Lua de Sangue

Tempo estimado de leitura: 10 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 19

    Diferente

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Pessoal, olá!

    Bom, espero que estejam gostando da leitura. E eu queria dizer que esse é o último capítulo pronto. E em breve darei continuação a história.

    Boa Leitura.

    Posso dizer que não consegui dormi a noite inteira, até por que, eu havia dormido por duas semanas. Era normal não ter sono a noite, certo? Passei a noite inteira sentada na janela de meu quarto, pegando toda a friagem da madrugada, perdida em meus devaneios. Àquelas horas sozinha comigo mesma, havia me feito refletir sobre algumas questões: Eu era agora uma bruxa completa. Havia despertado alguns de meus dons, e não tinha o total controle sobre eles. Era um pouco assustador. Havia tido a minha primeira experiência paranormal, e feito uma promessa a um espírito desconhecido que cuidaria de sua filha, a garota mais problemática que já conheci, que por conhecidência, era a minha parceira de biologia. E por último, iria conhecer a família de meu namorado, que era um lobisomem, e tinha total conciência de que sua gente não gostava de bruxas. E eu era uma bruxa, uma bruxa patética para falar a verdade.

    Suspirei. Fitei meu reflexo no espelho do banheiro. Mesmo passando por todo um ritual, dormido por quase metade de um mês, e despertado renovada, isso não evitou que as olheiras aparecessem em torno de meus olhos, depois de uma noite em claro. Minha expressão era péssima. Depois iria me certificar com Tsunade se existia alguma magia ou porção, sei lá, alguma coisa que fizesse nunca ter olheiras. Aliás, algo de vantajoso deveria ter nesse mundo de bruxarias, não é?

    Terminei de fazer minha higiene matinal, voltei para o quarto e me arrumei para o colégio. O dia hoje prometia ser bem cheio. Voltaria a minha rotina acadêmica, e enfrentaria as perguntas curiosas de meus amigos curiosos. Teria que pensar em algo que pudesse me aproximar de Hinata sem que ela se afastasse de vez. E entrar na toca do lobo.

    Esse último tópico era o que mais me deixava nervosa. Havia projetado cenas de como seria esse encontro, e às perguntas eram todas óbvias e cheias de serás.

    Será que eles iriam gostar de mim? Será que eles iriam me odiar? Será que eles agiriam educadamente comigo, mas por dentro se queimariam de ódio por ver seu filho com uma bruxa?

    Era complicado, e a cada hora que se passava, era uma hora a menos que faltava, o que me deixava mais tensa.

    Terminei de me arrumar, peguei a mochila e o celular que estavam na cama e saí do quarto. Tsunade, como todas às manhãs, estava terminando de por à mesa. Ela abriu um sorriso quando me viu entrando.

    - Bom dia, querida.

    - Bom dia. - respondi enquanto puxava a cadeira e me sentava.

    - Dormiu bem?

    Sorri cansada e coloquei um pouco de suco no meu copo.

    - Nem um pouco.

    - Você não dormiu a noite?

    Ergui meus olhos e a fitei, as suas sobrancelhas estavam levemente franzidas.

    - É meio impossível ter algum sono depois que despertei de um sono de suas semanas.

    - Acho que você tem razão.

    Vovó sentou-se na cadeira e começou a se servir com seu café. Ao contrário da minha fata de sono, a fome estava sempre presente, posso que dizer que comi bastante naquela manhã.

    - Como está se sentindo? - a sua pergunta repetina quebrou o silêncio que havia começado a reinar na cozinha.

    Terminei de mastigar aquele pedaço de torrada e refleti por alguns segundos àquela pergunta. Como eu estava me sentindo? Era estranho, eu me sentia estranha, mesmo que minha aparência dizendo o contrário. Eu estava...

    - Diferente. Acho que é isso que me denomina nesse momento da minha vida... - balancei a cabeça para os lados. - Não entendo muito bem esse lance de bruxa, mas me sinto mais forte.

    E um pouco conectada com a natureza, já que passei a noite inteira pegando aquela friagem da madrugada e não havia me incomodado tanto.

    - Você vai entender a natureza de seus poderes aos poucos. - disse vovó. - É tudo questão de tempo. Você evoluiu muito. Se continuar se dedicando a trabalhar em seus dons e buscar por mais conhecimento, os seus poderes desabroxarão mais rápido e você terá mais controle sobre eles.

    - Entendo. Eu agora me sinto conectada com algumas coisas, principalmente a floresta. Sinto alguma coisa me puxando para ela.

    - São os espíritos da natureza se comunicando com você. Caso tenha esquecido, a natureza é a maior aliada de uma bruxa.

    - A senhora já disse isso. - retruquei, fitando algo invisível na mesa. - Agora eu entendo... um pouco.

    - De qualquer forma, sei que você vai se sair bem no final.

    Ergui meus olhos e a fitei.

    - E como a senhora pode ter tanta certeza disso?

    O canto esquerdo de sua boca ergueu-se para cima.

    - Por que você é uma legítima Senju.

    Sorri pouco comprimido, desviando meus olhos para o lado. A certeza que Tsunade tinha em mim e no quanto eu podia ser talentosa, me deixou um pouco mais confiante naquele momento. E mesmo não aparentando muito, eu não era uma bruxa qualquer, eu era uma Senju. Aquele fato só mostrava o quanto eu podia ser forte, e isso só dependia de mim mesma. E pelo respeito que as pessoas que sabiam do peso daquele sobrenome tinham por ele, só mostrava o quanto eu tinha que batalhar muito ainda para honrar aquele nome. E não iria ser por mim que o sobrenome Senju iria ser densonrado, pois eu vou me dedicar muito para honrar o nome que tenho.

    Depois que tomamos nosso café da manhã, Tsunade se ofereceu para me levar à escola. O Tempo lá fora estava meio gelado, as nuvens pouco carregadas cobriam o céu, mas o sol sempre achava uma brecha entre elas para poder brilhar, o que era bom. E mesmo estando um pouco mais íntima com a natureza, a minha opinião com o clima frio não havia mudado.

    Não demorou para que Tsunade estacionasse o Jeep na área aberta do colégio. Saltei para fora, escutando um Boa Aula que ela me desejava e penas murmurei um Obrigada.

    Suspirei fundo, me preparando físicamente e psicológicamente para o dia de hoje.

