Os Cinco Selos

Tempo estimado de leitura: 24 horas

    14
    Capítulos:

    Capítulo 174

    Limites

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Yoooo!

    Pensei que não daria para postar capítulo hoje, pois minha internet estava muito merda

    Mas descobrimos que o motivo era que meu avô esqueceu pagar um conta :v

    Boa leitura ^^

    As folhas cintilantes vermelho-sangue pairavam pelo Reino Sombrio conforme a Árvore enfraquecia sem seus maiores provedores de medo.

    Edward, com Lizzie em suas costas, passava tranquilamente sobre a passarela que intercalava com a divisão a frente, onde os Selos daquela linha temporal aguardavam por ele. Eles encaravam Edward de maneira espantada, pois sentiam que ele era terrivelmente mais poderoso do que seu próprio capitão. Sentiam uma certa opressão pulsar dele. E a pergunta que não para de latejar em suas mentes era: "podemos confiar nele?".

    — Vocês não precisam confiar em mim. — Do sobretudo, Ed retirou um pedaço de papel e entregou a Kleist. — Confiem na Mikaela que escreveu isso, que por sua vez confiou a seu capitão, por fim confiando em mim.

    As almas penadas começaram a circular em volta do recinto, e depois começaram a ajoelhar-se no chão uma do lado da outra por uma longa extensão, deixando espaço o suficiente para que Edward passasse entre elas.

    Chegando perto dos limites chão do Reino, Lizzie notou que a fenda que os trouxeram havia se fechado. Como fora o Morte que abriu para eles virem para cá, não tinha como ela abrir uma fissura para saírem.

    — Ed... temos um probleminha...

    — Não se preocupe. A Árvore nunca iria querer me manter aqui.

    Quando começou a desder os degraus, a fissura se abriu no mesmo lugar que antes, e Edward adentrou...

    ...Saindo do outro lado, no Reino dos Humanos.

    Lizzie imediatamente sentiu a presença esbanjadora dos Selos, e logo em seguida sentiu a de Bahamut. Ela apertou o ombro do Edward com mais força.

    — Já começaram — ela disse.

    — Estamos um pouco atrasados. — Edward olhou por cima dos ombros com seus olhos azuis cintilantes e a esclera ficando negra, fintando os Selos. — Irei na frente.

    A asas de energia negra surgiram, as chamas azuis explodiram e Edward saiu voando. Ele atingiu os céus, voando na velocidade máxima que conseguiu, mas ainda sim estava distante.

    — Mais rápido — ordenou Liz.

    — Despertar: Deus da Morte. — As chamas azuis explodiram mais uma vez, mais intensas, mais volumosa. — Personificação da Morte. — O azul mais escuro das chamas dominou os céus.

    O Deus da Morte saiu por entre as chamas tão rápido quanto um raio. A armadura de ossos fazia-se em seu corpo. O nimbo azul cintilava em suas costas, e suas asas penadas negras mexiam-se com o vento. Em suas mãos, as foices gêmeas eram empunhadas, onde suas correntes entrelaçavam-se em seus braços.

    Ele estava rápido, muito rápido... mas não era o suficiente para o que estava por vir.

    A runa em seu peito se encandeceu, e a energia negra surgiu rodeando seu corpo. Gradativamente, o negro fora dominando a coloração azul das chamas, deixando-o cada vez mais rápido.

    — Lizzie, Sombra, vamos testar nosso novo limite.

    “Você não está pensando em lutar sozinho contra ele, está?”, sussurram os dois.

    — Pensando? Não. Eu vou.

    “Puta merda”

    O capitão dos Selos viu Bahamut concentrando a energia roxa na palma de suas mãos. Ele inclinou o corpo trás, e seus pés atingiram em cheio o rosto de Bahamut.

    As chamas negras explodiram, projetando Bahamut para direção oposta, e fazendo Kleist voar.

    Pietra saltou e segurou Kleist. Edward pousou no chão, e observou Bahamut sendo atirado violentamente, chocando-se contra seu castelo, contra montanhas e tudo o que seu corpo encontrava no caminho até perdê-lo de vista, deixando apenas o rastro negro das chamas.

    Os Selos sentiam a pressão que a força do Edward exercia sobre si. Entretanto, não se sentiam sendo sufocados por esta força horrenda e sinistra, mas sim sendo acolhidos e protegidos. Em Miana essa sensação ia além: sentia as chamas dela dentro de si responderem a do pai. Isso trazia uma sensação reconfortante para ela, como se estivesse em uma simples tarde quieta, e não ali.

