Você Pertence a Mim

Tempo estimado de leitura: 2 horas

    10
    Capítulos:

    Capítulo 8

    Desavenças

    Linguagem Imprópria

    Boa Leitura.

    S A S U K E

    Por que as coisas não acontecem do jeito que nós imaginamos? Eu tinha demorado muito tempo para perceber que eu era completamente apaixonado pela a minha vizinha. Eu era um burro. Como eu não tinha percebido que eu amava o jeito como Sakura falava, o jeito como ela imaginava o seu futuro? Amava os cabelos rosados e lisos. Aqueles olhos verdes e grandes que sempre me deixava hipnotizado. Amava o seu modo engraçado quando ela dançava em frente ao espelho vestida com pijamas esquisitos e com uma escova de cabelos nas mãos, ou um vidro de desodorante aerosol, imitando um microfone enquanto dublava.

    Amava aquele jeito maluquinha que ela só demonstrava quando estava perto de mim. Como eu não tinha percebido o jeito como meu coração batia quando ela estava por perto, ou o quando as minhas mãos soavam quando ela sorria para mim?

    Eu tinha perdido muito tempo com garotas que não me conhecia direito, que sempre me enxergava como um cara popular e capitão do time de futebol. Não tinham interesse em conhecer o verdadeiro Sasuke, coisa que Sakura sabia de trás para frente e de frente para trás.

    Eu sabia que ela só me via como um grande amigo, e ela me deixou isso bem claro no dia da final do jogo, o dia que eu tinha ficado solteiro novamente. Eu já havia percebido que eu a amava, e naquele momento, eu queria mostrá-la o quanto eu a queria, mas eu tinha medo dela me rejeitar, e o pior, eu perder a sua amizade.

    Hoje era o dia do baile, e eu já estava arrumado com o smoking preto que eu tinha alugado de última hora, só não tinha colocado aquela gravata borboleta, pois ninguém merece. O baile era formal. Naruto tinha vindo aqui mais cedo e me obrigado a ir. Eu não estava muito afim de ir, e além do mais, eu não tinha par, e Naruto também não. Então nós iriamos só para zoar e nos divertir.

    Vi minha vizinha em seu quarto, vestida com aquele pijama de ursinho, sentada no meio da cama e rodeada por livros. Completamente estudando para o vestibular da próxima semana. Eu também estava estudando para o vestibular e mal a vi depois do jogo.

    Apesar dela está com aquela roupa, os cabelos presos em coque e pouco bagunçados, e os óculos na cara, ela estava simplesmente linda. Senti meu coração acelerar quando meus olhos fitaram os dela de longe.

    Começamos a nos falar por mensagens, esse era o nosso código secreto. Perguntei se ela iria ao baile, e eu me odiei por não convidá-la a tempo. Sabia que Sakura era uma garota caseira que nunca namorou. Sabia que ela nunca iria ao baile se alguém não a convidasse. Mas mesmo assim, senti uma pontinha de esperança que ela fosse, mas ela não iria.

    Fiquei decepcionado com isso, e quando fui fechar o caderno, uma folha destacada havia saído do padrão das outras. Tirei-a rapidamente e vi o que estava escrito. Naquela hora eu tive vontade de levantar aquela folha e mostrar o que eu sentia por ela. Mas eu era um covarde e não mostrei.

    Sakura ainda me fitava confusa depois de minha última mensagem, onde mostrava o quanto eu queria que ela fosse. Aquilo havia sido um convite para o baile.

    Dobrei a folha em quatro partes e coloquei dentro do meu bolso da calça. Não olhei para trás quando desliguei a luz e fechei o quarto. Não sabia por que eu iria levar aquele pedaço de papel, mas não me importei, levaria assim mesmo.

    Desci as escadas, colocando meu celular no meu bolso de trás. Vi meu irmão Itachi deitado no sofá, todo largadão, com uma latinha de cerveja com canudinho na mão, e um saco enorme de batatas fritas em cima da barriga, enquanto enchia a mão de batatinhas e jogava na boca. A televisão estava ligada, e estava passando futebol. Apenas revirei os olhos.

    - Porra, Caralho! - Itachi levantou num rompante, deixando algumas batatinhas cair no chão, depois que viu o jogador de seu time tinha levado falta. - Juiz filho da puta! Caolho do caralho que não vê nada direito!

