A Garota do Uchiha

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 4

    Convite

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Nos vemos segunda.

    Aquelas palavras ficaram ecoando na minha cabeça o fim de semana todo, e com isso fiquei um pouco fora de órbita esses dois dias que se passou. Não havia acontecido nada de interessante - como sempre -, mas fiquei divagando como uma tola o beijo que Sasuke havia me dado na noite de sexta-feira.

    Eu não entendia o que estava acontecendo comigo, nunca fiquei assim por garoto nenhum. Quer dizer, nunca fiquei assim por que isso nunca aconteceu comigo. Nenhum garoto nunca chegou perto de mim como Sasuke havia feito, ele havia me defendido e demonstrado preocupação comigo diante daquela situação. E mesmo que eu tentasse negar com todas as forças... eu havia gostado.

    Eu havia me sentindo pela primeira vez na vida especial.

    Estava me sentindo confusa, tentei arrumar uma lógica que explicasse esse fenômeno do garoto mais lindo que eu já vi, demonstrar algum tipo de interesses por mim. Uma parte de mim estava animada, pedindo para que eu fosse em frente sem olhar para trás, mas a outra parte me dizia que eu não podia confiar assim, mesmo ele demonstrando boas intenções - em parte -, mas que ele não deixava de ser um estranho e que era para me afastar antes que eu me desse mal.

    E assim fiquei nesse dilema, queria que segunda chegasse logo, mas ao mesmo tempo queria que nunca chegasse. E essa expectativa estava acabando comigo, e pirou ainda mais quando a segunda-feira chegou, não com o céu muito límpido como nos dias anteriores, mas a brisa da manhã era gostosa.

    Depois de me arrumar com o uniforme e tomado meu café na velocidade de uma lesma, eu estava em direção à escola. O transporte público não demorou muito, sabia o horário que ele passava e assim chegava na hora certa, nem um minuto a mais e nenhum minuto a menos.

    As aulas haviam sido a mesma coisa, os professores passando matérias novas, os alunos conversado e trocando bolinhas de papel entre a troca de matérias e eu sendo ignorada como um ser medíocre que eu era. Tudo normal.

    Não demorou para que o sinal do intervalo soasse pela escola, fazendo os alunos se levantarem como se nunca soubessem o que era educação, e saíssem rindo e falando alto pelos corredores.

    Ajuntei meus materiais e fui para o meu refúgio, a biblioteca. Eu não lanchava nos intervalos, detestava a comida da cantina, e mesmo que eu gostasse, eu não sentia fome, já comia o suficiente no café da manhã para não lanchar na escola.

    Olhei pelos lados enquanto caminhava entre os alunos algum sinal de Sasuke, e para o meu total conforto, não havia o visto. Eu havia decidido que iria me manter afastada, eu iria fazer de tudo para não esbarrar com ele por aí. Eu tinha concluído que era melhor assim, pois eu me conhecia bem o suficiente para quando se eu o visse - depois do que aconteceu naquele dia -, eu não iria saber o que fazer. Não tinha a mínima ideia de como agir perto dele. E para o meu bem psicológico, era melhor que ele desaparecesse e esquecesse que eu existia.

    Entrei na biblioteca quase vazia, cumprimentei Shizune e assinei o livro de visitantes que era obrigatório. Fui para a mesa que ficava nos fundos, oculta pelas prateleiras de livros, ninguém podia me ver. Coloquei minha mochila ao lado e comecei a fazer os deveres de casa, não iria ter tempo hoje, já que era o meu dia de trabalhar na loja de doces.

    Fiz todo o dever de matemática que o professor havia passado hoje, o silêncio da biblioteca fazia o pequeno som do ar-condicionado que deveria está no volume máximo ecoar pelo local, mas não era incômodo.

    Quando eu me preparava para fazer a lição de geografia, eu senti uma presença se aproximando de onde eu estava, e uma voz particularmente familiar soou, fazendo-me dar um pulo na cadeira, pegando-me totalmente de surpresa.

    - Então é aqui que você se esconde!?

    Meus olhos ergueram para a figura masculina que havia parado em frente a minha mesa. Nesse momento, eu juro que senti meu coração indo parar na minha garganta e voltar para o seu lugar novamente. Eu estava sem reação nenhuma, e Sasuke havia percebido e abriu um pequeno sorriso de lado, terminando de me quebrar de vez.

    Eu podia sentir o calor subir pelo meu corpo, indo parar no meu rosto, aquilo era um sinal de que eu estava corando. Não deu para evitar as cenas em frente a minha casa invadisse minha cabeça, seus lábios haviam tocado nos meus, e era macio e bom.

    Para! Eu tinha que parar de ter esses tipos de pensamentos, eu estava fantasiando demais, pensando demais.

    Desviei meus olhos dos dele, não conseguia encará-lo por muito tempo, ele era intimidante demais.

    - O-o que faz aqui? - eu havia gaguejado enquanto a voz soava baixinha e trêmula, a minha mão soava, fazendo o lápis deslizar girando por ela.

    - Eu estava te procurando. - ele disse, fazendo-me fitá-lo novamente.

