Lua de Sangue

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 16

    Acônito

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Saltei da cama rapidamente ficando de pé, atrapalhando-me no ato e quase atropelando Sasuke que estava no chão se levantando meio que desconcertado. Meu coração batia tão forte, meu corpo todo tremia e o nervosismo era visível em minha expressão por ver Tsunade olhando a cena lamentável com uma cara nada boa.

    Minha boca abriu, mas voltou a fechar, eu não conseguia pronunciar uma só palavra. Eu não conseguia agir sob pressão, eu travava. O clima estranho e pesado que havia se apossado em meu quarto fazia com que eu pensasse muito bem antes de abrir a boca e me retratasse do pequeno, quer dizer, a mancada que eu havia dado.

    Tsunade não falava nada, apenas nos observava, e agora ela estava cruzando os braços enquanto lançava aquele olhar.

    Droga! Tudo, mas menos aquele olhar. Eu tive a total certeza de que eu estava excepcionalmente ferrada.

    Pude senti Sasuke ao meu lado agora, mas eu estava tão assustada que não consegui desviar os meus olhos de minha avó. Afastei meu corpo do dele, dando a volta ao redor da cama, com passos pouco tropeços em direção à porta. Mas o que piorou tudo e deixou a minha situação dolorosamente mais estranha foi à coisa mais estúpida que eu podia dizer em toda a minha vida:

    - Vó, não é nada disso que a senhora está pensando!

    Eu vi sua expressão ficar mais dura e o V no meio entre suas sobrancelhas ficarem mais visível, me fazendo parar. Não ousava dar mais um passo para perto daquele um metro de distância que havia entre nós duas.

    - Eu não estou pensando nada, Sakura, eu estou vendo.

    - Senhora Tsunade, eu posso explicar. - a voz de Sasuke soou naquele quarto enquanto ele se aproximava para perto de mim.

    Meus olhos arregalaram. Não, tudo menos isso.

    Eu que tinha que conversar com a minha avó e não ele, sua presença ali só iria piorar ainda mais a situação. Eu ainda tinha a consciência do dia que Tsunade me pediu para ficar longe dele, assim como os membros de sua alcatéia. Mas o que ela não sabia era que isso era impossível, pois eu era a companheira dele. Eu iria explicar tudinho para ela e com calma. Com Sasuke ali eu não iria conseguir me expressar do jeito que devia, e começaria a dizer coisas que não deviam. Ou seja, eu iria bancar a idiota.

    Virei meu corpo rapidamente em direção de Sasuke, levando minhas mãos em seu peito, o empurrando lentamente seu corpo para trás, trazendo sua atenção que estava em Tsunade para mim.

    - Sasuke é melhor você ir embora...

    - Não. - a voz de Tsunade ecoou forte e decidida, me cortando no meio da frase e fazendo tanto eu como Sasuke olhar para ela. Seu dedo indicador apontou para ele. - Você fica rapaz.

    Não pude evitar que meus olhos arregalassem mais uma vez e meu coração por um segundo parou. Isso era um mau sinal. Engoli em seco.

    - Vó...

    - Sem, mas, Sakura. - ela me interrompeu novamente, e descruzou os braços. - Quero os dois lá na sala agora.

    Ela deu mais um olhar duro em nós dois antes de dar as costas e sair do meu quarto, deixando a porta aberta. O silêncio que se formou a seguir fez com que eu pudesse escutar as batidas forte de meu coração disparado, e seus passos rápidos e pesados descendo as escadas de madeira.

    Eu estava ferrada. Droga, como eu estava ferrada!

    Senti a mão grande e quente de Sasuke em meu ombro, transpassando de alguma forma um pouco de conforto e seu calor desumano para mim, mas eu estava nervosa o bastante para poder usufruir de sua presença.

    - E agora? - questionei baixinho, fechando meus olhos bem apertados.

    Sua mão apertou meu ombro enquanto a outra apertava a minha barriga, num abraço por trás. Ele deixou um beijo cálido em outro ombro, mordi o lábio.

    - Vamos descer e falar com ela. - ele disse com a voz baixinha e rouca próximo ao meu ouvido, fazendo um arrepio subir em minha nuca. - Vai dar tudo certo.

    Abri meus olhos e virei-me para ele, sua expressão estava calma.

    - Você não conhece a minha avó. - seus olhos negros não parecia abalados. - E como você pode ficar tão calmo desse jeito?

    Sasuke apenas sorriu de canto, antes de deixar um beijo rápido em meus lábios.

    - Eu estou tentando manter a calma. Também estou nervoso - ele confessou. -, mas o melhor a se fazer é enfrentar logo a sua avó, pois ela não é um bicho de sete cabeças.

    - Eu queria ter a sua coragem.

    Ele sorriu meio que comprimido e me puxou pela mão para fora do quarto. Assim quando descemos as escadas demos de cara com uma Tsunade no meio da sala, nos esperando. Aproximamo-nos enquanto nós éramos o alvo de seus olhos em nossas mãos entrelaçadas uma na outra.

    Paramos em sua frente, o clima constrangedor e pouco assustador fazia com que o suor e o tremor em minhas mãos se duplicassem, mas eu podia sentir a mão de Sasuke apertar a minha, me transmitindo confiança e conforto.

    Eu nunca poderia imaginar está numa situação como essa, pois nunca havia arrumado um namorado sobrenatural... quer dizer, eu nunca arrumei um namorado em toda a minha vida, não sabia como reagir diante daquela situação. Era novo para mim, eu era nova em relacionamentos. E está ali de frente para uma Tsunade com aqueles olhos avaliadores era realmente apavorante.

    - Vamos, expliquem-se. - sua voz soou naquele timbre de calmaria, mas ao mesmo tempo sério, fazia com que minha coragem fugisse para dentro de algum buraco.

    Engoli em seco, e soltei a respiração pela boca lentamente, antes de inspirar fundo tomando um pouquinho de coragem.

    - O Sasuke e eu estamos namorando. - aquela frase soou rápida e direta, parecia que o entalo havia saído de minha garganta quando pronunciei aquela frase em voz alta. Senti-me de alguma forma mais leve.

    A sobrancelha fina e loira de minha avó arqueou-se lentamente para cima, e seu olhar castanho apertou-se, focado em mim.

    - Namorando? - ela questionou, não parecia surpresa. - Há quanto tempo vocês estão juntos?

