Lua de Sangue

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 5

    Confrontando

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    Eu ainda me sentia um pouco abalada com os acontecimentos de ontem, quando me sentei em meu lugar na aula de biologia. O dia estava ameno, pois não estava chovendo, mas aquele frio chato e irritante fazia a minha pele ficar fria. E eu amaldiçoava internamente aquele lugar atrasado.

    Ontem, depois que Tsunade chegou em casa com a roupa amarrotada e com vestígios de sujeira e a mão enfaixada, nós ficamos ainda um tempo abraçadas no sofá. Eu fazia de tudo para que aquela angustia de perder um entequerido passasse, pois eu não sei se aguentaria perder mais alguém que amo.

    Vovó não quis jantar e preferiu ir logo se deitar, pois ela alegava estar extremamente cansada. Eu ainda perguntei se ela estava bem, mas ela disse que estava. E mesmo ela agindo normalmente, eu percebi um brilho diferente em seu olhar. Um brilho de preocupação. E mesmo achando aquela história um pouco estranha demais, eu resolvi deixar quieto, pois aquilo poderia ser paranóia minha, um tipo de trauma que eu peguei depois de perder meus pais.

    Eu não queria perder mais ninguém.

    Subi para meu quarto depois disso, e de dar um beijo de boa noite em Tsunade. Deitei-me em minha cama, mas não consegui dormir. A frase estranha de Hinata ainda ecoava em minha cabeça, como uma vitrola quebrada. E pensei comigo mesma; o que será que aconteceria se eu tivesse saído com Ino e Tenten? E mesmo achando aquilo estranho vindo de Hinata, eu resolvi segui minha intuição e não pagar para ver, pois minha sorte não andava aquelas coisas. Mas tinha aquela hipótese de Hinata ser uma louca sem noção que só queria zoar com a minha cara.

    Enquanto esperava o professor chegar, fiquei olhando a movimentação na entrada da porta enquanto minha mente estava longe. Eu formulava diversas abordagens de como eu deveria fazer em Hinata. Eu queria saber o motivo dela ter me dito aquilo.

    Vi Rock Lee entrar depois que um grupo de garotas que tinha entrado primeiro. Ele me procurou com um olhar, e sorriu animado assim que me viu. Sorri forçado, e o vi se sentar numa carteira mais a frente, a duas filas do que a minha que eu estava sentada.

    A próxima que entrou foi Karin, ela estava com aquela expressão tediosa no rosto, enquanto o garoto ao seu lado, Sai, falava com ela e os dois se sentaram na carteira da frente. Lembrei-me de Sasuke e me perguntei se ele teria vindo hoje.

    O professor logo entrou na sala, mandando todos se sentarem em seus lugares, que ele iria começar a aula. Logo atrás entrou Hinata, vestida como sempre, jeans escuro e casaco com capuz na cabeça. Senti minhas mãos soarem de nervosismo enquanto Hinata se aproximava com sua cara de indiferente. Ela sentou-se ao meu lado, como sem eu nem existisse, como se o que ela me dissera ontem não tivesse acontecido.

    A aula começou e o sr. Sarutobi começou a explicar outra matéria, mas eu estava novamente em meu modo automático, pois minha mente estava longe mais uma vez. Olhei Hinata ao meu lado, vendo-a copiar o dever, tão tranquilamente que me deixava incomodada. Eu pensei em chamá-la, mas como ontem eu escutei o chiado vindo do capuz. Ela estava novamente com os fones de ouvido, que estava sendo ocultados pelo capuz e o cabelo, ignorando o mundo a sua volta.

    Quando a aula acabou e os alunos começaram a se levantar e sair da sala para sua próxima aula, Hinata se levantou de seu lugar, terminando de jogar suas coisas na mochila.

    Tinha chegado a hora.

    - Hinata. - a chamei, mas como eu esperava, ela não me escutou, e se escutou estava me ignorando. Mas eu não iria desistir, eu iria até o fim.

    Agarrei seu braço, fazendo-a olhar para mim. Seus olhos claros me fitaram com frieza, mas logo desviou para a minha mão que segurava seu braço. Soltei-a rapidamente, me sentindo um pouco acanhada com aquela garota estranha.

    - O que você quer? - sua voz era baixa e raivosa.

    Olhei em seus olhos mais uma vez antes de tomar coragem e começar a abordá-la.

    - Por que você me disse ontem para eu ir direto para casa e não sair mais?

    Eu fiquei esperando qualquer reação em seu rosto, o mínimo que fosse para que eu pudesse pelo menos saber o que se passava pela cabeça dela. Mas Hinata mantinha aquela expressão sólida e séria, não me deixando passar por sua barreira de defesa.

    - E você ficou em casa. - aquilo não havia sido uma pergunta e sim uma afirmação. Uma afirmação tão convicta que por um segundo me deixou sem ação.

    - E como você tem tanta certeza de que eu fiquei em casa? - a desafiei, enquanto olhava para aqueles olhos cinza, tão frio quanto um dia nevado. - Eu poderia ter saído, andado por aí.

