Lua de Sangue

Tempo estimado de leitura: 10 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 7

    Descobertas

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    O fim de semana se passou arrastando e tedioso. E isso devido a alguns motivos.

    Primeiro: eu estava chateada com Tsunade por ela não confiar em mim o suficiente para me contar o que estava havendo de errado. Esses dois dias ela passou enfurnada dentro de seu escritório, e isso só me deixava mais desconfiada do que eu já estava, e me perguntando o que ela tanto fazia enfurnada ali dentro trancada.

    Segundo: era que passei esses dias pensando em Sasuke e do nosso beijo caloroso por detrás do colégio. Eu sei que eu estava bancando a tola por perder meu tempo pensando em alguém que não estava nem aí para mim, mas eu não conseguia controlar o rumo em que minha mente tomava.

    Pensei que na segunda-feira ele fosse reagir diferente depois de sexta, que de alguma forma ele me procurasse e tentasse, sei lá, alguma coisa, que falasse alguma coisa. Mas ele estava agindo diferente, agora ele me ignorava de vez. Nem os seus olhares indiscretos que ele mandava para mim na hora do intervalo ou nas aulas de matemática ele não dava mais. E na terça-feira foi a mesma coisa.

    Eu sempre o via de rabo de olho sentado com seus amigos no intervalo, ele agora mantinha as costas para mim. Parecia indiferente, como se aquele dia não existisse, como se eu não existisse. E nem o mesmo ônibus que ele passou a pegar para vir à escola, ele não pegava mais. Nem ele e nem os seus amigos, Naruto e Karin. Aquilo de alguma forma estava me incomodando...

    Mas que droga, qual era o meu problema afinal? Não era isso que eu queria? Que ele me ignorasse e parasse de mandar olhares indiscretos para mim?

    Suspirei cansada, enquanto voltei a minha atenção na explicação da matéria que o sr. Sarutobi dava. As provas haviam começado nesta segunda, e os professores estavam passando revisões e trabalhos.

    - Alguma dúvida na matéria, turma? - O sr. Sarutobi perguntou para turma, recebendo o silêncio e algumas negações em troca. - Já que ninguém tem dúvidas, passarei um trabalho desse tema, A Ação Gênica Complementar, para ser entregue na próxima terça, no dia da prova. - a turma reclamou e ele continuou: - Silêncio. O trabalho é em dupla, especificamente seus parceiros ao lado. Valendo a metade da nota da prova.

    Trabalho com o nosso parceiro? Automaticamente olhei para minha parceira ao lado que parecia alheia, olhando para frente. Ela estava tranquila como sempre, como se o professor não tivesse falado nada. Como se ela não tivesse entendido que era comigo que ela iria fazer o trabalho. Nem sei como eu iria perguntar como nós iriamos fazer o trabalho e onde especificamente. Não estava com um pingo de vontade de puxar assunto com ela. Eu tinha feito a minha parte antes, tentei ser gentil, mas eu tinha levado respostas grosseiras da parte dela, enquanto me ignorava. Sem contar que quando ela falava alguma coisa, ela dizia nada com nada.

    Hoje eu havia percebido que ela não escutava nada, pois não ouvia os chiados que vinham de seu capuz, se ela ouvia alguma música, o volume deveria está muito baixo.

    Voltei minha atenção para o professor que começou falar:

    - Bom, eu quero que vocês me tragam uma tabela com o cruzamento de dois tipos de flores, e um quadro de resumos destes resultados. - ele se virou para o quadro e começou a escrever os tópicos do trabalho. - Que tenha nesses resumos: A proporção clássica, Epistasia dominante, Epistasia recessiva, Genes duplos com efeitos cumulativos, Genes duplos dominantes, Genes duplos recessivos, Interação dominante e recessiva de casa genótipo.

    Eu copiei todos os tópicos no caderno para não esquecer. Hinata fazia o mesmo, bom pelo menos ela estava se interessando.

    Depois o sinal do término da aula havia tocado, fazendo todos se levantarem e saírem. Levantei-me da cadeira, jogando minhas coisas na mochila. Hinata havia saído primeiro, e como eu tinha imaginado, ela não disse uma só palavra do nosso futuro trabalho que iriamos fazer. Também não iria correr atrás dela para depois levar uma patada. Se ela quisesse ela que teria que vir até mim, caso o contrário eu iria fazer o trabalho todo sozinha e daria um jeito de entregá-lo como individual.

