Meu Neko Sasuke

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    Capítulos:

    Capítulo 5

    Neko Fujão

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Duas semanas haviam se passado, e as coisas andavam estranhas ultimamente. Não sabia quem era que roubava a minha comida, pois o infeliz não deixava rastros e ninguém no condomínio tinha visto alguém suspeito entrar no prédio. Tentei por várias vezes preparar uma armadilha, mas eu sempre fracassava, ou era eu que era muito ruim em preparar as armadilhas.

    Era foda a vida de pobre.

    Depois de mais um dia cheio, típico de uma quinta-feira, consegui chegar em casa. O movimento na confeitaria estava tão cheio que saí uma hora mais tarde que o normal, mas pelo menos iria receber algum dinheirinho extra no final do mês por causa disso.

    Entrei no prédio, e subi aqueles lances intermináveis de escadas até chegar no meu andar. Eu ainda irei morrer de escadez um dia. Eu ofegava como um porco enquanto procurava as chaves na minha mochila e a enfiando na fechadura e abrindo a porta.

    Posso dizer que fiquei quase curada do meu trauma que peguei depois que cheguei em casa naquele dia e encontrei a minha sala totalmente destruída por um certo gato. Ele nunca mais fez aquilo, mas o infeliz descontava nos rolos de papéis higiênicos quando eu esquecia a porta do banheiro aberta e ele entrava.

    Bicho atentado.

    Joguei a mochila em cima do sofá, sentindo meus pés doendo pelo tempo que fiquei em pé. Eu estava cansada e ainda tinha que fazer um trabalho de anatomia que era para ser entregue amanhã e que eu tinha esquecido completamente. Estou vendo que irei madrugar a noite inteira.

    Tirei meus tênis e os deixei jogados num canto da sala, enquanto passava meus olhos pelo meu minúsculo apartamento atrás de uma bola de pelos.

    - Garibaldo, a mamãe já chegou! - chamei meu bichano enquanto eu ia para cozinha procurar uma coisa rápida para comer.

    Finalmente eu tinha colocado um nome no meu gato, foi um pouquinho difícil, mas achei um que combinasse com ele. Era fofo. Mas o estranho disso tudo, era que o gato me olhava estranho toda vez que eu o chamava assim, sei lá, acho que ele estava emocionado por ter um nome tão lindo.

    Entrei na minha cozinha esperando ver o que tinha sumido dessa vez, e para a minha total surpresa, tudo estava no lugar. Franzi o cenho. Abri a geladeira, e como de manhã, estava tudo ali. Nada havia sumido.

    Estranho.

    Saí em disparada para o meu quarto, liguei a luz e fui direto para cama. Levantei o colchão, tirando de dentro do buraco as minhas economias. Soltei um suspiro aliviado por saber que minhas economias estavam ali, cada centavo.

    - Meu rico dinheirinho, ainda bem que nada aconteceu com você. - voltei a guardá-lo em seu lugar e arrumei o colchão de volta no lastro da cama.

    Percebi a ausência do gato, estranho ele não ter vindo me ver. Passei meu olhar por todo o quarto, não encontrando ele.

    - Garibaldo! - o chamei novamente. Agachei-me para poder ver debaixo da cama. Nada. - Onde esse gato se meteu?

    Procurei por toda a casa, e nada, até entro da privada eu olhei. O gato havia sumido.

    Uni as sobrancelhas e cocei a cabeça com as duas mãos.

    - Céus, roubaram o gato.

    Bem que eu achei estranho ele não ter vindo me ver. Garibaldo era uma bola de pelos muito fofo e fresco, adorava um mimo, e só vivia ronronando enquanto se esfregava em minhas canelas secas. Mas mesmo com toda essa frescura de gato, eu tinha me apegado aquele bichano traquina, e estava preocupada com ele.

    Voltei para o quarto e dessa vez percebi a janela aberta. Droga, o filho da mãe deve ter escapado.

    Só me faltava essa.

    . . .

    Não era preciso dizer que eu acordei no outro dia me sentindo um chorume de tão podre que meu corpo estava. Além de ter ficado preocupada com sumiço de Garibaldo, eu madruguei até tarde fazendo o trabalho e anatomia.

    Eu queria ficar em casa e dormir, principalmente hoje que Tsunade resolveu me dar uma folga por ter trabalhado como uma escrava em sua confeitaria. Eu realmente merecia.