    - Alguns dias. - minha voz soou baixinha e totalmente tímida, sentia minhas bochechas ficarem levemente coradas.

    Sasuke deu um passo para frente e sua voz tomou posição a minha:

    - Senhora Tsunade, a minha intenção com a sua neta são as melhores possíveis.

    O olhar pesado de minha avó agora estava todo sobre Sasuke, que parecia calmo e inabalado, com aquele jeito sério e intimidante. Um verdadeiro lobo predador.

    - Melhores? ? repetiu, sua voz saindo meio que sarcástica. - No quarto trancado com ela?

    - Vó, eu juro que não aconteceu nada. - me intrometi, dando um passo para frente, tentando apaziguar a situação que ia de mal a pior. Mas o que eu ganhei foi um olhar irritado dela, me fazendo recolher para trás novamente.

    - Não aconteceu por que eu cheguei a tempo, Sakura. - em seguida voltou sua atenção para Sasuke. - E você rapaz, eu sei que sua alcatéia mantém uma lei que não permitem que vocês convivam com bruxas. Sua família sabe que você está se envolvendo com a minha neta?

    - Não. - a resposta de Sasuke veio rápida e baixa.

    - Então vocês estão namorando escondido. - aquela havia sido uma afirmação.

    Eu iria me pronunciar, mas senti o aperto da mão de Sasuke na minha, num gesto mudo que me pedia para deixar tudo com ele.

    - Não vai ser por muito tempo, irei falar com o alpha sobre isso.

    - Quando? - ela perguntou, demonstrando sua pouca paciência.

    - Logo. - ele respondeu, sem desviar os olhos dela. - A alcatéia está passando por uns problemas com um dos membros recém-formado. Estamos numa situação meio que delicada.

    - O filho de Obito que você está se referindo? - Tsunade questionou, parecia alheia a situação, Sasuke assentiu concordado. - Eu soube por terceiros. Se vocês quiserem eu posso ajudar.

    Ele balançou a cabeça para os lados.

    - Está tudo sobcontrole, mas agradeço por isso. Ainda não tive a oportunidade de comunicar sobre isso com o meu pai.

    Os lábios de minha avó crisparam-se, enquanto as suas sobrancelhas se uniam ainda mais.

    - Olha, Sasuke, eu te conheço desde pequeno, assim como o seu pai. Eu vi ambos crescerem, como a maioria de vocês da sua vila. Eu estou nessa cidade faz anos, tenho um tratado com o seu avô, o antigo alpha, o que vale para o seu pai, o atual. Eu tive uns problemas com sua alcatéia uns tempos atrás por causa de um de meus protegidos com um dos seus. Não quero quebrar tratado algum e muito menos problemas para mim futuramente.

    - Eu garanto que a senhora não vai ter problema, irei resolver essa situação. - Sasuke deu uma pausa. - A alcatéia terá que ceder de qualquer forma quando ficar ciente de que a Sakura é minha companheira marcada. Não tem como eles questionar ou proibir, é uma lei.

    O olhar de minha avó desviou de Sasuke para mim, eu podia sentir meu rosto ficando quente, principalmente pela revelação dele em eu ser sua companheira, aquilo soava tão íntimo.

    - Companheira? - agora ela voltou à atenção para Sasuke.

    - Sim.

    Tsunade ficou alguns segundos calada, talvez pensando na real situação. O meu envolvimento com Sasuke iria além do que ela imaginava, não era um simples romance adolescente que iria acabar daqui a alguns meses ou semanas. Nós éramos prometidos um para o outro pelos deuses, eu era a companheira marcada para toda uma vida de um licantropo. Ninguém podia separar um lobo de sua companheira, isso burlava todas as suas leis propostas deles... bom, foi isso que Sasuke havia explicado para mim.

    Minha avó soltou um suspiro cansado, passando a mão em sua testa.

    - Isso muda tudo. - ela murmurou, fechou os olhos por um momento para depois voltar a abri-los. - Mas mesmo assim eu quero deixar claro que minha neta não é qualquer uma, mesmo que os dois sejam marcados um para o outro. Sakura é uma moça de família, e não gostei de ter ver no quarto dela e com os dois em cima de uma cama.

    - Eu admito que errei em está no quarto dela sem o seu consentimento. - confessou Sasuke sem alterar sua voz calma. - Eu sei muito bem que a Sakura é uma garota direita e de família, mas eu quero algo sério com ela e não brincadeiras.

    Prendi a respiração, sentindo meu coração acelerado nas batidas. Meu interior se contorcia em agitação e gritava de felicidade por ouvir aquelas palavras. Por mais que estivéssemos juntos como um casal ele não havia mencionado nada sobre namoro ou algo assim.

    Tsunade apenas assentiu com a cabeça, concordando.

    - Assim espero. - ela disse. - Não vou empatar vocês de ficarem juntos, mas quero saber a data exata de quando você vai falar com seus pais. Não quero que essa situação se prolongue mais do que o esperado, gosto das coisas certas e não pela metade.

    Sasuke balançou sua cabeça para cima e para baixo. Eu prendia um sorriso que queria escapar em minha boca com todas as minhas força. As coisas pareciam que estavam se encaixando e isso era bom.

    - Eu comentei com a Sakura que irei esperar a lua cheia passar para comunicar ao alpha.

    - Sim, entendo. - ela desviou o olhar dele para mim por um instante. - Eu permito o namoro de vocês, se você cumprir o que falou.

    - Eu vou cumprir, eu só preciso desses dias.

    - Você tem esses dias.

    Não pude evitar uma onda de felicidade invadir-me por dentro. O sorriso que eu tentava reprimir agora era visível em meu rosto. Eu não estava acreditando no que estava acontecendo, não estava acreditando que Sasuke tinha razão e que tudo estava dando certo. Mas como tudo não era um grande mar de rosas, a minha má sorte voltou a bater em minha porta com a seguinte declaração de Tsunade:

    - Mas até lá não quero ver vocês dois juntos.

    - O quê? ? minha voz saiu mais alta do que esperava. O sorriso que estava em meu rosto havia morrido na mesma hora. - A senhora não pode fazer isso!

    - Posso, como eu vou fazer. - sua voz dura me repreendeu. - Eu vi como os dois estavam na cama agarrados, se eu não chegasse a tempo, Deus sabe o que teria acontecido.

    - Mas eu já disse que não aconteceu nada! - agora eu estava ficando irritada e histérica.

