Você Pertence a Mim

Tempo estimado de leitura: 2 horas

    10
    Capítulos:

    Capítulo 2

    Maluquinha

    Linguagem Imprópria

    Olá.

    Peço desculpas pela demora em atualizar, mas garanto que postarei todos os capítulos hj.

    Boa Leitura.

    VOCÊ PERTENCE A MIM

    S A S U K E

    A vida sempre está à espreita para nos pregar peças e mudar o rumo do nosso destino quando nós menos esperamos. Digo isso por experiência própria. Perder a minha mãe havia sido uma das piores experiências que a vida pode fazer eu passar. Uma hora eu tinha tudo, um lar harmonioso, uma mãe carinhosa, um pai presente, e um irmão para ser idolatrado. E de uma hora para outra, isso escapou pelas minhas mãos, o pilar que sustentava àquela família, a minha família, não estava mais entre os seres humanos vivos. Sofri muito, me senti sozinho, abandonado, minha família havia desmoronado. Meu pai passou a ser de pai presente para pai ausente, mal o via. E Itachi passou a ser de irmão idolatrado para irmão detestado. Bom, não que eu o odeie agora, mas naquela época eu o odiava, assim como eu odiava o meu pai ausente, como eu odiava o resto do mundo.

    Depois de meses de transtornos, desavenças, e problemas que surgiam a cada minuto, meu pai tomou uma decisão de nos mudarmos daquela casa que exalava as lembranças de minha mãe, assim como a cidade.

    Eu me lembro o dia quando me mudei para a casa amarela de dois andares com uma vizinhança calma. Também lembrava da garotinha tímida de cabelos cor-de-rosa que usava um vestido branco com estampas de cerejinhas, que me observava de longe quando eu estava sozinho no final do quintal, corroendo-me por dentro do por que a vida tinha sido cruel em tirar a mãe de um filho. Eu só tinha doze anos!

    Foi um momento difícil, mas consegui superar, a dor que eu sentia no peito havia se transformado saudades, e eu só consegui superar essa nova fase de minha vida por causa dela.

    Sakura Haruno, a criatura mais meiga, encantadora e adorável que eu tive a sorte e o prazer de conhecer. Era tímida, sorridente, inteligente e extremamente irritante.

    A nossa amizade surgiu no pior momento da minha vida, e com seu jeito tímido e cativante conseguia fazer com que cada dia fosse um dia diferente e com menos dor.

    Devo muito a Sakura, adoro sua companhia, eu podia ser eu mesmo e não precisava sempre bancar o cara legal para agradar os outros. Às vezes eu me pergunto, como que ela aguentava os meus dias de rabugice, mas agradecia internamente por ela ter tanta paciência de me aturar. Minha confiança na Sakura é cem por cento, e por me sentir tão a vontade a sua presença, que ela sabia da minha vida toda de trás para frente. Ela era a minha confidente pessoal, minha conselheira, a única me entende.

    Conforme o tempo passava e a gente crescia, eu não era mais o mesmo de antes, havia feito mais amizades, ganhei popularidade, me tornei capitão do time de futebol, minhas notas era excelente, e namorava a garota mais linda do colégio. Todo esse status era tudo o que um cara de dezoito anos queira nos seus dias de ensino médio, mas eu não me sentia completo com tudo isso. Eu sentia que faltava algo, uma peça chave importante que deixaria minha vida melhor, mas não conseguia saber o que era. Mas eu tentava ignorar esse detalhe, meus dias de colegial estavam no fim, e em breve iria me tornar um universitário, um caminho a vida adulta.

    Esse fim de ano letivo estava bem turbulento e mal tinha tempo para nada, estava bastante ocupado em estudar para as provas finais, estudar para o vestibular, e treinando para o jogo da intercolegial que seria semana que vem. Eram tantas coisas que minha vida social estava zero, mal tinha tempo de conversar com a Sakura, o máximo era um Oi quando a encontrava de vez enquanto. Mas também, pelo jeito que a Sakura era nerd, ela completamente estava sem tempo para as amizades também.

