A Garota do Uchiha

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 12

    Inveja

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    -

    Não irei para escola hj.

    Me desculpe.

    -

    Era a terceira vez que eu lia àquela mensagem que Sasuke havia mandado naquela manhã quando eu estava no banheiro. Havia achado pouco estranho, pois havíamos conversado ontem à noite e ele não mencionara nada em faltar à aula hoje. Meus olhos desceu para a mensagem que eu havia mandado para ele como resposta, enquanto caminhava com passos pouco lento até o ponto de ônibus que ficava perto da minha rua.

    -

    Aconteceu alguma coisa?

    -

    Era inevitável evitar um teor de preocupação por ele, por algo que poderia ter acontecido.

    A resposta para a minha pergunta não havia demorado nem dois minutos para ser respondida.

    -

    Nada com que você possa se preoculpar.

    Amanhã nos vemos.

    -

    A minha resposta foi bem insignificante para uma pessoa que estava preocupada com o bem estar do namorado.

    -

    Tudo bem.

    -

    Eu sei, sou péssima nesse assunto de namorar. Eu podia ter prolongado àquela conversa e perguntado o motivo para a sua falta... eu devia ter feito aquilo, mas achei que estaria sendo um pouco enxerida caso perguntasse, estaria... sei lá... estaria sendo uma namorada controladora? Mas a sua última mensagem havia me deixado menos tensa com aquela minha batalha interna de péssima namorada e amenizado um pouco a preocupação de que algo de ruim poderia está acontecendo com ele.

    -

    Tenha uma boa aula, namorada ?

    -

    E naquela hora foi inevitável evitar o sorriso se abrir no canto esquerdo de minha boca. Sasuke era simplesmente perfeito. Tão perfeito que às vezes eu pensava se ele realmente existia, ou se ele era algum personagem fantasioso de minha imaginação. Sem deixar de lado o simples e pequeno detalhe de que sua atenção e carinho comigo dava a impressão de que ele queria que o mundo todo soubesse que ele era meu, o que me fazia sentir a pessoa um pouco menos insignificante.

    Eu me sentia diferente.

    -

    Obrigada :)

    -

    . . .

    Duas semanas haviam se passado depois que Sasuke e eu começamos a namorar. Duas longas e turbulentas semanas. Posso dizer que fiquei "famosa" na escola. As pessoas que antes me ignoravam, passaram a me enxergar, não no sentido bom, e sim no péssimo. Elas agora apontavam para mim quando eu passava, cochichavam, abriam sorrisinhos zombeteiros, e o pior de tudo, soltavam piadinhas maldosas sobre minha pessoa.

    As coisas pareciam fora do lugar, fora de controle, não tinha ideia como reagir aquela minha nova fase. Ficar com Sasuke estava sendo maravilhoso. A cada dia a seu lado eu me sentia um pouco protegida contra o mundo, mas às consequências eram irrelevantes. Não tinha ideia o quanto sua popularidade era enorme com a população feminina do colégio. Não tinha ideia do quanto ele era cobiçado por elas. E às consequências desse namoro caíam todas para cima de mim.

    Elas me odiavam. E a cada dia as coisas saíam um pouco fora de meu controle.

    Me senti um pouquinho estranha quando entrei pelo portão do colégio, fazia semanas que eu não passava por lá, a não ser pelo estacionamento aberto do outro lado quando vinha de motocicleta. Tentei ignorar esse pequeno detalhe e caminhei para o interior do pátio, a cabeça sempre baixa, não ousando olhar para os lados e pegar alguém me fitando e rindo de mim. A garota patética que namorava com o cara mais lindo da escola.

    Quando terminei de subir os últimos degraus de escada no interior do colégio, vi Ino remechendo em algo na sua mochila e não demorou nem três segundos para que ela me notasse se aproximando. O sorriso animado que contribuía com o seu bom humor, iluminou seu rosto impecávelmente maquiado.

