Lua de Sangue

Tempo estimado de leitura: 10 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 4

    Parceira de Biologia

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Boa Leitura.

    O dia amanheceu enublado como nos outros dias em Konoha. E como ontem, fiz minha rotina da manhã e desci as escadas com minha mochila nas costas, depositando no sofá da sala antes de ir para a cozinha. Minha avó diferente de ontem, estava se levantando da cadeira, mastigava o último pedaço de pão integral. A mesa estava posta com tudo o que eu precisava para tomar o meu café da manhã.

    Vovó olhou para mim, quando eu entrava na cozinha e me sentava na cadeira.

    - Bom dia, meu amor. - ela desviou o olhar, deixando sua xícara vazia na pia. Ela parecia que estava com pressa.

    - Bom dia, vovó. - eu ainda a observava. - Está atrasada?

    Ela se virou para mim.

    - Muito. - suspirou. - Me ligaram de última hora ontem à noite me dizendo que iria ter uma pequena reunião, e o maldito relógio não despertou.

    - Caramba.

    - Olha, não vou te levar para o colégio hoje, você vai e voltar de ônibus. Você já sabe o ponto onde ele passa. E não saía atrasada de casa, se não você vai perdê-lo.

    - Tá vó, não se preocupe.

    - Tudo bem. - ela olhou para os dois lados, parecia procurando alguma coisa. - Acho que eu não estou me esquecendo de nada.

    - E as minhas chaves? - questionei, pois ela tinha me falado ontem que iria me dar a chave reserva para poder entrar em casa.

    - Está na rack da sala.

    - Tá.

    - Estou indo. - ela veio até mim e me deu um beijo na cabeça. - Tenha uma boa aula e não se esqueça de que o ônibus passa às sete e meia.

    - Não vou me esquecer. - sorri. - Tenha um bom trabalho.

    - Obrigada. - ela curvou o canto direito de seu lábio para cima. - Nos vemos de tarde.

    Vovó saiu da cozinha em passos rápidos e segundos depois escutei o barulho na porta da sala e depois o som do Jeep. Tomei meu café da manhã tranquilamente, pois faltava vinte minutos para o ônibus passar.

    Não estava a fim de ir para a escola hoje. Não queria sentir o olhar torto e esquisito de Hinata na aula de biologia, e nem olhar para a cara de Sasuke que me repudiava como se eu estivesse com alguma doença contagiosa. Ainda não conseguia entender o porquê de ele ter agido daquele jeito comigo. O que eu havia feito de tão ruim para ele ser hostil comigo daquele jeito? Ele era estranho.

    E lindo.

    Ontem depois da escola eu fui para o restaurante que havia em Konoha com a minha avó. Ele não era como os restaurantes de Tóquio, ele era pequeno e simples, mas a comida era deliciosa.

    Depois que Tsunade me deixou em casa, ela voltou para seu trabalho e só retornando às cinco e meia. Passei o restante da tarde estudando a matéria de história, pois haveria teste semana que vem. Assisti um pouco de TV, falei com Ino pelo telefone, que tinha pedido o meu número na aula de história. Fiz o jantar, nada comparado à comida que minha avó preparava, mas dava para comer. De noite eu fui para cama, não antes de olhar a única foto que eu havia trazido de lembrança de meus pais, me fazendo derramar as lágrimas que eu tentava a todo custo suprimir na presença de alguém. E dormi abraçada com o porta-retrato.

    Saí de meus devaneios e olhei o relógio de ponteiros pregado na parede da cozinha. Era 7hrs e 20min. Droga! Demorei demais!

    Levantei-me da cadeira, deixando a louça suja ali na mesa mesmo, quando eu voltasse da escola eu arrumaria. Corri para a sala e peguei minha mochila e saí de casa.

    Xinguei baixinho quando vi que o tempo estava feio, mais do que eu pensava, e que a qualquer momento iria cair um temporal.

    Em passos rápidos caminhei até o ponto do ônibus que ficava na esquina próxima da minha casa. Vi o ônibus amarelo se aproximar e dei uma corridinha, sentindo os pingos grossos da chuva, começarem a cair. Assim que cheguei ao ponto vazio, dei o sinal com a mão e ele parou, abrindo a porta. Subi os três degraus, dando de cara com o motorista. Ele me olhou curioso, mas abriu um pequeno sorriso gentil, me dando bom dia.

    - Bom dia. - murmurei baixinho e varri rapidamente com o olhar o interior do ônibus para ver se eu encontrava um lugar.

    Fui para os fundos do ônibus, onde sentei num lugar vago na janela. Eu sentia olhares curiosos em mim, apenas fiquei na minha e passei a viagem até o colégio olhando a paisagem chuvosa pela janela.