    Quando estava quase na porta fui abordada por Lee, como todas as manhãs ele me abordava.

    Rock Lee não era tão ruim, era assim que eu pensava quando entrei aqui na escola e nos meus primeiros dias. Pensei que toda aquela atenção dele voltada para mim fosse só um jeito gentil dele comigo, já que eu era a novata. Mas conforme os dias foram passando, eu percebi que não era por aí que a banda tocava, e o que eu temia estava acontecendo. Lee estava interessado em mim, e ele não fazia questão em esconder aquilo. As pequenas conversas que tínhamos quando estávamos juntos, sempre me deixava numa saia justa, pois eu percebia descaradamente seu jeito ousado, jogando charmes - que não tinha - para cima de mim.

    - Que pena que o trabalho em dupla seja com os nossos parceiros ao lado. - disse ele ao meu lado, enquanto saíamos da sala. - Caso contrário eu te chamaria para fazer comigo.

    Seus olhos redondos como de uma amêndoa olhavam para mim. Seu cabelo de tigela estava mais brilhante que o normal, e o cheiro de seu perfume era enjoativo demais, me causava náuseas. Esse garoto não percebia que nunca irá conquistar ninguém se ficar tomando banho de perfume?

    Parei do lado de fora como todos os dias para esperar Ino, e Lee parou ao meu lado.

    - Mas que pena que teremos que fazer com nossos parceiros. - falei, medindo minhas palavras para que ele não pensasse o contrário.

    - Pena mesmo. - ele se recostou na parede ao meu lado, agora olhava para o chão.

    Desviei meus olhos até a sala de Ino que ainda se mantinha fechada.

    Droga, Ino, apareça logo.

    - Eu... - começou Lee, me fazendo olhá-lo. Ele estava levemente corado, e eu já me preparava para a bomba do dia. Ele ergueu seus olhos para mim. - Eu estive pensando se você... - ele corou mais. - Se você não... se você não quer tomar um sorvete hoje depois da aula.

    Fiquei um pouco sem jeito de como eu iria sair daquela situação e não magoar os sentimentos de Lee, que apesar dele ser um porre, não queria o vê-lo chateado. E fala sério, sorvete num dia frio, ninguém merece.

    - Err, Lee. Não vai dar. Hoje não. - sua expressão esperançosa agora dera lugar a uma expressão desolada e decepcionada. - Eu tenho que estudar para as provas. Ahn, a minha avó não iria me permitir sair assim.

    Aquilo era uma meia verdade, apenas a parte de estudar para as provas.

    - Ah. - ele murmurou olhando o chão por um momento, num modo pensativo, até seus olhos voltarem até mim. - E sábado? Não temos aulas.

    - Esquece, Lee, Sakura é minha e de Tenten no sábado. - a voz de Ino soou atrás de mim, deixando-me aliviada por vê-la.

    A fitei, ela que tinha parado ao meu lado, e olhava para Lee.

    Lee olhou para mim novamente desolado.

    - E verdade? - ele perguntou. - Você não...

    - Não vou poder ir. - me senti péssima por vê-lo daquele jeito. - Eu marquei com a Ino primeiro.

    - Uma semana adiantada. - completou Ino sorrido vitoriosa.

    - Tudo bem. Deixamos para outro dia.

    Apenas assenti com a cabeça, o vendo se afastar de nós. Suspirei aliviada por ter saído daquela.

    - Acho que te livrei de uma boa enrascada, não é? - olhei para Ino que sorria.

    - Você tinha razão.

    - Em quê? - ela arqueou a sobrancelha, curiosa.

    - Que Lee é um porre.

    Ino riu, jogando seu braço no meu ombro direito.

    - Eu te disse, e nem acredito que você percebeu isso.

    - Pois é. - concordei.

    Eu nunca me senti tão feliz por ter marcado aquele encontro de garotas no salão sábado. Caso contrário, eu nem saberia o que faria com Lee, já que eu não era muito boa com mentiras, e uma hora ou outra eu era sempre desmascarada quando resolvia mentir, o que foi no caso de Ino.