    - Itachi, se você não percebeu, nós temos vizinhos. - disse calmamente, terminando de descer as escadas.

    Ele olhou para mim e arqueou a sobrancelha, chupando o canudinho da sua cerveja. Como meu irmão era infantil. Até hoje ele tomava Nescau no café da manhã, e a geladeira só tem danoninho daqueles Chambinho que ele comia antes de dormir.

    - E aí, garanhão? Pensei que não iria ao baile!?

    - Mudei de ideia.

    Ele sorriu, se jogando no sofá.

    - Vai com a vizinha da frente? Pois que eu saiba, você e a Ino não estão mais juntos...

    - Que conversa é essa?

    Tanto eu quanto Itachi olhamos para meu pai que vinha da cozinha. Ele não estava vestido formalmente, e sua cara estava séria enquanto ele parava na sala, de frente para mim.

    - Você terminou com a Ino? - ele voltou a perguntar.

    Olhei para Itachi, lançando meu olhar raivoso. Ele apenas desviou o olhar do meu com aquela cara deslavada para seu jogo na televisão. Ele sabia que tinha falado demais. Fazia dois dias que eu tinha terminado com a Ino e meu pai não sabia. Ele presava o meu namoro com aquela vadia, pois assim as famílias, tanto a Yamanaka quanto a Uchiha juntaria as empresa, formando um grande império, quando eu e Ino nos casarmos. Mas eu tinha acabado de estragar os seus planos, e não tinha alguma possibilidade de voltar para ela.

    Olhei para meu pai que estava parado, me olhando com aquele olhar sério. Sustentei seu olhar e disse com a voz firme:

    - Terminei sim.

    Sua testa franziu mais enquanto seu nariz se dilatava quanto ele respirava e inspirava fortemente, mostrando o quanto ele estava irritado com aquela situação.

    - O que você tem na cabeça de terminar com a filha de Inoichi? Esqueceu que estou tentando fechar um negócio importante com aquela família? Como você quer que a nossa empresa progrida com a sua irresponsabilidade?

    Eu não podia acreditar no que meu pai havia falado. Tudo para ele era aquela maldita empresa de merda. Ele não ligava para os próprios filhos. Ele não estava nem aí para que eu queria ou não. Tudo tinha que ser do jeito dele.

    - Como você quer que eu fique com uma garota que fica me traindo pelos cantos?

    - Ela te traiu por que a culpa foi totalmente sua, que não sabe fazer nada direito!

    Senti o sangue ferver e subir para minha cabeça, avancei para cima daquele cara, mas Itachi me conteve, me segurando por trás.

    - Me larga, Itachi! - eu gritava enquanto me contorcia em seu aperto.

    - Já chega! Vamos parar com isso! - meu irmão gritou, enquanto botava força para me imobilizar.

    Eu estava com ódio, olhando para aquele homem que me fitava com a mesma intensidade. Ele fechou os olhos e suspirou, tentando se acalmar, quando os abriu, me olhou.

    - Tudo bem. - ele disse agora mais calmo. - Não precisamos nos exaltar. Você vai à casa dos Yamanaka e vai pedir desculpas a Ino. Se precisar implore para que ela volte para você.

    Arregalei meus olhos, não acreditando no que eu tinha ouvido. Eu não havia escutado aquilo. Eu não escutei aquilo.

    Soltei uma risada sarcástica e finalmente consegui me soltar de Itachi, me afastando um pouco.

    - Você quer que eu me humilhe para aquela vagabunda?

    - Olha o respeito com a garota. - ele me repreendeu. - Ela vai ser a sua futura esposa.

    - Qual é a parte que eu terminei como ela que você não entendeu? - eu me segurei para não avançar nele novamente. - Nem fudendo irei atrás dela.

    - Moleque prepotente. - sua voz saiu mais alta do que devia. - Eu passo dias e noites trabalhando para dar boa vida para você e esse vadio aí que não presta para nada - ele olhou para Itachi brevemente, voltando a olha para mim. -, e quando peço um favor para mim é isso que eu ganho? Desgosto?

    - Eu não sou nenhum vadio, pai. - Itachi disse com a testa franzida. - Eu estou estudando e estagiando, se você não sabe.

