Lua de Sangue

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 13

    Hinata

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Fiquei alguns segundos sentada no sofá, atônita, sem reação. Sasuke havia agido por impulso e aberto a porta num rompante e gritado com a pessoa - seja lá quem fosse - que estava lá fora, com uma raiva que ele não tinha alguns segundos atrás.

    Como um clique eu consegui despertar do meu estado de choque, me pus de pé e corri até ele. Seu corpo grande e largo me impedia de ver quem era lá fora, mas só foi eu chegar perto e apoiar minha mão em seu ombro e ficar na ponta dos pés que eu pude ver quem era. Eu não consegui ficar mais surpresa quando meus olhos bateram em Hinata do outro lado. Sua expressão era pouco confusa enquanto fitava Sasuke no portal da minha casa, mas logo sua expressão confusa dera lugar a uma expressão dura.

    - Eu faço a mesma pergunta, cachorro. ? sua voz era fria com um misto de repudio e nojo enquanto o fitava com os olhos mais ferozes.

    Ela não havia me notado.

    Sasuke soltou um grunhido e senti seu ombro - onde minha mão estava pousada - se tencionarem. Hinata havia o ofendido com aquela palavra grosseira, tratando como se ele fosse um animal. Eu sentia aquele clima intenso, e mesmo eu estando por fora dessa tal rivalidade que eu havia descoberto que existia entre os dois, sabia que se eu não fizesse nada aquela situação poderia ficar muito pior.

    - Hinata, o que faz aqui? - minha voz saiu alto o suficiente para que fizesse com que os dois me notassem ali.

    Empurrei o corpo de Sasuke para o lado, conseguindo uma brecha para passar, ficando de frente para ela. Estava com as mesmas roupas que estava na escola, sua mochila no seu ombro direito e o seu inseparável capuz na cabeça.

    Ela me olhou com seus olhos azuis cinzentos.

    - Vim fazer o trabalho de biologia - ela começou, desviou seus olhos para Sasuke ao meu lado por um breve segundo antes de me olhar de novo. -, mas acho que estou atrapalhando algo.

    - Não! ? minha voz havia saído um pouco esganiçada, o que demonstrava todo o meu nervosismo com aquela situação constrangedora. Escutei Sasuke bufar. - Você não está atrapalhando nada.

    Desviei meus olhos por um segundo para o lobo ao meu lado, e soube que a minha confissão não tinha o agradado, pois suas sobrancelhas estavam franzidas e seus lábios crispados. Ele não desviou os olhos de Hinata nenhuma vez, continuava a metralhando como se pudesse matá-la.

    O que diabos tinham acontecido para um odiar tanto o outro? Novamente eu me via confusa, e odiei por está sempre por fora das situações.

    Umedeci meus lábios rapidamente e empurrei um pouco mais o corpo de Sasuke para trás com as minhas costas, abrindo passagem.

    - Pode entrar.

    Ela arqueou uma sobrancelha, e fitou Sasuke mais uma vez.

    - Não até você colocar o cão para fora.

    - Repete de novo, sua bruxa esquisita. - Sasuke desviou do meu corpo e começou avançar em direção a Hinata. Num ato totalmente automático, virei meu corpo a tempo e tentei o impedir com as minhas duas mãos em seu peito, empurrando aquele corpo sólido para trás, mas sem sucesso.

    - Sasuke, para! - pedi, ele parou, mas seus olhos estavam fixos nela e sua cara estava pior do que antes.

    - Falta muito pouco para que eu arranque sua cabeça, desgraçada. - Sasuke atacou, ele cuspia as palavras com certo ódio.

    Ouvi uma risada, e não pude evitar olhar para trás e ver um sorriso no rosto de Hinata, um sorriso totalmente debochado.

    Aquela situação estava ficando pior do que eu imaginava.

    - Se você não quiser ficar que nem seu amigo, eu acho melhor não chegar perto de mim, pois com você, acho que não serei tão boazinha.

    Franzi meu cenho e aquilo foi o suficiente para deixar Sasuke mais zangado.

    - Ora sua...

    - Chega vocês dois! ? gritei e com um impulso empurrei o corpo de Sasuke com toda a minha força, fazendo-o dar três passos para trás. Fiquei no meio, entres os dois, fitei Hinata que havia ocultado seu sorriso. - Já chega Hinata - virei minha cabeça para Sasuke -, e você também. Eu não quero presenciar uma briga em frente a minha casa.

    - Isso foi uma péssima ideia.

    Hinata deu as costas e começou a se afastar, mas a impedi com a minha mão em seu pulso.

    - Não! ? minha voz havia saído dura e autoritária, fazendo-a olhar para mim. - Você não vai a lugar nenhum. Temos um trabalho para fazer e não vou fazê-lo sozinha.

    Seus olhos azuis claros e cinzentos fitavam os meus, e pude ver um brilho surpreso que havia neles. Acho que ninguém nunca chegou aquele nível de autoridade contra ela, e eu não iria recuar, iria até o fim. Ela tinha vindo até mim por conta própria e isso me dizia que ela também se importava com o trabalho.

    Desviei meus olhos dos dela, e soltei seu pulso, sabia que ela não iria embora. Voltei minha atenção para Sasuke que nos olhava com aquela expressão que eu conhecia muito bem, aquela expressão quando nós nos conhecemos.

    - Acho melhor você ir embora.

    Eu sentia meu coração ficar apertado por fazer aquilo. Por mim ficaria com ele o dia todo, desfrutando dos seus toques carinhosos e das sensações que sentia quando ele estava por perto. Mas eu tinha um trabalho para ser entregue amanhã e eu não podia ignorar, principalmente quando a minha parceira que sempre me ignora resolve dar uma trégua e me procura por contra própria.

    Os olhos de Sasuke focaram agora só em mim, negros e intimidade, não pude evitar não sentir o frio na barriga e meu coração acelerar algumas batidas.

    Céus, como ele era lindo.

    Sabia que estava agindo como uma idiota, eu sempre ajo assim quando fico perto dele, não consigo evitar as reações que ele causa em mim quando está por perto e muito menos quando ele me olhava daquele jeito, meio protetor, como ele estava me olhando naquele momento.

    Ele começou a se mover, vindo em minha direção, pensei que ele fosse me beijar ou algo do tipo, mas ele simplesmente desviou seu corpo quando chegou próximo de mim, e murmurou:

    - Nos vemos depois.

