Lua de Sangue

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    18
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    Capítulo 18

    Despertar

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Meus olhos fitavam o céu azul e lípido, o sol brilhava forte fazendo seus raios amarelo ultrapassarem algumas nuvens brancas que pareciam algodão. O dia estava maravilhosamente lindo, fazia tempo que eu não presenciava um dia ensolarado. Desci meus olhos a minha volta, percebendo que eu estava naquele lugar que Sasuke havia me apresentado no dia em que ele havia se declarado para mim.

    Observei com muita atenção aquela floresta verde com o rio que a cortava ao meio, gravando cada detalhe daquele cenário digno de uma pintura. A brisa suave que deixava o ambiente mais agradável batiam em minha pele e fazia os meus cabelos esvoaçarem. Fechei meus olhos, sentindo a brisa quente tocar o meu rosto, era bom, fazia sentir-me confortável. Não tinha a mínima ideia de como havia parado naquele lugar, mas não importava, pois pela primeira vez eu me sentia em paz.

    - Esse lugar é realmente muito bonito, não é? - uma voz baixa, porém doce e melodiosa soou próxima, me assustando.

    Abri meus olhos de uma vez e virei minha cabeça, encontrando uma mulher de pele clara, cabelos longos e negros com tom azulado, e vestida com um vestido branco que iam até os seus pés.

    Quem era ela? perguntei-me internamente observando-a, enquanto ela mantinha sua atenção na paisagem a sua frente. Estava surpresa por não tê-la notado antes, sua presença era quase como se fosse invisível.

    - Quem é você? - minha voz fez ela virar seu rosto e olhar para mim. Seus olhos eram claros, o rosto redondo me lembrava alguém.

    Um sorriso abriu em seus lábios, e tudo se iluminou a sua volta, uma coisa surreal.

    - Sou Hana Hyuuga.

    Prendi minha respiração automaticamente enquanto as lembranças povoavam a minha memória. Era isso, aquele mulher me lembrava Hinata, mas numa versão de uns vinte anos mais velha. Mas mesmo assim não deixava de ser bonita.

    - Hyuuga? - umedeci meus lábios, virando meu corpo para sua frente. - Você por acaso é alguma parente da Hinata?

    Hana sorriu mais e seus olhos brilharam, os raios do sol que banhava seu rosto a deixava com uma aparência angelical.

    - A minha menininha, sinto tanta saudades dela. Não só dela, mas também da minha outra menininha, do meu rapaz, e do meu marido. - ela fechou os olhos. - Sinto muito por não está com eles.

    Senti meus olhos arregalarem quando percebi o óbvio bem a minha frente.

    - Você é a mãe da Hinata. - aquilo não era uma pergunta.

    Hana abriu seus olhos e me fitou, o sorriso novamente abriu em seus lábios, sua cabeça assentindo positivamente.

    - Deixei esse mundo antes do meu tempo e de um jeito trágico. Minha filha estava comigo e isso foi um dos motivos para deixá-la destabilizada.

    - Você está falando da Hinata? - eu já imaginava de quem ela se referia, mas eu só queria ter a certeza.

    - Sim. - o sorriso morreu em seu rosto. - Hinata está a cada dia sendo consumida pela culpa e pelo ódio. Seu coração está cheio de amarguras, ela está cega em sua possível vingança. Ela está passando por cima de tudo e se autoprejudicando. Seus dons hereditários não podem ser controlados quando ela mesma não consegue controlar seu emocional. - Hana deu uma pequena pausa, fechando os olhos e depois voltando a abri-los, e me fitou. - Eu temo pela minha filha, ela está se destruindo a cada dia. Hinata não pode partir para o outro mundo antes de cumprir sua missão em vida.

    - Por que você está me falando tudo isso? - eu quis saber, não estava entendendo do por que de Hana se abrir assim comigo.

    - Por que você é a única que pode ajudá-la.

    - Eu? - não pude deixar de ficar surpresa e automaticamente dei um passo para trás. - Não sou a melhor pessoa para lidar com a sua filha. Caso não saiba, eu e a Hinata não somos tão próximas assim.

    - Eu sei que ambas não são tão próximas, eu vejo isso. Mas entenda, Hinata está dentro de uma fortaleza fechada que ela mesma contruiu para se insolar. Ela está sozinha, e você é a única que pode tirá-la desse poço que ela teima em se afundar a cada dia.

    - Eu não acho que tenho todo esse poder para lidar com a Hinata - balancei minha cabeça para os lados. -, ela não é nada fácil de conviver.

