Lua de Sangue

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 15

    Paintball

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    A semana havia se passado mais rápido do que eu pude acompanhar, e logo sexta-feira deu as caras com o tempo enublado, mas sem sinal de chuva, o que fez todos passarem o intervalo do lado de fora.

    Esses dias que se passou, Sasuke e eu nos encontrávamos escondidos, e depois de trocarmos os números de telefone, havia ficado mais fácil de nos comunicarmos. E nesse momento eu havia acabado de receber uma mensagem dele dizendo que estava me esperando detrás do prédio um.

    Eu nunca em toda a minha vida havia passado por uma situação daquelas, nunca namorei escondido com ninguém. Para falar a verdade, Sasuke era o meu primeiro namorado. Eu era o tipo de pessoa certinha demais para fazer esse tipo de coisas, e agora me vendo fazer uma coisa extremamente proibida, fazia com que a adrenalina percorresse todo o meu corpo. Mas de certa forma era bom.

    Reprimi um sorriso que queria escapar por minha boca enquanto eu enviava uma resposta para ele me esperar. Ninguém poderia sonhar que estávamos juntos, não por enquanto.

    Na mesa redonda de concreto as vozes de Tenten soava animada com a nossa tarde no campo de batalha. Também sentia de certa forma animada, Gaara que estava ao meu lado tomava sua Coca Cola com uma expressão totalmente entediada. Ino mexia em seu celular e revirava os olhos vez ou outra com os relatos de Tenten.

    Eu tinha que dar alguma desculpa para poder sair dali. Terminei de comer o meu biscoito recheado que estava dividindo com Tenten e levantei-me do banco, atraindo a atenção deles para mim.

    - Ahn, eu vou a biblioteca dar uma pesquisada no dever de biologia.

    - Na hora do intervalo? - questionou Ino fazendo uma careta.

    - Ai, Ino, deixa ela.

    Sorri para Tenten que havia pegado o pacote com o último biscoito recheado.

    - Não me esperem.

    - Sakura. - a voz de Gaara me chamando me fez parar e fitá-lo enquanto colocava minha mochila no ombro. - Vai mesmo para o campo, não é?

    - Claro que ela vai, Romeu. - soltou Tenten, sorrindo de uma forma debochada.

    Gaara fechou a cara para ela, e pude ver um sorriso malicioso se abrindo na boca de Ino. Resolvi ignorar.

    - Vou sim, Gaara.

    Ele voltou sua atenção para mim e assentiu com a cabeça. Dei as costas novamente e saí de lá o mais rápido possível, mas pude escutar as gargalhadas de Ino e Tenten.

    Quando estava a certa distância, dei uma disfarçada e olhei para trás para ver se eu não estava no campo de visão daqueles três, e logo mudei meu caminho para o meu ponto de encontro. Meus pés andavam rápidos, quase que desesperados, e conforme eu me aproximava mais, àquela ansiedade aumentava e aquela sensação de sua presença invadia todos os poros do meu corpo.

    Virei o prédio um e novamente não consegui evitar as batidas desenfreadas do meu coração. Sasuke estava me esperando com as costas e o pé esquerdo encostado na parede, enquanto o outro pé aguentava todo o peso de seu corpo grande e definido.

    Conforme eu me aproximava, tentando conter o meu desespero por tê-lo por perto, ele virou sua cabeça e me fitou. O canto de sua boca logo se ergueu para cima naquele pequeno sorriso torto que me deixava sem ar.

    Ele desencostou suas costas da parede e veio até mim para logo sua boca sedenta capturar a minha naquele beijo intenso. Deixei minha mochila cair do meu ombro quando suas mãos grandes que agarravam meu rosto desceram por minhas costas e pararam em minha cintura, colando mais nossos corpos, passando aquele calor desumano para mim. Minhas mãos passeavam por seus braços nus, sentido seus bíceps definidos, até chegar a seus ombros, onde senti o tecido de sua camiseta verde-cinzento.

    Eu podia sentir o quanto nós estávamos apegados um ao o outro, e eu não conseguia imaginar a minha vida sem ele. Era confuso e estranho ao mesmo tempo, pois estávamos juntos fazia tão pouco tempo, mas parecia que nós nos conhecíamos fazia milénios.

    Sua boca deixou a minha e vagou numa trilha de beijos molhados por todo o meu pescoço, fazendo-me deixar escapar um pequeno gemido. Minhas mãos agarraram seus cabelos, e pareceu que isso o motivava a continuar o seu trabalho.

    - Você... está me deixando... louco, sabia? - sua voz ofegava contra a minha pele.

    Minha boca estava entreaberta enquanto meus olhos fechados fazia-me capturar mais daquelas sensações maravilhosa. Não demorou para que eu sentisse novamente seus lábios macios nos meus e novamente iniciamos aquela seção de beijos sem fim.

    Eu tinha ideia do quando estava difícil para ele esperar a minha semana de castidade. Eu podia sentir o seu desejo ardendo através da linha invisível que nos unia e que nos tornávamos um único ser. Aquela parte que queimava em meu ventre e aquela excitação que crescia sempre quando ele estava perto, não vinha de mim e sim dele. Eu também podia sentir sua frustração percorrendo através da linha quando tínhamos que parar antes que atravessássemos a área proibida.

    Eu não podia, não antes do ritual de sangue.

    - Como foi na prova de hoje? - ele perguntou depois que nos separamos, seu rosto foi de encontro ao meu pescoço, seu nariz inspirava o meu cheiro.

    Demorei dois segundos para respondê-lo, enquanto minhas mãos desciam por suas costas, sentindo o calor de sua pele sobressair naquele tecido fino de sua camiseta, o abracei.

    - Mais ou menos, acho que passarei rapando.

    Eu havia reclamado no dia anterior da prova de física que seria hoje quando ele foi me ver. E mesmo que meu interior pedisse para que ele ficasse eu o mandei ir embora, pois estudar seria a última coisa que eu iria fazer com ele no mesmo ambiente que eu.

    Sasuke ergueu seu olhar para mim e deu um beijo estalado na minha boca, e em seguida sua mão me puxou para baixo e sentarmos naquela calçadinha de concreto onde estávamos em pé.

    - E o Sai, ele está bem? - perguntei, lembrando-me que dei por falta dele na aula de biologia, e também dos relatos de Sasuke alguns dias atrás tinha me deixado meio que preocupada com ele, mesmo que eu não o conhecesse direito.

