Lua de Sangue

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 10

    Sábado

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Assim quando cheguei em casa, fui direto para o meu quarto. Ainda era cedo e eu tinha algum tempo livre, tempo para ficar remoendo os acontecimentos de mais cedo, e Sasuke era o principal personagem que povoava a minha mente. Aquele jeito totalmente bipolar estava me deixando de cabelo em pé. Uma hora ele me ignorava, fingia que eu nem existia, depois chegava do nada e começava a falar comigo tranquilamente.

    Qual era a dele afinal?

    Também tinha o fato dele ter alguma coisa com Karin - o que era muito provável -, já que os dois andavam juntos. E só de imaginar na possibilidade de que os dois terem alguma coisa, me deixava de alguma forma pior do que eu já estava.

    Suspirei, estava jogada na cama fitando o teto. A casa estava no total silêncio, à chuva que havia acabado de começar a cair, fazia respingos na minha janela, deixando as gotículas caírem uma atrás da outra, como se elas estivessem disputando uma corrida.

    Mordi o lábio, sentindo-me terrivelmente entediada e sozinha. O dia havia sido cheio e estressante, meu corpo estava mais pesado de que quando me levantei esta manhã.

    Virei minha cabeça para o lado, vendo o porta-retrato de meus pais ainda virado para baixo. Levei minha mão para endireitá-lo, mas parei no meio do caminho. Ver seus rostos entalhados naquele papel e saber que nunca mais iria escutar suas vozes, me deixava pior. Era a mesma coisa do que me torturar com uma faca, cortando cada pedaço do meu corpo. A dor ainda era muito forte para suportar, mas eu estava tentando viver a cada dia que nascia, repetindo o meu mantra mental; de que tudo iria ficar bem.

    No final do dia, Tsunade chegou de seu trabalho, sua expressão um pouco cansada no rosto, mas isso não afastou o sorriso carinhoso que ela me ofereceu assim quando entrou na cozinha, me vendo preparar o jantar. Eu precisava ocupar minha cabeça com alguma coisa antes que eu pirasse de vez.

    - Querida, por que você não deixou que eu fizesse o jantar? - ela disse enquanto caminhava até a geladeira, tirando uma garrafa de água.

    Virei meu rosto para ela.

    - Nem pensar que eu iria deixar à senhora ir para o fogão depois de um dia cheio de trabalho. - disse, voltando minha atenção ao molho de tomates e calabresa que eu preparava.

    - O cheiro está bom.

    Sorri, voltando a fitá-la.

    - Estou fazendo o molho para a macarronada. - ela bebeu a água de seu copo. - Não deve está tão bom como à senhora faz, mas estou dando o meu melhor.

    Tsunade colocou o copo em cima da mesa.

    - Que isso, o cheiro está maravilhoso, completamente o gosto estará excelente. - sorriu mínimo. - Gosto de macarronada.

    Ainda sorrindo assenti, voltando minha atenção a panela.

    - Vou tomar um banho e trocar de roupa. - sua voz soou pela cozinha, caminhando até a saída.

    - Tá bom, mas daqui a pouco o jantar está pronto.

    - Ah. - ela parou no meio do portal, me fazendo olhar para ela. - Como foi seu dia?

    - Normal como todos os outros.

    Ela me olhava atenciosamente, acho que devido a nossa pequena discursão de hoje cedo.

    - Está melhor?

    Assenti com a cabeça, impossibilitada de tocar naquele assunto. Ainda me sentia mal pelas coisas que eu havia dito para ela. Eu estava envergonhada de minhas palavras, envergonhada de ter bancado a garota mal agradecida.

    Tsunade não disse mais nada, apenas aceitou minhas respostas curtas e saiu da cozinha.

    Suspirei pesadamente, terminando de preparar o molho. Arrumei toda a mesa, colocando o macarrão dentro de uma travessa de vidro, jogando o molho quente por cima. Eu não cozinhava tão bem como Tsunade cozinhava, e muito menos sabia fazer aquelas receitas difíceis que para ela, era como uma brincadeira de criança. Mas o pouco que eu sabia era devido o que minha mãe me ensinara.

    A macarronada estava mesmo com um cheio bom, o vapor aromático do molho de calabresa evaporava por toda a cozinha e logo senti os efeitos em meu estômago.

    Dez minutos depois, Tsunade entrou na cozinha com uma roupa mais leve, seus cabelos estavam soltos e molhados, e seu rosto sem um grama de maquiagem, totalmente natural.

    Tsunade era uma cinquentona muito bonita, não sabia o que ela fazia para manter uma aparência jovem, pois quem a vê, nunca imagina que ela já tem uma neta de dezesseis anos.

    O jantar foi calmo e tranquilo, não conversamos muito, e vovó percebeu que eu não estava com clima para isso, e por esse motivo que jantamos caladas. Mas no meio do jantar, ela mencionou que queria me falar mais coisas sobre minha origem, coisas que eu tinha que saber, e era por isso que estávamos descendo as escadas que dava para o seu porão sombrio que ficava debaixo de seu escritório.

    Não pude evitar aquele arrepio na espinha quando novamente olhava os detalhes daquele lugar, agora com mais calma.

    O cheiro de ervas e parafina era forte, o que fazia meu nariz arder. Tsunade caminhou para o outro lado daquela mesa cheia de coisas, objetos antigos que nunca encontraria aqui em Konoha, ou em Tóquio. Ela remexeu a sua mesa, levantou o grande e grosso livro de capa velha com detalhes antigos e um barulho de alguma coisa caiu sobre a mesa. Aproximei-me curiosa, tentando saber o que ela procurava.

    - Não precise hesitar, Sakura, aproxime-se. - a voz de Tsunade por um momento me fez parar onde eu estava, mas logo voltei a me aproximar.

    - O que a senhora está procurando? - eu quis saber, olhando ela depositar o livro em cima da mesa e pegar o objeto que havia feito barulho.

    Ela se aproximou de mim, e estendeu sua mão com o objeto que na hora caiu, ficando pendurado só pela corrente em seus dois dedos.

    Olhei surpresa para o cordão que Tsunade segurava, o cordão de minha mãe.

    Olhei alarmada para Tsunade que mantinha uma expressão serena no rosto, seu braço ainda estendido para mim.

    - O que significa isso? - minha voz saiu como um miado, sentindo a minha boca seca.

    - Pegue-o.

    Fiquei parada, olhando-a, até estender minha mão e pegar o cordão. Na mesma hora senti uma pequena descarga elétrica percorrer de minha mão - que segurava a joia -, para todo o meu corpo, quase soltei o cordão no chão. Olhei para Tsunade mais uma vez, que fitava todas as minhas reações, minha expressão completamente estaria assustada.

    - Você sentiu? - ela perguntou de repente, como se soubesse o que eu estava sentindo.

    - Se a senhora está se referindo ao choque - ela assentiu -, eu senti.

    - Ótimo. - ela parecia aliviada. - Isso consta que o medalhão te aceitou como nova usuária, e revela que você é uma legítima Senju.