    Eu podia sentir o peso que começava a surgir em meus ombros. Eu tinha conciência de que Hinata e eu nunca seremos amigas, ela era muito fechada. E mesmo nós termos avançado alguns diálogos nesse tempo em que a conheço, sabia que eu nunca iria ocupar um cargo de melhor amiga que ela pudesse confiar e contar seus segredos.

    Por que Hinata não confiava em ninguém.

    - Você tem esse poder - Hana afirmou com uma certeza que não deixava dúvidas. -, e vai saber usá-lo e agir na hora certa. A Hinata vai precisar muito de você, assim como você vai precisar muito dela. Eu pressinto que o círculo está se fechando, e que as minhas previsões estão se concretizando.

    - Você também vê o futuro?

    Ela assentiu com a cabeça, positivamente.

    - Sim, mas o que eu vejo não posso interferir, estou morta. Hinata que herdou os meus dons pode, só ela que vai poder interferir no que está para acontecer. Mas para isso ela tem que se controlar emocionalmente, pois só assim ela vai poder controlar as visões antes que seja tarde demais. - ela deu um pausa antes de continuar: - Minha filha está muito frágil, seu espírito está enfraquecendo. Ela está...

    Hana não terminou a frase, mas ela não precisava terminar, eu havia entendido. Eu sabia que Hinata passava por problemas e que isso a perturbava, mas eu não sabia o grau de gravidade que os seus problemas causava para a sua vida.

    Hinata estava morrendo aos poucos, e ela mesma estava contribuído para esse feitio.

    - Por favor, Sakura - Hana voltou a suplicar, seu rosto era tenso. -, ajude a minha filha. Não permita que ela parta antes do tempo, antes de cumprir a sua missão em vida. Por favor, por tudo quanto é sagrado, ajude a minha filha.

    Eu podia sentir todo o meu corpo paralisado diante daquela suplica. Eu podia ver a agonia nas feições de Hana, ela estava desesperada. Não sabia como iria fazer para me aproximar de Hinata, mas não conseguia ver aquela mulher suplicando pela vida de sua filha para mim e eu não fazer nada, isso iria contra as regras de humanidade. E eu não tenho um coração de gelo para ignorá-la, mesmo tendo consciência de que era a primeira vez que eu via aquela mulher e que ela era apenas um espírito.

    - Eu farei o que estiver ao meu alcance para ajudar a sua filha. Devo dizer que eu devo a minha vida a ela. - lembrei que por causa de uma das visões de Hinata eu fui poupada de uma morte prematura.

    Hana sorriu, e com aquele sorriso a luz fraca que a iluminava ficou mais clara.

    - Eu agradeço pela sua boa vontade, tem minha gratidão e a minha proteção de agora em diante. Você é uma garota muito boa, tem um coração puro. - ela sorriu mais. - Fico muito feliz que minha filha tenha encontrado uma grande amiga.

    Depois de sua última frase, a luz que a iluminava ficou mais forte, tomando conta de todo o seu corpo, e por fim, desaparecendo. O cenário a minha volta sumia na coloração branca, só existindo somente eu e mais ninguém naquele nada...

    Meus olhos abriram-se de uma vez, meus pulmões inspirando uma grande quantidade de oxigênio. Voltei a fechar os olhos por causada da claridade e um estrondo de coisas se quebrando no chão ecoou, me deixando atordoada.

    - Sakura!

    Aquela voz. Eu reconhecia aquela voz, e o calor que constituía em meu peito contribuindo para as borboletas em meu estômago, fez meus olhos se abrirem novamente, se acostumando com a claridade e enxergando um teto branco. O teto branco de meu quarto. Abaixei o olhar para o lado e o vi, ele estava parado no portal do meu quarto, a expressão supresa em seu rosto.

    - Sasuke. - minha voz havia soado fraca, minha garganta estava seca.

    Pisquei várias vezes os meus olhos, sentindo-me terrivelmente atordoada. Minha cabeça estava confusa, meus pensamentos embaralhados. Ergui meu corpo para frente e me sentei, sentindo ao mesmo tempo um peso forçando a beirada da minha cama, para que um corpo flamejante me tomar em seus braços, num abraço apertado e acolhedor. Precisei de uns dois segundos para retribuir aquele abraço, afundando o meu rosto em seu ombro, e sentindo seu cheiro amadeirado misturado com folhas secas.

    - Você não tem idéia do quanto eu fiquei preocupado com você. - ele confessou, seu nariz cheirando o meu pescoço, causando um arrepio naquele local. Seus braços me apertava mais contra o seu corpo. - Graças a Deus você acordou.

    - Preoculpado... - minha voz soou baixinha. Minha cabeça doia muito e meu psicológico estava lento demais para processar alguma coisa, mas eu tinha consciência de que algo estava errado...