    - Olha quem eu vejo, uma flor de Sakura!

    Apenas abri um sorriso comprimido. Ino já havia se acostumado com o meu jeito quieto e estranho.

    - Bom dia para você também, Ino. - parei a sua frente observando-a sorrir mais, as sobrancelhas erguidas para cima.

    - Nossa, estou espantada por vê-la sozinha de manhã. - seu tom era meio que surpreso. - Geralmente o Sasuke está sempre na sua cola, marcanto território.

    Começamos a caminhar pelos corredores largos e com alunos zapeando de um lado para o outro a nossa volta.

    - Ele não vai vir hoje. - eu disse.

    Ino que estava caminhando ao meu lado olhou para mim.

    - Por quê?

    - Acho que... - murmurei. - não sei exatamente o quê.

    - Como não sabe? - seu tom soou repreendedor, me fazendo fitá-la. - Você não perguntou para ele?

    - Não. - e mordi o canto de minha boca. - Eu devia ter perguntado?

    - Mas é claro que devia, Sakura. - ela disse como se fosse óbvio. - Olha, não é de agora que Sasuke tem essas faltas, as vezes ele fica semanas sem vim para o colégio e nunca revela o motivo. As desculpas são sempre ridículas. Eu mesmo morro de curiosidade para saber o motivo dele faltar assim.

    Parei de andar, sentindo agora um pequeno aperto no peito.

    - Agora você está me deixando preoculpada.

    Ino parou também e me fitou.

    - Ele disse algo para você?

    - Ele disse para eu não me preoculpar, e que amanhã nos veriamos. Isso quer dizer que ele virá para a escola, né?

    - Hm... - ela mordeu a unha do dedão. - Bom, acho melhor você ligar para ele depois e tentar sondá-lo.

    Meu rosto se contorceu numa pequena careta.

    - Assim eu não estaria bancando a intrometida?! Uma namorada grudenta? Quer dizer... está invadindo o espaço pessoal dele?

    - Claro que não, Sakura. - ela franziu o cenho. - Você é a namorada dele, tem o direito de saber o que acontece com ele.

    Suspirei, pensando melhor nos concelhos de Ino. Ela era a mais experiente nesse assunto de namoro do que eu, e talvez ela esteja mesmo certa.

    - Eu vou pensar.

    Ela sorriu novamente e voltamos a caminhar pelos corredores, se aproximando dos armários.

    - Mudando de assunto - ela começou -, eu estava pensando que já que você e o Sasuke estão namorando, a gente podia marcar para sairmos juntos. Sabe, tipo encontro de casais. O que acha? Eu e o Sai, você e o Sasuke, e Hinata com o Naruto... ahn, bem, tem o Neji também. A Hinata disse que ele está saindo com uma garota...

    - A Hinata não está com o Naruto, Ino. - a interrompi, lebrando-a daquele pequeno detalhe que deixava Hinata sem jeito.

    - Ainda - e sorriu convencida. -, nós bem que poderíamos dar uma de cupido e juntar ela com aquele cabeça vento a ficar juntos de uma vez por todas e acabar de vez com esse lenga-lenga.

    - Eu acho que isso não seria uma boa ideia.

    - Como não? - suas feições ficaram indignada. - Os dois se gostam. Não vejo mal algum se nós dermos uma forcinha.

    Suspirei cansada, parando de frente para o meu armário e olhei para Ino.

    - Ino, entenda, tem certas coisas que é melhor deixar acontecer naturalmente. Se Hinata tiver que ficar com o Naruto, os dois vão ficar juntos, sem precisar da nossa ajuda. Então não vale a pena ficar forçando a barra, pois isso só iria deixar ambos contrangidos.

    Ino suspirou, fazendo aquele biquinho quando alguém a contrariava.

    - Às vezes você é tão chata, mas sábia. - e em seguida me abraçou forte, me pegando totalmente desprevenida. - Ai, você é muito fofa, sabia?