    Apenas assenti com a cabeça para cima e para baixo num movimento totalmente débil, e virei meu corpo para trás, podendo ver suas costas largas e a mochila em sua mão direita - que nem sabia quando ele havia pegado -, e se afastar com passos rápidos, sem olhar para trás. Senti um sentimento de vazio, aquele que ele havia preenchido mais cedo com sua presença e seu calor corporal.

    Eu havia ficado sozinha de novo.

    Acompanhei com o olhar até ele virar a rua e o perder de vista. Virei meu corpo para Hinata e surpreendi-me quando percebi que ela me fitava. Ela havia presenciado meu momento estúpido de garota apaixonada, senti meu rosto ficar quente.

    Desviei meus olhos dos dela, totalmente encabulada e dei passos em direção à entrada da casa.

    - Ahn, vamos entrar. - minha voz soou pouco atrapalhada enquanto abria mais a porta, dando passagem a ela.

    Hinata aproximou-se e entrou, sem fazer cerimônia, totalmente calada. Fechei a porta atrás de mim e fitei o sofá, que alguns minutos antes estava aos beijos com Sasuke. Meu corpo se agitou com aquelas cenas, mas tratei de afastá-las e foquei na minha parceira de biologia que estava de costas para mim, em pé, no meio da sala.

    - Pensei que você não fosse fazer o trabalho. - minha voz soou pelo cômodo, quebrando aquele silêncio perturbador e tenso que havia se apossado entre a gente.

    Ela virou seu corpo para mim e me fitou, abaixando o capuz do seu casaco.

    - Você está se envolvendo com aquele cara? - ela perguntou, num tom pouco incrédulo, ignorando a minha pergunta.

    Aquilo havia me pegado de surpresa, e logo me lembrei do jeito arrogante que ela havia se dirigido a ele, eu não gostei disso.

    - Acho que isso não é da sua conta.

    - Tem razão, não é da minha conta. - ela disse, sem desviar seus olhos dos meus. - Mas só um conselho, Sakura, acho melhor você se manter afastada daquela raça nojenta, para o seu próprio bem.

    Uni as sobrancelhas, não havia gostado do modo como ela me dizia o quê ou não fazer.

    - Obrigada pelo conselho. - minha voz soou desgostosa e pouco sarcástica.

    Ela não disse mais nada, e novamente aquele silêncio incômodo se apossou na sala, deixando o ambiente com um clima mais pesado e sufocante. Hinata havia se mostrado uma pessoa amarga, com uma personalidade difícil e vingativa. Não tinha a mínima ideia o que havia acontecido com ela para ser o que é hoje, não sabia nada de sua vida além do que Tsunade havia me contado. Nunca gostei de julgar uma pessoa pela aparência sem antes de conhecê-la, mas talvez, eu pudesse ser ingênua o bastante para ver sempre o lado bom das pessoas.

    Desviei meus olhos para o chão, e engoli um bolo que havia se formado em minha garganta. Eu iria ignorar aquele sentimento de raiva que estava sentido da garota a minha frente e fazer logo aquele maldito trabalho que havia trago bastante confusão hoje.

    - Vamos para o meu quarto. - disse dando as costas, mas não sem antes pegar minha mochila que estava jogada no chão e começar a subir as escadas.

    Não ousei olhar para trás para ver se Hinata me seguia, mas pude senti a sua presença atrás de mim e seus passos contra o chão de madeira. Abri meu quarto e deixei a porta aberta, joguei a mochila na cadeira de rodinhas do computador e comecei a arrumar minha cama que estava bagunçada.

    Hinata parou no portal do meu quarto, pareceu hesitante. Terminei de arrumar os travesseiros e as almofadas na cama e ergui meu corpo, virando-me para ela.

    - Entra.

    Ela fitou todo o quarto, curiosa, e começou a dar passos para dentro. Era estranha aquela situação, era estranho ver Hinata ali no meu quarto sabendo que ela sempre ignorava a minha existência. Parecia coisa de outro mundo.

    - Eu vou a cozinha preparar alguma coisa para a gente comer.

    Ela voltou sua atenção para mim quando eu me aproximava da porta.

    - Eu não estou com fome.

    Ignorei o seu argumento e continuei avançando, passando por ela.

    - Fique a vontade, eu não demoro.

    Não fiquei para ouvir outro de seus protestos e saí do quarto em passos poucos tropeços, meu tornozelo ainda não estava cem por cento, e de vez em quando dava algumas pontadas. Eu tinha que passar mais um pouco da pomada milagrosa de Tsunade depois.

    Quando cheguei à cozinha, tratei de tirar todos os ingredientes que precisaria da geladeira. Fiz alguns sanduiches e uma pequena jarra de suco. Coloquei os sanduiches feitos na bandeja e os dois copos de suco de laranja ao lado. Mesmo Hinata ter negado não sentir fome, eu iria levar mesmo assim.

    Peguei a bandeja e marchei para o quarto, com cuidado para não derramar o suco, torcendo para que minha má sorte não desse as caras naquele momento. Entrei no quarto, encontrando Hinata olhando a paisagem pela minha janela. Ela olhou para trás e sua atenção foi direto para a bandeja que estava em minhas mãos e bufou, revirando os olhos.

    Ignorei sua expressão indesejada e coloquei a bandeja em cima do criado-mudo ao lado da minha cama e fui pegar a minha mochila que tinha deixado na cadeira e me sentei na cama. Olhei Hinata que ainda estava em frente à janela.

    - Você não vem?

    Ela começou a se aproximar com passos preguiçosos e logo se sentou na ponta da minha cama. Realmente o clima entre a gente estava ficando pior a cada segundo e eu não conseguia fazer nada para amenizar.

    Tirei meu livro e o caderno na mochila, levantando-me da cama novamente e desconectando o notebook do cabo de energia, trazendo comigo, e o liguei. Olhei de rabo de olho para minha parceira, ela tirava seus materiais da mochila, depositando-os ao seu lado na cama.

    Inclinei meu corpo para o lado e peguei meu copo de suco e um sanduiche dando uma generosa mordida e tomei um gole do suco em seguida.

    - Servida? - ofereci.

    - Não. - ela nem ao menos olhou para mim, e sim para as páginas do livro que estava folheando.

    Soltei um pequeno suspiro cansado, tomei mais um gole do suco e o deixei de lado e terminei de comer o sanduiche. Não demorou e começamos a fazer o trabalho, em total silêncio. Trocávamos palavras vez ou outra da matéria, nada de mais.

    Ainda me sentia curiosa a respeito desta mudança repentina de Hinata. Jurava que iria fazer o trabalho sozinha, mas eu estava redondamente errada.

