Lua de Sangue

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 11

    Licantropo

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Definitivamente, Sasuke conseguia me destabilizar e me irritar ao mesmo tempo. Seu senso de humor crítico e totalmente bipolar estava me dando nos nervos.

    Eu caminhava na frente em passos pesados e rápidos, sabia que ele me seguia, pois sua presença era tão marcante e única, que eu podia senti-lo a vários metros de distância.

    Não demorou para chegarmos ao ponto de ônibus, que para minha infelicidade, estava sem ninguém. As luzes dos postes se acendiam aos poucos, devido à noite que começava a cair, deixando com que o frio começasse a dominar aquele finalzinho de tarde.

    Fiquei de pé, ao lado do banco de concreto com uma pequena cobertura de telha. Meu olhar fitava meus pés como se eles fossem mais interessantes do que a presença de Sasuke ao meu lado. Como se isso fosse possível. Eu estava calada, pretendia ignorar sua presença, como ele me ignorava na escola. Mas seu silêncio estava terrivelmente incômodo, eu queria que ele puxasse conversa comigo só para eu poder ter o gostinho de ignorá-lo, mas parecia que ele estava respeitando a minha não vontade de falar.

    Ai que raiva.

    Meu coração ainda batia descompassado, enquanto os meus nervos estavam abalados por causa do episódio de minutos atrás com aquele cara estranho. A ideia de saber que ele conhece Sasuke, e vise e versa, me deixava redondamente curiosa. Eu tinha tantas perguntas, tantas dúvidas, conseguia sentir minha língua coçar para metralhá-lo de perguntas. E eu tinha plena consciência de que aquela era a minha chance, já que por uma força terrivelmente divina, ele estava sendo legal comigo.

    Ignorando a minha promessa de ignorá-lo, ergui minha cabeça e o fitei. Sasuke olhava para a rua pouco movimentada de carros a nossa frente. Não tinha muitas pessoas passando por lá, mas as poucas que tinham, estavam ocupadas demais com suas coisas para perceberem dois adolescentes esperando o ônibus. Ele não havia percebido que eu o fitava descaradamente seu perfil erguido e totalmente intimidador, parecia perdido em devaneios. Uma brisa suave e fria fez com que seu cheio amadeirado e totalmente masculino entrasse por meu nariz, me deixando embriagada. Não pude evitar fechar os olhos e sentir mais a fundo aquele cheiro totalmente único. Muito bom.

    Não sabia que eu prendia a respiração, até que meus pulmões reclamassem, me fazendo soltar todo o ar pela boca, de um modo destrambelhado. Amaldiçoei-me por isso, abrindo os olhos rapidamente e fitando Sasuke que ainda estava no mundo aéreo. Queria muito saber o que ele estava pensando.

    Mordi o lábio por um momento, e segurei a alça de minha bolsa, reprimindo o nervosismo de tê-lo ao meu lado.

    - Por que disso agora? - comecei, minha voz saindo muito baixa. Não tinha a mínima ideia de como puxar conversa com ele, e de metralhá-lo com as minhas milhares de perguntas.

    Minha voz por ter saído baixa, pareceu despertá-lo de seus devaneios, fazendo sua atenção vim toda para mim. Apertei com mais força a alça da bolsa.

    - Disso o quê?

    Seus olhos negros como uma chama de trevas, me engoliam para sua escuridão, tão intensa, tão...

    - De está sendo legal comigo. - umedeci os lábios, tentando apaziguar o ressecamento que havia neles. Aquela não era a pergunta que eu queria fazer. - Qual foi o motivo desta mudança repentina?

    Ainda presa sobre o seu olhar felino e totalmente intimidade, prendi a respiração mais uma vez, sentindo as borboletas no meu estômago darem saltos.

    O silêncio chegou reinando mais uma vez entre a gente, sentia minhas mãos suarem, mas não as sequei na barra do meu vestido, pois Sasuke me olhava minuosamente cada detalhe e gesto que eu fazia, o mínimo possível. De alguma forma eu me sentia estranha com seu olhar em mim, não podendo evitar meu rosto corar. Atenção demais.

    Quando pensei que ele não responderia, e que ignoraria minha pergunta, sua voz soou, me pegando de surpresa:

    - Vamos dizer que... eu me cansei de tentar ficar longe de você.

    Senti meus olhos arregalarem lentamente, sua declaração tinha me pegado totalmente desprevenida. Minha boca se entreabriu em um pequeno ?O? por onde soltei todo o ar que prendia de uma vez.

    - O quê?

    Sasuke virou seu corpo todo para mim, e me olhou com mais intensidade. Minha cara deveria está incrédula, minhas mãos soaram mais, enquanto meu coração dava batidas fortes quando ele acabou com o espaço que havia entre a gente, em três grandes passos. De repente, fui arrebatada por uma onda de calor que evaporava por todo o meu corpo, mas alguma coisa me dizia que aquele calor todo vinha de Sasuke.

    Ele me olhava de cima para baixo, devido a nossa diferença de altura, e lentamente encostou sua testa na minha. Suas mãos subiam pelos meus braços até pararem em meus ombros, passando mais calor para mim. Eu estava totalmente estática, sem nenhuma reação. Não sabia o que fazer naquela hora, pois Sasuke estava me mostrando um outro lado que eu não conhecia, um lado mais frágil. Seus olhos se fecharam com força, enquanto soltava um suspiro sofrido.

    - Eu estou redondamente fodido. - sua voz soou baixinha, suas mãos apertaram meus ombros.

    Lentamente ele abriu os olhos, e me banhou com sua escuridão mais uma vez. Eu respirava pela boca, ofegante, tentando entender o que realmente estava acontecendo. Eu não consegui dizer nada, eu não pensava em mais nada. A única coisa que se passava pela minha cabeça naquele momento, era o fato de Sasuke quebrar aquele pequeno espaço entre a gente e que me beijasse de uma vez. Não queria saber das consequências que isso fosse causar depois, ou de ficar arrependida por mais uma vez cair em seu charme contagiante. Eu necessitava dele, meu corpo implorava por aquele contato mais íntimo.

    Sasuke levou sua mão direita até uma pequena mexa do meu cabelo, o colocando para trás da orelha. Foi um gesto simples, mas foi o suficiente para que sentisse como fogos de artifício estourassem em meu estômago.