    - Sakura!

    Meus olhos abriram mais, e num ato totalmente automático empurrei Sasuke. Meu coração batia forte quando fitei Tsunade entrando no quarto e se aproximando de mim, suas expressões eram aliviadas.

    - Vó!?

    Desviei meus olhos para Sasuke que já estava de pé, numa tranquilidade que me deixou em alerta. Tsunade o ignorou e logo eu estava em seus braços, ela me apertava enquanto murmurava palavras confortáveis e agradecendo aos deuses por eu ter despertado.

    Eu estava praticamente sem ação, não estava entendendo mais nada. Sasuke estava no meu quarto e Tsunade não parecia se importar, e pelo que me lembrava, eu estava proíbida de vê-lo.

    Mas o que diabos estava acontecendo afinal?!

    Me separei de Tsunade que agora sorria para mim, numa doçura que eu não via a muito tempo. Desviei meus olhos para Sasuke que também me fitava, franzi o cenho.

    - Você me deu um susto danado, garota. - disse vovó, agora ficando séria, as sobrancelhas unindo.

    - Você pode me explicar o que está acontecendo? O que o Sasuke está fazendo aqui? - apontei para ele. - A senhora havia me proibido de vê-lo.

    - Não está feliz em me ver? - Sasuke questionou, cruzando os braços e arqueando as sobrancelhas para cima.

    Todo o meu interior se agitou, e tive uma pequena crise de desespero.

    - O quê? Não... não é isso... é que você... você sabe que nós estavamos... - levei minhas mãos na cabeça e apertei meus olhos com força. A dor ficou mais forte. - Ai!

    - Sakura, fique calma você acabou de despertar. - disse minha avó, suas mãos em meus ombros.

    Sabia que Tsunade estava perto o bastante de mim, mas a sua voz soava longe. Não conseguia me concentrar nos meus próprios pensamentos, tudo estava confuso, minha cabeça doía, e eu agarrava a raíz dos meus cabelos, num gesto para amenizar a dor.

    - Ela está fazendo de novo, senhora Tsunade. - ouvi a voz de Sasuke, mas soava como se estivesse longe, assim como a minha avó.

    - Sakura, acalme-se, assim você vai quebrar todo o quarto! - a voz de Tsunade soou alta e repreendedora desta vez, enquanto sacolejava todo o meu corpo.

    Abri meus olhos dando de cara com os seus olhos castanhos me fitando, as sobrancelhas franzidas. Desviei minha atenção para os lados e assustei-me com os objetos que haviam em meu quarto flutuando. Sasuke desviava de alguns que se movimentavam no ar.

    - O que... o que significa isso? - gaguejei, meus olhos arregalados, um sentimento de desespero começava a me dominar.

    - Seus poderes. - respondeu Tsunade, tomando toda minha atenção para si. - Parece que vai ter que controlar sua telesinesia.

    - Como faço pra parar? - meu tom demonstrava o quanto eu estava assustada, minha respiração estava acelerada.

    - Primeiramente se acalme, você está muito agitada. - ela disse, segurando o meu rosto com as duas mãos, me fazendo olhá-la. - Concentre-se. Feche os olhos. - obediente fiz o que ela pediu. - Inspire fundo e suspire, matenha a mente limpa, ignore todo o resto.

    Tentei me concentrar, inspirei todo o ar que consegui e depois suspirei tudo. Fiz isso umas cinco vezes até que me senti mais calma, e novamente o estrondo de coisas caindo ecoou por todo o meu quarto.

    Abri meus olhos num rompante, agora encontrando todos os meus objetos jogados no chão, uns quebrados e a bagunça era enorme.

    - Você conseguiu. - disse vovó.

    - Parece que sim. - respondi meio que áerea, fitando o estrago. Meu rosto se contorceu numa careta e levei novamente a mão na cabeça. A dor de cabeça insuportável continuava.

    Tsunade se pôs de pé, e focou sua atenção em Sasuke que assistia tudo, calado.

    - Rapaz, é melhor você ir embora. Sakura está confusa, irei conversar com ela agora e você aqui só vai deixar as coisas mais complicadas para ela entender.

    Ele fitou Tsunade por um segundo e assentiu com a cabeça positivamente.

    - Tudo bem. - em seguida se aproximou de mim, levou a mão ao meu rosto e afagou delicadamente. Aquilo foi o suficiente para deixar todo o meu interior agitado. - Eu venho depois para conversarmos.

    Não o respondi, eu estava atordoada e confusa o suficiente para processar o que estava acontecendo. Eu havia acordado e tudo parecia estar fora do lugar.