    Enquanto caminhava por aquela área, via alguns ônibus escolares chegando e outros já estacionados, e no meio de tanta gente que perambulavam por ali, logo indentifiquei Ino e Gaara um pouco mais a frente. Ino foi a primeira a me notar, e sua expressão surpresa em me ver até foi que engraçada, pois seus olhos arregalaram e sua boca se abriu, como se tivesse visto um fantasma. Mas não demorou para que se recuperasse, e sua expressão surpresa desse lugar para um movimento espalhanfatoso, atraindo a atenção de Gaara e de alguns alunos ao redor quando chamava meu nome:

    - Sakura!?

    Ela veio correndo em minha direção, e me segurei para não cair quando seu corpo se chocou com o meu, num abraço desengonçado de urso, acabando com todo o ar de meus pulmões.

    - Ai meu Deus, Sakura, eu não acredito que você está aqui!

    - Ino... - tentei me soltar de seu abraço. - Você... está me... sufocando.

    - Ah, me desculpe. - ela afastou-se de mim e pude respirar melhor, fitei seu rosto, com seus olhos azuis me olhando. - Você está bem?

    - Sim. - tentei sorrir, mas o que saiu estava mais para uma careta, pois havia sentido vibrações energeticas quando ela me abraçou.

    Será por que eu havia despertado os meus poderes de bruxa e esse deve ser outro de meus dons? Não consegui concluir aquela teoria, pois Ino começou a tagarelar:

    - Soube que você sofreu um acidente e estava em coma no hóspital. Eu fiquei preoculpada quando vi que você não vinha mais a escola. Na semana passada eu fui até a sua casa saber o que havia acontecido com você, e aí a sua avó disse do acidente e que você estava no hóspital, mas que não era para eu me preoculpar por que você iria ficar bem. Óbvio que não deixei de me preoculpar, você estava no hóspital e em coma! Como não eu não iria me preoculpar com você? Sua avó nem para me dizer em qual hóspital você estava ela disse. Isso não se faz com uma amiga preoculpada. Sua avó foi muito cruel comigo...

    - Ino, por favor, cale a boca! - repreendeu Gaara com o cenho franzido, parando ao nosso lado. - Deixe a Sakura respirar primeiro. Assim você vai fazer com que ela entre em coma novamente com tantas coisas que está falando.

    - Gaara! - ela fez biquinho, enquanto cruzava os braços. - Eu estava preoculpada, e você também estava.

    Gaara apenas ignorou os protestos de Ino e me surpreendeu com um abraço. Eu retribui, sentindo novamente aquelas vibrações internas, mas eram confortáveis, e aconchegantes.

    - Bem-vinda de volta.

    - Obrigada. - murmurei enquanto me afastava e fitava os dois a minha frente. Tentei sorrir mais uma vez. - Me desculpe por preoculpa-los.

    - Então, o que foi que aconteceu realmente com você? - perguntou Ino.

    - Eu tropecei nos meus próprios pés quanto ia descer as escadas e caí. Desci rolando as escadas de casa, e bati com força a cabeça num móvel e apaguei.

    Observei a expressão deles, pareciam incrédulos com aquela explicação idiota que me fez entrar num coma patético.

    - Uau! - exclamou Gaara.

    - Caramba... Quando é que foi você saiu do hóspital?

    - Ontem.

    - E já veio para escola hoje? - Ino sempre muito atenta nos detalhes.

    - Perdi muito tempo de aula, minha avó não iria me deixar mais tempo em casa. Eu estou bem. - sorri amarelo. - Ahn... eu tenho que ir na secretaria entregar o atestado.

    - Eu vou com você. - Gaara se ofereceu.

    - Eu também vou. - disse Ino

    Não havia o que dizer, os dois me seguiam até a secretaria que ficava no prédio um. Eles tentavam naquele pequeno espaço de tempo me atualizar dos últimos acontecimentos da escola enquanto eu varria o pátio discretamente com o olhar, a procura de um certo lobo, mas nem sinal de poeira dele.

    Entreguei o atestado a secretária, e assinei um documento de comprovação. Quando voltamos para o prédio dois o sinal já havia tocado. Encontramos com Tenten lá dentro, ela me abraçou e afirmei que depois explicaria para ela o ocorrido. Mas Gaara alegou que a deixaria ciente da situação enquanto eles subiam as escadas, e Ino e eu iamos por um outro corredor.

    - Me espera quando sair, viu?

    - Eu sempre te espero, Ino.

    Ela apenas curvou seu lábio esquerdo pintado de rosa-pink para cima e foi para a sua sala.

    Quando entrei na sala de biologia, percebi os olhares curiosos sobre mim, completamente cientes da minha estadia no "hóspital", típico de uma cidade minúscula como Konoha.

    Mantive minha cabeça abaixada e fui para o meu lugar. Minha parceira não havia chegado, mas em compensação Rock Lee fazia sua presença, parando ao lado da minha mesa e me olhava com aqueles olhos redondos de amendoa, a expressão surpresa.

    - Sakura, você está boa?

    Sorri, comprimindo os lábios, ignorado o sueter verde com listras laranja e a calça verde musgo que ele vestia.

    - Estou.

    Seu rosto começou a ficar vermelho, e ele teve a ousadia de sentar na ponta da minha mesa, tirando toda a minha visão da porta da sala. Apenas ergui a sobrancelha, sentindo meus sensores vermelhos de alerta contra paixonites de Lee apitarem como sirenes.

    - E-eu fiquei preoculpado quando soube que você estava no hóspital.

    - Agradeço pela sua preoculpação, mas agora estou bem.

    Ele soltou todo o ar, relaxando os ombros.

    - Fico mais aliviado. - suas bochechas ficaram ainda mais vermelhas. - A sala de aula... ela ficou sem graça... err... sem o brilho de sua presença primaveril.

    Senti meus olhos arregalarem. Minha nossa, Rock Lee esstava dando em cima de mim, àquilo era óbvio, tão óbvio quanto o seu cabelo brilhoso que podia ver meu rosto refletindo nele.

    - Ahn... obrigada. - desviei meus olhos para a mochila e começei a tirar o caderno para fora.

    Por que o professor estava demorando tanto para entrar na sala? Por que Hinata não aparece logo para ocupar seu lugar?

    - O professor passou matérias novas.