    Vi seu rosto se contrair levemente, e uma sombra de um minúsculo sorriso passou por seu rosto. Ela pegou a mochila e a colocou nas costas.

    - Se você tivesse saído, você não estaria aqui agora na minha frente enchendo o meu saco.

    Senti meus olhos arregalarem de leve, e mesmo que seu tom de voz tenha saído rude e grosseiro, o que ela disse me pegara totalmente desprevenida.

    Não estaria aqui agora?

    O que ela queria dizer com aquilo? Ela sabia de alguma coisa que eu não sabia? Hinata deu as costas para mim, enquanto afastava a cadeira para trás.

    - O que você quer dizer com isso? - perguntei, vendo-a me ignorar mais uma vez, e fugir.

    Ela não respondeu, e tomou seu caminho, andando com passos rápidos, me deixando para trás com uma cara de taxo. Eu fiquei ali, olhando-a se afastar, depois dela ter me dado mais coisas para pensar. Mais coisas para eu ficar martelando para descobrir o que diabos estavam acontecendo.

    E aquela foi à última vez que Hinata Hyuuga dirigiu uma palavra a mim, e começar a ignorar de vez a minha presença. O que me deixava extremamente perturbava e mais confusa do que eu estava.

    Terminei de arrumar minhas coisas e tratei de sair daquela sala.

    - Oi, Sakura. - Lee me abordou quando eu estava saindo. Seu sorriso era tão largo que eu jurava que a qualquer momento partiria sua cara ao meio.

    - Olá, Lee. - o respondi com o meu jeito de sempre, tentando ser simpática com todos.

    Como diz minha mãe; com um pouco de simpatia as coisas sempre fluem naturalmente.

    O sorriso de Lee se abriu mais - se é que isso fosse possível -, e suas bochechas ficaram levemente rosadas.

    - Então... - ele começou, enquanto atravessamos juntos à porta da sala. - Que chato o professor ter nos mudado de lugar ontem, né?

    Olhei para ele e o peguei olhando para mim.

    - Eu só acho que ele quer o bem dos alunos. - falei, tentando soar menos rude, pois eu estava aliviada por não ter que sentar ao lado dele, que me olhava à aula inteira.

    Lee assentiu com a cabeça, concordando, mas eu percebia que ele não estava de acordo com a minha teoria. Eu parei no corredor, em frente à porta da sala de Ino. Eu tinha que esperá-la, mesmo não tendo a visto hoje. Lee parou também, ao meu lado.

    - Mas eu não gostei dele ter nos mudado de lugar. - olhei mais uma vez para Lee, sentindo meu sensor de paixonite apitando.

    Eu tentava apaziguar aquela sensação de que ele poderia estar nutrindo sentimentos por mim, pelos relatos que eu percebia. Mas talvez fosse coisa da minha cabeça mesmo, e que Rock Lee só esteja sendo hospitaleiro e gentil comigo, mas ainda sim eu tinha que ficar em alerta.

    Não o respondi e me encostei com as costas na parede, os alunos zapeavam pelo corredor. Lee ofegava e me analisava, o seu rosto ficou novamente rubro. Apenas me fiz de desentendida que não percebia nada.

    Logo vi Ino se aproximando, mancando, sua perna direita estava com uma bota ortopédica azul. Seu rosto estava contrariado enquanto olhava para Lee.

    - Caí fora Lee. - ela pediu para o garoto ao meu lado.

    Lee apenas assentiu com a cabeça, submisso ao pedido de Ino e olhou para mim.

    - Nos vemos depois. - ele sorriu tímido.

    - Tudo bem, Lee. - sorri amigável.

    E assim quando ele saiu, Ino olhou para mim, descrente.

    - Sério isso, Sakura? - ela colocou as mãos na cintura. - Sério que você vai dar trela para aquele garoto?

    Franzi o cenho com aquele jeito estúpido de Ino. Mas uma vez ela estava sendo idiota com suas atitudes em julgar os outros.

    - Por que você diz isso? - perguntei.

    - Por que aquele é o Rock Lee. - ela disse, como se aquilo fosse o óbvio do óbvio. - Ele é que nem resfriado, gruda e não quer sair mais. Aquele garoto é um porre!

    - Eu não o acho ruim, e para seu governo, ele é bem legal e gentil. - minha voz tinha saído aguda, com um tom de raiva.

    Não gostava do jeito como Ino tratava as pessoas fora de sua zona de amizade. Não era justo ela dizer aquelas barbaridades. Rock Lee não era o garoto mais lindo do mundo, mas ele tinha o seu valor. E Ino não precisava ficar o desprezando como ela fazia.

    - Então daqui a duas semanas você me repete essa mesma frase e quem sabe nós poderemos discutir meu conceito de ética, tudo bem?

    Apenas revirei os olhos, e nós duas começamos a andar. Discutir com Ino era perca de tempo.

    - O que aconteceu com sua perna? - perguntei, mudando totalmente o caminho de nossa conversa anterior.

    Ela olhou para mim e sua cara se contorceu em desagrado.