    Tirei meus olhos da folha de ofício onde eu fazia a tabela, para ela. Hinata estava concentrada pesquisando no meu notebook, sua perna esquerda estava dobrada na cama e a outra estava no chão. Ela ergueu o olhar e me pegou a fitando.

    - O que foi?

    - Por que resolveu fazer o trabalho comigo?

    Ela ergueu uma sobrancelha.

    - Que eu saiba o trabalho é em dupla. - ela disse como se fosse óbvio. - Eu preciso de nota, biologia não é uma das matérias que me agrada.

    - Pensei que fosse ignorar o trabalho, assim como me ignora nas aulas.

    - Eu não te ignoro. - ela declarou, ergui uma sobrancelha.

    - Não?

    Ela revirou os olhos.

    - Nós não somos amigas, e eu não sou obrigada a fazer amizade ou ser legal com você ou com ninguém.

    Como ela é grossa.

    - Ficar sozinha não é legal.

    - E melhor do que ficar perto de gente hipócrita que só ver as pessoas pela aparência.

    Uni as sobrancelhas. Ela estava me acusado ser esse tipo de pessoa? Talvez Ino tenha razão novamente, agora a respeito de Hinata, ela é estranha.

    - Eu não sou esse tipo de pessoa. - ataquei, minha voz saiu pouco ofendida.

    - Eu não estou me referindo a você.

    Agora eu não estava entendendo mais nada. Hinata era uma pessoa extremamente complicada, eu começava a sentir minha cabeça doer só de tentar seguir a mesma linha de raciocínio que ela.

    Ela suspirou, levou a mão até o casaco preto e puxou o zíper para baixo, o tirando em seguida e o deixando ao lado, ficando só com uma camiseta cinza simples.

    - Eu não quero fazer amizades e muito menos criar vínculos com ninguém. - ela voltou a me olhar. - Eu tenho que manter a minha mente focada na minha meta, e acabar com certo alguém.

    Engoli em seco diante a declaração de ódio de Hinata. Sua expressão era fria como um dia nevoso, e um frio subiu pela minha espinha. Será que... será que era o Sasuke que ela estava se referia em acabar?

    Voltamos a fazer o trabalho, não falamos mais uma com a outra. O clima ficou pior e agoniante, eu não via a hora de acabarmos com aquele trabalho e me ver livre da presença de Hinata.

    Fiz a tabela com o cruzamento dos dois tipos de flores e Hinata fez o quadro dos resultados. Até que o trabalho estava ocorrendo mais rápido do que o previsto, e dei graças a Deus por isso.

    Mas de repente o lápis caiu da mão de Hinata e ela levou as duas mãos a cabeça, agarrava os cabelos pela raiz, enquanto sua boca se abria.

    - Hinata? - me pus de pé, não pude evitar ficar preocupada.

    Ela não me respondeu, e sua respiração ficou ofegante enquanto seus olhos arregalavam, fitando algo que parecia não enxergar.

    - Azul... De novo não... Azul não, azul não...

    Ela parecia delirar, e sua respiração ficava mais pesada e o aperto em seu cabelo ficava mais forte. Aproximei-me dela, eu estava assustada com a situação que ela se encontrava. Segurei seus dois braços e a sacolejei.

    - Hinata, o que você está sentindo?

    - Azul... Não...

    Ela continuava delirando, e dizendo a palavra azul, inclinando seu corpo para frente como se ela estivesse sentindo algum tipo de dor. O que aquilo significava? A casa estava totalmente vazia, Tsunade estava no trabalho e não poderia ajudar. Eu estava sozinha.

    O que eu faço?

    - Hinata, fala comigo. - a sacolejei mais uma vez, mas nada adiantava, ela ainda continuava dizendo palavras sem sentidos e fitando algo que não via.

    Calma, Sakura. Disse para mim mesmo. Fechei meus olhos para tentar me acalmar, escutando as divagações de Hinata. Apertei seus braços com um pouco mais de força e foi ali, naquele momento que senti algo diferente fluir por todo o meu corpo, era leve e fraco, que se acumulavam na palma de minha mão.

    Abri meus olhos, surpresa com o que senti e vi a respiração de Hinata suavizar, a força de seus dedos na raíz do cabelo afrouxou e seus olhos abriram lentamente. Ela piscou algumas vezes enquanto tirava suas mãos da cabeça. Soltei seus braços e dei um passo para trás. Ela fitou todo o quarto, atordoada, e logo pousaram eles em mim, incrédulos.

    Soltei um suspiro de alivio percebendo que ela tinha voltado a si.

    - Você está bem?

    - Como você fez isso? - ela perguntou, ignorando a minha pergunta de preocupação.

    - Isso o quê?

    Seu cenho estava franzido enquanto me olhava, mas desviou para suas mãos, virando a palma para cima.

    Voltou a me olhar.

    - Você repeliu a minha visão.

    - Ahn?

    Eu estava surpresa, sabia que meus olhos estavam arregalados com a declaração dela. Repeliu a visão? O que diabos ela queria dizer com isso? Seu rosto ainda me fitava surpreso, e sua respiração não estava totalmente calma.

    - Como você fez...

    Ela não conseguiu terminar a frase, pôs uma mão no estômago e outro na boca. Não precisou de muito para eu poder perceber o que ela estava sentindo. O mais rápido possível ajudei ela a se levantar da cama e a guiei até o banheiro que ficava muito próximo ao meu quarto. Só foi chegar ao cômodo e levantar a tampa da privada para cima que ela antes mesmo de se agachar totalmente vomitou. Ela tentava equilibrar o corpo com a mão na parede a sua frente, apenas me pus atrás dela e segurei seus cabelos para que não sujassem e virei meu rosto para o lado, evitando olhar o que ela colocava para fora.

    Ela tossia várias vezes, e vomitou mais um pouco, antes de erguer seu corpo para cima e fechar a tampa da privada e dá descarga. Soltei seus cabelos, vendo-a lavar sua boca no lavabo ao lado.

    - Você está bem? - perguntei, fitando suas costas e seu reflexo no espelho.

    Ela suspirou pesadamente e assentiu com a cabeça.

    - Eu vou viver. - sua voz saiu baixinha e fraca. Seus olhos ergueram para cima e me fitou pelo espelho. - Desculpe pela cena lamentável.

    - Ah, tudo bem - dei de ombro. -, isso são situações que não podemos evitar.

    Ela abaixou o olhar, eu não sabia o que falar. Tudo estava muito confuso e estranho.

    - Ahn... vamos sair daqui?