    Ele riu descrente, totalmente debochado.

    - Aquela merda que você está fazendo, você chama de profissão? Eu construí um império para serem administrados por vocês no futuro, e os dois desperdiçam tudo por profissãozinhas de quinta.

    - Desde quando engenharia civil é profissão de quinta? - Itachi estava se zangando, e olha que Itachi era pura calma.

    - Desde quando eu não criei um filho para ficar passeando em monitoramento trabalho de pedreiro!

    Meu pai era inacreditável, e não estava com saco para aquilo. Não queria estragar a minha noite mais do que já estava estragada, escutando aquelas baboseiras daquele cara.

    Dei as costas para ele e em passos rápidos abri a porta num rompante, escutando os chamado de meu pai, mas ignorei e fechei a porta atrás de mim.

    Minha cabeça latejava, sentia meu sangue correr mais rápido. Eu não via a hora de me mudar para Tóquio, iria prestar vestibular para a faculdade de lá. Longe de Konoha, longe de meu pai e sua ganância.

    Entrei no carro e saí catando pneu.

    Não sei quanto tempo fiquei rondando pelas ruas, sem rumo, mas eu precisava esfriar a cabeça. Meu celular tocava de cinco e cinco minutos e sabia que era Naruto. Não atendi nenhuma ligação, e fui em direção ao colégio.

    Vinte minutos depois estacionei o carro. Vários alunos estavam do lado de fora, e outros chegando. Caminhei para dentro do salão, passando pelo pessoal. Várias pessoas me cumprimentavam, algumas meninas tentavam chamar minha atenção, completamente estavam sabendo sobre o término do meu namoro com a Ino.

    Ignorei e continuei caminhando entre os pessoal. Encontrei Naruto encostado numa mesa grande e retangular, onde ficavam os docinhos e os salgadinhos. Ele estava com um copo de ponche, bebendo, se ajeitou assim que me viu se aproximando.

    - Porra, teme, pensei que não viria. Te liguei um milhão de vezes.

    - Eu vi suas ligações.

    - E por que não me atendeu? - ele perguntou. - Pensei que iria me dar um bolo.

    Algumas garotas olharam para nós e começaram a cochichar.

    - Dobe, dar pra parar com essa viadagem? As pessoas estão olhando estranho para nós.

    O idiota acabou se mancando e se aprumou direito enquanto se virava para pegar mais daqueles docinhos na mesa.

    - Eu não sei você, mas eu sou espada.

    - Imbecil. - peguei um daqueles copos descartáveis e me servi de ponche.

    - Vai me falar o que aconteceu?

    Dei um gole da bebida, mas logo fiz careta. Troço ruim.

    - Meu pai.

    - O que tem ele?

    - Não quero falar sobre isso. Estou tentando esquecer. - ele olhou para mim. - Agora mais do que nunca quero sair daquela casa.

    - Seu pai sabe que você vai prestar vestibular para a faculdade de Tóquio?

    - Claro que não. Ele só saberá no dia quando eu estiver metendo o pé.

    Naruto riu ao meio daquela música alta. Acho que era Avicii.

    - Ele vai pirar, cara.

    Olhei para ele.

    - Aquele esquema de dividir o apartamento ainda está de pé?

    Naruto tinha um pequeno apartamento que havia ganhado de seu padrinho antes dele morrer. E ele tinha me chamado para ficar lá quando fossemos cursar a faculdade, nós iriamos dividir as despesas.

    - Claro, eu já falei com os meus pais e eles concordaram de ir lar comigo dar uma olhada na estrutura antes de mandar minhas coisas. Mas o apartamento está todo imobilizado, mas é pequeno.

    - Não importa. Tudo o que eu quero é vazar de Konoha.

    Sentiria muita falta da Sakura, mas eu já estava chegando ao meu limite. Mas pelo que eu sabia, ela iria prestar vestibular para a faculdade de Tóquio também. Quem sabe...

    - Cara, olha quem está vindo ali.

    Olhei para aonde Naruto apontava, e quase não acreditei no que vi.

    De onde eu estava dava para ver direitinho a entrada do salão. Senti os batimentos de o meu coração acelerar com a visão maravilhosa de Sakura Haruno.


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