A Garota do Uchiha

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 5

    Amizades

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Os dois tempos de aula passou numa velocidade impressionante. Não havia prestando atenção à matéria que o professor explicava, pois minha mente estava longe o suficiente para que eu pensasse em alguma coisa que não fosse o pequeno encontro que eu teria com Sasuke e seus amigos.

    E agora eu me perguntava; por que diabos eu aceitei ir ao Joker?s Rockets?

    Eu tentei traçar algum plano de fuga, mas meu tempo era tão pouco que eu não consegui essa proeza, e o nervosismo que tomava conta de mim também não ajudava em nada. Eu mal conhecia aquele garoto, e mesmo ele ter me ajudado na noite de sexta-feira, eu não sabia de suas reais intenções. Ele poderia está brincando comigo, como naqueles filmes clichês que eu perdia meu tempo assistindo na televisão deitada no sofá com uma bacia de pipocas.

    Enquanto todos saíam da sala como se a escola estivesse infestada com algum tipo de praga contagiosa, eu ajuntava meus materiais na mochila lentamente. Eu me via fazendo de tudo para que Sasuke desistisse de me esperar e fosse embora.

    Como previsto, fui à última a sair da sala, os corredores estavam um pouco mais vazios, a maioria dos alunos já haviam saído. Com meus passos lentos, percorri aquele extenso corredor e desci alguns lances de escadas, colocando minha mente para trabalhar num novo plano de fuga. Mas quando desci os últimos degraus de escada, chegando o térreo fechado do colégio, eu percebi que eu não era muito amiga da sorte.

    Lá fora, com as costas encostadas numa pilastra redonda de concreto e com os braços cruzados fitando o lado oposto de mim, estava Sasuke Uchiha.

    Meus pés automaticamente travaram no chão, algumas pessoas passavam por mim, mas meus olhos estavam focados no garoto a alguns metros de distância. Havia duas garotas a sua frente, ambas com seus trajes minúsculos de líder de torcida, deixando todas as suas curvas perfeitas e as pernas longas a mostras. Elas sorriam animadas e conversavam com ele gesticulando as mãos.

    Apertei com força a minha alça da mochila, pedindo internamente para que o chão se abrisse em meus pés e soterrasse meu corpo inteiro.

    Droga, o que eu faço?

    Novamente fui arrebatada por aquele sentimento estranho, me deixando mais estranha ainda. Eu não conseguia definir o que era aquilo, meu estômago parecia que havia borboletas e aquele friozinho também não ajudava em nada.

    Pare com isso, Sakura, não seja covarde, você não deve nada para ninguém. Meu inconsciente gritava comigo, exigindo que eu reagisse e não ficasse ali parada como uma idiota. Mas eu sabia que não adiantava eu tentar, eu era simplesmente uma covarde.

    As duas garotas com cabelos platinados sorriam apaixonadas e mesmo na distância onde eu estava, podia ver os coraçãozinho saindo de seus olhos enquanto elas o secavam com os olhos sem ao menos disfarçar. E antes que eu tentasse alguma fuga para o interior do colégio, Sasuke virou sua cabeça em minha direção e me viu.

    Não havia mais escapatória.

    Engoli em seco, tomei o controle de minhas pernas e voltei a andar para frente, sentindo minhas mãos soarem e meu rosto corar levemente.

    Ele desencostou suas costas da pilastra, sem tirar os olhos de mim, atraindo a atenção das duas líderes platinadas em minha direção. Elas me avaliaram de cima a baixo com um olhar de desprezo e ao mesmo tempo de indignação, acho que pelo fato do garoto mais lindo da escola está com sua atenção em mim.

    Minhas mãos soavam trêmulas, abaixei minha cabeça e fitei o chão. Meu coração estava mais descontrolado e piorava quando a distância entre mim e ele diminuía a cada passo preguiçoso que eu dava para frente.

    Agora eu já podia escutar as vozes das líderes falando animadas, apenas passei por eles sem ao menos o olhar, como se não o conhecesse.

    - Sasuke, tem certeza que você não quer vir? - perguntou a garota platinada.

    - Vamos, gato, vai ser legal? - a outra garota disse, com a voz manhosa como o da sua amiga.

    - Já disse que não. - a voz grossa de Sasuke soou um pouco fria.

    - Mas Sasuke...

