Lua de Sangue

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    Capítulos:

    Capítulo 6

    Calor

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Os dias se passavam lentamente e logo sexta-feira havia chegado. Não haviam ocorrido muitas coisas no decorrer da semana, foi tudo muito tedioso e confuso. A semana tinha sido de testes, trabalhos e deveres de casa juntando com matéria nova, já que semana que vem começariam as provas do terceiro bimestre.

    Não havia mais falado com Sasuke, depois daquele dia no ônibus. Ele continuava indiferente e me encarando toda vez que estávamos no mesmo ambiente. Aquilo começava a me incomodar.

    Seus amigos passaram agora ir e vim no mesmo ônibus que eu pegava. Os três sempre juntos. Não voltei a me sentar ao lado de Sasuke, pois Gaara continuava a guardar um lugar para mim ao seu lado, e eu agradecia por isso. Não queria sentar ao lado dele e muito menos perto de seus amigos. Mas alguma coisa dentro de mim ansiava por ficar perto dele, mas eu tentava ignorar. Pois Sasuke Uchiha era um ogro.

    Diante disso tudo que estava acontecendo, eu também havia percebido Tsunade um pouco diferente. Ela parecia apreensiva com alguma coisa, e tudo isso começou depois daquele dia em que ela chegou tarde em casa, o dia que houve o tumulto no centro comercial de Konoha. Ela não me falava nada, sempre me dizendo que tudo estava bem, e que era para eu me preocupar só com os meus estudos. Mas uma vozinha dentro de mim me dizia que alguma coisa estava errada.

    Mas isso era só a ponta do meu iceberg, pois com todas essas coisas acontecendo comigo eu ainda sentia a sensação de estar sendo observada quando estava em casa sozinha. Aquilo era sufocante, amedrontador. Eu sentia olhos me fitando, seguindo meus passos. Sentia que alguém estava prestes a entrar em casa. E por muitas vezes eu me tranquei dentro do quarto, especificando as janelas para ver se não estavam abertas.

    Teve vez que eu tomava coragem e abria a porta e olhava lá fora, mas para a minha surpresa não havia ninguém. E por um momento, diante dessas coisas entranha que vinham acontecendo nesse lugar esquecido por Deus, Sasuke me veio à cabeça.

    Ele poderia ser o autor por eu me sentir tão assustada com essas sensações de está sendo vigiada. Ele poderia está muito bem escondido enquanto olhava para mim. Mas logo descartei a hipótese, e que tudo isso era só fruto da minha imaginação que estava querendo me pregar uma peça e me deixar maluca.

    O que Sasuke iria ganhar com isso de ficar me olhando? Ele tinha deixado claro na nossa última conversa o quanto ele me repudiava, o quanto ele me odiava, sem eu ao menos ter feito nada para ele.

    Terminei de prender meus cabelos num rabo de cavalo alto, dei uma ajeitada na minha franja, a jogando para o lado, enquanto eu olhava meu perfil no espelho, vendo minhas pequenas olheiras ao redor dos olhos, sinal da minha noite mal dormida.

    Suspirei, tentando afastar o cansaço que estava pregando em meu corpo. Eu daria tudo para ter que ficar em casa. Não estava a fim de ir para escola. Não estava a fim de passar a primeira aula inteira ao lado de Hinata que ignorava a minha presença, me fazendo escutar os chiados de sua música gótica do Evanescence - que eu tinha descoberto antes de ontem, pois ela nesse dia estava com a música mais alta que o normal e reconheci a única música que eu conhecia desta banda -, o que me desconcentrava na lição que o sr. Sarutobi explicava. E muito menos estava afim de ser o alvo do olhar metralhador que Sasuke mandava para mim nos intervalos e nas aulas de matemática.

    Eu já estava começando a ficar farta daquilo.

    Caminhei até a cama e peguei minha mochila, saindo do quarto em seguida. Quando cheguei à cozinha Tsunade terminava de preparar uma jarra de suco de morango, um dos meus favoritos, enquanto a mesa já estava posta.

    - Bom dia, vó. - cumprimentei, sentando-me na cadeira.

    - Bom dia, querida. - ela me olhou e sorriu, desviando seus olhos de mim para a jarra onde ela terminava de mexer.

    Estranhei por vê-la ali mexendo o suco tranquilamente. Geralmente ela já estaria saindo para seu trabalho, e ela nem estava vestida formalmente como ela se vestia todas às manhãs.

    - Não vai trabalhar hoje? - perguntei a fitando, enquanto eu puxava o prato de torradas para mim.

    - Hoje entrarei um pouco mais tarde. - ela encheu um copo de suco e me entregou. - Eu posso te dar uma carona hoje.

    - Seria bom.

    Não conversamos muito durante o café da manhã. Tsunade me perguntava coisas aleatórias e banais, os de sempre; como eu estava na escola, o que iria fazer à tarde, essas coisas. E eu a respondia em modo totalmente automático, as palavras saiam sem eu ao menos perceber, pois minha mente estava longe, vagava desnorteada por um lugar totalmente desconhecido.

    Como eu não iria para a escola de ônibus, hoje eu saí um pouquinho mais tarde de casa, aproveitei uns minutinhos a mais que eu possuía para me preparar psicologicamente para mais um dia estressante na escola.

    Nunca disse para Tsunade que eu odiava Konoha e muito menos que eu odiava a escola. Eu sabia que ela estava se esforçando o máximo para que eu fique a vontade, para que eu me abite num lugar diferente do que eu sou acostumada. Eu tentava relevar os seus esforços, mantendo-me o mais natural possível, como se seus esforços para me ver bem esteja surtindo efeitos, mas eu sabia que era o contrário.

    Mas a única coisa que ainda me mantinha em sã e não ter me feito pirar de vez, era que eu mantinha minha mente em um só foco; que faltava um ano e meio para eu poder dar o fora de Konoha. Eu teria minha independência e voltaria para Tóquio novamente, onde eu faria a minha sonhada faculdade de medicina. Eu poderia tirar uns quinze dias por ano para voltar a Konoha visitar minha avó, ou poderia simplesmente mandar uma passagem de avião para ela poder ir me visitar. A segunda opção era a mais cabível para mim.