    - Eu te levo até a porta. - Tsunade foi logo o guiando até a porta, mas parou para me fitar. - Quando voltar, trarei um remédio para a dor de cabeça.

    Observei eles sumirem do meu campo de visão, desaparecendo no corredor. Apenas fechei meus olhos e suspirei, voltando a abrir-los em seguida. Joguei os cobertores para o lado e levei minhas pernas para fora da cama, ficando de pé. O chão estava todo bagunçado, havia coisas quebradas. Tomei cuidado para não tropeçar em nada enquanto eu seguia até o espelho, e fitei minha imagem refletia nele.

    Eu aparentava está normal, minha aparência era a mesma, mas de alguma forma eu me sentia diferente. Tirando a dor de cabeça terrível que eu sentia, o meu corpo estava leve.

    Fiquei olhando os meus olhos verdes no reflexo do espelho, aos poucos o meu cérebro começava a funcionar, e as lembranças surgiam devagar.

    Lembrava do ritual no meio da floresta, eu estava dentro do círculo mágico sendo banhada pela luz da lua de sangue enquanto conjurava aos deuses... O lobo negro que havia aparecido de repente...

    Fechei os olhos, levando uma mão na cabeça.

    Hana.

    As lembranças da mãe de Hinata surgiam, povoando a minha mente.

    - Hinata. - murmurei, abrindo os olhos e me fitando novamente no espelho.

    Eu havia falado com a mãe de Hinata, uma mulher que nunca vi na minha vida. Eu havia feito um juramento a ela, que agora não sabia como iria cumprir. Eu havia falado com um espírito e não havia sentido medo. Isso era novo para mim. Tsunade havia mencionado que nós bruxas temos uma conecção com o mundo espiritual, e eu havia tido a minha primeira experiência, e havia sido com a mãe da minha parceira de biologia, a garota mais problemática que eu conheci.

    - Você está em pé. - a voz de Tsunade soou, chamando minha atenção.

    Ela se aproximou com uma cartela de aspirinas e um copo de água. Tomei dois comprimidos de uma vez e bebi toda a água, sentindo o alívio em minha garganta.

    - Isso aqui ficou uma zona. - ela disse, olhando todo o quarto bagunçado.

    Ergui meu olhar para ela, ignorando seu comentário diante da bagunça.

    - Qual é a boa entre você e o Sasuke? - eu disse, fazendo-a olhar para mim. - Até ontem a senhora não queria que ele chegasse a dez metros perto de mim. O que fez a senhora mudar de idéia assim tão rápido?

    - Ontem? - Tsunade apertou os olhos, levemente confusa. - Sasuke falou com o pai, resolveu metade do problema.

    Não pude evitar ficar surpresa com aquela revelação.

    - Ele falou com o pai dele? - perguntei, sentindo um friozinho no estômago.

    Ela assentiu, fazendo um movimento com a mão para sentarmos na cama. Obedeci, tomando cuidado para não pisar nos cacos dos objetos quebrados no chão.

    - Posso dizer que a conversa foi bem cansativa quando estive com Fugaku - ela disse. -, o rancor que eles tem de nossa raça é grande. E já vou te alertando que não vai ser fácil sua convivência com eles.

    Eu sentia uma pontinha de felicidade, mas aquela pontinha se apagava diante das dificuldades que a vida arrumava para mim.

    - E então, o que vai acontecer? - meu coração ficou apertado com a futura resposta.

    - Não sei. - Tsunade suspirou. - Mas eles querem te ver.

    - Me ver?

    - Sim, é o certo. - suas sobrancelhas uniram levemente. - Pelo que eu fiquei sabendo, eles não podem interferir no relacionamento de vocês, já que você é a companheira de Sasuke. Mas acho que vão tentar entrar num acordo.

    - Espera... - franzi levemente o cenho, aquela história não estava batendo, havia alguma coisa errada. - Quando é que a senhora falou com eles, assim tão rápido? Quer dizer... Sasuke havia me dito que falaria com o pai depois da lua vermelha, e isso foi ontem certo?

    - Ontem? - Tsunade franziu o cenho novamente. - Sakura, você ficou desacordada por duas semanas.

    - O quê? - minha voz alterou dois graus, meus olhos arregalados. - Como assim fiquei desacordada por duas semanas? Isso é muito tempo, e a escola?

    - O ritual consumiu toda a sua energia vital. Quando estava terminando processo, o filho de Obito que estava na pele de lincantropo avançou para cima de você, totalmente descontrolado. - meus olhos arregalaram, eu lembrava daquela parte. - Fui pega de surpresa, eu estava atenta no seu ritual que não o percebi. Eu tentei impedi-lo de chegar perto do círculo mágico, mas você naquela hora despertou a sua telesinesia e o afastou antes que fosse tarde.