    Pude relaxar um pouco quando ele mudou o assunto, e aquele assunto me interessava, mas não queria debate-lo com Lee, e sim com Hinata. Eu havia pensado num jeito de me aproximar mais de Hinata, e usar os deveres seria uma boa desculpa para tentarmos um diálogo, e quem sabe uma aproximação de amizade?!

    - É mesmo? Acho que pegarei a matéria com a Hinata.

    Lee balançou a cabeça para os lados.

    - Acho impossível, a Hinata, ela não veio esses dias.

    Franzi o cenho.

    - A Hinata não veio mais para o colégio?

    - Não que eu saiba. Às vezes quando ela não frequenta as aulas de biologia, ela frequenta a de geografia e a de química, que temos juntos, mas ela também não apareceu nessas aulas.

    - Você não sabe de alguma coisa, o motivo dela não vir?

    - Alunos, todos em seus lugares. - a voz do sr. Sarutobi fez Rock Lee ficar de pé rapidamente. Ele virou sua cabeça para trás e o fitou, que já depositava as coisas em sua mesa.

    - Sei de nada. - ele disse, voltando sua atenção para mim. - A Hinata é estranha, ninguém fala com ela, a não ser você e a irmã dela do oitavo ano fundamental. Ela é meio assustadora. Eu tenho que ir para o meu lugar.

    - Tá.

    Lee foi para o seu lugar, assim como os outros alunos que estavam em pé.

    Hinata não havia vindo para a escola nenhuma vez em que eu estive ausente. O que será que aconteceu com ela? O fato de eu ter falado com o espírito de sua mãe e ela ter me feito prometer que cuidaria dela, tinha deixado pouco preoculpada. Espero que Hinata esteje bem e que não tenha feito nenhuma besteira.

    Às aulas passaram que nem percebi, eu estava no meu modo automático, pois minha mente estava em outro lugar. O sinal tocou, me trazendo de volta a realidade e perceber os alunos sairem da sala, e o lugar ao meu lado continuava vazio.

    Ajuntei minhas coisas lentamente, os alunos saiam como se a peste negra estivesse contaminado a sala inteira, me deixando praticamente sozinha. Quando fechava o último ziper da mochila e tomava impulso para ficar de pé, senti uma presença a minha frente. Ergui meus olhos para cima e não pude evitar ficar surpresa quando vi quem era.

    - Oi.

    Precisei de alguns segundos para processar a situação e responder.

    - Oi.

    Silêncio.

    Que situação tosca, ele parecia meio que sem jeito, os olhos desviando para os lados, até parar em mim novamente.

    - Você precisa de alguma coisa? - perguntei, quando o vi que parecia travado.

    Ele levou a mão atrás do pescoço e depois estendeu para mim.

    - Err... sou Sai. Sai Uchiha.

    Olhei para sua mão estendida e depois para seu rosto, pouco hesitante.

    - Sakura Haruno. - e apertei sua mão que era flamejante que nem a do Sasuke.

    - Eu sei. Você é a marcada do Sasuke. - seus olhos apertaram quando ele abriu um sorriso meio que forçado. - Ele é meu primo.

    - Estou ciente disso. - e puxei minha mão de volta.

    - Eu... eu só queria te pedir desculpas por aquele dia. - soltou uma risada sem graça. - Eu não estava com a cabeça no lugar... e eu acabei fazendo besteiras. Me desculpe, tá, se te machuquei ou algo assim.

    - Ah... - balancei a cabeça para os lados, surpresa com sua atitude. - Imagina. Você não me machucou. - sorri sem graça. - O Sasuke me contou o que aconteceu, sei que você não teve culpa. Foi só um pequeno acidente.

    - Ele contou? - ele pareceu surpreso, apenas assenti. - É, ele ficou furioso comigo, e com razão...

    - Não precisa se martilizar com isso, está tudo ok. - sorri novamente, tentendo de alguma forma deixá-lo menos tenso.

    Ele ficou me olhando por alguns segundos, mas depois desviou para o lado. E me lembrei dos relatos de Tsunade e Sasuke. Sai havia voado metros de distância quando usei a telesinesia dentro do círculo mágico.

    - Você se machucou naquele dia? - perguntei.

    Sai voltou a me fitar, e dessa vez deu algumas risadinhas.

    - Aquilo não foi nada. Nós somos mais forte do que você imagina.

    - Fico aliviada que não tenha se machucado.

    Ele sorriu novamente forçado, fechando os olhos com o ato.

    - O Sasuke tem razão. Você é muito gente fina. Eu pensei que como uma bruxa - ele sussurrou a palavra bruxa. - você seria mais arrogante, metida. Você é diferente.

    - Ahn, obrigada pelo elogio. - disse, pouco desconcertada. - Você é bem... simpático.

    Ele riu, e dessa vez eu achei sincero naquela risada

    - Tento dar o meu melhor.

    E novamente o silêncio se formou, o assunto havia acabado.

    E como um meio de sair daquela situação estranha, coloquei a mochila no ombro esquerdo e comecei a sair, rodeando a mesa para o corredor de cadeiras.

    - Eu tenho que ir.

    - Ah, tá. - ele abriu espaço para eu passar.

    Quando percebi que ele continuava parado, virei minha cabeça para trás quando estava perto da porta.

    - Você vai ficar aí?

    Ele apenas assentiu com a cabeça positivamente.

    Apenas dei as costas e saí da sala e dando de cara com Ino me esperando com as costas colada na parede, a expressão impaciente no rosto.

    - Vamos?

    Ela ergueu os olhos para mim e franziu o cenho.

    - Caramba, você demorou. Pensei que já tinha ido sem mim.

    - Eu estava conversando com um... colega.

    - Hm.

    Nós fomos para a aula da sra. Mitarashi, enquanto conversávamos banalidades... quer dizer, Ino conversava banalidades, já que eu havia me colocado em meu modo automático, e agido no automático na aula de história, e Japonês. E depois de algumas horas bem torturantes, o sinal do intervalo soou, para o meu bem psicológio. Estava morreno de vontade de ver o Sasuke, de abraçá-lo e beijá-lo. E enquanto ia até o refeitório comprar algo para comer, eu o procurava com o olhar para ver se eu o via, mas nem sinal dele.