    Hinata não respondeu, apenas saiu do banheiro a minha frente e entrou no quarto, caminhou direto para o criado-mudo e pegou o seu copo de suco de laranja intocável e tomou um gole.

    - Eu não sei o que fez, mas você acabou repelindo a minha visão e bloqueou meus poderes. - a voz de Hinata veio como uma faca me cortando, mansa, porém fria.

    Eu continuava parada ao lado da minha cômoda, fitando-a sem reação. Eu não havia feito nada, apenas senti no meu momento de desespero para tentar ajudá-la aquela sensação diferente fluir pelo meu corpo, era reconfortante e leve. Será que aquilo era... será?

    Hinata sentou-se na ponta da minha cama, onde eu sentava antes, e me olhou.

    - Obrigada.

    Mas o quê? Eu devia está parecendo uma retardada sem reação, eu não tinha reação. Hinata havia me agradecido por uma coisa que eu fiz e que eu nem ao menos entendia o que tinha acontecido. Eu não havia feito nada demais, eu estava assustada pelo estado em que que ela se encontrava, parecia que estava sofrendo enquanto delirava palavras sem sentido.

    Saí da porta do quarto e me sentei na cama, ficando de frente para ela. Hinata tomou mais um gole do suco que deveria está quente pelo tempo que eu havia feito, e colocou o copo pela metade na bandeja.

    - Naquela hora você estava tendo visões? - perguntei, mas sabia que a resposta era positiva.

    Ela não respondeu, apenas inclinou seu corpo para frente e pegou sua folha de tabela.

    - Minha avó falou um pouco sobre a sua família. - continuei, pegando a minha folha que estava perto dela. - Você é uma vidente.

    - Grande porcaria. - ela murmurou, sem me olhar.

    Mordi o lábio rapidamente e fitei a minha tabela quase completa.

    - Você não gosta de ser uma bruxa?

    - E você gosta de ser uma bruxa? - ergui meu olhar para cima, percebendo que ela me fitava. Ela havia me respondido a pergunta com outra pergunta.

    Não respondi, até porque, não tinha como responder. Não tive nenhuma ação como uma bruxa, tudo o que eu sabia eram teorias e histórias dos meus antepassados que Tsunade havia me contado. Não sabia se eu gostava ou não, mas mesmo assim só o fato de eu ser uma bruxa me impossibilitava de ficar com Sasuke.

    Hinata soltou um suspiro cansado e largou a folha da sua tabela nas suas pernas.

    - Acho que compartilhamos da mesma opinião. - ela disse. - A minha vida é uma merda e a cada dia que passa fica pior. A cada dia que passa eu fico mais louca. O que eu tenho não é um dom e sim uma maldição que eu carrego em minha vida.

    - Eu sinto muito. - sussurrei baixinho, e surpresa por ela se abrir comigo.

    Eu não sabia que as visões de Hinata fossem assim tão ruins. Tsunade havia me relatado dias atrás sobre o quando isso a atormentava, e depois do que aconteceu hoje, eu pude comprovar que era realmente duro está na pele dela.

    Hinata não era amarga por que ela queria, e sim o destino a tinha deixado daquele jeito. Era triste ver uma pessoa se acabando aos poucos.

    - Posso fazer uma pergunta?

    Ela me olhou por um momento e depois voltou sua atenção para a folha, começando a fazer as anotações no quadro da tabela. Tomei aquilo como um sim.

    - O que você viu exatamente naquele dia que você me mandou ficar em casa?

    Aquele assunto ainda rondava a minha cabeça, mesmo depois do caso ter passado. Eu queria saber o que realmente ela tinha visto, eu queria tirar aquela dúvida que me perturbava, e que talvez ela pudesse está de brincadeira comigo.

    - A sua morte.

    Prendi a respiração, chocada o suficiente com a sua resposta. Eu já imaginava que ela fosse dizer algo assim, mas ouvir de sua própria boca, tão claramente, não podia evitar com que um frio subisse a minha espinha. Por um momento eu até pensei que ela fosse rir da minha cara e dizer o quando eu fui idiota por acreditar no que ela disse, e que só estava curtindo com a minha cara e por eu ser a novata na escola. Mas não, ela havia confirmado o que eu mais temia e sua voz não havia nenhum timbre de brincadeira. Ela estava séria.

    - Como?

    Ela suspirou mais uma vez, parecia cansada de ficar naquele assunto, mas eu não queria encerrá-lo ali.

    - Você faz perguntas de mais.

    - Desculpa.

    - Para de ficar se desculpando. - ela me fitou, com o cenho levemente franzido. - Você é boazinha demais, ingênua demais e isso não é bom para uma bruxa. O mundo é cruel, Sakura, e as pessoas são mais cruéis ainda.

    Ela soltou o ar pela boca, e fechou os olhos com força, voltando a abri-los lentamente e fitou algum ponto no colchão.

    - Você anda com a morte ao seu lado - sua voz soou baixinha e calma desta vez. Meu coração deu um salto. -, ela vem traçando uma linha em torno de você durante muito tempo, mas você acaba driblando-a. - ela ergueu seus olhos para mim, sérios. - Não estou dizendo que você vai morrer hoje ou amanhã, mas que só tem que ter cuidado. Você e um ímã para desastres.

    Minha boca estava completamente seca, minhas mãos geladas e trêmulas as pousei no colchão para não demonstrar.

    - Eu nem sei o que falar...

    Ela começou a fitar a folha em seu colo, e voltou a falar:

    - As minhas visões são como um quebra-cabeça embaralhado, eu vejo cada peça de uma vez, e tenho que montá-lo e desvendá-lo, e isso é desgastante. O futuro sempre pode mudar diante das escolhas que fazemos. - ela me fitou com o rosto sério. - Eu vi você morrendo depois de ser acertada acidentalmente por uma bala de prata saindo da arma de um caçador que estava naquela confusão no centro de Konoha. Se você tivesse ido para o centro naquele dia, você teria uma morte prematura e não estaria contando histórias agora ou perguntando nada.

    Umedeci os lábios, e Hinata continuou:

    - Você novamente driblou a morte.

    Fitei minha mão direita em cima do colchão. Driblei a morte? Realmente estava impressionada em como eu fazia essa façanha incomum. Era até irônico diante da minha maré de azar e da minha má sorte.

    Minha cabeça começava dar sinais que pinicação, e sabia se eu não parasse aquele assunto eu terminaria com uma tremenda dor de cabeça.

    Voltamos a fazer o trabalho, não tocamos mais no assunto e diferente de antes, o clima estava pouco ameno acho que devido a nossa pequena troca de palavras, mesmo não sendo uma conversa agradável.