    Sasuke assentiu com a cabeça para cima e para baixo, encostando as costas na parede do prédio, e começou a fitar aquele enorme campo gramado que envolvia os três prédios que formavam a escola.

    - Ele está se saindo bem no controle, mas ainda não é confiável ficar andando solto por aí, principalmente quando a lua cheia está se aproximando.

    - O que tem haver vocês e a lua cheia? - perguntei curiosa, enquanto via seu perfil sentado ao meu lado.

    Ele umedeceu os lábios e me fitou em seguida.

    - A lua cheia nos fortalece, a nossa fera interior ganha mais força. O olfato, a audição, a visão e os instintos ficam mais sensíveis, e muito mais fortes. Até na forma humana nós sentimos os efeitos, principalmente quando estamos com nossa marcada.

    - Ah. - parecia que todo o ar havia sumido dos meus pulmões, com a palavramarcada e o brilho que apareceu em seu olhar.

    Sasuke sorriu levemente percebendo minha reação e voltou a fitar o espaço gramado.

    - Para um licantropo que não tem o controle de sua fera interior, se torna uma ameaça para as pessoas à volta. E a ameaça fica mais intensa quando a lua cheia é vermelha.

    - Você fala da lua de sangue?

    Ele assentiu com a cabeça e me fitou novamente.

    - Vocês bruxas usa ela como um ritual, não é?

    - Sim, mas não são todas. Bom, foi isso que minha avó disse.

    - Entendo. - seus olhos negros me banhavam, levando-me para dentro de sua escuridão. Novamente eu sentia os efeitos que ele causava em mim, não tinha como controlar.

    Ele se levantou de repente e quando eu fui fazer o mesmo ele me impediu com a mão no meu ombro, se agachando ao meu lado.

    - O que foi?

    - Vai um pouco mais para frente.

    Fiz o que ele pediu, desencostando da parede um pouco confusa por sua mudança repentina, deixando um espaço. Sasuke sentou-se atrás de mim, me deixando no meio de suas pernas. Aquele gesto fez com que um calor subisse por meu rosto, sabia que eu estava corando.

    - Bem melhor assim. - sua voz soprava em meu ouvido, fazendo um arrepio percorrer aquele local enquanto eu sentia suas mãos rodeando meu corpo.

    Aos poucos fui relaxando, e me acomodei naquela posição, encostando minha cabeça em seu ombro, ganhei um beijo na bochecha. Fechei meus olhos, apreciando aquele momento bom enquanto minha mão direita segurava seu joelho.

    - Adoro o seu cheiro. - ele murmurou com seu nariz agora em meus cabelos.

    - Eu também gosto do seu.

    Virei um pouco o meu corpo para trás e logo senti seus lábios nos meus, num beijo rápido.

    - Na lua vermelha quando uma pessoa normal é mordida por um lupino puro sangue se transforma em um na próxima lua cheia. - ele continuou o nosso assunto, me fazendo arregalar os olhos.

    - O quê? - eu podia sentir minha boca secar. - Eu não sabia que a sua espécie fazia isso!?

    - Nós podemos, mas isso acontece só na lua vermelha. Muitos de nossas espécies formam alcatéias assim. Claro que tem uma consequência disso tudo. - ele mordeu o lábio rapidamente e fitou o céu. - Uma pessoa comum que recebe o poder lupino não tem o controle sobre a fera que cresce dentro de si. E isso leva tempo, e mesmo com seu controle adquirido pode haver chances de se descontrolar.

    - Isso é ruim.

    - Muito ruim. - ele disse, agora me olhando. - Um meio sangue não tem a capacidade de se transformar quando bem entende, só consegue na lua cheia. Por isso que o tempo de controlar sua fera é mais longo, eles precisam da lua para conseguir tal proeza. E isso meio que os tornam perigosos.

    - Estou impressionada.

    Eu podia formular as cenas na minha cabeça, uma pessoa andando distraída sem saber que o mundo paranormal existe e do nada dar de cara com um lobo descontrolado que a ataca. E de repente todo um mundo que um dia acreditou não fosse uma mera fachada da real situação que acontece a volta.

    Era realmente agoniante.

    - Tem muitas coisas que você ainda não sabe. - ele disse, me tirando dos devaneios.

    - Alguém de sua alcatéia é meio sangue?

    - Não. - ele respondeu, de forma rápida. - Todos são puro sangue. O ataque contra humanos é proibido em nossa alcatéia. Nós protegemos dos invasores e não os transformamos em feras.

    - Entendo, é uma atitude bem honrada.

    Ele sorriu de lado.

    - Também acho.

    Ele aproximou seu rosto e em seguida seus lábios envolveram os meus de uma forma lenta. Virei um pouco o meu corpo para poder ter mais acesso a sua boca que se movimentava agora de forma rápida sugando meus lábios de forma intensa. Minhas mãos subiram por seu peito, enquanto minhas pernas movimentavam e entrava por debaixo de sua perna direita que estava dobrada, ficando por cima das minhas, me deixando atravessada.

    - Vamos dar uma volta depois da escola? - ele perguntou, desceu seus lábios por meu queixo, de encontro ao meu pescoço.

    Deus, como aquilo era bom.

    Minha mente estava nublada com os efeitos que sentia de seus toques, mas logo tomei a rédea da situação e me amaldiçoei internamente por ter me esquecido de comentar que eu iria ficar fora a tarde toda com Gaara e Tenten.

    - Acho que não vai dar. - respondi, segurando um gemido quando sua boca sugou o lóbulo de minha orelha esquerda.

    - Ah é, vai sair? - seus olhos negros agora estavam com a atenção em mim.

    Tentei fazer com que minha respiração e meus batimentos cárdicos acalmassem.

    - Vou a um campo de paintball com Gaara e Tenten.

    Foi claramente notável a expressão calma e serena de Sasuke mudar para uma mais intensa. Suas sobrancelhas se uniram e seus lábios crisparam de um jeito meio desconfortante.

    - Paintball? ? ele não fez questão de ocultar seu tom azedo.

    - Tem um tempo que eu não jogo... - comecei, tentando achar as palavras certas. - Abriu um campo de batalha perto da casa do Gaara e ele me chamou no começo da semana.

    - Não sabia que gostava desse tipo de esporte.