    Depois que comprei meu lanche na cantina, fui direto para a mesa do lado de fora onde passava com meus amigos. Todos os três estavam lá, e posso que dizer que Tenten havia me enchido de perguntas sobre o meu estado de saúde depois do meu "coma". Fiz o meu melhor para que as minhas respostas soassem natural, e que não denunciasse a grande mentira... bom, em partes, pois eu realmente estava num possível coma, mas não num hóspital e sim em casa.

    Por alguns minutos eu havia esquecido de procurar por Sasuke pelo pátio aberto, haviam sido duas semanas sem a minha presença na escola, e todos os três queriam me deixar informada com o que aconteceu naqueles dias, todos os três queriam a minha atenção. Principalmente Ino, ela era a que mais tagarelava.

    Eu assentia com a cabeça e respondia as perguntas deles, enquanto comia meu sanduiche. Mas de repente senti algo aquercer meu peito, meu coração começou a acelerar nas batidas. Eu já estava familiarizada com aqueles sitomas, e sabia perfeitamente o que aqueles sitomas indicavam. E antes que eu pudesse começar a reagir, Sasuke apareceu, ali, na mesa onde eu estava com Ino, Gaara e Tenten. Não era nem preciso mencionar o quanto eu havia ficado surpresa em vê-lo ali, já que ele havia mencionado antes que não podiamos ser visto em público. Apesar desse pequeno detalhe estivesse com os dias contados, havia passado algum tempo que a gente namorava escondido por detrás do colégio que eu até estranhava em vê-lo ali.

    - Sakura. - a sua voz grossa e aveludada fez meu coração bater mais, seus olhos negros como um mar de trevas me fitando intensos, contribuia para que as borboletas em meu estômago ficassem mais agitadas.

    Por um lance de segundos desviei meus olhos para Ino, Gaara e Tenten, e eles mantiam a atenção fixa em Sasuke, estavam chocados para dizer a verdade. Eu também estava surpresa por vê-lo ali, exposto a curiosidade humana que nos redeava.

    - Hm? - voltei a fitá-lo, estava me sentindo uma idiota, pois não sabia como reagir a aquela situação em que Sasuke havia provocado.

    - Vim te chamar para sertarmos na outra mesa. - seu tom era tão calmo e sereno que me causou inveja.

    - Outra mesa?

    Como resposta ele apenas ergueu as sobrancelhas, sentia algo de diferente em mim, um sentimento de agitação, e sabia que esse sentimento era de Sasuke que passava para mim pela linha invisível que nos conectava.

    Me levantei daquele banco, atraindo atenção dos meus amigos para mim. Podia sentir as minhas bochechas ficando quentes, odiava quando não conseguia controlar aquele detalhe irritante que eu tinha.

    - Err... Eu vou com ele, tá. - eu disse, os fitando. - Não precisam me esperar.

    Tenten franziu o cenho. Ino estava com os olhos mais abertos que o normal. E Gaara, bom, não sabia definir a sua expressão. Mas não dei chances para eles questionarem minha ausência na mesa, peguei meu lanche e fui o mais que depressa acompanhar Sasuke. Ele ousou em pegar em minha mão, transpassando seu calor de lobo para minha, e revelando para os olhos que nos fitavam, o nível de intimidade que tinhamos um com o outro. E se eu estava contente? Claro que sim, mas também estava envergonhada por ter atraido a atenção das pessoas para nós. Eu odiava ser o centro das atenções.

    - O que pretende fazer causando um impacto na escola? - comecei, a voz soando baixa enquanto seguiamos andando para uma mesa redonda bem afastada das outras. - Meus amigos nem conseguiram falar devido ao choque.

    Ele me fitou de ombro, a sobrancelhas erguidas novamente.

    - Você fala como se eu estivesse cometendo uma terceira guerra mundial.

    - Não exatamente uma guerra mundial, mas um ataque alienígena quase provável.

    Dessa vez Sasuke gargalhou.

    - Ataque lienígena? Essa é boa.

    Tive que me controlar para não dar na pinta o quanto eu fiquei apaixonada com sua risada.

    - É sério, não sabia que demonstrações em público fosse seu forte.

    - Eu só fui buscar a minha namorada para passar o intervalo comigo. O que tem de mal nisso?

    Mordi o lábio rapidamente, desviando meus olhos para frente. Ignorando meu coração idiota que batia no ritmo de uma britadeira.

    - Teoricamente falando, nada, para um casal normal. - ergui meus olhos para ele, que continuava me olhando. - Mas você é Sasuke Uchiha, o cara incansável do colégio. Isso dar um pouco de impacto em suas ações.

    O canto esquerdo de sua boca ergueu-se para cima, num pequeno sorriso de lado, debochado.

    - E posso saber aonde você andou se informando a meu respeito?

    Chegamos a mesa redonda de concreto pintado de branco, e sentei-me no banco, Sasuke sentou-se ao meu lado, colocando seu çanche em cima.

    - O banheiro feminino, os corredores... - respondi, enquanto depositava meu suco na mesa. - você é muito famoso, todas as garotas te acha o máximo.

    Dei uma mordida no meu sanduiche, sem quebrar aquele contato visual, e ignorando o fato de Sasuke estar ficando cada vez mais próximo.

    - Elas são um bando de tolas. - e roubou um selinho de mim enquanto eu mastigava meu sanduiche.

    Não consegui segurar o sorriso que escapava de minha boca, enquanto afastava minha cabeça para trás, vendo-o abrir um sorriso travesso. Lindo.

    - E aquele lance de namorarmos escondido? - perguntei, dando um gole do meu suco, vendo-o começar a comer seu pedaço de pizza.

    - Não vejo por que nos escondermos agora, a nossa situação está quase resolvida.

    - Quase resolvida, não é resolvida. - umedeci os lábios com a ponta da língua. - Acho que tem uma boa parcela de chance de seus pais me rejeitar. Tudo é possível.

    Era notável a minha insegurança naquela frase, eu havia passado a noite inteira matutando esse encontro com seus pais, e todas as minhas teorias e suposições eram negativas. Eu estava extremamente nervosa, não com o fato da família dele ser licantropos, mas sim por que era a primeira vez que eu era apresentada formalmente para os pais de um namorado. E Sasuke era o meu primeiro namorado.

    Sasuke terminou de comer aquele único pedaço de pizza e deu um gole generoso de sua Coca Cola. Seu rosto ficou sério, sem nenhum vestígio de humor.