    - Odeio biologia. - ouvi os resmungados baixinhos de Hinata.

    Nós tínhamos terminado o trabalho, e eu ajuntava as folhas e grampeava junto com a capa que ela tinha feito. Olhei rapidamente para a minha parceira que estava ajuntando os lápis e os jogando na mochila.

    - Se quiser eu posso te ajudar com biologia, eu sou boa nesta matéria.

    Ela me fitou.

    - Só por que estávamos fazendo o trabalho juntas não quer dizer que eu virei a sua amiguinha.

    - Ahn... eu nem pensei nisso.

    Ela deu de ombro.

    - Tanto faz.

    Reprimi um pequeno sorriso que queria escapar, coloquei o trabalho pronto e grampeado no lado e peguei o caderno e o livro de biologia. Amanhã seria o dia da entrega do trabalho e a prova do senhor Sarutobi. Começamos a estudar, tirei algumas dúvidas que Hinata tinha na matéria e fiz algumas perguntas para ela. No começo ela parecia indecisa em ficar e estudar comigo ou ir para sua casa, mas seja lá o que ela tivesse pensado resolveu ficar. E aos poucos aquele clima tenso se dissipava e se tornava um pouco mais ameno, o que era bom.

    Hinata era uma pessoa difícil, não confiava em ninguém e desconfiava de tudo que vinha fácil. Era difícil ficar em sua presença, pois eu nunca fui aquela que puxava uma conversa, as pessoas que puxavam conversa comigo, e com Hinata era eu que tinha que puxar conversa para que assim um diálogo começasse, pois se dependesse dela o silêncio iria sempre predominar.

    Estudamos a tarde toda, estávamos tão envolvidas na matéria que nem percebemos a hora passar e o começo da noite cair. Escutei um barulho de motor de carro lá fora e não precisei olhar as horas no relógio para saber que era Tsunade que havia chegado do trabalho. Hinata fazia perguntas para mim, e acertei a maioria, diferente dela que tinha errado quase tudo na primeira vez que perguntei. Claro que ela havia reclamado um pouco e ameaçado em desistir, mas não deixei. Começamos tudo de novo e como eu sabia mais do que ela eu preferi ficar ajudando-a, e não demorou muito para eu poder ver os resultados.

    Escutei passos no corredor e logo depois duas batidas na porta ecoaram no meu quarto.

    - Pode entrar. - disse, enquanto abaixava o livro e olhava a minha porta sendo aberta e o perfil de Tsunade aparecer.

    - Ah você está aí... - ela parou por um momento quando percebeu a figura de Hinata sentada na minha cama, de frente para mim. - Hinata?

    - Senhora Tsunade, como vai?

    Minha avó abriu um pequeno sorriso de lado, mas sua sobrancelha estava arqueada para cima, pouco confusa.

    - Bem, e você?

    - Vou indo.

    Tsunade me fitou com aquele olhar confuso, pedindo uma explicação.

    - A Hinata é minha parceira no trabalho de biologia. - expliquei.

    - Ah. - ela assentiu, e agora sorriu mais abertamente. - Falta muito para terminar?

    - Na verdade já terminamos. - falei. - Nós estamos estudando para a prova amanhã.

    - Entendi. Então eu vou trocar essa roupa e preparar alguma coisa para a gente jantar. Vocês devem está famintas.

    - Não precisa se preocupar comigo, senhora Tsunade. - começou Hinata levantando-se de supetão da cama. - Eu já estou indo para casa.

    - Nem pensar. - minha avó levantou a mão num modo de impedi-la, seu tom havia saído autoritário. - Eu insisto, depois eu te levo para casa.

    Ela tentou argumentar alguma coisa.

    - Fica. - minha voz soou, trazendo sua atenção para mim. - Teremos mais tempo para estudar antes do jantar ficar pronto.

    Ela olhou para Tsunade por um momento, era duas contra uma. Em seguida soltou um suspiro se dando por vencida.

    - Tudo bem. - murmurou.

    Eu vi o canto da boca de Tsunade erguer-se num pequeno sorriso vitorioso, nós tínhamos acabado de dobrar Hinata Hyuuga.

    - Então eu vou preparar o jantar, chamo quando ficar pronto.

    Assenti com a cabeça e Hinata sentou-se na cama novamente e voltamos a estudar.

    Não demorou muito para que Tsunade nos chamasse para podermos comer. Eu estava faminta, o sanduiche que fiz havia sido só um entretimento ao meu estômago. Hinata arrumou suas coisas na mochila e descemos juntas. Ela deixou a mochila em cima do sofá e caminhamos até a cozinha, onde Tsunade arrumava os pratos na mesa. O cheiro estava ótimo.

    O jantar não foi tão estranho como pensei que seria, Tsunade fazia o máximo para que uma conversa banal se mantivesse, e agradecia por ser ela a puxar algum assunto e não eu.

    - Como foi à aula hoje? - minha avó perguntou aleatoriamente.

    - A mesma coisa de sempre. - respondi, girando o garfo na macarronada com molho bolonhesa.

    Havia sido a mesma coisa de sempre a metade do tempo, pois a outra metade eu havia fugido com Sasuke.

    Hinata me fitou por um momento, e naquela hora eu soube que talvez ela saiba que eu tinha matado aula, já que ela havia pegado o Sasuke comigo aqui em casa. Mas para o meu alívio ela voltou sua atenção para o seu prato e não disse nada.

    - E o seu irmão, como ele está? - novamente Tsunade evitando que o silêncio reine.

    Não pude deixar de ficar interessada na conversa e muito menos nas respostas de Hinata. Ela não era grossa com Tsunade, muito pelo contrário, ela a trava muito bem e eu percebi o nível de intimidade que uma tinha com a outra.

    - Está melhor. - ela começou. - Meu pai o convidou para passar um tempo lá em casa, vai ser bom para o Kanji.

    - Eu até imagino o quanto ele deve está sofrendo pela morte da mãe. - comentou Tsunade, pouco aérea.

    - Está sendo doloroso para ele.

    Não compreendia a conversa que as duas tinham, eu estava totalmente por fora. Hinata tinha um irmão? E quem era Kanji? Fiquei tentada em perguntar e acabar com a minha curiosidade, mas acho que seria indelicadeza minha, além do mais, eu havia percebido que era um assunto delicado. O melhor que fiz foi ficar quieta, depois eu perguntaria para minha avó.

