Lua de Sangue

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 8

    Verdade

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Dez minutos contados se passaram, Tsunade me fitava com seus olhos caramelados cautelosos. Ela não tinha como escapar, ela não tinha como negar, não desta vez, pois eu havia descoberto o seu segredinho obscuro.

    Eu me sentia petrificada, atônita, meus pés pareciam que estavam colados no chão. Aquelas coisas bizarras que tinha naquele porão havia me pegado extremamente desprevenida. O que diabos ela fazia com aquelas coisas? Aquilo parecia um antro de bruxaria, ou algo parecido.

    - E então - depois de alguns segundos eu forcei a minha voz, ela saiu rouca, quebrando o silêncio enlouquecedor que havia se apossado entre a gente. -, não vai me explicar o que é tudo isso, vovó? - a última palavra havia saído meio sarcástica.

    Ela novamente franziu o cenho, mas eu via o brilho cauteloso em seu olhar. Ela sabia que não tinha como negar mais nada, e que desta vez eu não iria aceitar desculpas esfarrapadas ou meias verdades. Eu tinha deixado muitas coisas de lado, eu havia fingido que nada estava acontecendo, pois era o contrário, pois acontecia algo, e bem debaixo do meu nariz.

    Como eu pude ser tão estúpida e tola por não ter percebido antes? Geralmente eu adorava me escorar em minha zona de conforto. Não gostava de me preocupar atoa, evitava o máximo de conflitos e desavenças, aquilo tudo não passava de estresse para os nervos. E agora eu estava aqui, quebrando todos os meus protocolos de como viver uma vida despreocupadamente. Eu havia fuçado e xeretado coisas que não eram da minha conta e descoberto coisas que também não eram da minha conta, e que agora passaram a ser.

    Minha avó que eu conhecia desde que eu me entendia por gente, tinha uma vida obscura. Eu nunca em toda a minha vida imaginaria aquelas coisas que eu estou vendo agora.

    - Não pensei que a situação chegaria a esse ponto. - Tsunade falou baixinho, fechando os olhos e soltando um breve suspiro cansado.

    - A senhora quer dizer o ponto que eu descobri que tem um porão bizarro debaixo do seu escritório? - alfinetei. Ela abriu os olhos, me fitando. Continuei: - Eu realmente estou surpresa com isso tudo. Isso só consta que eu realmente não conhecia a minha própria avó.

    - Olha o tom que você está falando comigo, garota! - sua voz saiu ríspida e repreendedora.

    - A senhora não está no direito de exigir nada! - rebati, minha voz aumentada dois décimos enquanto dava a volta na mesa, ficando a sua frente.

    Suas pupilas dilataram.

    - Mas eu sou a sua avó e você me deve respeito.

    Calei-me, engolindo a resposta malcriada que estava na ponta da minha língua. Tsunade soltou a respiração pesada, se recompondo, se acalmando.

    - Sakura, escute - me fitou -, eu explicarei tudo, apenas fique calma e vamos lá para cima.

    Hesitei por um momento, e até pensei em dizer não, ser um pouco mais rebelde, mas eu não era assim. Sempre fui o tipo de garota certinha que seguia as regras, e rebeldia nunca foi a minha praia.

    Eu ainda a olhava, tentando captar qualquer movimento de diferente da parte dela, e resolvi ceder a seu pedido e assenti com a cabeça. Estava pronta para ouvir o que ela tinha para falar e acabar de vez com todo esse mistério horroroso que ela havia provocado.

    Segui Tsunade, que andava a minha frente, subindo as escadas. Assim quando coloquei os dois pés no escritório, deixando o porão, Tsunade fechou a porta rasteira, fazendo o som do baque de madeira batendo na outra, aquele mesmo barulho que escutei no dia quando a chamei em seu escritório. Agora eu sabia onde ela estava naquele dia.