    Olhei para o medalhão de correntes de bolinhas de um ouro velho, o pingente era grande e redondo, também do mesmo material da corrente, com pequenos pontinhos elevados para cima, e uma pedra de um vermelho escuro no meio. Eu lembrava perfeitamente daquele cordão no pescoço de mamãe, como também me sentia fascinada por ele de um jeito impressionante, de um jeito que eu não conseguia explicar.

    Mamãe nunca me deixara usá-lo, lembro-me também de uma vez que ela me fez prometer por tudo quanto era sagrado nunca colocá-lo no pescoço. E depois de tantos falatórios e desculpas, que nunca consegui entender até hoje, eu acabei prometendo e nunca cheguei perto do cordão, até por que, se ele não estava no pescoço dela, mamãe o escondia muito bem.

    - Esse cordão é da minha mãe. - murmurei, olhando atenciosamente a joia em minhas mãos.

    - Era. ? corrigiu Tsunade, trazendo minha atenção para ela. - Agora é seu. Você é a nova dona do medalhão.

    Olhei mais uma vez o medalhão antigo em minhas mãos, passando o dedo em volta da moldura do pingente.

    - Minha mãe me fez prometer que eu nunca iria usá-lo. Não sei por que ela me disse isso - ergui meu olhar para vovó. -, mas acho que eu não posso ficar com ele.

    Tsunade balançou sua cabeça para os lados, negando.

    - Você não podia usá-lo por que Mebuki era a usuária dele. - ela explicou. - O medalhão nunca possui mais de um dono, e se caso outra pessoa tentar usá-lo, uma chama invade todo o corpo da pessoa, o destruindo de dentro para fora. A pessoa fica impossibilitada de retirá-lo, até que as chamas consuma todo o corpo até virar cinzas.

    - Ah meu Deus!

    Arregalei meus olhos com aquela revelação assustadora de Tsunade. Não pude evitar que meus olhos desviassem para o medalhão em minha mão. Aquela pequena joia velha era tão forte assim a tempo de matar uma pessoa se tentar usá-lo se não for o próprio usuário. Aquilo era quase impossível de se acreditar, mas sabia que tudo era possível.

    - Então... - comecei, forçando a minha voz sair. - Se eu tivesse o usado quando eu era pequena...

    - Você teria morrido.

    Minha boca se abriu e depois voltou a se fechar. Então agora fazia sentido o desespero de mamãe quando pedi para usá-lo um pouquinho.

    A voz de Tsunade me tirou de meus devaneios, me fazendo fitá-la.

    - Esse medalhão que você está segurando está em nossa família há anos. Ele é passado por geração e geração. Ele foi de meu bisavô, foi de meu avô, depois de minha mãe, já foi meu, passei para sua mãe, e agora ele é seu. Essa pedra - ela apontou para a pedra vermelha de meu medalhão, olhei. -, é uma pedra cornalina, ela é a pedra preciosa da família Senju.

    - Nossa. - aproximei mais o medalhão para enxergar melhor a pedra vermelha. - Ela é muito bonita.

    - Muito. - ergui meu olhar para ela. - É uma preciosidade rara que só pode ser encontrada nas montanhas rochosas onde fica o castelo Senju, na Polônia. - deu uma pausa. - A pedra Cornalina sincroniza a energia da terra com o nosso poder. Ela nos conecta com o nosso passado, ajuda a nos manter confiantes e seguros. E principalmente, nos dá força e coragem, coisa que nós bruxas temos sempre que manter. Uma lição muito importante que você tem que manter sempre em mente: o medo é a fraqueza de qualquer bruxa. Nunca se esqueça disso.

    - Entendi. - assenti com a cabeça, tentando guardar tudo o que Tsunade me dizia.

    Eu sentia meu corpo rígido como uma pedra, Tsunade apenas sorriu confortante, e aquilo de alguma forma me aliviou, fazendo-me soltar uma pequena lufada de ar que eu prendia sem perceber. Tantas histórias numa simples peça antiga. Sabia que tinha muitas coisas que ela me falaria, e pelo incrível que pareça, eu estava gostando de saber tudo isso.

    Tsunade ergueu a mão, pedindo o medalhão, o entreguei. Ela o colocou em meu pescoço, e não pude evitar fechar os olhos e esperar que alguma coisa de ruim acontecesse comigo, mas nada aconteceu.

    Soltei um suspiro aliviado e Tsunade percebeu, pois soltou uma pequena risada, me fazendo abrir os olhos. Ela estava com um brilho divertido no olhar, apesar do clima está um pouco tenso.

    - O medalhão não irá fazer nada com você, Sakura. Você é a nova usuária, só você pode usá-lo.

    - Eu sei... - sorri nervosa. - mas não custa ficar com o pé a trás depois de tudo o que a senhora me disse.

    Ela arqueou uma sobrancelha.

    - Você tem que confiar mais na sua velha avó aqui.

    - Desculpa - umedeci os lábios. -, eu confio na senhora.

    Ela suspirou, com um ar divertido e continuou:

    - Mantenha o medalhão sempre em seu pescoço. Ele também afasta o mal, a inveja e as artimanhas do demônio.

    - Tudo bem.

    Sua expressão ficou séria de repente, e senti que vinha coisas pela frente.

    - Sakura, eu vou ser muito honesta com você...

    Franzi o cenho.

    - Algum problema?

    Ela assentiu com a cabeça.

    - Eu estou preocupada com você, e com o fato de seus poderes não ter sido rebelado ainda.

    Meus nervos se enrijeceram.

    - O quê? A senhora disse que eu não precisava me preocupar...

    - Eu sei que eu disse isso, mas eu temo que você seja uma controladora.

    - Controladora?

    Ela balançou sua cabeça novamente, para cima e para baixo.

    - Há muito tempo atrás, muito antes dos Senju ter tomado o controle do sistema burocrático dos bruxos, um bruxo muito poderoso chamado Hagoromo teve dois filhos; Hashirama Senju e Tobirama Senju. - ela me olhava cautelosa. - Hashirama como você já sabe é meu avô, seu bisavô. - assenti e ela continuou: - Tobirama era o irmão mais novo de Hashirama, ele era um controlador.

    - Não estou entendendo.

    - Os bruxos controladores tem o poder de manipular qualquer tipo de magia, principalmente as trevas numa facilidade impressionante. - arfei atordoada e ela continuou: - É uma espécie rara de bruxos, só conheço dois casos de todos esses meus anos de vida, e um deles foi Tobirama Senju. Eu estou explicando isso, Sakura, é por que esse tipo raro de bruxos os poderes não vêm até eles... eles que vão até o poder.

    Ela deu uma pausa.