    - Eu torci o tornozelo. - ela bufou e eu a fitei, ela continuou: - Ontem a Tenten me deu um bolo de última hora. Ela me inventou uma desculpa totalmente esfarrapada e saiu às pressas. - ela me olhou. - Isso não se faz. E eu resolvi ir sozinha mesmo, mas pela volta das cinco da tarde mais ou menos ouve um tumulto na rua.

    - Tumulto? - perguntei a olhando de lado.

    - Sim. - ela assentiu com a cabeça. - Eu não sei muito bem o que ouve, mas todo mundo corria e gritava, e eu segui a multidão. Vai se seja um arrastão? Cruz credo, nem quero pensar nisso. - nós começamos a subir as escadas. - Mas no meio do caminho eu tropecei num buraco e torci o tornozelo, quase fui pisoteada. A minha sorte foi um senhor numa venda que me ajudou a levantar e me levou ao hóspital. E agora estou com essa bota horrorosa no pé.

    - Nossa! - eu tentava digerir as palavras de Ino.

    Arrastão? Multidão eufórica? Realmente eu fiz bem ter ficado em casa. Mas o que me incomodava naquilo tudo era o que Hinata me disse ontem. Será que ela sabia o que iria acontecer? Não. Claro que não. Tinha que haver uma explicação para isso. Tudo tinha que ter uma explicação.

    - E você está bem? - voltei a perguntar, me sentindo agitada.

    - Eu vou conseguir sobreviver esses dias com isso. - ela olhou a bota com desgosto, e depois olhou para mim. - Mas eu descobri uma coisa neste tumulto.

    - O que você descobriu? - eu olhei para ela e ela me fitou séria.

    - Que você mentiu para mim.

    Franzi o cenho.

    - Não estou entendendo o que você quis dizer, Ino.

    Ela olhou para frente e depois suspirou.

    - Não precisava ter mentido que iria ficar em casa por que sua avó iria levar uns amigos em casa e queria sua presença.

    Umedeci meus lábios enquanto apertava a alça de minha mochila.

    - E por que você acha que eu menti sobre isso? - perguntei cautelosa.

    Ino me olhou.

    - Por que eu vi a sua avó no tumulto.

    Arregalei meus olhos, o choque das palavras de Ino me deixou paralisada, me fazendo parar no meio da escada. Olhei mais atentamente para Ino que também havia parado um degrau acima de mim.

    - O quê?! Como assim você viu a minha avó? - aquilo com certeza estava muito estranho. O que minha avó fazia ali, no tumulto? Ela deveria está indo em direção ao hóspital na outra cidade por causa de seu incidente com a sua mão e não ali, no meio da multidão.

    - Viu como mentiu para mim? - acusou Ino.

    - Como... como você viu a minha avó? - perguntei, ignorando a acusação dela. - Fala, Ino!

    - Foi tudo muito rápido, mas eu reconheci a sua avó, ela estava indo em direção contrária onde às pessoas estavam indo. - ela respondeu, seu cenho dava uma leve franzida.

    - Tem certeza que era a minha avó? Você poderia ter se confundido, ou algo assim.

    Ela balançou a cabeça para os lados, fechando os olhos e depois voltando a abri-los e me fitou.

    - Não. Eu não me confundi. Eu sou muito boa em memorizar os rostos das pessoas. E eu conheço a sua avó. - ela subiu os ombros para cima. - Quem não conhece Tsunade Senju que trabalha no banco de registros de Konoha?

    Não acreditava que minha avó havia mentido para mim. O que será que havia acontecido na cidade? E o pior, o que diabos a minha avó estava fazendo ali? Aquela afirmação de Ino tinha realmente me pegado de surpresa. E logo as palavras de Hinata ecoaram na minha cabeça mais uma vez, deixando-me ainda mais confusa. Parecia que ela sabia de alguma forma que iria acontecer alguma coisa. Mas por que ela me avisou?

    - Ei. - a voz de Ino havia me tirado de meus devaneios confusos, me fazendo olhá-la. - Eu mereço um pedido de desculpas, não é?

    - Me desculpe, Ino. - fechei meus olhos e balancei minha cabeça, voltando a abri-los. - Eu não estava a fim de sair ontem. Não estava no clima. Desculpa.

    - Tudo bem, você está desculpada. Mas ainda vamos fazer um tour pela cidade, tudo bem?

    - Você que manda.

    Ela sorriu um pouco animada, deixado para trás os vestígios de aborrecimento que ela sentia segundos antes.

    - Poderia me dar uma ajudinha? Está difícil andar com isso aqui no pé. - ela fez uma careta, enquanto olhava a bota.

    - Oh, tudo bem. - apoiei o braço de Ino em meu ombro e a ajudei a terminar de subir as escadas e andar até nossa sala da aula de história.

    Naquele dia dei por falta de Sasuke mais uma vez. Ele havia sumido. Eu vi seus dois amigos na hora do intervalo. E na aula de matemática ele também não apareceu. E conforme os dias foram passando, eu não o vi mais.