    Fiquei olhando-a ajeitar o tapete por cima da porta, como se nada tivesse ali. Ela voltou seu corpo para mim, seus olhos sérios, sua boca numa linha reta, fez um movimento com a mão para fora do escritório enquanto caminhava novamente a minha frente. Apenas a segui, minha cabeça trabalhando em mil perguntas e dúvidas que eu tiraria dela.

    Entramos na sala e continuei a seguindo até o sofá, onde ela se sentou. Ela fez um movimento para eu sentar-se ao seu lado, mas eu me sentei no outro sofá de dois lugares que ficava de frente para o maior.

    Sentia minhas mãos soarem, e eu sabia que era um sinal de nervosismo, enquanto a hesitação de que a verdade estava bem próxima tomava conta de mim. Eu não tinha a mínima ideia da explicação que ela teria que me dizer.

    - E então - comecei, minha voz saindo baixa -, explique-se agora.

    E com seu rosto sério e sem um vestígio de humor ela soltou a bomba do dia:

    - Sou uma bruxa.

    Sua resposta direta e firme me pegou de certa forma desprevenida. Senti meus olhos arregalarem, totalmente incrédula. Ela havia dito aquela frase num modo tão natural, tão simples, que eu não consegui pensar em mais nada.

    Bruxa? Como assim?

    - Você... o quê? - estava atordoada demais para formular uma única frase, meu coração disparou algumas batidas enquanto soltei uma risada nervosa, mordendo o lábio inferior.

    - Nós não vivemos num mundo comum, Sakura. - ela disparou, medindo as palavras. - Existem outras espécies diferentes do que estávamos acostumados a ver, seres que vivem escondidos da humanidade para não causar pânico nos que mantem suas mentes na ignorância.

    Minha respiração falhou, minha cabeça parecia que entraria em circuitos.

    - Você... - sacudi a cabeça para os lados, enquanto fechava os olhos, para depois voltar os abri-los. - Você quer que eu acredite nesse absurdo? - voltei a fitar, seu rosto era sério, sem um único vestígio de brincadeira. - Bruxas não existem! - hesitei. - Não que eu saiba... agora só falta a senhora falar que vampiros também existem.

    - Vampiros não, mas lobisomens sim. Quer dizer, licantropo como eles gostam de ser chamados.

    Eu estava estática, olhava incrédula para minha avó.

    - A senhora está louca! - levantei-me do sofá, meu cenho franzido. - A senhora pensa que eu sou o quê? Uma criança de três anos que vai acreditar que lobisomens e bruxas existem?

    Ela só podia está zoando com a minha cara. Tudo aquilo não passava de um tremendo absurdo. Tsunade só podia está querendo alguma coisa com aquela conversa estranha: me desfocar do real motivo dela não ter que contar seu segredo. Mas uma coisa não se encaixava, ela não parecia nervosa ou algo do tipo, ela dizia aquelas coisas com tanta certeza, numa seriedade impressionante que me deixava tonta. Era isso que ela queria que eu pensasse, certo?

    - Siadaj teraz. ? sua voz baixinha murmurou aquelas palavras de um dialeto estranho por mim. E num segundo eu estava em pé a olhando com minha pior cara, e no outro segundo, uma força estranha me empurrou de volta para o sofá.

    Senti minha cabeça sair de órbita enquanto meus olhos se arregalaram ainda mais. O que tinha sido aquilo? Que sensação foi aquela? Parecia que o ar tinha se comprimido e me jogado para trás. Ergui meus olhos assustados para minha avó que estava sentada no seu lugar, como se nada houvesse acontecido. E naquele momento a ficha havia caído. Parecia que minha mente estava fechada e que só agora eu consegui abrir.

    Tsunade de alguma forma estava mesmo falando a verdade. Ela era uma bruxa. Aquele ar me puxando para trás aconteceu depois que ela disse aquelas palavras estranhas. Como aquilo poderia ser possível?