    Depois de me vestir para a faculdade, comi algo na cozinha, tipo, um pão de três dias que estava no armário. Apenas coloquei uma manteiguinha e passei o pão na frigideira, pois nem torradeira eu tinha.

    Dei mais uma procurada pelo gato, e nem fumaça dele. Tomara que esteja bem.

    Saí do apartamento e desci aquele mundaréu de escadas e passei como um jato pela portaria, dando só um oi rápido para o senhor Jiraya que estava em seu posto. Não estava com cabeça para ver a cara enrugada da dona Chiyo. Velha chata.

    Já na faculdade, eu quase chorei de tanta raiva quando eu soube que o professor de anatomia não tinha vindo. Eu tinha quase me matado para fazer aquele trabalho do cão, perdendo a minha hora preciosa que eu mais amo de sono para nada. Eu tinha vontade de matar aquele desgraçado do professor por ter faltado, na moral.

    Quando o intervalo chegou, corri direto para o refeitório comprar alguma coisa barata para comer, pois aquele pão de três dias que comi do café da manhã não havia matado a minha fome.

    Encontrei Hinata e Naruto sentados numa mesa e fui até eles, sentando-me no meio deles e colocando o meu biscoito recheado e meu suco em cima da mesa, deitando logo em seguida minha cabeça nos braços. Não estava a fim de ficar presenciando as ceninhas de amor do casal, hoje. Não mesmo.

    - Nossa, Sakura, você está acabada. - disse Hinata, se ajeitando em seu novo lugar, ao meu lado.

    - Eu preciso dormir para sempre. - murmurei com os olhos fechados, tentando não cair no sono.

    - Não dormiu ontem, não? - Naruto perguntou, sentado ao meu outro lado.

    - Não. - abri os olhos, e fiquei olhando a mesa. - Eu passei a noite toda fazendo o trabalho de anatomia, e a praga do professor resolveu não vir hoje.

    Escutei as risadas de Naruto.

    - Que azar.

    - Não ria, seu idiota. - levantei meu corpo para cima e me ajeitei na cadeira, pegando meu pacote de biscoito e o abrindo. - E para piorar, o Garibaldo sumiu.

    - O seu gato sumiu? - perguntou Hinata.

    Assenti com a cabeça, colocando um biscoito recheado na boca.

    - Eu estou pensando seriamente que ele foi roubado. - minha voz havia saído estranha enquanto falava e mastigava ao mesmo tempo.

    - Para mim ele fugiu depois desse nome ridículo que você deu para ele. - comentou Naruto, dando um gole de sua Coca Cola. - Que diabos é Garibaldo, Sakura? Não tinha nada melhor não?

    Virei meu rosto para Naruto.

    - E gosto desse nome, e o Garibaldo também gostou, se você quer saber.

    - Gostou tanto que sumiu. - ele murmurou, olhando a movimentação a nossa volta.

    - Naruto, se mata.

    - Mas Sakura, por que você acha que o gato foi roubado? - perguntou Hinata quando percebeu que eu já estava perdendo a paciência com Naruto. Principalmente quando eu não dormia direito, eu meio que ficava agressiva, sabe. E eles sabiam disso.

    - Esqueceu o ladrão que fica roubando a minha comida? - a olhei. - Talvez tenha sido ele.

    Eu fiquei matutando essa hipótese na minha cabeça hoje de manhã quando eu vinha para a faculdade. A minha comida não havia sumido, e sim o gato, isso era a mesma coisa do que somar dois mais dois. Simples.

    - Ou talvez o ladrão de comida seja o seu próprio gato. - questionou Naruto com uma voz tediosa.

    Revirei os olhos, e o olhei.

    - Oh demência, como que um gato pode fritar um ovo, colocar comida no prato e comer? Me explica isso?

    Naruto às vezes se superava em quesito idiotice, eu não tinha paciência para suas piadinhas sem escrúpulos.

    Ele deu de ombros.

    - Sei lá, talvez seja um gato alienígena. - ele riu de sua própria piada.

    Revirei os olhos.

    - Naruto, eu não quero nem gastar saliva com você, seu caso é perdido.

    - Que isso, Sakura - ele pôs seu braço no meu ombro. -, você precisa se acalmar.

    Tirei seu braço do meu ombro de um jeito pouco bruto.

    - Naruto, não torra minha pouca paciência. Minha cabeça está em tempo de explodir, e estou agradecendo aos deuses por que hoje é meu dia de folga no trabalho.