    Seus olhos não deixavam os meus nem por um segundo. Ele tentava captar qualquer tipo de reação no meu rosto como um profissional, e àquilo estava me deixando nervosa, mesmo sabendo que eu não estava fazendo nada de errado. Mas aquele olhar me fazia sentir que eu estava para cometer o maior pecado do universo.

    - Eu gosto. - minha voz saiu baixinha, mais baixa do que eu esperava, e odiei por saber que ele estava conseguindo me intimidar de um jeito tão fácil.

    Sua boca numa linha reta e levemente franzida não estava ajudando em nada, principalmente quando suas expressões eram sérias e indecifráveis. Mas eu pude perceber que suas mãos em torno de mim apertaram um pouco, fazendo-me perceber que ele não havia gostado disso.

    - E se eu pedir para você não ir? - percebi pela sua voz que soou cautelosa e rouca, o óbvio que estava na minha cara.

    Reprimi uma pequena risada que queria escapar pela minha boca.

    - Você está com ciúmes?

    Ele revirou os olhos enquanto seus lábios crispados se formava um pequeno bico emburrado. Muito fofo.

    - Só estou cuidado do que é meu. - era notável seu tom possessivo, e não aguentei segurar e soltei uma pequena risada, apoiando minha testa em seu braço forte. - Não sei qual é a graça. - ele ralhou, parecia irritado.

    Ergui meu olhar e o beijei de leve em seus lábios.

    - Você fica muito fofo quando está com ciúmes, sabia?

    - Fala sério. - ele virou o rosto para o lado e mesmo que ele tentasse esconder eu pude ver uma sombra de um leve rubor em suas bochechas. Eu não podia acreditar que eu tinha o feito corar pela primeira vez.

    - Não precisa ficar emburrado.

    Segurei seu rosto com as minhas mãos e o puxei para mim, podendo ver seus olhos negros e brilhantes me fitarem. O beijei novamente, sentindo as suas franjas da frente rasparem as minhas mãos que segurava o seu rosto.

    Estremeci quando a sua mão boba adentrava o meu casaco fino e tocava a minha pele na barriga. Os seus toques causava reações em meu ventre novamente, principalmente quando ele tomava o controle do beijo e sugava meus lábios de um jeito ousado. Eu sabia que daquele jeito iriamos ultrapassar a linha proibida.

    - Ainda está zangado? - perguntei, depois que finalizamos o beijo com alguns selinhos estalados.

    - Não estou zangado - ele disse. -, eu só não vou muito com a cara daquele ruivo, e nem daquela outra.

    Franzi o cenho levemente enquanto jogava meu corpo um pouco para o lado.

    - Você tem inimizades com todo mundo. Hinata, Tenten e agora o Gaara. Qual o seu problema?

    - Eles não são flor que se cheire, principalmente aquelas duas.

    - A Hinata até entendo a sua raiva, agora a Tenten? O que ela te fez? Pois o jeito estranho que um tratou o outro no centro naquele dia foi bem estranho. A troca de farpas de vocês foi bem notável.

    Ele bufou.

    - Tem muitas coisas que você ainda está por fora. Nem tudo o é que aparenta ser, tome muito cuidado.

    - Então por que você não me conta?

    E na mesma hora o sinal do fim do intervalo tocou, fazendo com que um sorriso debochado se formasse no rosto de Sasuke.

    - Acho que isso vai ter que ficar para depois.

    Agora quem bufou fui eu, fazendo beicinho. Sasuke riu e me agarrou com força e me balançou, inclinado meu copo para trás e me beijou com força e rápido, ainda sorrindo, fazendo-me desmanchar o bico.

    - Não pensa que você vai me escapar. - eu disse tentando parecer brava, mas eu havia falhado na tentativa.

    Ele me ajudou a ficar de pé enquanto se levantava. Dei uns tapas em minha bunda descendo para a coxa, tirando alguns vestígio de sujeira da calça.

    - Você vai mesmo ir para esse paintball? - ele perguntou pegando sua mochila do chão e a minha, me entregando em seguida.

    - Eu quero ir, aliás, eu prometi que iria. - coloquei a mochila no ombro. - Não gosto de quebrar promessas.

    Ele se aproximou, ficando numa distância perigosa demais para eu poder raciocinar.

    - E vai me largar?

    Era impossível não rir do drama que ele estava fazendo, e acima de tudo usando o seu poder de cara seduzente contra mim para me fazer desistir.

    - Nós temos que ser discretos, você mesmo disse isso.

    - Mas isso não consta em você ter uma tarde divertida com outro cara.

    - Você está falando como se eu fosse a algum tipo de encontro com o Gaara. Tenten também vai está lá, se caso esqueceu.

    - Como se isso ajudasse. - ele murmurou emburrado.

    Segurei seu rosto novamente e o beijei rápido, mas me afastei antes que ele resolvesse aprofundar, e não iriamos ir para a aula hoje.

    - Acho que você sobrevive sem mim essa tarde.

    - Aposto cinco pratas que não.

    Sorri, enquanto eu dava passos para trás, me afastando.

    - Você já perdeu essa, lobo mau.

    Sua resposta foi um largo sorriso, mostrando seus dentes brancos na boca enquanto balançava a cabeça para os lados.

    Mordi o lábio prendendo meu sorriso idiota, enquanto dava as costas e ia para o prédio dois. Tinha uma aula de matemática pela frente, e eu sabia que eu seria o alvo do olhar de um certo lobo no tempo em que iriamos está no mesmo ambiente.

    As aulas haviam acabado, e depois de um tempo de matemática com os olhos de Sasuke queimando em mim - como eu havia previsto -, o restante das aulas passou até que um pouco mais rápido.

    Lá fora enquanto eu caminhava até o estacionamento dos ônibus, eu tentava procurar Gaara no meio de formigas que eram os alunos, mas nem sinal dele. E para a minha surpresa e despertando uma curiosidade eu pude ver Hinata um pouco mais a frente, seu capuz na cabeça era uma marca que ela tinha ditado para ela mesma, e era impossível não reconhecê-la.

    Ela tomava o rumo em direção diferente, uma área um pouco mais afastada onde eu costumava a frequentar quando eu ia de carona com Tsunade. Uma menina mais baixa e menos encorpada e de cabelos castanhos estava ao seu lado. Achei estranho ver Hinata com alguém, geralmente ela sempre está sozinha. As duas aproximaram de um Celta vermelho estacionado, Hinata abriu à porta do carona e a garota menor a porta de trás, e logo sumiu do meu campo de visão.