    Não demorou para que eu sentisse a presença dele ao meu lado, me acompanhando pelo espaço aberto e gramado.

    - Você demorou.

    - Você disse que iria esperar no estacionamento. - rebati, ainda de cabeça baixa, incomodada com alguns olhares em nossa direção.

    Nós dois havíamos atiçado a atenção de alguns alunos que estavam espalhados pelo enorme gramado que formava o pátio de frente. Eu podia ver por rabo de olho, uns comentando com outros, curiosos o suficiente e se perguntando; o que Sasuke Uchiha deveria está fazendo com a garota anônima e estranha?

    E para falar a verdade, nem eu sabia também.

    - Eu pressenti que você fosse fugir.

    Foi inevitável não erguer meu rosto para cima e o olhar, pegando no flagra seus olhos negros em mim. Eu tinha que concordar que ele estava certo, com certeza eu iria fugir.

    Diferente de quando ele havia me encontrado na biblioteca na hora do intervalo, Sasuke não estava usando aqueles óculos de armação grande, estava sem o suéter amarelo e a gravata vermelha também, deixando os dois botões de cima aberto, relevando um ar relaxado e rebelde.

    Desfoquei minha atenção dele para o chão novamente, umedeci os lábios com a ponta da língua quando percebi que meus pés estavam tomando o rumo em direção ao estacionamento. Não havia mais escapatória, o jeito era jogar a minha sorte para cima e esperar que as consequências não sejam tão desastrosas pelas escolhas impensadas que fiz.

    - Cadê seus amigos? - perguntei a com voz baixinha, ignorando sua teoria da minha possível fuga.

    - Eles foram na frente, vamos nos encontrar no Joker?s.

    Eu não disse mais nada. Minha garganta secava a cada segundo quando àquela frase me fez desencadear lembranças antigas que eu tentava enterrar, mas eu não conseguia. Lembranças de minhas escolhas erradas que me trouxeram consequências e humilhações.

    Ergui meu olhar para cima e o fitei. Sasuke olhava para frente enquanto entravamos no estacionamento aberto da escola. Como se percebesse que eu o encarava, ele focou sua atenção em mim, e ao mesmo tempo desviei meu olhar rapidamente para o lado, sentindo novamente as minhas bochechas ficarem quentes por te sido pega no flagra.

    - O que foi?

    - Nada. - a resposta veio rápida e com um tom esganiçado.

    Ele soltou uma risada nasal, e apertei mais a alça de minha mochila, sentindo minhas mãos molhadas. Voltei a olhar para frente e ao mesmo tempo amaldiçoei-me por ter olhado.

    Nós estávamos indo em direção àquela motocicleta que eu havia andando na noite de sexta, e que havia prometido que nunca mais andaria numa daquelas novamente.

    - Nós vamos de moto? - eu não reprimi o meu tom incrédulo e desgostoso enquanto meus olhos voltaram para o garoto ao meu lado.

    - Pensei que já tínhamos passado desse estágio. - ele ergueu as sobrancelhas e sorriu de lado.

    Paramos em frente à motocicleta preta e moderna, ele levantou o banco da moto para cima e tirou aquele capacete reserva.

    - São situações completamente diferentes.

    - Ah é? - ele questionou, agora seus olhos focaram em mim. - Diferente como?

    Senti uma batucada mais forte no meu coração.

    - Eu posso pegar um ônibus e te encontrar no Joker?s. - propus, eu podia sentir o meu tom hesitante diante daquele meio de transporte perigoso.

    Ele soltou uma risada nasal e estendeu o capacete para mim.

    - Isso não foi muito convincente.

    Umedeci mais uma vez os meus lábios ressecados e desviei meu olhar para os lados, ignorando sua mão estendida com o capacete.

    - Eu odeio motocicletas... - murmurei. - Elas são perigosas e assustadoras... - voltei a olhá-lo. - E eu prezo muito pela minha vida para não arriscá-la nessa máquina monstruosa.

    Os lábios de Sasuke estavam comprimidos, ele tentava a todo custo segurar uma risada, mas ele estava falhando.

    - Eu prometo que não vou correr muito.

    - Você disse isso da última vez. - rebati novamente, dando um passo para trás.

    Seus olhos ficaram mais negros.

    - Eu cumpri o eu que disse.