    - Sakura, entenda, nem a minha família e a minha alcatéia podem se intrometer entre a gente, por que você é a minha marcada. É a nossa lei mais absoluta, não só em minha alcatéia, mas como em outras que existem nesse mundo. Um Lycan nunva deve interferir nos marcados de outro Lycan. Meus pais, assim como a alcatéia vão ter que aceitar você, uma bruxa. Você está trassada no nosso destino, isso é um fato.

    - Mas...

    Ele me calou com três dedos em meus lábios.

    - E sem, mas. Você é minha... - seus olhos fitando no fundo dos meus - e eu sou seu.

    Desde a primeira vez que eu o vi, nunca passou pela minha cabeça que aquele garoto hóstil que ignorava as regras de etiqueta e que fazia gestos grosseiros fosse um cara extremamente incrível. A cada dia Sasuke demonstrava o seu lado gentil e carinhoso, suas demonstrações de afeto comigo me fazia a garota mais especial do universo, a única. Sabia que estávamos chamando atenção por estarmos conversando e trocando carícias, mas meu sistema de ignorância fazia com que eu criasse um mundinho invisível só nosso que nos isolava das outras pessoas.

    - Eu te amo. - aquela frase saiu automaticamente. Sasuke era simplesmente uma criatura apaixonavel. E eu estava incondicionalmente apaixonada por ele.

    O canto de sua boca ergueu-se para cima, e sua mão afagou o meu rosto, me fazendo fechar os olhos e usurfruir de seu carinho que a sua mão flamejante me proporcionava.

    - Eu também.

    O sinal do término do intervalo tocou. Abri meus olhos, e me ajeitei no banco, voltando a tomar o resto do meu suco.

    - Se te convidasse para matar a aula, você aceitaria?

    Sorri, tentando comprimir os lábios.

    - Eu diria que sim, mas vai ter que ficar para uma próxima. Faltei muitos dias, perdi muita matérias. Sem chance.

    - Já imaginava. - ele fez uma pequena careta.

    Levei minha mão em seu rosto e o puxei para mim, nos beijamos. Sasuke aproveitou e levou sua mão em minha cintura, me puxando mais para si, mas o espaço vazio entre um banco e outro era um pouco grande para conseguir tal proeza. O nosso beijo encerrou com vários selinhos.

    - Estava pensando em irmos para a minha casa depois da escola, o que você acha?

    - Ahn... eu pensei em você me buscar em casa... sabe, eu queria um tempo para me preparar psicólogicamente e não fazer nada de errado.

    Sasuke segurou meu rosto com as duas mãos.

    - Sakura, você não precisa ficar nervosa, meus pais não são bichos de sete cabeças.

    - Só lobos.

    Ele sorriu de lado.

    - O que mais tem. Mas eles vão gostar de você, confie em mim.

    - Eu confio. - fui sincera em minhas palavras, eu confiava nele. - Mas eu preciso desse tempinho... por favor.

    - Tá. - ele e deu por vencido, suspirando em seguida. - Te pego as três e meia, está bom para você?

    - As três e meia. - assenti com a cabeça, e o beijei novamente.

    O pátio estava quase todo vazio quando resolvemos nos apressar para a próxima aula, e não era preciso dizer que chegamos na aula de matemática atrazados. O sr. Hatake nos advertiu com um pequeno sermão de que não admitia atrazos como aquele. Naquela hora eu quis cavar um buraco e me enterrar, pois todos na sala nos fitavam e cochichavam uns com os outros. Sasuke apertou mais a minha mão, transpassando um pouco de conforto e fomos nos sentar em nossos lugares. A aula de matemática passou lentamente, e comigo e Sasuke trocando olhares e pequenos sorrisos cúmplices.

    Depois de mais quatro aulas, finalmente eu podia respirar o ar frio do lado de fora enquanto ia para o ônibus amarelo escolar. Sentei-me no lugar onde sempre me sentava com Gaara e não demorou muito para ele sentar ao meu lado enquanto digitava algo no celular.

    Observei ele terminar de digitar e depois guardou o celular na mochila, voltando sua atenção para mim. Ele sorriu comprimindo os lábios, e eu retribuí.

    - E aí?

    - E aí.

    - Você fez falta nesse ônibus. - ele disse, me fazendo sorrir mais.

    - Mas agora estou de volta.

    O ônibus tomou a partida e começou a sair do estacionamento aberto.

    - Eu seria indelidado se te perguntasse se você está com o Uchiha?

    Era claro que eu esperava por aquela pergunta, não só por Gaara, mas por Ino e Tenten também. Sabia que iria ter que lidar com as perguntas curiosas.

    - Nós estamos juntos. - eu disse, e pude ver seus olhos verdes abrirem um pouco, surpresos. - Chocado?

    - Um pouco... - e desviou a atenção para sua mochila no colo. - Pensei que você não fosse muito com a cara dele.

    - Eu não ia. Acho que aquele lance de que os opostos se atraem deve ser verdade.

    Agora ele ergueu a cabeça e me fitou, soltando uma pequena risada nasal.

    - Pelo jeito sim.

    Silêncio.

    - E você? - perguntei, trazendo sua atenção para mim novamente.

    - O que tem eu?

    - Você melhorou daquela tontura?Fiquei preoculpada naquele dia.

    Não havia descartado inteiramente a possibilidade de Gaara ser um lobisomem, mesmo ele não dando algum sinal de ser um. Ele não era encorpado que nem o Sasuke, o Naruto, o Sai, e o Kiba, aliás, eu nunca vi ele sem aqueles casacos largos, não tinha como ter ideia de seu perfil físico. Mas em compensação, Gaara era bem alto, mas não tinha a pele quente. O corpo dele tinha uma temperatura normal. Mas como explicaria o fato dele ter reagido ao meu perfume de acônito? E o fato dele ter me evitado os dias que eu vinha para escola usando o perfume?

    - Ah, aquilo? Não sei o que me deu, foi só um mal estar passageiro.

    - E nos outros dias? Você não aparecia nos intervalos, não vinha mais de ônibus, eu até pensei na propabilidade de ter feito algo de errado e você estivesse me evitando.

    E observei atentamete sua reação.

    - Como você chegou a essa teoria? - sorriu, e aquilo pareceu sincero. - Eu nunca evitaria você. Eu só estava passando por uns problemas, e preferi ficar sozinho, eu não era uma boa companhia naquele momento.

    - Se você quiser desabafar, eu sou uma boa ouvinte.