    Edward se aproximou de Kleist e fintou seu subordinado: o sangue se misturava com a carne viva, e o Selo mal respirava. Kleist, porém, começou a mover sua boca conseguindo dizer:

    — M... mi... ka...

    Seu capitão deu um rápido olhadela para Mikaela.

    — Ela está bem. Obrigado, Kleist.

    A foice em sua mão direita começou a virar chamas negras, e as chamas começaram a tomar a forma de Lizzie. Ela continuava pequena, mas com cabelos longos e brancos. A nudez de seu corpo era protegida por um vestido de chamas negras. Seus lábios emanava a coloração azul, e Liz deixou um suave e demorado beijo na testa de Kleist. O Selo sentiu seu corpo arder ainda mais, obrigando-o a grunhir, porém seus ferimentos começaram a se curar.

    — É o suficiente para te tirar da morte e amenizar suas dores, mas não para você voltar a lutar. — Ela sorriu. — Já fez mais do que o suficiente. Apenas descanse.

    — Lizzie — chamou Ed.

    Lizzie começou a virar chamas, e as chamas foram até a mão de Edward e transformaram-se em foice.

    Os olhares de Mikaela e Edward encontraram-se por pouquíssimos milésimos antes que ele se atirasse para frente, deixando uma rajada forte de vento e chamas para trás.

    Edward passou voando muito rápido sobre os destroços que outrora fora o castelo sombrio, seguiu passando por fragmentos de rochas que outrora fora uma grande montanha antes que o rei dos demônios passasse as destruindo, e, enfim, moveu suas foices, fazendo suas lâminas encontrarem-se com as palmas das mãos do Bahamut. O solo fragmentou, em seguida as chamas negras começaram sua disputa contra a energia roxa, cada vez mais intenso e caótico. No momento em que as lâminas penetraram em sua pele retirando seu sangue, o olhar de Bahamut tornou-se severo. Ele desviou as lâminas para baixo — uma espada forjada com seu poder surgiu em ambas as mãos, e voltou golpeando com elas. Edward moveu seu corpo para trás, desviando, e levantou sua perna direita. O chute atingiu o queixo do rei dos demônios, deixando-o brevemente desnorteado, porém com tempo o suficiente para ser acertado com um forte soco no estômago, obrigando-o a cuspir sangue, e a lâmina rasgou a lateral de seu corpo.

    Enfurecido, Bahamut golpeou instintivamente com ambas as espadas, entretanto o Selo saltou para desviar delas. Mantendo-se no ar por causa de suas asas penadas negras, Edward girou e acertou um chute contra a cabeça do Rei dos demônios, fazendo-o afundar de cara no solo. Imediatamente, Morte subiu em direção ao céu para se afastar.

    Houve a súbita explosão de energia roxa no solo, e Bahamut subiu em direção ao capitão dos Selos, que se encontraram tingindo o céu com a coloração roxa e negra. Poderosos golpes foram trocados, onde a cada impacto as nuvens ao redor deles se dissipavam mais e mais. Ambos caíram no ar, sem cessar os golpes, voaram rente ao chão e subiram novamente, encontrando suas lâminas em um potente golpe, gerando outra explosão multicolor.

    Mantendo-se inertes no ar, eles começaram a trocar golpes incessante e velozes com suas respectivas armas. As foices e as espadas se encontravam em poderosos golpes, brandindo uma contra a outra, deslizando, assobiando e silvando. Uma das lâminas de Bahamut rasgou o Selo diagonalmente em seu torso, penetrando na armadura de ossos e fazendo o sangue pular para fora. Edward ignorou a ferida, que logo se fechou e a armadura se reconstruiu naquela área. Ele devolveu o ataque feito pelo rei dos demônios rasgando horizontalmente o peito dele, mas se fechou tão rápido quanto fora aberto.

    Cruzando-se, as foices e a espada por fim começaram se pressionadas uma contra a outra em uma disputa de força. Chamas negras e energia roxa se confrontavam, entrelaçando entre si. Os olhos brancos fintavam os olhos azuis cintilantes intensamente.

    — Magnifico — exprimiu Bahamut.

    As chamas negras tomaram conta, Edward forçou seus braços, jogando as espadas de Bahamut para o lado e abrindo sua guarda. Aproveitando-se do momento de seu corpo, Edward girou e atingiu a divindade com um chute, atirando-o contra o chão, que saiu deslizando.

    Edward desceu até seus pés tocarem o solo.

    — Como sempre pensei... Ele não tem técnica, só força. Bate forte e seu inimigo não aguenta. — As chamas negras começaram a farfalhar em seu corpo, as foices penderam em suas mãos e ele segurou as correntes, começando a girá-las. — Bem, pelo menos por enquanto... eu aguento.