    Soltei uma pequena lufada de ar pela boca, indignada com sua resposta. Eu podia sentir a sensação de ter andado numa motocicleta, era meio desconfortante e aquele medo que eu sentia de cair a qualquer momento não ajudava muito. E se aquilo não era correr para ele, eu nem queria saber a velocidade que ele corria.

    Dei mais outro passo para trás.

    - Realmente... realmente isso não é uma boa ideia.

    Sasuke aproximou-se de mim, ultrapassando meu espaço pessoal e me deixando mais tensa do que eu já estava. Ergueu o capacete e o colocou na minha cabeça e o abotoou debaixo do meu queixo, fazendo com que seus dedos gelados tocassem minha pele.

    - Pronto.

    Suas duas mãos posaram nos meus ombros, a distância entre a gente era pouca, pois eu podia sentir o cheiro de seu perfume amadeirado, misturado com hortelã. E aquela tensão toda me fez lembrar-me do beijo que ele me deu. Ele não havia tocado no assunto, era como se...

    - Você fica linda corada. - ele soltou de repente, me banhando com a escuridão que eram seus olhos. As costas de sua mão direita agora deslizavam por meu rosto.

    Meus olhos arregalaram e me afastei dele com dois passos para trás de um modo meio desastrado, deixando-o em alerta. Se eu estava corada antes, agora deveria está parecendo um tomate.

    - Eu...

    Eu não sabia como reagir, Sasuke sempre me pegava de surpresa, sempre me fazia caminhar para fora da minha linha de conforto. E eu odiava isso. Odiava não ter o controle e não saber o que fazer. Ficar na presença de um garoto era totalmente novo para mim, eu não sabia como reagir, e eu acabava bancando a idiota tola.

    - Vamos. - ele pegou minha mão e me puxou para mais perto da motocicleta.

    Deixei ser levada por ele, não havia argumentos contra. Sua mão grande e quente com as pontas dos dedos geladas envolvendo toda a minha, desencadeou sensações de que alguém se importava comigo, mesmo achando que as coisas estavam acontecendo repentinamente.

    Sua mão abandonou a minha para pegar o capacete e colocar em sua cabeça, em seguida tirou sua mochila das costas e colocou para que ficasse a sua frente, deixando as costas livres. Eu apenas observava como ele subia na motocicleta preta e a ligava. Ele virou seu rosto para mim e fez um movimento com a cabeça para eu subir. Aproximei-me, sentindo minhas pernas trêmulas, iria andar naquilo novamente.

    Como da última vez, usei seus ombros como apoio e subi, tomando cuidado com a minha saia.

    - Se segure. - sua voz saiu um pouco mais alta, enquanto ele aprumava a motocicleta para que ficasse reta.

    Meus braços rodearam seu corpo, fazendo minhas mãos ficarem atrás de sua mochila e sentir pela segunda vez os relevos de sua barriga por debaixo da camisa branca de algodão da escola.

    A motocicleta tomou velocidade e como um ótimo motociclista, Sasuke saiu do estacionamento do colégio e entrou na rua, acelerando mais a moto. Apertei mais minhas mãos em torno de seu corpo como se minha vida dependesse daquilo, me senti um carrapato.

    Depois de algumas vias movimentadas e um pouco engarrafadas por carros, ele entrou numa rua um pouco mais badalada, com lojas de grifes por todos os cantos e uma pequena pracinha com postes de luz, e bancos pintados de brancos, e algumas palmeiras em pontos estratégicos que dividia a rua onde estávamos da contramão.

    Estávamos no coração de Konoha.

    Sasuke entrou com a motocicleta num espaço largo que era reservada para estacionar os carros. Desci da moto e dessa vez tive mais cuidado para não tropeçar em meus próprios pés. Levei minhas mãos até o abotoador e demorei um pouquinho, mas consegui tirar o capacete. Passei a mão no meu cabelo, mas parecia que os fios estavam no lugar, bom é o que acho.

    - Vamos? - Sasuke já estava ao meu lado.

    Assenti com a cabeça e entreguei o capacete. Ele pegou, mas não o guardou, segurou junto com o outro que estava na sua mão e o levou consigo.

    Caminhamos alguns metros pela calçada, não muito longe, e logo estávamos de frente a uma estrutura de tijolinhos retangulares pintados de amarelo-creme com uma janela de vidro na largura da parede, e em cima da entrada uma fachada branca com bordas pretas com o nome do local com letras diferentes da cor vermelha.