    Ele balançou a cabeça para os lados.

    - Não quero te encher com os meus problemas.

    - Mas os amigos são para isso. - dei um empurrãozinho com o meu ombro no dele.

    Ele sorriu cansado, e se rendeu.

    - É a Temari, ela está escondendo algo de mim.

    - O que exatamente? - franzi levemente o cenho.

    - Eu encontrei uma foto antiga dela abraçada a um cara de cabelos ruivos. Quando ela me viu com a foto ela arrancou das minhas mão e começou a gritar comigo, dizendo um monte coisas. Nunca vi a Temari tão irada daquele jeito por uma simples fotografia.

    - E você conhece o cara da fotografia?

    - Nunca vi na vida. Mas os dois naquela foto pareciam íntimos.

    - Como um casal de namorados?

    - Pode ser.

    - Bom, talvez ela ficou assim com medo do seu cunhado ver e causar um a discurção na relação.

    - Também pensei nisso, mas quando comentei isso com o meu irmão Kankuro quando veio nos visitar, ele reagiu estranho também. Aí tem coisa, e pelo jeito é cabeluda.

    - Pode ser, eu sei bem o que é ter a sensação de ver alguém de nossa família nos esconder algo. O mal dos adultos é pensar que somos ainda crianças e que não iremos saber lidar com situações delicada.

    - Né?

    Percebi que o ônibus estava chegando no meu ponto. Me levantei do banco e Gaara me deu passagem para passar.

    - Até amanhã.

    - Até.

    - Ah... - parei e o fitei. - Se quiser desabafar, pode me ligar.

    Ele sorriu, e assentiu.

    - Valeu, você é dez, Sakura.

    Sorri, e caminhei para frente do ônibus e desci no meu ponto. Olhei para o céu carregado de nuvens enquanto entrava na minha rua. Não iria demorar muito para cair um temporal, e só faltava um pouco mais de uma hora para que Sasuke vinhesse me buscar.

    Tomara que tudo dê certo.

    Quando entrei em casa, sentindo o aconchego quentinho da sala, lembrei-me de que não havia avisado a Tsunde que iria sair. Droga! E não sabia quanto tempo iria demorar na casa do Sasuke.

    Comecei a subir as escadas enquanto tirava o celular da mochila. Iria ligar para Tsunade e avisar que eu iria sair, e que era para ela não se preoculpar quando chegar em casa e eu não estiver. Mas assim que liguei o display para fazer a ligação, o celular tocou em minha mão, o nome da Ino apareceu na tela.

    O que diabos ela quer? Tomara que não seja o que estou pensando. Ino sabia ser bem insistente quando quer, e isso chega a ser irritante.

    Suspirei pesadamente e atendi o celular.

    - Oi, Ino.

    - Você já está em casa?

    Franzi o cenho.

    - Acabei de chegar, por quê?

    - Você poderia abrir a porta para mim?

    - O quê? - parei no último degrau da escada, incrédula. - Você está aqui?

    - Uhum.

    Demorei dois segundos para processar a situação. Não podia acreditar que Ino fosse tão longe assim... Desci as escadas depressa e abri a porta, encontrando-a ali parada com um sorriso cara de pau.

    - Oi.

    Franzi mais o cenho.

    - O que faz aqui? - meu tom demonstrava que não estava muito satisfeita com sua presença, e eu não estava.

    - Nossa, quanta hospitalidade com sua amiga. - ela fingiu estar ofendida.

    E percebi que mesmo não gostando muito de sua presença agora - pois sabia qual era sua real intenção -, eu realmente estava sendo grossa e nada hospitaleira com ela.

    - Me desculpe, Ino, é que nunca imaginei que você fosse vir aqui agora.

    Ela sorriu.

    - Nunca é tarde para visitar as amigas, certo? - e sua sobrancelha ergueu-se para cima. - Não vai me convidar para entrar? Aqui fora está meio frio.

    - Ah, entre. - escancarei mais a porta e a deixei passar.

    - Obrigada. - e seus olhos passaram por toda a sala. - Nossa, a sua casa é bem aconchegante.

    Fechei a porta e fui para o meio da sala, me encontrando com ela.

    - Valeu. O que veio fazer aqui?

    Ino voltou sua atenção para mim, com uma inocência totalmente fingida.

    - É que me bateu uma vontade de te visitar e conhecer a sua casa, já que você nunca me convidou para vir aqui.

    - Ino, não quero ser indelicada, mas eu tenho um compromisso daqui a pouco.

    - Com o Sasuke? - ela chutou, curiosa, e aquilo de alguma forma me irritou.

    - Você veio aqui para saber dele? - ataquei, meu tom saindo grosseiro. Ino estava começando a passar dos limites.

    - Não.

    Eu arqueei a sobrancelha, minha boca numa linha reta. Ela fez uma careta.

    - Está tão óbvio assim?

    - O que você acha? - eu não economizei na ironia.

    - Tá, eu me rendo. - ela levantou as mãos em sinal de rendição, e sentou-se no sofá. - Estou morrendo curiosidade para saber se vocês estão juntos.

    Ino conseguia ultrapassar a linha de intrometida. Ela havia vindo até a minha casa para saber se eu estava com Sasuke... Ela estava bancando a enxerida. Aquilo não era da conta dela, queria dizer isso, mas me segurei, mordendo a ponta da minha língua.

    - Nós estamos juntos. - respondi contra vontade, continuava ainda de pé.

    Seus olhos arregalaram, a expressão surpresa.

    - Bem que eu desconfiava. - murmurou, fitando seus dedos. - Eu via a troca de olhares dos dois na hora do intervalo. Os seus sumissos de repente. Sem contar a preoculpação que ele teve com você em te acompanhar no ponto de ônibus naquele dia...

    - Qual é a tua, Ino? - eu a interrompi, minha voz aumentada dois graus, atraindo sua atenção para mim. - Você anda me espionando agora?

    - Eu não estava te espionando, eu só captei as coisas que vi. E você é péssima em disfarces.

    Eu sabia disso, mas Ino não precisava saber o que eu já estava cansada de saber.

    - E presumo que você esteje incomodada com o fato de Sasuke e eu estarmos juntos e você veio tirar satisfação comigo?! - eu não estava economizando na minha agressividade nas palavras com Ino, pois ela realmente estava me irritando com aquela conversa fiada de garota com dor no pé.

