Lua de Sangue

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 12

    Lugar Secreto

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Eu havia pegado no sono sem perceber, talvez seja pelo cansaço e o estresse que havia passado naquela tarde, sem deixar de lado as diversas descobertas que tive, contribuindo para que meu corpo implorasse descanso. Porém, foi uma noite sem sonhos.

    Acordei no outro dia sem saber ao certo que horas deveriam ser. O quarto estava claro, pois as cortinas de renda deixavam ultrapassar a claridade daquele domingo. Bocejei, espreguiçando o meu corpo naquela cama fofa e naquela colcha quentinha e preguiçosa. Mas não demorou para que eu fosse arrebatada com as imagens do dia de ontem, fazendo minha respiração ficar presa na garganta.

    Meu Deus!

    Eu tinha sido tola e ingênua o bastante por não ter percebido o óbvio. Sasuke demonstrava todo aquele tempo os indícios e sua origem, o calor excessivo de seu corpo, a fúria que aparecia repentinamente, e a impulsividade.

    Sasuke Uchiha era um lobisomem, e provavelmente seus amigos com quem ele andava deveriam ser também.

    Porém, com aquela descoberta totalmente repentina, eu não consegui sentir medo dele, muito pelo contrário, eu sentia mais atração. Não era a mesma coisa que senti com aquele outro lobo, eu não tinha a mínima ideia do por que dele nos seguir pela floresta. Sasuke havia mencionado alguma coisa aleatória sobre mim que não pude compreender. Eu ainda sentia minha cabeça uma confusão, talvez eu acabasse maluca qualquer dia desses.

    Eu não consigo mais ficar longe de você.

    Aquela frase ecoava em minha mente como um disco arranhado, fazendo com que eu sentisse um frio na barriga. Sasuke gosta de mim? Pois foi isso que eu percebi quando ele disse aquelas palavras. Eu me sentia redondamente estranha, era a primeira vez que eu me interessava por alguém, e como se o destino conspirasse contra mim, a minha falta de sorte começou a dar suas caras novamente. Não sabia os motivos ao certo, mas eu não podia me envolver com Sasuke e nem ele comigo, não tinha a mínima ideia do que tenha acontecido para que sua gente não confiasse nas bruxas.

    Poxa, nem bruxa direto eu era.

    Suspirei, enquanto eu virava meu corpo para o lado, fitando a minha porta fechada. Por que tudo tinha que ser tão complicado? Justo agora que Sasuke começou a ser legal comigo, como se eu precisasse de migalhas. Também não sabia qual era o meu problema, o cara sempre me ignorava, me tratando com ignorância, e quando ele começa a ser legal eu caio de quatro em seu charme, como se eu fosse um cachorrinho.

    Bufei.

    Eu não podia me render desse jeito, não sou nenhuma qualquer, também não podia deixa de lado a possibilidade de ele ter uma namorada. Claro que um cara como ele não ficaria sozinho assim dando sopa por aí.

    Gemi insatisfeita, e fiz uma careta em desgosto. Dei um chega naquelas enrolações que estavam meus pensamentos e puxei as cobertas para o lado, saindo da cama. Meu tornozelo deu uma visgada de dor, não muito forte, mas deixava claro que eu tinha que ser cuidadosa. A pasta que minha avó havia colocado no pé ontem, realmente era muito boa, eu estava vendo os efeitos positivo dela.

    Não tinha a mínima ideia de que horas seriam quando saí do quarto, entrando logo em seguida no banheiro. Fiz minha higiene matinal e logo mais estava descendo as escadas, sendo arrebatada pelo cheiro de comida vindo da cozinha que evaporava por toda a casa.

    Parei no portal e vi Tsunade mexendo as panelas cheias de comida no fogão. Franzi o cenho e olhei o relógio redondo que ficava pendurado na parede ali e assustei-me com as horas: meio dia e cinquenta. Dormi mais que o normal.

    Tsunade virou seu rosto para mim e ergueu as sobrancelhas.

    - Pensei que emendaria a tarde dormindo. - ela comentou, enquanto voltava atenção para a panela, que soltava um cheiro muito bom de ensopado.

    - Eu perdi totalmente a noção do tempo, dormi mais do que o normal. - adentrei a cozinha. - Poderia ter me acordado.

    - É domingo.

    Abri a geladeira tirando uma jarra de suco que pela cor do líquido deveria ser de tangerina, e coloquei em cima da mesa, indo até os armários, pegando um copo para logo encher de suco. Dei um gole bem generoso do suco, sentindo o gosto realmente da tangerina descer pela minha garganta.

    Tsunade tampou a panela e virou seu corpo todo para mim.

    - Dormiu bem?

    - Como uma pedra. - coloquei o copo vazio na mesa.

    - E o tornozelo?

    - Melhor, aquela pasta que a senhora fez é realmente muito boa. - passei a língua nos lábios, tirando os resíduos do doce que haviam ficado.

    Ela sorriu, pegando meu copo e o colocando dentro da pia.

    - Você passa mais um pouco hoje e amanhã antes de ir à escola, e logo você estará melhor. - ela me olhou.

    Apenas assenti, colocando a jarra novamente na geladeira.

    - O cheiro está bom, acho que vou partir para o almoço.

    - Daqui a pouco sai. Vá se trocar, é tempo de tudo ficar pronto para nós podermos comer.

    Sorri de lado.

    - Estou morrendo de fome.

    - Acredito, não jantou ontem. - ela disse enquanto abria o armário, tirando os pratos.

    Subi para meu quarto e me troquei, e logo mais estava sentada a mesa com Tsunade a minha frente, comemos em silêncio.

    Mais tarde naquele dia, estudei um pouco para a prova que eu faria logo nos primeiros tempo antes do intervalo. Fiz alguns deveres de matemática, e alguns exercícios de química que estavam pendentes, e dei por encerrada os estudos naquele dia. Minhas costas estavam me matando e a bagunça da minha cama estava assustadora. Estava fazendo o máximo para manter a minha mente longe dos fatos de ontem, mas eu podia me pegar vez ou outra navegando nos meus devaneios, mas logo me repreendia.

    Levantei-me da cama e dei uma rápida alongada no meu corpo, o dia hoje estava pouquinho ensolarado, mas não chegava aos pés do que foi ontem, e vez ou outra a brisa pouco gélida entrava pela minha janela aberta, fazendo a cortina de renda esvoaçar e os pelos dos meus braços enrijecerem.

    Desci as escadas e fui direto para cozinha procurar alguma bobeira que eu pudesse comer, pude ver no caminho a porta do escritório de Tsunade encostada, ela completamente deveria está ali enfurnada como ela sempre ficava os finais de semana.

    Abri a porta do armário e peguei um biscoito recheado, e segui até o escritório enquanto abria a embalagem e punha um daqueles biscoitos de chocolate na boca, me deliciando de sua doçura, o que contribuia para a minha gulodice.

    Tsunade não estava no escritório quando abri a porta, mas a pequena porta que dava para o seu porão sinistro estava aberta, fazendo à claridade da luz que estava ligada lá, sobrepor um pouco à luz da tarde que entrava pela janela que ficava detrás da sua cadeira.

    Não pensei duas vezes e desci as escadas de madeira com todo cuidado, pois meu tornozelo, mesmo estando bem melhor do que ontem, ainda doía, e eu era meio que estabanada e poderia cair rolando escada a baixo.

    Como previ, Tsunade estava ali embaixo, de costas para mim, enquanto fazia alguma coisa. O barulho dos meus passos fez com que ela se virasse e me olhasse.

    - Sakura.

    - Eu vi a casa vazia e imaginei que estivesse aqui. - comentei, enquanto desci o último degrau.

    Ela voltou sua atenção para frente.

    - Estou terminando de preparar outra dosagem da pasta para que coloque no seu pé.

    - Ah.

    Parei ao seu lado onde ela moía com um socador de madeira as ervas verdes com alguma coisa amarela - que eu não tinha a mínima vontade de saber -, dentro de um potinho de plástico.

    - Vó.

    - Hm.

    Um vulto das cenas ontem quando eu estava em apuros com aquele lobo em cima de mim, me veio à cabeça novamente. Eu não consegui manipular magia, mesmo eu ter lido aquele livro, mas nada tinha acontecido.

    - Eu tenho que te conta uma coisa. - minha voz saiu baixa, porém cautelosa.