    Depois que Tsunade me deixou na escola, logo entrei no prédio. Não havia visto nenhum de meus novos amigos e fui direto para a sala que estava quase vazia e que aos pouco se enchiam depois que o sinal havia tocado. Hinata não tinha vindo hoje, deixando seu lugar ao meu lado vago. E mesmo ciente e um pouco aliviada por não ter que passar a aula inteira ouvindo os chiados da música alta que saía dos fones de ouvido que ela ocultava no capuz, eu me peguei curiosa para saber do por que dela ter faltado hoje.

    Será que havia acontecido algo com ela?

    A segunda aula tinha sido tediosa, e logo descobri que história - uma das minhas matérias favoritas -, tinha se tornado a matéria que eu mais abominava. A sra. Mitarashi era um porre nas explicações, e eu só não conseguia dormir nas suas aulas, pois Ino fazia questão de conversar a aula inteira de como sua vida estava sofria por causa da bota ortopédica no seu pé.

    Depois de mais duas aulas o intervalo havia chegado, para a saúde da minha sanidade. Ino falava o tempo todo, enquanto nós pegávamos nossos lanches e caminhávamos para as mesas redondas de concreto que havia lá fora no pátio aberto onde Gaara estava sentado sozinho. O dia pelo incrível que pareça estava mais ou menos, ou seja, não estava chovendo. E isso era um milagre, mas aquele maldito frio não ia embora, onde deixava minha pele gelada.

    - Cadê a Tenten? - Ino perguntou para Gaara assim que sentamos nos banquinhos de concreto.

    Gaara olhou para mim e depois para ela, com sua expressão calma.

    - Foi ao banheiro depois de deixar o lanche aí. - ele apontou com o queixo para a bandeja com um sanduiche embalado, um pacote de biscoito recheado, duas maçãs e uma latinha de refrigerante.

    - Uau, eu ainda não consigo entender como Tenten consegue comer isso tudo. - comentou Ino, enquanto abria o copo de seu suco de framboesa.

    - Com a boca.

    Ino ergueu o olhar para Gaara.

    - Há, Há! Estou morrendo de rir, no Sabaku.

    Gaara apenas revirou os olhos e focou em mim.

    - Oi, Gaara. - o cumprimentei, já que eu não havia visto ele até agora.

    - Oi. Você não veio de ônibus hoje.

    Abri minha garrafinha de suco de laranja.

    - Eu vim com a minha avó de carro.

    - Ah.

    Ino soltou uma pequena risada, olhando para mim e depois para Gaara, enquanto balançava a cabeça para os lados.

    - O que foi, Ino? - eu quis saber.

    - Nada. - ela desviou os olhos da gente para seu sanduiche natural.

    Gaara abriu a boca para falar, mas foi interrompido quando Tenten sentou-se ao seu lado de supetão, levemente ofegante.

    - Tenten? - questionou Ino, fitando-a.

    Tenten olhou para nós três que a olhávamos curiosos antes de dizer:

    - Cara, aquela Hinata me dar arrepios. - Tenten deu uma leve tremida.

    Franzi o cenho.

    - A Hinata está na escola?

    Tenten olhou para mim assentindo.

    - Eu a encontrei no banheiro. - ela começou. - Ela estava pálida, mais pálida do que ela é, parecia que estava passando mal. Eu tentei ser gentil, e coloquei uma mão em seu ombro, perguntando se ela estava bem. - ela fez uma pausa, olhando para nós três ao mesmo tempo. - Sabe o que ela fez? Ela deu um tapa na minha mão, e me empurrou com o ombro e saiu do banheiro, me deixando com cara de tonta.

    - É por isso que eu nem chego perto desse tipo de pessoa. - disse Ino. - Garota doida.

    - Completamente. - completou Tenten abrindo a embalagem de seu sanduiche.

    Agora eu não estava entendendo mais nada. Hinata estava na escola, mas por que ela não apareceu na aula de biologia? Ela estava passando mal? Aquilo estava estranho, mas colocando tudo em conta e do pouco que eu a conhecia, Hinata era estranha.

    - Sakura - chamou Ino, me fazendo sair de meus devaneios e olhá-la. -, disfarça, pois o Uchiha está olhando para você.

    Mas o quê?

    Eu não tinha o meu cabelo solto para usar como barreira e dar uma espiada e tirar a prova de que Sasuke me observava. Eu até tinha esquecido sua existência por um momento, um momento curto demais.

    Olhei de ombro para a minha direita e o vi. Ele estava a seis metros distantes onde eu estava com meus amigos. Estava sentado numa mesa com o corpo de frente para mim. Ele me olhava com seus olhos felinos, sem um pingo de descrição. Seu rosto era sério, sua boca numa linha reta. Senti minha boca secar, enquanto eu sentia aquele pequeno frio na barriga.

    Ele percebeu que eu estava alheia de seu olhar em mim, que eu havia o pegado no flagra, mas ao contrário dele se mancar e desviar o olhar, ele continuou me olhando, agora mais intenso. Minhas mãos começaram a soar, o primeiro sinal de nervosismo, enquanto meu coração batia e batia, num ritmo acelerado. E mesmo achando que aquele cara era completamente insano, e que eu deveria ignorá-lo, eu não conseguia desviar meus olhos dos dele. Parecia que ele era um campo magnético e eu era o Imã que era atraída para mais perto do seu magnetismo.

    - Nossa, ele nem ao menos disfarça. - a voz de Tenten me fez ter forças para desviar meus olhos dos dele, olhando para a mesa de concreto a minha frente, sentindo minhas bochechas ficarem levemente quentes.

    - Ele ainda continua olhando. - questionou Ino o fitando.

    - Aí, Sakura - começou Tenten com a voz risonha, atraindo meu olhar para ela. -, conquistando corações.