    - Eu não posso... eu não consigo mais ficar longe de você. - sua voz saía entrecortada, demostrando o quão perturbado ele estava.

    - Então não fique.

    Eu estava tão envolvida naquele momento único dentro de nossa bolha invisível particular, que o mundo a nossa volta não existia mais, não para mim, não naquele momento. Eu fitava cada traço único de seu rosto perfeito, seus cabelos negros e bagunçados, caíam sobre o seu rosto, emoldurando o seu perfil. Minha mão coçou naquele momento para tirar aquela mecha de fios rebeldes que teimavam em cair em seu olho, o que o deixava ainda mais tentador e mais pecaminoso.

    Um fio de um pequeno sorriso torto começava emoldurar o canto de seu lábio esquerdo, mas foi rápido o bastante, pois ao mesmo tempo aquele fio de sorriso se transformou em uma linha reta. Seu corpo ficou tenso de repente, e rapidamente se afastou de mim, o que a princípio me assustou um pouco com seu movimento brusco.

    Franzi o cenho, atordoada e confusa com seu gesto recuado repentinamente. Sasuke virou-se de costas para mim e olhou ao redor, todo o local que nos envolvia, percebia que farejava o ar como os cães faziam.

    Estranho.

    - O que foi? - consegui com muito esforço fazer com que a minha voz saísse. Pude escutar ele soltar um palavrão baixinho, parecia irritado.

    Ele se virou para mim.

    - Temos que sair daqui.

    Não tive tempo de pensar direito, pois senti a sua mão agarrar o meu pulso e me puxar para fora do ponto de ônibus, de um jeito meio bruto.

    - Ahn... como... ei, para! - tentei me soltar de seu aperto forte, mas sem sucesso. Sasuke me arrastava para um lado totalmente diferente, e não era para o centro da cidade.

    - Para onde estamos indo? - tentei mais uma vez, sentindo-me assustada com seu ato repentino. - Eu tenho que ir para casa, sabia?

    Sasuke parecia ignorar meus protestos, e continuava a me arrastar para outra direção da cidade, em direção à floresta que ficava para o norte. Senti-me no tempo da caverna.

    - Sasuke, me solta! Para onde estamos indo? - a movimentação diminuía mais, enquanto nós nos aproximávamos mais da floresta, entrando por becos estreitos e desertos. Eu dava pequenas corridinhas para acompanhá-lo. - O que está acontecendo? Me solta!

    O meu último grito fez com que Sasuke parasse bruscamente, fazendo-me bater com tudo em suas costas e perder o equilíbrio, tombando para trás. Mas antes que eu fosse ao chão, ele segurou meus braços num movimento impressionante.

    Soltei-me de seus braços bruscamente, sentindo meu cenho franzir com a leve irritação que estava sentindo.

    - Qual é o seu problema? - minha voz saiu pouco histérica.

    - Nós estamos sendo seguidos. - seu tom rígido e sério me pegou de surpresa.

    - O quê? - meu rosto estava incrédulo, enquanto olhava para trás, naquele beco escuro e fedido, não vendo ninguém. - Seguidos, como assim?

    Voltei a fitá-lo, ele farejava o ar novamente, seu nariz inflava com aquele gesto.

    Uma coisa passou pela minha cabeça, mas logo resolvi ignorar.

    - Merda. - ele praguejou baixinho. - Ele está perto.

    - Ele quem? - perguntei, franzindo mais o cenho. - Sasuke você dá pra parar de me ignorar? - empurrei seu braço, irritada com suas atitudes.

    Ele agarrou minha mão e voltou a me puxar.

    - Vamos dá o fora daqui.

    Puxei com toda a minha força a minha mão da dele, fazendo-o parar novamente e me olhar. Ele estava irritado.

    - Eu não vou a canto nenhum com você, a menos que me explique o que está acontecendo?! - consegui fazer com que minha voz saísse firme, despojando toda a minha raiva nela.

    Sasuke passou a mão nos cabelos, num gesto totalmente inquieto.

    - Por que você não facilita as coisas para mim? - ele ralhou, irritado.

    - Por que você nunca facilita as coisas para mim. - rebati, o fitando fervorosamente. Era quase impossível ficar sempre de boa com ele, sempre acontecia alguma coisa que acabava me deixando irritada.

    - Aquele cara está nos seguindo. - sua voz saiu desgostosa, e olhava para os lados.

    Meu peito se apertou e perguntei cautelosamente:

    - Que... cara?

    Sasuke virou seu rosto para mim.

    - O que estava te perseguindo agora pouco.

    Tremi com a sua resposta, e automaticamente levei minha mão até o medalhão que estava por debaixo do vestido, como uma forma de me acalmar.

    - Não pode ser.

    - Ele deve está seguindo o nosso cheiro. - ele começou, agora falando mais calmo, seu rosto ainda era sério enquanto me olhava. - Droga! Se você for para casa agora, ele vai te seguir até lá e descobrir onde você mora, e isso vai causar um problemão, para você e sua avó. Acho que ele deve ter percebido que você...

    Sua voz hesitou.

    - Eu o quê? - perguntei desconfiada.

    Ele passou novamente as mãos pelos cabelos.

    - Olha - ele começou, me fitando os olhos, colocando suas duas mãos em meus ombros. -, não vou fazer nenhum mal a você. Confie em mim, por favor.

    Sua voz soou convincente, e de alguma forma confortante. Eu sabia lá no fundo que ele não iria fazer mal a mim, mas suas atitudes repentinas e totalmente impulsivas sempre me pega de surpresa, me deixando tensa.

    - Eu confio. - novamente eu era desarmada por seu olhar unicamente intenso.

    Seu rosto sério permitiu que seu lábio se curvasse para cima, num pequeno sorriso torto. Agarrou minha mão mais uma vez, e me puxou, e desta vez eu deixei ser levada por ele.

    Não demorou muito para entrarmos na floresta, o fim da tarde deixava o céu com as nuvens vermelhas, dando pouca iluminação para aquele aglomerado de árvores. Sasuke ia à frente, puxando a minha mão, seus passos rápidos faziam os galhos que estavam no chão junto com as folhas secas que haviam caído das árvores soar um som de crack.