    Voltei a deitar minha cabeça na mesa, suspirei cansada.

    - Mas, Sakura, você não deixou nenhuma janela aberta, não? - começou Hinata, voltando ao assunto. - Os gatos precisam sair um pouco, sabe.

    Levantei minha cabeça mais uma vez e a olhei.

    - E o pior é que estava aberta mesmo. - uni as sobrancelhas. - Mas eu não me lembro de ter deixado aberto, eu nunca deixo.

    - Vai ver que você esqueceu.

    - Pode ser. - dei de ombros.

    - Para mim seu gato está querendo dar uma trepadinha por aí. - riu Naruto.

    - Naruto, fala sério.

    - Estou falando sério - sua voz era risonha -, caso você não saiba, os gatos também fazem.

    Minha cara se transformou numa careta. Também não era uma possibilidade para descartar, não é?

    - Relaxa, Sakura, seu gato vai aparecer, só deixe a janela aberta.

    - O negócio, Hinata, é aquela velha ver o Garibaldo entrando e saindo da janela do meu apartamento. Aquela síndica miserável adora tomar conta da minha vida.

    - Então, minha amiga, é você torcer para que ela não veja. - disse Hinata.

    Suspirei novamente.

    - Eu sei. E tomara que ela não o veja, pois será adeus Garibaldo. - resmunguei a última frase, apoiando minha testa na mesa.

    . . .

    As aulas finalmente haviam acabado, e eu estava um pouco mais desperta, mas minha cabeça parecia que iria explodir. Não via a hora de chegar em casa e cair na cama e embernar até a próxima primavera.

    O dia estava quente, eu estava soando como uma cachorra no ponto de ônibus, o sol parecia que estava me cozinhando viva. Estava puta, pois estava mais de meia hora esperando o maldito ônibus e nada dele vir, e para a minha desgraça, nenhuma alma viva aparecia para me dar uma carona. Como se eu tivesse muitos amigos aqui em Tóquio.

    Bufei pela milésima vez, eu estava em tempo de xingar o primeiro que aparecesse na minha frente. Onde aquele ônibus estava que não chegava logo? No inferno? Só pode.

    Já cansada daquilo, dei um basta e resolvi ir a pé mesmo. Seria uma hora torturosa andando nesse sol escaldante. Eu já falei que pobre só toma naquele lugar?

    Deus, por que o senhor não é generoso comigo e arruma um marido rico para mim? Eu sou uma boa menina, numa matei, roubei, ou me prostitui, eu sempre trabalhei. Eu sempre corri atrás dos meus sonhos e isso meio que atrapalhou numa possível vida amorosa, eu nunca tive. Acho que se eu tivesse um namorado eu não teria que ir e vir andando ou pegar ônibus.

    Cara, como eu odiava esse transporte que só atrasa.

    Meia hora depois eu ainda estava no meio do caminho, havia pegado uns atalhos para chegar mais rápido e me perdi duas vezes, e estava na terceira contagem, perdida de novo.

    - Acho que eu chutei macumba, por que tudo quanto é azar está acontecendo comigo hoje. - eu resmungava baixinho, olhando as arquiteturas das casas e mercenárias e bar, outro nível do que eu estava acostumada. Aquele era um bairro chique.

    Como diabos eu fui parar aqui?!

    Fiquei rondando aquele lugar, entrando em várias ruas, e quanto mais eu andava, mais perdida eu ficava. Para muita gente poderia achar que eu era uma demente por não conhecer a cidade onde vivia, mas porra, eu só tinha dez meses que eu morava em Tóquio, não conheço a cidade muito bem. E, aliás, eu era sedentária o suficiente para andar a pé. Eu só andava em extrema necessidade, ou quando o azar estava andando ao meu lado, como nesse momento.

    Virei mais três quarteirões, e quando estava virando a esquina, totalmente distraída, meu corpo trombou com uma coisa sólida, me fazendo perder o equilíbrio e cair. Fechei os olhos automaticamente, esperando sentir o baque do meu corpo no chão, mas para a minha sorte, o baque não veio. Apenas senti braços me segurando firme em minha cintura, fazendo com que meu rosto desse um encontrão contra uma parede musculosa e cheirosa.

    - Opa.