    Minutos mais tarde o ônibus estacionou numa vaga ao lado de mais três ônibus da mesma cor, onde alunos desciam do mesmo. Soquei-me no meio daqueles alunos que empurravam uns aos outros para poderem sair. Apenas me encolhi e tentei sair viva daquela sardinha, até finalmente conseguir respirar o ar lá fora, que no meu caso era chuva.

    Não havia trazido guarda-chuva, até por que, eu perderia o ônibus caso eu voltasse para pegá-lo.

    Corri, com a cabeça abaixada até um abrigo mais próximo e surpreendi-me quando senti alguém ao meu lado, me envolvendo num guarda-chuva improvisado feito por uma jaqueta. Olhei para a pessoa ao meu lado dando de cara com Gaara. Ele sorriu para mim.

    - Oi.

    - Oi. - respondi dando um pequeno sorriso singelo.

    E juntos corremos, enquanto ele segurava sua jaqueta jeans em cima de nossas cabeças até chegarmos à sacada coberta do bloco três.

    - Nossa, obrigada. - agradeci, encostando as minhas costas na parede e evitando que a chuva me molhasse ainda mais.

    Gaara sacudiu a jaqueta molhada fazendo uma careta.

    - Sua jaqueta está toda molhada.

    Ele olhou para mim e assentiu com a cabeça.

    - Que chuva. Pensei que daria tempo de chegar no colégio antes dela chegar.

    - Também pensei a mesma coisa. - soltei um pequeno sorriso.

    - Acho que caminhando por aqui vai evitar alguns danos as nossas roupas. - ele desviou seu olhar de mim para sua direita, onde aquela estreita cobertura do prédio três iria direto para o prédio dois.

    Caminhamos em passos rápidos, Gaara na minha frente e eu atrás. Quando chegou ao fim da sacada coberta, corremos até chegarmos à sacada coberta do prédio dois, onde conseguimos entrar no mesmo em seguida.

    Lá dentro estava um pouco mais quente do que o lado de fora. Gaara ainda me seguia pelo corredor cheio de alunos.

    - Agora está vindo de buzão? - ele perguntou, me fazendo olhá-lo.

    - A partir de hoje sim. - respondi. - Você também vem de buzão?

    Ele assentiu.

    - Eu te vi quando entrou. - franzi o cenho com sua afirmação, pois eu não tinha o visto. - Eu pensei em te chamar para sentar ao meu lado, mas você passou como uma bala e foi para os fundos.

    - Ah. - desviei meus olhos para frente. - Eu não te vi.

    - Eu percebi. - ele murmurou, enquanto subíamos as escadas. - Você é bem tímida.

    Sua pergunta aleatória tinha me pegado de surpresa, fazendo-me olhar para ele novamente.

    - Eu não acho que eu seja tímida. - vi que ele arqueava as sobrancelhas. E expliquei: - Só não gosto de ter atenções voltadas para mim. Não lhe dou muito bem com isso.

    Ele riu, balançando a cabeça para os lados.

    - Se isso não é timidez, o que é afinal? - ele desafiou.

    - Ahn... pessoa solitária? Eu definiria assim.

    - Pode ser. - ele deu de ombro. - Bom, eu fico por aqui.

    Ele parou em frente à sala dezesseis.

    - Tudo bem, boa aula. - segurei a alça de minha mochila.

    - Nós vemos no intervalo. - ele disse, e entrou na sua sala.

    Apenas assenti e caminhei para minha aula de biologia. Quando estava em frente a minha sala e pronta para entrar, escutei a voz de Ino, me chamando.

    - Sakura!

    Parei na porta da sala e virei meu corpo para trás, mas o que eu não esperava era que houvesse alguém atrás de mim, me fazendo trombar com a pessoa. Olhei rapidamente para quem eu havia esbarrado, dando de cara com a garota ruiva, a tal da Karin.

    Ela deu dois passos para trás conseguindo seu equilíbrio de volta e me olhou com a testa franzida. Olhando-a agora de perto, percebia que ela era realmente bonita. Ela não estava usando os óculos, eles estavam pregados na abertura onde os três botões de sua camisa social xadrez azul-marinho e cinza estavam abertos.

    Eu não tinha percebido que ela estava atrás de mim. Eu estava tão focada em chegar logo na sala e me sentar no lugar, que ignorava todos ao meu redor. Eu era distraída em certos aspectos.

    - Olha por onde anda, novata. - sua voz era fina com um toque agudo em um aspecto superior. Ela me olhou rapidamente de cima a baixo, e me senti um pouco desconfortável.

    - Desculpa. - falei, saindo do meio do caminho.

    Karin não disse nada e passou por mim, enquanto mascava alguma coisa - que eu suponha ser um chiclete -, entrando na mesma sala que eu iria entrar. Antes que eu pensasse mais coisas ou fazer suposições de como não tinha a notado que ela era da minha sala, percebi que Ino estava agora na minha frente.

    - Uau. Que trombada com a Karin. - ela disse e depois riu - Pensei que ela iria cair no chão. Pena que não foi desta vez.