    Fomos para nossa próxima aula, história, onde faríamos a prova do dia. Eu tinha estudado o dia todo ontem, e parece que Ino não havia feito o mesmo, já que eu tive que passar as respostas para ela que havia sentado atrás de mim por causa disso.

    Depois que a aula acabou e mais as outras três que foram chatas, o intervalo havia chegado. O tempo havia se mantido seco e frio desde sexta-feira, o que fazia nós lancharmos do lado de fora. E mesmo que aquele vento frio batendo em nossos rostos não nos impedia de comermos ao ar livre do que dentro do refeitório, onde era mais abafado e as vozes dos alunos ecoavam nos ouvidos.

    Vi Sasuke de longe, estava de costas para mim, como das outas vezes, seus amigos de frente para ele, acrescentando Kiba e Sai no pacote de amizade e mais outro menino de cabelos castanho e mais jovem, deveria ter uns treze ou quatorze anos.

    Senti uma ponta de decepção me atingindo como agulhas, deixando-me mais agitada e zangada por estar sentindo aquilo. Não entendia o que estava havendo comigo, e percebi que de uns dias para cá, eu estava de alguma forma obcecada com aquele grupo de três pessoas.

    E assim se passou o intervalo, e na aula de matemática o percebi indiferente, olhando sempre para a frente, para o quadro abarrotado de contas que o sr. Hatake passava. Sua prova seria na sexta agora.

    Senti raiva de mim mesma por dá importância para um cara que fingia que eu nem existia, e raiva dele por me deixar nesse estado histérico e maluco.

    As aulas acabaram e saí do prédio, indo em direção ao ponto do ônibus, onde os mesmos estavam ali parados. No meio do caminho eu o vi mais uma vez, estava encostado no outro ônibus depois do meu. Estava sozinho, e teclava alguma coisa no celular.

    Como se os meus olhos fosse algum tipo de alto falante que o chamava, ele ergueu seus olhos para cima, direto para mim.

    O primeiro olhar depois de dias me ignorando.

    Senti meu estômago dar cambalhotas e meu coração estúpido bater mais forte.

    Nós ficamos ali, naquela troca de olhares silenciosos. Ainda sentia raiva dele por ter agido como um canalha e me tratado como uma qualquer. E com todos esses fatos que vinha acontecendo, e minha irritação que começava a ser crônica apelou para o motivo que eu fiz a coisa mais ridícula que havia passado pela minha cabeça.

    Eu levantei os dois dedos do meio para ele.

    Sabia que aquela minha atitude era infantil e idiota, o que quebrava os padrões de ética de etiqueta de uma pessoa culta e educada, mas eu não consegui evitar. Eu queria mostrá-lo o quanto eu estava zangada com ele. Eu queria desafiá-lo. Eu estava pronta se caso ele viesse até mim tirar satisfações desse meu gesto besta. Eu estava pronta para dizer umas boas verdades na cara dele. Falaria o quanto ele era um imbecil estúpido. Eu queria fazê-lo perceber que eu era superior as suas atitudes loucas e insanas.

    Pude ver de camarote seu rosto ficar surpreso com meu ato ousado de devolver aquele gesto ridículo e mal criado que ele mandou para mim no meu primeiro dia. Acho que ele nunca pensou que eu fosse fazer aquilo. Nem eu mesma imaginava que eu fosse fazer aquilo. Mas aquele pequeno puxar de lábio para cima que se abria aos poucos num pequeno sorriso torto - porém arrebatador - tinha me pegado totalmente desprevenida.

    A última coisa que eu pensei que ele fosse fazer era vê-lo sorrindo, um sorriso lindo que fez uma onda de calor evaporar em meu corpo.

    Ele balançava a cabeça para os lados, enquanto segurava a ponte do nariz com dois dedos. Seus ombros subindo e descendo diante da pequena risada que ele tentava miseravelmente prender.

    Ele estava achando graça do que eu tinha feito, me fazendo sentir pequena e idiota, a pessoa mais infantil do universo.

    A única coisa que eu fiz, depois da minha cara ter arrastado no chão de tanta vergonha, eu apressei mais os passos e entrei no ônibus, tão atordoada que nem cumprimentei o Iruka que havia falado alguma coisa comigo que nem compreendi.