    Se eu estava envergonhada antes, agora eu juro que fiquei mais vermelha.

    - Não é nada disso Tenten. - minha voz saiu fraca.

    Ino desviou o olhar para ela.

    - Eu não acho que o Sasuke esteja interessado na Sakura. - a voz de Ino tinha saído seca, com um toque amargo, fazendo-me olhar para ela e perceber que ela olhava para mim.

    - Como não? - questionou Tenten. - Ele não tira os olhos da Sakura, e eu percebi que isso não é de agora.

    - A Ino está certa. - falei mais rápido que o normal, fazendo todos me olhar. - Ele não está interessado em mim.

    - E como você me explica ele sempre te olhando? - Tenten arqueou uma sobrancelha.

    - Eu não sei. Vamos mudar de assunto?

    - Deixe a Sakura em paz, Tenten. - disse Gaara que até então estava calado naquela conversa toda.

    Ele estava fitando sua latinha de Coca Cola, seu rosto sempre calmo, mas mesmo assim eu percebi um leve e quase não notável franzido em sua testa.

    As aulas de matemática tinham até passado rápido, diferente das outras aulas, e a única explicação para esse pequeno fenômeno, era por que eu estava mesmo concentrada noventa e nove por cento na aula e nas explicações do sr. Hatake. E o um por cento que sobrou, eu atribuía a pequena sensação incomoda do olhar que deveria se de Sasuke Uchiha me queimando as costas.

    Não olhei nenhuma vez para ele, eu já estava cheia daquela situação e a um ponto de explodir. Eu nunca gostei de ter a atenção de todos voltada para mim, eu preferia a discrição e passar sempre despercebida pelos olhares curiosos. Mas desta vez eu não iria me importar se todos me olhassem, enquanto eu fazia um escândalo no meio da sala. Eu apenas ficaria de pé e enfiaria o dedo na cara do Uchiha e perguntaria qual era a dele. O que tinha de errado comigo para ele ficar me encarando o tempo todo?

    Mas isso só ficaria na minha mente, com a minha imaginação expandido as hipóteses de como eu poderia ser uma louca de um minuto para outro, pois eu sabia que eu nunca teria coragem para fazer aquilo.

    Depois da aula ter acabado e de eu ter mais quatro aulas e uma de educação física - que no caso era a última -, eu me preparava para o fim de semana. Agradecia por aquele dia ter acabado e por ter chegado a hora de ir embora. Eu só pensava em chegar em casa, me jogar no sofá e assistir Os Simpsons na TV, enquanto eu alimentava minha taxa de glicose com a quantidade de açúcar e chocolate que comeria para amenizar um pouco a tensão de hoje e contribuir para a minha vida gordurosa.

    Tentaria esquecer aquela semana turbulenta e cheia de estresse. Tentaria esquecer que Sasuke Uchiha existe, e principalmente que ele havia cismado comigo. Eu iria deletar tudo o que era preocupação e passar o sábado e o domingo totalmente despreocupada, só pensando em mim mesma.

    Enquanto eu caminhava para a saída do prédio, me encontrei com Ino e Gaara que vinham juntos. Ino estava bem animada com o final de semana, alegando que iria sair da cidade com os pais para uma fazenda de alguns parentes.

    - E você, Sakura, vai fazer o quê hoje para começar seu final de semana? - perguntou Ino, enquanto atravessamos a porta e com Tenten que havia aparecido, ficando ao nosso lado.

    - Vou ficar em casa, excepcionalmente deitada no sofá comendo doces e assistindo Os Simpsons na televisão. - falei calmamente, sentindo o frio lá fora bater em meu rosto, arrepiando minha pele.

    Tenten e Ino se entreolharam e franziram o cenho, enquanto Gaara deu um pequeno sorriso de lado.

    - Eu não acredito que eu ouvi isso. - comentou Tenten agora sorrindo, balançava a cabeça para os lados.

    - Por quê? - perguntei levemente confusa, mas foi Ino que respondeu:

    - Fala sério, Sakura. - a fitei, que me olhava descrente. - Você falou que nem o Gaara agora.

    Olhei para Gaara que alargou um pouco o sorriso, enquanto olhava para frente.

    - Você gosta de Os Simpsons?

    Ele assentiu.

    - Ao invés de doces ele come pizza deitado no sofá. - disse Tenten.

    - Pizza é bom. - sorri, não acreditando que Gaara e eu tínhamos gostos parecidos e uma vida igualmente sedentária.

    Paramos em frente ao estacionamento de ônibus, esperando eles chegarem, pois hoje a escola havia liberado os alunos alguns minutos adiantados. Ficamos conversando, quer dizer, Ino que falava. Eu apenas olhava o movimento dos alunos perambulando com seus amigos.

    - Sasuke está olhando para você de novo, Sakura. - questionou Gaara, olhando para um ponto afastado, excepcionalmente para o prédio três.

    Segui seu olhar e encontrei Sasuke me olhando novamente com seus olhos intensos. E como da última e de todas às vezes quando eu o pegava no flagra, ele não desviou olhar. Ele estava sozinho, seus dois amigos não estavam com ele.

    Senti uma onda de fúria invadir meu corpo. Eu tive receio em fazer um barraco na sala de aula, não queria ser taxada como A Maluca, e fantasiei toda a abordagem e barraco na minha mente, um lugar onde eu era menos covarde. Aquilo estava indo longe demais. Qual era o problema daquele garoto afinal? Eu não iria ficar mais calada e fingir que nada acontecia. Eu iria pressioná-lo, jogá-lo contra a parede e descobrir o que ele queria afinal das contas comigo. Eu iria dar um bom motivo para ele ter ódio de mim.

    - Eu em, esse cara cismou mesmo com você. - continuou Tenten, olhando também.

    Virei meu corpo em direção contrária de onde nós estávamos. Eu iria até lá.

    - Ei, aonde você vai? - perguntou Ino, quando percebeu que eu começava a me afastar.