    - Ino!

    Ela se afastou e apertou as minhas bochechas.

    - É sério. Às vezes eu tenho vontade de te colocar dentro de um pote de vidro e te levar para a minha casa. - ela soltou as minhas bochechas e sorriu. - Saiba que eu tenho um lugar perfeito para colocar você.

    Meu rosto novamente se contorceu numa careta, com àquela crise de fofurisse dela.

    - Isso soou meio estranho.

    Abri o meu armário e um bilhete caiu no chão, atraindo não só a minha atenção como também a de Ino.

    - O que é isso? - ela perguntou já se abaixando e pegando aquele papel dobrado, que eu já tinha ideia do que se tratava.

    Eu não respondi, apenas voltei minha atenção para o meu armário, pegando meu livro de história .

    Ino como uma boa curiosa abriu o bilhete e começou a ler em voz alta:

    -

    Não fique se sentindo muito não, sua esquisita, pois seus dias estão contados. Fique ligada que você é só um brinquedinho novo que o Sasuke está encantado. Mas saiba que brinquedos novos se quebram com mais facilidade. E não vai demorar para você ser descartada no lixo por ele. E é no lixo que é o seu lugar.

    Ridícula.

    -

    - Que droga é essa? Quem escreveu essa porcaria? - o tom de Ino era irritado, ela estava irritada.

    Apertei o livro contra o meu peito, repetindo para mim mesma várias e várias vezes que isso não me afetaria. Mas as palavras ferem, as pessoas são cruéis quando querem ferir. E odiei ter compartilhado aquilo com Ino. Eu devia ter sido mais cuidadosa e ter capturado o bilhete antes dele cair e entrar na mira ocular dela. E agora isso não tinha mais volta.

    Ino agora sabia.

    - Só joga fora. - foi simplesmente o que respondi, trancando meu armário e começando a caminhar. Iria fugir de Ino e das explicações que ela exigiria de mim.

    - Opa! Você não vai fugir. - ela agarrou meu pulso e me fez virar e olhar seu rosto sério, fitando-me. - Desde quando você anda recebendo isso?

    - Ino, só esquece, tá legal? - forcei para me soltar de seu aperto, mas ela apertou mais o meu pulso. - Dá para me soltar?

    - Só quando você me responder primeiro. - seu tom era sério, seus olhos apertaram mais enquanto me fitava.

    Apenas desviei meus olhos para o lado, sentindo o peso daquelas últimas semanas turbulentas ficar mais forte em minhas costas. Não respondi.

    - Isso aqui - ela sacudiu o bilhete a minha frente - é bullying, sabia?

    - Deixa, Ino. - murmurei, desesperada para sair correndo para fora do foco dela e me socar num lugar isolado, que não houvesse ninguém que me pertubasse, ou cobrasse explicações que eu não conseguiria explicar.

    - Vou deixar nada! - seu tom aumentou dois décimos. - Não vou deixar a minha amiga sofrendo esse tipo de agressão e não fazer nada. E aposto que o Sasuke está por fora do que está acontecendo contigo.

    Meus olhos arregalaram, o desespero tomando conta de mim com mais fervor.

    - E você não vai contar nada para ele! - entrei na defensiva, começava a ficar histérica. - Isso é um assunto meu.

    Ino franziu mais o cenho.

    - Isso também envolve ele. O Sasuke precisa saber para fazer alguma coisa.

    - Não! Isso não é problema dele é sim meu. - estava começando a ficar irritada, mas consegui controlar a fúria que começava a dar sinais. - Olha, com o tempo isso vai passar. É só questão de tempo.

    Ino balançou a cabeça para os lados.

    - Nananinanão. Eu sei o quanto o Sasuke é popular com as garotas e também sei o quanto elas são cruéis e obcessivas com ele. Elas vão te massacrar. Você tem que contar para alguém.