    Uma nota mental: Nunca dê o dedo do meio para seu inimigo. Ele pode começar a rir e você se sentirá ridícula.

    Sentei-me no lugar onde eu sentava com Gaara, e alguns minutos depois ele sentou-se ao meu lado. A viagem foi silenciosa, pelo menos da minha parte que preferia ficar calada e remoendo as minhas atitudes impensadas, o que me fez parecer uma criança na frente de Sasuke. Gaara tentou puxar conversa, mas eu estava insuportável com as minhas respostas monossílabas, e ele apenas desistiu.

    Estúpida! Idiota! Eu me repreendia internamente o caminho todo.

    Entrei em casa ainda perdida em pensamento, quando o cheiro de comida invadiu minhas narinas.

    Joguei a mochila no sofá e caminhei para a cozinha encontrando Tsunade mexendo nas panelas. Ela estava de folga do trabalho hoje, e apesar de eu poder ir e vir de carona que ela havia me oferecido, eu recusei. Ainda estava chateada com o lance de sexta-feira. Não havia engolido aquela desculpa de que não estava acontecendo nada de errado. E alguma coisa me dizia que encontrarei algo em seu escritório que ficava fechado a sete chaves, como se ali dentro tivesse algum tesouro perdido que ela não queria que ninguém encontrasse.

    - Já cheguei. - parei no portal da cozinha atraindo sua atenção para mim.

    - Oi, querida. - ela sorriu. - Como foi à aula?

    - Bem.

    - Estou fazendo carne em tiras com macarrão. Gosta? - ela mexia a panela e me olhava ainda sorrindo.

    - Gosto sim. Ahn... eu vou subir e trocar de roupas.

    - Vai, e não demore muito, pois a comida já está quase pronta.

    Saí de lá, e subi para meu quarto deixando a mochila em cima da cama. Não havia mais sentido aquela sensação incômoda de que alguém me observava depois daquele dia em que um lobo estava espreitando em frente de casa. E por um momento a ideia de que era o lobo aquele tempo todo que me olhava passou pela minha cabeça.

    Tsunade não tocou mais naquele assunto, e depois que o episódio havia passado e de eu ter ficado mais calma, eu pude pensar melhor. Tsunade de alguma forma tentou me confundir dizendo que era o cachorro de algum vizinho por perto, mas eu sabia, eu tinha certeza que era um lobo. Eu nunca tinha visto um lobo na minha vida, mas eu não era tão burra ao ponto de confundir cachorro com um lobo. Eu sabia o que eu tinha visto, e sabia que eu estava certa e que Tsunade estava escondendo mais coisas.

    Depois de ter trocado aquelas roupas por uma mais leve, um vestido de mangas compridas que ela havia me dado verão passado quando foi passar as férias em Tóquio, desci até o andar debaixo. Entrei na cozinha, vendo que vovó estava colocando os pratos em cima da mesa.

    Almoçamos, e eu me mantive quieta, assim como me mantive quieta aqueles dias que haviam se passado. Ela puxava assunto para quebrar aquele silêncio que estava ali. Eu apenas a respondia com "Hm" e "Uhum", não estava a fim de falar com ela. Preferiria ficar pensando as mil possibilidades que eu tinha para poder invadir o seu escritório sem que ela saiba.

    - Sakura, o que está acontecendo? - ela quis saber, enquanto depositava o garfo no prato e me olhava com uma cara séria.

    Apenas olhei para ela, demostrando o quanto eu estava chateada com suas atitudes. Eu já estava farta de tudo aquilo. Não estava mais aguentando toda aquela hipocrisia que acontecia em minha vida. Eu queria simplesmente desaparecer.

    - Jura que a senhora não sabe? - minha voz saiu sarcástica, um pouco rebelde.

    Ela franziu o cenho, levemente irritado. Tsunade era uma excelente pessoa, uma avó muito boa e eu não tenho que reclamar que ela é uma avó ruim, mas ela tinha pavio curto e se zangava atoa.

    - Não fale comigo nesse tom. - sua voz saiu alta e zangada. - Quem você pensa que eu sou?

    Apenas a encarei seus olhos, sentindo aquela vontade de chorar tentando me controlar, mas reprimi o choro para dentro.