    Conforme eu me aproximava do ônibus que eu pegava, meus olhos desfocou do Celta vermelho que dava a ré para sair do estacionamento, para dois garotos na frente do ônibus amarelo estacionado depois do ônibus que eu pegava.

    Sasuke tinha uma mão no ombro do tal Naruto, que fitava o Celta saindo do estacionamento. Pude perceber a sua expressão séria, e o pouco que vi, eu percebi que estava infeliz.

    Sasuke falava algo que não dava para escutar pela distância. O Naruto puxou o seu ombro para frente, desprendendo da mão de Sasuke de um jeito meio bruto e passou por ele e entrou no ônibus, o ignorando.

    Sasuke havia comentado algo sobre Naruto ter Hinata como sua marcada. Ele não havia entrado em detalhes, mas o que eu pude perceber dessa história toda, as coisas não estavam nada boas para o Naruto.

    Meus olhos voltaram para Sasuke, e como se soubesse que eu o fitava, os seus olhos focaram em mim. Percebi sua expressão levemente irritada, mas mesmo assim, eu vi uma sombra de um pequeno e quase nulo sorriso escapar de seu lábio direito, antes dele seguir a mesma rota do garoto loiro.

    Entrei no ônibus e sentei-me nas cadeiras do meio, ao lado da janela. Aos poucos o ônibus enchia e não demorou para que eu visse uma cabeleira ruiva se aproximando e sentando-se ao meu lado.

    - A Tenten acabou de me barrar e disse que não vai poder ir. - seus olhos verdes me fitaram. - O pai dela ligou e pediu para que ela fosse buscar algo numa outra cidade.

    - Ah... que pena, vamos só nós dois então, não é?

    Ele assentiu, desviando seus olhos para a mochila em seu colo.

    - Então, eu marquei a nossa hora para as três da tarde, e eu estava pensando de você ir lá pra minha casa agora, vai ficar mais perto para irmos.

    - Sua casa? - perguntei meio hesitante.

    Ele ergueu o olhar para mim.

    - Você almoça lá, e depois a gente vai.

    Mordi o lábio e balancei a cabeça para os lados.

    - Eu não acho uma boa ideia, não quero incomodar...

    - Você não vai incomodar. - ele sorriu, dando um empurrãozinho com o seu ombro no meu. - Vamos, vai ser legal.

    Sorri, balançando a cabeça com o bom humor de Gaara.

    - Tudo bem.

    Não pude deixar de notar a pequena covinha em sua bochecha direita quando um sorriso se abriu em seu rosto. Desviei meus olhos e fitei a janela, o ônibus começava a se movimentar, saindo do estacionamento.

    - Achou o que você queria na biblioteca?

    Eu segurei minha língua antes de perguntar do que ele estava falando, mas logo me lembrei da minha pequena mentira mais cedo.

    - Ah não... - o fitei brevemente. - Não achei o que eu queria.

    Ele soltou uma risada anasalada e arqueou uma sobrancelha.

    - Não achou nada numa biblioteca?

    - Pra você vê, nem tudo encontramos na biblioteca.

    Conversamos banalidades durante o caminho, gostava da companhia de Gaara, era reconfortante e o assunto nunca acabava, falávamos de tudo até das coisas insignificantes.

    O ônibus passou do meu ponto e seguiu em frente. Eu olhava a paisagem pela janela, não conhecia ainda aquela parte de Konoha. O ônibus parou duas vezes e na terceira nós descemos.

    O ponto por onde Gaara descia não era muito longe do meu, acho que era mais ou menos dez minutos a pé. Andamos um pouco mais para frente e entramos numa rua, e logo ali no começo já pude ver um terreno gramado em volta de uma tela de aço.

    - Nossa o campo é grande. - comentei enquanto nós andávamos na calçada de concreto do lado direito da rua.

    O campo de Pintball ficava do outro lado, e dava para ver os pneus empilhados uns nos outros, espalhados por todo o campo, os latões pintados, umas telas pintadas de laranja e uma sucata de uma Kombi sem pneus.

    - Eles usaram bem esse espaço. - disse Gaara, também olhando o campo.

    - Nunca passou pela minha cabeça que Konoha pudesse ter um campo assim, não é tão grande como eu ia em Tóquio, mas tem bastante espaço.

    A tela de aço que estava por toda a lateral terminava para começar a fachada da frente que era composta por um muro não tão alto, pintado de azul celeste como com alguns desenhos de tiro de tinta e o seguinte nome:

    KONOHA PINTBALL

    Voltei minha atenção para Gaara.

    - Você já foi alguma vez?

    - Não, o campo foi inaugurado esse final de semana que passou. - ele me fitou. - Não tive a oportunidade.

    - Ah.

    Tirando a minha atenção do campo, agora pude perceber como era a rua que ele morava. E diferente da minha que só um lado havia casas enquanto o outro lado havia uma extensa floresta, a rua de Gaara tinha bastante casas, e muitas árvores grandes também.

    Nós paramos em frente a uma pequena casa de dois andares pintada de um branco envelhecido, o telhado era azul e as janelas e a porta também. Havia um pequeno gramado com algumas falhas e moitinhas de plantas verdes moldadas em redondo com algumas florzinhas roxa em alguns pontos, e uma enorme árvore estava no lado esquerdo, com os galhos encostando a uma janela fechada do segundo andar.

    - Então é aqui a sua toca? - perguntei enquanto fitava toda a estrutura, parecida com a minha casa onde eu morava agora.

    Ele riu do meu modo descontraído e seguimos para a porta.

    - Sim, aqui é a minha toca.

    Meus olhos focaram seu rosto risonho, fazendo ruguinhas no canto de seus olhos verde-água. Sorri também.

    - Mi casa, su casa. - ele abriu a porta e a escancarou, dando passagem para eu poder entrar. - Pode ficar a vontade.

    - Obrigada. - sorri comprimindo os lábios enquanto entrava naquela pequena casa.

    Gaara entrou logo atrás e fechou a porta. Olhei toda aquela sala, ela era pequena e com um jeito aconchegante. As paredes eram pintadas de marfim, os móveis eram marrões, havia um vazo de planta ao lado de uma estante moderna e uma escada de madeira no lado direito.