    Mesmo tentando parecer calma e sabendo que Sasuke estava ali para me proteger, não podia evitar aquela sensação de que estávamos de alguma forma em perigo, e aquela floresta não ajudava muito.

    De repente fui arrebatada por uma espécie de djavú, invadindo a minha mente. A floresta escura. Sasuke me puxando pela mão em passos rápidos. O que estava acontecendo? Minha respiração estava ofegante, eu olhava para os lados encontrando a floresta banhada pelos raios vermelho do crepúsculo. Levei minha mão na cabeça e afaguei meus cabelos, sentindo-me atordoada.

    - Sasuke. - chamei, sentia minha garganta seca, enquanto as cenas vinham a minha cabeça.

    Ele ignorou meu chamado e me puxou ainda mais. Agora estávamos correndo. Eu tropeçava pelos galhos, quase indo ao chão, mas Sasuke sempre conseguia me equilibrar, e voltávamos a correr. Minha cabeça começava a girar, as imagens vinham todas de uma vez, e por um momento fechei meus olhos, tentando apaziguar o desespero que estava começando a me dominar.

    - Sasuke, o que está acontecendo? - gritei, sentindo todo o meu corpo ser banhado pela adrenalina de está correndo numa floresta fechada no começo da noite.

    Eu estava vivendo as cenas do meu sonho.

    O rosnado soou alto, ecoando por toda a floresta, era quase ensurdecedor. Paramos abruptamente, sentindo Sasuke me jogar para trás de si, ficando a minha frente, ainda segurando a minha mão. Meu coração parecia que sairia pela boca, às costas largas e tensas de Sasuke não me ajudavam a ficar calma, pois eu sabia que estávamos em encrenca.

    O que era aquilo?

    - Merda. - Sasuke praguejou baixinho, me deixando mais assustada.

    Minha voz estava entalada na minha garganta, eu estava com medo de perguntar o que fora aquilo, pois sabia que não iria gostar da resposta.

    Senti Sasuke me puxar para mais perto de suas costas, e nesse meio tempo eu virei minha cabeça para o lado lentamente e foi aí que eu vi, e na mesma hora as minhas pernas ficaram bambas.

    Um lobo maior do que o normal de pelagem marrom, meio chamuscado, estava a dez metros a nossa frente, em cima de uma pedra coberta de musgo. Ele nos fitava, e sua posição estava em ataque, enquanto suas presas enormes estavam à mostra.

    Meus olhos arregalaram, e num ato totalmente automático, agarrei com força a cintura de Sasuke num modo de me proteger, enquanto meus olhos não saiam do lobo a nossa frente.

    - Ai meu Deus. - murmurei apavorada, sentindo a mão de Sasuke apertar mais a minha.

    - Quando eu falar Já, você corre o mais rápido que puder. Você ainda se lembra da nossa rota que traçamos até chegar aqui, lembra? - a voz de Sasuke sussurrava baixo.

    - Eu... eu não sei. - sussurrei de volta. - Acho que mesmo que a gente corra esse lobo vai nos alcançar. Já viu o tamanho dele?

    - Não vai, eu vou distraí-lo enquanto você corre, depois te encontro.

    - Você está louco? Você vai acabar...

    - Sakura, confie em mim. - sua voz sobressaiu a minha, rígida e séria. - Você vai correr, e depois eu te encontro. Não fique com medo.

    Minha boca se entreabriu enquanto sentia meu corpo todo trêmulo e minhas mãos geladas.

    - Sakura.

    - Tá. - mesmo com o coração a mil por horas, concordei.

    Sem desviar os olhos do lobo a sua frente, Sasuke soltou sua mão do meu braço. O lobo desceu da pedra e começou a correr em nossa direção.

    - Já!

    Soltei-me de Sasuke, dando as costas para ele, e corri em direção contrária de onde nós íamos, e por um momento, àquele mesmo pensamento me veio à cabeça mais uma vez, e dessa vez eu não podia ignorá-lo. Virei meu rosto para trás ainda correndo e o inesperável aconteceu.

    Correndo em direção ao lobo de pelagens marrons, Sasuke deu um salto e se transformou num lobo negro, fazendo o som de suas roupas sendo rasgadas e de ossos sendo quebrando, soar alto pela floresta. O rugido que saía dele era forte e assustador, antes de atacar o lobo de pelagens marrons.

    Meus olhos se abriram mais, e tropecei em alguma coisa, caindo no chão. Virei meu corpo para frente rapidamente, vendo a batalha entre os dois lobos, uma coisa de outro mundo.

    Não podia ser... Sasuke?

    Tudo parecia surreal de mais para acreditar. Eu estava sendo ignorante aquele tempo todo para não notar que Sasuke Uchiha era um lobisomem. Parecia que eu estava num sonho perturbado, e eu torcia para poder despertar o mais rápido possível.

    O lobo de pelagem marrom tentou abocanhar o outro, mas o lobo negro foi mais rápido e desviou, voltando atacar seu rival. Não queria ficar ali para ver o que iria acontecer, era assustador de mais para mim.

    Usando minhas mãos como apoio, levantei-me de chão com pouco de dificuldade, e sem pensar duas vezes - e agora tendo certeza que Sasuke poderia lhe dar com aquilo -, voltei a correr para o interior da floresta. Não tinha a mínima ideia para onde estava indo, não lembrava por onde tinha vindo. Não era muito boa em guardar trilhas, e eu temia em ficar perdida por lá, mas isso não me impediu de continuar correndo.

    Eu ofegava, meu corpo dava sinais de cansaço, não era muito fã de exercícios, e agora eu tinha plena consciência que sedentarismo era muito ruim para saúde. É o que eu acho agora.

    Levei minha mão novamente ao medalhão oculto pela roupa e o agarrei com força.

    Me ajude. Pedi em pensamentos. Eu poderia tentar usar alguma magia, não era uma exper, mas eu estava aprendendo, e sabia o básico dos livros que eu comecei a ler toda a noite. Minhas pernas doíam, minhas mãos queimavam, completamente deveriam está arranhadas por causa da queda, mas eu tinha que correr.

    Tentava revirar a minha memória a procura de alguma magia que pudesse me tirar daquela situação, mas nada vinha, minha mente tinha dado um branco. Um frio percorreu por toda a minha espinha, e automaticamente virei minha cabeça para trás, e me amaldiçoei por isso.