    O Joker?s Rockets era uma lanchonete estilo americana dos anos 80, um lugar onde vários adolescentes e estudantes se reuniam com seus amigos para se divertir no caraoquê que havia no pequeno palco.

    O local havia sido inaugurado ano passado e era um sucesso. Acho que todos os jovens já foram alguma vez no Joker?s se divertir, menos eu. Não até aquele segundo que meus pés pousaram dentro do estabelecimento.

    Meus olhos captavam cada detalhe daquele lugar. O piso espelhado era quadriculado, preto e branco formando um xadrez. As pilastras redondas de sustentamento eram verde-claro com bordas em cima branco. As paredes eram claras e a janela de vidro que vi lá fora, eram todas com piscianas abertas, mostrando um pouco o movimento da rua.

    Mais no interior havia um enorme balcão em forma oval de madeira clara e brilhosa, com detalhes verde-claro. Os bancos altos e individuais vermelhos eram um ao lado do outro, em torno do balcão. Também havia mesas redondas brancas, cada uma com quatro cadeiras vermelhas pelo meio do local, em fileiras. E no canto, ao lado da janela de vidro com piscianas, uma espécie de sofá vermelho comprido em formato arredondado envolvia uma mesa maior que as outras, terminando o espaço com mais duas cadeiras vermelhas.

    E lá no final da lanchonete, um pequeno palco com caraoquê onde duas garotas cantavam uma música muito conhecida das Girls? Generation com a voz desafinada, mas parecia que elas não estavam se importando se estavam pagando mico ou não. Elas estavam se divertindo.

    - Esse lugar é enorme. - murmurei para mim mesma, mas acho que Sasuke havia escutado.

    - Nunca entrou aqui?

    Voltei minha atenção para ele, que me olhava de lado.

    - Não.

    Ele apenas sorriu de lado, o maldito sorriso lindo de lado.

    Desviei meus olhos para frente e pude ver uma mesa ocupada perto do palco, a que ficava ao lado da janela. Aproximamo-nos mais, podendo perceber cinco pessoas ali, conversando animadamente.

    Reconheci o garoto loiro tagarela da minha sala, o tal Naruto, seus olhos foram o primeiro a nos detectar se aproximando. Um sorriso se abriu em seu rosto, e não demorou para que sua voz alta soasse, atraindo a atenção dos outros que estavam com ele para nós.

    - Até que fim, teme, já estava pensando em te buscar.

    Chegamos à mesa, e os olhares pararam em mim, apenas abaixei minha cabeça e me perguntei internamente o que diabos eu estava fazendo ali.

    - Deixa de ser exagerado, dobe. - respondeu Sasuke puxando uma cadeira que fechava o círculo em volta a mesa e me olhou. - Sente-se.

    Seu gesto de cavalheirismo - que eu achei honroso -, havia me deixado com mais vergonha do que eu sentia naquele momento. Não era preciso dizer que eu estava com o rosto corado novamente. E para não passar a impressão de uma garota tímida e alienada eu me sentei na cadeira, querendo novamente desaparecer da face da terra.

    - Presa nova, Uchiha? - uma voz desconhecida soou com tom malicioso, piorando ainda mais a minha situação.

    Sasuke puxou a cadeira ao meu lado e se sentou.

    - Imbecil. - ele rosnou irritado com o comentário maldoso do amigo, ergui um pouco os meus olhos e pude ver o garoto moreno e branquelo de frente para mim. Ele variava o olhar entre mim e Sasuke. - Não ligue para ele. - sussurrou só para eu escutar.

    Assenti levemente, olhando a mesa quase vazia a não serem os dois capacetes ali em cima.

    - Quem é a amiga nova, Sasuke? - a voz soou da garota loira que estava ao lado da garota morena sentada naquele sofá com os outros.

    Eu sabia quem ela era, Ino Yamanaka se não me engano, fomos da mesma sala no primeiro ano, ela era uma das líderes de torcida.

    - Essa é a Sakura Haruno. - começou Sasuke, me apresentando, e depois me olhou. - Sakura, esses são Hinata - apontou para a garota morena que estava ao meu lado. -, Ino, Sai - o garoto do comentário maldoso, ele estava com o braço em volta dos ombros de Ino. -, Naruto e Neji. - o garoto de cabelos longos e castanhos fechava a outra ponta do sofá, ficando ao lado de Sasuke. E Naruto estava entre Sai e Neji.