    Sentia falta de nossas conversas na frente de casa, sentia falta de zoar um pouco com ela e deixá-la irritada. Às vezes eu me perguntava, por que a Ino não poderia ser que nem a Sakura? Bom, eu gosto da minha namorada, mas tinha horas que ela era insuportável. Aliás, de uns dias para cá, eu não estava a suportando. Suas crises ridículas de ciúmes bobos estava me tirando do sério. Eu não entendia o seu ciúme com a Sakura, não entendia sua implicância com a garota que nunca lhe fez nada. E com isso, Sakura era sempre o motivo de nossas brigas, e a coitada não tinha culpa de nada. Ino que era paranoica e levantava teorias sobre a minha amizade suspeita. E eu não iria acabar com a minha amizade de anos com a Sakura por um ciúme idiota de Ino.

    E com isso, Sakura novamente foi a protagonista da minha mais nova briga com ela. E depois de escutar seus gritos histéricos do outro lado da linha, eu desliguei o telefone na cara dela e o joguei na cama.

    Eu estava puto, e me perguntava até onde iria aguentar aquilo. Nosso namoro estava indo pelo ralo, e a culpa era toda dela.

    Bufei, passado a mão na cabeça, tentando amenizar um pouco a raiva, e meus olhos desviaram para a janela, e a vi em seu quarto, sentada na sua cama em posição de Buda, com um monte de livros e cadernos espalhados a sua volta.

    Não sei o que acontece nessas horas, Sakura parecia ser algum tipo de feiticeira que tinha o poder de me acalmar, só bastava olhar para ela para que eu sentisse uma paz.

    Sua atenção estava em mim, completamente deveria ter assistido de camarote a minha briga com Ino pelo celular.

    O canto de minha boca se curvou automaticamente num miserável sorriso, só queria que ela soubesse que eu estava bem. E fui retribuído por um de seus lindos meio sorrisos, foi o bastante para reconfortar meu peito. Naquela hora estava me segurando para não ir até lá e encher seus ouvidos com minhas lamúrias e meus dramas. Sabia que ela não iria se importar, mas também sabia que se eu fosse lá, iria atrapalhar seus estudos, e eu também tinha que estudar para um teste amanhã.

    Ela desviou os olhos de mim, mexeu no caderno que estava em seu colo e começou a escrever, para logo mais levantar o caderno com sua frase escrita.

    Aquele era um hábito que havíamos adotado no começo de nossa amizade, época que eu era um idiota que tentava a ignorar, foi assim que ela começou a se aproximar de mim.

    Depois de uma troca de bilhetes - via janela - fiquei a observando por um tempo, ela parecia alheia ao mundo real, fazia caras e boas, era engraçado. Algumas mechas de seu cabelo rosados estavam se soltando daquele coque. Havia sido pouca as vezes que eu a vi com aquele cabelo solto, ela geralmente sempre os mantinham presos. Assim como as roupas largas que usava, os tênis desgasto, e àqueles óculos que ela nunca tirava. Sakura era uma figura perfeita de nerdisse, mas eu não me importava o jeito como ela se vestia, eu gostava dela daquele jeito, atrapalhado e engraçada.

    Sorri.

    Desviei meus olhos para o bloco de folhas e comecei a paginá-los até parar em uma que eu havia escrito a muito tempo. Aquela frase que havia escrevido quando eu tinha quatorze anos. Ainda estava ali, meu segredo mais íntimo que nem mesmo Sakura sabia. Não tive coragem na época de mostrar para ela quando nos comunicávamos...

    - Ei, cabeção, seu amigo está lá em baixo. - Itachi abriu a porta do meu quarto de repente.

    Assustei-me, dando um pulo da cadeira e escondendo aquele bloco de folhas dentro da gaveta, e me virei para o meu irmão que me olhava com a sobrancelha arqueada, daquele jeito debochado.

    - O Naruto está lá embaixo? - agradeci por meu tom ter saído normal.

    Caminhei em direção a porta, desliguei a luz e saí do quarto.

    - Não, a Britney Spears. - revirei os olhos. - Claro que é o idiota do Naruto, quem mais seria?

    - Idiota. - resmunguei, passando por ele e descendo as escadas, dando de cara com um Naruto sentado no sofá, totalmente largadão. Folgado.