    Tsunade ergueu seu olhar para mim, ela deveria ter percebido o meu tom de hesitação.

    - O quê?

    Umedeci meus lábios rapidamente e desviei meu olhar dos seus para a mesa cheia de coisas, voltando a encará-la, agora com um pouco mais de confiança.

    - Eu não consigo manipular magia.

    Seu cenho franziu levemente, e na mesma hora ela parou de socar as ervas no pote.

    - Como assim? Sakura explica isso direito.

    Droga, tudo o que eu não queria era dizer para Tsunade que eu estava numa floresta fugindo de um lunático, ela iria pirar.

    - Bom... - hesitei. - Ontem quando Sasuke e eu estávamos fugindo, daquilo... a senhora sabe...

    Ela me interrompeu:

    - O licantropo.

    Assenti com a cabeça.

    - Sasuke me puxou para a floresta, para tentar despistá-lo...

    - Ele o quê? - sua voz alta sobrepôs a minha, me interrompendo novamente.

    Eu sabia que ela iria ficar zangada.

    - Vó, calma. - automaticamente dei um passo para trás, quando ela virou todo o seu corpo para mim, com uma expressão nada boa. - Eu vou explicar.

    - Acho bom mesmo. - seu tom rude e grosso me fez engolir em seco.

    - Quando eu saí do salão com as meninas, nós percebemos um cara estranho nos seguindo.

    - Que cara? - ela quis saber.

    - Eu não sei. Ele era alto e ruivo, Sasuke disse que ele não era da cidade. - declarei, e Tsunade franziu mais o cenho. Continuei: - Nós conseguimos despistá-lo, e entramos numa lojinha para dar um tempo, mas quando saímos, pensando que ele tinha ido embora, o cara nos achou.

    - Ele fez alguma coisa com vocês? - ela perguntou afobada, num tom preocupado. Apenas neguei com a cabeça. - Céus, Sakura, por que você não me disse isso antes?

    - Eu não queria preocupar a senhora, o cara não nos fez nada... o Sasuke chegou a tempo e nos livrou.

    - E como vocês foram parar na floresta? - ela perguntou com um Q de desconfiança.

    - Ele se ofereceu para me acompanhar até o ponto de ônibus. - ainda queria saber se era coincidência ou sorte de Sasuke está ali naquele momento, ou se era outra coisa. - Daí nesse meio tempo ele percebeu que estávamos sendo seguidos e ele me puxou para a floresta a fim de podermos despistar.

    Claro que eu tive que omitir algumas coisas.

    - Aquele garoto foi um inconsequente. - Tsunade ralhou, ela estava brava. - Se ele sabia que o cara era um lobo, ele não tinha nada que ter te puxado para dentro de uma floresta. Poderia ter acontecido o pior com você.

    - Vó eu estou bem, acho que é isso o que importa, não é? - minha voz saiu um pouco mais alta que o normal, tinha que dar um chega naquela discursão.

    - Com um pé machucado. - ela murmurou desgostosa.

    - Eu fui idiota e tropecei. - nunca que eu iria declarar que o lobo estava atrás de mim quando caí. - Sasuke foi o herói. Se ele não estivesse por perto, eu não sei o que deveria ter acontecido.

    Aquilo não era mentira. Realmente não sabia o que deveria ter acontecido comigo se ele não chegasse a tempo. Ele tinha livrado a minha cara duas vezes ontem.

    Fiquei observando a expressão zangada de Tsunade se suavizar um pouco, enquanto fechava os olhos e suspirava.

    - Realmente tenho que agradecê-lo por uma parte - ela abriu os olhos. -, mas isso não justifica dele ter te levado até a floresta. Você não conhece nada ainda, podia ter se perdido...

    - Eu tentei usar magia naquela hora e não consegui. - a interrompi, ela me olhou com cautela.

    - Como assim?

    - Eu não sei. - me encostei à mesa e fitei o chão. - Eu simplesmente não consegui invocar nada - a fitei, e gaguejei. -, eu não senti nada. Era como se tudo o que eu li naquele livro não servisse para nada.

    - Você tem certeza de que fez certo? - ela perguntou.

    - Claro, tudo o que o livro dizia.

    - Tem certeza? - seu olhar questionador me fez hesitar por um momento, e agora não sabia se eu realmente tinha feito certo ou não. Talvez a fobia e a excitação no momento tivesse feito com que eu fizesse tudo errado.

    - Eu... eu não sei.

    Tsunade suspirou pesadamente e pegou um banco que estava no canto e colocou a minha frente, e fez um gesto para que eu sentasse, e assim o fiz.

    - Não adianta nada só ler o que tem no livro e não saber como o interpretá-lo. - ela começou, voltando a socar as ervas. - Talvez eu não tenha explicado direito. - ela me olhou de relance. - Para fazer com que qualquer feitiço funcione é preciso além dos ingredientes, precisamos de uma conexão com algo para que possamos alcançar a magia, seja com a Natureza, com o Universo, ou com os Deuses. Não vai adiantar nada você só invocar um feitiço da boca para fora sem antes ficar de calma espiritamente.

    Abaixei meu olhar para minhas mãos, que se torciam uma na outra. Eu realmente fiz tudo errado, não me lembrava de ter lido nada do tipo sobre conecção, ou eu li? Ergui minha cabeça para cima, agora estava confusa.

    - A senhora poderia especificar? Não compreendi muito bem.

    Ela me olhou mais uma vez.

    - Claro, é normal que fique confusa. - ela admitiu. - Você não foi educada magicamente desde pequena. - ela voltou sua atenção para o pote. - A magia pode ser dividida como Yin Yang, positivo e negativo, bem e mal, ativo e passivo, Deus ou Deusa e aí se vai. Ambos os lados são importantes e carregam características únicas.

    Ela pegou o pote com a pasta, ainda segurando o socador com a outra mão e virou-se para mim. Eu mantinha a minha atenção nos mínimos detalhes.

    - Está vendo essa pasta? - assenti. - Ela é feita com folhas de Orégão, folhas de alecrim e óleo de girassol. Como você se sentiu depois que usou a pasta no tornozelo?

    - Bem melhor. Praticamente posso dizer que estou boa, pela dor que estava sentindo ontem.

    Ela assentiu.

    - Por que eu transportei magia para a pasta. - ela disse. - Eu usei a energia das ervas junto com a minha força de vontade, a minha fé, e minha energia vital, para que o feitiço funcionasse. Para que evoque qualquer magia, você tem que ter força de vontade para que aquilo que você está fazendo junto com a energia poderosa da natureza. Ficou mais fácil agora de entender?

    Franzi a testa.

    - Então para que eu possa fazer algum feitiço eu tenho que captar as energias da natureza?

    - Não só da natureza, também tem os Deuses, e caso for algum feitiço com ervas, centralize a energia da erva junto com a sua energia. A Natureza é neutra, porém poderosa. Para conseguir utilizar essa força você vai precisar se empenhar muito, e nada de esperar que os ingredientes façam todo o trabalho sozinho. A nossa energia de certa forma é caótica, ela não é puramente positiva e nem negativa. O ser humano é uma mistura de sensações, medos, amores, devaneios, certezas e incertezas. A nossa mente e alma são grandes desafios que precisamos vencer antes de conseguir qualquer coisa na magia sem ajuda de outras energias além da nossa.

    - Acho que entendi.

    Tsunade assentiu com a cabeça e continuou:

    - Não é tão difícil quanto parece. - um pequeno sorriso se espalhou por seus lábios. - A nossa família é conhecida como Os Bruxos Curandeiros, fazer porções é o nosso ponto forte, assim como fazer magia de rastreamento. A nossa força interior é grande o suficiente para conseguirmos atingir outras energias, como da Natureza, que é puramente neutra, ou do Universo, que é um espelho, ele nos entrega o que pedimos. E não podemos deixar de lado a energia dos Deuses, alguns são puros e outros não, cada um da sua forma. Nós iremos buscar o que pede a necessidade em que passamos.

    - Hm.