    - O caso de Tobirama chamou a atenção dos outros bruxos, ele era uma ameaça para toda a humanidade. Suas habilidades de manipular qualquer tipo de magia o tinha o transformado, ele não era mais o mesmo, e isso desencadeou uma guerra entre nossa espécie. Na mesma época quando abriram a caça aos bruxos. Caçadores de todos os lugares apareceram para aniquilar nossa raça. - ela suspirou. - Foi uma guerra sangrenta. Não sei qual foi o destino de Tobirama, mas muitos dizem que seu corpo foi aprisionado dentro de uma tumba pelos cincos bruxos guardiões. Todos os cinco guardiões morreram depois que concluíram o ritual proibido de aprisionamento de Tobirama.

    Desviei meus olhos para o chão, atordoada com aquela quantidade de informação. Quanto mais eu tentava saber, mais coisas apareciam, coisas complicadas e sinistras. E agora eu poderia ser uma desses controladores que manipulam qualquer tipo de magia.

    - Sei que tudo está sendo muito novo para você - ergui meus olhos para Tsunade que voltara a falar -, mas eu torço e rezo todos os dias para que você não tenha esse tipo de habilidades... caso contrário...

    Tsunade não terminou a frase. Franzi o cenho.

    - O que irá acontecer se eu for uma controladora?

    O olhar de Tsunade havia um brilho temeroso, e aquilo me angustiou.

    - A congregação dos bruxos declarará a sua morte.

    Arregalei meus olhos. Aquela frase me atingiu como um tiro, perfurando todo o meu corpo. Como assim? Minha morte? Quanto mais eu pensava que tudo estava se encaixando, uma bomba dessas cai bem em cima da minha cabeça.

    Meu corpo estava rígido como um mármore, o peso da responsabilidade havia caído em meus ombros.

    - Fique calma. - disse Tsunade de repente. - Isso é só uma suspeita minha. Tem muita chance de eu está errada, e você não ser uma controladora.

    Olhei rapidamente para Tsunade, passando minha mão na cabeça.

    - E se você estiver certa? - minha voz saíra desesperada. Eu sentia a minha vida normal se esvair aos poucos de minhas mãos, enquanto eu entrava num outro mundo, um mundo que eu não queria estar.

    Tsunade pôs suas duas mãos em meu ombro.

    - Nada vai acontecer com você, eu prometo.

    - Vó...

    - Shiii... eu vou cuidar disso. - sua voz saíra mais calma. - E se caso você for mesmo uma controladora, nós duas daremos um jeito.

    Aquelas palavras me confortaram um pouco, mas ainda sentia o peso em meus ombros. Fechei meus olhos e suspirei, mordendo o lábio com força.

    - Eu não vou atrás de poder obscuro algum. - comecei, minha voz saindo baixinha. Abri os olhos encontrando os de Tsunade me olhando atentamente, as expressões cautelosas. - Eu vivi a minha vida toda sem saber de tudo isso que a senhora me mostrou. Não sinto a menor falta desses poderes, não tenho interesse e muito menos desejo de ir atrás desse tipo de poder. Tudo que eu quero é ter uma vida normal, só isso.

    Aos poucos um pequeno sorriso se abriu nos lábios de vovó.

    - Me acalma muito em saber que você pensa assim, minha neta. Uma vez que quando se sente um poder, o mais puro que seja, ele se torna parte da gente. - ela disse. - E para um controlador, isso se torna dez vezes mais forte do que uma bruxa comum sente. Irei te ajudar de todas as formas possíveis. Você só terá que se manter sempre com o coração puro, e não guardar rancor. O ódio nos leva a cometer coisas que nós não queremos.

    O silêncio se postou no porão. O clima pesado que estava ali, era insuportável e sufocante. Minha cabeça começava a doer, só com as possibilidades de que havia uma chance de eu ir para um lado sombrio, e aquilo perturbava Tsunade ao ponto dela desabafar aquilo comigo, mesmo ela ter dito alguns dias atrás para não me preocupar com o fato de meus poderes de bruxa não terem dado nenhum sinal de revelação.

    - Acho que vou acabar ficando louca com tudo isso. - pensei alto.

    Tsunade se afastou de mim.

    - Acho que está na hora de mudarmos o assunto, e irmos para outro que temos a tratar.

    - Seria bom.

    Tsunade suspirou alto e voltou para detrás da mesa.

    - O assunto que eu tenho para falar é sobre o ritual.

    Com tantas coisas acontecendo eu até tinha me esquecido desse tal ritual que vovó havia mencionado.

    - Pode falar.

    - O ritual é um ato comum de todos os bruxos, mas cada clan tem seu próprio ritual. - começou Tsunade. - O clan Senju precisa que a lua esteja vermelha para que novos bruxos da nossa classe receba-o a benção do nosso Deus AEsir. A Lua vermelha purifica o nossos corpos o deixando mais leve, e aumenta os nossos poderes. E para que isso aconteça, a pessoa tem que está num estado purificado de alma e corporal.

    - Como assim? - perguntei.

    - O ritual só é válido se o bruxo ou bruxa for virgem.

    - Ah.

    - Presumo que você seja.

    - Sou. - respondi, sentindo um leve rubor em minhas bochechas.

    - Ótimo. Uma pessoa pura, sem ter cometido o pecado da carne se torna às vezes valiosa. É por isso que o ritual de sangue só é valido se a pessoa for virgem.

    - E esse ritual é obrigatório?

    - Sim. - ela respondeu. - Muitos bruxos de nossa família levaram anos esperando que a lua ficasse vermelha para se tornarem bruxos completos.

    - Ah.

    - Na última semana de outubro a lua será vermelha, isso vai ser numa sexta-feira. Nesse dia você não vai ir à escola, ficará em casa recebendo os cuidados e se preparando quando a lua aparecer no céu.

    - E o que eu tenho que fazer?

    - Você irá ficar dentro de um círculo mágico feito por um athame, usando somente o medalhão de cornalina e mais nada no corpo. Enquanto for recebendo os raios da lua de sangue, você irá dedicar uma oração ao nosso Deus AEsir, pedindo proteção, força, energia e banimento dos males. Eu vou ensinar tudo para você. - assenti. - Nesse dia você vai receber o seu próprio grimório, e se tonará uma bruxa de verdade.

    - Entendi. E o que é um grimório?

    - É este livro. - ela ergueu o seu livro grosso de capa antiga. - Você receberá um, só seu. O grimório é como se fosse uma espécie de diário. Aqui nós relatamos magias que usamos no decorrer de nossas vidas, se temos algum problema, como fizemos para resolvê-lo, que tipo de magia que usamos e essas coisas.

    - Ah.

    Ela sorriu mais uma vez, tentando amenizar o clima intenso.

    - Tem muitas coisas ainda que você vai aprender, mas tudo na sua hora.

    Depois daquela seção de descobertas e revelações, fui para meu quarto. Minha cabeça ainda doía, era muita informação, muita pressão. Quando pensava que Tsunade já havia dito tudo, ela me impressionava com coisas que revelava aos poucos para mim. Sabia que ela estava indo devagar comigo e que tinha muito mais do que ela soltara, mas eu precisava de tempo.

