava encabulado. Nunca foi muito com essa ideia de sorri, não por que era difícil, ele simplesmente... não conseguia. Por várias vezes Yuna pedira um sorriso para ele, mas por mais que ele se esforçasse, nunca conseguia. Podia estar feliz, mas suas feições não mudavam e isso era um mistério... até mesmo para ele.

    – Lamento... Kimahri não consegue. – Diz cabisbaixo e os guardas ao verem aquilo se sentem mal.

    – Ei... não precisa ficar assim foi só uma brincadeira!

    – É, perdão se o fizermos se sentir mal filhote, isso não se repetirá, certo Glor?! – Kali dá uma cotovelada em seu amigo para enfatizar o argumento.

    – Ai! Pois é desculpa!

    – Não... está tudo bem, agora se me permitem, o ancião está esperando por Kimahri. – Responde o Ronso passando pelos guardas e adentrando a vila.

    Enquanto se distanciava Glor e Kali lhe observavam.

    – Ele é um bom filhote... acho que se tivesse mais fé em si mesmo seria um ótimo sucessor, não concorda?

    Glor meneia a cabeça em afirmação.

    – Idem, o problema é... aquele moleque.

    A mera menção daquela palavra fez o rosto de Kali se torcer em raiva.

    – O ancião e a anciã nunca o escolheriam, muito menos um Ronso que pense direito! – Brada o Kali se virando.

    – Eu entendo, mas Kali...mesmo nós os Ronsos com o tempo podem mudar de ideia. – Comenta Glor e a resposta foi...

    – Irei rezar para que o que acabaste de dizer nunca se torne real meu amigo, pois se ele um dia vier a ser líder, temo que os prados azuis e brancos de nossa sagrada montanha se tornem vermelhos. Agora... vamos voltar a nosso trabalho, por favor? – Diz Kali encerando o assunto deixando Glor surpreso e ao mesmo tempo preocupado.

    Na vila os Ronsos enceravam suas atividades, os machos traziam presas abatidas para que suas famílias pudessem comer. As fêmeas protegiam e treinavam seus filhotes para serem fortes e enfrentarem os perigos da montanha. Os Ronsos possuíam um código de honra que sempre foi de ajudar um irmão em dificuldade, seja ele velho, novo ou filhote, todos se ajudavam e Kimahri e Yuna não eram exceção. O jovem Ronso vigiava a longa distância se alguma ameaça ou invasor estivesse à espreita, já Yuna ajudava a anciã, a vovó Bacha a curandeira e irmã do chefe Algus a cuidar dos doentes e enfermos, com o uso da magia e de ervas medicinais.

    Falando em Yuna...

    – Vovó Bacha! – Grita a menina chegando à tenda da anciã. – Cheguei!

    – Eu percebi. – Responda uma velha Ronso de vestes vermelhas e de cajado em mãos que diziam ser sua antiga lança. Ela estava de frente para um caldeirão preparando uma de suas infusões enquanto falava. – Pude ouvir sua voz aguda a milhas de distância. – E se vira encarando a menina que ficou vermelha de vergonha. Sua aparência era similar a dos outros Ronsos, a diferença eram as rugas, seu tom de pele que era mais claro e seu chifre mais pontudo. 

    – Desculpa... eu me empolguei. – Diz a menina batendo as mãos umas nas outras.

    – Tolice! – Exclama a anciã. – A vida é para ser aproveitada, a senhora minha mãe sempre dizia; “Fique sozinha, mas que seja feliz, ou pratique tantas loucuras possíveis e veras a felicidade estampada na cara”.

    A pequena Yuna pisca repetidas vezes.

    – Eu... acho que não entendi.

    – Então somos duas... por que até hoje essa vovó não faz a menor ideia do que a senhora sua mãe quis dizer.

    Um silencio pairou sobre o aposento, para logo depois as duas caírem na gargalhada.

    – Ai, vovó Bacha por um minuto a senhora me assustou.

    – Bobagem! Bacha nunca ficaria brava com você minha criança e então foi chamar o pequeno Kimahri?

    Yuna responde meneando a cabeça em afirmação.

    – Ótimo, agora venha ajudar Bacha a terminar esta infusão para depois podemos comer.

    – Sim senhora! – Diz animada a menina indo ajudar anciã.

    As duas preparavam animadamente as coisas quando uma criança Ronso entra na cabana.

    – Vovó Bacha! Vovó Bacha!

    A anciã se vira encarando o filhote.

    – Acalme-se filhote o que ouve?

    – Alguém se macucou? – Pergunta Yuna.

    – Ainda não, mais vai!

    – O quê?!

    – Venha à senhora precisa intervir! – Exclama o filhote pegando a mão da anciã quase a arrastando para fora.

    – Esperem, eu também vou! – Grita Yuna pegando uma maleta com faixa e remédios.

    “Tomara que não seja com o Kimahri.”

    Reza a menina por dentro, mas infelizmente... 

    Kimahri caminhava pela vila, sempre saudando seus irmão e irmãs, nada parecia distraí-lo até ouvir aquela voz...

    – Kimahri! – Uma voz grossa e forte chama o jovem Ronso que de imediato fecha os olhos e serra seus punhos.