    Olhei brevemente para ela.

    - Eu vou ver o que ele quer.

    - O quê? - a voz de Tenten soou alta demais.

    - Sakura, deixe isso para lá. Esse cara é pirado, como você mesma disse. - começou Gaara. - E o ônibus daqui a pouco chega.

    - Vai ser rápido. - o fitei.

    - Eu vou com você, essa briga eu não perco por nada. - começou Ino se animando, enquanto começava a se movimentar em minha direção.

    - Não. - a impedi. - Você fica. Eu resolvo isso sozinha.

    - Estraga prazeres. - ela fez biquinho, contrariada, cruzando os braços.

    Apenas ignorei e voltei a caminhar em passos rápidos, indo em direção ao prédio três. Eu o encava todo o processo da minha caminhada até ele, e mesmo de longe eu pude perceber seu rosto pouco surpreso quando percebeu que eu estava indo em sua direção, com uma cara nada boa.

    Sasuke apenas virou as costas e deu meia volta, andando em passos rápidos, contornando o prédio três, indo para os fundos.

    Ele estava fugindo?

    Mas não iria mesmo. Comecei a correr em sua direção a fim de alcançá-lo, e logo virei o prédio e o vi mais próximo.

    - Ei, você! - o chamei, dando passos corridos.

    Mas como o esperado, Sasuke fingiu que não me ouvia.

    - Eu estou falando com você, dá para esperar!

    E para minha surpresa ele parou, me fazendo parar também, a cinquenta centímetros longe dele. Suas costas largas estavam tensionadas e sólidas, como um bloco de gesso. Senti o ar me falhar quando sua voz ecoou naquele espaço vazio e gélido.

    - O que você quer?

    Fechei meus olhos com força, enquanto sentia sua voz grossa e máculas ecoando na minha cabeça, mas logo espantei aqueles pensamentos para o lado, deixando a minha raiva me controlar. Abri meus olhos.

    - Eu quero saber o motivo de você ficar sempre me encarando. - minha voz saiu aguda e irritada. - Qual é a tua, em garoto?

    Como se fosse um filme em câmera lenta, Sasuke virou seu corpo para mim, me olhando de um jeito totalmente intimidador, me deixando por um segundo arrependida por está ali. Seus olhos negros me engolindo para dentro de sua escuridão sem fim, me fazendo sentir novamente aquele frio na barriga, enquanto o nervosismo tomava conta do meu corpo.

    Sasuke era alto, bem alto, deveria ter um e oitenta e cinco ou oitenta e oito, alto demais para os meus um e sessenta e quatro. Eu me sentia uma completa anã em sua frente. E pequena com o seu olhar de cima a baixo, como ele fosse superior a mim. Eu me esforcei o máximo para não demostrar o que eu estava sentindo em sua presença, o quanto eu estava perturbada.

    - Você deve está ficando louca, garota.

    Soltei uma risada descrente. Como ele era cínico.

    - Louca? - balancei a cabeça para os lados, enquanto eu soltava a minha respiração pela boca, fazendo uma pequena fumaça de ar gelado sair por ela. - Não. O único louco aqui é você, que parece que cismou comigo.

    Vi a mandíbula de sua boca se tencionar, sua respiração forte saía pelo nariz. Mas no segundo seguinte, ele deu as costas para mim e se afastou em passos rápidos novamente.

    - Eu estou falando com você! - corri e agarrei seu braço com força, sentindo uma descarga elétrica percorrendo o meu corpo quando o toquei.

    Sasuke se virou de supetão, me olhando com seus olhos raivosos. Mas ao invés de me sentir abalada ou acanhada com seu olhar matador, eu estava impressionada com a sua pele extraordinariamente quente. Como ele poderia estar tão quente sendo que o dia estava muito frio, apesar de não chover, e ainda mais com ele usando aquela camiseta de mangas curtas, e sem casaco?

    - Você... você está pelando de quente. - soltei seu braço ao mesmo tempo quando ele agarrou meus ombros com as duas mãos e me empurrou contra a parede dura do prédio três, me encurralando com o seu corpo. Minha mochila caiu no chão.

    Seu ato tinha me pegado totalmente desprevenida, o que fez meu coração disparar e meu corpo tremer.

    - O que você quer de mim? - a voz rouca de Sasuke saiu entredentes, enquanto seu rosto estava próximo do meu. Próximo demais ao ponto de sentir sua respiração bater no meu rosto. Seus olhos fitando os meus profundamente.

    Meu rosto corou.

    - Eu quero respostas. - apesar de eu estar excepcionalmente assustada e envergonhada por sua aproximidade, eu consegui fazer minha voz sair firme.

    - Resposta. - ele repetiu a palavra, sem desviar seus olhos dos meus, aproximando mais um pouco seu rosto.

    Perto demais.

    - Não tenho respostas para você.

    Senti sua respiração falhar, enquanto seu corpo ficava intenso. Sasuke segurava meus ombros com força, fazendo minhas costas doerem naquela parede dura. Um calor desumano que saía de suas mãos pelando fazia todo o meu corpo esquentar. O frio não era incômodo naquele momento.

    Um silêncio tinha se postado entre a gente, as batidas do meu coração estavam aceleradas demais ao ponto de eu conseguir ouvi-lo. Aquela sensação de borboletas no estômago me deixava mais nervosa do que eu já estava.

    As mãos de Sasuke apertaram mais um pouco meus ombros, quando ele soltou uma pequena lufada de ar pela boca.

    - Não aguento mais.

    Seu sussurro sofrido foi tudo o que consegui compreender antes de sentir a sua boca na minha.

    Demorei um segundo para perceber o que estava acontecendo ali, até que a ficha caísse e perceber que Sasuke Uchiha estava me beijando.

    O pressionar de lábios era forte e ao mesmo tempo intenso, sentindo os lábios macios dele contra os meus. As borboletas no estômago se intensificaram, quando senti a boca de Sasuke entreabrindo a minha, dando passagem para sua língua faminta explorar cada canto, cada pedacinho que existia na minha boca.