    Revirei-me na cama, a sensação pesada ainda não havia saído de meu corpo. Levei minha mão até o medalhão em meu pescoço, e como num passe de mágica aquela angustia agoniante aliviou-se, me deixando mais calma. Acho que Tsunade estava certa quando disse que o medalhão dava força e bania as coisas ruins, mesmo quando meus pensamentos não saiam da possibilidade de eu ser uma controladora.

    Sexta-feira não havia acontecido nada de interessante. As mesmas aulas chatas de sempre, o mesmo frio irritante e a dor de cabeça que parecia que havia gostado de mim.

    Fiz a prova de matemática, mas não consegui fazer com que o sr. Hatake repetisse o teste que eu perdi ontem por fugir da aula, mesmo eu ter mostrado a minha solicitação que Gaara havia pegado para mim, onde constava que eu não estava me sentindo bem para assistir a aula.

    Sasuke continuava indiferente, mesmo ele ter puxado assunto comigo ontem, por um milagre que não sei de onde saiu. Mas na aula eu sentia o seu olhar em mim - mesmo eu não tê-lo pego no flagra -, mas eu sabia que ele me olhava, pelo simples fato de que seu olhar queimava as minhas costas como uma chama ardente.

    Hinata continuava fingindo que eu não existia, o que era normal. Eu já tinha desencanado de tentar alguma aproximação com ela, apenas a ignorava da mesma forma.

    Ino estava alegre e animada por ser sexta-feira e que sábado iriamos sair. Tive que aturar a tagarelice dela a aula de história toda, como o fato dela está se sentindo leve por ter tirado a bota ortopédica do pé.

    Tenten havia vindo só para fazer a prova e depois pediu dispensa, pois ela tinha dentista marcado, pois foi isso que Gaara comentou no intervalo.

    O resto do dia passou entediante, pois nada demais havia acontecido. A noite, Tsunade me deu alguns livros antigos sobre bruxaria, para que eu pudesse estudar. Fiquei até tarde lendo assuntos bem interessantes, e não percebi quando peguei no sono.

    Naquela noite eu sonhei com Sasuke, era um visual diferente de cenário. Nós dois estávamos numa floresta, ele corria enquanto me puxava pela mão. Estávamos fugindo de algo, estava tudo muito confuso, meu corpo correspondia à adrenalina do momento. Eu não sabia por que eu seguia, mas eu sentia uma espécie de conforto estando com ele, mesmo estando naquela situação de perigo. A escuridão caía na floresta, o que impossibilitava de enxergar as coisas, mas paramos de repente quando um uivo ecoou, e quando meus olhos focaram no que nos seguia eu acordei.

    Abri meus olhos num rompante, meu coração batia desenfreado, meu corpo estava todo soado e meu cobertor estava jogado no chão. Virei meu copo para o lado e me sentei, passando a mão na cabeça enquanto ofegava.

    - Que sonho mais doido. - murmurei, enquanto percebia que as imagens impactantes do sonho se esvaiam como um vento.

    Apoiei meu braço no colchão e debrucei meu corpo para baixo, pegando o cobertor do chão. A claridade entrava pelas cortinas de renda, eram raios de sol. Olhei as horas no celular, 9hr e 25min, me levantei. Caminhei até a janela e abri as cortinas, surpreendi-me com o dia limpo, o céu azul e o sol brilhando a sua luz amarela.

    Sorri animada abrindo a janela, deixando ser banhada pelo ar gelado, mas com o toque quente, muito bom. Aquela era a primeira vez que eu via o dia tão lindo assim, o que me deixava animada, e por incrível que pareça animada para sair com as meninas.

    Afastei-me da janela e saí do quarto, entrei no banheiro, onde fiz minha higiene e saí alguns minutos depois.

    Desci as escadas, ainda de pijama e pés descalços. A casa estava vazia, mas logo fui arrebatada pelo cheiro de café fresquinho. Não gostava de café, mas gostava de sentir o cheiro quente e forte, dava aquela sensação aconchegante de lar.

    Entrei na cozinha, encontrando Tsunade arrumando a mesa para mais um café da manhã. Ela ergueu o olhar para mim quando me percebeu entrar na cozinha.

    - Bom dia, querida. Pensei que ficaria mais um pouco na cama.

    - Bom dia, vó. - sorri, dando um beijo em sua bochecha. - Acabei acordando cedo.

    Ela me olhou alarmada com o meu bom humor.

    - O que aconteceu? - seu sorriso aos poucos se abria.

    - O dia hoje está ensolarado. - não pude conter o sorriso.

    - Ah. - ela olhou a janela. - Pois é, o dia está mesmo bom.

    - Uhum. - puxei uma cadeira e sentei, me servindo com pão e requeijão.

    - Tem planos para hoje? - ela perguntou, enquanto me passava o copo de leite que ela havia feito para mim.

    - Vou sair com as meninas.

    Ela me olhou.

    - Novas amigas?

    Assenti com a cabeça.

    - Ino Yamanaka e Tenten Mitsashi.

    - Conheço as duas, principalmente a filha dos Yamanaka. Eles têm uma floricultura no centro de Konoha.

    - Hm. - dei um gole no meu leite quente. - Acho que a Ino me disse algo assim sobre uma floricultura.

    Tsunade sentou-se em seu lugar e começou a se servir.

    - E vocês vão fazer o quê? - ela quis saber.

    - A gente vai fazer um tour pela cidade, vamos a algumas lojas e no salão.

    Ela me olhou, enquanto passava manteiga no seu pão.

    - Agora parando para pensar, você ainda não conhece a cidade direito. - ela disse. - Desculpe, mas ando tão ocupada ultimamente que meu tempo às vezes é contado. Sinto muito por deixá-la sempre sozinha.

    - Vó, não se preocupe - sorri confortante. - Eu entendo perfeitamente. Ficar sozinha às vezes é bom.

    - Mas mesmo assim... a gente poderia fazer alguma coisa juntas, coisas de avó e neta. - ela propôs, ainda me olhando, deu uma mordida em seu pão.

    Seria muito bom. - sorri mais.

    - Vai fazer alguma coisa no cabelo?

    - Eu vou retocar a raíz, e talvez aparar algumas pontas. - peguei uma mecha do cabelo e o enrolei no dedo.

    - Eu sinto falta do seu cabelo original - ela começou -, essa cor chama muita atenção, Sakura...

    - Vó não... - a interrompi. - O cabelo não.

    Uma coisa que sempre me tirava do sério era se intrometer no meu cabelo. Sei perfeitamente que rosa chama atenção, principalmente quando você odeia atenções exagerada, como era o meu caso. Mas de alguma forma eu me identificava com a cor, gostava do diferente, e não iria adiantar reclamar ou me mandar trocar a cor, pois eu não iria fazer.

    - Tudo bem, não está mais aqui quem falou.

    Depois do café, Tsunade foi para seu escritório, alegando que tinha alguns trabalhos para fazer. Eu ajuntei a louça suja do café e lavei tudo e arrumei a cozinha.