    Bruxa? Tsunade é uma bruxa. Bruxa. Bruxa. Bruxa. Não!

    - Como... como você fez isso? - murmurei, minha voz saindo como um miado, minha boca seca e com um gosto amargo.

    - Magia. - ela respondeu - Vou contar-lhe tudo desde o começo , eu só peço que não me atrapalhe antes que eu termine.

    Não respondi, apenas não conseguia parar de fitá-la, abismada. Aquelas informações estavam me deixando redondamente atordoada. Meu corpo estava tensionado, eu havia entrado em meu modo automático, sem perceber.

    Tomando o meu silêncio como um sim, Tsunade remexeu seu corpo no sofá, arrumando uma posição mais confortável, seus olhos não saiam de mim nem por um minuto.

    - Como eu disse antes, eu sou uma bruxa. - ela começou. - E você também é.

    Minha boca se abriu e depois voltou a fechar, não consegui formular uma única palavra. Tudo estava confuso demais. Erainformação demais.

    - Bruxa? - murmurei, desviando meus olhos dos dela para as minhas mãos gélidas que se entrelaçavam umas nas outras.

    - Sim. - ela me respondeu. - Bom, não uma bruxa completa, pois você ainda não passou pelo ritual de purificação e a benção do nosso Deus AEsir.

    Ergui meu olhar para ela.

    - Ritual? - soltei uma risada nervosa. - Isso está ficando estranho demais.

    - Pode parecer estranho, mas estou te contando num modo mais fácil.

    Fácil? Ainda nem consegui digerir que ainda que sou uma ?bruxa?. E pelo visto eu sentia que não tinha parado por aí e que mais coisas viria.

    - Os bruxos em geral são pessoas Sakura, nós temos uma vida normalmente como de uma pessoa normal, mas nós temos magia. - ela começou, tentava guardar o máximo de informação possível. - Existem vários bruxos espalhados pelo mundo. E temos uma hierarquia, uma espécie de governo, e esse governo é comandado na Polônia, meu país de origem. Meu avô Hashirama, foi um dos maiores bruxos poderosos que já existiu. Sua força e magia inspiravam os outros bruxos, e sua lei era seguida a risca para aqueles que o seguia. E esse foi um dos motivos dele ter se tornado uma espécie de líder.

    - Líder? - questionei.

    - Sim. É como se fosse um rei, onde todos seguem suas ordens. - assenti, e ela continuou: - A sede fica localizada nas montanhas Trata, fronteira com a Eslováquia. Usamos uma espécie de magia para ocultar o castelo de pedra erguido há séculos atrás por nossos ancestrais.

    - Então... - comecei, minha cabeça tentava trabalhar e juntar todas as partes daquela história que eu pude entender. - Se o seu avô é um ?rei? então você...

    - Eu perdi meu lugar na realeza quando eu abandonei meu clã e fugi com seu avô.

    - Ah.

    - Os bruxos Poloneses seguem os costumes antigos, são normais casamentos arranjados. - ela disse. - Eu estava com o meu casamento marcado com um bruxo que meus pais escolheram para mim quando eu fugi com Dan. Nós mantínhamos um romance escondido há algum tempo e eu acabei engravidando de sua mãe nesse tempo enquanto faltavam alguns dias para eu me casar.

    Eu me lembrava dessa história, bom só uma parte que ela havia fugido. Ela continuou:

    - Assim quando cheguei aqui em Konoha, soube que essa cidade era o território dos licantropos. Não tardou para que o Alpha viesse até mim tirar satisfações. Nesse dia fizemos um acordo. Eu protegia a cidade com a minha magia, e em troca eles me deixava morar em paz aqui em suas terras.

    - Você e o... - hesitei em falar. - Esses bichos... vocês ainda mantem contato?

    Ela riu humorada com a minha cara tensa.

    - Não é bicho, Sakura. - ela riu mais um pouco. - Eles que não a escute os chamando assim. Eles são pessoas, sabia? E sim, ainda mantenho contato com eles.