    Suas mãos firmes desceram pelos meus braços, rodeando minha cintura, me puxando com uma brutalidade contra seu corpo sólido. Arfei por causa disso, retomando os movimentos rápidos e intensos daquele beijo. Meu primeiro beijo.

    Automaticamente minhas mãos subiram até seu pescoço, o puxando mais contra mim, sentindo sua pele quente e borbulhante, fazendo o calor emanar do meu corpo. O vento gelado que batia em minha pele descoberta, era um alívio para aquela quentura que sentia e que Sasuke passava para mim.

    Ele me apertou mais suas mãos na minha cintura, deslizando vez ou outra para cima, colocando sua perna no meio das minhas, me fazendo sentir a elevação de sua masculinidade em meu ventre, me deixando mais quente.

    O ar finalmente havia acabado, fazendo-nos separar. Estávamos ofegantes. Sasuke encostou sua testa na minha, seus olhos fechados com força, quando eu finalmente abri os meus, senti um turbilhão de coisas passando pela minha cabeça, um monte de sentimentos confusos. As mãos dele ainda estavam agarradas em minha cintura, num modo possessivo.

    Eu não acreditava o que nós acabávamos de fazer. Eu tinha vindo atrás dele, sentindo muita raiva, querendo enforcar seu pescoço, e de uma hora para outra eu estava ali em seus braços, entregue completamente a ele.

    - Por que...

    Não consegui terminar a frase, eu estava atordoada, confusa do que havia acontecido agora. A raiva que eu sentia dele há minutos atrás havia evaporado como uma fumaça ao vento.

    Ele abriu os olhos, parecia mais perturbado que o normal. Parecia fragilizado, confuso, atordoado. Aquilo me pegou de surpresa, pois nunca poderia imaginar que Sasuke ficaria tão...

    - Isso não poderia ter acontecido. - ele afastou seu corpo do meu, rápido demais, me fazendo colar minhas costas na parede para não ir ao chão, pois minhas pernas ainda estavam bambas.

    - O quê?

    Ele virou de costas para mim, colocando as mãos na cabeça, como se travasse uma briga interna consigo mesmo.

    - Droga! ? ele murmurou levemente irritado, me deixando mais confusa do que eu já estava. - Sai daqui!

    Franzi o cenho.

    - Mas...

    - Sai... daqui! - sua voz dessa vez tinha saído mais alta, com ignorância.

    Eu fiquei estática, olhando para suas costas, tentando processar aquelas palavras. E novamente fui atingida por uma onda de fúria. Quem ele pensa que é? O que ele acha que eu sou?

    Com minhas mãos na parede, pressionei meu corpo para frente, me desencostando.

    - Você me agarra e me beija do nada e depois me manda embora como se eu fosse uma qualquer? Qual é o seu problema? ? gritei a última frase.

    Ele se virou para mim bruscamente, seus olhos ardendo em chamas, com um misto de confusão e frustação.

    - Você. - ele ralhou. - Você é meu problema!

    Arregalei levemente meus olhos, enquanto minha boca se abria num modo incrédulo com suas palavras grosseiras. Num gesto vícioso por mim, mordi o lábio com força e Sasuke pareceu mais perturbado, soltando um palavrão e em seguida fechou os olhos, sua respiração ofegante.

    - Fique longe de mim. - ele disse, virando seu corpo com brutidão e saindo dali, indo para os fundos do colégio em passos pesados e rápidos, me deixando para trás, confusa.

    Demorei alguns minutos para processar o que havia acontecido ali. Tudo, mas tudo estava fora de ordem. Eu já era uma pessoa confusa, mas agora eu estava mais ainda. Meu corpo tremia com a raiva que evaporava dentro de mim. Sentia meus olhos arderem e sabia que as lágrimas começavam a encher meus olhos, embaçando a minha visão.

    - Idiota! ? gritei com toda a minha força, despejando a raiva que eu sentia para fora, mas Sasuke não estava mais ali. - Idiota.

    Eu ainda sentia o meu corpo quente, borbulhando as chamas que ele havia passado para mim. E pela primeira vez, desde que eu coloquei os pés em Konoha, uma cidade gelada, eu estava morrendo de calor.

    Reprimi as lágrimas que teimavam em cair, e me agachei para pegar minha mochila que estava jogada no chão e saí dali.

    Assim que cheguei à frente do colégio, vi o ônibus dando a ré para sair da vaga no estacionamento. Os outros cinco ônibus faziam o mesmo, sendo que alguns já tinham tomado à pista.

    Droga, eu iria perder!

    Corri em direção do ônibus, segurando a alça da mochila para que ela não caísse. Gritei para que alguém escutasse ou o motorista me percebesse ali fora e parasse para mim, mas para a minha sorte eu vi a cabeça de Gaara sair pela janela e me fitar e depois se recolher para dentro, em seguida o ônibus parou.

    Parei ofegante na porta do ônibus que se abria e entrei. Respirava pela boca, puxando o ar para meus pulmões.

    - Quase perdeu. - Iruka o motorista comentou no seu jeito brincalhão e alegre.

    Não consegui responder, apenas assenti com a cabeça e fui caminhando para os fundos, e me sentei no banco, ao lado de Gaara.

    - Uou. Foi por pouco. - ele disse sorrindo brincalhão, enquanto me fitava.

    - Valeu... Gaara... - agradeci ainda ofegante. E o ônibus começou a se movimentar. - Eu nunca corri tanto assim na minha vida.

    Gaara soltou uma gargalhada bem humorada, e ao poucos eu consegui respirar direito, mas eu estava acabada, tanto fisicamente, quanto emocionalmente.

    - Pelo visto exercícios não é muito o seu forte.

    Olhei para ele.

    - Pode crer que não. - respondi olhando para frente.

    Silêncio.

    - Você demorou. - ele comentou, quebrando aquele pequeno silêncio, senti que ele me olhava. - E pela sua cara a conversa com Uchiha não foi muito boa.