    O lobo de pelagem marrom vinha correndo trás de mim.

    Um berro estrangulado escapou por minha boca e um medo assustador possuindo todo o meu corpo, pois se aquele lobo estava ali me perseguindo, então Sasuke...

    Não pude terminar minha hipótese, pois com a minha falta de atenção acabei tropeçando em algo duro, virando o meu pé direito para o lado, caindo feio no chão. Gritei de dor e rapidamente virei minha barriga para cima, rastejando meu corpo no chão desajeitadamente para trás, ignorando a dor insuportável do meu tornozelo torcido.

    O lobo de pelagem marrom estava bem na minha frente, agora dando passos lentos, num modo totalmente predador para depois dá o bote em sua presa. Seus dentes afiados estavam para fora, enquanto ele ladrilhava assustadoramente. Eu continuava rastejando meu corpo para trás, desesperada, voltando a revirar minha mente a procura de algum feitiço.

    O lobo me encurralava, e apavorei quando senti minhas costas baterem num tronco de uma árvore enquanto eu puxava meu corpo para trás. Meu corpo todo tremia em pavor, e no meio disso tudo eu tentava lembrar o feitiço.

    - dis. ? falei, com a voz saindo trêmula, apostando todas as minhas fichas, mas nada aconteceu.

    Como?

    Eu não entendia. Eu jurava que eu conseguia produzir aquele feitiço, ele era simples.

    O lobo abriu mais a sua boca, seus dentes afiados e a saliva manchando todo o seu focinho. E antes que eu voltasse a gritar em desespero, sabendo que tudo estava perdido, o lobo preto apareceu, tirando o lobo marrom de cima de mim.

    Apavorada pude presenciar novamente a briga travada entre eles. O lobo preto parecia mais feroz, jogando toda a sua fúria no outro que tentava se defender, e os dois se afastaram, rolando pela floresta.

    Levei as mãos trêmulas e geladas a boca, a dor insuportável do meu tornozelo me fazia soltar gemidos. Meus olhos não saiam das duas feras raivosas, lutando agora um pouco afastado de mim.

    Num movimento rápido, o lobo preto conseguiu encurralar o outro lobo e cravou seus dentes em seu pescoço. O grunhido de dor do lobo marrom soou forte e agudo. Fechei meus olhos abruptamente, e na mesma hora escutei uivos soarem baixinho. Voltei a abrir meus olhos, a tempo de ver o lobo marrom fugir, ele estava sangrando no pescoço. O lobo preto uivou forte e o seguiu até alguns metros e voltou a uivar. Outros uivos soaram um pouco mais alto do que foi escutado segundo antes, e o lobo preto parou, observando o outro lobo fugir, até sumir do meu campo de visão.

    Meu tornozelo latejou forte e soltei um gemido de dor, encolhendo as pernas para perto de mim. O lobo preto, que estava distante, virou-se e veio até mim. E depois de eu ter presenciado aquela luta que para mim foi assustadora, não sentia aquele sentimento de perigo como senti com o lobo marrom. Mas ainda assim eu estava assustada, principalmente por saber quem realmente era Sasuke.

    No meio do caminho, vi o corpo peludo do lobo negro mudar para a forma original. Era Sasuke que agora vinha em minha direção em passos rápidos, como veio ao mundo.

    Senti meu rosto esquentar e sabia que estava corando, desviei meus olhos rapidamente para minhas mãos, envergonhada pelo o que vi, mesmo que a iluminação fosse pouca, mas deu para ver o suficiente para que ficasse com aquela imagem na cabeça.

    Os passos de Sasuke faziam barulho, e quando ele parou de frente para mim, se agachando, pouco se lixando para sua nudez, fechei meus olhos rapidamente. A vergonha me deixava redondamente intimidada.

    - Sakura. - senti sua mão em meu ombro, mordi o lábio, tentando me acalmar.

    Encolhi-me mais, com um gesto totalmente impensado o que fez meu tornozelo machucado doer mais. Gemi de dor.

    - Você está machucada. - ele afirmou, colocando sua mão no meu pé torcido.

    - Ai! Não toca. - minha voz saiu esganiçada, dei uma tapa em sua mão, abrindo os olhos sem pensar. Desviei o olhar para o outro lado.

    - Vamos saí daqui.

    - Coloca uma roupa, por favor. - foi tudo que consegui dizer. Era muito constrangedor vê-lo daquele jeito, meu rosto deveria está que nem um tomate com a vergonha que eu estava sentindo.

    - Não é hora para isso. - ele rebateu, não precisava olhar para seu rosto para saber que suas expressões eram sérias. - Tenho que levá-la para casa e cuidar de seu tornozelo, acho que você o torceu. Sua mão também está machucada...

    - Não... - o interrompi, apertando os olhos e balançando a cabeça para os lados. - Por favor... é constrangedor demais vê-lo assim.

    O silêncio iniciou-se, ele sabia que eu estava certa, andar nú por aí não era nada legal. A dor pinicava como se eu estivesse sendo furada com milhares de agulhas flamejantes.

    Escutei um pequeno suspiro cansado, percebi que Sasuke havia se levantado.

    - Fique aqui! Não saia daqui!

    Balancei a cabeça para cima e para baixo, concordando. Continuei de olhos fechados, e escutei os passos de Sasuke se afastarem rapidamente, até que eu não pudesse escutar mais nada. Permiti que um suspiro saísse por minha boca, enquanto abria os olhos, percebendo a floresta mais escura. Olhei para os lados, estava em alerta, e amaldiçoei-me por ficar sozinha novamente. Aquele lobo de pelagem marrom poderia voltar, e eu estaria ferrada de vez.

    As imagens dos dois lobos grandes eram vivas na minha memória como um filme que foi acabado de assistir. Foi assustador, e totalmente surreal. Sasuke era um lobisomem, e eu era burra o bastante por não ter notado aquilo antes. Mas como eu iria saber? Eu ainda era nova naquele novo mundo paranormal que Tsunade me apresentou. Agora eu tinha plena consciência de que tudo era possível, e não poderia duvidar mais de nada, pois quanto mais eu pensava que já tinha visto de tudo, mas eu era surpreendida.