    E se ele vinha para a escola, ele poderia está faltando às aulas de matemática ou arranjado outro lugar para ficar nos intervalos. Mas se fosse assim seus amigos Karin e Naruto, estaria junto dele, certo? Pois tanto Karin quanto Naruto sempre estavam presentes. Os dois estavam sempre passando os intervalos com mais dos garotos, Sai Uchiha da aula de biologia e um garoto de cabelos castanhos que descobri mais tarde que tínhamos matemáticas juntos, Kiba Inuzuka. Mas não havia sinal de Sasuke. Parecia que ele havia sumido de vez, sem deixar rastros.

    O resto da semana me enturmei mais com meus novos amigos, e ficamos mais íntimos. E nos intervalos sempre passamos juntos, nós quatro, mas eu sempre pegava um dos amigos de Sasuke, tanto Naruto quanto Karin olhando para mim. Eles não desviavam os olhares quando eu os pegava no flagra, eles continuavam me olhando descaradamente. O loiro, o Naruto, ainda sorria, enquanto balançava a cabeça para os lados, como se eu fosse algum tipo de piada. E aquilo me aborrecia, pois eu completamente era o motivo da graça.

    Hinata também não havia mais falado comigo depois daquele dia e ignorava minha existência. E por muitas vezes pensei em desistir de ir para aquela escola que só tinha gente estranha. Eu queria pedir para que Tsunade me mandasse para outro colégio, até um interno eu aceitaria numa boa.

    Mas até mesmo Tsunade havia mentido para mim, e tive a prova disso quando ela chegou do seu trabalho na quarta-feira e eu perguntei do por que dela está no meio da confusão que houve no centro de Konoha. Mas ela havia me enrolado de um jeito que acabei deixando aquele assunto de lado mais uma vez.

    Eu queria fugir, eu queria colocar o meu sentimento covarde na frente e me esconder atrás dele. Pois eu estava tentando, juro que eu estava tentando, mas eu não estava conseguindo me adaptar a Konoha.

    Eu queria que meus pais estivessem vivos. Eu queria a minha casa de Tóquio. Eu queria a minha escola antiga. Eu queria a minha cidade chata e poluída. Eu queria a minha melhor amiga Shion. E principalmente, eu queria sumir daqui.

    Depois daquela semana cheia, o final de semana havia chegado, para a minha felicidade. Não pude fazer muitas coisas, apenas fiquei em meu quarto mexendo na internet no meu novo notebook que Tsunade havia comprado para mim na sexta-feira, como um meio de apaziguar aquela desconfiança que eu tinha dela. Falei com Shion pelo Skype e pudemos matar um pouco a saudade. À tarde, Tsunade avisou que iria dar uma saída rápida e me perguntou se eu queria ir também, mas eu neguei e resolvi ficar e terminar de ler o meu livro sentada na pequena poltrona que havia em meu quarto.

    A janela estava aberta, pois o dia estava mais ou menos, e os pequenos raios de sol entravam em meu quarto, mas conforme as horas foram passando, o tempo esfriava e aquele ventinho chato e irritante fazia minha pele se arrepiar. Levantei-me da poltrona marcando a página do livro onde eu estava e o deixando em cima da cama e caminhei até a janela para fechá-la.

    Fitei o céu que estava com poucas nuvens e tomava uma cor amarelado do crepúsculo, e pude ver a lua cheia no céu. Sorri, sentindo-me um pouco animada e torcendo para que amanhã o dia pudesse está um pouco mais quente.

    Eu sentia falta de usar meus shorts curtos, minhas camisetas finas, e meus vestidos de algodão. Eu amava tomar banho de sol todas as manhãs. E sol aqui em Konoha era uma coisa rara e eu tinha que aproveitar a chance de ter aquela maravilha de Deus aparecendo aqui. Mas naquele momento a minha atenção foi totalmente desviada, e meu coração deu um salto quando o vi.

    Sasuke Uchiha estava em frente a minha casa.

    Não conseguia controlar aquela agitação que percorria pelo meu corpo, enquanto eu o fitava. Ele olhava em direção a minha janela. Ele olhava para mim.

    Senti minha boca secar e minhas mãos soavam geladas e trêmulas, enquanto meu coração idiota disparava nas batidas.

    O que diabos ele fazia ali?

    Meus olhos não desviavam dos dele. Seu rosto pelo o que eu pude ver estava sério, ele parecia um pouco perturbado.

    O dia estava mais ou menos, mas o frio ainda era irrelevante, e eu não conseguia imaginar como ele não estava sentindo frio. Pois ele estava sem a camisa - onde pude ter o deslumbre de seu peito redondamente definido -, e só vestia um bermudão preto que estava abaixo dos quadris, onde deixava a mostra o caminho do pecado. Seus cabelos estavam mais bagunçados que o normal, e ele estava diabolicamente sexy.

    Sem perceber mordi o lábio, enquanto eu o estudava detalhe por detalhe dele. Minha mente trabalhava em milhares e milhares de hipóteses do porquê de tê-lo levado até ali. E eu não iria descobrir se eu continuasse ali na janela do meu quarto no andar de cima da casa. Eu tinha que descer e ver o que ele queria. Se ele estava ali por que ele queria dizer alguma coisa.