    - Não! - ela exclamou, assustada, ficando de pé. - Por Deus, Sakura, não é nada disso!

    - Então é o que, Ino? - questionei, jogando minha mochila no sofá e colocando as mãos na cintura. - Você vem aqui na minha casa xeretar a minha relação com Sasuke, e quer que eu pense o quê?

    - Desculpa, tá. É que eu fiquei surpresa por saber que vocês dois estão juntos.

    - E o que tem isso?

    Ela ficou calada, fitou os lados, mordeu o lábio.

    - Eu gostava dele. - confessou, a voz saindo baixinha. - Eu gosto... sei lá... - e me fitou. - Eu comecei a gostar dele desde o fundamental quando ele me salvou de um atropelamento. Estava escuro naquele dia e não pude ver seu rosto direito, mas sabia que era ele. - sorriu. - Quem mais usava aquele boné cinza dos The Doors? Ele era o único que usava aquele boné.

    Estava tão surpresa com a revelação de Ino que não consegui falar. Ela continuou:

    - Eu simplesmente me apaixonei por ele. - sorriu. - Eu sempre o observava de longe, e quando tive a oportunidade de falar com ele, ele me tratou como se eu fosse um lixo. Confesso que aquilo me quebrou por dentro, e jurei para mim mesma que o esqueceria, mas eu sempre sentia meu coração bater quando presentia que ele estava no mesmo ambiente que eu.

    - Por que você está me contando tudo isso?

    - Por que eu senti inveja de você quando o Sasuke se ofereceu para te acompanhar no ponto de ônibus naquele dia. Naquela hora eu queria que você desaparecesse.

    - E você quer que eu desapareça agora. - aquilo não era uma pergunta.

    Ela balançou a cabeça para os lados, negando.

    - Não. - e sorriu amarga. - Eu percebi que eu que estou sobrando nessa história.

    - Não estou entendendo aonde você quer chegar? - questionei, não entendendo muito bem o ponto de vista de Ino.

    - Eu gosto de você Sakura, gosto mesmo. E não quero perder a sua amizade por causa de um garoto. E é por isso que eu quero que não exista secredos entre a gente, e resolvi abrir o jogo.

    - Nossa... Ino... - pisquei meus olhos várias vezes, meio que desconcertada. - Não sei nem o que falar...

    E não sabia mesmo. Ino era apaixonada por Sasuke - fato que eu já desconfiava - e a minha amizade é mais importante do que sua paixão platônica por meu namorado, me deixou sem palavras.

    - Eu sou leal a uma amizade, Sakura. - o canto de sua boca ergueu-se para cima. - E, aliás, esse lance de se rasteijar por um garoto não faz o meu estilo, eu tenho amor próprio.

    Sorri, Ino havia me impressionado com sua sinceridade, honestidade, e ela não parecia mentir no que dizia, ela estava sendo verdadeira.

    Ela estendeu a mão para mim.

    - Amigas, sem nenhum recentimento?

    - Você vai ficar bem com isso?

    Ela sorriu.

    - Aff, eu estou maravilhosamente bem, relaxa.

    - Amigas. - apertei a sua mão, e Ino me puxou para um abraço. Senti suas vibrações, eram boas e confortáveis.

    - Então, melhores amigas sempre conta tudo uma para outra. - ela disse assim que nós nos separamos.

    - Nós já somos melhores amigas?

    Ino novamente me surpreendendo com suas atitudes impulsivas. Eu já tinha uma melhor amiga, Shion, e ela havia ficado em Tóquio. Ino era bem diferente de mim para uma melhor amiga, nossas atitudes e pensamentos eram opostas uma da outra. Ino fazia mais o tipo de pessoa que implica com garotas nerds, e que eu faria de tudo para me manter distante para não ser alvo. Às vezes a vida nos prega peças engraçadas.

    - Claro. E você como melhor amigas sempre me deixa de fora dos seus assuntos. Você não me conta nada.

    - Eu sou o tipo de pessoa que gosta de se preservar, não sou de me abrir com alguém.

    - Mas devia, isso descarrega a tensão.

    Ino estava certa, a amizade servia para isso, para desabafos e receber conselhos. E ela estava se esforçando para ser minha amiga, deveria dar um desconto, né? Claro que tinha certas coisas que ela não poderia saber.

    - Ele vai me levar para conhecer os pais.

    E não demorou para Ino sacar o que eu estava falando, e um sorriso largo colou em seu rosto.

    - E você, como está se sentindo? - ela tentou ir com cautela, mas podia ver seus olhos azuis vibrando por ter compartilhado algo íntimo com ela.

    - Nervosa.

    - Ah, relaxa, vai dar tudo certo. Você é uma garota legal.

    Sorri.

    - Valeu.

    - Você já sabe o que vestir?

    - Acho que vou assim.

    - Você está louca? - ela praticamente gritou, como se eu tivesse cometido o maior pecado da humanidade. - Como você pode pensar em ir para a casa do seu namorado com essas rouas, sem ofença, roupas de escola que todo mundo está cançado de ver? O que eles vão pensar de você?

    - Obrigada por você me fazer me sentir pior. - meu tom saiu irônico.

    - Helooou, Sakurita, casa dos pais do Sasuke, o filho do delegado da cidade, você tem que está apresentável.

    - Ino...

    - Ino nada. - ela pegou a minha mão e me puxou para as escadas.

    - Ei.

    - Eu não vou deixar você estragar uma primeira impressão. O seu quarto é aqui em cima?

    - É.

    - Então vamos deixar vocé belíssima.

    Subimos as escadas e logo entramos no meu quarto, não tinha o que contestar com Ino, ela era exerida demais.

    - Uau, você dorme nessa cama de casal sozinha?

    - Uhum. - e fui para o guarda-roupa. - Só não repare a bagunça.

    - Relaxa, meu quarto é pior. - ela disse parando ao meu lado, começando a mexer nas minhas roupas encabidadas. - O que temos aqui?

    - Nada de estravagante, Ino. - avisei.

    - Deixa comigo. - sorriu para mim. - Que horas vocês vão se encontrar?

    Mordi o lábio e procurei meu celular, percebendo que eu havia o deixado na sala.

    - Às três e meia. Espere um minuto...

    Saí do quarto e fui para a sala, peguei minhas coisas e voltei para cima. Quando entrei no quarto, Ino já havia preparado a roupa que eu iria usar que estava em cima da minha cama bagunçada. Um calça jeans rosa-claro que eu odiava, uma camiseta branca de florzinhas rosa, uma jaqueta branca e sapatilhas.