    - Sua casa é bem aconchegante.

    - Obrigado. - ele sorriu e fitou um canto que parecia que levava a outro cômodo. - Temari, cheguei!

    - Gaara, graças a Deus que você chegou. - uma voz se aproximava de onde Gaara olhava, e logo uma figura feminina apareceu com um bebê nos braços, enquanto tirava as mãozinhas da criança de seus cabelos. - Segura o Shikadai pelo amor de Deus para eu poder terminar o almoço...

    Ela se interrompeu quando seus olhos me fitaram, e parou no meio da sala. Não pude evitar me sentir um pouco sem graça.

    - Ah, trouxe uma amiga? - ela perguntou agora voltando sua atenção para Gaara.

    - Temari, essa é Sakura Haruno.

    Os olhos verdes como os de Gaara me fitaram mais uma vez, e um sorriso se abriu em sua boca, e voltou a se aproximar.

    - A neta da Tsunade?

    Sorri um pouco comprimido e assenti com a cabeça.

    - Acho que todo mundo conhece a minha avó, não é? - minha voz saiu um pouco sem graça.

    - Sakura - chamou Gaara me fazendo olhá-lo. -, essa é a Temari, minha irmã.

    Voltei a fitar Temari, que agora entregava o bebê para Gaara segurar.

    - É um prazer te conhecer Temari.

    Temari abriu um sorriu caloroso e me abraçou, me pegando desprevenida.

    - O prazer é meu, querida. - ela se afastou e olhou todo o meu perfil. - Você é linda.

    Meu rosto esquentou e corei levemente.

    - Obrigada. - sorri. - Você também é muito bonita.

    Eu não estava mentindo. Temari era uma mulher alta, deveria ter uns vinte e poucos anos. Os cabelos loiros e curtos estavam soltos, os olhos eram verdes e o rosto era muito parecido com o do Gaara, mas de um jeito diferente, não dava para explicar.

    - Ah, que nada, você que é gentil. - ela disse, dando um passo para trás.

    De repente senti um cheiro estranho invadir toda a sala, parecia que algo estava queimando.

    - Temari, tem alguma coisa no fogo? - questionou Gaara, fazendo a outra arregalar os olhos.

    - Ai meu Deus, o molho! - ela correu que deveria se a cozinha, mas logo a voz alta dela ecoou pela casa. - Gaara seja hospitaleiro e Sakura a casa é sua.

    Gaara apenas revirou os olhos, e eu ri.

    - Obrigada, Temari.

    - Ela é doida. - disse Gaara, agora com sua atenção no bebê em seus braços. - Né Shikadai? A mamãe é doida, né? - ele havia feito uma vozinha fina e o bebê sorriu, achando graça.

    - Ele é muito fofo. - me aproximei, atraindo a atenção do bebê branquinho de cabelos pretos e olhos verdes para mim. - Oi. - sorri segurando a sua mãozinha, o bebê apenas sorriu banguela. Olhei para Gaara. - Posso pegar nele?

    - Claro.

    Gaara me entregou o bebê e o segurei em meus braços, suas mãozinhas seguraram o meu casaco, enquanto seus olhinhos estavam fixos em algo no meu pescoço.

    - Psiu, Shikadai. - tentei chamar sua atenção enquanto o balançava no meu colo. - Quantos meses ele tem?

    - Quatro. - ele respondeu, e puxou minha mochila do meu ombro. - Me deixa segurar isso.

    - Obrigada. - Shikadai me olhou e comecei a fazer gracinhas para ele que se desmanchava e sorrisos.

    - Acho que ele gostou de você.

    Sorri, e olhei por um momento para Gaara e o percebi olhando a cena ao meu lado, com minha mochila em seu ombro.

    - Eu sempre quis ter um irmãozinho, acho que é por isso que fico meio boba quando vejo uma coisinha tão fofa. - agora olhava o bebê risonho.

    Gaara riu.

    - Não posso falar a mesma coisa, tenho dois irmãos.

    - Sorte a sua.

    - Vamos subir. - ele chamou, enquanto saía na minha frente. - Quer me dar ele?

    - Me deixa ficar com ele um pouquinho.

    - Tudo bem.

    Subimos as escadas estreita de madeira e logo estávamos no pequeno corredor do segundo andar, Gaara parou de frente a uma porta de madeira e a abriu, revelando um quarto.

    - Seja bem vinda a Gaarolândia ? sorriu. -, meu quarto. Ignore a bagunça.

    Entrei no quarto, era menor do que o meu e estava uma bagunça. As paredes eram cinza com postes de várias bandas colados, a cama de solteiro de madeira antiga estava encostada à parede na direção da porta com lençóis embolados. Havia um guarda-roupa de duas portas estreito em frente ao pé da cama, uma escrivaninha da cor mogno - que perderia qualquer coisa que jogasse ali devido a bagunça - estava ao lado de uma estreita janela com piscianas fechadas.

    Então é assim que é um quarto de um garoto?

    - Uau.

    - Eu falei para ignorar a bagunça. - ele disse passando por mim e pegando os lençóis e os enrolando de qualquer jeito e o jogando detrás do travesseiro, e esticava o lençol da cama de seu jeito.

    Não consegui evitar e soltei uma gargalhada.

    - Gaara, não é assim que se arruma uma cama. - disse enquanto escutava o bebê dando pequenas risadas olhando para mim. - Né, Shikadai? - sua gargalhada foi a minha resposta. - Em Gaara, ele não parece muito com a sua irmã, não.

    - Ele é a cara do Shikamaru. - ele jogou as mochilas na cama e veio até mim e pegou o Shikadai do meu colo. - Dá Temari mesmo ele só puxou os olhos.

    - Entendo.

    Ficamos um tempinho no seu quarto brincando com Shikadai e não demorou para que Temari aparecesse e nos chamasse para almoçar. Ela havia pegado o bebê, alegando que iria dar papinha a ele, e juntos descemos e fomos para a cozinha.

    O cheiro da comida estava realmente bom e os dotes culinários de Temari eram maravilhosos. O almoço se passou num clima descontraído e conversas banais. Descobri que o marido de Temari, o tal do Shikamaru, era secretário do prefeito e que hoje estava fora da cidade resolvendo problemas da prefeitura. Também descobri que Temari veio com toda a família para Konoha quando ela tinha quatorze anos e que diferente de mim, ela amou o lugar.