    Com muito sacrifício consegui desviar meus olhos dos dele e afastei-me da janela, e correndo, saí do meu quarto e desci as escadas. Nem me importei com os trajes que eu usava; um short de algodão e uma camisa de moletom do Mickey Mouse.

    Abri a porta da frente, sentindo-me um pouco eufórica e estabanada. Meu coração batia numa velocidade incrível, e olhava para os lados a sua procura.

    Mas ele não estava mais ali.

    - Sasuke! - chamei, ouvindo minha voz aguda que pronunciava seu nome.

    Franzi o cenho e com os pés descalços, andei ao redor da casa, olhando para os lados, tentando encontrá-lo, mas ele não estava. Ele havia sumido.

    Parei em frente de casa novamente, olhando o local onde ele deveria estar. Fitei o chão e depois a floresta a alguns metros de minha casa. Mas eu descobri que eu estava sozinha.

    Um sentimento de desapontamento se apossou de mim. Depois de uma semana, eu o vi. E ele estava ali. Estava, não estava? Aquilo não podia ser coisa da minha cabeça. Eu não podia ter imaginado Sasuke ali parando e olhando para a minha janela. Era impossível! Eu nem estava pensando nele. Não literalmente. Não naquele momento.

    Novamente eu me senti confusa. Tudo naquela cidade era confuso. Tudo era novo e diferente para mim. Minha vida tinha se transformado num caos de uma hora para outra.

    Vi o Jeep de Tsunade virar a curva e entrar na nossa rua e logo ela estacionou em frente de casa. Ela franziu a testa quando me olhou ali parada que nem uma tonta no frio lá fora, e descalça.

    - O que faz aqui fora, Sakura? - ela olhou de cima a baixo e enrugou mais a testa. - E ainda descalça... você vai ficar doente desse jeito! Entra para dentro.

    - Me desculpe. - a segui para dentro de casa e Tsunade fechou a porta atrás de si, tirando seu casado marrom e o pendurando no pendurador perto da porta.

    - O que fazia lá fora? - ela quis saber.

    - Eu pensei ter visto alguém.

    Ela me fitou, pareceu alarmada.

    - Alguém? Quem?

    - Um colega. - balancei a cabeça para os lados. - Mas eu me enganei.

    - Estranho. - ela deu de ombro, tentando parecer casual, mas eu percebi o jeito estranho como ela ficou.

    - Resolveu seus assuntos? - perguntei, para sua alegria, pois eu não iria mais tocar naquele assunto.

    - Quase. - ela bufou, e começou a caminhar em direção à cozinha. - Essas burocracias acabam comigo.

    Depois disso eu subi para meu quarto, enquanto eu me sentia terrivelmente atordoada.

    O domingo passou tediosamente, e para minha infelicidade o dia amanheceu feio e chuvoso. Meus planos para o dia com sol tinha ido por água abaixo. E amaldiçoei novamente Konoha.

    Pensei o dia todo no por que de Sasuke Uchiha estaria em frente a minha casa. E mesmo achando que ele não faria isso de novo, ainda sim, de vez enquando eu olhava para a janela de meu quarto tentando ver se não o via ali novamente. Mas ele não estava.

    Segunda-feira chegou, e acordei me sentindo uma derrotada, eu não havia pregado os olhos à noite toda. Eu detestava ficar com coisas na cabeça, eu ficava pensando e pensando e não conseguia dormir. E Sasuke era o meu real motivo de eu ter perdido minha noite de sono.

    Eu queria saber onde ele tinha se metido, eu queria saber se ele iria para escola. E se caso ele fosse, eu tinha um bom motivo de chegar até ele e o confrontar. Pensei a noite toda sobre aquele assunto e cheguei a uma conclusão; eu não estava louca. Sasuke estava mesmo ali.

    Eu tinha que confrontá-lo, saber o que ele estava fazendo em frente a minha casa. Eu queria respostas e eu estava disposta a fazer ele me dizer. Mas por um lado eu pensava que se eu chegasse até ele de supetão e for logo o confrontando e receber em troca aquele olhar frio, e zangado, como se ele fosse me matar a qualquer momento, me fazia pensar cinco vezes no que eu iria fazer. Eu tinha que parar de deixar minha covardia falar mais alto e começar agir.

    Depois de me arrumar e tomar meu café - que Tsunade tinha deixado para mim antes de ir embora -, caminhei aqueles setenta metros até o ponto do ônibus. Não chovia, mas aquele frio ainda estava ali, me fazendo usar casaco grosso e quente, de novo. Eu estava no meu horário e esperava o ônibus no ponto. Depois daquele dia passei a sair mais cedo de casa para não ter a possibilidade de perder ou correr atrás de um ônibus, eu achava aquilo constrangedor. Depois de cinco minutos contados eu vi o ônibus amarelo se aproximar, e cheguei um pouco mais perto da pista e dei sinal e logo o ônibus parou, abrindo suas portas para mim.

    Subi aqueles três degraus de escada e olhei para o motorista que descobri que se chamava Iruka. Ele era bem simpático e adorava sua profissão.

