Meu Neko Sasuke

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 2

    O Neko

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Eu corria pelos corredores da universidade, estava atrasada para o trabalho. Eu tinha ficado tempo demais na biblioteca pesquisando um trabalho para ser entregue na semana que vem, e que nem vi a hora passar.

    Nunca pensei que vida de universitária, e ter um emprego fossem tão difíceis, a infância e a ilusão de que tudo era mais fácil haviam ficado para trás depois que vim para Tóquio. Havia passado em uma das melhores faculdades do país com a maior nota em medicina. Eu estava orgulhosa de mim mesmo, pois isso era só o fruto de todo o trabalho duro que dei nesses meses que eu estava no colegial. Festas, bailes, sair com os amigos e principalmente namorado, não constava em minha lista. Se eu quisesse chegar a algum lugar, eu tinha que sacrificar todos os prazeres adolescentes.

    Às vezes eu parava para refletir de que eu estava fazendo o certo, enquanto meus amigos se divertiam eu estava trancada em casa estudando. Mas agora eu vejo que meus esforços valeram a pena.

    Foi difícil deixar a minha cidade e o bairro pacato onde eu morava. Minha mãe Mebuki havia ficado triste por uma parte, por eu ir para longe, mas nem por isso impedia o seu sorriso orgulhoso desfrutasse de seu rosto. Nunca conheci meu pai, mamãe disse que eu era um fruto de uma paixão passageira. E que conheceu papai quando ele estava de férias de seu trabalho, ele era viajante.

    - Ei, Sakura!

    Parei de repente e olhei para trás, podendo ver Naruto - meu melhor amigo idiota - e sua namorada Hinata. Naruto e eu nos conhecemos desde que me conheço por gente, nossas mães são melhores amigas, o que contribuiu para a nossa amizade. Apesar de Naruto ser barulhento, escandaloso e estupidamente idiota, ele era um cara muito legal.

    Hinata era uma baixinha que fazia gastronomia, nós a conhecemos por acaso, quer dizer, quando Naruto derramou chocolate quente na coitada no começo do semestre. Não sei o que houve naquele dia, pois foi tudo muito confuso, só sei que no final, Naruto e Hinata combinaram em sair no outro dia. Estranho, eu sei, mas os dois estão namorando até hoje.

    - Fala logo, Naruto, pois eu estou com pressa. - eu disse assim quando ele parou a minha frente.

    - Eu e a Hina estamos pensando em ir a um bar hoje a noite com uma galera, está a fim de ir?

    - Naruto, tudo que eu quero depois quando chego do trabalho é cama, não tenho um pingo de clima para bar. - franzi o cenho. - E hoje é quinta-feira, cabeção. Vai mesmo para um bar e acordar de ressaca para vim estudar?

    - Eu disse para o Naruto que não é uma boa ideia. - disse Hinata entediada.

    - Ainda bem que você pensa, Hinata.

    Naruto olhou para ela.

    - Mas Hina, eu pensei que você estava de acordo?

    - Naru, você nem me deu oportunidade para falar. - respondeu Hinata o fitando.

    Olhei às horas no celular e só faltei ter um ataque. A senhora Tsunade iria me matar por chegar atrasada.

    - Gente, nós nos vemos depois, tchau.

    Não esperei ouvir uma resposta deles, apenas saí correndo para fora do campus. Eu trabalhava numa confeitaria no período da tarde. Tsunade era minha chefe e dona do estabelecimento. Ela era muito legal e uma boa chefe, mas odiava atrasos.

    Assim que saí do campus, tive sorte que o ônibus estava parado, pegando alguns passageiros. Não demorou muito para que eu chegasse na confeitaria. Abri a porta totalmente afobada, fazendo com que os sinos da porta soassem, indicando que havia chegado alguém. Tenten estava detrás do balcão atendendo um cliente. Ela sorriu assim que me viu, eu que a rendia para ela ir embora.

    Sorri de volta e fui para os fundos, especialmente para uma pequena área dos empregados.

    - Está atrasada!

    Dei um pulo de susto e me virei para trás, encontrando uma Tsunade com a cara fechada.

    - Boa tarde, senhora Tsunade, eu fiquei presa na biblioteca e acabei perdendo a hora. - eu sorria como uma retardada enquanto meu coração batia como se fosse sair pela minha boca, diante do susto que havia levado.