    Tsunade colocou o pote em cima da mesa e caminhou até a prateleira de livros, ela passou o dedo em algumas fileiras que ficava na parte de cima, tirando um livro fino. Depois se agachou e passou os dedos na fileira de baixo para depois tirar mais outro livro, se levantando em seguida. Ela estendeu os dois livros para mim que peguei sem hesitar, e entes que eu perguntasse ela explicou:

    - Esses livros vão te ajudar a entender mais desse universo. O primeiro - ela se referia ao livro pouco mais grosso que o outro. -, tem uma sequência de ervas medicinal, como também cristais, vegetais, metais, animais e entre outras coisas que precisamos para porções e magia. O segundo são as biografias dos deuses, e o que ele representa.

    - É bastante coisa. - murmurei fitando aqueles livros velhos.

    - Sim, mais tudo isso é importante. Não se esqueça de que a meditação também ajuda para nos interagirmos com a nossa energia.

    Ergui meu olhar para ela e assenti, tonta o bastante com aquilo tudo de coisas que tinha para estudar.

    - Você pode fazer isso no seu quarto, ou aqui nesse porão. - ela disse. - Aqui tem vários tipos de incensos, é bom você acender quando for meditar, ele nos ajuda muito.

    - Tá.

    Ela pegou o pote de plástico e me entregou.

    - Coloque-o, e depois o enfaixe, amanhã você vai está quase cem por cento.

    - Obrigada, vó. - disse enquanto pegava o pote de suas mãos.

    Na segunda feira, saí um pouco mais cedo de casa, meu pé já estava quase bom, mas eu não podia forçá-lo muito. O lado bom disso, eu poderia pedir uma dispensa na educação física, pois atividades físicas não era bem uma coisa boa para mim. Bom, nada é bom para mim quando se tem muito esforço.

    Olhei para o céu, vendo as poucas nuvens brancas que teimavam em ficar ali, impossibilitando que o céu ficasse límpido, o frio não era irritante, mas mesmo assim não era um clima confortável para se usar um short ou uma regata.

    O ponto estava vazio como sempre, a rua de vez ou outra passavam alguns carros e umas bicicletas ou motos. Não demorou muito para que o ônibus chegasse, apenas fui para frente do meio-fio e esperei até que ele parasse para que eu pudesse entrar.

    Iruka me saldou com um sorriso simpático e um alegre bom dia. Sorri e retribui a sua gentileza, e caminhei para o interior do ônibus logo dando de cara com Gaara, que como sempre guardava um lugar para mim.

    - Oi. - sorri sem mostrar os dentes, enquanto passava para o assento da janela depois que ele se levantou de seu lugar no corredor.

    - Oi. - ele me fitou enquanto sentava-se. Eu coloquei a mochila deitada nas minhas pernas. - Você está com uma cara cansada.

    Sorri ironicamente, lembrando-me da preguiça que senti antes de acordar.

    - Estou me sentindo um lixo.

    Existia coisa pior do que segunda-feira? Gaara soltou uma risada nasal, e fitou suas mãos por uns instantes.

    - Odeio acordar cedo. - murmurei, olhando a janela, mas sem interesse.

    - Nem me fale - ele disse -, eu peço todos os dias antes de dormir que coloque alguma escola com tunos para noite.

    - Isso seria maravilhoso. Haveria mais tempo para eu dormir. - o fitei. - Eu só acordaria para ir à escola e quando chegasse dormiria de novo.

    Gaara me olhou e riu, balançando a cabeça, não pude evitar rir também.

    - Você é mais sedentária do que eu.

    - Acho que morrerei disso. - murmurei, e funguei.

    - Como foi o final de semana? Conseguiu aguentar a Ino e Tenten juntas?

    - Foi legal, Ino é bem divertida. - ele arqueou uma sobrancelha, pouco descrente. - É sério, claro que fiquei um tempo escolhendo roupas e tal, mas foi legal.

    - Coisas de garotas.

    - É.

    Sorri mais uma vez, percebendo seus olhos verdes mais brilhantes, enquanto fitava cada detalhe do meu rosto. Aquilo de alguma forma me deixou sem graça, e tentei não parecer afetada, mas falhei, e podia senti meu rosto corar.

    Droga!

    Gaara pegou uma mecha do meu cabelo que sempre ficava no meu rosto e o enrolou no dedo.

    - Pintou? - ele perguntou, desviando vez ou outra seu olhar para a mecha em sua mão. - Está mais rosa.

    - Eu dei uma retocada na raíz e nas pontas. - respondi pouco sem graça, e sorri nervosa.

    - Ficou bom. - ele sorriu. - Acho que você ficaria estranha com outra cor que não seja essa, você parece uma boneca.

    Que droga! Que droga! Agora eu deveria está parecendo um tomate. Mil vezes droga!

    Desvie meu olhar dos dele, fitando as minhas mãos, seu gesto simples tinha me deixado terrivelmente constrangida. Gaara soltou meu cabelo e depois suspirou cansado, arrumando suas costas na cadeira. Não pude evitar e o olhei, ele fitava alguma coisa na sua mochila jeans. Foi aí que eu percebi que ele estava pouco abatido.

    - O que foi? - perguntei, tentando afastar aquele clima estranho de segundos atrás.

    - Nada. - ele hesitou por um momento. - Só a Temari, ela anda estranha.

    - Temari?

    Ele ergueu seu olhar para mim.

    - Minha irmã.

    - Ah. Mas o que ela tem?

    - Eu não sei - ele voltou a fitar sua mochila -, ela está tensa e protetora demais, isso às vezes me sufoca.

    - Entendo muito bem o que é isso.

    Realmente eu o entendia, pois Tsunade era a mesma coisa quase noventa por cento do dia quando estamos juntas, e aquilo era sufocante. Mas sabia que ela fazia aquilo por que se preocupa comigo e de certa forma eu agradecia por tê-la cuidado de mim.

    - Às vezes eu tenho a impressão de que Temari esconde alguma coisa de mim.

    Uni as sobrancelhas, achando aquilo pouco parecido do que eu passei com minha avó.

    - O que você quer dizer com isso?

    Ele suspirou.

    - Não é nada - ele balançou a cabeça para os lados -, deve ser coisas da minha cabeça.

    - Seja lá o que for, acho que ela só quer te proteger. - sorri, pois era assim que Tsunade fazia comigo, e mesmo que eu ficasse zangada por ela esconder as coisas de mim, ela fazia de tudo para me proteger e nada mais.

    Ele me olhou e sorriu cansado.

    - Pode ser.

    O ônibus estacionou na sua vaga, e esperei para que o tumulto e o empurra-empurra saíssem para logo poder descer. Gaara caminhou ao meu lado em direção ao prédio dois.

    - Vai fazer alguma coisa hoje à tarde? - ele perguntou de repente, fazendo-me olhá-lo, enquanto ajeitava a alça da minha mochila no ombro esquerdo.

    - Eu tenho que fazer um trabalho de biologia para ser entregue amanhã. - suspirei. - E vou ter que fazer sozinha, por que a minha parceira não está nem aí.

    - E quem é sua parceira?

    - Hinata Hyuuga.

    - Uau. - ele fez uma careta de dor. - Boa sorte então.

    - Obrigada, acho que vou precisar.

    O silêncio dominou entre a gente, mas não durou muito.

    - Você curte Paintball? - ele perguntou me fazendo olhá-lo novamente, agora com mais interesse.

    - Adoro. - não pude evitar sorrir, pois essa era uma atividade física bem legal, mesmo com a minha vida totalmente sedentária eu não conseguia evitar não gostar disso. Lembrava muito bem das vezes que eu e Shion tirávamos um dia por mês para ir ao campo de paintball nos divertir, lembro-me que passávamos tempo demais lá, e que às vezes perdíamos totalmente a noção do tempo.

    - Abriu um campo de batalha perto da minha casa, não é muito grande, mas é legal. - ele sorriu. - Você quer ir?

    - Não brinca? - parei quase na porta do prédio dois, enquanto o olhava mais animada. Nunca na minha vida iria imaginar que poderia ter um campo de paintball em Konoha. Era maravilhoso. - É claro que eu quero ir.

    Seu sorriso se alagou mais, fazendo a covinha de sua bochecha esquerda se destacar. Voltamos a andar, pois eu estava barrando a entrada, mesmo não estando exatamente na entrada.

    - Amanhã nós podemos ir depois da aula...

    Balancei minha cabeça para os lados e o interrompi:

    - Amanhã, acho que não. Ahn... acho que só sexta, estamos em prova, e eu me conheço o suficiente para saber que vou ficar viciada, e não vou sair tão cedo de lá.