    Subi para o quarto depois que terminei, escutando meu telefone tocar e vibrar em cima do criado mudo.

    Peguei o aparelho vendo o nome da Ino na tela.

    - Oi, Ino.

    - Nossa, pensei que você não fosse atender nunca.

    - Eu estava na cozinha e não ouvi, desculpe.

    - Tudo bem, eu só estou ligando para confirmar se você vai mesmo ir. Sabe não quero levar um bolo novamente.

    - Eu vou sim.

    Ouvi Ino sorrir com aqueles gritinhos histéricos que só ela fazia.

    - Que ótimo! O dia está bom.

    - Eu sei, está maravilhoso. - dei uma olhada na janela.

    - Então tá, nós nos encontramos... Que horas são?

    Afastei o telefone do ouvido para poder ver as horas.

    - Dez e oito.

    - Caramba, bom, as onze está bom para nós nos encontrarmo no centro?

    - Está, mas onde? - caminhei até o guarda-roupa, procurando o que vestir.

    - Você sabe onde fica a praça?

    - Acho que sim. - lembrava-me de quando fui com a Tsunade ao restaurante.

    - Esse será nosso ponto de encontro.

    - Tá bom.

    Depois que encerrei a ligação, procurei uma roupa de meu agrado e o depositei na cama. Fui até o banheiro e tomei um banho, mas não molhei o cabelo. Voltei para o quarto enrolada na toalha e comecei a me vesti.

    Coloquei um vestido da cor vinho-escuro com estampas de florzinhas verde-escuro com amarelo-gema, de mangas compridas. Vesti uma legging preta, pois mesmo o tempo estando bom, o friozinho irritante ainda continuava. E finalizei calçando uns contunos marrons. Olhei meu perfil no espelho e gostei do visual, ficou melhor do que aqueles jeans que eu comecei a usar diariamente.

    De maquiagem só passei um rímel e um batom rosa-claro, e resolvi deixar meus cabelos soltos mesmo. Peguei minha bolsa travessal, colocando algum dinheiro e o celular dentro, e saí do quarto.

    Desci as escadas e fui até o escritório de Tsunade, dei duas batidas na porta e o abri, encontrando ela sentada do outro lado da mesa com óculos de leitura no rosto enquanto lia alguma coisa numa folha de papel.

    Ela ergueu seus olhos para mim, que estava parada no portal.

    - Vó, eu já estou indo.

    - Tudo bem, só não volte muito tarde.

    - Não voltarei. - assenti.

    - Está bonita. - ela disse, e sorriu.

    - Obrigada.

    - Bom, divirta-se.

    Apenas sorri e saí, fechando a porta do escritório. Enquanto ia para a saída revisei mais uma vez a minha bolsa, verificando se não tinha me esquecido de nada, lembrando-me das chaves, que logo joguei lá dentro.

    Quando saí, fui arrebatada por um clima ameno, meio frio, e meio quente, estava maravilhoso, os raios do sol batiam em minha pele. Permiti fechar os olhos e sentir aquele sol maravilhoso em mim. As árvores estavam num verde luminoso, e os cantos dos pássaros estavam por todos os lados.

    Um dia perfeito.

    Não demorei para chegar ao centro de Konoha, o ônibus veio rápido o que me fez chegar cinco minutos adiantados.

    Cheguei à praça, que ficava no coração de Konoha, e esperei Ino e Tenten ao lado de uma palmeira. A movimentação não chegava aos pés da movimentação agitada de Tóquio. Aqui era muito tranquilo e calmo, mas também não era tão parado igual aonde eu morava com Tsunade. Havia algumas lojinhas, boutiques, mercenárias, posto de gasolina e entre outras coisas. A estrutura arquitetária eram pouco descaída, mas não chegava ser uma coisa ruim, mas também tinha algumas coisas modernas, como um Mcdonald que ficava distante, para o lado sul.

    Havia crianças brincando num parquinho público, alguns pais sentados nos bancos de madeira pintados de amarelo, árvores por todos os cantos e uma floresta que o rodeava o lado norte, bem próximo da cidade.

    - Não é que você veio? - a voz de Ino soou a alguns metros a minha direita.

    Olhei para o lado, me desfocando do pequeno estudo interno que eu fazia da cidade.

    Ino estava de vestido branco com florzinhas cor-de-rosa, sapatilha bege nos pés que cominava com sua bolsa de lado. Seus cabelos estavam soltos e o óculos escuro emoldurava seu rosto contradizendo com o batom rosa-pink nos lábios.

    - Eu não falei que vinha? - disse assim quando ela parou em minha frente.

    Ela sorriu, levantando o óculos escuro, o deixando na cabeça.

    - Falou, mas fiquei hesitante mesmo assim. - controlei a vontade de revirar os olhos. Ino me olhou de cima a baixo. - Adorei o look, mesmo nós estarmos na primavera e sua roupa ser de outono.

    - Eu não ligo muito para esse lance de look.

    Realmente eu não ligava muito, mas eu até gostava de perder meu tempo em lojas de roupas comprando, mas não era sempre.

    - Ah mais tem que ligar, isso é uma lei que nós mulheres temos que seguir...

    - E a Tenten? - interrompi o assunto, não estava a fim de ficar discutindo moda com Ino, era cansativo.

    - Ela está atrasada. - Ino olhou para os lados. - Olha ela lá!

    Olhei para onde Ino apontava, vendo Tenten se aproximando com passos rápidos em nossa direção. Diferente da gente, Tenten usava um jeans escuro, uma camisa de flanela xadrez, preto e cinza, aberto na frente com botões por cima da camiseta preta, e tênis nos pés. Seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo alto.

    - Demorou em Tenten. - reclamou Ino assim quando ela parou em nossa frente.

    Tenten a fitou com uma cara totalmente entediada.

    - Eu cheguei, e é isso que importa. - seu olhar voltou-se para mim e sorriu. - Oi, Sakura.

    - Olá, Tenten.

    Tenten voltou sua atenção para Ino.

    - O que vamos fazer primeiro? - ela perguntou. - Já vou dizendo que não trouxe muito dinheiro.

    - Vamos mostrar a cidade para a Sakura, e andar. - Ino me olhou. - Na hora nós nos decidimos, não é Sakura?

    - Estou nas mãos de vocês.

    Ino fez questão de me mostrar cada canto de Konoha, os mínimos detalhes possíveis. Tenten já começava a resmungar por causa disso, e mesmo achando um exagero de Ino, eu sabia que ela estava sendo legal e hospitaleira comigo, seu humor sempre bom.

    Fomos a várias boutiques, foi legal e entediante, pois Ino demorava muito experimentando roupas, deixando Tenten e eu mofando sentadas no banco dando palpites em qual roupa era a melhor.

    Por volta das duas da tarde, comemos alguma coisa no Mcdonald que eu havia visto quando cheguei à praça. Até que foi divertido o dia que estávamos passando. Tenten era bem divertida assim como Ino que alegrava até quem estava numa foça de tristeza.