    A expressão de Tsunade era rígida.

    - Sabe que não aturo atrasos, e espero que isso não se repita. - ela disse e eu assenti. - Bom, vai se trocar e render a Tenten para ir embora. O movimento está grande hoje.

    - Sim.

    Me troquei rapidinho e logo rendi Tenten, que soltou um suspiro aliviado por ter cumprido seu dia de trabalho.

    A tarde parecia que estava passando lentamente e eu torcia para chegar a hora de eu pudesse ir embora. Realmente o movimento estava tenso, parecia que Tóquio toda resolveu gastar seu dinheiro para satisfazer os desejos calóricos.

    Essa é a vida de uma universitária empregada, trabalho, trabalho e mais trabalho. Mas fazer o quê, eu tinha que me sustentar e pagar o aluguel do meu cubículo que eu chamo de apartamento que fica nos subúrbios da cidade.

    Depois de seis horas trabalhosa, finalmente eu estava livre, eu não via a hora de chegar em casa, tomar um banho relaxante e cair na minha cama e embernar. A noite estava fria e ventava muito, o céu estava com nuvens carregadas e raios vez ou outra cortava o céu. Amaldiçoei-me internamente por não ter pegado um guarda-chuva, e torcia para que chegasse em casa antes da chuva.

    Depois de andar alguns metros até o ponto e esperar mais dez minutos o ônibus, eu estava caminhando pelas quadras pouco deserta do bairro pobre onde eu morava. Eu não era rica como Hinata e nem tinha muitos amigos para pedir um abrigo numa república como Naruto. Eu morava sozinha num pequeno apartamento, que por um milagre, o aluguel cabia no meu bolso.

    O vento gelado ricocheteava o meu rosto, o deixando mais gelado e fazendo-me abraçar o meu próprio corpo e apressar mais os passos. Mas foi naquele momento que escutei um miado, era baixo e fraco e por um instante não dei muita importância. Mas conforme eu avançava, os miados se tornavam mais altos, chamando minha atenção.

    Olhei para os lados não encontrando nada. Podia sentir os primeiros pingos da chuva caindo, mas o miado ficava mais alto e parei.

    Miau.

    Olhei para um canto e depois para o outro, e foi aí que eu o vi. Ali, naquele chão sujo, deitado naquele papelão gordurento estava um pequeno gatinho. Ele estava encolhido, seus pelos preto e branco estavam melados de sangue. Ele estava todo machucado.

    O meu coração mole e meu sensor de proteção falou mais alto, eu não podia ignorar aquele ser vivo ali sofrendo.

    Aproximei-me do bichano encolhido e me agachei. Seus olhinhos pretos e redondos como de uma amêndoa me fitou, curioso e acanhado, fazendo seus pelos das costas enrijecerem.

    - Calma, fofinho, não vou te fazer mal. - levei minha mão para perto dele, mas ele tentou me atacar, recolhi a mão. - Ei, rapaz, não vou te machucar.

    Ele tentou se levantar, mas sem muito sucesso. Levei minha mão novamente e toquei seu pelo. No começo ele ficou arisco, mas logo foi relaxando e com isso peguei mais confiança e o peguei no colo.

    - Entrou numa briga, foi? - perguntei, como se o gato fosse me responder.

    Ele me fitou novamente curioso, e fiquei de pé, sentindo os pingos da chuva engrossar.

    Olhei para o tempo com o gato nos braços eu comecei a correr, só faltava uma quadra para eu poder chegar em casa. O gato soltava alguns miados e a chuva que caía agora mais forte, deixou toda a minha roupa ensopada em questões de segundos.

    - Droga, vou acabar resfriada desse jeito. - resmunguei, enquanto sentia o gato tremer no meu colo, me fazendo o fitar. - Aguenta mais um pouco aí, tu têm sete vidas.

    Não demorou para que eu visse a fachada do meu prédio, e agradeci pelo porteiro não está em seu posto, pois sabia que era proibido animais no prédio. Subi correndo as escadas até o terceiro andar. O gato ainda tremia e miou mais uma vez.

    - Shiu. ? eu o fitei, quando tentava tirar com a mão desocupada a chave dentro da bolsa. - Se alguém te ouvir, você vai para a rua de novo.

    Com muito custo consegui tirar a chave e abri a porta e entrei no meu cubículo que eu chamo de lar.