    Ele sorriu e entramos no prédio, sendo arrebatados pelos sons de falatórios dos alunos que zapeavam o local.

    - E eu pensando que se eu te levasse você poderia me tirar do vício.

    Ri, balançando a cabeça para os lados.

    - Acho que temos que encontrar alguém para tirar nós dois de lá.

    - Pode ser. - ele deu de ombro enquanto parava em frente à escada que dava para o andar de cima. - Nos vemos no intervalo.

    - Tudo bem. - sorri e segui meu caminho pelo corredor.

    Pelas minhas contas, não iria demorar para que o sinal tocasse, e me lembrei de Sasuke. Será que ele veio? Eu só poderia tirar a minha dúvida quando chegasse o intervalo. Eu não tinha a mínima ideia de como seria sua reação depois de sábado, depois daquilo que ele me disse. Será que ele continuaria a me ignorar como antes, e fingir que nada aconteceu? Acho que isso é bem provável, pois sua troca de humor era impressionante.

    - Oi, Sakura. - a voz Lee soou ao meu lado, me fazendo olhá-lo pouco assustada pelo pequeno susto que tive devido está concentrada nos meus devaneios.

    - Bom dia, Lee. - tentei sorri, mas o que saiu estava mais para uma careta.

    Hoje Rock Lee por mais impressionante que fosse, ele optou por deixar aquele ridículo suéter verde em casa, mas de quebra - para não perder seu charme - ele estava com uma camiseta preta do Darth Vader segurando uma espada de sabre.

    Que maravilha, um fanático por Star Wars.

    - Você está mancando? - ele percebeu, desviando seus olhos do meu rosto para o meu pé que ainda estava um pouquinho dolorido.

    - Eu dei um jeito no pé, nada grave.

    Entramos na sala que estava quase vazia, a não ser por três garotas que sentavam na frente, nas fileiras do canto da porta.

    - Tem que ter mais atenção. - os olhos redondos de Lee posaram em mim, atencioso demais.

    - Eu sei. Ahn... vou pro meu lugar.

    - Ah, tá. - ele sorriu. - Boa aula para você.

    Apenas sorri.

    - Obrigada.

    Caminhei com passos cautelosos até meu lugar no fundão e me sentei, minha parceira ainda não havia chegado.

    Tirei minhas coisas da mochila e o coloquei na mesa, já me adiantando. A sala aos poucos se enchia, e logo o sinal tocou. Karin entrou na sala, e diferente das outras vezes, o garoto moreno que sempre vinha ao seu lado não estava com ela. Eu acompanhava com o olhar seu trajeto calmo até a sua carteira logo na frente, mas seu olhar desviou para os fundos da sala, especificamente para mim. Não pude conter meu gesto totalmente covarde de encolher os ombros, pois sabia que ela sabia que eu tinha descoberto quem ela é, quer dizer... todos os seus amigos.

    Sua expressão era o mais tediosa possível, e para a minha felicidade ela logo desviou o olhar do meu, sentando-se no seu lugar.

    Logo mais vi Hinata entrar com suas costumeiras vestes, sua cara não estava nada boa, logo ela sentou-se ao meu lado, jogando sua mochila em cima da mesa com brusquidão. Ela parecia zangada, mas resolvi deixá-la de lado.

    O professor não demorou a entrar na sala e começar a sua aula. Como eu esperava ele deu revisão para sua prova que seria amanhã, explicou alguns assuntos e tirou algumas dúvidas de alunos que levantaram a mão. E não demorou muito para o sinal bater, fazendo os alunos se levantarem de suas carteiras.

    - Lembre-se do trabalho para ser entregue amanhã, e estudem para a prova. - o senhor Sarutobi disse, enquanto terminava de apagar o quadro.

    Hinata havia saído feito um raio, mal deu tempo para piscar o olho e ela já havia sumido do meu lado. Terminei de jogar minhas coisas na mochila e saí junto com alguns alunos.

    Ino estava me esperando fora da sala, encostada com as costas na parede. Não havia como escapar dela.

    Seu olhar azul posou em mim, enquanto desencostava da parede, segurando a alça de sua bolsa cor bege com estampas de florzinhas da Capricho.

    - Oi.

    - Oi, Ino.

    Começamos a andar, mas logo percebi que ela havia percebido o jeito estranho como eu andava.

    - O que foi que aconteceu? - seu olhar parou no meu rosto, seu cenho franzido. - Está mancando.

    - Ah, eu... caí do segundo degrau da escada no domingo e acabei dando um jeito no tornozelo, sabe, estava de manhã...

    Cara, como eu era péssima em mentiras.

    Ela fez uma careta.

    - Nem me lembre de pé torcido, eu só penso na minha tortura.

    - Pois é. - desviei meus olhos para o chão, enquanto nós começamos a subir as escadas.

    - E aí? - ela começou, me fazendo olhá-la.

    - E aí o quê?

    - As novidades. - sua voz saiu num tom como se fosse óbvio.

    Sabia perfeitamente que uma hora ou outra eu seria abordada por ela que completamente deveria está se corroendo de curiosidade para saber o que aconteceu depois que me afastei com Sasuke ao meu lado. E eu não estava com a mínima vontade de relatar nada.

    - Não tenho nenhuma.

    - Pare de fazer de desentendida. - ela disse, franzindo levemente o cenho. - Estou falando do Sasuke.

    - O que tem ele? - eu parecia uma retardada fazendo aquelas perguntas idiotas.

    - Você é lenta, em? Bom, eu quero saber os detalhes. O que aconteceu quando vocês ficaram sozinhos?

    - Não aconteceu nada, Ino. - falei. - Ele só foi gentil em me levar até em casa. Ele disse que era caminho para sua, e eu não vi problema.

    - Você gosta dele? - ela perguntou de repente, fazendo com que eu me engasgasse com a minha própria saliva.

    - O-o quê?

    Ela desviou seu olhar de mim para a sala em que entramos. A senhora Mitarashi já estava sentada no seu lugar esperando os alunos.

    - Claro que deve gostar, ele é lindo.

    - Ino...

    Ela me olhou, depois que sentamos no nosso canto, uma ao lado da outra.

    - Você percebeu o jeito estranho da Tenten no sábado?

    Fiquei atordoada com a forma rápida que ela trocou o assunto, de uma hora para outra, não me deixando pensar direito.

    - Ahn?

    - Tem alguma coisa entranha. - ela fitou a mesa, pensativa. - Como ela vai agir daquele jeito com a pessoa que salva a nossas vidas? - ela me olhou pouco descrente. - Aí tem. Eu tentei sondar alguma coisa com ela naquele dia, mas acho que ela é pior do que você em ser um escudo fechado.

    - Eu não tenho a mínima ideia do que pode ter acontecido. - fui honesta. Realmente não sabia do por que da reação dela com Sasuke, principalmente dele com ela. Os dois pareciam que tinham uma espécie de rivalidade secreta. Aquilo realmente era estranho.

    - Não importa. - disse Ino e sorriu confiante. - Eu vou descobrir, ou eu não me chamo Ino Yamanaka.

    Não sabia aonde iria à potencialidade de Ino, mas eu não duvidava mais de nada nesse mundo.

    O intervalo logo chegou, fazendo com que a minha fome despertasse mais, pois não tinha comido direito no café da manhã. Eu sentia um pequeno frio na barriga com a possibilidade de encontrar Sasuke, não sabia como eu iria reagir, e nem ele, e isso estava me deixando tensa.

    Depois de pegar o meu lanche na cantina caminhei até as mesas redondas de concretos que ficavam lá fora. O dia estava de certa forma bom para lancharmos ao ar livre. Não demorei em encontrar Gaara, Ino e Tenten sentados no nosso canto de sempre. Tenten abriu um sorriso convidativo e sentei-me ao seu lado, e não demorou muito para começarmos um diálogo.

    Comi meu lanche mais rápido do que o normal, e evitei a todo custo olhar para os lados, não tinha coragem o suficiente para encarar Sasuke agora. Sabia que era uma atitude covarde, mas eu não queria quebrar aquele encanto que sentia desde sábado com a sua ignorância a mim. Sasuke era uma verdadeira caixinha de surpresas, quanto menos eu esperava, as coisas aconteciam, me deixando redondamente abalada.