    Meu corpo ainda estava trêmulo, minha cabeça doía, eu me sentia cansada pelo esforço mortal que fiz, que era correr, sem contar os arranhões pelos meus braços. Mas diante disso tudo, eu estava frustrada comigo mesma, por ter falhado na minha primeira tentativa de produzir magia.

    Eu estava me sentindo fracassada.

    Encolhi-me mais, com as costas no tronco da árvore, rodeando meus braços sobre os joelhos, sentindo a ardência nos meus cotovelos, e o maldito tornozelo doendo, mas tentei ignorar a dor. Abaixei minha cabeça entre os joelhos, enquanto mordia meu lábio com os dentes. O silêncio da floresta era perturbador, principalmente quando estava sozinha. Alguns chiados podiam se ouvidos, sabia que era de algum animal que poderia está por perto, principalmente o bater de asas que deveriam ser de pássaros encontrando algum lugar para passar a noite. Todos esses barulhos da natureza me fazia prometer internamente para que nunca mais entrasse numa floresta novamente.

    Escutei passos se aproximando, mas não senti aquela sensação de perigo, e logo pude deduzir que fosse Sasuke, e eu não estava errada.

    - Pronto, acho que já pode levantar a cabeça agora. - sua voz agora suave soou perto de mim, com uma calma cautelosa.

    Ergui minha cabeça para cima, dando de cara com o seu rosto pouco preocupado, me fitando. Ele estava agachado a minha frente, não usava camisa, só uma bermuda e nada nos pés.

    Eu estava totalmente sem graça de ficar perto dele agora. E se sua presença marcante me intimidava antes, agora era dez vezes pior. O fato de vê-lo daquele jeito totalmente desinibido, sem vergonha nenhuma em mostrar sua nudez, me deixava mais envergonhada.

    Sabia que estava corando de novo, quando olhava para seus olhos, mas desviei para minhas mãos, que segurava a bolsa no meu colo.

    - Você está bem? - ele perguntou, totalmente atencioso.

    Assenti com a cabeça para cima e para baixo, tomando coragem para olhá-lo novamente. E assim que eu o fiz, tive que forçar um pouco a visão para ver seu rosto.

    - Você é um lobisomem. - minha afirmação não havia o deixado surpreso, muito pelo contrário, era eu que estava surpresa. E dizer isso em voz alta era estranho demais.

    - Isso é meio óbvio, não? - sua sobrancelha negra levantou-se para cima, e um pequeno sorriso emoldurou o canto de seu lábio esquerdo, num humor pouco sarcástico. - Assustada?

    Umedeci meus lábios, sentindo minha garganta seca. Neguei com a cabeça.

    - Só estou surpresa.

    Ele soltou uma risada nasal, balançando a cabeça para os lados, sem desviar os olhos de mim.

    - Você é uma péssima mentirosa.

    Não tive resposta para debater a sua afirmação. Realmente eu estava com medo, mas não dele, e sim da situação em si. Não era todo dia que se via o carinha que sempre te ignora e que de uma hora para outra fala com você com tanta naturalidade como se fosse amigos há muito tempo, e que horas depois você descobre que ele é um lobisomem. Irônico, não é?

    - Estou surpreso por não saber quem eu sou de verdade, já que você é uma bruxa.

    Minha expressão ficou surpresa com sua última frase, dita tão naturalmente. Ele sabia de mim?

    - Como você sabe que eu sou...

    - Você é neta da Tsunade. - ele me interrompeu, e sorriu irônico. - Não é uma coisa difícil de deduzir.

    Desviei meu olhar e fitei meus joelhos, sentindo-me estúpida. Ele sabia quem eu era aquele tempo todo, mesmo quando nem eu sabia quem eu era de verdade.

    - Acho que não. - murmurei, sentindo-me miserável. - Eu não sou uma bruxa completa. - admiti, erguendo meu olhar para ele. - Tudo isso é muito novo para mim.

    - Deu para perceber.

    - E aquele lobo? - perguntei, mudando totalmente o rumo da conversa.

    - Ele fugiu, mas os outros foram atrás dele.

    - Outros? - perguntei curiosa.

    Ele assentiu.

    - Não se preocupe, Naruto chegou a tempo com os outros e estão cuidando disso agora.

    - Então Naruto é um... - interrompi-me no meio da frase, não tinha mais como ficar surpresa, agora tudo fazia mais sentido. - É claro que é.

    Sasuke levou uma de suas mãos para debaixo de minhas pernas e a outra mão passando as minhas costas, me levantando com maestria, como se eu fosse uma pluma. Fui pega de surpresa mais uma fez e não pude evitar um gemido por causa do meu pé.

    - O que você está fazendo? - perguntei, levando minhas mãos até o seu pescoço.

    Ele abaixou o olhar, erguendo seu corpo para cima, ficando de pé.

    - Acho que você não iria aguentar ir para a casa andando.

    - Eu não sou tão leve assim.

    Meu comentário desencadeou uma pequena risada nele. Lindo.

    - Você só pode está de brincadeira? - ele começou a andar. - Você é mais leve do que pensa.

    Minhas mãos estão soando em sua pele extremamente quente. Seu peito nú colado no meu corpo me deixava com calor, ocultando a brisa gelada que fazia ali.

    - Estamos longe da minha casa, e sem contar que estamos nessa floresta e está escuro.

    - Tenho meus métodos. - seu sorriso de lado era uma coisa de outro mundo. - Agora se segure firme.

    A princípio não entendi o que ele quis dizer com aquilo, mas logo descobri quando Sasuke começou a correr pela floresta. Ele parecia que sabia o caminho, mesmo estando escuro, e o fato de estar me carregando nos braços, parecia que não era muito esforço para ele, pois sua velocidade era impressionante. Agarrei mais em seu pescoço e automaticamente encostei meu rosto em seu peito quente e nú. Seu cheiro único era mais forte, um cheiro natural de homem. Fechei meus olhos e aspirei mais seu cheiro, ficando embriagada.

    Conforme o tempo passava, Sasuke continuava naquele mesmo ritmo, desviando vez ou outra de obstáculos pela frente. Meus olhos continuavam fechados, enquanto sentia o tornozelo latejar. Mordi o lábio para reprimir um gemido. Sentia o peito de Sasuke subir e descer rápido, completamente devido ao esforço que ele fazia, e pude escutar seu coração bater num nível totalmente desenfreado.