    - Não aconteceu, mas não posso arriscar. Sei muito bem como é os hormônios da juventude, e você sabe muito bem das suas obrigações. E para não houver mais riscos, vocês não vão mais se ver até esse rapaz - ela apontou para Sasuke. - resolver tudo com sua alcatéia.

    - Mas...

    - Tudo bem, Sakura. - Sasuke me interrompeu, soltando a minha mão e a colocando em meu ombro, ele continuava olhando minha avó. - Vou cumprir o que eu falei.

    - Ótimo. - ela disse, com aquele tom autoritário. - Vamos, eu te levo até a porta para você não se esquecer onde fica.

    Tsunade seguiu rumo até a saída e abriu a porta, um ato totalmente grosseiro de sua parte. Sasuke olhou para mim uma última vez e murmurou um tchau antes de se afastar e ir embora.

    Eu fiquei parada como uma tonta, ainda processando tudo que havia acontecido, rápido demais para o meu gosto. Ouvi o som da porta da sala se fechando e os passos de minha avó se aproximando.

    - Isso é injusto. - eu disse com a voz carregada de magoa, fitando algo invisível no sofá.

    Minha avó não havia dado chances de nos despedimos. Ela havia sido grosseira em não ter dado brechas para outras opções, a não ser a sua declaração final e ponto.

    - Eu não fui injusta, Sakura. Eu fui justa.

    Ergui meu olhar para ela que me fitava com o rosto sério e os lábios crispados.

    - Vó...

    Ela me interrompeu, com mais um olhar repreendedor.

    - Não quero escutar lamúrias, Sakura. - ela franziu mais o cenho. - O que você tem na cabeça, me diga? - ela deu uma pequena pausa. Mantive-me calada. - Nas vésperas do ritual você me apronta uma dessas. Será que você não percebe a gravidade do que você estava fazendo?

    - Mas não é justo a senhora me proibir de vê-lo. - minha voz saiu alta e rebelde, eu estava irritada com ela.

    - Pode parecer injusto para você, mas irá me agradecer mais tarde por ter impedido que o pior acontecesse.

    Meu rosto tomou uma expressão descrente, minhas sobrancelhas se unindo.

    - A senhora fala como se eu fosse me deitar com ele na primeira oportunidade. Eu estou consciente das minhas obrigações com esse ritual idiota!

    - Olha o tom que você está falando comigo, me respeite. - ela me repreendeu com a voz mais alta que a minha. - Você não entende a gravidade da situação. Vocês dois foram inconsequentes demais. E se caso Fugaku tivesse pegado vocês dois juntos por aí sem o consentimento dele... Olha o problema que você iria me arrumar, Sakura!?

    Recuei.

    Engoli amarga a resposta que estava na ponta da minha língua, e permiti que minha mente revisasse tudo.

    Mas que droga, eu estava agindo como uma garota desajuizada que só pensa em si. Eu não estava me conhecendo, eu sempre fui uma boa filha, uma boa neta, sempre andei na linha e fazia a coisa certa. Mas o fato de eu ter me machucado emocionalmente com a perda de meus pais, abalou-me por inteiro, meus sentimentos ficaram despedaçados, meu emocional totalmente destruído.

    Sasuke havia entrado na minha vida como um milagre, na hora que eu mais estava precisando. Eu estava me escorando nele, estava fazendo ele o meu pilar de sustentação, substituindo o antigo que havia se quebrado. Eu estava me apegando a ele de tal forma que se eu o perdesse, a minha destruição seria fatal.

    Eu estava carente de amor, e Sasuke estava me dando todo o amor que eu precisava.

    Meus olhos haviam se fechado, eu me fechei completamente para a realidade e comecei a viver num pequeno mundo dentro de uma bolha, onde só eu e ele existíamos e mais ninguém. Nada mais importava quando Sasuke estava por perto, e isso fez com que minha razão não enxergasse o outro lado.

    Que nada era perfeito.

    Tsunade não só estava preocupada por eu perder a minha virgindade antes do ritual, mas sim os problemas futuros que o meu envolvimento com Sasuke podiam causar. Ele não havia comunicado com o alpha a nossa situação. E pelo que entendi, se caso o alpha soubesse por terceiros que seu filho estava se envolvendo com uma bruxa - fato que era proibido em sua alcatéia - o tratado de paz entre bruxas e licantropos iriam para o espaço. E tudo seria culpa minha.

    Abaixei minha cabeça, sentindo o peso em meus ombros novamente, imaginando mil possibilidades de que a conversa que Sasuke terá com seu pai poderia não ser tão boa assim.

    - Me desculpe. - murmurei baixinho, envergonhada demais com as minhas atitudes que não conseguia mais olhar em sua cara.

    Vovó soltou um suspiro cansado.

    - Não quero seu mal, Sakura, e muito menos quero empatar sua felicidade. Tenho consciência da regra absoluta dos lobos com suas companheiras marcadas e confesso que fiquei mesmo surpresa com essa revelação. - ergui meu olhar e a fitei. Seu rosto agora era sereno. - Mas eu peço para ir com calma, e fazer as coisas conforme as leis estabelecidas em ambas às partes.

    Não havia como discutir alguma coisa, eu apenas balancei minha cabeça para cima e para baixo, concordando.

    - Venha comigo.

    Ela caminhou até seu escritório com passos normais. A segui em silêncio, ainda extasiada com tudo aquilo que estava acontecendo naquele dia cheio. Observei minha avó dando a volta a sua mesa de madeira retangular e abrir uma das gavetas que havia nela. Dei alguns passos para mais perto a vendo tirar um objeto de dentro e fechar a gaveta, trancando-a com chave.

    Ela estendeu sua mão com o objeto para mim.

    - Pegue-o.

    Ergui minha mão e peguei o vidro branco e redondo, apoiado num emoldurado de prata com pedras brancas o enfeitando, como se fosse um pequeno castiçal. A tampa pequena e redonda era de prata com um cristal em forma de gota na ponta. Franzi o cenho, admirada com o frasco bonito em minhas mãos.

    - O que é isso?

    - É um perfume de Acônito. - respondeu, atraindo meu olhar de volta para ela. - Quero que você use a partir de hoje até o dia do ritual. Ele tem uma fragrância muito forte, eu sugiro que derrame apenas uma gota no dedo e esfregue-os antes de passar em si.