    O jantar se passou tranquilo, a noite caiu fria lá fora, deveria ser umas nove e pouco da noite. Tsunade pegou as chaves do seu Jeep para levar Hinata até em casa como prometido. Ela tentou argumentar contra mais uma vez, dizendo que não precisava, mas novamente perdeu quando Tsunade lançou aquele olhar sério.

    - Eu volto logo. - minha avó disse abrindo a porta da frente.

    - Tudo bem. - assenti.

    Hinata pegou sua mochila que estava no sofá - depois que colocou o casaco -, e o pendurou no ombro esquerdo, e me olhou.

    - Tchau. - sua voz havia saído tímida, pouco constrangida por se despedir de mim.

    Eu sabia que estava sendo difícil para ela engolir o orgulho e não me ignorar, depois de hoje à tarde, e espero lá no fundo que isso influencie na sua decisão de não me ignorar amanhã.

    - Tchau.

    As duas saíram em seguida, e a porta logo se fechou. Não demorou para que eu escutasse o som do motor do Jeep e sumir em seguida.

    Suspirei pesadamente e subi com passos lentos para o quarto, eu estava cansada tanto fisicamente, como psicologicamente. O dia havia sido cheio de surpresas.

    Entrei no meu quarto, percebendo a bagunça horrorosa de livros, cadernos e folhas espalhadas pela minha cama. Eu teria que arrumar tudo, e não estava com um pingo de vontade de fazer aquilo.

    Comecei ajuntando as folhas em um bloco e empilhar os cadernos com o livro e o enfiar na mochila, não me esquecendo do trabalho. Quando estava fechando a mochila escutei um pequeno barulho ecoar no quarto. Parei. Olhei para os lados, mas não vi nada de estranho. Apenas dei de ombro e voltei a fechar os bolsos aberto da mochila, mas novamente escutei o pequeno barulho, e depois de novo. Olhei para a minha janela a tempo de ver algo pequeno bater contra ela, parecia pedrinhas.

    Deixei a mochila na cadeira do computador e me aproximei da janela, abrindo mais a cortina de renda para o lado e ver o que era lá fora. Meu coração deu um salto quando vi Sasuke lá embaixo, de frente para a minha janela.

    Não pude evitar que um sorriso bobo se abrisse em meu rosto, e rapidamente abri um pouco a janela colocando a minha cabeça para fora, vendo com perfeição o seu perfil lá embaixo. Ele estava só com uma bermuda preta e sem camisa, deixando a mostra todo o seu peito definido, e aquilo foi o suficiente para que o ar faltasse em meus pulmões.

    - O que faz aqui?

    - Abra a janela! - ele gritou lá embaixo, dando alguns passos para trás.

    Não contestei, apenas encolhi minha cabeça para dentro e escancarei mais a janela, deixando meu quarto exposto. Voltei a olhar por ela a tempo de ver Sasuke dar um salto e agarrar um galho do pé de macieira, tomando impulso e pular até minha janela majestosamente. Dei alguns passos para trás quando vi o corpo dele entrando no meu quarto. Não tive tempo para pensar, pois ele agarrou meu pulso colando meu corpo no dele e a sua boca na minha.

    Eu só tive tempo de fechar os olhos e desfrutar do beijo sedento e faminto de Sasuke. Agarrei seu pescoço, sentindo suas mãos em minha cintura me agarrarem de um jeito totalmente possessivo, enquanto sua língua travava uma batalha contra a minha. Seu corpo quente passava seu calor desumano para mim, me aquecendo novamente naquele dia, diante da brisa gélida que entrava pela minha janela. As borboletas estavam mais agitadas em meu estômago e isso só contribuía para o meu nervosismo de está diante dele.

    - Você é louco. - eu disse com minha voz entrecortada e ofegante, depois que nos separamos, eu sabia que meu sorriso bobo estava estampado na minha cara.

    Meu sangue corria mais rápido nas veias diante a adrenalina de tê-lo ali no meu quarto e sabendo que Tsunade poderia chegar a qualquer momento.

    O canto de sua boca ergueu-se naquele lindo e perfeito sorriso de lado.

    - Vim te dar boa noite. - sua boca encostou na minha, num longo selinho.

    Desci minhas mãos para seu ombro, sentindo a sua pele quente e exposta nas minhas palmas, senti meu rosto corar levemente.

    - Estou me sentindo especial. - murmurei, encostando o meu rosto em seu peito, sentindo o seu cheiro único, porém muito mais forte, me deixando entorpecida.

    - Você é especial - ele apertou meu corpo contra o seu, num abraço aconchegante. -, muito.

    Fechei meus olhos e sorri contra o seu peito, descendo minhas mãos novamente por seu peito, entrando por debaixo dos seus braços, agarrando sua cintura, um pouco acima do cós da sua bermuda.

    - Estou de ronda, com a alcatéia. - ele disse, me fazendo erguer meu rosto para cima e olhar seu rosto perfeito me fitando.

    - Fugindo do dever?

    Ele soltou uma risada nasal.

    - Apenas tirado a minha hora de recreio.

    Sorri, mordendo o lábio e balançando a cabeça para os lados. Se me dissessem a uma semana que eu ficaria assim nesse nível de intimidade com Sasuke eu diria para a pessoa ir se tratar, pois era muito difícil imaginar naquela época o quanto Sasuke pudesse ser tão legal e carinhoso comigo.

    Novamente senti os efeitos quando nossos lábios se encostaram mais uma vez, ele me beijava um pouco mais calmo, sua língua dançando uma melodia com a minha, e o que contribuía para as batidas desenfreadas do meu coração.

    Sua boca desceu uma trilha de beijos por meu queixo chegando ao meu pescoço, minha pele se arrepiou com o seu toque, eu havia gostado. Ofeguei, enfiando minhas unhas em sua pele, arrancando um pequeno gemido quase que sonoro seu, voltando sua atenção para minha boca novamente.

    Ele começou a dar passos para frente, me fazendo dar passos para trás até sentir a porta do meu guarda-roupa nas minhas costas. Minhas mãos subiram com minhas unhas arranhando suas costas, e aquilo pareceu o atiçar. Não sabia o que estava fazendo, parecia que toda a minha lógica havia sumido, Sasuke me deixava assim, totalmente vulnerável a ele, apenas seguindo o compasso de seu desejo.

    Suas mãos grandes subiram por meus braços e agarraram o meu rosto, enquanto seu corpo sólido e quente me imprensava mais contra o guarda-roupa, sua perna direita adentrando no meio das minhas, me fazendo sentir o relevo de sua masculinidade em meu ventre.

    - Eu não sei como consegui ficar longe de você todo esse tempo. - ele confessou distribuindo beijos por todo o meu rosto.