    - Gaara não costuma trazer amigos aqui em casa, ele é muito fechado. - comentou Temari levando uma colher de papinha na boca do bebê que recebia com vontade o alimento. - Eu preciso ficar perguntando para sair alguma coisa da boca desse garoto.

    - Temari, fala sério. - resmungou Gaara, olhando incrédulo para a irmã.

    Ela ergueu o olhar e o fitou.

    - Falo muito sério. - ela me olhou. - Se deixar, Sakura, esse moleque fica o dia todo jogado no sofá assistindo televisão, ou enfurnado naquele quarto mexendo no computador.

    Eu não podia falar nada, pois eu era a mesma coisa. Preferia ficar enfurnada em casa mofando assistindo televisão e lendo meus livros de romance do que sair e fazer alguma coisa para cansar meus músculos do corpo. Eu era uma verdadeira sedentária assim como Gaara, e para mim só um sedentário entende o outro, e eu entendia o Gaara muito bem.

    - Bom, eu acho que irei tirar o Gaara de casa um pouquinho. - falei, atraindo a atenção dos irmãos para mim.

    Temari pareceu surpresa, seus olhos eram esperançosos.

    - Sério? - ela desviou os olhos para Gaara por um segundo antes de voltar a me fitar. - Vão a um lugar especial?

    - Temari, para de pensar bobagens, só vamos ao campo de paintball no começo da rua.

    - Ah. - ela levou outra colher na boca de Shikadai quando o pequeno começou a chorar, pois ela havia se distraído um pouco com a conversa e esquecido de alimentá-lo. - A rua ficou mais movimentada depois que abriu esse campo. - ela me olhou por um segundo. - Você não tem cara de quem gosta desse tipo de esporte.

    - Eu gosto, jogava na minha antiga cidade. - respondi enquanto levava um pedaço cortado de carne à boca.

    - Hm. Gaara joga quando Kankuro vem a Konoha e o leva para outra cidade e passam dias sumidos.

    Olhei por um momento para Gaara que revirava os olhos enquanto terminava de comer sua comida.

    - Como vai Tsunade? - ela perguntou, mudando a rota do assunto.

    - Vai bem, está trabalhando.

    - Tem um tempo que não a vejo - ela disse. -, desde que Shikadai nasceu que não tive tempo para nada, é tanta coisa para fazer. A minha sorte é Gaara quando chega e fica com ele, assim dá para fazer as coisas.

    - Entendo. - olhei para aquela coisinha fofa, estava com a boca toda suja de papinha e sorria enquanto olhava para Gaara.

    Terminamos de almoçar e fiquei um tempo na sala com Gaara assistindo um episódio de Os Simpsons pela metade enquanto esperávamos dar a hora para irmos ao campo. Temari havia subido para o quarto, iria colocar Shikadai para dormir.

    - Temari fala pelos cotovelos. - Gaara disse deitado no sofá de três lugares, enquanto eu estava sentada no de dois.

    - Ela é muito legal, se preocupa com você.

    Seus olhos pousaram em mim.

    - Só para me envergonhar, né?

    Sorri, e ele olhou para um canto.

    - Acho que está na hora de irmos.

    Levantamo-nos e ele desligou a televisão e subiu para avisar Temari que estávamos saindo e logo estávamos no caminho ao campo de Paintball.

    Conversamos banalidades andando aquela curta distância e entramos no local depois de passarmos no guichê e pagarmos quarenta e cinco pratas cada pelo pacote de duzentos tiros mais a locação e o equipamento básico.

    Depois de colocarmos o macacão especial com estampa de militar, o colete e os protetores para não atingir a área do rosto, pegamos nossos marcadores e a munição e fomos para o campo. Havia doze pessoas contando com nós dois, e depois de dividimos em dois grupos fomos jogar.

    Gaara era do time adversário, e isso meio que se tornou divertido. Nós tínhamos que defender a nossa bandeira e não deixar o outro grupo pegar, e é claro que no final o meu grupo saiu vitorioso, mas havia sido uma disputa acirrada pela bandeira. E depois de horas nos divertindo nem vimos à hora passar e eu tinha que voltar para casa.

    - Admita Gaara, eu sou melhor do que você. - eu ria da sua cara que estava ainda malcriada por causa de sua derrota.

    Nós estávamos indo em direção a minha casa, depois de passamos na casa de Gaara para pegar a minha mochila. Ela havia se oferecido para me levar, mesmo eu ter falado que não precisava, mas ele havia insistido.

    - Você só ganhou por que meu time estava fraco.

    Sorri incrédula.

    - Para, Gaara, seu time era tão forte quanto o meu.

    Ele me olhou de ombro e acabou rindo, dando-se por vencido.

    - Eu vou querer revanche.

    - Para um verdadeiro sedentário, você está bem que ativo. - comentei, percebendo o ponto que eu pegava ônibus um pouco a frente.

    - Falou a rainha do sedentarismo.

    Sorri, e o fitei.

    - Foi divertido, pena que a Tenten não pode vir.

    - Uma pena. - vi nos olhos de Gaara um brilho diferente, enquanto me olhava e eu percebi que ele não sentia pena nenhuma.

    Desviei meus olhos para frente e quase tive um infarto, Sasuke estava um pouco à frente na entrada da minha rua, e olhava para mim e Gaara com uma cara séria. O vestígio que existia de sorriso em meu rosto havia desaparecido para aquele sentimento que eu havia sentindo de que eu estava fazendo a coisa errada tomasse conta de mim. Por um segundo eu podia sentir meus pés querendo parar, mas eu não fiz, continuei em frente.

    - Aquele é o Uchiha? - questionou Gaara.

    - Sim. - respondi automaticamente, meus olhos estavam fixos nele.

    Eu podia sentir um misto de sentimentos diferentes, e eu sabia que tudo vinha dele pela nossa linha invisível que nos conectava.

    Parei de repente, fazendo Gaara parar também, e me fitou confuso.

    - O que foi?

    - Gaara, eu sigo sozinha daqui. - o fitei, tentando ocultar o nervosismo que eu sentia.

    - Sakura, eu disse que te levaria até em casa...

    - Desculpa, não precisa. Sério. Obrigada, você é muito gentil.

    Seus olhos verdes me fitavam atencioso, tentando captar o que havia de errado, enquanto seus lábios estavam numa linha reta.