    Apenas me afundei no banco, segurava com força a minha mochila que estava em meu colo. Eu ainda sentia meus lábios formigando por causa do beijo, como também sentia aquela sensação como se as mãos de Sasuke estivessem me apertando contra o seu corpo. Aquilo estava muito recente, e eu sabia que a minha tarde de despreocupação estava arruinada, pois eu me conhecia o suficiente para saber que eu ficaria pensando em Sasuke o dia e o final de semana todo.

    Maldito seja Sasuke Uchiha.

    - Aconteceu alguma coisa? - a voz de Gaara me tirou de meus devaneios. Ele me olhava curioso e levemente preocupado. - Você está estranha. Ele te machucou?

    - Não. - desviei meus olhos para minhas mãos, me sentindo a garota mais estúpida do mundo. - O Uchiha é mais imbecil do que eu imaginava.

    Gaara erguiu suas sobrancelhas.

    - Então aconteceu algo.

    - Não quero falar sobre isso. - declarei.

    - Tudo bem.

    Eu estava ressentida, eu me sentia arruinada, me sentia usada de certa forma. Sasuke me agarrou e me descartou como se eu fosse um copo descartável, e só de me lembrar disso já me deixava mal.

    Eu nunca fiquei tão próxima de um garoto tão intimamente como eu fiquei com Sasuke. Eu sempre fui um pouco tímida para esses assuntos de relacionamento. Sempre ficava calada quando Shion me contava seus romances com os meninos, nunca consegui dar um concelho para ela, pois eu não tinha experiência. E tudo o que eu dizia quando ela estava mal, depois de uma decepção amorosa, era que tudo iria ficar bem.

    Será que eu poderia aplicar isso a mim mesma? Será que eu estava sendo tola que nem Shion? Sasuke era só um carinha, um carinha hipócrita e arrogante que ultimamente estava perturbando o sossego de meus pensamentos. Será que eu...

    Balancei a cabeça para os lados, percebendo aonde meus pensamentos havia me levado dessa vez. Olhei para o lado, vendo Gaara olhando as paisagens verdes lá fora. Catei o interior do ônibus com o olhar a procura dos amigos de Sasuke, mas eles não estavam. Estranhei, e voltei minha atenção para frente.

    - Gaara.

    Ele me olhou imediatamente, seus olhos verdes claro me fitando. Ele esperava que eu continuasse.

    - Ahn, os amigos do Uchiha não estão no ônibus...

    Não terminei a frase, deixando morrer, mas Gaara como sempre sendo um bom anfitrião e educado entendeu o que eu quis dizer.

    - Eles foram no outro ônibus, o que passa perto onde eles moram.

    Fiquei confusa.

    - Não entendi. Se eles pegam outro ônibus, por que eles estavam pegando esse?

    Sobe há pouco tempo que todos os ônibus escolares vãos para um lugar diferente. O que Ino pega vai para o sul, depois do centro de Konoha. O que Tenten pega vai para o norte. E o que eu e Gaara pegamos, vai para o leste. Cada um com destino diferente.

    - Esse ônibus também passa perto onde eles moram, não em frente à vila onde eles saltam, fica um pouco distante do ponto, mas eles têm duas opções, se caso perder algum.

    - Ah.

    Gaara olhou para frente e continuou:

    - Eu não sei o motivo deles ter passado a vir nesse. - ele me olhou de lado. - Vai entender, né?

    Assenti com a cabeça. Não sabia o que estava acontecendo comigo, mas eu me peguei curiosa sobre a respeito de Sasuke e seus amigos. Eles de alguma forma eram um mistério para mim, assim como Hinata Hyuuga, mas ela deixarei de lado por enquanto.

    - Você... - hesitei por um instante, apertando meus lábios, tomando coragem para continuar. - você sabe alguma coisa sobre... sobre o Sasuke... quer dizer... sobre o grupo dele... essas coisas. - gesticulava com as mãos enquanto eu gaguejava miseravelmente.

    - Uma referência familiar? - assenti, agradecendo Gaara ter levado aquele assunto normalmente, enquanto eu me sentia uma tola. Ele continuou: - Bom, não sei tantas coisas sobre eles, só o que todos sabem. - ele deu uma pausa. - O Naruto, o cara loiro...

    - Eu sei quem é.

    - Ele é o primo da garota ruiva, a Karin. As mães dos dois são irmãs gêmeas, é tudo o que sei. Já o Sasuke, é o filho caçula do xerife de Konoha.

    - O pai do Sasuke é o xerife? - perguntei surpresa com aquela revelação.

    - É - ele assentiu. - Fugaku Uchiha. - ele franziu cenho. - Eu me admiro que não saiba disso, já que a sua avó Tsunade é bem próxima do xerife.

    Arregalei meus olhos. Por essa eu não esperava. Minha avó, próxima do xerife? Que no caso é o pai do cara mais arrogante do mundo. O mesmo cara que estava me deixando maluca com suas mudanças de humor.

    - Você não sabia. - concluiu Gaara.

    - Não. - sussurrei.

    Eu ainda estava atônita com aquela descoberta. Por que vovó nunca comentou comigo que era amiga do xerife? Bom, não era uma coisa tão impressionante assim, acho que estou mais impressionada do xerife ser o pai do Sasuke e que minha avó de alguma forma tinha algum tipo de contato com ele. Mas uma coisa que Gaara disse despertou minha curiosidade.

    - Você disse que o Sasuke é o filho mais novo do xerife. - comecei e Gaara assentiu novamente. - Ele tem um irmão?

    - Sim. Eu nunca o vi, tudo o que sei é que ele sumiu.

    - Sumiu?

    Ele deu de ombro.

    - Ele foi embora da cidade já tem uns anos, não sei qual foi o motivo, mas rola uns boatos que ele estava sendo caçado, ou algo assim.