    - Chegamos. - sua voz despertou de meus devaneios, percebendo que ele diminuía o ritmo da corrida, agora começava a andar em passos rápidos. Abri meus olhos lentamente e olhei a volta, percebendo que ainda estávamos na floresta, mas não demorou muito para que sairmos de lá e entrarmos na pista asfaltada da esquina que dava para a minha casa.

    As luzes dos postes iluminavam o local, e agradeci pela rua está vazia, mas as casas fechadas e as luzes acendidas por dentro, denunciava que havia pessoas. Afrouxei o aperto em torno de seu pescoço, agora sentindo o nervosismo tomar conta de mim.

    O que eu iria falar para Tsunade? Não tinha a mínima ideia de qual desculpa eu iria dar.

    - Acho que consigo andar daqui até em casa. - minha voz soou tímida, enquanto fazia um pequeno esforço para sair de seu colo.

    Mas eu sabia que teria que esforçar para me manter em pé. Eu só não queria passar pelo constrangimento de Tsunade me ver no colo de Sasuke.

    - Não, não pode. - seu tom era cortante, olhava para frente, e virou a esquina e entrou na minha rua.

    - Mas... - não terminei meu argumento contra, pois sabia que seriam palavras jogadas fora. Sasuke não iria me soltar.

    Suspirei, e fitei a rua vazia.

    - Acho que seria melhor não dizer nada para minha avó. - comecei. - Sabe, eu não quero preocupá-la.

    Pude ver a minha casa, e também a porta da frente sendo aberta e Tsunade passar por ela. Droga!

    - Não seria uma boa ideia esconder essas coisas da sua avó.

    Olhei por um momento para Sasuke e agora ele me olhava sério no que disse. Voltei minha atenção para a minha casa a tempo de ver Tsunade olhar para nós, seu rosto estava com uma expressão preocupada.

    - Sakura! - ela disse com a voz alta e chegamos até ela - O que aconteceu? - ela desviou seu olhar de mim para Sasuke. - O que você fez com ela?

    - Eu não fiz nada. Fomos atacados por um lobo forasteiro e Sakura torceu o pé.

    - Como é que é?

    - Vó, eu estou bem. - tentei apaziguar a situação.

    - Céus. - ela olhava para mim preocupada, mas a voz de Sasuke tomou sua atenção:

    - Agora temos que dar atenção para Sakura agora. - o jeito educado que Sasuke falava com a minha avó era impressionante. Não via os vestígios do Sasuke rabugento e mal educado nele ali, todo sério.

    - Ah, vamos. - Tsunade andou na frente e abriu mais a porta da casa para que Sasuke pudesse entrar comigo nos braços.

    Ele me colocou delicadamente deitada no sofá de três lugares.

    - Obrigada. - murmurei, enquanto me ajeitava no sofá, ficando sentada. Meu tornozelo doeu. - Ai.

    Rapidamente Tsunade tirou meus contunos, os jogando no chão e retirou a meia do meu pé machucado.

    - Ai. - apertei meus olhos fazendo uma careta.

    - Está muito inchado, realmente está torcido. - ela examinava. - Farei uma pasta com algumas ervas e enfaixarei todo o pé com elas.

    Abri meus olhos e procurei Sasuke, o encontrando ao lado da rack, me olhando. Tsunade ficou de pé, e o fitou.

    - Quem era?

    - Eu não sei, mas suspeito que seja o mesmo da semana passada. - disse Sasuke. - Ele estava seguindo a Sakura com as suas amigas no centro. Eu cheguei a tempo e ele se afastou, mas eu não havia percebido que ele estava nos seguindo.

    - Seguindo? Como assim? Vocês estavam juntos? - Tsunade perguntou, distribuindo seu olhar entre mim e Sasuke, desconfiada.

    - Não. - minha voz cortou, fazendo eles me olhar. - O Sasuke só foi gentil em me acompanhar até o ponto de ônibus. Ahn... foi aí que ele percebeu que estavam nos seguindo.

    Odiei-me por me atrapalhar em minhas próprias palavras. Eu não sabia por que eu me sentia tão nervosa, pois não tínhamos feito nada de errado. Quase isso. Mas estava surpresa por saber que o lobo era o cara ruivo que me seguia na cidade.

    Tsunade desviou seu olhar de mim para Sasuke.

    - Pensei que seu pai e sua alcatéia tinham dado um jeito nele.

    - Ele conseguiu fugir. - respondeu Sasuke, desviando vez ou outra seu olhar para mim. - Eu tenho que ir.

    - Tudo bem. - Tsunade caminhou até a porta e abriu. Ela não estava sendo hospedeira com Sasuke.

    Ele me olhou mais uma vez, antes de se afastar.

    - Tchau.

    - Tchau. - murmurei, acompanhando com o olhar até ele sair pela porta.

    - Agradeço por ter protegido a minha neta, e depois falarei com seu pai.

    - Tá.

    Tsunade fechou a porta e veio até mim. Pegou uma almofada que estava num canto e apoiou com todo o cuidado o meu pé em cima.

    - Ai.

    - Desculpa. Vou preparar uma pasta de ervas para cobrir o tornozelo. Fique aqui.

    Apenas assenti com a cabeça, tirando a bolsa travessal de mim, percebendo-a toda suja de terra e a joguei no chão. Permiti soltar um suspiro aliviado por está novamente em segurança em minha casa agora.

    Meus cotovelos ardiam, levantei um deles para ver o estrago, estava todo ralado. Minha mão direita também estava pouco ralada devido à queda na floresta. Nunca mais iria entrar numa floresta de novo, as experiências que tive não foram nada saudáveis.

    Eu sabia que eu teria mil coisas para pensar, e provavelmente não conseguiria dormir a noite, pensamentos demais. Esse mundo paranormal era realmente estranho.

    Meia hora depois, Tsunade voltou de seu escritório com uma pequena tigela de plástico na mão, mexendo alguma coisa dentro dela. Também trazia gazes, faixas e esparadrapos. Ela sentou-se do outro lado do sofá, colocando o pote em cima da mesinha de centro, levantando meu pé machucado com todo cuidado, mas mesmo assim não evitou a fisgada forte que ele dera.

    - Desculpa.

    - O que é isso? - me referia ao conteúdo do pote que ela tinha pegado da mesinha e voltado a remexer com uma colher.