    - Eu já estou farta disso tudo. - declarei. - Eu não aguento mais saber que a senhora me esconde coisas. Eu sei que não devo ficar exigindo nada, mas pelo menos eu queria que a senhora fosse sincera comigo.

    Ela permaneceu calada, me olhando enquanto eu colocava tudo o que estava entalado na garganta para fora. Eu pensava na possibilidade de eu está exagerando, mas eu andava tão estressada ultimamente que eu havia me tornado uma bomba relógio prestes a explodir a qualquer momento.

    - Eu não aguento mais...

    Seu rosto ficou surpreso quando viu as primeiras lágrimas descendo pelo meu rosto. Eu não havia conseguido segurá-las por muito tempo.

    - Meu amor - ela se levantou, quando eu me levantei, parando a minha frente. - Não fique assim. - ela pôs uma mão em meu ombro, seu rosto preocupado.

    E mais uma vez eu lamentei pela morte de meus pais. Eu os queria aqui comigo. Eu queria que mamãe estivesse comigo e que me embalasse como ela fazia quando eu tinha algum problema. Eu não queria sentir esse sentimento de traição, de sufocação. Eu não queria está nessa cidade chata e esquisita, onde as pessoas eram diferente das que eu estava acostumada. E principalmente... não queria ter conhecido Sasuke, que me fazia sentir tudo isso que eu estava sentindo agora.

    Tsunade me abraçou de um modo maternal. Era bom. Era colhedor. E aquilo me fez ter mais saudades de casa.

    - Shiii... não chore querida. - ela dizia enquanto me embalava com uma mão em meus cabelos. - Eu sei que muitas coisas estão te deixando assustada, mas eu garanto que nada vai te machucar. Você não precisa se preocupar.

    Sequei as lágrimas que insistiam em cair sem minha autorização, e ergui meu rosto, afastando-me daquele abraço.

    - Está melhor agora? - ela perguntou.

    Assenti, sentindo minha cabeça doer.

    - Eu vou para o meu quarto. - declarei.

    - Você não vai terminar de comer? - seu olhar era sério, desviando do meu prato quase intocável para mim.

    - Perdi a fome.

    Virei meus calcanhares e saí de lá antes que ela me obrigasse a sentar-se a mesa e comer tudo. Antes que eu subisse às escadas a campainha tocou.

    Suspirei pesadamente e voltei em direção a porta, me sentindo um lixo humano. Quando abri a porta não pude evitar a surpresa por ver quem estava do outro lado.

    - Hinata?

    Não sei como consegui pronunciar seu nome devido à surpresa de vê-la bater a minha porta. Mas, na realidade eu estava mais surpresa por vê-la pela primeira vez desde que a conheci sem aquele capuz na cabeça, deixando seus cabelos pretos e lisos esvoaçarem um pouco com o vento enjoado e frio que fazia ali.

    Ela me olhou, franzindo levemente o cenho. Deveria ter percebido meu rosto péssimo e vermelho devido o choro de agora a pouco. Tentei me recompor, com um pouco de dignidade parecer menos idiota por vê-la ali.

    - A sua avó está? - sua voz baixa soou, e pude perceber um leve sotaque, bem leve, que ainda não havia percebido.

    Minha avó? O que ela queria com a minha avó? Franzi a testa... espera... Tsunade conhece Hinata? Mas é claro que conhece. Konoha é uma cidade pequena onde todos se conheciam.

    - Você... o que você quer? - gaguejei, as palavras saindo tropeças umas nas outras.

    - A sua avó está ou não está? - sua voz saiu desta vez de forma cortante, mostrando uma leve irritação.

    - Tá sim.

    Ela continuava me olhando, como se eu fosse débil. Mas na verdade eu estava agindo como uma.

    - Ahn... quer entrar? - abri mais a porta, dando passagem. Ela entrou.

    Antes que e pudesse dizer mais alguma coisa à voz de Tsunade soou entrando pelo cômodo:

    - Hinata? O que faz aqui?

    Olhei para trás vendo minha avó se aproximar e ficar a nossa frente, olhando para Hinata de um jeito sério.

    - Eu preciso falar com a senhora. - Hinata disse sem rodeios, deu uma breve olhada para mim, desviando seus olhos para minha avó. - A sós.