    Franzi o cenho. Caçado? Quanto mais Gaara falava às coisas que sabia sobre Sasuke, mas tudo ficava confuso e estranho,

    O ônibus parou, e só agora percebi que eu tinha chegado ao ponto onde iria descer. Eu estava tão inerte nos pensamentos que nem havia percebido antes. Levantei-me do banco desajeitadamente, só dando tempo de dar um tchau para Gaara que prendia uma risada do meu jeito desastrado, e corri para frente do ônibus e descendo em seguida.

    Gaara ainda colocou a cabeça para fora da janela dando um tchau quando o ônibus se afastava. Apenas dei um tchau com a mão e fui para casa em passos lentos, enquanto eu tinha mais coisas na cabeça para me deixar mais maluca.

    A tarde passou rápido, para o meu ver. Não tinha feito nada do que eu planejei fazer o resto da tarde. Meus pensamentos trabalhavam em mil e uma hipóteses para desvendar o quebra cabeça que era Sasuke. Ele era estranho, arrogante, frio, e beijava muito bem. Não era uma exper em beijos, até por que, aquele havia sido o meu primeiro beijo. E mesmo não sendo uma profissional eu sabia que seu beijo foi de tirar o fôlego.

    Fui pega várias vezes divagando para aquele momento detrás do prédio três. Eu podia sentir o calor desumano que evaporava do corpo de Sasuke. Ele parecia um vulcão humano, distribuindo larvas para todos os lados. Ainda podia sentir um pouquinho da quentura que estava em meu corpo.

    Quando cheguei em casa, eu corri para dentro do banheiro, e tomei um banho gelado, para tirar aquele calor que eu vim sentindo o caminho todo até em casa.

    O que era aquilo a final?

    Irritada comigo mesma por ficar que nem uma idiota pensando num cara que não estava nem aí para mim, eu resolvi arrumar a casa. Ela não estava tão bagunçada, mas eu precisava manter a minha mente ocupada, antes que eu pirasse de vez.

    Quando era por volta das cinco e meia tarde, Tsunade chegou do trabalho, nessa hora eu estava arrumando alguma coisa para jantarmos. Ela chegou à cozinha, comentando que a casa estava cheirando a produtos de limpeza. Apenas sorri e disse que tinha dado uma faxina e estava terminando de preparar o jantar. Ela subiu para seu quarto e voltou minutos depois, vertida com uma calça de moletom bege e uma regata amarela. E juntas terminamos de arrumar as coisas e nos sentarmos para o jantar.

    - Como foi na escola? - ela perguntou enquanto dava uma garfada em sua comida.

    - Foi bem. - péssimo. ? As provas começam semana que vem.

    Ela erguiu o olhar para mim.

    - Tem que estudar.

    - Eu sei.

    O silêncio havia postado entre a gente.

    - Como foi o trabalho?

    - Cansativo como sempre. - ela suspirou. - Lidar com papeladas é complicado.

    As palavras de Gaara me vinham à cabeça. Tsunade era íntima do xerife, pai do Sasuke. Se eu queria perguntar aquilo para ela, aquela era a minha chance.

    - Vó - ela me fitou. -, posso fazer uma pergunta?

    - Claro, querida. - ela sorriu carinhosa.

    Era agora.

    - Por que a senhora nunca me disse que era amiga do xerife?

    Fiquei observando atentamente todos seus movimentos. Ela havia parado o garfo com a comida no ar, o meio de sua testa formava um pequeno V.

    - Quem te contou isso? - ela perguntou cautelosa.

    - Isso importa?

    Ela abaixou o garfo, o colocando no prato, desviando seus olhos dos meus para o prato brevemente, e depois voltou a me olhar.

    - Não sou amiga do xerife. - declarou com a voz firme.

    - Não? - franzi o cenho, novamente achando que ela mentia para mim. - Por que eu estou achando que a senhora não está sendo sincera comigo? O que está acontecendo, vó?

    Tsunade me olhava enquanto eu me alterava. Ela suspirou, fechando os olhos para logo voltar a abri-los.

    - Sakura, escute. - ela começou. - Tem coisas que você não entenderia, não agora caso eu te explicasse.

    - Então tenta - pedi, já estava farta daquele mistério todo que rondava ela ultimamente, assim como esse lugar. -, juro que vou fazer o máximo para entender.

    Ela negou com a cabeça, sua boca numa linha franzida.

    - Não é tão simples. - ela disse. - São segredos que desencadeariam segredos de outras pessoas.

    - Eu sou boa em guardar segredos. - disse eu, sentindo-me de alguma formatraída. - Por que a senhora não confia em mim?

    - Não diga bobagens. - ela ralhou severamente. - É claro que confio em você. Você é minha neta.

    - Então...

    - Você só não está preparada ainda para saber de certas coisas.

    - Não estou entendendo. - questionei, não entendendo onde aquela conversa nos levava.

    O que Tsunade quis dizer com isso? Não estou preparada? Preparada para quê?

    - Sakura. - ela chamou, me fazendo olhá-la. - Entenda, quando a hora chegar, eu juro que explico tudo. - ela me olhava cautelosa. - Você só mantenha sua preocupação com seus estudos, tudo bem?

    Não a respondi, apenas desviei meus olhos para baixo, olhando um ponto cego. A questão era; Tsunade não confiava em mim para contar certos assuntos que envolviam coisas que eram desconhecidas para mim. Foi isso o que deu para entender dessa conversa toda. O que tanto ela esconde?

    - O jantar estava ótimo. - ela se levantou, levando o prato para pia. - Você se importa em lavar a louça?

    Balancei minha cabeça para os lados, ainda olhando o ponto cego na mesa.

    - Bom, então vou para o meu escritório, tenho umas ligações para fazer e umas papelada que eu trouxe do trabalho. Pode ir se deitar depois que terminar tudo.

    - Tá. - murmurei, mas parecia que minha avó estava doida para se ver livre de mim naquele momento, que nem se importou com minha mudança de humor, o que fez minha desconfiança nela só aumentar.