    Nossa última parada foi no salão, não estava cheio, mas também não estava vazio, esperamos algum tempo até que nossa vez chegasse.

    Retoquei o rosa na raíz do cabelo, aparei algumas pontas que não estavam muito boas, mas bem poucas, e finalizei com uma hidratação. O preço ficou um pouco salgado, mas eu não havia comprado quase nada nas lojas que eu havia entrado com as meninas, só uma blusinha vermelha com estampas da Banana Republic que estava na liquidação.

    Ino também retocou o loiro de seu cabelo, o deixando mais claro do que já estava, e finalizando com uma escova. Tenten só fez as unhas dos pés e das mãos.

    Saímos do salão tarde, o sol já estava se pondo, deixando seus raios baterem nas nuvens que começavam a fechar o céu, deixando numa coloração alaranjada. O tempo havia corrido sem nós ao menos perceber, isso me lembrava dos dias que eu perdia com Shion no shopping.

    As ruas estavam movimentadas, alguns postes com suas luzes acendendo. Ino tagarelava e suas mãos com cinco sacolas de lojas em cada uma. Nós estávamos encerrando aquele dia de compras, e de alguma forma eu sentia aquela sensação de dever cumprido, pois desde o dia que eu fui pega na mentira por Ino, eu sabia que eu devia isso a ela.

    - Gente, disfarça. - começou Ino, atraindo a atenção tanto minha quanto à de Tenten para ela. - Tem um cara nos seguindo, ele está a nossa direita.

    Olhamos disfarçadamente para a direita onde Ino havia dito. Havia um cara a vários metros de distância de onde nós estávamos do outro lado da rua. Ele estava olhando para nós três, enquanto andava no mesmo passo que nós.

    - É um otário, só ignorar. - disse Tenten dando de ombro e olhando para frente.

    - Até que ele é bonitinho. - comentou Ino voltando a olhar para ele disfarçadamente.

    - Ino, para. - dei uma cotovelada nela, já que ela estava entre mim e Tenten. - Ele vai acabar percebendo.

    - Ai. - ela me olhou.

    - A Ino é uma cabeçuda. - disse Tenten, recebendo um olhar mortal de Ino.

    - Olhar não arranca pedaço...

    - Mas o cara pode realmente está nos seguindo. - falei, reforçando o que Tenten falara.

    Olhei mais uma vez para o cara, e desta vez ele percebeu que eu o olhava. Virei meu rosto para frente, enquanto um frio subia pela minha espinha, e uma sensação ruim se apossou de mim.

    - Acho que ele já sabe que a gente percebeu. - falei rapidamente, dando umas tropeçadas nas palavras.

    As duas olharam para o outro lado da rua.

    - Ai caramba, ele está atravessando a rua! - disse Ino com a voz um pouco assustada.

    - Que droga, vamos sair daqui logo. - disse Tenten apressando os passos, nós a seguimos.

    Meu coração batia forte enquanto a adrenalina do momento percorria o meu corpo. Virei minha cabeça para trás, vendo o cara nos seguindo, com os passos rápidos.

    - Ele ainda está nos seguindo. - minha voz saiu mais alta que o normal.

    - Ai meu Deus do céu, eu não quero morrer! - Ino começava a se desesperar, enquanto nós andávamos em passos corridos.

    - Vamos entrar nessa rua. - Tenten indicou uma rua próxima, e entramos.

    Não ousei olhar mais para trás, só focava a minha frente. A rua não estava tão movimentada assim e logo entramos na outra, e para a nossa desgraça, o cara estava no final dela, parado e nos fitando.

    - Merda. - praguejou Tenten baixinho, e num ato de reflexo, nós três paramos na mesma hora.

    A rua que entramos estava deserta, pareciam àqueles becos nojentos, pois o fedor de urina era forte. O cara que nos cercava estava no final da rua, ele havia dado a volta e nos pegado de surpresa. Minhas mãos soavam e o nervosismo tomava conta de mim.

    - Olha o que temos aqui! - a voz alta do cara soou pela rua, enquanto ele dava passos em nossa direção, automaticamente demos passos para trás. - Três gatinhas perdidas.

    A voz maldosa e cínica ecoava, enquanto um sorriso malicioso se abria em seu rosto.

    - Ai caramba. - Ino murmurou.

    - Vamos voltar. - murmurou Tenten para nós duas. - Corre!

    Viramos rapidamente nossos calcanhares e corremos, voltando o caminho de onde viemos. Eu ofegava enquanto saímos do beco e entramos na outra rua. Não ousei olhar para trás. Logo chegamos à rua movimentada, e diminuímos nossos passos e entramos numa lojinha de bijuterias.

    Fomos lá para os fundos da loja pouco movimentada e ficamos atrás de umas prateleiras altas.

    - Acho que essa foi por pouco. - comentei, meu coração parecia que iria sair pela boca.

    As meninas estavam na mesma situação que eu.

    - Acho que fomos loucas de correr. - disse Ino, olhando para a gente.

    - E você queria ter ficado lá para saber o que aquele maluco iria fazer com a gente? - questionou Tenten olhando Ino de cenho franzido.

    Ino uniu as sobrancelhas.

    - Aquele cara poderia estar armado, ele poderia ter atirado na gente enquanto nós corríamos!

    - Mas ele não atirou, e é isso que importa. - a voz de Tenten saiu um pouco alta, atraindo atenções para nós três.

    - Parem de brigar, as pessoas estão nos olhando. - apartei aquela discursão. As duas olharam as pessoas nos olhando a volta. - Nós estamos bem, vamos parar de brigar.

    Tenten fitou o chão e suspirou, se acalmando, e Ino se aproximou da janela de vidro do estabelecimento, olhando a rua lá fora.

    - Será que ele já foi?

    - Eu não sei. - respondeu Tenten se aproximando dela.

    - Aquele cara era estranho. - comentei, lembrando-me de seu rosto com aquele sorriso malicioso. Senti uma vertigem no estômago.

    Tenten me olhou.

    - Acho melhor nós ficarmos um tempinho aqui.

    Concordamos, e depois de darmos um tempo na loja, saímos, não encontrando mais o cara. Suspirei aliviada, enquanto nós seguíamos nossa rota, agora mais atentas.

    - Vamos para a floricultura da minha família. Minha mãe fecha a loja as sete, ela pode nos levar para casa de carro.

    - Não Ino, eu vou direto para o ponto. - falei, fazendo elas me olharem. - Não posso chegar muito tarde.

    - Você está louca? - disse Ino, com uma expressão pouco incrédula. - Você vai ficar no ponto de ônibus sozinha depois do que nós sofrermos com aquele tarado?

    - A Ino tem razão, Sakura. - disse Tenten, e paramos na calçada, havia alguma movimentação e o dia estava começando a escurecer. - Acho melhor irmos para a loja dos pais da Ino e esperar a carona da mãe dela.

    Abri minha boca, mas antes que minha voz soasse alguma coisa, a voz pouco conhecida por nós soou, nos pegando de surpresa:

    - Não é que encontrei, as gatinhas fujonas?