    Voltei minha atenção ao vidro em minhas mãos, girando a tampinha de prata com o cristal. Não precisou aproximar o vidro para sentir o cheiro agradável e ao mesmo tempo familiar.

    - E por que eu teria que usar isso? - voltei meus olhos para Tsunade enquanto tampava o vidro.

    - Essa é a garantia que terei de que você ficará pura até o ritual, e também uma garantia de que aquele garoto cumpra o que prometeu.

    - Não estou entendendo o que uma coisa tem haver com a outra.

    Ela voltou seus passos para perto, escorando com o quadril em sua mesa.

    - Mas vai entender depois. Agora quero que me prometa que irá usá-lo.

    - Precisa prometer? - questionei, arqueando as sobrancelhas para cima.

    - Prometa.

    - Mas...

    - Sakura. - ela me interrompeu, com a voz dura.

    Soltei o ar pelo nariz, cansada de discutir mais naquele dia.

    - Tudo bem. - respondi, dando mais uma olhada no vidro bonito em minhas mãos.

    - Só estou precavendo qualquer erro que possa acontecer futuramente. - ela disse. - E isso também fará com que aquele rapaz adiante logo o que tem a tratar, cumprindo o que falou.

    Não quis fazer mais pergunta, pois sabia que a resposta iria ser vaga. Tsunade não estava sendo clara comigo mais uma vez, e caso eu quisesse saber de mais alguma coisa, eu teria que descobrir por contra própria, o que era realmente cansativo.

    Meu corpo dava sinais de esgotamento, assim como mental, já havia chegado a hora de bater em retirada.

    - Posso ir para o meu quarto? Eu estou cansada.

    - Claro, pode ir. - ela assentiu.

    Não pensei duas vezes em dar as costas e sair de seu escritório. Subi com passos corridos as escadas e entrei em meu quarto batendo a porta e me jogando na cama, com a cara no colchão.

    Por que tudo tinha que ser complicado? Por que as coisas não podiam ser simplesmente mais fácil?

    Apertei o frasco de perfume na mão, recolhendo meu corpo, deixando-o agora encolhido de lado. Voltei a olhar o vidro bonito, tentando de alguma forma entender o que esse perfume tinha haver com Sasuke em apressar o que prometeu. Como se eu fosse conseguir ficar longe dele. Acho que Tsunade havia se esquecido que nós dois dividíamos a mesma sala de aula. Eu podia vê-lo nos intervalos e durante a aula de matemática.

    Suspirei.

    Às vezes eu queria voltar no tempo em que eu era apenas uma criança. As coisas naquela época eram fáceis, a inocência infantil fazia com que criamos em nossas cabeças um mundo belo e bom, passando uma espécie de manta invisível por cima do mundo podre e injusto que vivemos.

    O final de semana se passou lentamente e tediosamente. A chuva tomou proporções maiores, destruindo todo um dia lindo e ensolarado, fazendo com que um frio chato impedisse que as pessoas colocassem as caras para fora, e eu era uma dessas pessoas. Só saí do quarto para ir ao banheiro e a cozinha.

    Tsunade ficou em casa com um olho em suas coisas e outro em mim. Eu sentia que ela estava em alerta e não me deixava sozinha por muito tempo. Vez ou outra ela conferia disfarçadamente se eu não estava fazendo nada de errado, ou se caso tivesse um lobisomem em cima da minha cama novamente. Tanta atenção assim me deixava sufocada, me senti numa penitenciária.

    Sasuke não havia dado sinal de vida por todo o sábado, mas me mandou uma mensagem de texto no começo da noite de domingo, perguntando se eu estava bem e dizendo que estavam morrendo de vontade de me ver, mas disse que iria manter o trato que havia feito com a minha avó.

    Também não deixei de me queixar com ele, dizendo o quanto a minha vida estava tediosa sem sua presença, e que estava de certa forma chateada por minha avó ter me proibido de vê-lo. Mas prometemos um ao outro que na segunda-feira nós arrumaríamos um jeito de nos vemos.

    Aquela noite parecia a mais longa de todas, eu não tinha mais sono, e minha cabeça trabalhava em mil e uma possibilidades de como a minha vida havia tomado um rumo totalmente diferente do que eu tinha imaginado.

    Há alguns dias eu me lamentava pela morte prematura de meus pais e traçava meus planos futuros de ir para longe de Konoha. Mas agora tudo era diferente, pois tinha algo que me prendia a essa cidade pacata e chata. Agora eu queria mais do que tudo fincar meus pés nessa terra e traçar um novo destino para mim, um novo futuro que nele Sasuke era o principal componente.

    Com tudo isso rodeando a minha mente eu não percebi quando caí no sono e acordei num susto ao som irritante do despertador de meu celular.

    Remexi-me lentamente na cama, sentindo meus membros doloridos por causa da posição ruim em que eu havia dormido. Meus olhos ardiam, minha cabeça doía e meu corpo estava com a sensação de que eu carregava uma pedra enorme. O cansaço era visível em meu rosto amassado com olheiras, o cabelo bagunçado refletia o reflexo no espelho do banheiro.

    Eu estava um verdadeiro lixo humano, consequência de uma noite mal dormida.

    Fiz minha higiene matinal e tomei um banho quente, aproveitando para lavar meu cabelo. Voltei para o quarto enrolada numa toalha, ouvindo o som da chuva castigando lá fora e os pingos batendo em minha janela.

    Vesti jeans preto, uma camisa de mangas comprida vermelha por cima de uma camiseta branca, e meu tênis Converse preto nos pés. Olhei novamente minha aparência desleixada no espelho da minha penteadeira, resolvendo apagar as olheiras com um corretivo e um pouco de pó e um brilho incolor nos lábios.

    Minha situação ficou um pouco melhor, e agradeci a majestosa maquiagem e seu poder de melhorar tudo. Resolvi deixar os cabelos soltos mesmo, já que estavam molhados, colocando apenas uma tiara simples e vermelha na cabeça, dando um visual um pouco melhor naquela pessoa acabada que eu havia acordado hoje.

    Verifiquei em minha mochila se não estava faltando nada, e a coloquei no ombro, pegando o celular que estava em cima da cama e a jaqueta jeans. Desci as escadas jogando minhas coisas no sofá da sala.

