Você Pertence a Mim

Tempo estimado de leitura: 2 horas

    10
    Capítulos:

    Capítulo 7

    Convite

    Linguagem Imprópria

    Boa Leitura.

    S A K U R A

    Hoje era sexta à noite, o dia do baile. Eu estava no meu quarto, sentada em minha cama, rodeada com um monte de livros espalhado. Estava estudando para o vestibular que seria semana que vem, e não tinha um pingo de vontade de ir ao baile de despedida. E mesmo que eu quisesse ir, eu não tinha par.

    Quem iria querer levar uma garota nerd e patética que nem eu ao baile? O único jeito era sossegar o meu facho e estudar para conseguir uma bolsa na melhor universidade de Tóquio.

    Saí de meus devaneios melancólicos com duas batidas na minha porta, para depois a maçaneta ser girada e a porta ser aberta, revelando minha mãe.

    - Querida.

    - Oi, mãe. - me ajeitei na cama, e ela entrou no quarto, fechando a porta.

    - Você não vai mesmo ao baile? - ela perguntou, sentando na beirada da minha cama, me olhando. - Filha, é o baile de despedida. É até crime perdê-lo.

    - Sinto muito, mãe. - minha voz saiu como um miado, de tão baixa. Não estava afim de ir ao baile e pagar mico, por ser a única garota sem par.

    Minha mãe com todo carinho do mundo, havia comprado um vestido lindo para eu usar nesse dia. Ela sonhava no dia quando meu par chegasse para me buscar, e ela tiraria uma foto de nós dois para guardar de lembrança. Uma lembrança de sua única filha. Eu.

    Fico triste por decepcioná-la. Mamãe não sabe que eu era a fracassada, a nerd esquisita da escola. Ela não tinha a mínima ideia de que eu era ignorada pelos alunos, e que minha única amizade era o garoto que mora ao lado da minha casa. Não gosto de envolvê-la nos meus problemas, e muito menos em assuntos bobos, como os meus, diante dos problemas que ela vinha passando com o papai.

    Dói-me o jeito quando ela ficou quando eu disse que não iria ao baile, e que o vestido que ela havia comprado para mim, seria devolvido.

    - Mãe, me desculpe, não quero te deixar triste, mas eu não tenho par. Ninguém me convidou para o baile. Se eu for, serei motivo de zoação.

    - Não acredito que estou ouvindo isso. - sua cara estava indignada. - Eu não criei uma filha medrosa.

    - Mãe...

    - Não. - ela me interrompeu. - Eu sempre sonhei no dia quando você vestiria um vestido lindo para o baile final. O último baile da escola antes de ir para faculdade. Não me decepcione, filha.

    - Não dá, mãe. O vestibular é semana que vem. Tenho que estudar dobrado, você sabe que é meu sonho entrar numa boa universidade de medicina. E as chances são poucas, é por isso que tenho que me esforçar mais.

    - Querida, mas tudo de mais é muito. Você está estudando para este vestibular à vários meses. Você está mais do que craque. Vai se dá bem sim na prova, sei disso por que você é minha filha. - ela pegou minha mão, e me olhou tênue. - E sei que você vai passar em primeiro lugar.

    Senti meus olhos marejarem. Minha mãe era tudo para mim, e sabia como me deixar bem nas situações de desespero. Sabia que ela só queria que eu me divertisse.

    Ela se levantou da cama e foi até meu guarda-roupa. Tirou o vestido bege que ela havia comprado, e o depositou delicadamente nas costas da cadeira, que ficava de frente a minha escrivaninha do computador.

    - Para o caso de você mudar de ideia. - ela se virou para mim. - Não ligue para o que os outros vão falar. O importante é se divertir, e acima de tudo, ser você mesma.

    Mamãe se aproximou de mim e beijou a minha testa.

    - Te amo, querida.

    - Também te amo, mãe. - sorri minimamente. - Obrigada.

    Mamãe sorriu antes de sair do quarto. Suspirei e fitei o vestido lindo.

    - Isso não é para mim.

    Ouvi um ruído vindo do quarto vizinho, e voltei minha atenção para a janela, vendo meu vizinho Sasuke, arrumado para o baile.

    Ele estava vestido com um smoking preto, sem a gravata, o que o deixava lindo. Ele estava sentado em sua cama enquanto calçava os seus sapatos

    Eu não havia falado com ele desde quarta à noite, depois do jogo, onde garantiu a vitória para a escola. Fiquei imensamente feliz quando soube pela boca dele que tinha acabado o namoro com a nojenta da Ino. Eu sentia meu íntimo pular de alegria, mas estava triste por vê-lo tão transtornado com o término. Acho que ele ainda gostava dela, e a traição deveria ter mexido muito com ele.

    Aquilo me destruía aos poucos, pois era difícil ver alguém que a gente ama sofrer por alguém que não dar o seu valor. Eu tive vontade de agarrá-lo ali mesmo e dizer tudo o que eu sentia, dizer para ele não esquentar com alguém que não o merecia, pois eu estava ali, todinha para ele.

    Mas diante daquele transtorno todo, uma coisa estranha aconteceu. Ele ficou me olhando tão intensamente que senti minhas pernas tremerem. Naquela hora, por um milésimo de segundo, imaginei que Sasuke pudesse corresponder aos meus sentimentos. Senti que ele também me amava.

    Mas como eu era uma azarada, era tudo fruto da minha imaginação fracassada. Sasuke tinha se afastado tão rápido, como ele tinha se aproximado. E a prova disso era que ele estava me evitando.

    Aquilo me doía.

    Do outro lado da janela, vi que ele estava terminando de calçar os sapatos e olhou em minha direção. Meu coração se aquerceu quando vi um pequeno sorriso escapar por seus lábios. Como ele era lindo.

    Ele caminhou até a sua escrivaninha, que ficava abaixo da janela, se sentou na cadeira e começou a escrever algo. Segundos depois ele ergueu a folha de caderno para mim.

    "Você Vai Hoje À Noite?"

    Ele se referia ao baile.

    Peguei meu caderno que estava em cima da cama, abri numa página em branco e comecei a escrever com a minha caneta hidracor preta. Ergui a folha logo em seguida para ele.

    "Não, Estou Estudando"

    Sasuke voltou a escrever novamente, depois de ler o que eu tinha escrito. Ergueu o papel para mim.

    Olhei para seu rosto, antes de ler. Ele estava sério.

    "Eu Queria Que Você Fosse"

    Depois que li, encarei a sua expressão séria novamente enquanto processava aquelas palavras.

    Ele quer que eu vá? Mas por quê?

    Eu estava confusa, não sabia o que estava acontecendo. Aliás, não sabia o que estava acontecendo mais. Aquela situação havia se tornado uma enorme bola de neve, que eu não conseguia mais controlar. Aquilo me deixava desesperada, e confusa.

    Vi Sasuke se levantar da cadeira de repente e sair do quarto, depois que apagou a luz.

    Não sei quanto tempo fiquei olhando para a janela do quarto escuro de meu vizinho. Meu coração batia tão forte, pelo simples fato dele ter falado comigo, mesmo que tenha sido por bilhetes de janelas. Se minha cabeça estava confusa, agora estava dando um nó. Só aquele fato de Sasuke querer que eu fosse ao baile tinha mexido comigo, pois no fundo sabia que ele se preocupava comigo.

    Olhei para o vestido pousado em cima da cadeira. O que eu faço? Vou ou não vou ao baile?

    Fechei os olhos, e suspirei pesadamente. Preciso desesperadamente de uma luz.


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