    De alguma forma eu me senti excluída, como se minha presença fosse incômoda. E antes que eu mensurasse qualquer coisa para sair dali, a voz de Tsunade soou primeira do que a minha:

    - Oh sim, vamos para o meu escritório.

    Hinata assentiu, seguindo minha avó para o escritório secreto - como eu chamava agora - que nunca deixava ninguém entrar.

    Fiquei ali parada, vendo a porta se fechar. Eu me sentia uma idiota, uma excluída. O que Diabos aquelas duas tinham para falar? E o pior, Hinata a tratou ela com tanta intimidade como se as duas fossem íntimas há muito tempo.

    Novamente fui tomada por uma onda de confusão. Não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo. E eu sabia que alguma coisa estava acontecendo. E eu tinha que descobrir.

    Subi para meu quarto e bati a porta assim que entrei, e me joguei na cama. Eu estava irritada. Eu tinha que fazer alguma coisa. Eu tinha que descobri o que Tsunade esconde. Tinha que procurar alguma pista, qualquer coisa para que eu possa abordá-la depois, e fazê-la falar tudo.

    Ela disse que tinha segredos que envolviam segredos de mais alguém. Será que tinha alguma coisa haver com esse aparecimento repentino de Hinata em minha casa? Também tinha o fato em que ela havia desmentido que tinha alguma relação de amizade com os Uchiha, com o pai de Sasuke.

    Droga! Quando mais eu penso, mais tudo parece difícil de entender, as peças parecem não se encaixarem em seu devido lugar, e eu estava redondamente frustrada com isso.

    Fiquei ali deitada na cama olhando para o teto, até que duas batidas na porta chamaram minha atenção. Tsunade entrou no quarto, parecia cautelosa.

    - Sakura, eu darei uma saída rápida. - ela disse. - Mas não demorarei muito.

    - Algum problema? - perguntei, mas sabia qual seria sua resposta.

    - Quando chegar nós conversaremos.

    Ela nem esperou eu responder, apenas saiu do quarto e fechou a porta. Levantei-me da cama e corri até a janela. Vi Hinata esperando lá fora, olhando a floresta que havia logo à frente. Pouco tempo depois minha avó apareceu, desativando o alarme do Jeep e as duas entraram no carro e saíram em seguida.

    Fiquei olhando até o carro sumir na esquina próxima. Fiquei ali olhando mais um pouco para certificar-me de que elas não voltariam para trás. Corri para fora do quarto e desci as escadas correndo. Aquela era a minha chance para entrar em seu escritório se caso ele estivesse aberto. Parei em frente à porta e levei minha mão maçaneta e a girei.

    Eu estava com sorte. A porta estava aberta.

    Sentindo-me como se eu fosse uma criança fazendo arte, entrei no escritório. Como da primeira vez que estive ali, parecia que não havia nada de errado. Uma mesa retangular estava postada ao lado de uma janela com cortinas amarelo rendada, ao meu lado esquerdo havia uma estante com vários livros e alguns objetos de enfeite, nada de mais. Também havia alguns quadros pregados na parede, com pinturas de castelos antigos e paisagens, bem bonitos.

    Entrei mais adentro do cômodo, ficando de frente para a mesa que tinha alguns papéis, canetas e alguns fichários com capas pretas. Peguei uma das folhas e vi o conteúdo. Nada de interessante, só coisas relacionadas a seu trabalho, a mesma coisa com os fichários de capa preta. Talvez poderia ser só paranoia minha e que Tsunade estivesse só trabalhando, e ela fechava o escritório para não se incomodada.

    Mas como explicar na sexta à noite quando a chamei e ela não me respondeu? Sem contar o barulho estranho de madeira batendo antes de ela abrir a porta para mim depois que a chamei pela segunda vez.

    Resolvi investigar mais um pouco e fui verificar o armário de livros, e como o resto do escritório não havia nada demais.

    Suspirei enquanto eu fazia uma careta de descontentação, e fitei a janela lá fora. O vento fazia as folhas das árvores balançarem e se desapregarem, caindo no chão.

    Bom, realmente não havia nada demais. Até que...

    Parei.

    Mexi meu pé, e novamente escutei um barulho baixinho de madeira rangendo.