    - Não precisa ficar nervosinho não, sei que estava falando com a sua amiguinha. - Itachi disse baixo, perto do meu ouvido, enquanto terminávamos de descer as escadas, atrás de mim.

    Ergui meus olhos para ele, o imbecil estava com aquele sorriso escroto na cara.

    - Isso não é da sua conta.

    Seu sorriso se alargou mais, colocando a mão em meu ombro.

    - Escreve o que estou dizendo, irmão, ainda irei ver o casamento de vocês dois.

    - Casamento de quem? - a nossa pequena discursão havia atraído a atenção do Naruto que havia ficado de pé.

    Eu queria matar o Itachi para ele deixar de ser linguarudo.

    - De ninguém. - dei um fim aquele assunto, lançando um olhar puto para aquele boca grande, mas aquele infeliz adorava me irritar.

    - Do Sasuke com a vizinha do lado. - ele sorriu debochado para mim, e me segurei para não avançar naquele idiota.

    - A Sakura? - questionou Naruto, e depois seus olhos focaram em mim e gargalhou com vontade. - Tá na cara que a Ino é carta fora do baralho, com a rosadinha na parada. Ai.

    Dei um tapa em sua cabeça.

    - Para você parar de falar merda.

    - Porra, Sasuke, não precisa me bater também, né? - ele resmungou com a mão na cabeça.

    - Meu irmãozinho é muito tolo mesmo. - disse Itachi, balançando a cabeça e caminhando para a cozinha.

    Idiota

    Voltei minha atenção para Naruto que resmungava algo baixinho, massageando o local onde bati.

    - O que você quer, Naruto?

    - A Galera está indo para o fliperama, matar o tempo, e eu vim te buscar nós ir.

    - Não vou. - eu disse. - E caso não se lembre, amanhã tem teste de física.

    - Ah... - ele coçou a cabeça, e sorriu amarelo. - Acabei me esquecendo do teste. - revirei os olhos. - Mas você está estudando para nós dois, irei sentar atrás de você amanhã.

    Mas o quê?

    Franzi o cenho, era muito folgado mesmo.

    - Nem fudendo, eu me ferro estudando e você tira nota boa nas minhas custas? Por que não vai se foder?

    Comecei a empurrá-lo em direção a porta de saída.

    - Qual é Sasuke? - ele tentava virar seu corpo para trás, querendo me ver. - Vai fazer isso comigo? Sou eu cara, Naruto, seu amigo, seu parça, seu brother?

    Abri a porta e o joguei para fora, ele quase que foi ao chão, mas havia conseguido o equilíbrio.

    - Foda-se. - bati a porta na sua cara e caminhei com passos pesados, subindo as escadas, e logo já estava no meu quarto.

    Meus olhos desviaram para a janela, especialmente o quarto de minha vizinha, mas não havia ninguém, e as luzes estavam apagadas. Suspirei, e passei a cortina, peguei meu livro de física e me joguei na cama e comecei a estudar para o teste.

    Depois de um tempo estudando e concentrado nas fórmulas que eu desenvolvia as contas, a música que soava lá fora começava a tirar todo o meu foco. No começo eu tentei ignorar, mas conforme os minutos se passavam, o volume aumentava, e nessa hora eu já estava bolado.

    Levantei-me da cama, queria ver quem era o idiota que não tinha consciência que estava atrapalhando o sossego das pessoas. E ainda por cima escutar Avril Lavigne, e um música bem irritante.

    Parei em frente à minha janela e abri um pouco da cortina. Fiquei sem reação com a cena da minha vizinha em seu quarto, pulando e cantando aquela música ridícula. Foi inevitável não rir com seu jeito desajeitado, dançando em cima da cama, com uma escova na mão imitando um microfone, e dublava a música enquanto tentava fazer uma coreografia estranha.

    Eu tentava prender a risada, mas eu estava falhando. Sakura estava muito engraçada e alheia ao mundo que a espionava - vulgo, eu - a sua vida secreta de pop star, e esse era o melhor show que eu assistia, pois Sakura conseguia me fazer sorrir mesmo sem querer. E eu adorava ver aquela rosadinha maluquinha em seus melhores dias.


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