    - Oi. - os cumprimentei, sorrindo comprimido, segurando meus dedos por debaixo da mesa para conter meu nervosismo e a vergonha que estava em seu estágio máximo.

    Eles me cumprimentaram num oi Sakura, e aí Sakura todos em uníssonos.

    - Você é aluna nova? - perguntou Ino de repente, com as feições confusas.

    Eu sabia que eu era invisível, mas não a esse estágio. Nós fizemos o primeiro ano juntas. Bom, mas eu não podia culpá-la, a minha insignificância era uma coisa que eu já trago comigo desde o meu nascimento.

    - Ela não e novata, Ino. - a garota morena, a tal Hinata respondeu por mim, e depois me fitou. - Eu sempre te vejo na biblioteca.

    - Eu também vejo você. - eu me lembrava dela sempre importunando Shizune para pedir para diretoria exemplares novos de enciclopédias, pois os que haviam na biblioteca eram velhas demais, e toda vez que ela mexia numa delas ficava atacada de sua alergia.

    Hinata sorriu simpática, me senti um pouco mais confortável com isso.

    - Ah, não. - a voz incrédula de Ino atraiu a atenção de nós duas. - Duas ratas de biblioteca? Fala sério.

    - Ino, vê se me erra. - disse Hinata com o cenho levemente franzido.

    A loira apenas deu de ombro e fez uma careta.

    - Eu não sei o que vocês acham graça em ficar enfurnadas naquela biblioteca fedorenta como se fossem traças.

    - Isso se chama se dedicar aos estudos. - rebateu a outra. - E para o seu governo, a biblioteca não é fedorenta, senhorita consumista.

    - Vocês duas estão assustando a garota. - repreendeu Sasuke, seus olhos me fitaram, sua mão em meu ombro. - Não se assuste, Sakura, o povo aqui é meio doido.

    - Cara, agora que você está aqui, foi mal aí pelo que aconteceu naquele dia. - disse Naruto com a voz alta. Seus olhos azuis estavam abertos mais que o normal. - Eu juro que eu não te vi você passando.

    - Tudo bem.

    - O que esse retardado aprontou dessa vez? - perguntou Ino.

    - Ei.

    - Esbarrou nela quando estava passando, e fazendo-a cair com os livros no chão. - respondeu Sasuke levantando a mão e chamando uma garçonete. - Já fizeram os pedido?

    - Tinha que ser o Naruto mesmo. - disse Sai, balançando a cabeça em negativa.

    - Não. - Hinata o respondeu. - Estávamos esperando vocês chegarem.

    Eu não sabia que estava havendo, mas eu estava me sentindo pela primeira vez incluída em algum grupo.

    - Eu te conheço.

    Olhei automaticamente para o garoto de cabelos compridos, e eu não fui à única. Era Neji seu nome se não me engano, não era boa em gravar nomes. Ele me fitava com as sobrancelhas unidas, como tentasse se lembrar de algo.

    - Me conhece? - perguntei um pouco hesitante. Bom, acho que deveria me conhecer, já que estudávamos no mesmo colégio.

    - Conhece ela? - questionou Sasuke.

    A garçonete apareceu, fazendo-nos olhar o cardápio de coisas gordurosas que havia para degustar nossa fome adolescente. Agora eu relembrava um dos motivos de nunca ter entrado nesse lugar, tudo era caro demais para mim. Mas para a minha sorte eu havia trazido algum dinheiro a mais para fazer um lanche depois do trabalho.

    A garçonete anotou nossos pedidos e saiu, alegando que voltava logo.

    - De onde você a conhece, Neji? - questionou Sai curioso, voltando à conversa anterior.

    - Ela estuda na nossa sala. - disse Naruto.

    Neji balançou a cabeça para os lados, negando.

    - Não é na sala, é antes disso.

    Ele ainda me olhava com seus olhos cinza.

    - Eu não me lembro de você. - realmente eu não me lembrava, não fora da sala de aula.

    - Ah vamos parar por aqui, vocês estão deixando a garota constrangida. - disse Ino e depois me olhou. - Olha Sakura, não liga para esse povo não, são todos malucos, menos eu, claro.

    - Você é a pior, Ino. - rebateu Hinata revirando os olhos.