    Liguei a luz ao lado da porta, iluminado a minha pequena sala com cozinha. Deixei a minha bolsa no sofá e fui até o meu quarto. Peguei uma toalha que estava em cima da minha cama bagunçada e enrolei o bichano e o deixei no canto do chão.

    Apressei-me em tirar aquelas roupas molhadas, ficando só de lingerie e abri o guarda-roupa. Peguei algo confortável, um short e uma blusinha de algodão e marchei para o banheiro e tomei um banho quente, levando embora toda a tenção do dia. Meu corpo estava cansado e minha barriga roncava de fome.

    Saí já vestida do banheiro e entrei no quarto. O pequeno gatinho estava do mesmo jeito que eu tinha o colocado, todo encolhido e tremendo na toalha.

    - Vem cá. - o peguei com todo o cuidado, e ele abriu seus olhinhos pretos e redondos para mim.

    Sorri, fazendo um carinho em sua cabeça enquanto saía do quarto e entrava na sala, pegando a minha maletinha de primeiros socorros. Sentei-me no sofá com ele no meu colo e comecei tratar de seus machucados. Eu sempre tive uma queda por gatos - apesar de nunca ter tido nenhum -, mas eu não era uma pessoa boa em cuidar de animais, eu era distraída demais para ter um animal de estimação.

    Com o pouco que eu sei de medicina, eu limpei os machucados do bichano e ele grunhia vez ou outra, tentando sair do meu colo, mas não o deixei. Demorei mais de uma hora cuidando de suas feridas, o gato era muito agitado e não me deixava fazer o trabalho direito, mas consegui. Enfaixei a sua pata com gazes, e passei pomada nas suas feridas perto do pescoço.

    - Pronto, agora é só esperar e daqui a alguns dias você vai está novinho. - passei minha mão em sua cabeça peluda e fofinha, agora limpa, e ele ronronou com o carinho.

    Novamente escutei minha barriga roncar, e o gato me olhou, me fazendo rir.

    - Estou morrendo de fome e você deve está também, não é?

    Miau.

    Ri novamente por ele ter me respondido.

    - Vamos comer.

    Coloquei o gato no sofá e fui para a cozinha, tirei uma lasanha da geladeira e coloquei no microondas. Agora a questão era: O que eu daria para o gato?

    Mordi o lábio enquanto olhava para dentro da geladeira, não tinha nada além de ovo e água. Nossa, eu tinha até vergonha se alguém abrisse a minha geladeira agora e visse o vazio que ela anda.

    - Droga!

    Bufei, voltando a fechá-la novamente. Não tinha leite em casa, pois eu odiava leite, mas eu tinha leite condessado. Isso!

    Abri o armário e peguei o potinho de leite condessado. Bom, era leite, talvez se jogasse um pouco de água e mexesse ele ficaria ralo e daria para beber.

    Peguei um copo e joguei o leite condessado dentro e depois joguei água e mexi até que o leite condensado ficasse líquido. O derramei dentro de um prato de plástico, que eu havia roubado da casa da minha mãe quando fui visitá-la no feriado mês passado.

    Quando fui me virar, senti algo peludo roçar as minhas pernas, dei um pulo para trás e quase derramei o ?leite? em mim. Olhei para o pequeno bichano que estava ali na minha frente me olhando com aqueles olhos pidões.

    - Caramba, gato, você quase me mata!

    Miau.

    O seu miado veio como um pedido, ele fitava o prato em minha mão. Agachei-me e coloquei o prato no chão. Ele fitou o leite e depois me olhou. Arqueei uma sobrancelha.

    - Come, está gostoso.

    Como se ele me entendesse, ele começou a dar pequenas lambidas, fez uns barulhos estranhos no começo, mas tomou todo o leite em questão de minutos. O bicho estava com fome.

    O microondas apitou, avisando que minha lasanha estava pronta. Ergui meu corpo para cima e peguei a minha lasanha, fazendo com que o cheiro da bolonhesa evaporar por todo o local. Sentei-me na bancada que dividia a cozinha com a sala e comecei a comer.

    Conforme o tempo passava e eu me deliciando daquela maravilha, percebi um incômodo, como se eu estivesse sendo vigiada. Tirei minha atenção do meu jantar para o gato que estava aos meus pés com os olhos pidões, me fitando.