    Tsunade já estava arrumada com seu terninho preto, a meia-calça cinza, o sapato preto de salto e o seu coque alto na cabeça, a deixava com um ar de mulher séria e poderosa. E como todas as manhãs, ela terminava de arrumar a mesa para o café da manhã quando entrei na cozinha.

    Murmurei um bom dia apagado, trazendo sua atenção para mim.

    - Bom dia, querida. - ela sorriu, mas logo ficou séria, e franziu o cenho. - Por que você não está usando o perfume?

    Parei o processo de rastejar a cadeira para sentar e olhei para ela.

    - Eu esqueci. - não estava mentindo, eu realmente havia me esquecido desse pequeno detalhe totalmente sem fundamento.

    - Antes de sair para o colégio quero que o coloque.

    Reprimi a vontade de revirar os olhos e me sentei na cadeira.

    - Tá. - murmurei baixinho. Odiava o fato dela sempre dizer as coisas pela metade e ficar nesse clima chato de que alguma coisa boa não iria sair disso, pois era isso que eu sentia quando ela falava desse perfume estranho.

    Enchi meu copo de suco e peguei uma fatia de pão integral, passei margarina para depois dá uma pequena mordida, começando o meu processo alimentício.

    - Hoje te levarei para a escola.

    Apenas assenti com a cabeça, não estava com vontade de gastar saliva para respondê-la. Eu ainda estava ressentida por causa de sexta à noite. E muito menos rebati o fato dela me levar, pois eu não estava com vontade de sair na chuva até o ponto de ônibus, não mesmo.

    Terminamos de comer em silêncio, e minha falta de interesse de continuar um diálogo fez com que minha avó desistisse de tentar alguma coisa para que eu desfizesse a minha cara de morta viva.

    Subi para o quarto só para colocar o maldito perfume, que eu tinha que admitir que o cheiro era incrível, despertando novamente aquela sensação familiar que eu já havia sentindo aquele cheio em algum lugar. Até tentei forçar um pouco a mente, mas nada vinha na hora.

    Resolvi deixar isso de lado e saí do quarto. Tsunade me esperava na sala enquanto mexia em sua bolsa. Coloquei minha jaqueta e peguei minha mochila e o celular. Percebi o jeito satisfeito de minha avó quando sentiu o cheiro do meu novo perfume, mas ela não disse nada, apenas abriu a porta e saiu. Fiz a mesma coisa, sentindo o frio do lado de fora bater em minhas bochechas e fazer com que meus cabelos úmidos ficassem mais frios.

    Corri para dentro do Jeep, fugindo da pequena garoa que caía. Eu pedia internamente para que a chuva acessasse, para que assim eu pudesse escapar para os fundos do prédio um, e me encontrar com Sasuke.

    Não demorou para chegarmos a escola e para a minha alegria, aquela parte de Konoha não estava mais chovendo, o que era um alívio. Murmurei um tchau para minha avó e saí do Jeep, sem dar a oportunidade dela me dar outro pequeno sermão, não estava com cabeça para aquilo. Aliás, eu não estava com cabeça para nada, meu dia já havia começado péssimo.

    Caminhei por aquele chão de concreto totalmente molhado, desviando de alguns alunos que desciam do ônibus escolar que estava parado, e não demorou para que eu visse Gaara descer do ônibus que nós pegávamos.

    Ele olhou para os lados e me viu. Pude ver o sorriso animado se abrindo em seu rosto, mas conforme eu me aproximava eu percebi seu sorriso morrendo lentamente enquanto seu peito subia e descia numa respiração rápida e pesada.

    Franzi levemente o cenho, estranhando a forma como ele havia mudado.

    - Oi, Gaara. - o cumprimentei, forçando um sorriso, me sentindo de alguma forma preocupada com ele.

    - Oi. - sua voz saiu estranha, parecia dolorosa.

    Ele deu um passo para trás e automaticamente colocou uma mão tampando o nariz e a boca. Seu rosto estava pálido como papel, e sua coordenação motora estava enfraquecendo. Meu instinto ficou em alerta.

    - Você está passando mal... meu Deus você está pálido. - forcei um passo para frente e ele deu três cambaleantes para trás.

    - Eu não... sei. - ele disse pausamente. - E-estou... com falta de... ar.

    Ele deu mais um passo para o lado e quase foi ao chão se não fosse o garoto com cabelos espetados - se não em engando era o tal do Shino - que o segurou pelos ombros.

    - Ei cara, tá passando mal? - ele perguntou com a voz preocupada.

    - Ele está com falta de ar. - comecei, fitando Shino rapidamente, antes de voltar minha atenção para Gaara que ainda mantinha a mão tampando o nariz.

    Shino me fitou por um segundo, antes de voltar sua atenção para Gaara que tentava se recompuser, mas sem sucesso.

    - Vamos à enfermaria. - ele declarou, passando um dos braços de Gaara por seu ombro.

    - Eu ajudo...

    - N-não. - ele me interrompeu, me fazendo travar o pé. - O Shino me leva... mas valeu por se preocupar. - sua voz saía abafada por causa da mão.

    - Tem certeza? - perguntei, sentindo-me de alguma forma mal por vê-lo daquele jeito e meio que ressentida por ele ter negado minha ajuda.

    Ele sentiu levemente.

    - Tá legal. - disse baixinho, observando agora Shino o ajudar a caminhar até a enfermaria.

    Voltei a caminhar em direção ao prédio dois, tirando a atenção dos dois garotos, e agora varrendo com o olhar toda a área aberta da frente, atrás de Sasuke, mas não vi sinal dele e de nenhum de seus amigos.

    - Ei.

    Olhei para trás automaticamente vendo Ino vindo até mim com suas roupas num verdadeiro mundo cor-de-rosa. Ela fez um sinal de pare com a mão e a esperei.

    - Você viu o Gaara indo em direção à enfermaria com o Shino? - ela disse tudo àquilo num único fôlego, assim quando se aproximou de mim.

    - Oi para você também, Ino.

    - Ah, oi. - ela sorriu dócil, mas logo voltou sua cara de espanto de antes. - Você viu?

    Ino era mesmo impossível.

    - Ele não estava se sentindo bem.

    Pela expressão no rosto dela parecia que eu havia dito que o mundo estava para entrar em um estado apocalíptico.

    - E o que ele tem? - sua voz era notável a preocupação, enquanto voltava sua atenção à direção do prédio um. - Nunca vi o Gaara passando mal e muito menos pegar um resfriado. Tenten e eu sempre o zoamos, dizendo que ele era algum experimento do governo, por que, tipo, ele nunca fica doente.