    - Ah. - desviei meus olhos para o chão, me sentindo uma idiota.

    Minha cabeça zumbia, meu cérebro parecia que entraria em pane. Eu precisava de tempo para digerir todas aquelas informações. É coisa demais para eu poder digerir.

    - Eu preciso de um tempo. - falei, enquanto apoiava minha mão no braço do sofá e fiquei de pé.

    - Claro, querida. - vovó fez a mesma coisa, ficando a minha frente. - Eu lhe entendo. Depois nós terminamos de conversar.

    Assenti, e não ousei pensar duas vezes e saí da sala, subindo as escadas. Não olhei para trás.

    Já no quarto e com a porta fechada, fui até a janela, abri as cortinas e olhei o tempo estável lá fora. Abri a janela, e permiti deixar que o vento enjoado e frio entrasse pelo cômodo. Minha pele se arrepiou, e respirei aquele ar gelado para dentro de meus pulmões. Fechei meus olhos, enquanto minha mente formulava imagens de possíveis seres.

    Tudo o que eu havia acreditado esse tempo todo não passava de uma grande fachada. Minha avó acabara de me dizer que era uma bruxa, e isso não ficava por aí; ela era da realeza e que havia perdido seu lugar no trono para fugir com meu avô, para o Japão. Passei minha vida toda pensando que eu era normal. Nunca passou pela minha cabeça que eu fosse diferente das demais pessoas. Eu nunca senti nada de diferente comigo. Nada.

    A minha herança sanguínea que eu tinha herdado de minha mãe, que tinha herdado de minha avó, era mais forte do que eu pensava. Havia uma história por trás disso, e o currículo de minha árvore genealógica era enorme. E eu era uma bruxa incompleta.

    Suspirei.

    Abri meus olhos, fitando a floresta verde que ficava a minha frente. Parecia calma, parecia traiçoeira. Nunca gostei de florestas, e ter uma visão de uma que ficava bem de frente para o meu quarto, me deixava com vertigem. E sabia que florestas era o lar dos lobos, ou licantropos como Tsunade falara.

    Fechei a janela, minha pele estava gelada. Eu tinha que fazer alguma coisa para mudar a rota de meus pensamentos antes que eu enlouqueça.

    Peguei minha mochila que estava num canto do chão e fui para minha cama. Eu tinha que estudar para a prova amanhã, e era isso que eu iria fazer.

    Mas isso foi a pior ideia que eu já tive.

    As horas passaram, e eu não conseguia entender nada. Tudo o que eu lia, escapava pelo ar, não entrava em meus ouvidos. Eu novamente estava em meu modo automático. Eu lia o que estava no caderno, mas minha mente estava longe.

    Depois de quase cinco horas, eu desisti. Deixei o caderno de lado e me joguei de costas na cama. Fiquei fitando o teto, meu quarto estava iluminado só com a luz do abajur. A noite havia caído lá fora, reforçando o frio e os pingos da chuva que começava a molhar a minha janela.

    Shion fazia uma falta nessas horas, só ela para me tirar dessa pré-paranóia pôs verdade descoberta. Ela saberia me dar um conselho, bom não um conselho saudável, mas alguma coisa para me fazer sentir menos acabada.

    O silêncio de meu quarto foi quebrado pelas batidas na porta.

    - Está aberta. - não ousei desviar meu olhar do teto, pois sabia muito bem quem era.

    - Querida, o jantar está pronto. - a voz de Tsunade soou em seguida, me obrigando a fitá-la.

    - Estou sem fome.

    - Você precisa comer alguma coisa - ela adentrou mais o quarto, parando de frente para a minha cama. -, você não comeu quase nada no almoço.

    Meu rosto se contorceu de descontentamento, e me sentei.

    - Eu realmente não estou com fome. - falei baixinho, abraçando minhas pernas contra o meu peito.

