Você Pertence a Mim

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    10
    Capítulos:

    Capítulo 6

    Sentimentos

    Linguagem Imprópria

    Boa Leitura.

    S A S U K E

    O jogo de hoje havia sido dureza. O time da escola adversária era muito bom, e se nós tivéssemos vacilado um pouco, nós tínhamos levado a pior. Mas no final, tudo havia dado certo, e aquela jogada que eu tinha feito com Naruto, garantiu nossa vitória.

    Quando Naruto me mandou aquele passe, eu estava mais do que preparado, o recebendo com uma bicicleta que foi em cheio ao gol. Uma onda de adrenalina invadiu meu corpo, o que me fez sair pelo campo correndo e gritando eufórico pela nossa trabalhosa conquista. Meu último gol antes de me formar no ensino médio.

    Arranquei a minha camisa molhada de suor enquanto corria pelo campo, e a girando no ar. Meus amigos de campo me pegaram e me ergueram no ar, enquanto uma multidão vinha em nossa direção. Assim que me colocaram no chão, Naruto veio até mim.

    - Mano, nós ganhamos! - ele agarrou a minha cabeça com as duas mãos.

    - Eu sei, porra! Mas dá para largar a minha cabeça? - apesar de meu tom ter saído rude, eu não estava zangado.

    - Foi mal, cara. - ele riu, colocando uma mão atrás da cabeça.

    - Hm. Valeu por aquele passe.

    Naruto abriu aquele sorrisão, todo animado.

    - Vocês dois foram ótimos. - disse o técnico, chegando perto de nós. - O seu passe para o Sasuke foi perfeito, Naruto. Parabéns.

    - Valeu, técnico.

    - E, Sasuke - ele olhou para mim -, belo gol. Não é atoa que é o capitão.

    - Obrigado.

    - Uma foto para o jornal? - uma garota de coques nos dois lados da cabeça, estava com uma máquina digital e se aproximava de nós. Acho que seu nome era Tenten.

    Depois que Tenten tirou a foto, olhei em meio à multidão, à procura de uma garota de cabelos cor-de-rosa, mas o que eu vi, eu não havia gostado nada. Ino estava num canto afastado, com Gaara.

    Meu cenho franziu quando o vi passar a mão em seu rosto, e ela estava deixando. Senti meu sangue subir. Eu não estava de boa com Ino, nós mal nos falamos depois daquele incidente no pátio, mas também não haviamos terminado.

    Ela ainda era a minha namorada.

    Caminhei em passos rápidos e pesados até aqueles dois. Escutei Naruto me chamando e perguntando onde eu estava indo, mas apenas ignorei. Parei ao lado deles, e quando perceberam a minha presença, eles se afastaram bruscamente.

    - O que está acontecendo aqui? - perguntei olhando de Ino, que estava assustada, para Gaara, que estava com aquela cara de deboche, me olhando superior.

    Nunca gostei daquele cara, apesar de sermos do mesmo time. Meu nível de tolerância com ele andava numa corda bamba.

    - Sasuke... - começou Ino, ela estava levemente nervosa.

    - Posso saber o que tanto faz aqui? - quis saber, mas eu já sabia o que estava rolando ali.

    Como eu pude ser tão burro em relação àquela ordinária? Ino que sempre me acusava de está a traindo, e era ela aquele tempo todo que estava me traindo? E não me admiro que seja com aquele vacilão do Gaara.

    - Conta para ele, Ino. - começou Gaara, olhando para mim com um sorriso debochado. - Conta para ele que você está comigo agora.

    Meu olhar que sustentava o daquele vacilão desviou para Ino, que estremeceu.

    - Sasuke... eu...

    - Não precisa explicar nada. - a interrompi. Eu queria esganá-la por ter me feito de idiota esse tempo todo. - Você sempre me acusava de está a traindo, coisa que nunca fiz. Sempre fui honesto com você. Mas pelo visto, eu era o corno disso tudo. Você que me traía.