    Abaixei meu olhar para as minhas mãos, atônita com todas aquelas informações.

    - Sai.

    - Você o salvou. - ergui meu olhar para ela. - Se o filho de Obito tivesse atravessado o círculo, ele não teria sobrevivido.

    - Como assim?

    - O círculo mágico de um ritual é poderoso demais, é como se fosse um escudo, e quando algo que vem de fora tenta atravessá-lo é repelido.

    - Ele está bem? - perguntei, minha mente projetando toda aquela cena que Tsunade narrava.

    - Está. Mas conforme você estava fraca e ter usado a telesinesia com aquela magnetude de poder, você esgotou todas as suas forças e acabou desmaiando. - ela suspirou. - Foi uma noite bem turbulenta, você me deu um susto danado quando percebi que o tempo passava e você não despertava.

    - E isso durou duas semanas. - concluí, ainda não acreditando que fiquei desacordada tempo demais.

    - Eu avisei na sua escola que você sofreu um acidente, rolou as escadas e bateu a cabeça e entrou em um pequeno coma.

    - Uau. - é justificativel diante da minha péssima sorte. - E o ritual, deu tudo certo?

    - Sim. - ela sorriu. - Você fez tudo direitinho, recebeu toda a luz da lua, e despertou um de seus dons.

    Desviei meus olhos para um ponto qualquer no chão.

    - E parece que não consigo controlar.

    - Isso é questão de prática e dedicação. Você até que deu uma boa evoluida diante de que nunca foi treinada antes. Se você se empenhar realmente, você vai conseguir evoluir muito mais em pouco tempo.

    - A senhora acha? - perguntei, voltando a olhá-la.

    Vovó ergueu as sobrancelhas.

    - Eu não acho, eu tenho certeza.

    Senti o canto de minha boca erguer-se para cima. Eu tinha que dar um voto para mim, eu ainda era novada nesse mundo de bruxaria. E tenho que admitir que evolui, e isso as vezes era um pouco assustador. Mas lá no fundo eu estava gostando dessa nova eu, estava me aceitando magicamente.

    Eu sou agora uma bruxa.

    - Esse rapaz gosta mesmo de você. - a voz de Tsunade chamou minha atenção. - Ele vem aqui todos os dias lhe ver.

    O calorzinho constituiu em meu peito, e uma necessidade absurda de querer Sasuke por perto tomou conta de mim.

    - É mesmo? - era notável o quanto eu havia ficado animada, eu tinha certeza que eu estava com aquela cara de bobona.

    Tsunade sorriu, balançando a cabeça.

    - Ele é bem insistente quando o assunto é você, chega a ser irritante.

    Ele veio me ver. Esse tempo que eu estive desacordada, Sasuke vinha me visitar.

    - E a senhora diante disso? - minha voz saía cautelosamente. - Não vai mais me proibir de vê-lo?

    - Como irei proibi-la quando eu vejo seus olhos brilhando quando eu menciono aquele rapaz. - senti meu rosto ficar quente. - E, aliás, eu só fiz aquilo para adiantar no desenrolar, não gosto das coisas pela metade, e o garoto cumpriu com a palavra, uma atitude honrada.

    Eu não consegui me segurar, e sem pensar duas vezes abracei minha avó. Era uma notícia boa, eu estava feliz.

    - Obrigada, vó. - eu disse, sentindo seu cheiro de flores campestres.

    - Querida, eu nunca quis seu mal e muito menos empatar sua vida amorosa. Eu te amo minha neta. - seus braços me rodeava, naquele abraço apertado.

    - Eu também te amo vovó, muito, muito, muito.

    Sim, eu amava a minha avó demais, e aquele laço só crescia a cada dia, mesmo com situações chatas do dia a dia. O nosso relacionamento era forte demais para ser quebrado por qualquer bobeira.

    Depois desse pequeno momento avó e neta, nos separamos e sorrimos cúmplices uma para outra. E de repente algo me fez despertar daquele momento e voltar a vida real.

    - Hoje é que dia da semana?

    - Terça-feira, amanhã tem aula.

    Virei minha cabeça para o lado e fitei minha janela fechada na cortina.

    - E que horas são?

    Tsunade verificou as horas no seu relógio de pulso antes de dizer:

    - Quatro e dez da tarde.

    - Uau, nunca dormi tanto assim. - em seguida meu estômago roncou.

    - E ficou tempo demais sem comer. - ela sorriu, ficando de pé. - Bom, vou preparar algo rápido para você comer.