    - É uma pasta medicinal feita com ervas colhida nas montanhas do norte. - ela olhou para mim rapidamente antes de encher a colher com a pasta verde amarelada, e o envolver todo o meu tornozelo. - Ela vai ajudar apaziguar o inchaço, e a dor.

    - Ah.

    A pasta era gelada na minha pele que estava quente, o cheiro não era muito bom. Tsunade estava com toda atenção em seu trabalho.

    - Você poderia ter me ligado, eu te buscaria. - seu tom de voz quebrou o silêncio, ela não me olhava.

    - Não quis incomodá-la.

    Ela me olhou de repente.

    - Sakura, entenda, minha obrigação é cuidar da sua saúde e bem estar. - seu tom era duro. - Não quero ser privada a isso, para que mais tarde aconteça alguma coisa prematura com você.

    Eu sabia que seu tom rigoroso era para o meu bem, Tsunade estava preocupada comigo. Eu também ficava preocupada quando alguma coisa acontecia com ela. Ela só estava cuidando de mim.

    - Desculpa. -sussurrei baixinho, abaixando o olhar.

    Ouvi o seu suspiro cansado e ela voltou a colocar mais da pasta no tornozelo.

    - Você e esse menino - ela começou, e a olhei, alarmada. -, vocês são amigos?

    Amigos? Nem eu mesma sabia o que nós éramos.

    - Nós temos aulas de matemática juntos. - dei uma pausa. - Acho que amigos não nos definem.

    Ela me olhou mais uma vez, colocou o pote na mesinha e pegou as faixas.

    - E o que exatamente define vocês dois? - ela quis saber, mas percebia seu tom cauteloso.

    - Colegas de classe, acho que é isso.

    Observava atentamente Tsunade enfaixar todo o meu pé. O silêncio reinava na sala, e eu agradecia por isso, não estava muito a fim de conversa. Ela terminou de enfaixar meu pé e colocou os esparadrapos, os prendendo.

    - Pronto. - ela me olhou. - Você vai ficar assim por uns dias, mas garanto que amanhã você vai estar melhor.

    - Obrigada. - sorri agradecida, e ela assentiu.

    - Eu fico preocupada com você minha neta. Você é tudo o que tenho.

    - Farei o possível para não me manter em perigo. - tentei quebrar aquele clima melancólico que começava a cair entre a gente.

    Ela sorriu minimamente, pegando a minha mão, e apetando delicadamente.

    - Eu quero te fazer um pedido e eu espero que você o cumpra.

    Senti meu cenho franzi de repente.

    - Pode fazer.

    - Afaste-se do Sasuke.

    - O quê? - não estava entendendo exatamente o que ela quis dizer com aquilo, e uma sensação incômoda apertou meu peito de repente. - Não estou entendendo.

    - Sasuke vem de uma alcatéia de lobos que moram numa vila não muito longe daqui. Acho que você deve ter percebido que ele é um licantropo, não é? - assenti e ela continuou: - Suas leis são rígidas, e mesmo nós termos um tratado de segurança e paz, eles tem um pé atrás com as bruxas.

    - O que isso tem haver comigo? - perguntei cautelosa, não gostando do rumo daquela conversa.

    - Eu vi o jeito como ele te olhava. - apertei o tecido do meu vestido. - Eu estou pedindo aos Deuses que não seja o que eu estou pensando... - ela hesitou, e fechou os olhos por um momento e soltou outro suspiro.

    - O que exatamente? - perguntei agora curiosa.

    Ela abriu os olhos e me fitou.

    - Isso iria ser um problema enorme. - ela ignorou a minha pergunta. - Prometa que não vai se envolver com aquele garoto.

    - Vó...

    - Prometa Sakura. - ela me interrompeu. - Isso é para o seu próprio bem, e para o dele também.

    Como eu iria contradizer com aquilo? Eu não tinha a mínima ideia do que Tsunade estava falando. Que lei era essa? Ela sempre falava as coisas pela metade, nunca me deixava realmente por dentro de tudo. Aquilo me deixava irritada.

    Ela ainda me olhava, esperando a minha resposta.

    - Eu não tenho nada com ele. Nós mal nos falamos.

    - Sakura. - sua voz saiu mais alta.

    Mordi o lábio descontente com aquele pedido.

    - Eu prometo.

    Vi seu suspiro de alívio, como se um peso tivesse saído de seus ombros, mas agora o peso tinha se passado para os meus. Não havia gostado daquilo.

    - Eu vou para o meu quarto. - falei, tirando meu pé cuidadosamente de cima de seu colo, o colocando no chão.

    - Não vai comer? Vou preparar alguma coisa...

    - Eu estou sem fome. - minha voz cortou a sua. Eu tentava ocultar o quanto eu estava chateada e irritada. Não queria dar a entender o que eu estava sentindo.

    Apoiei minha mão no braço do sofá, tentando me equilibrar, mas senti o braço de Tsunade agarrar-me de lado. Agradeci por ela está ali naquele momento. Levamos o dobro do tempo até chegar lá em cima. Agora eu entendia a Ino que sempre reclamava por não conseguir andar direito por causa do pé. Eu estava sentindo isso na pele. E por falar em Ino, eu ainda tinha que ligar para ela.

    Nós entramos no quarto, enquanto eu mancava num pé só. Joguei minha bolsa na cama, enquanto Tsunade me ajudava a sentar.

    - Obrigada. - minha voz tinha saído um pouco seca.

    - Realmente você não vai querer nada?

    Balancei minha cabeça negativamente, colocando minhas pernas para cima da cama.

    - Como foi o dia na cidade? - ela quis saber.

    - Foi legal. - tentei passar uma expressão tranquila. - As meninas são bem divertidas, e fiz o cabelo. - peguei uma mecha cor-de-rosa, ele deveria está um ninho depois do ocorrido.

    - Estou vendo. - ela sorriu -, está mais rosa.

    Não pude evitar sorrir também.

    - É.

    Silêncio.

    - Bom eu vou está no meu escritório, qualquer coisa dê um toque no celular.

    - Tá legal.

    Tsunade saiu do quarto e fechou a porta. Bufei. Eu estava me sentindo moída, tinha que tomar um banho para tirar aquele cheiro de terra e floresta. Mas primeiro eu tinha que ligar para Ino.