    - Olha lá o que você está falando. - ela começou se exaltando. - Eu nunca te traí. Eu só estou cansada de sempre ficar em segundo plano quando aquela garota patética estava por perto.

    Ri sarcasticamente e ela continuou:

    - E ainda quer que eu engula que você nunca teve nada com aquela sonsa de cabelos rosa? Poupe-me.

    - Eu nunca tive nada com a Sakura, porra! Enfia essa merda de uma vez por todas nessa sua cabeça! - apontei na cara dela, totalmente puto. - Mas me arrependo de não ter feito. Pelo menos ela não é uma vadia.

    - Olha como você fala da minha mina, Uchiha.

    Gaara empurrou minha mão para o lado, bruscamente. E minha ira explodiu. O empurrei bruscamente, e ele quase que perdeu o equilíbrio, e me empurrou logo em seguida.

    - Ficou maluco, seu animal?

    - Maluco vai ser o meu soco nessa sua cara, seu vacilão de merda. - ralhei, avançando para acabar com aquele idiota, mas Ino se pôs em nossa frente, nos impedindo.

    - Parem com isso, vocês dois! Estão chamando a atenção de todos.

    - Pois que chame! - gritei, olhando para ela. - Pelo menos todos vão ver a vadia que você é.

    - Fala isso de novo da minha namorada que eu arrebento você, seu bosta. - Gaara ralhou, tentando avançar para cima de mim.

    Sorri sarcasticamente e dei um passo para trás.

    - Não vale a pena brigar por porcaria. Vocês se merecem. - virei meus calcanhares e saí de lá o mais rápido que pude.

    Eu estava com muita raiva, mas não raiva de ciúmes, e sim por eu ter bancado o idiota esse tempo todo. Eu queria matar a Ino, por ter me feito de trouxa, e Gaara, por ter sido tão cínico. Eu já não ia muito com a cara dele, e agora, eu não o suportava.

    Saí do campo com a cabeça fervendo. Entrei no estacionamento iluminado pelas luzes azuis dos refletores. Deveria ser quase oito da noite. Chutei a grade que dividia o estacionamento com o pátio da escola, descontando a minha raiva.

    Burro.

    Eu era um burro.

    Um idiota.

    Aproximei da grade e apoiei minhas mãos nela, abaixando a minha cabeça, tentando me controlar. Eu queria voltar lá e arrebentar a cara daquele imbecil. Queria destroçar aquele sorrisinho debochado que tanto me irritava.

    Senti uma mão em meu ombro, e com toda fúria, virei meu corpo totalmente para frente, e cego de raiva não consegui ver quem era.

    - O que é, porra! - gritei com toda a minha força, eu pensava que era Naruto que tinha vindo atrás de mim ou a vadia da Ino. Mas me enganei, enquanto eu olhava o rosto assustado da... - Sakura?

    - Sou eu. - sua voz saiu um pouco trêmula enquanto ela dava dois passos para trás.

    Fechei os olhos e suspirei profundamente, tentando me acalmar.

    - Desculpa. - abri os olhos e a fitei. Ela parecia acanhada em se aproximar. - Eu pensei que fosse outra pessoa.

    - Tudo bem. - ela sussurrou, e deu um passo para frente. - Você está bem?

    Soltei uma risada sarcástica, encostando as costas na cerca, olhando para o céu enublado.

    - Eu pareço bem?

    - Não. - murmurou. - E-eu vi de longe o que aconteceu. Você e a...

    - Não termine de falar o nome daquela vadia. - a interrompi, grosseiramente, mas me arrependi amargamente quando vi seu olhar magoado. Algo se quebrou dentro de mim quando falei assim com ela.

    Eu estava puto, e estava descontando na pessoa errada, na pessoa que era a mais importante para mim.

    Dei alguns passos até parar em sua frente, e a abracei, enterrando o meu rosto em seu pescoço. Aquele cheiro floral me embriagava, e aos poucos eu começava a me acalmar. Senti suas mãos rodearem a minha cintura, e a apertei mais contra mim.