    Ele agora puxava a cadeira e se sentava de frente para mim, seus olhos negros atrás dos óculos grandes de armação cor-de-vinho me fitavam. Nunca havia passado pela minha cabeça que ele usasse óculos, eu nunca o tinha visto com um, não que eu me lembrasse.

    Todo o meu plano de fuga ou que ele me esquecesse, havia dado errado. Agora eu tinha que encará-lo, mas eu podia sentir meu interior querendo fugir como uma covarde, uma verdadeira barata.

    Não queria que ele estivesse ali no momento, de frente para mim, mas ao mesmo tempo eu sentia uma pequena chama diferente se abrir em meu peito por saber que ele estava ali...

    - Me procurando? - murmurei, tentando ocultar o meu nervosismo, mas eu sabia que eu estava falhando.

    O canto de sua boca se ergueu mais.

    - Eu vou ao Joker's Rockets com os meus amigos depois da aula e vim te chamar para vir junto com a gente.

    Não pude evitar que minha expressão ficasse surpresa e meus olhos arregalassem um pouco. Ele estava me convidando para sair com seus amigos? Eu, Sakura Haruno, a pessoa mais exclusa e insignificante estava sendo convidada para ser socializada com outras pessoas? Aquilo poderia ser comparado como um apocalipse zumbir.

    Desviei meus olhos para o caderno e fingi procurar as respostas das questões.

    - Não vai dar, eu... eu tenho que trabalhar. - eu disse rapidamente, me atrapalhando nas palavras.

    Eu tentava fazer de tudo para ele cair fora dali para minha respiração e meus batimentos cardíacos normalizasse, mas o que eu estava percebendo aos poucos era que aquele garoto era muito insistente e bom em convencer as pessoas.

    - Que horas você entra no trabalho?

    - O quê?

    O fitei por um segundo, me fazendo de idiota.

    - Que horas você entra no trabalho? - ele repetiu a frase lentamente, numa paciência invejável como se eu fosse débil.

    - Duas horas da tarde. - novamente minha voz havia soado baixinha, enquanto desviava meus olhos para um canto qualquer que não seja os seus, que não havia desviado de mim nem por um segundo.

    - Hoje irão liberar todos às onze da manhã por causa de uma reunião, você vai ter três horas até pegar no trabalho.

    A minha atenção voltou-se para ele novamente. Tudo parecia ter uma solução para Sasuke, tudo parecia ser mais fácil. Eu havia me esquecido completamente desse detalhe, o aviso estava no mural perto das salas desde sexta-feira.

    Balancei minha cabeça para os lados, negando.

    - Eu não acho uma boa ideia.

    Ele inclinou a cabeça levemente para o lado, fazendo com que a franja revelasse a outra parte de seu rosto, naquele gesto que eu achava simplesmente fofo.

    - Por quê?

    - Eu que pergunto, por que você está me convidando? - eu havia rebatido sua pergunta com outra pergunta.

    Suas sobrancelhas arquearam-se para cima e seus olhos ficaram mais negros, eu pude ver por detrás de suas lentes dos óculos.

    - Por que eu quero passar um tempo com você, quero conhecê-la.

    Meu coração acelerou mais enquanto prendia a respiração automaticamente, apertei mais o lápis na minha mão, tentando não transparecer que eu estava trêmula por dentro. Abri minha boca e depois voltei a fechá-la, eu não tinha argumentos para aquilo. Sasuke era muito direto e dizia tudo tão levemente...

    - Você tem planos para antes do trabalho? - ele voltou a perguntar, seu corpo inclinando um pouco mais para perto.

    Eu queria dizer que sim, eu queria sair correndo dali e me socar em algum lugar que ele não pudesse me achar, eu queria fugir de toda essa tensão que eu sentia por dentro, me tirando de minha zona de conforto. Mas eu não disse nada, não consegui dizer nada. A única coisa que fiz foi um movimento de cabeça para os lados, negando.

    Sasuke sorriu novamente naquele dia, um sorriso satisfatório.

    - Se não tem compromisso, então não tem motivos para negar o meu convite, e eu me recuso a aceitar um não como resposta.

    O jeito bom humorado como ele falou havia soado engraçado, e com isso eu tive que reprimir um pequeno sorriso que queria escapar pela minha boca. Desviei meus olhos para a mesa.

    - Você é bem insistente.

    - Você não sabe o quanto.

    Pressionei meus lábios e assenti com a cabeça, concordando, fazendo seu sorriso agora se alargar, mostrando todos os seus dentes.

    - Então já que você fez a escolha certa, vou ficar te esperando no estacionamento, tudo bem?

    E novamente assenti positivamente com a mente enublada, incapacitada de responder. E num movimento lento Sasuke se levantou da cadeira, ajeitando-a para que o acento ficasse debaixo da mesa.

    - Bom, vou comer algo na cantina, quer vir?

    Neguei com a cabeça.

    - Estou sem fome.

    - Tudo bem. - ele umedeceu os lábios com a língua. - Nos vemos mais tarde.

    Ele sorriu de canto para mim antes de dar as costas e sair dali.

    Soltei todo o ar que eu prendia e quase me engasguei com isso, fazendo-me colocar a mão na boca.

    Ah meu Deus, o que foi que eu acabei de fazer?


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