    Nós três viramos abruptamente nossos corpos para trás, dando de cara com o mesmo cara que nos seguia. Ele estava a dois metros distante da gente, com aquele mesmo sorriso sínico nos lábios, seus olhos brilhando de excitação.

    Ele era bem alto, seu corpo forte como de um lutador, os cabelos ruivos avermelhados estavam bagunçado, a pele branca se contrastava com os olhos castanhos claros. Deveria está na casa dos vinte oito ou vinte nove anos. Era bonito, mas sua beleza era ofuscada pela sua presença intimidante e sua aura amedrontadora.

    - Cai fora idiota. - a voz de Tenten soou de repente, fitando o cara com uma determinação invejável.

    O cara olhou Tenten, e seu sorriso se abriu mais.

    - Uma gatinha corajosa no meio das outras. - ele comentou, dando um passo para frente.

    - Tenten você está louca? - sussurrou Ino, se aproximando mais de mim, seu braço encostando-se ao meu.

    O cara desviou seus olhos de Tenten para Ino, que tremeu em seu olhar. E por último seus olhos focaram em mim.

    Uma onda de pânico começava a me dominar, quando percebi seus olhos felinos me olhando detalhadamente cada traço de meu rosto. Minhas mãos soavam em nervosismos, e automaticamente levei minha mão até a corrente do medalhão que estava oculto por debaixo da roupa. Senti certo alivio diante daquela situação agoniante. O medalhão me acalmava, mas sabia que mesmo assim eu me sentia uma pilha de nervos, e a agitação era atordoante.

    O cara ruivo por um momento inspirou o ar, e seu rosto se contorceu em prazer enquanto seus olhos se fechavam, voltando a abri-los e me olhar novamente, agora mais feroz.

    - Você tem um cheiro interessante, rosadinha. - seu sorriso se abriu, o que fez um frio percorrer minha espinha.

    - Já falei para você dá o fora! - a voz de Tenten saiu mais alta, enquanto ela dava um passo para frente. - Sai daqui!

    O cara ruivo voltou sua atenção para Tenten, e sua cara se fechou de repente.

    - Nós estamos ferradas. - sussurrou Ino, temerosa.

    Dei um passo para trás, e minhas costas se chocaram com uma coisa quente e sólida.

    Parei, arregalando os olhos enquanto minha respiração ficava presa na garganta.

    - Acho melhor você parar de ficar importunando as meninas e dar o fora daqui. - a voz de Sasuke soou firme e forte, atraindo a atenção de todos para ele que estava atrás de mim. Sua mão pousou em meu ombro, e aquilo foi o bastante para que meu coração disparasse como fogos de artificio.

    - Olha o que temos aqui, o herói salvador do dia. - zombou o cara de cabelos ruivos.

    A mão de Sasuke soltou do meu ombro, e logo seu corpo estava a nossa frente, alto e sólido. Soltei o ar comprimido, sentindo o alivio de meus pulmões. Eu estava surpresa por vê-lo ali, nunca passou pela minha cabeça que o encontraria naquela situação.

    - Acho que eu estou sonhando. - disse Ino ao meu lado, sua cara incrédula olhava as costas de Sasuke. - Não acredito que Sasuke Uchiha esteja nos defendendo.

    - Você não é de Konoha. - declarou Sasuke, sua voz saindo grossa e fria. - Acho melhor você vazar daqui, caso contrário...

    - O quê? - interrompeu o outro, o fitando com a mesma intensidade. - O que você vai fazer, Uchiha?

    Os dois se conhecem? Não podia acreditar naquela coincidência. Percebi as mãos de Sasuke se fecharem em punhos cerrados.

    - A delegacia é a duas quadras daqui - começou Sasuke, sua voz nada abalada. -, acho que o xerife vai adorar saber que você voltou a importunar a cidade.

    A expressão do cara ruivo se fechou.

    - Não sei o que você está falando. - ele disse. - Acabei de chegar à cidade.

    Ouvi uma pequena risada nasal de Sasuke. Uma risada debochada.

    - Você pensa que eu sou idiota?

    - Calma! - o cara ruivo levantou as mãos para cima. - Só estava conhecendo a cidade quando me deparei com essas lindas jovens. - ele olhou para a gente. - Não é meninas?

    O sorriso sínico se abriu em seus lábios enquanto nos olhava.

    - Não tem nada para você, então some daqui. - disse Sasuke, com a voz cortante.

    - Tudo bem, já estou indo. - ele desviou os olhos de Sasuke para nós. - Tchau meninas. - seu olhar voltou-se para mim - Tchau rosadinha, foi um prazer em conhecê-la.

    Apertei mais o medalhão por cima da roupa, tentando manter meu controle, quando percebia os olhos felinos do cara estranho em mim. Ele deu a volta e saiu, sumindo de nossas vistas.

    Sasuke se virou para nós três.

    - Vocês estão bem?

    - Estava tudo sobre controle, não precisávamos de sua ajuda. - a voz de Tenten saiu ríspida, e aquilo surpreendeu tanto a mim quanto Ino que deu uma cotovelada nela.

    - Não liga para ela não. - Ino foi mais rápida olhando para Sasuke e sorriu. - Obrigada por ter nos ajudado. Aquele cara estava nos seguindo já tinha um tempo.

    - Vocês tem que tomar cuidado. - começou Sasuke, olhando para ela. - Konoha é pequena, mas isso não a livra de gente maldosa, principalmente os forasteiros.

    Ino assentiu, embasbacada, ela estava radiante por Sasuke está a olhando.

    - Vou me lembrar da próxima vez. - o jeito meloso de Ino com Sasuke começou a me incomodar.

    Ele desviou seus olhos para mim, que ainda me mantinha calada. Seus olhos negros me fitavam sutil e aquela sensação de ansiedade me dominou. Só o fato de estarmos respirando o mesmo ambiente me deixava perturbada, minha respiração ficava forte e meu sangue corria mais rápido.

    - Sakura, vamos? - a voz de Ino me chamou.

    Desviei meus olhos de Sasuke para ela, sua cara estava cautelosa enquanto me olhava, mas percebi um brilho diferente em seu olhar, parecia zangada.

    - Ino, eu já falei que eu vou para o ponto.

    - Você está doida, esse cara pode voltar, e sei lá o que pode fazer. - brigou Tenten, que até agora se mantinha calada.

    - Eu acompanho a Sakura até o ponto do ônibus.

    Tanto eu quanto as meninas olhamos para Sasuke a nossa frente, abismadas. Sua expressão era calma e tranquila, sólida como uma rocha, impossível de decifrar o que se passava na cabeça dele.

    - Sakura, na loja da minha mãe você pode ligar para sua avó. - Ino insistiu, mas percebi um tom diferente de sua voz. Não era mais aquela Ino de mais cedo. Realmente ela parecia zangada, mas tentava disfarçar.

    - Obrigada Ino, mas irei arriscar assim mesmo.