    - Bom dia, Iruka.

    - Bom dia, Sakura. - ele sorriu simpático e alegre.

    O ônibus estava mais cheio que o normal e vi meu lugar ao lado de Gaara - que todas as manhãs ele guardava para mim - já estar ocupado. Gaara me fitou e abriu um sorriso como se pedisse desculpas por causa do garoto de cabelos crespos está sentado ao seu lado. Apenas assenti com a cabeça, passando a impressão de que estava tudo bem e caminhei para os fundos do ônibus. Mas parecia que o destino estava mesmo querendo implicar amigo.

    Novamente eu fui arrebatada por uma onda de sentimentos quando vi Sasuke naquele ônibus, e para minha desgraça total, o único lugar vago era ao seu lado.

    Não seja covarde, Sakura. Ele é só um garoto. Só um garoto!

    Com esses pensamentos caminhei um pouco mais confiante, enquanto sentia minhas mãos soarem. As limpei disfarçadamente na calça e sentei no banco ao seu lado. Ele não olhou para mim, e sim para a janela, mas percebi sua mandíbula se contrair, e sua mão - que estava em cima de sua perna, ao lado de sua mochila - se fechou em um punho cerrado.

    O ônibus já estava em movimento e eu me senti acanhada em como iria o abordar. Aquela era a minha chance. Ele estava sozinho. Não haveria ninguém para me interromper, e eu não passaria pela vergonha de ir até ele na hora do intervalo, onde ele passava com os seus amigos para abordá-lo.

    Eu desviei meu olhar de minhas mãos que estavam levemente trêmulas para ele. E agora estando mais perto dele eu pude perceber que ele era mais lindo do que eu pensava. Eu sentia uma leve fragrância de perfume masculino, o que me deixava extremamente extasiada. E por um segundo, eu quis chegar mais perto dele só para sentir mais daquele cheiro de homem.

    Desci meu olhar de seu rosto virado, até suas roupas. Eu tentava ser o mais discreta possível, pois não queria que ele percebesse que eu o avaliava tão minuosamente e curiosamente. Ao contrário daquele dia, no meu primeiro dia de aula, ele estava com as roupas um pouco amassadas. Seu jeans era desbotado, sua camiseta de mangas de um preto um pouco desbotado estava amassada, e ele não usava casaco.

    E, Deus, esse cara não sente frio? Pois todos naquele ônibus estavam bem agasalhados, menos ele. Aquilo era estranho, só se ele fosse algum tipo de super-herói de aço que nunca sentisse frio. Mas aquilo era impossível. Super-heróis não existem. Mas o fato de Sasuke não estar usando um casaco ou alguma coisa que cobrisse aqueles braços fortes e musculosos, me deixava extremamente intrigada. E quando meu olhar estava novamente subindo para seu rosto virado, a sua voz me pegou totalmente desprevenida:

    - Você vai ficar aí me olhando até quando? - sua voz era rouca e grossa, com um toque de frieza e irritação.

    Meu coração acelerou várias batidas e automaticamente desviei meu olhar para frente. Eu me sentia uma tola por não ter sido discreta o bastante. Mas a minha curiosidade falou mais alto e olhei novamente para ele, e o peguei agora olhando para mim. Senti minhas bochechas ficarem vermelhas, enquanto eu me perdia numa imensidão de trevas que eram seus olhos. Ele me olhava tão profundamente que eu me sentia uma presa de frente ao predador.

    E céus, como esse cara era lindo. Abri minha boca, deixando minha respiração passar por ela, eu estava ofegante. Mas parecia que Sasuke estava perturbado. Sua boca numa linha reta, seu cenho franzido e seus olhos me fitavam predadoramente.

    E novamente, como da primeira vez, eu senti o tempo parar e as pessoas do ônibus sumir, só existindo nós dois ali, sozinhos, sem ninguém, numa bolha invisível. Mas para minha infelicidade ele desviou seu olhar novamente para a janela, me ignorando.

    Desviei meus olhos para minhas mãos, que soavam nervosas. Mordi meu lábio com força, eu me sentia a garota mais idiota do universo. Eu queria confrontá-lo, queria saber qual era a dele, mas eu estava hesitando. E isso de alguma forma me irritava.

    Olhei para ele novamente e vi seu corpo tenso e rígido, seu maxilar mais trincado, e ele parecia zangado. Mas ele estava zangado de quê? De mim? Eu não tinha feito nada para ele. Talvez seja coisa da minha cabeça.

    - O que você estava fazendo em frente a minha casa no sábado à tarte? - minha voz saiu sem eu ao menos perceber. Eu havia perguntado.

    Sasuke continuou olhando a janela, me ignorando, fingindo que não havia escutado. E aquilo de alguma forma me irritou. E voltei a perguntar:

    - Você não vai responder?

    - Isso não é da sua conta. - ele respondeu sem ao menos me olhar.

    Minha irritação só aumentou e eu o xinguei em pensamentos, dos piores nomes que eu podia imaginar.

    Que garoto grosso!