    Nesse momento eu já me via dando pequenas risadinhas com o jeito doce como Ino e Hinata brigavam, era engraçado. Peguei vez ou outra Sasuke me olhando, ele reprimia um sorriso, e piscava para mim. Apenas desviava o olhar e me certificava de que ninguém olhava.

    Não demorou para que a garçonete trouxesse nossos pedidos, e naquele momento a falação de quem iria primeiro ao palco e cantar no caraoquê era alta. Ino e Naruto brigavam, enquanto formavam equipes para competir.

    E depois de tanto alvoroço Ino e Hinata formaram grupos contra Naruto e Sai, não antes de ter passado vários minutos tentando convencer eu, Sasuke e Neji a participar, o que foi em vão. Nem morta eu iria ali cantar como uma gralha, não mesmo.

    Ino e Hinata foram as primeiras e cantou uma música bem animada, e mesmo Ino tentando roubar toda a cena de Hinata, elas foram bem.

    Eu ri com vontade quando Naruto e Sai começou a cantar What Does The Fox Say do Ylvis, acho que não havia um naquela lanchonete que não estava com a barriga doendo de tanto rir, principalmente quando os dois tentavam uma dança esquisita de animal acasalando.

    Sasuke estava com o cotovelo apoiado na mesa e com a testa apoiada na mão para disfarçar algumas lágrimas que escorriam de seus olhos, seu rosto estava vermelho de tanto que ele ria. E me peguei algumas vezes olhando fascinada com seu sorriso aberto, era perfeito.

    Eu estava me divertido, e nunca havia rido tanto assim em toda minha vida. Os amigos de Sasuke eram muito legais, e eles me incluíam em todos os tipos de conversa, mesmo que estando sob os efeitos de minha timidez e os responder com respostas simples e monossílabas.

    Abri o bolso de minha mochila e peguei meu celular, dando uma olhada nas horas. Assustei-me quando percebi que eu só tinha dez minutos para chegar à loja. Eu estava terrivelmente atrasada.

    Levantei-me afobada da cadeira, atraindo a atenção de todos para mim.

    - Ai meu Deus, eu tenho que ir.

    - Pra onde? - perguntou Ino.

    - Ela trabalha. - respondeu Sasuke por mim, se levantando da cadeira também. - Vamos que eu te levo.

    Olhei para ele alarmada, e balancei a cabeça para os lados, guardando o celular na mochila desajeitadamente e procurando minha carteira nos bolsos.

    - Não precisa... não é longe, eu vou a pé...

    - Nem pensar. - ele agarrou a minha mão, pegou os capacetes com a outra e me puxou para a saída da lanchonete. - Vamos.

    Virei um pouco meu corpo para trás, sem tirar os olhos de suas costas e segurando a mochila meio aberta.

    - Mas a conta, eu tenho que pagar...

    - Eles pagam, depois eu me acerto com eles. - ele me interrompeu, sem me olhar.

    - Mas isso não está certo, tem a minha parte...

    Ele virou sua cabeça para trás e me olhou, sem deixar de me puxar. Estávamos chegando à porta de saída.

    - Sakura, eu te convidei, seria indelicado da minha parte se você pagasse.

    Eu não tinha mais argumentos para rebatê-lo, a cada gesto ou atitude de cavalheirismo de Sasuke o deixava ainda mais fofo.

    Saímos do estabelecimento, ele não havia soltado a minha mão, e ficamos assim até chegarmos ao espaço onde ele havia estacionado sua motocicleta preta.

    - Onde você trabalha? - ele perguntou, oferecendo o capacete reserva para mim.

    - Na loja de doces na rua da terceira avenida. - respondi meio que no automático, pegando o capacete sem fazer alarde de subir naquela moto grande.

    - Sei onde é.

    Subimos na moto, e não demorou até ele estacionar em frente à loja de doces da senhora Chiyo. Desci, usando seus ombros como apoio e tirei o capacete e o entreguei.

    - Obrigada... por hoje e pela carona. - disse, tentando a todo custo manter meu olhar no seu, mas estava difícil.

    Ele sorriu de lado, e pegou o capacete, já estava sem o seu.

    - Que horas você sai do trabalho?

    Franzi levemente o cenho.

    - Às sete.

    Ele assentiu com a cabeça.

    - Então te pego às sete.

    Arregalei meus olhos, meu coração acelerou três batidas.