    Abri meus olhos lentamente, podendo ver uma de minhas mãos segurando um braço musculoso e nú. Ergui meus olhos para cima e quase tive um ataque catastrófico.

    Minha nossa, o que era aquilo que estava ali me segurando nos braço? Uma divindade humana? Os cabelos pretos e bagunçados deixavam alguns fios cair em seus olhos, o rosto era quadrado e másculo, os olhos eram negros e surpresos enquanto me fitava, e a boca levemente entreaberta.

    Deus, aquele homem não podia ser real, era uma pintura de uma beleza divina. Será que eu estou sendo compensada depois de tanto andar no sol escaldante, ou o sol torrou meus miolos e eu estou tendo uma crise esquizofrênica?

    Eu podia sentir meu coração quase pular para fora do meu peito, minhas pernas estavam como uma gelatina, pois eu não as sentia. Eu podia sentir os meus olhos secando aquela beldade enquanto a baba deveria está escorrendo no canto da minha boca como uma cachoeira.

    Aquele era o cara mais lindo que eu já vi em toda a minha vida medíocre. E eu estava bancando a retardada, pois o cara já tinha falado comigo umas três vezes e eu não havia respondido, pois meus olhos estavam hipnotizados no rosto maravilhoso que ele tinha.

    - Você está bem? - aquela voz rouca e sexy fez aquela pergunta mais uma vez. Eu podia sentir minhas pernas mais engelatinadas.

    Reaja mulher! Meu subconsciente gritava para mim.

    Pisquei umas três vezes, tomando todo o ar que havia perdido. Inspire, suspire. Inspire, suspire.

    - Eu... eu...

    A minha voz havia sumido, era impossível pensar em alguma coisa quando se tem um Deus me segurando nos braços.

    - Você? - seu tom melódico e atencioso me deixou mais embasbacada.

    - Eu estou bem. - finalmente consegui falar, num modo meio que lento.

    Meus olhos não paravam de secá-lo, nem por um segundo, e para terminar de me desestabilizar de vez, o canto da boca dele se ergueu para cima, num pequeno e matador sorriso de lado.

    - Que bom. - seus olhos negros como um mar de trevas fitava curioso todo o meu rosto, e não pude evitar de corar como um tomate maduro. - Você consegue ficar de pé?

    Balancei minha cabeça para cima e para baixo, como uma demente.

    Aos poucos seus braços foram me soltando, mas o que eu não esperava era que eu não tivesse as forças nas minhas pernas, e quase caí novamente, mas o Deus me segurou novamente, ainda mais forte do que antes.

    - Caramba, você me parece fraca. - ele disse ainda me olhando.

    Não, meu lindo, estou fraca por que eu não aguento ver um homem com o seu tanto de beleza me segurando como um macho alpha. Isso é muita coisa para eu aguentar.

    Céus, eu preciso de um namorado!

    - E-eu estou bem. - gaguejei, tentado parecer forte. Acho que a insolação estava fazendo muito mal para mim.

    Novamente o Deus foi afrouxando seus braços em torno de mim, e dessa vez, consegui me firmar em meus cambitos, mas eles ainda estavam fracos.

    - Obrigada. - falei baixinho, mordendo o lábio pelo nervosismo e desviando meus olhos para o chão.

    - Que isso, eu que não te vi. - ergui meus olhos e o peguei me fitando, intensos.

    Sorri de um jeito nervoso e cocei o cotovelo.

    As suas sobrancelhas negras se uniram.

    - O que faz por aqui sozinha?

    Sorri mais uma vez, de um jeito débil, apertando a alça de minha mochila que estava no meu ombro direito.

    - Eu meio que me perdi. - falei baixinho, agora podendo ver com mais clareza o seu perfil.

    Ele era muito alto, estava usando jeans escuro e uma camisa polo azul-marinho, mas o incrível, era que ele estava de chinelo nos pés.

    - Está perdida? - voltei meu foco em seu rosto perfeito.

    Balancei minha cabeça para cima e para baixo.

    - Quer uma ajuda?

    Sim! Sim! Sim!

    - E-eu não quero incomodar...

    Cara, como eu era um desastre em relação a homens.

    Ele sorriu daquele jeito sexy novamente, e minhas pernas fraquejaram por um segundo.

    Sakura, se controle, mulher.

    - Que nada. Onde você mora?