    Dito isso, Edward arremessou sua foice esquerda para frente.

    Bahamut rolou pelo chão, mas logo se pôs de pé sem dificuldades. Ele limpou a poeira em seu corpo, flexionou seus joelhos e atirou-se para frente. Enquanto seu corpo voava rente ao chão, Bahamut deparou-se com a foice viajando em sua direção. Sem dificuldades, brandiu uma de suas espadas contra a lâmina, contudo ele freou-se com os pés e, quando olhou para cima, viu a segunda foice caindo. Bahamut jogou seu corpo para o lado, e a lâmina da foice se encrustou pesadamente no chão, provocando sulcos profundos preenchidos por chamas negras. O rei dos demônios percebeu tarde demais que a primeira foice recuava, e teve seu braço direito decepado. O sangue rubro levemente cintilante fluía do ferimento. Resmungando, Bahamut pegou seu braço do chão e aproximou do corte, fazendo-o regenerar.

    Edward moveu a corrente esquerda para o alto, obrigando a foice subir. Suas chamas negras subiram pela corrente, então abaixou. A foice desceu assobiando até confrontar uma das lâminas de Bahamut em um forte impacto. A divindade escutou o momento em que a segunda foice desprendeu do chão e conseguiu bloquear a tempo com sua espada esquerda.

    De maneira inesperada para o rei dos demônios, as duas foices penderam no ar ao mesmo tempo. Ele viu as correntes ondularem, mas, sem premeditar o movimento, teve seu corpo rasgado pelas foices ao mesmo tempo que em seu torso. Bahamut chiou e afastou-se rapidamente. As foices recuaram, dançaram no ar e o seguiu.

    Morte começou a mover seus braços de maneira rápida e incessante, e as foices respondiam com violentos golpes chicoteados. Os braços de Bahamut também se moviam de maneira ágil e imparável, porém, por não conhecer este estilo de luta, estava completamente acuado e na defensiva. Os alternantes combos com a foice e a corrente quebravam constantemente a defesa do Rei, que começou a ter rasgos espalhados pelo corpo, onde demoravam a cada vez mais a se regenerar.

    A ira de Bahamut se despertou no momento em que uma das foices desceu rasgando verticalmente pelo seu olho esquerdo.

    Enfurecido, ele prendeu esta lâmina que passou pelo seu rosto no chão com seu pé, e deixou propositalmente a segunda que descia cravar-se profundamente em seu ombro direito. Com as foices paradas por tempo o suficiente, Bahamut concentrou sua energia em sua mão esquerda e disparou a esfera roxa de energia maciça, dizimando o solo a caminho de Morte, atingindo-o. A foice sob o pé de Bahamut foi junto, assim como a de seu ombro, abrindo um corte de dentro para fora nele.

    Já com Edward, ele saiu sendo arrastado pela imensidão do acumulo do poder do rei dos demônios.

    ***

    Os Selos e os gêmeos assistiam a luta em silêncio e tensos.

    Aiken deu uma risada carregada de nervosismo.

    — Já disse isso e repito: o capitão é um monstro! — exclamou ele.

    — Ele pode ser, mas Bahamut é mais — replicou Pietra.

    Os gêmeos notaram que os olhos de sua mãe se moviam incessantemente, tentando acompanhar cada movimento do embate. Entreolhando-se, Deckard e Miana se aproximaram de Mikaela e repousaram suas mãos sobre o ombro dela.

    Mikaela mordeu são lábio com tanta força que sangrou. Ela queria estar lá, lutando. Mas, como Kleist havia dito, sua vida não pertencia apenas a ela.

    Aiken viu Pietra e Dante se levantando, desejando ajudar no confronto. Neste momento, a cabeça dele começou a fervilhar. Sabia que seu capitão não iria simplesmente se atirar para a morte. Seu capitão deveria ter um plano, ou eles deveriam criar algum. Aiken sabia que Dante e Pietra eram impulsivos demais para levar isso em consideração. Fechando seus olhos, começou a ter seus monólogos interior e a refletir em diversos momentos, tentando encontra algo, uma pista. O mundo a sua volta sumiu, e a única coisa que escutava era seus próprios pensamentos, e passou a sentir, distante, porém aproximando-se, quatro presenças extremamente familiares, até mesmo a própria. Então seus olhos prateados se abriram.

    — Fiquem quietinhos ai, seus merdas! O capitão é apenas uma distração. — Aiken apontou para trás. — O verdadeiro plano está a caminho.

    Continua <3 :p


    Somente usuários cadastrados podem comentar! Clique aqui para cadastrar-se agora mesmo!