    Conforme o tempo ia passando, eu sentia um pequeno incômodo, meu corpo flamejava de repente, enquanto um misterioso nervosismo se apossava em mim. Não era preciso muito para saber que aquilo tudo se tratava de Sasuke, e não resisti, olhei disfarçadamente para o lado e o vi. Ele estava a alguns metros distantes, em pé, encostado numa pilastra de concreto, enquanto seus olhos negros e hipnotizantes estavam em mim, me olhando como um verdadeiro lobo.

    Meu coração disparou como se fosse fogos de artifício quando o canto de sua boca ergueu-se para cima, num pequeno sorriso discreto. E que mais me surpreendeu, foi ele me chamando com o dedo indicador, enquanto ele produzia um Vem com os lábios.

    Minha nossa!

    Quando eu dizia que Sasuke era uma caixinha de surpresa, realmente eu estava certa. Desviei meu olhar dele para a conversa que Ino tinha com Gaara e Tenten sobre alguma coisa que eu não prestava atenção, e agradeci por isso, pois eles não perceberam o quanto eu estava agitada. Voltei novamente a olhar para Sasuke, e agora ele estava com o cenho franzido devido por eu tê-lo ignorado, e disse mais uma vez um Vem sem emitir som, porém mais forte.

    Levantei-me do banco de concreto de repente, atraindo a atenção dos meus amigos para mim.

    - Gente, eu vou à secretaria pedir uma dispensa da educação física.

    - Por quê? - perguntou Tenten, curiosa.

    - Eu caí do segundo degrau da escada ontem e dei um jeito no pé, ele está dolorido.

    - Ah.

    Coloquei a mochila nas costas.

    - Quer que eu vá com você? - Gaara se ofereceu, gentil como sempre.

    - Não precisa Gaara... ahn, eu acho que vocês não precisam me esperar... o intervalo está acabando e vou direto para sala depois.

    - Tá. - Ino deu de ombro, enquanto lixava suas unhas, não dando a mínima importância.

    Saí dali o mais rápido possível, e pude ver Sasuke se afastar rapidamente de onde ele estava, dando a volta do prédio três - onde passávamos o intervalo -, indo para frente da escola. Apenas o segui, discretamente, sentia minhas mãos soarem, eu estava nervosa. O que ele queria comigo? Eu sentia aquela leve hesitação logo mais cedo que ele fosse me ignorar, mas agora, depois daquele gesto convidativo dele, eu percebi que estava enganada.

    Não demorou para que eu estivesse na frente dos três pequenos prédios que formavam a escola, Sasuke estava bem afastado de mim, e não ousou nenhuma vez olhar para trás. Ele ia em direção ao prédio um, onde ficava a secretaria e a enfermaria, e logo mais ele virou a lateral do prédio um, fazendo-me perdê-lo de vista.

    Eu não podia correr, pois meu pé ainda estava dolorido, o máximo que eu fazia era andar com passos pouco desajeitados, para que saíssem rápidos, mas sem sucesso. Demorou mais do que eu esperava para também virar a lateral do prédio um e para minha total surpresa, Sasuke estava parado logo no começo, encostado com o ombro na parede enquanto seus baços estavam cruzados, fazendo os músculos totalmente descobertos se destacarem mais.

    Senti uma onda de nervosismo percorrer todo o meu corpo, me deixando travada ali, minhas mãos estavam soadas e minha respiração tensa fazia com que meu coração disparasse mais. Era a primeira vez que eu ficava frente a frente com Sasuke depois que tudo aconteceu. Mas ele, diferente de mim, não parecia transparecer qualquer sinal de nervosismo ou ansiedade, como eu estava tendo naquele momento, ele parecia uma parede rochosa impenetrável, com aquele olhar intenso em mim, me deixando intimidada.

    - Oi. - forcei para que minha voz saísse, mas ela saiu como um miado, eu tentava não demostrar o quanto eu estava afobada.

    - Oi. - sua reposta melodiosa me deixou embasbacada. O canto de sua boca ergueu-se para cima, num pequeno sorriso torto, porém lindo.

    Mantenha-se calma Sakura.

    - O... o que quer comigo? - eu me xingava internamente por gaguejar.

    Sasuke deu alguns passos, seus olhos felinos não saíam dos meus nem por um segundo. Ele ficou a minha frente, poucos centímetros longe de mim, fazendo seu cheiro único invadir meu nariz, e naquela hora eu percebi que amava seu cheiro.

    Ele levou uma mão à mecha do meu cabelo e o colocou para detrás de minha orelha, enquanto seu cenho franzia levemente. Aquele gesto foi o suficiente para que as borboletas do meu estômago ficassem agitadas e automaticamente prendi a respiração, sentindo meu rosto ficar quente.

    - Está a fim de matar aula?

    Sua pergunta me pegou totalmente desprevenida, fazendo meus olhos arregalarem e num impulso impensado soltei o ar que prendia, quase engasguei.

    - Ahn? Matar aula?

    Sua mão deixou meu cabelo, mas seus olhos estavam em mim, o que fazia a linha do meu raciocínio não funcionar direito, eu estava agindo como uma idiota.

    - Se isso não for causar problemas. - ele disse. - Você tem alguma prova nesses próximos tempos?

    Estava atordoada demais com sua proposta, não pude pensar direito. Apenas balancei minha cabeça para os lados.

    - Não... eu não. Não tenho prova... que dizer... eu tive, já fiz. - eu só faltei dá na minha cara por gaguejar miseravelmente.

    O sorriso que ele deixou sair me deixou estonteante. Como alguém podia ser tão lindo?

    - Então você aceita matar aula comigo?

    - Eu acho que sim.

    Ele inclinou sua cabeça para o lado, e não tinha nada mais lindo e fofo do que aquele gesto que ele fez, fazendo alguns fios do seu cabelo cair no seu rosto.

    - Acha?

    - Sim. - balancei a cabeça para cima e para baixo em um gesto totalmente débil.

    Ele soltou uma risada nasal, pegando minha mão em seguida. Não pude evitar sentir a sua pele quente passando seu calor para mim, enquanto aquelas pequenas correntes elétricas percorriam todo o meu corpo. Ele entrelaçou nossos dedos, e me puxou para frente da escola, onde ficava a saída e minutos depois estávamos caminhando pelas calçadas totalmente fora do domínio do colégio. Meu sangue corria rápido nas veias com a adrenalina de matar aula, me senti uma rebelde.

    - Você está tensa. - a voz de Sasuke cortou aquele silêncio que havia se apossado entre a gente, fazendo-me olhá-lo.

    - Você me deixa assim.

    Sasuke virou sua cabeça para mim e me olhou com aqueles olhos negros e cintilantes, enquanto sorria minimamente de lado.

    - É bom saber disso. - ele voltou a olhar para frente, e apertou mais a minha mão. - Também estou nervoso.

    Fiquei surpresa por sua declaração, ele disse aquilo tão naturalmente que por um segundo eu duvidei que ele estivesse sentindo as mesmas coisas que eu.

    - Não parece. - disse baixinho, só para mim, mas parece que ele escutou, pois mais uma vez aquele pequeno sorriso de canto se abriu, enquanto ele voltava seus olhos para mim novamente.

    - Sou bom em fazer cara de paisagem.

    - Eu percebi.

    O silêncio voltou a reinar entre a gente, Sasuke me guiava pelas ruas, pegando outro caminho diferente do que eu estava acostumada a percorrer. Havia poucas casas ali, umas bem afastadas das outras, e o canteiro de florestas começavam aparecer no meu lado direito.

    Olhei Sasuke, que mantinha sua expressão calma, parecia perdido em devaneios, pois ele não havia percebido que eu o fitava descaradamente.

    - Onde você está me levando? - a minha voz pareceu despertá-lo, e por um segundo percebi uma pequena confusão em seu rosto, mas logo se dissipou.

    - Está com medo de que eu possa te sequestrar? - um sorriso debochado se abriu, com uma pitada de malícia em sua voz.

    Revirei os olhos, e olhei para frente.

    - Idiota.

    - Quero te mostrar um lugar. - ele disse depois de soltar uma pequena risada nasal.

    - Espero que não seja uma floresta.

    Ele riu dessa vez, achando graça.

    - Não é uma floresta, prometo.