    - E aproveito para tomar um banho, e ter coragem para enfrentar essa bagunça. - meu rosto se contorceu numa careta, fitando o quarto desorganizado, eu iria ter muito trabalho pela frente

    - A propósito - vovó parou no portal. -, como está se sentindo?

    Aquela pergunta me fez parar e refletir por um segundo.

    - Sei lá, estranha, diferente... eu despertei meus poderes, minha ficha ainda está caindo.

    - Logo se acostumará. Você agora está mais senssível às coisas a sua volta, vai perceber com mais nítidez, enxergar coisas que não enxergava antes. Não tenha medo, agarre seus dons e desenvolva-os.

    - Eu farei isso, fique trânquila, vou me tornar uma ótima bruxa.

    Vovó apenas sorriu antes de me deixar sozinha.

    Fui até o guarda-roupa e peguei uma roupa confortável e uma toalha de banho. Abri as cortinas e fitei a paisagem, o céu estava nublado, e ventava, acabei desistindo de abrir a janela. Em seguida fui até o banheiro, tomei um banho relaxante, e fiz minha higiene pessoal. Meu estômago roncou mais, e minha dor de cabeça aliviava, o que me deixava pensar com mais clareza.

    Depois de banho tomado e me sentindo limpa, desci as escadas sentindo o cheio da comida que vinha da cozinha. Tsunade estava terminando de preparar a comida. Comi tanto que mal conseguia ficar de pé.

    Foram duas semanas dormindo.

    Conversei um pouco mais com Tsunade, ela me explicava alguns detalhes da minha desculpa do meu pequeno acidente, e me entregou um atestado médico - que eu não tinha a mínima idéia de onde ela arrumou - para eu entregar na secretaria. Ela havia pensado em tudo e o resto era comigo.

    Quando voltei para o quarto naquele fim de tarde, tive trabalho para arrumar a bagunça, e deixar o quarto organizado novamente. Alguns de meus objetos de decoração estavam quebrados, e agradeci internamente por eu ter deixado meu celular dentro da gaveta antes de sair para o ritual a duas semanas.

    Dei uma rápida olhada nele, havia várias ligações de Ino, umas cinco de Tenten, e umas dez mensagens de Gaara. Todos deveriam está preoculpados comigo.

    Eu até pensei na possibilidade de ligar para eles, mas sabia que eles iriam me metralhar de perguntas, e eu precisava de mais tempo para dar a desculpa sem me atrapalhar.

    - Está mais calma agora? - a voz de Sasuke soou de repente, me pegando de surpresa.

    Tirei minha atenção do celular para ele que estava no meu portal, olhando para mim. O canto esquerdo de sua boca estava erguido para cima, naquele charmoso sorriso de lado.

    - Ganhou passe livre com a minha avó agora, é? - fiquei de pé e me aproximei enquanto observava ele adentrar o quarto, nos encontramos no meio do caminho.

    - Agora tenho uns créditos com ela. - suas mãos agarraram a minha cintura, e seus olhos negros me fitando intensamente. - Pelo menos não vou mais ter que pular a janela.

    Mordi o lábio, reprimindo um sorriso e sentindo meu coração disparado.

    - Até que eu gostava quando você pulava a janela.

    Desta vez ele sorriu abertamente, mostrando todos os dentes brancos. Lindo.

    - Vou tentar da próxima vez, mas quero manter uma boa imprensão com a sua avó. - ele aproximou seu rosto do meu e sussurrou baixinho, próximo ao meu ouvido: - Não quero que ela pense que eu sou um lobo selvagem.

    Fechei os olhos, sentindo uma onda de calor subir por minhas veias, meu estômago dava cambalhotas, eu havia prendido a respiração sem perceber.

    - Você está em alta com ela, caso queira saber.

    Sasuke afastou seu rosto um pouco do meu e automaticamente abri meus olhos, encontrando os seus me fitando. Aquele meio sorriso estava em seu rosto.

    - É bom saber disso.

    E num ato rápido ele capturou os meus lábios. Minhas mãos estavam em seu peito, sentindo o calor que evaporava de seu corpo enquanto minha boca se entreabria, apronfundando aquele beijo. Eu não esperava que eu estivesse com tanta saudades dele. Aliás, foram semanas sem que nós não nos tocavámos, e eu sentia que Sasuke estava mais nescessitado do que eu, já que me beijava com vontade e fervor. Vez ou outra descia uma trilha de beijos por meu queixo até meu pescoço, e um pequeno gemido escapou por minha boca. Suas mãos adentraram a minha camiseta, tocando a pele de minhas costas, me pressionando mais contra o seu corpo. E eu sentia que as coisas estavam esquentando.