    - É por causa do Uchiha. - aquilo não havia sido uma pergunta.

    - Eu tenho que falar com ele.

    Gaara ficou um segundo me observando, e depois de olhar por cima de meu ombro ele assentiu com a cabeça.

    - Tudo bem. - seus olhos focaram em mim. - Nos vemos segunda.

    - Tá. - sorri sem mostrar os dentes.

    Ele deu as costas e se afastou, voltando o caminho que percorremos, e nenhuma vez ele ousou em olhar para trás.

    Suspirei pesadamente fechando os olhos e tomando coragem para enfrentar um certo lobo. Não sabia por que eu estava hesitando desse jeito, mas de alguma forma eu sabia que ele estava zangado.

    Virei meus calcanhares e comecei a me aproximar dele, o céu cinzento tomava uma coloração escura azulada e eu chutava uma cinco e pouco da tarde.

    Droga, minha avó completamente havia chegado e deveria está zangada por não ter me encontrado em casa. Havia me esquecido de avisá-la que sairia hoje. Essa semana eu andava meio aérea e tudo era culpa dele, de Sasuke.

    Seus olhos felinos me fitavam de um jeito totalmente intenso e sério, e novamente aquele sentimento tomava conta de todo o meu interior.

    Mas que droga de sentimento é esse?! Eu não havia feito nada de errado.

    Parei em sua frente e seus olhos me queimavam como uma bola de fogo flamejante.

    - Oi. - murmurei baixinho.

    - Cadê a Mitsashi? - ele começou me metralhando de pergunta, e percebi seu tom desconfiado.

    - Ela não pode vir... desistiu de última hora.

    Ele arqueou a sobrancelha, enquanto cruzava os braços, fazendo seus músculos saltarem para cima. Se fosse em outra hora, eu teria contemplado aquele gesto viril, mas meus olhos não saíram dos dele.

    - É mesmo? - seu tom saiu debochado. - Então você resolveu ir assim mesmo?

    Franzi meu cenho, aquela atitude idiota de Sasuke em desconfiar de mim estava me irritando.

    - Sim, eu fui. O Gaara é meu amigo, e não vi problema nisso. - tentei fazer com que minha voz saísse calma.

    Sasuke soltou uma risada debochada.

    - Não vê problema nisso. - ele descruzou os braços e ficou sério novamente. - Mas eu vejo! - sua voz saiu um pouco alta, fazendo-me dar um passo para trás diante a sua pequena crise de fúria e ciúmes. - Olha só para você? Está com o cheiro daquele palerma impregnado no seu corpo.

    - O quê? ? minha boca havia escancarado incrédula. E a paciência que eu estava tentando manter foi embora com o vento. - Você fala como se eu estivesse feito algo de errado.

    - Eu não sei, não estava lá para saber.

    Aquilo tinha sido a gota d?água. Eu não estava acreditando que ele estava desconfiando de mim, como se eu fosse algum tipo de vadia que fica agarrada com qualquer cara. Ele estava pensando o pior de mim e aquilo meio que me quebrou por dentro.

    - Você é um babaca! - ralhei, dando alguns passos para frente e o empurrei com toda a minha força, mas ele não deu nenhum passo para trás o que contribuiu com a raiva que borbulhava dentro de mim. - Quer saber, que se dane você!

    Aquilo pareceu ter o feito pensar no que ele estava insinuando, e a sua expressão de cara mau havia se quebrado.

    - Sakura...

    - Me deixa.? o interrompi e me afastei dele, corri em direção a minha casa.

    Não ousei olhar para trás, apenas acelerei mais meus passos, não queria que ele me alcançasse. Não queria ficar com ele e terminar a nossa briga e deixar a situação pior do que estava. Eu tinha ficado realmente chateada com a sua falta de confiança em mim.

    O Jeep de Tsunade estava estacionado no gramado em frente de casa, e eu sabia que iria ouvir hoje.

    Abri a porta num rompante, dando de cara com vovó com o telefone em mãos e uma cara assustada devido ao susto que dei da forma esparafatosa como cheguei.

    - Sakura, onde você estava? - ela veio até mim. - Eu já ia ligar para a polícia, estava pensando o pior.

    Fechei a porta e tentei manter meus nervos calmos. Meu corpo todo tremia desvio a pequena discursão que eu havia tido segundos atrás.

    - Vó, desculpa - comecei, dando um passo para o lado. -, eu estava na casa do Gaara e de lá fomos jogar Paintball.

    Ela soltou um suspiro aliviado, mas suas sobrancelhas ainda estavam unidas.

    - Sakura quando for ficar fora assim me avisa. Eu fico preocupada quando chego e não encontro você em casa.

    - Me desculpa, eu realmente esqueci.

    - Tudo bem.

    Desviei meus olhos para o chão, eu estava me sentindo um lixo e o cansaço começava a me dominar.

    - Não foi bom naquele... qual é mesmo o nome?

    Ergui meu olhar para Tsunade que tentava lembrar o nome. Sorri com isso.

    - Paintball, vó. - soltei uma risada anasalada. - Foi muito legal, só estou cansada.

    - Então suba e tome um banho e descanse, irei preparar o jantar.

    - Quer ajuda?

    - Não precisa, obrigada. - ela sorriu.

    Apenas assenti e subi para o meu quarto.

    Naquela noite que jantamos eu tinha algo a mais para falar do meu dia, e o assunto foi à casa de Gaara e da irmã dele Temari e o bebê fofo e risonho Shikadai. Tsunade disse que tinha saudade de Temari e não teve oportunidade de ver o bebê devido está muito ocupada. Ela disse também que Temari era seis anos mais nova que mamãe, e pela conta que fiz na cabeça isso daria trinta e dois anos a ela e isso me impressionou, pois Temari tinha cara de que tinha menos.

    Depois de jantar eu ajudei Tsunade a lavar a louça e depois subi para o meu quarto. Não era muito tarde e devido hoje ser sexta-feira não importava eu dormir tarde, pois no outro dia não iria haver aula e eu poderia dormir o dia todo, o que era bom.

    Coloquei meu pijama de flanela lilás com estampas de florzinhas brancas e fiquei meio deitada na cama com um dos livros que vovó havia me dado. A brisa fria da noite entrava pela minha janela aberta, fazendo meu corpo ficar mais frio. E apesar de odiar aquele ventinho enjoado eu não fechei a porta e continuei minha atenção no livro, tentando ignorar os meus pensamentos se desviando vez ou outra para um certo lobo.