    – Biran... – Sussurra o jovem Ronso que ao se vira avista seu desafeto. Diante do jovem homem tigre estava um membro de sua raça, porém com o dobro do tamanho, pelagem dourada e portava uma grande alabarda em suas costas.

    – Como vai... Tigrezinho?

    Ao ouvir aquele apelido o jovem Ronso rosna. Detestava Biran, pois sempre se achava o mais forte e belo membro da tribo e se dizia que seria o próximo chefe dos Ronsos, algo que Kimahri achava loucura! Para ele um líder deve ser honrado e justo, mas o mais importante, ter a segurança dos seus em primeiro lugar, ao invés de si próprio.

    – O que quer?

    Biran se aproxima e Kimahri tem que erguer o rosto para encara-lo.

    – Calma, só estava de passagem quando o vi. Gosto de cumprimentar meus “amigos”. – Diz Biran com ironia.

    – Amigos? Hunf! Kimahri não se lembra de ser amigo de Biran?

    Biran ri:

    – Você realmente é muito engraçado Tigrezinho! – E começa a caminha em volta de Kimahri. – Fica sempre cumprindo ordens, ajudando quem nem merecem atenção, sendo como posso dizer o “herói do povo”.

    O jovem Ronso se mantinha calado, não iria sujar sua honra e suas mãos com ofensas de baixo calão como aquelas.

    – O que foi? Com medo de falar? – Pergunta o grande Ronso ao ouvido de Kimahri. – Ou será, medo de lutar?

    Uma veia saltou na testa do jovem homem tigre que aperta ainda mais seus punhos. Biran estava conseguindo incomodá-lo e ele percebeu isso.

    – Já acabou com suas lamurias? Tenho pressa! – Rosna Kimahri.

    E Biran viu que conseguiu tirar o jovem Ronso do sério agora bastava apenas uma coisa a ser dita:

    – O que foi, perdeu sua humana de estimação de novo?

    Os olhos do jovem Ronso se desfocam. Ele rugiu ao ouvir aquele insulto e num impulso agarrou parte da armadura de Biran forçando o grande Ronso o encarar bem nos olhos.

    – Você pode fazer chacotas com minha pessoa, insultar e dizer falácias, mas NUNCA ofenda Lady Yuna! Fui claro?!

    O grande Ronso apenas ri e com sua mão esquerda segura a mão que Kimahri o segurava e a aperta, uma sensação extrema de dor percorrer o mais profundo ser do jovem Ronso, mas não iria demostrar fraqueza, não para Biran, preferiria a morte.

    – O que foi tigrezinho... está doendo? Talvez eu deva fazer isso com sua humana de estimação, o que acha?

    Aquilo foi demais para ele, sentiu sua aura trasbordar para fora de seu corpo serrou seu punho esquerdo e sem retroceder desfere um potente soco na face Biran.

    O grande Ronso se afasta, um filete de sangue escorre por sua boca assim como um sorriso surge em seus lábios.

    – Bom, mas ainda não é...

    Antes de terminar sua frase um vulto azul com jubas brancas encobre sua visão o levando ao chão. Rapidamente o grande Ronso se vira jogando o mais jovem de lado que cai ficando de quatro, crava suas garras na neve e rosna enfurecido, já seu adversário se levanta bate em seu peitoral definido e provoca:

    – É só isso que tem Tigrezinho? Eu teria mais diversão com um Behemonth, do que com você, há, há.

    – Maldito!!! – Brada Kimarhi que avança, esse foi seu erro...

    Antes de conseguir atingir seu alvo Biran desaparece de sua vista por dois segundos e reaparece na sua frente enquanto ainda está no ar e sente sua garganta ser acertada pelo braço gigantesco do Ronso.

    – Estilo Ronso... Braço de Ferro!!!

    O golpe de Biran foi tão forte que fez Kimahri rodar no ar. Sua visão falhar e só consegue ver seu desafeto avançar com seus dois punhos brilhando e acertando seu abdômen o fazendo vomitar sangue enquanto era jogado para trás destruído algumas cestas e placas de madeira no trajeto até parar bem no centro da vila se chocando com um enorme chafariz feito de pedras brancas com uma estátua em tamanho real do lendário Kamiki.

    Alguns Ronso que estavam trabalhando ouvem o estrondo e se aglomeram para ver o que acontecia.

    – O que está havendo?

    – É uma peleja!

    – Biran de novo?

    – Chamem os guardas!

    Diziam os Ronso encanto Biran caminhava até onde Kimahri estava caindo. Sua visão estava embaçada, sentia seus músculos doerem ao extremo, odiava aquilo, aquela sensação, aquele momento, se sentia o mais fraco dos seres, o mais fraco dos Ronsos, se ele tivesse força, se tivesse tido um mestre.

    Então sentindo suas forças se esvaindo, olha para o alto é vê a estátua de Kamiki que parecia que o encarava.

    “Talvez se Kimahri pudesse sair e conhecer o mundo, assim como tu fez... ele encontraria resposta que tanto busca?”

    Foram essas as últimas palavras do Ronso antes de ser erguido pelo chifre por seu arqui-inimigo, velo sorri e ouvir o grito de sua protegida antes do mundo escurecer e sua honra ser destruída...


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