    Fiquei calada na minha, e tentei forçar minha mente a não parar diante da melodia gostosa que era sua risada. Sasuke me guiava, nossos passos eram um pouco rápidos, e logo mais, estávamos caminhando por uma estradinha de terra, com a floresta ladeando os dois lados.

    - Vai demorar muito? - perguntei depois de meia hora caminhando naquela trilha que parecia não ter mais fim.

    - Estamos perto.

    E estávamos mesmo, depois de alguns minutos, aquelas florestas que nos rodeava os dois lados havia acabado, dando passagem a um lugar aberto. Sasuke me puxou, aproximando para a ponta de um desfiladeiro rochoso.

    Arfei, quando paramos e fitei embasbacada aquela paisagem de tirar o fôlego. A floresta verde lá em baixo estava com uma fina camada de nuvem, mas dava para ver o rio que cortava a floresta ao meio.

    - Minha nossa!

    - O que você achou? - perguntou Sasuke ao meu lado.

    - É lindo. - aquilo realmente era surreal. - É assustador a altura, mas a vista é linda.

    - Eu venho aqui quando quero colocar a cabeça em ordem.

    Eu não conseguia tirar meus olhos da vista maravilhosa, até sentir um movimento ao meu lado. Sasuke sentou-se naquele chão de pedra, me fazendo sentar ao seu lado, voltando mais uma vez olhar a paisagem digna de uma pintura.

    - É tão calmo. - murmurei.

    - Sim.

    Mordi o lábio inferior, sentindo a brisa fria daquela manhã, enquanto os raios do sol batiam em minha pele, deixando uma sensação gostosa. Fechei os olhos, permitindo-me sentir mais daquela sensação maravilhosa, enquanto uma onda de paz invadia meu peito. Fazia tempo que eu não me sentia assim... tão leve.

    Abri meus olhos lentamente, e olhei para o meu lado, encontrando os olhos negros de Sasuke me fitando de um jeito totalmente avaliador, enquanto sua boa estava levemente aberta. Senti-me novamente sem jeito, e sabia que meu rosto estava corando.

    Sasuke levou sua mão lentamente ao meu rosto, e o afagou carinhosamente.

    - Você é tão linda.

    - Você está me deixando sem graça. - soltei, mesmo gostando daquele carinho, mas minha vergonha era maior.

    Sua mão se afastou do meu rosto, deixando aquela trilha de lavas flamejantes no local onde sua mão tocou.

    - Desculpe. Mas é impossível ficar perto de você e não tocá-la.

    Senti minha garganta secar, e desviei meu olhar para frente, meu coração dava pulos. Mordi o canto da minha boca.

    - E aquele cara que nos perseguia na floresta? - desviei o assunto, senti um pequeno frio na espinha só de lembrar o que passei.

    Silêncio.

    Ouvi um suspiro dele, e quando pensei que ele não me responderia, sua voz soou baixa:

    - Ele conseguiu fugir... de novo.

    Voltei minha atenção para ele rapidamente, Sasuke fitava a paisagem, sua expressão séria.

    - É aí?

    - Nós redobramos as rondas pela cidade. - ele disse sem me olhar. - Se ele pisar aqui novamente ele estará morto.

    Engoli em seco, e espantei a imagem que havia criado de Sasuke matando alguém, era horrível. Mas por outro lado, ele era metade lobo, e talvez essa sua metade fosse um assassino. Desviei meus olhos para meus pés, atordoada com tudo aquilo.

    - Não precisa ficar assustada. - levantei meu olhar, desta vez ele me olhava. - Nós fazemos isso para o bem da cidade.

    - Eu não estou assustada.

    - Mentirosa. - ele acusou, desviando seus olhar do meu. - Qualquer lobo forasteiro sabe que não pode pisar em território de alcatéia nenhuma em que ele faz parte. É lei, e aquele cara estava querendo confusão.

    Por falar em lei, acabei me lembrando de algo.

    - Minha avó... - hesitei por um momento, fazendo sua atenção voltar-se para mim. - Minha avó disse que nós não podemos andar juntos, que você e sua alcatéia têm uma lei que proíbe não se aproximar de bruxas. Isso é verdade?

    Sasuke assentiu com a cabeça, e meu coração se apertou, ele voltou a olhar para frente.

    - Antigamente não era assim, até por que nunca tivemos problemas com nenhuma bruxa, pois antes era só Tsunade que morava em Konoha. Mas tudo isso mudou quando os Hyuuga se mudaram para cá há quatro anos. Muitos da minha alcatéia não gostaram da ideia, outros diziam que causariam problemas, pois até onde sabemos, os Hyuuga vieram fugidos de uma guerra civil que estava havendo em seu país. Mas Tsunade como era uma habitante antiga e o meu povo meio que confiava nela, se encarregou deles, dizendo que se responsabilizava por suas estadias, e meu pai, o atual alpha, permitiu.

    - E o que aconteceu?

    - Algum tempo mais tarde, um membro da alcatéia se envolveu com um membro Hyuuga e isso quase causou sua morte - ele me fitou -, desculpe é um assunto da alcatéia.

    - Tudo bem.

    - Isso nos mostrou que bruxas não são confiáveis, e foi por esse motivo que o alpha ergueu uma lei de nos manter longe de qualquer bruxa.

    Ergui uma sobrancelha, totalmente desafiadora.

    - E o que faz você ficar tão próximo de uma?

    Seu lábio esquerdo se ergueu para cima.

    - Você disse que é uma meia bruxa.

    Sorri, comprimindo os lábios.

    - Sou um verdadeiro desastre. Não sirvo para este papel.

    Suas sobrancelhas se ergueram. Meu sorriso se desfez aos poucos, fitei os meus pés mais uma vez. Senti sua mão em meu queixo e ergueu meu olhar para ele.

    - Eu estou pouco me fudendo para as regras, Sakura.

    - Mas você disse...

    - Eu sei o que eu disse. - ele me interrompeu. - Mas tem uma coisa que tenho que te contar.

    - O quê? - perguntei curiosa, e sua mão deixou meu queixo.

    - Um licantropo, depois da sua primeira transformação, passa além de controlar seu próprio instinto, a controlar também uma fera interior, e isso leva tempo para conseguir tal proeza. Depois de ter sua fera totalmente controlada, sua segunda meta é conseguir uma companheira.

    Eu não pude evitar meu rosto ficar corado, com aquela conversa. Aonde ele quer chegar? Companheira? Ele continuou:

    - Não é uma companheira qualquer. É como se fosse uma pessoa marcada especialmente para àquela outra pessoa. E quando um lobo encontra sua companheira, o cheiro e a atração são tão intensos que nada pode detê-lo de ficar longe da companheira.

    - Então você... você quer dizer...

    Não consegui terminar a frase, enquanto minha respiração ficava presa na garganta.

    - Você é minha companheira, Sakura. A pessoa marcada pelos Deuses especialmente para mim.

    Meus olhos arregalaram com aquela revelação, enquanto sentia que a qualquer momento minha cabeça daria sinal de falha. Soltei todo o ar que prendia de uma vez, atordoada o bastante.

    - Como você sabe que sou eu? Tem milhares de pessoas no mundo? Por que eu?

    - Sakura - ele segurou meus ombros. -, essas coisas não tem como errar. O seu cheiro me atraí, a sua presença me deixa louco. Eu estou me segurando neste momento para não agarrá-la e fazer uma besteira. Você não sabe o quanto está sendo difícil para mim. Ficar perto de você é mesma coisa do que uma pessoa dependente de algo químico ficar perto da sua droga. E você é a minha droga.

    Fechei meus olhos abruptamente, soltando lufadas de respiração entrecortada.

    - É informação demais.

    Senti suas mãos abandoarem meus ombros, e pude respirar direito.

    - Desculpe, mas eu juro que estou tentando fazer desta conversa o mais fácil possível para que entenda. Não quero deixá-la confusa.

    Não disse nada, apenas mantinha minhas mãos segurando a cabeça, enquanto meus cotovelos apoiavam nos joelhos.

    - Você não pode negar que sente atração por mim. Eu posso escutar as batidas desenfreadas do seu coração, assim como escuto a velocidade do seu sangue correndo nas veias. O seu jeito como fica nervosa quando estou por perto, seu rosto corando...

    - Para!

    Eu não queria escutar de sua boca o quanto eu ficava boba ao seu lado, era constrangedor demais. Era vergonhoso demais.