    Peguei a bolsa que estava ao meu lado e tirei meu celular de lá. Havia duas chamadas perdidas de Ino e uma de Tenten. As meninas estavam mesmo preocupadas comigo com o lobo mal.

    Ri com meu último pensamento, enquanto ligava para Ino.

    - Caramba, você demorou, em? - a voz de Ino soou tão rápida que não deu nem tempo de dizer alô.

    - Desculpe, eu meio que me esqueci de te ligar... ahn, fiquei conversando com a minha avó na sala.

    Que desculpa mais idiota.

    - Fiquei preoculpada, eu te liguei duas vezes e você não atendia. - sua preocupação estava diferente, eu percebia seu tom curioso.

    - Meu telefone estava na vibração. Desculpe.

    - Hm. - ela deu uma pausa. - Você chegou em casa direitinho?

    - Cheguei.

    Já tinha sacado onde ela queria chegar.

    - E o Sasuke?

    Sabia.

    - O que tem ele? - me fiz de desentendida.

    - Ele te levou até em casa, ou foi só até o ponto de ônibus? - o tom de voz de Ino era cauteloso, ela sabia que eu era uma pessoa fechada, e ela tentava ir com calma.

    - Ele me levou até em casa. - não menti, mas ocultei algumas partes que não era do interesse dela. - Era caminho para ele.

    - Ah. - seu tom saiu baixinho.

    - Ahn, Ino eu tenho que desligar, eu vou tomar banho agora.

    - Tudo bem, nos vemos na segunda.

    - Sim, na segunda.

    Agradeci por dar aquela ligação por encerrada, eu estava com a mente esgotada, e as perguntas curiosas de Ino eram mais esgotantes ainda. Sabia que segunda-feira eu não iria escapar de suas milhares de perguntas.

    Ainda com o celular na mão mandei uma mensagem para Tenten.

    "Eu estou em casa, sã e salva"

    Não demorou muito para que meu celular vibrasse na minha mão. Ela havia me respondido.

    "Fico mais aliviada, vou dormir mais tranquila agora."

    Sorri, balançando minha cabeça para os lados. Quanto exagero. Deixando o celular de lado tomei coragem e me levantei. Agarrada pelos móveis, cheguei até o guarda-roupa e tirei meu pijama e caminhei até o banheiro.

    Nunca passei tanta dificuldade em tomar banho como estava tendo. Os meus machucados ardiam quando a água quente batia em cima, e com muito esforço e com uma careta no rosto eu tinha que lavar as feridas cheias de terra para não infeccionar. Meu pé estava bem afastado do chuveiro para não molhar a tirar a pasta que Tsunade havia colocado.

    Uma hora de terrível sofrimento depois, consegui entrar no quarto pulando numa perna só, segurando as paredes como apoio. Dei graças a Deus quando deitei na cama, agradecendo por amanhã ser domingo. Eu iria dormir o dia inteiro.

    Cobri-me com aquele grosso cobertor e me encolhi como um ovo. Minha mente me levava para os acontecimentos do fim daquela tarde. O cara que me perseguia junto com as meninas era um lobisomem, e não sabíamos o que ele queria, pois sua presença na cidade ainda era um mistério. E eu tinha certeza que Tsunade sabia de mais coisas do que aparentava dizer. Mas hoje eu não estava com cabeça para comprar briga com ela.

    Agora o que mais me surpreendeu foi Sasuke. Sua mudança de humor comigo foi o que realmente me surpreendeu. De alguma forma ele havia se declarado para mim. Então ele estava me enviando de propósito?

    Ouvi duas batidas na porta, e logo foi aberta, deixando uma Tsunade passar por ela.

    - Sakura?

    - Oi, vó. - ainda estava chateada com ela, mas isso não era motivo para ser rude quando ela estava sendo gentil.

    Ela trazia uma pequena badeja de prata com um copo cheio de leite.

    - Trouxe um copo de leite para você, só para não sentir fome a madrugada.

    - Obrigada. - sentei-me na cama, pegando o copo do leite morno, dando um gole. - Está bom.

    Ela sentou-se na beirada da cama e me olhou atenciosa.

    - Sobre o que eu te disse lá na sala, não estou tentando privar você a namorar ninguém. - quase me engasguei com o leite, quando ela tocou naquele assunto.

    - Vó, eu já disse que Sasuke e eu não temos nada. - falei rapidamente, de um jeito totalmente culposo.

    - Eu realmente fico aliviada por saber disso, mas acontece que nós não mandamos no coração. - ela se ajeitou na cama, apenas fiquei quieta e escutei. - Aquele Sasuke é um garoto muito bonito, não é?

    Não pude evitar que minhas bochechas ficassem vermelhas, quando aquela maldita imagem dele totalmente nú me veio à cabeça na mesma hora.

    - É - olhei para os lados. -, ele é bem bonito.

    Tsunade soltou uma risadinha.

    - Não precisa se sentir envergonhada em dizer essas coisas. - a fitei, seu rosto estava sereno. - Um romance entre você e aquele garoto iram causar muitos problemas, principalmente para ele.

    - E que problemas são esses?

    - Eu não entendo muito bem das leis deles, mas o que sei é que todos da alcatéia seguem o comando de um alpha. O pai de Sasuke é o alpha da alcatéia, completamente Sasuke segue uma lei rígida para dar o exemplo para os demais. Entende agora o que eu quero dizer?

    Assenti com a cabeça, agora percebendo que tudo estava conspirando contra mim. O único garoto que realmente me chama a atenção é proibido para mim.

    - Não fique chateada comigo, não estou proibindo-a de nada.

    Olhei para ela.

    - Não estou chateada com a senhora.

    Realmente aquela notícia tinha me deixado quebrada.

    - Estou cansada...

    - Ah, sim. - ela levantou-se da cama. Entreguei meu copo pela metade para ela, alegando que não queria mais. - Boa noite.

    Ela deu um beijo na minha testa.

    - Boa noite. - sorri forçado vendo-a se afastar e desligar minha luz antes de sair e fechar a porta.

    Senti uma vontade enorme de chorar, enquanto me encolhia nos cobertores. Sasuke era uma espécie de fruto proibido que eu nunca poderia me degustar, e aquele pensamento me deixava mal. Pois eu estava realmente gostando dele.


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