    Miau.

    - Você já comeu, não posso dar comida de gente para você, a menos que queria morrer.

    Miau.

    Revirei os olhos e voltei minha atenção para minha comida, ignorando os miados de um gato que cobiçava o meu jantar.

    Levantei-me da bancada levando a louça suja até a pia, amanhã eu lavaria junto com a louça do café da manhã.

    Olhei novamente para o bichano e ele continuava me olhando. Sorri, ele era muito fofo. Agachei-me e o peguei nos meus braços.

    - Vamos dormir? Amanhã tenho faculdade e trabalho. - suspirei, enquanto o fitava com ele nos meus braços e caminhava até meu quarto. - Minha vida é sofrida, sabia?

    Ele virou sua cabecinha para o lado, como se estivesse me entendendo.

    Que fofo!

    Entrei no quarto e procurei algo para que ele pudesse dormir. Fiz um montinho de pano num canto no chão do meu quarto e o coloquei ali deitado.

    - Você vai dormir aqui por enquanto, tá bom?

    Minha vida social era tão ruim que eu estava falando com o gato como se ele fosse uma pessoa. Trágico, eu sei.

    Depois de ajeitá-lo em seu lugar eu fui para a minha cama, meu corpo estava tão cansado que ele pesava mais de uma tonelada, essa era sensação que eu tinha.

    Joguei-me com tudo na cama e me cobri com os lençóis grossos e apaguei o abajur, estava feliz que finalmente poderia fazer o que eu faço de melhor. Dormir.

    O sono logo veio, mas parece que duraram poucos segundos, pois acordei num rompante, sentindo algo estranho e peludo roçar as minhas pernas. Não pude evitar soltar um grito e pular da cama, sentindo meu coração chegando até a minha garganta, e meu corpo tremendo pelo susto que eu havia tomado.

    Liguei a luz do abajur, e foi aí que eu vi o gato em cima da minha cama, totalmente envolvido nos meus lençóis quentinhos.

    Miau.

    Era só o que me faltava.

    - O que você está fazendo aqui? - minha voz havia saído mais alta que o normal.

    Olhei para o relógio que ficava no criado-mudo ao lado de minha cama, indicando quase meia-noite. Eu havia dormido por uma hora.

    Fitei o gato que me olhava com aqueles olhos pretos e redondos e o peguei, colocando em seguida em sua cama provisória.

    - Seu lugar é aqui, seu safado.

    Ele olhou novamente para mim e saiu de seu canto, indo para a minha cama.

    - Ah, não...

    Corri a tempo, o pegando quando ele havia dado um pulo para cima da minha cama novamente. Ele começou a espernear nos meus braços, senti suas unhas me arranhando de leve, enquanto ele se agitava.

    - Vai para o seu canto. - o coloquei novamente no seu canto.

    Mas novamente ele saiu e correu para a minha cama. Eu fiquei o olhando com uma cara de tacho o bonito esparramado em minha cama, como se fosse o rei do pedaço.

    Franzi o cenho.

    - Não tem nem cinco horas que você está no meu apartamento e você está tomando conta de tudo? - questionei incrédula, o sono que eu sentia contribuía para que minha cabeça começasse a doer.

    - Tudo bem. - me dei por vencida. - Você ganhou.

    Sentei-me na cama, o gato fechava os olhos, todo encolhidinho. Se a situação fosse outra eu acharia fofo o jeito como ele estava todo enroladinho como se fosse um tolete de cocô. Tá isso foi nojento.

    Suspirei e me deitei, puxando as cobertas para me cobrir. O gato abriu seus olhinhos lentamente e me fitou antes de se aproximar de mim e subir na minha barriga.

    - Cara, como tu é abusado.

    Miau.

    Ele lambeu a minha mão que estava próxima, antes de se enrolar com seu corpo em minha barriga e voltar a fechar os olhos.

    É mole?

    Fechei os olhos e suspirei.

    - Tudo bem, gato, só por hoje eu deixarei você aqui, mas não pense que amanhã será igual, pois nessa casa tem regras, e se for ficar aqui você vai ter que cumprir.

    Eu estava falando com o ar, por que o gato estava nem me dando ideia, apenas continuava com seus olhos fechados, como se estivesse dormindo. Mas alguma coisa dentro de mim sabia que ele havia escutado tudo, e muito bem.


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