    - Eu sinto a mesma coisa por você. - ele disse. - Não tem como você fugir, e nem eu fugir de você.

    Abri meus olhos e o olhei, e Deus, se eu morresse ali agora, morreria feliz com aquela imagem do rosto tenso, porém lindo de Sasuke. Seus fios negros esvoaçavam na brisa fria, caindo em seu olho.

    - Se eu sou sua companheira, então porque foi ignorante comigo quando me conheceu?

    - Eu entrei em choque naquele momento que pus os olhos em você. Eu não estava acreditando que tudo o que os membros da minha alcatéia diziam sobre a pessoa marcada fosse verdade. Eu fiquei assustado, e acabei agindo como um idiota.

    Eu mordi minha língua para não dizer qualquer comentário ácido para não deixar aquela situação mais tensa do que já estava.

    - Você estava atraente demais me olhando curiosa daquele jeito. E na mesma hora senti a nossa ligação nos unir. - então quer dizer que aquelas sensações estranhas que senti era a ligação? - Eu me segurei para não ir até você e agarrá-la, por isso eu tive que saí de lá, mas para o meu total desespero você estava na aula de matemática. O seu cheiro é totalmente viciante, e foi por pouco que quase perdi a sanidade.

    Minha boca se entreabria, enquanto eu era arrebatada pelas cenas do meu primeiro dia. Agora tudo fazia sentido.

    - Eu tinha que me afastar de você, não podia me deixar levar por meus instintos animalescos e te agarrar ali, teria sido uma grande confusão. - ele parecia pouco atordoado. - Além do mais, eu sabia que você era a neta de Tsunade. - ele riu descrente. - Quem não saberia? Completamente você era uma bruxa, e isso constava contra mim. Por isso eu resolvi te ignorar, fazer você me odiar, para que assim ficasse longe de mim, pois eu não sabia o quanto eu pudesse ser forte o suficiente para ficar longe de você.

    - E você agora não quer me afastar?

    Ele se arrastou para perto de mim, deixando nossos braços colados. Sua mão foi até meu rosto e o afagou novamente. Fechei os olhos automaticamente, apreciando mais aquele carinho.

    - Não. - sua voz rouca saiu baixinha. - Cheguei ao meu limite.

    Abri os olhos.

    - E os outros? Não vai dar problema?

    - Talvez. - seu rosto se aproximou do meu. - Mas você é minha companheira, minha marcada. Eles vão ter que engolir.

    Aquilo foi tudo que ele disse antes de colar sua boca na minha. Meus olhos se fecharam no ato, enquanto seus lábios macios se movimentavam contra os meus. Arrumei meu corpo para que ficasse de frente para ele e enlacei seu pescoço com meus braços, enquanto suas mãos quentes agarrava minha cintura, colando mais o nossos corpos.

    Parecia que tudo a minha volta de uma hora para outra se resumia a Sasuke. As borboletas no meu estômago voavam loucamente, enquanto meu coração batia mil vezes mais rápido. Se aquilo era um sonho, eu não queria acordar nunca mais. E por um momento aquele vazio oco em meu peito - que se criou depois da morte dos meus pais -, estava se enchendo com sentimentos que nunca senti antes. Tudo aquilo parecia surreal.

    Quando o ar nos faltou, Sasuke começou uma trilha de beijos do meu queixo até meu pescoço, fazendo-me sentir sensações nunca sentidas antes, e sem perceber soltei um gemido com aquele aconchego que eram seus braços, e o calor de seu corpo me deixava mais entorpecida.

    Sua boca logo capturou a minha mais uma vez, num beijo mais rápido. Eu me esforçava para acompanhar o ritmo de sua língua hábil, sentindo suas mãos em minha cintura me apertar mais contra o seu corpo. Segurei forte seu pescoço, subindo minhas mãos até seus cabelos lisos e macios. Sasuke me inclinou para trás.

    - Eu não sei como eu consegui ficar longe de você esse tempo todo. - ele disse com sua voz entrecortada, tomando fôlego. Eu não estava em melhor condição.

    Sua mão afagou mais uma vez o meu rosto, colocando aquela mecha de cabelo atrás de minha orelha.

    - Admito que eu não sei o que vai acontecer com a gente, mas eu não vou desistir de você, assim como eu espero que você não desista de mim.

    Balancei minha cabeça para os lados, negando. Eu sentia que iria explodir de alegria com as confissões secretas e tão íntimas de Sasuke. Ele era muito direto com suas emoções, admito que não era fácil desvendá-lo, mas sua honestidade era algo realmente que nunca pensei dele. Eu me sentia de alguma especial.

    Sorri, sentindo estupidamente boba.

    - Eu não vou desistir de você.

    Pude ver o seu típico e quase normal sorriso de lado, antes de sentir seus lábios mais uma vez.

    Não ficamos muito tempo naquele desfiladeiro, nos beijamos algumas vezes enquanto trocávamos carícias, e depois Sasuke me levou em casa. Não tinha a mínima ideia de que horas deveriam ser, mas devido às ruas mais movimentadas, eu chutava que deveria ser umas duas horas da tarde.

    A nossa volta havia sido silenciosa, mas era aquele silêncio reconfortante, cada um perdido em seus próprios pensamentos. A mão quente de Sasuke segurava a minha, mantendo-me mais próxima dele. Eu estava de alguma forma estonteante, nunca pensei que eu fosse achar alguém que me despertasse o interesse nesse fim de mundo. Parecia que o destino sabia mesmo o que fazia.

    Algum tempo mais tarde Sasuke parou, fazendo-me olhar para ele, ao mesmo tempo percebi que estávamos de frente a minha casa. Não havia percebido quando chegamos.

    - Está entregue.

    - Você quer entrar? - perguntei um pouco tímida. - Minha avó não está em casa.

    Ele sorriu quase incrédulo com a minha proposta inocente.

    - Você não tem medo de chamar um lobo para entrar na sua casa, e ainda diz que está sozinha? Ele pode te atacar.

    Senti um frio na barriga, enquanto o olhava.

    - Você acha que ele vai me atacar? - perguntei com uma inocência fingida, entrando na brincadeira.

    - Não sei. - um sorriso malicioso se formou em seus lábios. - Mas eu estou com vontade de te beijar.

    Arfei com sua resposta, mordendo o lábio rapidamente.

    - Por que não beija?

    Seu sorriso se abriu mais, e ele avançou um passo, próximo de mais. Seu rosto aproximou-se do meu, fazendo-me fechar os olhos automaticamente quando seus lábios roçaram levemente os meus. Mas o beijo não veio. Franzi meu cenho e abri meus olhos, encontrando os olhos de Sasuke me fitando, e um sorriso debochado estava em seus lábios.

    Ele estava brincando comigo.

    - Vamos. - ele me puxou até a entrada da casa, ainda estava pouco irritada com sua brincadeirinha de péssimo gosto, mas preferi ficar calada.

    Procurei as chaves na minha mochila, colocando na fechadura em seguida, abrindo a porta. Entrei na frente, e Sasuke me seguia atrás fechando a porta atrás de si.

    - Fique a vontade...

    Não deu tempo de terminar a frase, pois fui puxada bruscamente, e logo senti os lábios de Sasuke nos meus, num beijo totalmente faminto. Minha mochila caiu no chão e minhas mãos agarraram seus ombros e os apertei, sentindo suas mãos nas minhas costas deslizarem. Era bom aquele momento, era bom beijar Sasuke.

    Senti ser empurrada para trás, e não demorou muito para sentir o sofá bater nas minhas pernas, me fazendo perder o equilíbrio e cair deitada nele, trazendo Sasuke comigo. Nos separamos enquanto riamos do nosso jeito atrapalhado. Ajeitei-me no sofá e logo senti o peso dele em cima de mim. Agora um pouco mais a vontade, segurei seu rosto e o beijei, sua boca se abriu, deixando minha língua passar e encontrar a sua. Meu beijo era lento e tímido, mas mesmo não tendo muita experiência, eu sabia que estava dando o meu melhor.