    E depois de tanto insistir para que minha mente focasse nos relatos do livro, eu estava concentrada no que lia e marquei vários pontos que achei importante. E minutos mais tarde, escutei um barulho na minha janela.

    Não demorou para que meu coração traidor desse palpitações, eu sabia muito bem quem era. E mesmo que eu temesse que minha avó que deveria está socada no seu escritório descobrisse que um garoto entrava pela minha janela, eu permaneci com os olhos fixos no livro, tentando transparecer o mais calma possível. Logo senti o seu cheiro forte de homem invadindo todo o meu quarto. Apenas tentei ignorar sua presença, eu ainda estava chateada com ele.

    - O que você quer aqui? - consegui com que minha voz saísse fria, e não tirei os olhos do livro, mesmo que eu não estivesse lendo porcaria nenhuma.

    Ouvi o som de seus passos cautelosos se aproximando da minha cama.

    - Eu vim me desculpar. - seu tom era manso.

    Não respondi, continuei com meus olhos no livro, tentando ignorar sua presença ficar mais próxima.

    Se controle, Sakura.

    Senti o lado da minha cama se afundar, Sasuke havia sentado na ponta, e seus olhos queimavam em minha pele.

    - Eu fui um idiota, me descontrolei e disse coisas que não devia. Me desculpe.

    Eu tentei, juro que estava tentando ignorá-lo, mas não consegui. Era impossível tal proeza quando a presença de Sasuke era tão marcante, principalmente quando eu sentia pela nossa ligação o quanto ele estava sentido e arrependido com tudo.

    Ergui meus olhos e o fitei, segurei-me para não me jogar em seus braços e o beijar. Ele estava com aquela cara de cachorro arrependido e para completar, a falta de sua camisa não contribuía para a minha sanidade mental. Ele completamente deveria está fugindo de seu dever de ronda com os outros licantropos.

    Eu tinha que me manter firme.

    - Me magoa saber que você não confia em mim...

    - Eu confio em você. - ele me interrompeu, seu tom um pouco desesperado, aproximando seu corpo um pouco para perto.

    - Mas não foi o que pareceu quando você insinuou coisas que não existem.

    Seu corpo voltou-se para trás, se afastando. Suas mãos passando por todo o rosto, ele parecia de alguma forma agoniado.

    - Entenda, é difícil para mim controlar... controlar essa fera aqui dentro. - ele pôs uma mão no peito e me fitou, com os olhos sofredores. - Foi insuportável controlar a raiva que crescia quando eu senti o cheiro de outro macho impregnado em sua pele, ocultando o seu cheiro. A minha vontade naquela hora era pisar naquele verme e esmagá-lo.

    Minha boca se abriu e voltou a se fechar. Eu pude ver a raiva assustadora que passou como um relâmpago por seus olhos.

    - Você está exagerando, Gaara é só o meu amigo.

    - Não estou exagerando. - ele disse entredentes. - Aquele cara não é confiável, Sakura... Tem algo nele que...

    Uni as sobrancelhas, e fechei o livro.

    - Do que você está falando? - ele não respondeu. - Sasuke, me fala!

    - Não posso tirar conclusões precipitadamente, preciso saber a situação real.

    - Sasuke, realmente não estou entendendo do que você está falando.

    Ele ergueu seus olhos para mim e balançou a cabeça para os lados.

    - Esqueça o que eu falei, ok?

    Eu fiquei observando suas expressões, totalmente atônita.

    - Você é estranho. - murmurei.

    Ele suspirou e se aproximou novamente, quebrando meu espaço pessoal.

    - Eu odeio ficar brigado com você, é agoniante. - suas mãos agarram a minha, passando seu calor desumano para mim e aquilo foi o suficiente para quebrar a barreira que eu havia levantado entre nós.

    - Foi você que começou. - ataquei - Você não pode me proibir de ter amigos.

    - Eu sei, e eu não quero isso. Nunca irei te privar de ter amigos. - sua língua umedeceu seus lábios. - Eu só tenho que controlar esse sentimento de possessão de querer ter você exclusivamente só para mim.

    - Isso soa meio doentio.

    - E estou doente por você.

    Ele se aproximava como um morfino com aquela cara de arrependido sedutor e que de certa forma soava engraçado. Nunca iria imaginar que eu veria Sasuke Uchiha, o cara mais arrogante que conheci e que tinha sido grosseiro comigo está daquele jeito.

    E só precisou de um sorriso, um pequeno e miserável sorriso escapando por meus lábios para que ele tomasse aquilo como um sinal positivo para se aproximar e me atacar com seus lábios sedentos. Sua língua invadiu a minha boca e encontrou a minha. Minhas mãos tocaram sua pele quente e nua e cravei minhas unhas em sua pele, arrancando gemidos dele contra a minha boca.

    Não havia ficado nem cinco horas brigada com ele, mas foi o suficiente para machucar ambos de um jeito como se tivesse arrancado todos os nossos membros. Era quase insuportável ficar longe dele, e esse sentimento era muito mais forte quando estávamos um colado no outro.

    - Me lembre de nunca ficar de mal com você. - murmurei contra sua boca, e pude senti seu sorriso se abrir enquanto ele me beijava.

    - Como foi lá no campo? - ele perguntou quando me abraçava, meu rosto em seu ombro largo, sentindo mais o seu cheiro.

    - Você quer mesmo saber?

    - Não, só estava tentando ser educado.

    Sorri contra sua pele e voltei a fitá-lo.

    - A sua sinceridade me dói o fígado sabia?

    Agora quem sorriu foi ele, e voltamos a nos beijar. Seu corpo grande e quente fazia com que o meu inclinasse para trás até eu está deitada com ele em cima de mim. Suas mãos bobas passeavam por todo o meu corpo, fazendo com que um fogo subisse por meu ventre. E quando as coisas começaram a esquentar - como das outras vezes -, a porta do meu quarto foi aberta num rompante.

    No susto empurrei Sasuke com toda a minha força e o coitado caiu do outro lado, no chão, enquanto eu me sentava na cama e olhava para Tsunade que fitava toda a cena com o cenho franzido e os lábios crispados.

    - Vó...

    Seus olhos posaram em mim.

    - Sakura, você pode me explicar o que diabos está acontecendo aqui?


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