    E como se lesse a minha mente, Sasuke se afastou, ofegante, seu peito subindo e descendo no ritmo de sua respiração descompaçada.

    - Uou. - ele disse, olhando meus olhos, seus lábios inchados e convidativos.

    Selei nossas bocas num longo beijo estalado.

    - Eu senti tanta a sua falta.

    - Eu também, muita. - outro beijo.

    - Como você está? - ele perguntou, assim quando nos separamos.

    - Como se eu estivesse dormido por duas semanas.

    - E acordou piadista.

    Sorri, afastando um pouco para trás, e agarrando sua mão grande e o puxando para sentarmos na minha cama, um de frente para o outro.

    - Um pouco.

    Ouvimos passos no corredor e erguemos nossa atenção ao mesmo tempo para a porta, encontrando uma Tsunade nos fitando.

    - Vó, o que foi?

    - Só para alertá-los que não quero essa porta fechada. - ela declarou, o rosto sério, desviando o olhar de mim para Sasuke. - Não é por que eu liberei que vocês vão poder fazer o querem. Nessa casa tem regras.

    Franzi o cenho.

    - Mas o quê...

    - Ah - Tsunade me interrompeu. -, já são quase dez horas, e amanhã vocês tem aula. - ela apontou para seu relógio de pulso. - Vocês só tem meia hora.

    Eu iria retrucar, mas a voz de Sasuke soou primeiro:

    - Eu entendi, senhora Tsunade, eu não vou demorar.

    Agora olhei incrédula para Sasuke e depois para minha avó.

    - Mas...

    - Ótimo. - ela me interrompeu novamente e escancarou mais a porta. - Não quero essa porta fechada.

    Em seguida ela saiu, nos deixando a sós. Era só o que me faltava agora.

    - Eu não estou acreditando que ela está fazendo isso. - murmurei, ainda fitando a porta aberta.

    - É melhor assim, evita problemas.

    Voltei minha atenção para Sasuke, e apertei os olhos.

    - De que lado você está?

    - Do nosso.

    Bufei, revirando os olhos.

    - Essa atitudes me faz pensar que ela não confie em mim. - o fitei. - Acho que ela pensa que nós vamos...

    Não consegui terminar a frase, sentia meu rosto ficando quente. Sasuke sorriu e aproximou o seu rosto e me beijou, calmo. Fechei os olhos sentindo o sabor de seus lábios friccionando contra os meus. Eu nunca iria me enjoar de beijá-lo. Eu o amava.

    Nos separamos, mas não quebramos o contato visual. Sasuke levou sua mão em meu rosto e o afagou delicamente.

    - Você não tem idéia do que eu senti quando a vi jogada no chão naquela noite. Eu pensei que havia acontecido o pior, me desesperei.

    - Você estava lá?

    - Apareci depois, encontrei Sai a vários metros, inconciente. E por um momento eu o odiei.

    - Você não fez nada com ele, fez? - perguntei, minha voz soando cautelosa.

    A mão dele abandonou o meu rosto e desceu por meu braço, e segurou a minha mão.

    - Não. - ele fechou os olhos e suspirou, depois voltando a abri-los. - Eu estava ocupado demais preocupado com você, mas Tsunade me repeliu para longe, disse para não chegar perto. Ela estava muito irritada.

    - Você fez bem em não se aproximar, eu estava protegida dentro do círculo mágico. Tsunade disse que eu salvei o Sai. Se ele tivesse atravessado o círculo, ele não teria sobrevivido.

    - Tive conciência desse detalhe. - ele disse, umidecendo os lábios. - Mas mesmo assim não amenizou a raiva que eu sentia do Sai naquele momento.

    - E como ele foi parar lá? - perguntei. - A Tsunade havia estudado bem o local, ele era bem distante e seguro para o ritual sem ter interferências.

    - A lua vermelha mexe com a nossa fera interior, ela fica mais agressiva, até para os mais experientes. Sai não tinha a sua fera dominada completamente e se descontrolou, acho que talvez ele se atraiu com o brilho da magia que vocês estavam fazendo. Mesmo a distância a gente sentiu o poder que vocês usavam.

    - Ah.

    - Sai causou problemas naquela noite, e Suigetsu foi uma de suas vítimas.

    Uni as sobrancelhas.

    - Suigetsu?

    - É o companheiro da Karin, ele é humano... - se interrompeu. - Quer dizer, era humano. Agora é um de nós. Eu acho que te expliquei quando um licantropo morde um humano na lua cheia vermelha, não foi?

    - Acho que sim. - fitei o colchão, procurando as lembranças em minha memória. - Ele é um meio sangue que só se transforma na lua cheia.