    Ino me olhou abismada com a minha resposta.

    - Você vai com ele, Sakura? - perguntou Tenten, apenas fitei. Sua cara estava séria, e desviava seus olhos para Sasuke que estava a nossa frente.

    - Não precisa se preocupar, eu cuidarei bem de Sakura, Tenten. - a voz de Sasuke saiua ríspida, com um pouco de repulsa por falar com ela.

    Tenten desviou seus olhos de mim para ele, não parecia aquela Tenten gentil que eu conheci semanas atrás, ela parecia outra pessoa na presença de Sasuke. Ino parecia surpresa também com a atitude de Tenten, mas o fato de Sasuke ter bancado o cavalheiro tinha a deixada incrédula.

    - A Sakura não precisa que você responda por ela. - Tenten atacou.

    Sasuke a olhava sério, seus olhos apertados.

    - Da mesma forma que ela não precisa de amizades como a sua.

    Mas o que estava acontecendo aqui afinal?

    Eu estava totalmente sem saber o que estava acontecendo entre Tenten e Sasuke. Parecia que os dois não se suportavam.

    Tenten apertou os olhos e deu um passo para frente.

    - O que você está insinuando, Uchiha? - ela colocou as duas mãos na cintura, o olhando com superioridade.

    Sasuke não se deixou abalar.

    - Você sabe muito bem do que eu estou falando, Mitsashi. - Sasuke cuspiu o nome dela com certo nojo na voz.

    - Chega! Vocês não vão começar uma briga por minha causa. - minha voz sobressaiu, dando um chega naquela possível briga. - Tenten, Ino, obrigada pela preocupação, mas está ficando muito tarde, minha avó vai acabar brigando comigo.

    - Tudo bem, Sakura. - Ino respondeu, saindo de seu estado de choque. - Me liga quando você chegar em casa.

    - Eu ligo.

    - Se cuida, Sakura. - a voz de Tenten saiu dura dando-se por vencida, seus olhos sérios estavam em Sasuke, ele a olhava do mesmo modo. Seus olhos desviaram para mim.

    A única coisa que fiz foi assentir com a cabeça.

    - Vamos, Tenten. - Ino a puxou pelo braço e as duas logo se afastaram.

    Suspirei cansada, olhando o chão. Que clima mais estranho.

    Ergui meus olhos, encontrando Sasuke me fitando, seus olhos felinos captando todos os meus movimentos. Logo o meu coração estúpido reagiu, pois ele estava perto de mim, a uns cinquenta centímetros de distância. Tentei reprimir a emoção que eu sentia quando ele estava por perto, e com muito esforço consegui coloca a minha melhor cara de indiferente.

    - Vamos. - ele começou a andar, mas não o segui, continuei parada no mesmo lugar, o fitando.

    Ele percebeu minha ausência e parou, virou seu corpo para mim.

    - O que foi? Não vai vir?

    Não disse nada, apenas continuei no mesmo lugar. Ele se aproximou, ficando a minha frente.

    - Por que resolveu dar um de bonzinho agora e fazer caridade? - soltei a coisa mais estúpida que eu poderia falar, mas esse era os efeitos que ele causava em mim. Eu dizia coisas sem pensar nas consequências.

    Sasuke arqueou as sobrancelhas, colocando suas mãos nos bolsos da frente, num modo descontraído.

    - Você está me dizendo que estou fazendo caridade em te acompanhar até o ponto de ônibus? É isso mesmo?

    Seu olhar era intenso, e me esforcei para não desviar para outro lugar.

    - Para alguém que me ignora sempre, como se minha presença fosse insignificante, eu acho que sim. - minha língua estava afiada, o nervosismo me deixava assim, solta para jogar as palavras no ar.

    Seu cenho franziu, e sua cara se fechava.

    - Será que você não pode aceitar que eu só estou tentando ser gentil com você? - sua voz saiu ríspida e zangada.

    Aquilo me aborreceu.

    - Gentil é a última coisa que eu pensaria de você depois daquele dia quando você me mostrou o dedo do meio.

    - Você me mostrou dois. - ele rebateu. - Um gesto bem feio.

    Aquilo me desarmou, me senti uma idiota agora. Minha expressão desarmada fez com que um sorriso escapasse de sua boca. Apenas me amaldiçoei mais uma vez por ter feito aquilo.

    - Você é estranho. - sussurrei, desviando meus olhos para o chão, escutei uma risada nasal vindo dele, me fazendo olhá-lo novamente.

    Ele estava sorrindo divertido, mas o brilho no olhar era puro deboche.

    - Você também é estranha. - ele soltou. - Principalmente com esse cabelo colorido. - ele ousou em pegar uma mecha e o enrolou com o dedo. - Sério mesmo, rosa?

    - Não... - fechei os olhos balançando rapidamente a cabeça para os lados, voltando a abri-los. - Fale do meu cabelo.

    Seu sorriso aumentou. Um sorriso lindo, que o deixava mais perfeito, um verdadeiro anjo demônio.

    - Tudo bem, não falarei mais do seu cabelo. - ele soltou a mecha, seus olhos negros como uma chama em trevas me fitando intenso. - Mas fique sabendo que essa cor te deixa mais bonita.

    Soltei o ar de uma vez pela boca entre aberta. Senti um vapor quente subir em meu rosto, sabia que estava corando. Eu não era acostumada a receber elogios de garotos, principalmente elogios de Sasuke Uchiha, o cara mais complicado, mas intrigante que eu já vi em toda a minha vida.

    Ele deu um passo para frente, se aproximando mais de mim, meu corpo reagiu rapidamente.

    - Principalmente quando cora desse jeito. - minha boca secou quando senti seu dedo passar por meu rosto, sua pele quente fervia em mim. - Linda.

    Fechei os olhos, não suportando mais sustentar seu olhar intenso. Aquilo era demais para mim. Sasuke conseguia ser perfeito e intenso com tanta facilidade, com tanta naturalidade que era impossível segui-lo.

    Seu dedo tocou meus lábios, deixando uma trilha de larva flamejante misturado com um formigamento, me deixando tonta.

    - Vamos, está escurecendo. - abri meus olhos quando sua voz quebrou aquele devaneio perigoso, seu dedo saiu de minha pele.

    Ele ainda mantinha um sorriso convencido nos lábios. Ele havia comprovado que eu era vulnerável a ele, que eu era fraca em sua presença. Aquilo me irritou.

    Afastei-me dele abruptamente, e tropecei em meus próprios pés com o ato.

    - Cuidado. - ele deu um passo para frente, mas consegui meu equilíbrio e o olhei irritada.

    - Não preciso de sua ajuda. - ralhei, me sentindo a pessoa mais estúpida do mundo.

    Ele apenas se manteve calado, mas seu brilho debochado ainda não havia se dissipado dele. Comecei a andar com passos pesados e duros, indo em direção ao ponto do ônibus. Não o esperei, mas sabia que ele me seguia. E mesmo estando zangada, eu sentia certo alívio por ele estar cuidado de mim.


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