    - Quando alguém que eu nem ao menos conheço fica em frente a minha casa olhando diretamente para o meu quarto, com certeza isso é da minha conta sim. - ralhei, sentindo uma onda de fúria subir pelo meu corpo.

    Eu me considero uma pessoa totalmente calma e extremamente tranquila. É muito difícil eu perder a paciência e muito menos ficar zangada a toa, mas aquele garoto conseguiu quebrar aquele perímetro que eu tinha de paciência só com meias palavras.

    Ele me fitou com um misto de raiva no olhar, me deixando com um pouco de medo, mas eu o ocultei e mantive minha expressão de irritação, com meu cenho franzido.

    - Eu estava na rua, e que eu saiba a rua e pública.

    - Eu sei que a rua pública - o fuzilei com o olhar -, mas isso não explica do por que você estava olhando para minha casa.

    Vi o canto de sua boca se elevar um milímetro, num pequeno sorriso torto de lado, um sorriso sarcástico, um sorriso zangado. E olhava com aqueles olhos pretos, os meus olhos.

    - Isso não te interessa, garota irritante.

    Abri minha boca se abriu num pequeno ?O? com a forma grosseira e estupida que ele tinha sido comigo. Esse cara era o poço de ignorância e estupidez. Eu devia pedir desculpas a Ino depois disso, eu aqui pensando que ela era uma pessoa ácida com os outros, julgando-os sem dó nem piedade, assim como ela julgou Sasuke de um jeito magoado e totalmente zangado. Mas ela estava coberta de razão em dizer aquelas coisas dele.

    Sasuke Uchiha era um verdadeiro cavalo.

    Ele se levantou rapidamente e tentou passar para o corredor do ônibus, apenas virei minhas pernas para o lado e ele saiu, indo para frente, com pressa, como se fosse tirar o pai da forca, como se eu fosse uma praga.

    E agora mais do que nunca eu não estava paranóica quando ergui a hipótese dele ter algo contra mim, pois agora eu tinha certeza que eu era de alguma forma um problema para ele. Uma espécie de tormento, que ele abominava. E eu nem sabia do por que disso.

    O ônibus parou e logo me uni aos alunos em direção à saída, e assim que pus meus pés para fora, me deparei com Gaara me esperando. Nesses dias eu percebi que Gaara era um bom amigo e bem legal. Eu gostava dele, gostava de suas conversas e ele sempre guardava um lugar para mim ao seu lado, no ônibus.

    - E, aí. - ele me cumprimentou sorrindo com seu jeito descontraído, colocando um braço em meu ombro.

    - E, aí. - repeti suas palavras tentando diminuir a raiva que eu sentia. Passei meu olhar pela área aberta do colégio a procura de um certo Uchiha idiota, mas ele havia sumido.

    - Foi mal aí, não ter guardado um lugar para você - desviei meus olhos para Gaara que havia começado um diálogo -, mas o Shino não quis se sentar perto do Uchiha. - ele disse, enquanto andávamos com passos lentos.

    - Tudo bem, não tem problema. - tentei parecer o mais normal possível. - E por que esse Shino não quis se sentar perto do Uchiha?

    Gaara sorriu, fazendo uma pequena covinha aparecer em sua bochecha, ele olhava para frente.

    - A maioria dos alunos aqui, tirando as meninas é claro, tem medo do Uchiha. - ele me olhou de lado. - Você sabe, aquele jeito mal e não me toque que ele tem, deixa algumas pessoas apreensivas. E as meninas loucas.

    - Ah entendi. - assenti. - E você não tem medo do Uchiha?

    Ele sorriu mais uma vez e olhou para frente.

    - Eu não tenho nada contra ele, nem com os amigos dele. Ele nunca me fez nada. Nunca me dirigiu a palavra. Não tenho algo especifico para definir se eu tenho medo ou não.

    - Hm.

    - Eu vi você sentada com ele.

    Bufei irritada, lembrando-me das grosserias dele. Gaara me olhou de lado e sorriu.

    - Pelo visto você não é muito fã dele não.

    - Aquele garoto é um idiota. - cuspi aquelas palavras, colocando toda a minha raiva ali.

    Eu queria apertar aquele pescoço de Sasuke com minhas duas mãos, e o ver desvair aos poucos numa morte lenta. Eu só queria que aquela raiva passasse.

    - Me conte uma novidade. - comentou Gaara tranquilamente, como se a minha declaração fosse normal por aqui. E aposto meu mindinho que eu não era a única que pensava isso dele.

    Continuamos a andar até a entrada do prédio dois, mas meus olhos novamente foram atraídos como uma espécie de imã até Sasuke novamente. Ele estava falando com seus amigos, perto do prédio um, ele me viu e sua cara ficou mais séria e mais zangada que o normal.

    Não quis sustentar seu olhar e naquela hora me deu uma vontade enorme de devolver aquele dedo do meio para ele. Mas eu me segurei. Eu não era uma pessoa mal educada que nem ele, e esse gesto só mostraria que eu era tão baixa quanto ele. Apenas desviei o olhar e fingi que não percebi seu olhar me metralhando de longe.