    Tsunade me fitava, seu rosto estava sereno. Ela suspirou profundamente e sentou-se na ponta da cama, colocou uma mão em meu joelho.

    - Está se sentindo bem? - sua voz saiu mansa como uma pluma.

    Balancei minha cabeça para os lados.

    - Eu só estou me sentindo cansada... é muita coisa para pensar. - apertei mais minhas pernas contra o meu corpo. - Eu passei a minha vida toda pensando que eu era uma pessoa normal e de uma hora para outra tudo vira de cabeça para baixo.

    - Eu sei que não está sendo nada fácil para você. Mas acredite que tudo vai melhorar.

    Ergui meu olhar para ela, que me olhava tênue.

    - Por que você não me disse antes quem eu era...

    Mordi o lábio com força, não consegui falar a palavra. Soava estranho eu me referir como uma bruxa.

    - Você estava passando um momento difícil com a perda de seus pais. - ela começou. - Não queria jogar essa bomba de uma hora para outra. Eu precisava te dar um tempo primeiro. Eu queria te contar aos poucos, e não como eu fiz agora.

    - Eu estou me referindo antes. Antes de tudo isso acontecer.

    - Ah. - ela pareceu sacar o que eu quis dizer. Desviou seu olhar por um momento dos meus para o chão. - Sua mãe queria que você vivesse uma vida normal.

    - Então minha mãe sabia. - falei mais para mim mesma.

    Ela voltou a me olhar.

    - Sim. - e continuou: - Mas ela não iria poder esconder isso de você para sempre. Uma hora você teria que saber, mesmo não sendo pela boca dela, mas sim quando seus poderes florescessem, eles iriam te mostrar.

    - Poderes? - franzi o cenho. Mais coisas. ? Eu não tenho poder algum.

    - Eu percebi. - ela pareceu pensativa, desviando seus olhos dos meus para um canto qualquer, mas logo se voltou para mim. - Você não sente nada de diferente? - balancei minha cabeça em negação. - Alguma coisa sobrenatural?

    - Nada.

    Silêncio.

    - Isso não é bom. - ela murmurou, fitando novamente o chão.

    Soltei minhas mãos de minhas pernas e sentei-me de joelhos.

    - O que isso quer dizer? - eu quis saber, minha voz saindo afobada. - Tem alguma coisa de errado comigo?

    Ela voltou a me fitar.

    - Não é bem isso. Mas pela sua idade você já era para ter percebido algum vestígio de poder percorrendo por seu corpo. Foi assim comigo e com sua mãe também.

    - E aí? - prendi a respiração.

    - Eu temo que quando eles despertarem seja forte o suficiente para você conseguir suportar.

    Arregalei meus olhos levemente, meu coração batia várias batidas aceleradas.

    - Fique calma. - Tsunade colocou suas duas mãos em meus ombros. - Não entre em pânico. Eu irei pesquisar mais a fundo o seu caso. Tudo vai dar certo. - ela sorriu confortante.

    Permiti-me relaxar, soltei todo o ar que prendia. Assenti, mas eu sentia receios de que alguma coisa de ruim pudesse acontecer, já que a minha má sorte andava piamente ao meu lado.

    - Eu já vou começar a preparar os elementos para o ritual. - entrei em alerta, e ela continuou: - Explicarei isso depois. Está marcado para o final do mês, temos que pegar os raios da lua de sangue.

    E na mesma hora eu me lembrei do título que havia naquele livro lá no porão.

    Ritual da Lua de Sangue. Agora as coisas fazia mais sentido. Mas ainda sim, havia vários pontos para serem esclarecido, e por hoje eu estava abarrotada.

    - Bom, vou deixar um sanduiche e um suco para você comer quando for dormir. Saco vazio não para em pé. - vovó disse, ficando de pé.

    - Tá, eu comerei. - falei e ela sorriu. E um lampejo passou pela minha cabeça. - Vó, existem quantos bruxos aqui em Konoha?