    Sorri.

    - Nem eu. - minha voz havia saído como um miado.

    Seus olhos negros me banharam, me levando para dentro de seu mar de escuridão. Sua mão ofegava o meu rosto carinhosamente, colocando uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha. Mordi o lábio, num modo para aliviar a tensão que eu estava sentindo.

    Ele sorriu mínimo, sem mostrar os dentes e foi o suficiente para que eu me derretesse por dentro. Lentamente ele se afastou de mim, e olhou todo o meu quarto atenciosamente. Senti vergonha por ele ver a bagunça que meu quarto estava, e naquele momento me amaldiçoei por ele está ali dentro.

    - Err... não repare a bagunça... eu estava estudando. - minha voz saiu toda atrapalhada, despertando do meu transe e correndo para terminar de ajeitar a bagunça que estava na minha cama.

    - Não se preocupe comigo. - ele se aproximou da cama e pegando o lápis que estava jogado e me entregando.

    - Obrigada. - coloquei em cima do criado-mudo, dando as costas para ele.

    Eu estava nervosa. Droga, Sakura, se acalme!

    Senti seu corpo atrás de mim, e suas mãos me rodearem a cintura, num abraço por trás, e novamente o meu coração estúpido disparou.

    Fechei os olhos, quando senti seu rosto nos meus cabelos e aspirou.

    - Você tem um cheiro bom.

    Senti meu rosto esquentar.

    - Você também. - sussurrei.

    Ele me virou de frente para ele, e abri meus olhos, encontrando sua imensidão negra me fitando.

    - Sobre hoje mais cedo - comecei, falando baixinho. -, me desculpe ter mandado você ir embora daquele jeito.

    - Sem problema. - ele afagou o meu rosto com a mão, passando seu polegar no meu lábio. - Mas só tenha cuidado com aquela lá, ela é traiçoeira.

    Ele tinha dito a mesma coisa que Hinata tinha dito dele.

    - O que aconteceu para vocês se odiarem?

    - É complicado. - ele tirou sua mão do meu rosto e os pousaram na minha cintura.

    Lembrei-me de Hinata ter envolvido o amigo dele na conversa.

    - Tem haver com as regras do Alpha? - perguntei, ele assentiu com a cabeça, concordando.

    - Mas não quero falar sobre isso agora. - abaixei meu olhar, concordando com a cabeça. - Eu vim falar sobre nós dois.

    Senti um frio na barriga e ergui meu olhar para seu rosto, sua expressão agora era séria.

    - Pensei que você fosse me ver. - questionei, tentando apaziguar aquele pequeno clima frio que havia se apossado entre a gente.

    - Também. - sorriu mínimo, mas logo tomou uma expressão séria. - O que nós temos tem que ficar em segredo.

    Uni as sobrancelhas, confusa.

    - Segredo?

    - Pelo menos por enquanto. - explicou. - Não podemos sair de mãos dadas por aí, tenho que falar com o alpha primeiro. Tenho que explicar a nossa situação, e isso vai ser complicado.

    - Tudo bem. Eu entendo.

    Ele me puxou para mais um beijo rápido.

    - Prometo que não vamos ficar assim por muito tempo, só até as coisas se ajeitarem, mas você não pode contar pra ninguém que estamos juntos.

    - Tá legal. Ahn, não é como se eu fosse sair gritando para os quatro ventos que estou ficando com o cara mais arrogante de Konoha.

    Ele arqueou uma sobrancelha, reprimindo um sorriso debochado.

    - Arrogante?

    Droga, por que fui abrir a boca e dizer aquilo? Mil vezes droga pelas palavras saírem da minha boca sem ao menos perceber.

    - Ah, você sabe... - gesticulei com as mãos nervosamente. - O que todo muito fala de você. E... e você não foi nenhum pouco legal comigo no começo...

    Sasuke soltou uma risada abaixando a cabeça e a balançando para os lados. Novamente eu me amaldiçoava por está bancando a idiota e ficar falando um monte de besteiras, e naquela hora, eu queria que o chão abrisse um buraco e me engolisse.

    - Só para não houver nenhuma dúvida, eu quero que a situação se ajeite logo. - ele disse depois que acessou seu pequeno ataque de risada. - Quero que todos saibam que a garota mais bonita de Konoha é minha, e afastar qualquer engraçadinho que se aproximar de você.

    - Isso tudo é ciúmes? - perguntei embasbacada.

    - Só cuidando do que é meu.

    Não pude evitar que o sorriso se abrisse em meu rosto e aquele sentimento bom de que sou importante para Sasuke invadisse o meu peito.

    Escutamos o barulho de carro estacionando, e me afastei do corpo de Sasuke num impulso, meu coração batendo mais rápido.

    - A minha avó chegou. - minha voz havia saído esganiçada enquanto eu corria até a janela e vendo Tsunade sair do Jeep e entrar pela porta da frente.

    Virei-me para Sasuke.

    - Você tem que ir embora.

    - Tá. - ele me puxou para mais um beijo, que eu teria amado se não tivesse agitada a suficiente para não ser pega no flagra.

    - Agora vai. - encerrei o beijo pela metade o empurrando para a janela, enquanto sorria diante do seu rosto incrédulo e pouco emburrado que ele fazia.

    - Você está me devendo. - ele virou sua cabeça para trás enquanto colocava seu pé na janela.

    - Eu sei, agora vai! ? eu gesticulava freneticamente as mãos pelo ar, dei uma olhada para trás, e voltei a fitá-lo.

    Ele sorriu debochadamente antes de dar um pulo. Meu coração parou por um segundo quando percebi que ele tinha pulado do segundo andar e não para o galho da macieira que ficava de frente para o meu quarto. Fui até a borda da janela e o vi sã e salvo lá embaixo, erguendo seu corpo para cima e olhando para o meu quarto, especificamente para mim.

    Soltei um suspiro aliviado, percebendo que ele estava bem, e quase gritei, o chamando de louco por pular daquela altura, ele deveria ter se machucado. A luz azul que vinha do poste público o iluminava e assim podendo ver seu sorriso antes dele dar as costas e correr, atravessando a minha rua e entrando na floresta.

    Escutei barulhos de passos lá fora e encolhi minha cabeça para dentro e fechei a janela rapidamente. Quando estava passando as cortinas, Tsunade entrou no meu quarto, me fazendo virar para ela rapidamente com a minha típica cara de que havia aprontado.

    - Sakura? - ela perguntou, enquanto passava seu olhar por todo o meu quarto, procurando algo de diferente.