    - O Uchiha está olhando para gente? - a voz de Gaara ao meu lado me fez despertar de meus devaneios e focar minha visão para frente.

    - Não sei.

    Gaara apertou sua mão em meu ombro, enquanto olhava para o lado.

    - Ele está me encarando. Parece zangado com alguma coisa, enquanto olha para nós. - ele riu e olhou para frente. - Se eu não soubesse quem ele é, eu até cogitaria a hipótese dele está com ciúmes de você.

    Olhei alarmada para Gaara com aquela informação.

    - O quê?

    Ele me olhou.

    - Você sabe, eu estou com a minha mão em seu ombro. E você é uma garota bem bonita. Talvez tenha despertado o interesse nele.

    Desviei meu olhar de Gaara para o lado novamente, pegando Sasuke nos olhando raivoso. Virei rapidamente minha cabeça para frente.

    - Não fale bobagens, Gaara. Aquele garoto é pirado. - disse rapidamente, pensando na hipótese de Gaara, mas logo descartei.

    Apesar de achar aquilo um absurdo o que Gaara havia falado, alguma coisa dentro de mim se acendeu. Mas voltei para o mundo real. Pois Sasuke me odiava com todas as suas forças, e não suportava ficar nem no mesmo ambiente do que eu.

    Entramos no prédio dois e logo fui abordada por Ino que estava radiante e cuspindo alegria por todos os lados. Ela parou de frente a mim e Gaara, e olhou o ruivo.

    - Vaza, Gaara. - ela fez um gesto com o polegar, apontando para trás.

    - Ino você é tão delicada como um javali, sabia? - disse Gaara tirando seu braço de meu ombro, e se afastando um pouco.

    - Gaara você é o ser mais hipócrita que eu conheço. - ela colocou as mãos na cintura, enquanto fitava-o.

    Ino ainda estava com aquela bota ortopédica azul, e hoje ela estava de saia, uma legging branca e um casaco cor-de-rosa e botas rasteiras. Uma verdadeira patricinha.

    - Eu não sei por que eu ainda sou seu amigo. - ele resmungou se afastando de costas.

    - Por que você me ama bobinho. - ela sorriu tocando a ponta do nariz de Gaara com o indicador.

    Ele apenas revirou os olhos.

    - Agora faça o favor de sumir por aí, por que eu quero falar coisas de menina com a Sakura. Pode ser? - Ino agora tinha sido um pouco mais gentil, e prendi a vontade de revirar os olhos.

    Gaara apenas suspirou e se afastou, sumindo no meio da multidão. Olhei para Ino que acompanhava a rota do garoto com um olhar.

    - O que você quer falar comigo? - perguntei, atraindo a atenção da loira serelepe para mim.

    - Sabe, eu estive pensando; que tal nós fazermos um dia das garotas?

    - Dia das garotas. - repeti.

    - Uhum. Sabe, ir as boutiques comprar roupas, ao salão fazer as unhas e o cabelo. - seus olhos brilharam, enquanto começávamos a andar. - E eu vejo que o seu cabelo precisa de retoques.

    Eu pensei em recusar logo de cara, mas Ino era insistente.

    - E isso é uma intimação. - ela continuou quando percebeu meu rosto se contrair de leve. - Principalmente por aquele dia que você mentiu para mim.

    Apenas suspirei, e por mais que Ino fosse meio cruel em alguns aspectos, ela era uma boa companhia, era engraçada com suas maluquices e conversas sem noção. Ela sabia fazer uma pessoa se sentir bem e levantar a alto estima de qualquer um. Talvez não fosse uma má ideia esse dia das garotas, pois realmente meu cabelo precisava de retoques.

    - Tudo bem, Ino.

    Ino soltou aqueles gritinhos histéricos, e tentava pular e bater palminhas, naquele estilo Ino. Apenas sorri com o jeito espalhafatoso da minha nova amiga maluquinha.

    - Ai que ótimo, eu tenho que falar com a Tenten depois. - ela disse. - Ah e podemos fazer um tour pela cidade, sabe.

    - Mas isso não vai dar muito certo com você e essa bota. - lembrei-a de seu pé machucado.

    Ino olhou para sua perna e depois bufou.

    - Você tem razão. - ela me olhou zangada. - Mas que droga! Eu odeio esse negócio.

    - Quando é que você vai tirar? - perguntei.

    - Vou tirar na quinta que vem.

    - Então marcamos para o próximo sábado. - sugeri. - Nós estaremos em casa e não tem aula.

    - Mas está tão longe...

    - Nós temos teste essa semana, e na próxima quinta começa as provas.

    - Eu odeio quando você tem razão. - ela bufou contrariada e eu apenas sorri.

    - Então sábado que vem? - perguntei só para ter sua confirmação.

    Ela olhou para mim e assentiu.

    - Sábado que vem. - ela disse, agora um pouco murcha de sua felicidade de segundos atrás.

    Apenas balancei a cabeça enquanto a seguia pelo corredor cheio, e pedindo para que o sábado que vem demorasse um pouco.


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