    - O quê? Não... - gaguejei de um jeito miserável. - Não precisa.

    - Mas eu insisto.

    Balancei a cabeça para os lados como uma tonta, meu rosto estava quente.

    - Realmente não precisa. Minha mãe vem me buscar mais tarde... está combinado. - aquilo era uma meia verdade.

    Como era segunda feira, o horário de saída de mamãe era o mesmo que o meu, e nós encontrávamos numa esquina a duas quadras de onde eu estava para voltarmos para casa juntas.

    Sasuke ainda ficou olhando para o meu rosto por um tempo, talvez tentasse perceber algum vestígio de mentira.

    - Tudo bem. - ele se deu por vencido, sua voz não era tão animada como há segundos atrás.

    - Mas... obrigada por sua atitude gentil.

    Ele umedeceu os lábios e assentiu com a cabeça.

    - Me empresta seu celular? - ele perguntou de repente.

    - Para quê?

    Ele não respondeu, apenas ergueu a sobrancelha, esperando.

    Peguei o celular na mochila e o entreguei, curiosa para saber o que iria fazer. Ele passou o dedo na tela e imediatamente o display destravou, seus olhos ergueram para mim.

    - Sem senha?

    - Ninguém costuma mexer nas minhas coisas. - para falar a verdade, o único número gravado no celular era só o da minha mãe.

    - Entendo.

    Ele voltou sua atenção para a tela e digitou alguma coisa e um segundo depois, escutei algo vibrar, o som vinha do bolso de sua calça da escola. Aquele maldito sorriso de lado apareceu novamente em seus lábios, me olhando em seguida e entregando-me o celular.

    - Agora podemos nos comunicar quando quisermos.

    - Ahn?

    - Você tem meu número e eu tenho o seu. - ele sorriu mais um pouco, erguendo as sobrancelhas e tocando minha testa com um dedo. - Não hesite em me ligar quando precisar.

    Não tive a oportunidade de processar direito o que estava acontecendo. Sasuke colocou o capacete na cabeça e guardou o reserva, passou a perna na motocicleta inclinando ela para que ficasse reta e em seguida piscou para mim, com aquele maldito sorriso de lado que eu havia classificado como perigoso.

    - Nos vemos amanhã então.

    Ele deu uma piscadela com um jeito humorado antes de acelerar a motocicleta e ir embora, sumindo na rua seguinte.

    - Uau. Menina, que garoto é àquele?

    Dei um pulo para trás, deixando escapar um pequeno grito de susto e olhando em seguida para Tenten que riu do meu jeito espalhafatoso e desastrado.

    - Tenten. - minha voz havia saído esganiçada, meu coração estava acelerado ao extremo, mas em partes não era pelo susto.

    - Ah desculpa se te assustei. - ela riu agora sem graça, coçando o pescoço. - O seu namorado é lindo.

    Novamente eu tentava em vão controlar o rubor de minhas bochechas, balancei a cabeça para o lado de um jeito débil.

    - Não... ele... ele não é meu namorado. - eu havia me atrapalhado nas palavras.

    - Não? - ela inclinou a cabeça para o lado, confusa. - Desculpe, eu pensei errado então. - ela riu. - É seu amigo?

    Amigo?

    Aquela palavra me fez pensar por um momento. Sasuke havia sido a primeira pessoa a falar comigo, havia me livrado de um possível estuprador, e me enturmado com seus amigos onde eu tive uma tarde divertida como nunca tive antes.

    Desde que o conheci, ele havia sido gentil e atencioso comigo, mesmo que eu ficasse nervosa em sua presença. Mas acho que é do fato dele ser muito bonito, e que eu tinha vergonha dele. E eu tinha que me controlar para não ficar olhando para o seu rosto perfeito, pois o ato iria fazer com que eu fosse alvo de seus olhos negros e intensos, me deixando de um jeito completamente diferente.

    Fitei minhas mãos, que agora brincava com os dedos, um gesto que demonstrava nervosismo.

    - Eu acho que sim. - as palavras haviam saído baixinha, eu ainda processava o que havia acontecido nesses últimos dias.

    Talvez Sasuke estivesse mesmo sendo verdadeiro comigo, como ninguém nunca foi. E se isso fosse realmente verdade, então ele estava se tornando o meu primeiro amigo.

    Bom, eu acho.


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