    - Me desculpe. - murmurei, minha voz saindo abafada. - Eu sou um idiota. Acabei descontando a minha raiva em você

    - Tudo bem, e-eu entendo.

    Apertei mais contra mim, queria que aquele abraço durasse para sempre. O seu cheiro era bom, e o que estava mais me deixando louco, eram as suas mãos nas minhas costas nuas. Pois eu estava ainda sem a camisa, e nem sabia onde ela havia parado.

    - Eu sou um otário. - eu disse, assim quando nos afastamos.

    Ela agarrou o meu rosto com as suas duas mãos, me fazendo olhá-la nos olhos. Aquilo havia me pegado um pouco desprevenido.

    - Você não é nem um pouco. Aquela lá que não sabe a pessoa maravilhosa que você é. Muitas garotas queriam um cara como você ao seu lado.

    Balancei a cabeça negativamente.

    - Não quero mais saber de namorada por um bom tempo.

    Ela abaixou o olhar para o chão, parecia triste.

    Não entendia o porque dela ficar assim. A minha vontade era agarrá-la, cuidar dela para que nada de mal a acontecesse. Sakura era a garota mais incrível que eu já conheci. Só ela que me entendia, só ela que está sempre comigo nos momentos mais difíceis. Eu não sei como minha vida seria se ela não estivesse mais perto de mim. Eu não conseguia mais viver sem aquela garota. Eu estava... completamente apaixonado por ela.

    Droga, como eu fui tolo o bastante por não perceber que o que sentia por Sakura não era uma simples amizade. Eu há amava esse tempo todo, desde a primeira vez que a vi.

    Levei minha mão até seu queixo e o ergui para cima, fazendo aqueles olhos tão verdes como uma pedra brilhante de esmeralda, fitarem os meus. Seu rosto era delicado como de uma boneca, seus cabelos estranhamente cor-de-rosa, e seu jeito destrambelhado, certinho e tímido tinha me pegado de jeito.

    Fitei sua boca levemente vermelha, que contrastava com o rosto corado. Eu queria beijá-la. Queria saber o sabor de sua boca contra a minha. Mas eu tinha certo receio dela não sentir o mesmo que eu. Eu tinha receios de sua rejeição. Não queria ficar sem a minha amiga. Não podia me arriscar a esse ponto, eu não iria aguentar perdê-la, pois não iria conseguir lidar com aquela perda importante para mim, depois de minha mãe.

    Afastei-me dela, sentindo meu coração tão acelerado que conseguia ouvi-lo. Sakura olhou para os lados, parecia constrangida.

    - Eu preciso ficar sozinho. - virei-me, ficando de costas para ela.

    - Tem certeza? - ela perguntou, hesitante. - Você não perece muito bem.

    - Não se preocupe. Vou ficar bem. Só preciso esfriar a cabeça.

    Silêncio.

    - Tudo bem. - ela respondeu baixinho. - Quando você estiver melhor e quiser conversar, você sabe onde me achar.

    Virei meu rosto para olhá-la. E eu nunca a vi mais linda naquele uniforme vermelho da banda como ela estava naquele momento, segurando o chapéu nas mãos.

    - Eu sei. - tentei sorri. - Você é uma ótima amiga. A melhor.

    Nunca uma palavra havia saido com o gosto tão amargo. E odiei-me por dizer aquilo.

    Ela sorriu, parecia desconcertada.

    - Vo-cê também é um ótimo amigo. Melhor amigo. - seus olhos brilhavam. Aquilo eram lágrimas? - Tchau.

    - Tchau.

    Ela saiu rapidamente, não ousou nem uma vez olhar para trás. Acompanhei todo o seu trajeto com meu olhar, até perdê-la de vista.

    Suspirei pesadamente. Eu me sentia um lixo.

    Melhor amigo.

    Era isso que ela me considerava, um amigo. Acho que eu tinha feito bem em não beijá-la. Evitei perder a pessoa que mais amo.

    Suspirei.

    Como eu sou um azarado.


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