    Não consegui evitar que minha cara se contorcesse numa careta olhando aquele look. Ino queria que eu me transformasse numa segunda Ino versão econômica?

    - Eu odeio essa calça. - disse, me preparando para atirá-la em alguma lixeira, mas Ino me impediu, agarrando a calça primeiro.

    - Nada disso. Essa calça é linda, vai ficar perfeita em você.

    - Ino, qual é a parte de que eu odeio essa calça que você não entendeu? E nem me lembrava que ela existia no guarda-roupa.

    - Você pode pelo meno dar uma chance a coitada da calça? Ela não tem culpa de você desprezá-la. E, aliás, a calça é linda. O que tem de errado nela?

    - Ela fica esquisita no meu corpo. E se gostou tanto dela pode ficar, eu vou me de desfazer dela de qulquer jeito.

    - E estragar o look maravilhoso de boa impressão para os pais do Sasuke? Nem pensar. Você vai usar o look, vai arrasar com seus sogros, e aí se caso você chegar em casa e não quiser mais ela, você pode me dar que eu aceito.

    Fitei às horas no celular, e surpreendi-me quando vi que faltava menos de vinte minutos para Sasuke está aqui.

    - Me dê isso. - tomei a calça das mãos de Ino, que estava satisfeita. Eu não tinha outra opção.

    Arranquei aquelas roupas e coloquei as que Ino escolheu para mim, e até que não ficou ruim, mas era muito... rosa.

    Ino fez questão de me maquiar, mas nada exagerado, só o básico, e em questão de minutos eu estava bonita com seus esforços.

    - Hm... - Ino mordia a unha do seu dedão, me olhando de cima a baixo, pensativa. - Acho que está faltando algo.

    - Está faltando nada, está perfeito.

    Ela balançou a cabeça para os lados. E como um passe de mágica seus olhos se abriram mais e o sorriso moldou-se em seus lábios.

    - Já sei o que é. - ela correu até sua bolsa que estava em cima da minha cama e procurou algo nela. - Achei.

    Ela estendeu balançando um lenço vermelho para mim. Franzi o cenho.

    - O que é isso?

    - O Gran Finale. - se aproximou de mim, e amarrou o lenço na minha cabeça. - Prontinho.

    Virei-me para o espelho e vi o resultado, o lenço amarrado no topo da minha cabça havia me deixado mais menina. Ino apareceu atrás de mim, as mãos em meus ombros refletia no espelho.

    - O que achou?

    - Adorei. - sorri, comprimindo os lábios.

    Eu realmente havia gostado, Ino tinha um dom para moda, mas aquelas roupas, daquele jeito, não fazia muito o meu estilo.

    - O lenço é um presente meu para você, simboliza a nossa amizade.

    Virei meu corpo e fiquei de frente para ela.

    - Obrigada, Ino, de verdade.

    - De nada. - sorriu, e a campainha tocou. - Olha lá, deve ser seu boy. Vai lá e arrasa, garota.

    E num ato impulssivo, eu abracei Ino. Eu havia gostado desse seu lado mais carismático. E como eu disse, Ino sabia como levantar o astral de qualquer um.

    - Você é demais . - disse quando me afastei dela.

    - Eu sei, bobinha. - ela sorriu convencida, apertando o meu nariz. - Agora vai.

    - Sim senhora.

    Peguei a minha bolsa, colocando alguns pertences, o celular e saimos do quarto. Desci as escadas correndo, com Ino atrás de de mim e logo abri a porta, encontrando Sasuke parado, vestido de preto dos pés a cabeça, o cabelos úmidos, e sem casaco. Uma verdadeira pintura de um anjo rebelde.

    - Oi. - murmurei, pouco tímida, pois sua expressão era surpresa enquanto me olhava dos pés a cabeça.

    - Oi...

    Ele foi interrompido quando Ino apareceu ali, intromendo-se no meio, como uma verdadeira enxerida.

    - Ah, oi, Sasuke, tudo bem? - ela disse, o tom bem animado e sorrindo mais do que devia.

    A alguns minutos ela estava atordoada e confusa por causa de meu namoro com Sasuke. E agora ela estava ali, agindo como se nada tivesse acontecido, como se ela nunca tivesse se apaixonado por ele. Ela havia me apoiado... Ino era simplesmente... estranha.

    Sasuke desviou sua atenção para ela e franziu levemente as sobrancelhas.

    - Ino?

    - A Ino já está...

    - Já estou de partida - ela me interrompeu, colocando sua bolsa no ombro. -, não quero atrapalhar o passeio do casal. - e virou-se para mim. - Tchau, Sakura. - e sussurou no meu ouvido a última frase. - Depois quero saber os detalhes. Byeee.

    E começou a se afastar com passos rápidos. Nós dois observamos ela até perdê-la de vista. Sasuke me fitou.

    - Detalhes?

    - Ah, são coisas da Ino, não se preoculpe. - sorri amarelo. - Ela é bem...

    - Intrometida. - completou.

    - Também.

    Ele me agarrou a cintura, e automaticamente enlacei o seu pescoço, e logo estávamos nos beijando na porta de casa. Era bom aquela sensação de que nada nos proibia, e eu sentia as vibrações de Sasuke, eram intensas e calorosas.

    - Você está linda. - ele disse entre os beijos.

    - Obrigada. - mais um selinho. - A Ino fez questão de me arrumar, estou me sentindo um boneco de manequim.

    - Você está perfeita. - e me beijou novamente. - Não sabia que você e a Ino fossem tão próximas assim.

    - Você vai querer implicar com ela agora? - franzi o cenho.

    Ele se afastou, levantando as duas mãos para cima.

    - Ei, eu só estava comentando.

    - Hm. - apertei os olhos, e ele sorriu, me fazendo derreter por dentro. - A Ino e eu não somos cem por cento compatíveis, mas ela é bem sincera e... legal.

    - Se você diz. - ele deu de ombros. - Agora vamos?

    Suspirei fundo, reunindo toda a minha coragem, e assenti, segurando a sua mão. E espero que dê tudo certo nesse encontro, pois estava com uma pequena sensação racesosa de que poderia dar errado.

    Tomara que eu esteja errada nessa minha hipótese.


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