    Fiquei meio receosa em dizer onde morava. Não era por que o cara era lindo de morrer, com pinta de filhinho de papai que eu iria confiar. Aquele cara poderia ser um maníaco assassino ou um psicopata em série querendo abusar do meu corpo. Nem pensar.

    - Sabe onde têm um ponto de ônibus por aqui? - respondi sua pergunta com outra pergunta.

    Ele ficou ainda algum tempo me observando, e não pude deixar de ficar mais constrangida ainda.

    - Sim. A umas quatro quadras daqui, para o leste. - ele disse, sua voz saindo cantada por seus lábios perfeitos.

    Eu precisava me afastar para poder raciocinar direito.

    - Quer companhia?

    - N-não, quer dizer... não precisa... eu agora me viro. - sorri forçado e comecei a caminhar. - Obrigada mais uma vez.

    Ele apenas sorriu sem mostrar os dentes. Perfeito.

    Desviei meus olhos para o chão e saí com meus passos rápidos, sentindo meu sangue correr mais forte e meu coração disparado. Mas eu sentia que meu cérebro havia pifado, pois eu havia me esquecido de perguntar o nome daquele ser divino.

    . .

    Uma hora depois, eu consegui chegar finalmente em casa, peguei dois ônibus errados e com isso eu gastei mais do que devia. Mas para compensar, eu estava em devaneios, minha mente longe, especialmente no Deus que eu havia encontrado hoje.

    Jiraya não estava na portaria e sim num cantinho afastado e escondido com seu binóculo nos olhos, olhando alguma mulher de saia curta que passava pela rua. Revirei os olhos e passei direto, para subir a minha penitência do dia, as escadas.

    Se não bastasse meu corpo destruído e minhas pernas acabadas, quando cheguei em meu andar eu estava destruída. Era hoje que eu dormiria até amanhã. Ainda pensei em procurar o Garibaldo, mas que se dane ele, meu sono era mais importante, ainda mais se eu sonhasse com aquele Deus que estava naquele bairro chique.

    Entrei no meu apartamento, jogando minha mochila no sofá e tirando os tênis, os deixando no canto. Andei até a minha cozinha e tirei uma garrafa de água da geladeira. Como ontem, nada havia sumido, até agora eu não tinha dado falta de nada. Coloquei um pouco de água no copo e logo senti o líquido gelado descer por minha garganta mais seca do que o deserto do Saara.

    Miau.

    Esse miado...

    Olhei para os lados e depois para a entrada da cozinha, vendo o meu gato fujão vindo até mim com seus passos preguiçosos.

    - Garibaldo, onde você estava, meu filho do céu! - minha voz havia saído pouco estrangulada e ao mesmo tempo aliviada por ver que meu lindo gato estava são e salvo.

    Miau.

    O peguei em meu colo e o abracei forte, aliviada por vê-lo bem.

    - Onde você estava? - eu olhava seus olhinhos pretos de jabuticaba. - Eu fiquei preocupada, pensei o pior de você.

    Miau.

    - Não fique me olhando com essa sua cara fofa de gato e esses seu miaus não, por que eu estou muito brava com você.

    Miau.

    Suspirei, revirando os olhos.

    Olhei mais uma vez para seu corpo todo peludo, tentando encontrar algum machucado.

    - Bom, ainda bem que está aqui. O senhor está proibido de sair por aí. Aquela velha da Chiyo não pode nem sonhar que você está aqui, se não adeus. Você vai morar na rua.

    Ele apenas esfregou sua cabeça em meu peito, ronronando.

    Me derreti.

    - Sentiu falta da mamãe, foi? - eu perguntei, fazendo aquela voz esquisita como se fala com um bebê, passando a outra mão em seus pelos.

    Ele apenas ronronava.

    - Também senti falta de você. - sorri, e ele me olhou. - Sabe, Garibaldo, acho que eu encontrei um papai para você.

    Miau.

    - Ele é o cara mais lindo que eu já vi em toda a minha vida. - mordi o lábio, erguendo meu olhar para o teto. - Nem parece que é desse mundo. - fitei o gato, ele me olhava atencioso. - E se caso eu me encontrar com ele mais uma vez, eu acho quem nem sei o que eu faço. O cara era lindo demais, Garibaldo.

    Miau.

    - É, acho que eu estou sonhando demais. - meu rosto se contorceu numa careta. - Mas sonhar não custa nada, não é?

    Miau.

    Esse era o meu Garibaldo, esse gato sempre me entendia, mesmo só dizendo miau.


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