    - Oi, vó, chegou rápido. - tentei fazer com que minha voz saísse calma, mas acho que falhei, e Tsunade percebeu.

    - Só deixei a Hinata na porta e voltei. - seus olhos focaram em mim. - Ouvi barulhos, aconteceu alguma coisa?

    Droga, Tsunade havia escutado quando Sasuke pulou da janela, e para piorar, ela estava com aquele olhar desconfiado.

    Desencostei da janela.

    - Eu... caí.

    - Se machucou? - seu tom agora era preocupado.

    - Não. - balancei minha cabeça para os lados, nervosa, enquanto terminava de arrumar a bagunça. - Tropecei nos meus próprios pés.

    Ela adentrou mais o quarto e pegou a bandeja com os copos e os restos dos sanduiches que eu tinha feito mais cedo.

    - Isso é falta de atenção.

    - Eu sei, desculpe.

    Silêncio.

    - Estou feliz que você e a Hinata estão começando a se dar bem. - começou Tsunade.

    Ergui meu olhar para ela.

    - Nós só fizemos o trabalho de biologia, só isso, não é como se fossemos amigas.

    Ainda mais quando ela tinha deixado claro que não queria minha amizade.

    - Mas seria bom, tanto para ela, quanto para você, uma podia ajudar a outra.

    - Eu acho isso meio difícil. - murmurei.

    - A Hinata pode ter uma personalidade difícil, mas ela está passando por problemas, e talvez ela negue, mas ela precisa de um amigo para compartilhar as frustrações.

    - Mas eu não acho que ela queira ser minha amiga.

    - E como você pode ter tanta certeza disso? - ela questionou.

    - É meio óbvio, não é? - arqueei as sobrancelhas.

    Tsunade me olhava com seus olhos caramelados, e depois soltou um suspiro.

    - Ela me disse que você a ajudou, que você bloqueou as visões e os poderes dela.

    - Eu não sei exatamente o que aconteceu. - comecei, sentando-me na cama. - Está meio que confuso.

    Tsunade colocou a bandeja de volta no criado-mudo e sentou-se ao meu lado na cama.

    - Pode me explicar o que aconteceu?

    Ergui meu olhar para ela, antes de me explicar.

    - Eu estava nervosa no momento, a Hinata parecia perturbada e divagando palavras sem sentido, fiquei assustada. - as cenas de hoje à tarde ainda eram vivas na minha memória. - Eu apenas segurei os braços dela e tentei despertá-la, e foi aí que eu senti algo diferente.

    - Diferente?

    - Uma chama leve e quente fluía por meu corpo e se concentrava na minha mão, mas eu não invoquei feitiço e nada do tipo, apenas estava querendo ajudá-la.

    Tsunade mordeu sua unha do dedão, olhando algum ponto cego no meu quarto, pensando.

    - Naquela hora Hinata estava tendo uma visão - ela me olhou. -, e quando você a tocou, tentando ajudá-la, aquilo despertou o seu dom.

    - Dom?

    Ela assentiu.

    - Quando deixei a Hinata em sua casa, ela ainda não sentia a essência dos seus poderes, você de alguma forma os bloqueou.

    - E isso é ruim? - perguntei, sentindo-me pouco aflita.

    - Não sei, veremos por quanto tempo Hinata vai ficar sem seus poderes e aí sim irei tirar uma conclusão especifica.

    - Eu não quero prejudicá-la. - murmurei.

    - Você não a prejudicou. Mas não é bom para uma bruxa ficar sem seus poderes, isso nos deixa vulnerável. Mas por hora vamos ficar de olho, e pesquisarei mais sobre isso que aconteceu com você.

    - Tá.

    Ela sorriu de um jeito confortável.

    - Está lendo os livros que te dei?

    - Sim. - assenti com a cabeça.

    - Ótimo. Daqui a duas semanas a lua cheia será vermelha, essas duas semanas que te resta, quero que medite bastante para conseguir manter a mente limpa para consegui a concentração que precisa para o ritual.

    - Eu vou começar a meditar.

    Ela levantou-se da cama e voltou a pegar a bandeja.

    - Não se preocupe com o que aconteceu hoje, parece que se tornará uma bruxa forte e não precisa ficar com medo dos seus poderes e nem fugir deles. O seu poder vai fluir naturalmente, e não hesite, apenas deixe fluir.

    Realmente eu tinha meio que me assustado com que eu senti naquela hora, mas depois do que Tsunade havia explicado tinha me deixado mais calma.

    - Bom, vou colocar essa bandeja na cozinha e já está ficando tarde, amanhã você tem aula e prova.

    - Eu vou tomar um banho e dormir.

    Ela apenas assentiu com a cabeça e andou até a porta, mas parou no portal e me fitou.

    - Ah, e o tornozelo?

    - Está quase bom. Vou passar mais um pouco da pasta nele antes de dormir.

    - Faça isso e amanhã você estará boa. - sorriu.

    Em seguida saiu do quarto e fechou a porta.

    Suspirei, jogando meu corpo para trás, ficando deitada de barriga para cima e fitando o teto.

    O dia realmente havia sido cheio e desgastante. Nunca pensei que minha vida fosse mudar tanto com a morte de meus pais. Sair da minha cidade natal e vim morar numa cidadezinha pacata e chuvosa como Konoha não estava nos meus planos, e por muitas vezes eu pensei que o destino estivesse contra mim por ficar me pregando esse tipo de peça. E eu só tinha três conclusões diante de tudo isso que aconteceu comigo nesse pequeno tempo que estou em Konoha.

    A primeira, eu era uma bruxa, uma bruxa totalmente estranha e fora dos padrões, pois eu era péssima. Tsunade pode não transparecer, mas eu percebi o seu jeito preocupado com o que aconteceu hoje. E mesmo ela dizendo que estava tudo bem, eu sabia que esses meu dom de bloquear os poderes alheios não era uma boa coisa.

    A segunda, Sasuke era um licantropo, filho do alpha da alcatéia que reside em Konoha, e eu sou sua companheira escolhida pelos deuses especialmente para ele. Eu não tinha a mínima ideia onde nossa história poderia acabar, pois a sua alcatéia era contra um envolvimento de um lobo com uma bruxa, e para mim, Hinata estava envolvida nisso.

    E a terceira e última, eu estava redondamente e incondicionalmente apaixonada por Sasuke Uchiha, e o fato dele ser um lobisomem não havia me deixado assustada, muito pelo contrário, eu havia ficado mais encantada por ele.

    E talvez, só talvez eu estivesse errada, e que Konoha não é tão ruim assim.


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