    - Eu não sei explicar. - realmente eu não sabia, mas talvez seja um mal estar temporário, coisas que dão do nada e sem explicação.

    Ela voltou a me fitar com seus olhos azuis cheio de rímel.

    - Tomara que não seja nada grave.

    - Tomara.

    Entramos no prédio dois, recebendo o aconchego quente que estava ali. O sinal já havia tocado e todos caminhavam para suas salas de aulas.

    - Agora me conta, como foi o jogo de Paintball? Porque até agora eu não entendo como você pode gostar desse esporte violento.

    - Paintball não é um esporte violento, e sim divertido para o seu governo, e eu adoro.

    O rosto de Ino se contorceu numa careta de desgosto.

    - O meu primo foi num que tem na cidade vizinha e ficou cheio de hematomas pelo corpo. - ela comentou, tentando quebrar o meu argumento.

    - Isso porque ele não deveria está usando os equipamentos de proteção direito. - dei de ombros. - Você poderia ir jogar com a gente da próxima vez.

    Desviamos de alguns alunos naquele corredor, e dois esbarram com o braço e a mochila em mim.

    - Me tira dessa, não quero ficar marcada ou... sei lá, eu não gosto e pronto. E a senhorita não respondeu a minha pergunta.

    Suspirei, nada passava despercebido pela atenção exagerada e os olhos captores de qualquer vestígios de mentira e da memória fotográfica de Ino. Eu havia percebido que ela era mestre em quesito em descobrir uma boa fofoca.

    - Foi legal. - medi o nível de palavras que eu podia falar. - A Tenten desistiu de última hora, por causa de algo que ela teria que fazer na outra cidade, e só foi Gaara e eu para o campo.

    - Uau. - um sorriso meio que malicioso se espalhou por sua boca pintada de rosa-pink. - Os dois sozinhos e num campo de esporte violento...

    - O que você está insinuando, Ino? - a interrompi, parando no corredor onde ficava a sala da minha primeira aula, e a fitei com os lábios crispados.

    Ela ergueu os ombros para cima, fazendo uma cara inocente totalmente fingida.

    - Eu não estou insinuando nada. - ela ergueu as palmas das mãos para cima. - Você que está dizendo.

    Revirei os olhos e voltei a andar. Ino soltou uma risada de repente.

    - Acho que agora entendo por que o Gaara está passando mal. - a olhei de ombro. - O garoto acaba com sua vida adolescente em cima de um sofá assistindo televisão sem fazer nenhum exercício físico, e quando faz fica doente.

    Ino era uma verdadeira peste, com suas teorias totalmente ridículas. E o pior, era que ela havia conseguido arrancar uma risada comprimida de mim.

    - A Tenten precisa saber disso. - ela continuou em meio às gargalhadas.

    Apenas balancei a cabeça para os lados. Coitado do Gaara.

    Cheguei à porta da sala de minha primeira aula, podendo ver o professor em pé, de frente a sua mesa mexendo em suas coisas.

    - Tchau, Ino.

    - Me espera, viu?

    Não a respondi e muito menos olhei para ela. Entrei na sala um pouco mais atrasada do que costume, não que eu estivesse realmente atrasada, mas geralmente eu era uma das primeiras está na sala sentada em minha carteira quando o professor e o resto dos alunos chegavam.

    O senhor Sarutobi ergueu a cabeça e me fitou. Seus olhos castanhos estavam apertados numa expressão séria comigo, parecia que eu havia cometido algum tipo de crime. Apenas abaixei minha cabeça quando ele passou por mim como uma bala e saiu da sala.

    Fui para o meu lugar, ignorando o fato de ter achado estranho à reação do professor de biologia. Hinata já estava sentada em seu lugar com sua cabeça baixa, tirando suas coisas da mochila preta que estava em cima da mesa.

    - Oi. - cumprimentei baixinho, sentando-me na cadeira ao seu lado.

    Seu olhar focou em meu rosto, o cenho franziu levemente para em seguida o lado esquerdo de sua boca se erguer para cima e dar início a uma pequena risada baixa, balançando a cabeça para os lados, enquanto mordia o lábio.

    Ela estava rindo de mim.

    - Qual foi à graça dessa vez, por que eu juro que não estou encontrando nada de engraçado.

    Ela conseguiu se controlar, mas um sorriso debochado estava em sua boca quando voltou a me olhar de um jeito esnobe.

    - Eu só estou tentando entender uma coisa; ou você brigou com aquele cachorro sarnento, ou a senhora Tsunade pegou você e ele no flagra. - ela ergueu os olhos para cima, pensativos. - Hm... bom, pensando bem e verificando a situação que você se encontra, eu acho que o mais cabível é a segunda opção.

    Franzi mais o cenho, pelas coisas sem sentido que Hinata dizia - que em partes ela havia acertado - e pelo o fato dela está mais falante que o normal, claro que sem tirar o seu tom totalmente sarcástico e debochado. Geralmente Hinata ignorava meu comprimento ou só acenava com a cabeça quando ela estava de bem com o mundo. Mas dessa vez foi diferente, ela estava, vamos que dizer, insuportável com suas teorias irritantes.

    - Não estou entendo o que quer dizer, poderia ser mais especifica?

    Ela suspirou revirando os olhos, como se me respondesse fosse à coisa mais tediosa do universo.

    - Eu só estou supondo do por que você está usando Acônito. - ela disse lentamente cada palavra como se eu fosse uma débil.

    Meus olhos se abriram mais.

    - Como você sabe?

    - Como você não sabe? - ela rebateu minha pergunta com outra pergunta. - O perfume que você está usando é derivado de uma planta venenosa, mas muito poderosa. O perfume é inofensivo para nós, pois ele leva outros componentes que quebra o veneno, mas não para a outra espécie... vamos dizer que o que você está usando é uma espécie de espanta-lobos.

    Senti meus olhos arregalando com aquela declaração. Hinata havia dito à parte que Tsunade não quis me dizer? Espanta-lobos?

    - Como é que é?

    Ela bufou impaciente.

    - Você é muito lerda, garota. - ela ralhou, e abaixou mais a voz. - Uma bruxa tem que ser esperta e captar as coisas mais rápido, conhecimento é o principal foco disso tudo. Admiro você ser do clan Senju e não saber de nada.