    - Isso. - ele abriu um meio sorriso. - Está difícil para ele se adaptar a esse novo "eu" dele, está bastante confuso.

    - Mas esse Suigetsu sabia sobre vocês? - perguntei.

    - Sabia, ele está com a Karin a alguns meses... O relacionamento deles é estranho.

    - Estranho, como assim?

    Ele sorriu.

    - Coisa da Karin, é cansativo explicar, outro dia eu conto para você.

    - Ahn, e o Sai diante disso tudo?

    - Está péssimo pelas coisas que fez, ele se culpa por ter avançado para cima de você e ter mordido Suigetsu. Mas vai ficar bem, ele já até voltou a frequentar as aulas semana passada, está mais empenhado a controlar a fera interior.

    - Mas de certa forma o Sai não tem culpa... quer dizer, ele tem uma fera que luta contra ele para ter o domínio, deve ser muito difícil de controlá-la. Eu não culpo ele por aquela noite.

    - Você não sabe o quanto é difícil dominar essa fera. - ele ergueu a mão e colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. - Você é tão boa.

    Sorri, mordendo os lábios, balançando a cabeça para os lados.

    - Não é que eu seja boa, eu só tento ver o lado de cada um.

    - É por isso que você é única - sua testa encostou a minha, nossos lábios roçando. -, e minha.

    Acabei com a tortura e o beijei, ele retribuiu. Minhas mãos pousaram em seus braços, sentindo os relevo de seus biceps, enquanto me entregava aquela sensação maravilhosa de estar perto dele.

    - Minha avó disse que você falou com o seu pai.

    - Eu conversei com ele - pegou uma mecha do meu cabelo e ficou enrolando em seu dedo. -, ficou irritado quando revelei que você era a minha companheira.

    - Devo imaginar, já que eu sou uma bruxa.

    - Também, mas ele ficou mais irritado foi por eu não ter contado isso antes. Meu pai estava junto quando tentavámos parar o Sai, e ele me viu agoniado por você.

    Prendi a respiração.

    - E aí?

    - Eu fui abordado por ele quando chegamos na vila, e eu contei tudo. - seu rosto se contorceu numa careta. - Pulando todo o e estresse e simplificando toda a convera e os sermões morais que recebi, ele quer te ver.

    - Eu já estou ciente deste detalhe.

    - E vai amanhã.

    Juro que demorei vinte segundos para processar aquelas palavras. Amanhã? Meus olhos arregalaram e num impulso dei um pulo da cama e fiquei de pé.

    - O quê? Como assim amanhã? - comecei a pirar, minha voz saindo histérica. - Sasuke está muito em cima, é daqui a alguma horas. Esse amanhã é amanhã! - comecei a andar em círculos pelo quarto, visivelmente nervosa. - Eu preciso de tempo para preparar meu psicológico...

    Sasuke agarrou meu pulso e me puxou, fazendo-me sentar em seu colo.

    - Ei, fica calma, isso não é um bicho de sete cabeças.

    Fitei seus olhos que estavam com um brilho de diversão com a minha crise de histeria.

    - Você fala assim por que não é você que vai conhecer os pais do seu namorado.

    Ele prendia uma risada.

    - Isso não tem graça. - dei um tapa em seu braço. - Pare de rir.

    As risadas dele ecoram por todo o quarto, e eu estava tensa o bastante para aprecisar suas gargalhadas gostosas.

    Empurrei seu corpo para trás e saí de seu colo, visivelmente irritada.

    - Isso não tem graça. - eu observava ele deitado na minha cama ainda rindo. - Idiota.

    Ele se recompôs e ficou de pé, se aproximando de mim, fiz beicinho e cruzei os braços.

    - Você fica linda irritada.

    Não respondi, e ele me abraçou.

    - Ei, não precisa ficar zangada, você vai se sair bem, eles vão gostar de você.

    - Até parece. - murmurei.

    - Não vou negar que eles não são grande fã de vocês bruxas, mas eles vão abrir uma excessão quando conhecerem você.

    Desfiz o meu bico e fitei os seus olhos.

    - Eu estou nervosa.

    - Vai dar tudo certo.

    Descruzei os meus braços e retribuí o seu abraço, afundando meu rosto em seu peito, sentindo o seu cheiro gostoso.

    - Espero que você esteja certo. - murmurei baixinho.

    Eu iria conhecer os pais de Sasuke, e eu estava terrivelmente nervosa. Não sabia o que iria acontecer nesse encontro, pois eu torcia para que a minha má sorte não desse as caras para que tudo ocorresse bem.

    Pois era amanhã que eu iria entrar na toca do lobo.


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