    Olhei para o chão que estava forrado com tapete azul e vermelho. Bati meu pé e pude escutar um som oco ecoar ali. Afastei-me, e fui até a ponta do tapete. Agachei-me, pegando a ponta do tapete e o jogando para o lado, surpreendendo-me com uma porta quadrada no chão.

    Fui até a porta e agachei-me novamente, passando os dedos pelo lastro das laterais, até chegar à pequena argola de um prata velho e encardido que estava com a dobradiça abaixada. Levei meus dedos e o levantei, ouvindo o pequeno ranger do metal. Agarrei aquela pequena argola e agora de pé e inclinada para frente, puxei aquela porta para cima, colocando todas as minhas forças, pois a porta era pesada. E com muito esforço e pela quinta tentativa eu consegui abrir.

    Olhei para baixo, vendo uma estreita escada de madeira, não pensei duas vezes e me preparei para descer. Com certeza eu não estava louca, Tsunade aprontava escondidinha, e eu tinha descoberto, quer dizer, estava para descobrir o que ela fazia.

    Desci a escada, sentido o cheiro de parafina, ervas secas e iodo. Tampei o nariz, não estava acostumada com aquele cheiro. Respirei por um tempo pela minha mão até tirá-la do meu nariz e boca, acostumando com aquele cheiro estranho.

    Não podia enxergar quase nada, e a iluminação que vinha lá de cima não me ajudava em muita coisa. Tentei forçar meus olhos a enxergar algum interruptor de luz, qualquer coisa para iluminar aquele porão escuro.

    Tateei as paredes às cegas até que encontrei o interruptor, e o liguei. A luz iluminou o local e meus olhos arregalaram com tudo o que havia ali. Levei minha mão à boca, chocada com as coisas totalmente bizarras e estranhas. Aquilo parecia um antro de bruxaria.

    - Mas o quê...

    Não consegui terminar a frase, devido meu espanto. O que diabos Tsunade fazia com aquilo tudo ali?

    Olhei ao redor, gravando os detalhes antigos que haviam ali. Havia três estantes com prateleiras. A primeira havia coisas, objetos estranhos. A segunda era pequena com matos, ervas, sei lá o que eram aquelas folhas. A terceira estante continha alguns objetos e livros, e pelo que eu via, eram antigos. No meio daquele porão pequeno tinha uma mesa, com várias coisas ali. Objetos de estatura antiga e desconhecida por mim. Algumas velas grossas e coloridas, umas pedras transparentes, e um livro grosso e grande no meio.

    Aproximei-me mais da mesa e a rodeei, deixando o livro de frente para mim. A capa era de um marrom velho com um pentagrama de uma estrela de seis pontas dentro de um círculo, e as letras escritas em preto diziam a seguintes palavras - Magiczne Ksi??ki - uma língua que eu não consegui entender.

    Deixei meus dedos tocarem a capa dura e crespa, enquanto sentia meu sangue correr pelas veias. Tombei minha cabeça para o lado e vi que tinham páginas marcadas. Movida pela curiosidade, eu abri aquela página amarelada e desgasta que estava marcada. E no topo escrita com uma letra antiga e cursiva, uma caligrafia perfeita que só as pessoas do século XV usavam.

    E logo em cima o título fez meu coração dar um salto, pois a escrita estava em nossa língua nativa.

    - Ritual da Lua de Sangue? - minha voz saiu baixa, meu cenho franzindo. Logo abaixo havia coisas escrita e uma lua desenhada e pintada de vermelho...

    - O que você está fazendo aqui?

    Olhei para frente assustada, meu coração batindo forte, parecia que sairia pela boca. Tsunade estava descendo a escada, sua cara não era nada boa, enquanto me fitava com seus olhos repreendores e sérios.

    Tentei me recompor. Não tinha nada para explicar, a única que tinha que explicar aqui era ela.

    - Eu que pergunto, vó. - consegui fazer minha voz sair, enquanto eu abria os braços. - O que é tudo isso?

    Ela ainda mantinha sua expressão séria, mas eu vi um brilho de hesitação em seu olhar e eu sabia que eu tinha descoberto seu segredinho. Um segredinho bem obscuro. Pois nunca, em hipótese alguma passou pela minha cabeça que minha avó estaria envolvida com assuntos de magia, e ela irá me explicar direitinho.


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