    - Contar para quem, Ino! - meu tom agora saiu alto, batendo os braços nos meus quadris.

    - Para a diretora. Ela vai saber cuidar desse problema.

    - E ela vai dar uma advertência para todas as garotas da escola por que está pegando no meu pé?

    - Pelo menos ela vai fazer alguma coisa.

    Suspirei novamente, fechando meus olhos. Minha cabeça começava a latejar devido àquela conversa desgastante. Ino sabia ser muito insistente.

    - Olha, não conta nada para ninguém, tá? Não diga nada para o Sasuke.

    - O Sasuke não é burro, Sakura. Uma hora ou outra ele vai notar que algo está acontecendo E é obrigação dele te defender, por que são as fãs obsessivas dele que está de prejudicando.

    - Eu sei me defender sozinha. - murmurei.

    - Estou vendo. Aguentando calada ser saco de pancada e ingênua o bastante para acreditar que isso vai passar sem uma atitude adequada para enquadrar essas idiotas.

    Silêncio.

    Eu fitava os meus pés, lutando com todas as minhas forças para que às lágrimas não caíssem. Eu era realmente um fracasso humano. Estava tendo todos os sinais de que Sasuke era muito para mim. E todos sabiam disso, cabe agora eu tomar a decisão certa e acabar de vez com àquele conto de fadas ilusório. Mas algo lá no fundo me impedia, era uma pequena chama de esperança e de apego. Sasuke gostava de mim, e ele já havia dado várias demonstrações do seu afeto comigo. Mas era eu que não era digna de seu amor. Por que eu era fraca e inútil.

    A voz de Ino me fez sair de meus devaneios depressivos e fitar seu rosto agora pouco preocupado comigo.

    - Sakura. - ela pôs suas duas mãos no meus ombros. - Você é muito melhor do que elas, muito mesmo. Isso é tudo inveja por que você está num patamar que a maioria dessas idiotas queriam estar. Elas invejam você. Elas querem ser você. Mas você não pode deixar ninguém te apedrejar por causa disso. Você tem que ser forte.

    Inveja? Era até engraçado essa palavra, pois ninguém sentia inveja de mim. Eu era um ser medíocre que não causa inveja em ninguém.

    Balancei minha cabeça para os lados.

    - Você está errada, Ino. Não sou isso que está falando.

    - É você que está errada, sentindo pena de si mesma. - e o sinal tocou, mas Ino continuava me fitando, séria. - Se rebaixado como se fosse o último ser do espaço que não vale nada. Mas acontece que você só estar dando espaço e abrindo as portas que que os outros pisem em você e te maltrate. Isso é errado. Por que ninguém é melhor do que ninguém. E você tem o seu valor, e cabe agora você confiar mais em si mesma e parar de pensar o pior de si.

    Senti minha boca tremer. Ino havia tocado na ferida, e conseguido expor um pouco de meus demônios internos. Eu me sentia ridícula naquele momento.

    - Você não estar sozinha. - ela disse, atraindo minha atenção para si. - Mas só você que pode mudar essa situação. Só você que pode mudar.

    - Isso é difícil. - murmurei, me dando por vencida, revelando o meu fracasso. - As coisas não são simples. São todos contra um.

    - Negativo. São todos contra três. - e o canto de sua boca ergueu-se para cima. - Não se esqueça que eu estou aqui para te defender e a Hinata também... Ah, não vamos esquecer do Sasuke, que daria o sangue para te defender desses abutres. Somos quatro... Não, também tem o Naruto, o Sai e o Neji...

    - Ino, você já está falando demais. - foi inevitável não sorrir com àquela fortaleza de defesa imaginária que Ino criou pra me defender.

    Ela agora soltou um sorriso aberto e apertou a ponta do meu nariz.

    - Eu também te amo, boba.

    Pisquei algumas vezes e dessa vez sorri um pouco mais aberto. E naquele momento, eu me senti um pouco melhor.


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