    O ar novamente nos faltou, mas Sasuke continuou suas carícias, numa trilha de beijos por todo o meu pescoço, e percebi o quanto era sensível naquela parte que se arrepiava com facilidade. Meus olhos estavam fechados enquanto eu arfava com aquelas sensações novas e prazerosas. Sua mão boba deslizou pela minha colcha coberta pelo jeans e apertou. E mais uma vez soltei um pequeno gemido, a boca de Sasuke subia por meu queixo até chegar à minha boca mais uma vez.

    Sua língua agitada travava uma batalha com a minha, ele estava mais ousado. Pude sentir um certo volume pressionar a minha virilha, e aquilo foi o suficiente para que as sensações internas se intensificassem mais. Sasuke estava excitado e por mais constrangedor que fosse, eu também estava. Cravei minhas unhas em suas costas, enquanto ele intensificava o beijo e pressionava mais a sua excitação contra a minha pélvis. Mas antes que eu concluísse qualquer pensamento do que possamos fazer ali naquele sofá, Sasuke se afastou de repente, saindo de cima de mim rapidamente, ficando de pé.

    Abri meus olhos e fechei minhas pernas rapidamente, encolhendo-as até que elas ficassem encostadas na minha barriga. Mesmo com meu rosto em chamas, não deixei de observar as expressões ofegantes e atordoadas de Sasuke. Sua mão direita estava nos cabelos e ele me olhava cauteloso.

    - Desculpa. - minha voz saiu baixinha, tão baixa que quase não pude ouvir. Também estava atordoada com que tinha acontecido agora mais.

    Ele me olhou incrédulo.

    - Você está me pedindo desculpa por eu ter avançado o sinal?

    Abri minha boca, e voltei a fechar, e desviei meu olhar para baixo.

    - Estou me sentindo uma idiota.

    Senti o canto do meu lado se afundar, Sasuke havia se sentado ao meu lado.

    - Você não tem culpa de nada. - ele me fez olhá-lo. Seu rosto era sério. - Sou eu que não consigo controlar meus instintos. Tenho que ter mais cautela com você.

    Ele pegou uma de minhas mãos que estavam sobre o joelho, e novamente aquele calor intenso passou para mim.

    - Você é tão quente. - comentei, sem desviar meus olhos dos seus. - Você nunca sente frio?

    Ele sorriu comprimido, balançando a cabeça para os lados, negando.

    - Nós temos uma espécie de pelagem interna, que nos aquece sempre.

    - Isso deve ser ótimo, para um lugar tão frio quanto Konoha. - minha voz desgostosa com o clima daqui não havia passado despercebido por ele.

    - Você não gosta do clima daqui?

    Neguei com a cabeça.

    - Odeio o frio e a chuva.

    Ele ergueu as sobrancelhas.

    - Para uma bruxa, você não é muito fã da natureza, já que seus poderes devem derivar delas. - ele comentou.

    - Por isso que eu sou uma péssima bruxa.

    Ele soltou uma risada nasal.

    - Me conte um pouco sobre você?

    Arregalei os olhos.

    - Sobre mim? - ele assentiu. - Eu não tenho muito que falar.

    - Eu não acho isso. Quero saber de tudo.

    - Minha vida é tediosa. Você vai acabar dormindo.

    Um sorriso maroto se formou em seus lábios.

    - Eu garanto que não.

    Meu cenho se franziu lentamente, enquanto mordia o lábio. Não tinha como escapar.

    - Eu morava em Tókio com a minha mãe e meu pai... - hesitei, falar deles era doloroso, e Sasuke percebeu, mas antes que ele dissesse algo, continuei: - Eles morreram mês passado, e eu fiquei agora sob a tutela de Tsunade, e como era impossível dela mudar sua vida de uma cidade para outra, eu tive que vir morar aqui.

    - Eu sinto muito pelos seus pais. - seu olhar era sincero e cheio de compaixão.

    - Obrigada. - sorri, tentando afastar as pequenas lágrimas que começavam a embaçar a minha visão. Tentei mudar a rota do assunto. - Eu tenho uma amiga que ficou lá, Shion. - sorri. - Ela é a pessoa mais louca que eu conheço. Acho que a maioria das confusões que me meti é por culpa dela.

    Olhei para Sasuke e ele mantinha aquele pequeno sorriso.

    - Você tem cara de quietinha, mas adora aprontar por trás.

    Escancarei minha boca, e o fitei descrente. Como é?

    - Eu não apronto tá bom? - puxei minha mão da sua, enquanto meus lábios franziam e meu cenho se unia.

    A risada de Sasuke inundou toda a sala, ele apoiou a cabeça no encosto do sofá. Eu não estava acreditando que ele estava tirando uma com a minha cara. Mas eu não podia deixar de apreciar a sua risada gostosa. Era a primeira vez que eu o via rir daquele jeito, totalmente descontraído.

    Ele me olhou um pouco risonho e não pude achar ele mais lindo ainda. Ele se aproximou mais e agarrou minhas duas mãos, me puxando, fazendo-me ficar de joelhos no sofá, e me deu um beijo rápido.

    - Você não tem ideia do quanto fica graciosa zangada desse jeito.

    - Você às vezes é um idiota.

    Ele sorriu maroto, e deitou-se no sofá puxando o meu corpo para que ficasse por cima do seu. Mesmo eu tentando forçar uma falsa ira, eu não conseguia fingir por muito tempo, pois seu cheiro totalmente único invadia minhas narinas, me deixando entorpecida. Suas mãos estavam na minha cintura, e minha cabeça deitada em seu peito, podia escutar as batidas fortes de seu coração.

    - Me conta mais.

    Ergui meu olhar para cima.

    - O quê?

    Seu olhar pousou em mim.

    - Sobre você.

    - Eu já falei tudo.

    - Tem certeza? - ele forçou.

    Assenti.

    - Não deixou ninguém te esperando, nenhum namorado?

    Namorado? Realmente aquela pergunta me pegou de surpresa.

    - Não. - balancei minha cabeça para os lados. - Eu nunca namorei.

    Sua expressão curiosa dera lugar para uma expressão surpresa.

    - Nunca?

    - Nunca.

    Eu sabia que era estranho uma garota da minha idade nunca ter namorado, mas acontece que ninguém me interessava. Ninguém que não seja Sasuke.

    Um sorriso se abriu em seus lábios.

    - Acho que estou com sorte então.

    Aquele assunto abriu espaço para que eu perguntasse o que me causava curiosidade ultimamente.

    - E você? - perguntei, e não pude deixar de corar. - Tem namorada?

    Parecia meio idiota perguntar se ele tinha namorada estando agarrada com ele no sofá, mas nunca se sabia, não é?

    - Não.

    - E a Karin?

    - O que tem ela?

    Hesitei por um momento, seria ridículo o bastante perguntar se os dois tinham algo? Sasuke ainda esperava.

    - Ela... que dizer...

    Sua expressão calma dera a lugar a incrédula e de repente a sua gargalhada mais uma vez enchia toda a sala. Deus, como ele estava risonho hoje.

    - Você acha que eu e a Karin? - ele riu mais, e não pude me sentir uma idiota mais uma vez. - Céus, ela que não escute isso.

    - Fico feliz em saber que eu sou engraçada. - murmurei, afastando meu olhar para outro sofá que ficava em frente ao de três lugares onde estávamos. Eu estava sem graça.

    Ele beijou meus cabelos, ergueu meu rosto para poder olhá-lo.

    - Não é isso. - ele havia parado de rir e agora brincava com uma mecha de meu cabelo. - Não sei o que levou a pensar isso, mas Karin e eu somos como irmãos, nem que quiséssemos, não conseguimos sentir atração um pelo outro.

    - Ah.

    Realmente eu tinha viajado legal, mas como eu iria saber? Ela era linda, ele era bonito e os dois andavam juntos.

    - Ela já tem a sua pessoa marcada. - ele explicou.

    - Entendi.

    Ele se inclinou, tocando sua boca na minha, mas antes que déssemos continuidade ao que fazíamos, o som da campainha nos fez cair na real. Olhei para Sasuke, que franzia o cenho de repente, enquanto cheirava o ar.

    - Mas que porra ela está fazendo aqui? - ele ralhou, me tirando de cima de si, se pondo de pé rapidamente.

    - Ela quem? - perguntei, mas não obtive resposta.

    Sasuke caminhou até a porta da frente em passos pesados e a abriu num rompante, seu corpo grande impedia que eu pudesse ver quem era. Sua voz soou irritada:

    - O que faz aqui?


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