    - Só a gente e os Hyuuga.

    Senti meus olhos arregalarem. Hyuuga? Espera...

    - Então a Hinata ela é uma...

    - Sim. - disse vovó. - Ela é uma bruxa também, assim como toda a sua família.

    Por essa eu também não esperava. Hinata? Bruxa? Senti o ar sair todo de meus pulmões. Tsunade continuou:

    - Os Hyuuga são uma família baronesa, eles viviam no castelo junto com os Senju. Eles vieram fugidos da Polônia depois de um golpe militar contra a minha família que foi exilada do poder a cinco anos.

    - Golpe?

    Ela assentiu.

    - Não estou à pá da real situação, mas o que eu soube é que o homem com que eu iria me casar na época de minha revolta usurpou o trono Senju. Todo o nosso clã foi exterminado. Nós somos as únicas sobreviventes.

    Quanto eu pensava que as coisas estavam amenas, mais histórias eram erguidas. Tsunade estava com a boca franzida, e sua mão estava fechada num punho cerrado. E eu soube que ela sofria pela perda de seus parentes.

    Não consegui dizer nada. Nada passava pela minha cabeça. Ela continuou:

    - Uns meses antes dos Hyuuga vierem para o Japão, eles conseguiram por sorte entrar em contato comigo, descreveu todo o acontecido, e declarou que perdeu sua esposa nesse meio tempo. - ela deu uma pausa e me olhou. - Eu fiz outro acordo com os lobos para deixar os Hyuuga viverem aqui. Eles poderiam está sendo seguidos ou rastreados e aqui em Konoha eles iriam ter proteção. Mesmo eles sendo bruxos poderosos, os Hyuuga são muito sensíveis, os seus dons são muito apurados.

    - Meu Deus. - murmurei.

    - Tem muitas coisas que você ainda não sabe, muitas mesmo. Mas eu te conheço o suficiente para saber que você está em tempo de enlouquecer. - ela tocou meu braço, e sorriu amorosamente. - Temos tempo ainda para explicar tudo. - ela desviou seus olhos para meu caderno na cama. - Estudando?

    - Tenho prova de geografia amanhã. - falei automaticamente.

    - Hm. - ela voltou a me olhar. - Então quando terminar de estudar, coma o sanduiche e o suco e depois vá dormir. Não fique pensando muito ou madrugando a noite inteira.

    - É meio difícil.

    - Mas você tem que relaxar. - ela tirou sua mão do meu braço. - Bom, eu vou jantar sozinha e qualquer coisa eu estarei no escritório.

    - Tá.

    Ela deu um beijo em minha testa, passou as mãos pelos meus cabelos.

    - Eu amo muito você, minha neta, nunca se esqueça disso.

    - Eu sei. - tentei sorrir de leve, mas meus esforços foram em vão.

    Tsunade saiu do quarto, me deixando sozinha novamente com os meus pensamentos conturbados. Acordei hoje de manhã pensando que tudo seria a mesma coisa, um dia tedioso na pacata cidadezinha frienta de Konoha. Mas tudo começara a desandar, primeiramente com o trabalho que eu tinha que fazer com minha parceira que era a pessoa mais estranha que eu conheço, e que mais tarde descubro que é uma bruxa. Tive meu momento triunfal com o garoto mais estúpido e lindo que eu já vi em toda a minha vida, e que colou em meus pensamentos. E para fechar com chave-de-ouro, a minha tarde foi deslumbrada com o descobrimento de quem eu era de verdade.

    Bruxa.

    Tudo num único dia que eu pensei que seriam comum e entediante como nos outros. Um dia que vai ficar marcado em minha memória para sempre.

    E o que mais eu teria para descobrir?

    Eu torcia para que nada seja tão impactante como a minha verdadeira identidade. Acho que nada vai ser tão impactante do que isso.

    Bom... é o que eu espero.


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