    - Sou nova nesse quesito, ainda estou me adaptando. - respondi, tentando não transpassar o quanto suas palavras me atingiram.

    - Então se adapte logo. Nessa velocidade você não vai a lugar algum. Você prefere ficar agarrada aquele... - ela hesitou, mas não precisou de muito para eu saber de quem ela se referia. - do que honrar o peso do seu sobrenome. Você é fraca e inútil...

    - Você está me ofendendo. - a interrompi, terrivelmente magoada com suas palavras grosseiras. Ela não tinha ideia de como estava difícil para eu engolir tudo àquilo que estava acontecendo. Era difícil se habituar a uma outra realidade daquela que você conhecia. - Você me julga como se você fosse a certa disso tudo, como se você nunca errasse na vida.

    - Estou só te alertando. - ela respondeu, nem um pouco abalada com minhas palavras. - Você é muito inocente ainda, tem que acordar para vida. Você estava usando um perfume que é derivado de uma planta que é mortal para os lobos e você nem ao menos sabia disso. To wstyd.

    Não entendi a última frase, por que ela havia falado em outro dialeto, e alguma coisa me dizia que era a sua língua nativa, já que quando ela ficava irritada ela arranhava no japonês tornando mais forte o seu sotaque polonês.

    E diante daquela discursão, pareceu como um passe de mágica e um clique fez com que minha mente se abrisse. O cheiro familiar que eu sentia daquele perfume que usava, agora eu sabia de onde eu havia sentindo.

    Era o perfume da Hinata.

    - Você também o usa. - eu disse meio que automaticamente. Ela me olhou de rabo de olho. - O perfume.

    Mas é claro, agora tudo fazia mais sentindo. O fato de Naruto ser sentir mal, o modo dela parecer não se importar em ser a pessoa marcada de um licantropo, e o fato dele nunca está perto dela - mesmo que eu nunca tinha o visto. -, ela o afastava com o cheiro, a mesma coisa que eu estava fazendo com o Sasuke, mesmo sem saber.

    Eu não poderia vê-lo hoje, não poderia arriscar deixá-lo fraco ou causa-lhe algum mal. Tsunade havia pensado em tudo, e eu como uma tonta caí mais uma vez em seu jogo.

    - Alunos, todos quietos que iremos começar a aula. - a voz do senhor Sarutobi soou, enquanto ele deixava Karin passar pela porta e a fechar em seguida. Ele havia voltado e agora caminhava para sua mesa, pegando um livro e voltando para frente, começando a copiar algo no quadro.

    Voltei minha atenção para Hinata, agora ela estava abrindo o caderno na página em branco. Uma de suas mãos estava dentro do bolso do casaco, mexendo em algo que deveria ser o celular, já que o chiado alto de uma das músicas do Evanescence soava por seus fones oculto pelo capuz do seu casado e o cabelo.

    E eu já estava ciente que o nosso assunto ali havia encerrado.

    A aula se passou até que rápido, Hinata não falou mais comigo e eu não iria mais ficar bancando a tola e ficar puxando assunto com uma pessoa que ignora completamente a minha presença. Ino me esperava no corredor para irmos para a aula de história, e me senti uma fugitiva por sair esbarrando em alguns alunos tentando sair da mira de Rock Lee que me procurava pelos cantos com o pescoço esticado.

    O intervalo não tardou em chegar, passamos no refeitório, já que a chuva caía lá fora, acabando com qualquer expectativa que eu tinha de sair e me encontrar com Sasuke. Tentei procurá-lo desastradamente pelo refeitório - já que eu estava sentada com Ino e Tenten que falavam um assunto que não estava prestando atenção - e logo o achei, na fila da cantina com a cabeça baixa.

    Segundos depois escutei um toque de mensagem do meu celular, me fazendo tirar do bolso e constatar que era uma mensagem de Sasuke.

    - - -

    De: Sasuke.

    Onde você está?

    - - -

    Não demorei em responder sua mensagem rapidamente.

    - - -

    Eu.

    Estou no refeitório com as meninas. Eu estou te vendo na fila da cantina.

    - - -

    Assim quando ele recebeu, pude ver sua cabeça erguer para cima e me procurar naquele amontoado de alunos zapeando com suas bandejas nas mãos. Demorou dois segundos para ele me achar. E pela distância em que estávamos não dava para eu ver nitidamente a sua expressão, mas ele ficou me olhando por um tempo.

    - O que você tanto olha, Sakura? - Ino perguntou, fazendo-me tirar o foco de Sasuke para ela num susto.

    - Ah nada. - minha voz deu uma leve hesitada, e abaixei o celular para o meu colo.

    Os olhos azuis de Ino apertaram-se, e apenas fingi que não era comigo.

    - Ahn, o Gaara não vai vir? - perguntei de repente, tentando tirar o foco em mim.

    Tenten que estava devorando um bolinho de chocolate deu de ombros.

    - Ele tinha ficado na sala com uns garotos quando eu desci.

    - Ele está bem? - perguntei.

    - Tá, por quê?

    - Ele estava passando mal hoje de manhã. - respondeu Ino. - O Shino Aburami do terceiro ano que o levou para a enfermaria.

    Tenten parou o restante do bolinho próximo à boca e abriu mais os olhos.

    - Sério? - ela questionou e eu e Ino balançamos a cabeças, concordando. - Aquele garoto nunca fica doente.

    - Mas ele estava muito mal. - eu disse.

    Meu celular vibrou e tocou na minha mão.

    - Mas ele parecia bem na aula hoje, e também não comentou nada comigo.

    - Às vezes o Gaara é tão estranho. - disse Ino, bebendo o seu suco.

    Abaixei minha cabeça para o meu celular no meu colo e abri a nova mensagem de Sasuke.

    - - -

    De: Sasuke.

    Estranho, não estou sentindo o seu cheiro.

    - - -

    Ergui meu olhar para as meninas que ainda falavam de Gaara e depois um rápido para Sasuke que havia sumido do meu campo de visão.

    - - -

    Eu.

    Tsunade pensou em tudo. Ela está me fazendo usar um perfume que contém acônito.

    - - -

    - - -

    De: Sasuke.

    Você está brincando, né?

    - - -

    - - -

    Eu.

    Estou falando supersério. Vou ficar usando-o até o ritual.

    - - -

    - - -

    De: Sasuke.