    Levantei-me da cadeira, jogando o resto da comida no lixo, eu tinha perdido a fome. Lavei a louça e subi para meu quarto, não sem antes passar em frente ao pequeno cômodo que ficava ao lado da sala, onde minha avó fazia como um escritório. Eu entrei ali só uma vez, ela sempre mantinha aquele lugar trancado, só o via aberto quando ela estava em casa. O cômodo estava fechado, mas eu podia ver a luz acesa ali passando pela fresta debaixo da porta.

    Entrei no meu quarto ligando a luz, clareando o local. Peguei meu pijama que estava dobrado em cima da cama e fui para o banheiro. Tomei um banho e escovei os dentes, saindo de lá logo em seguida e entrando no quarto novamente, agora de pijama.

    Estava arrumando a cama para me deitar, quando aquela sensação agoniante de está sendo vigiada fez os pelos dos meus braços arrepiarem. Meu coração começou a bater desenfreando, enquanto olhava para os lados, percebendo o quarto vazio. Aproximei-me cautelosa até a janela, onde a lua que passava para seu outro estágio minguante clareava o céu, e um pouco meu quarto.

    Olhei lá fora, passando meus olhos pelos cantos, a procura de alguém, mas não vi a ninguém... até que... lá, do outro lado da rua, de frente para a floresta havia alguma coisa. Apertei meus olhos tentando distinguir o que era. Um cachorro? Não. Era muito grande para ser um cachorro, estava mais para um lobo.

    Minha avó nunca me disse que havia lobos selvagens em Konoha. Aliás, ela me escondia uma série de coisas ultimamente.

    Voltei minha atenção para o lobo. Seus pelos eram pretos, o que o deixava camuflado com a noite, mas a fraca luz da lua dava uma pequena iluminada nele, o deixado de certa forma exposto. Ele olhava em direção a casa, como se estivesse hipnotizado, como se estivesse vigiando.

    O meu corpo paralisou quando percebi que o lobo negro olhava para mim. Meu ar falhou, uma chama quente corria pelas minhas veias, me deixando ofegante.

    Meu Deus, o que estava acontecendo?

    Saí de frente à janela, e corri para fora do quarto, descendo as escadas e parando em frente ao escritório de minha avó. Levei a mão até a maçaneta, mas estava trancada. Não tive cabeça para estranhar aquilo, apenas bati a porta e a chamei:

    - Vó. - esperei, sentindo meu corpo trêmulo. Ela não respondeu. - Vó! - chamei agora mais alto enquanto batia na porta com mais força.

    O que diabos estava acontecendo ali dentro?

    Não sei quanto tempo fiquei ali esperando, mas depois de escutar um barulho e passos pelo cômodo, a porta foi aberta.

    - Sakura? O que foi? - vovó perguntou, com um tom de agitação. Estranhei.

    - Vó, tem um lobo... - falei com a voz um pouco estrangulada. - Um lobo negro lá fora!

    - Lobo? - suas sobrancelhas se uniram.

    Assenti, sentindo meu corpo tremer mais.

    - Sim. Ele... ele está em frente a nossa casa. - apontei para a porta.

    - Sakura, calma. - ela pôs suas mãos em meu ombro.

    - Ele está olhando para a nossa casa. - declarei, olhando em seus olhos.

    Ela me olhava, seu rosto sério.

    - Fique aqui!

    - A senhora vai aonde? - perguntei a seguindo até a porta da frente.

    Ela se virou para mim.

    - Fique aqui! - sua voz saiu autoritária, me fazendo ficar.

    Ela saiu para fora e fechou a porta em seguida. Meu coração batia tão forte que eu podia ouvir as batidas aceleradas. Corri até a janela, abrindo um pouco a cortina, achando perigoso Tsunade se expor diante de um lobo selvagem. Ele poderia atacá-la... só de imaginar alguma coisa acontecendo com vovó, eu sentia um bolo na garganta.

    Vi Tsunade parada lá fora, no escuro, olhando em direção à floresta. Suas mãos estavam postadas nos quadris, num gesto autoritário que ela só fazia quando estava irritada. Fiquei olhando, mas nada acontecia. Eu tentei ver se o lobo estava lá fora, no lugar onde eu tinha o visto, mas não vi nada.

    Tsunade deu meia volta e entrou em casa, fechando a porta com a tranca. Aproximei-me dela, apreensiva, mas ela parecia zangada com alguma coisa.

    - E aí? - chamei sua atenção, enquanto apertava minhas mãos.

    Ela me olhou, séria.

    - Não havia nada lá fora.

    - Eu vi... tinha um lobo do outro lado da rua. - minha voz aumentou um décimo.

    - Não tem nada. - ela suspirou. - Deveria ser o cachorro de algum vizinho.

    Franzi o cenho, balançando a cabeça.

    - Não. O animal era grande para ser um cachorro. - eu estava certa do que eu tinha visto. Era um lobo com toda a certeza.

    Tsunade ainda me olhava.

    - Vá dormir, descanse. Não tem nada lá fora, fique tranquila. E mesmo que se fosse um lobo aqui na região, ele não vai entrar aqui. - ela sorriu, tentando apaziguar a situação tensa que havia caído sobre nós duas.

    - Tudo bem. - disse com a voz desgostosa. - Eu vou dormir, boa noite.

    Saí de sua frente e subi as escadas correndo, não esperando o retorno do meu, boa noite. Bati a porta com força assim que entrei no quarto, descontando a raiva que eu estava sentindo. Como minha avó poderia fazer tão pouco caso do que eu dizia? Aquilo realmente me incomodou de verdade.

    Fui até a janela e olhei lá fora, exatamente no lugar onde vi o lobo negro, mas não havia nada ali. Procurei mais uma vez por entre a escuridão não encontrando nada. Passei a cortina e me joguei na cama, me sentindo frustrada e irritada com tudo o que acontecia ultimamente. E a única coisa que eu poderia fazer agora era dormir. Bom, eu iria tentar, já que minha mente estava trabalhando que nem uma máquina.


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