    Droga, não pensei que a situação fosse chegar a esse ponto.

    - - -

    - - -

    Eu.

    Nem eu :(

    - - -

    O intervalo passou-se, e Gaara não havia dado as caras. Depois de mais algumas aulas chatas e uma de educação física, acabando com todas as minhas forças de tanto que eu corri em volta da quadra e de fazer polichinelos, a hora de ir embora era como uma passagem para o paraíso.

    A chuva não havia dado pausa desde a hora do intervalo, eu corri até o ônibus amarelo estacionado, mas não consegui evitar com que me molhasse um pouco devido a distância do prédio dois até o estacionamento aberto.

    Sentei-me no mesmo lugar de sempre, ao lado da janela e pelo vidro eu vi Gaara passar correndo, mas ele não veio em direção ao o ônibus e sim a um Mercedes preto de um modelo de 1995. Mas minha atenção não ficou por muito tempo nele, pois logo ela foi atraída para a figura de Sasuke caminhando com passos rápidos ao lado de Karin. E como se o meu olhar fosse alguma espécie de ímã, o seu olhar desviou-se da frente para mim.

    Ele parou no caminho, estava afastado do ônibus. Meu coração bombardeava batidas rápidas e descompassadas, fazendo com que um frio subisse em meu estômago. Era incrível essa sensação de que eu sempre sentia quando ele estava por perto me olhando, sua presença mexia comigo.

    A sua amiga Karin parou um pouco mais a frente quando percebeu que ele não a acompanhava, e o olhou, seguindo a mesma rota de seu olhar para mim, a pessoa que havia tomado à atenção dele. Ela revirou os olhos e voltou a andar em direção ao seu ônibus.

    Voltei meus olhos para Sasuke e sorri, mas ele não teve a chance de retribuir, pois o tal Naruto apareceu e o empurrou com as duas mãos, dando um tapa na cabeça dele em seguida, abrindo um sorriso maroto. Sasuke lançou um olhar irritado e reclamou algo que não consegui escutar, fazendo o outro cair na gargalhada e olhar para mim e levantar o dedo polegar em minha direção. Soltei pequenas risadas nasais, comprimindo os lábios, agora vendo Sasuke com seu olhar para mim e piscar com o olho antes de seguir seu amigo para o ônibus.

    Não demorou para que o meu ônibus desse a partida depois que os alunos entraram, e logo eu já estava entrando na minha casa com as roupas ensopadas. Eu havia esquecido o guarda-chuva antes de sair para a escola, e o pedaço do ponto até a minha casa foi o suficiente para eu conseguir me molhar por inteira, mesmo que eu tendo corrido.

    Tirei meus tênis e as minhas meias molhadas ali na porta e subi para o meu quarto com eles na mão, os jogando num canto perto da cômoda junto com a mochila, pegando uma toalha e corri para o banheiro. Tomei outro banho, deixando a água quente levar embora todo o frio de minha pele. Enrolei-me na toalha e entrei no meu quarto, procurando algo seco e quente, vesti um conjunto de moletom, me deixando mais aquecida e sequei bem os meus cabelos.

    Peguei a mochila que estava no chão e joguei todos os materiais em cima da minha cama bagunçada. Ajuntei minhas roupas molhadas com os tênis e as meias no chão, assim como a mochila molhada e saí do quarto, descendo as escadas e entrando na lavanderia. Coloquei minhas roupas na máquina junto como outras roupas sujas, a programei direitinho e a deixei fazendo seu trabalho de lavar. Pendurei meus tênis e minha mochila no curto varal que havia ali para secar e fui procurar algo para comer na cozinha.

    A minha tarde se passou eu fazendo alguns serviços domésticos e o meu dever de casa. Por um momento eu parei para refletir sobre o que Hinata havia dito, e por mais que fosse doloroso admitir, ela estava certa de alguma forma. Eu não estava fazendo absolutamente nada para me aprofundar em saber sobre as minhas origens. Eu não estava demonstrando interesse em aprender, em desenvolver os meus dons.

    Hinata realmente tinha razão, eu era uma fracassada que se escora em qualquer um. Tsunade havia me enganado de alguma forma com aquele perfume, e eu nem para procurar saber que tipo de planta derivava aquele perfume eu procurei, fui logo usando sem saber o real significado...

    Significado.

    Saltei da cama e peguei meu notebook que estava em cima da mesinha e voltei para a cama, o conectando no cabo e na tomada que ficava na parede ao da cabeceira de minha cama. Esperei que ele concluísse o processo de ligar e logo abri uma página no Google e escrevi ACÔNITO, LOBISOMENS na barra de busca. Dois segundo depois várias opções de janelas de diferentes sites apareceram. Cliquei no que estava Acônito Mata-Lobos e a página se abriu, e comecei a ler.

    ?O acônito é uma planta venenosa, também conhecida como mata-lobos, pois em lendas de lobisomens o acônito os enfraquece. O veneno de acônito foi muito utilizado em flechas por arqueiros na Antiguidade e Idade Média europeia.?

    Em seguida apareceu uma imagem da planta com uma flor diferente e uma legenda em baixo.

    ?Possui raízes tuberosas e caule ereto, com flores azuis na forma de um elmo. O fruto é uma vesícula.

    Os sintomas do envenenamento por sua causa são salivação excessiva, falta de ar, tremores e aceleração dos batimentos cardíacos.?

    Espera!

    Hinata havia me dito que o perfume de acônito levava alguns componentes que quebra o veneno da planta, mas mesmo assim afetavam os lobos...

    O senhor Sarutobi ficou estranho quando entrei na sala, ele havia me olhado esquisito e saiu da sala em seguida e voltando alguns minutos depois. E Gaara havia ficado com um mal estar quando me aproximei dele, e eu tenho certeza de que ele estava com a aparência boa antes. Ele estava com falta de ar, o seu peito subia e descia rápido, ele respirava com dificuldade e agora parando para perceber, a sua mão tremia.

    Levei minhas mãos à boca com a possível descoberta, podia sentir meus olhos arregalados fitando algo invisível num canto do quarto.

    Não pode ser... será que eles são... O Gaara...

    Não. Eu posso está tirando conclusões precipitadas, mas havia chances de minha teoria está correta. Mas não podia declarar nada com tão pouco que descobri, eu tinha que ir mais a fundo e sondar por aí se o que estou pensando é realmente verdade.


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