    - Foi um acidente. - tratei logo de explicar, trazendo a atenção de Ino para mim.

    - Mas seria um acidente bom de rir se ela caísse. Iria acabar um pouco com aquela pose de valentona. - ela riu, achando graça de uma coisa que não tinha. Pelo menos não para mim.

    - O que quer comigo? - perguntei, tentando mudar o rumo daquela conversa.

    Ino percebeu que eu não tinha achado graça e se aprumou.

    - Você é bem séria, sabia? - ela segurou a alça de sua bolsa. Não falei nada. - Bom, eu só queria saber se vamos fazer o mesmo esquema de ontem. Você sabe... uma esperar a outra para ir para a aula de história.

    Apoiei todo o peso do meu corpo na minha perna direta.

    - Por mim está beleza.

    Ela abriu um sorriso animado e só faltou dar pulinhos. Ino era muito patricinha, muito cheia de frufrus, mas ela era engraçada.

    Entrei na minha sala e fui para o meu lugar, não sem antes de dar uma varrida pela sala até encontrar Karin.

    Ela estava sentava na última carteira, ao lado da janela. Ela mexia no celular, enquanto o garoto de cabelos pretos e pele muito branca que sentava ao seu lado, desviava o olhar de vez enquanto para o que a ruiva digitava, ganhando um olhar zangado da mesma e um empurrão.

    Sentei-me no meu lugar. Rock Lee virou um pouco de seu corpo para minha frente e abriu um sorriso eufórico. Apenas tentei ignorar aquele acesso de empolgação vindo dele quando me ver. Tudo que eu menos queria era um fã que ficasse no meu pé como um cachorrinho.

    - Bom dia, Sakura.

    - Bom dia, Rock Lee.

    Seu sorriso abriu-se ainda mais, e tentei agir o mais normal possível, tentando ignorar aquele cheiro forte de perfume que vinha dele. Deus, esse garoto tomou banho de perfume antes de vir para a escola?

    - Pode me chamar de Lee. Todos me chamam assim.

    Arqueei uma sobrancelha.

    - Certo, Lee.

    Suas bochechas ficaram um pouco rosadas, desviei meu olhar para frente, vendo o professor Sarutobi entrar na sala e mandando todos ficarem quietos. Abri meu caderno na matéria, sentindo os olhos de Lee em mim.

    O Professor colocou suas coisas em cima da mesa e voltou para o meio da sala. Quando ele iria falar, ele foi interrompido por duas batidas na porta. Olhei o trajeto do professor enquanto ele caminhava até a porta e a abria, revelando Hinata Hyuuga.

    Ela havia chegado atrasada, e esperava a liberação do professor para deixá-la entrar.

    - Está atrasada, srta. Hyuuga. - disse o professor e em seguida dando passagem para que Hinata pudesse passar.

    Ela foi até seu lugar no final da sala, sem olhar para ninguém, e sim para o chão. Hoje ela estava de jeans escuro e um moletom largo cinza-escuro sem deixar de mencionar o inseparável capuz na cabeça. Senti de alguma forma aliviada por ela não ter feito como ontem e ter lançado um olhar tão frio que me deixou tonta.

    O sr. Sarutobi voltou para turma e começou o assunto, pegando todos de surpresa:

    - Bom, turma, como as avaliações do terceiro bimestre será daqui a duas semanas, eu percebi que alguns de vocês estão com dificuldades na matéria. E muito de vocês ficam de cochichos com seus colegas ao lado e não prestam atenção na matéria. Então resolvi fazer uma mudança de última hora e trocá-los de parceiros.

    - Como assim professor? Nós estamos no final do ano. - disse uma garota de cabelos castanhos, sentada na frente.

    - Por isso mesmo srta. Yusuna. - disse o professor olhando para ela e depois para a turma novamente. - Depois do terceiro bimestre, logo o quarto chegará e sei que muito de vocês vão ficar pendentes, e é por isso estou fazendo isso.

    Escutei os lamentos da turma por serem separados de seus parceiros. Eu não ligava, pelo menos eu iria me livrar do meu parceiro Rock Lee que eu percebia que estava nutrindo sentimentos por mim. Ele não era ruim, mas ele ficava toda hora me olhando e fazendo perguntas demais. E isso estava começando a me incomodar. Para mim qualquer pessoa estava bom, portanto que eu não tenha como parceira a Karin ou a Hinata.

    O sr. Sarutobi foi até sua mesa e pegou seu diário do professor e voltou para o meio da sala novamente.

    - Bom, eu formarei novas duplas por ordem dos sobrenomes que estão aqui. - ele começou e olhou para a fileira da janela. - Vocês desta fileira, levante-se todos.

    Os alunos começaram a se levantar, fazendo um furdunço e barulho. O professor começou a falar os primeiros nomes das duplas que sentariam naquela fileira. Fiquei quietinha no meu canto, enquanto escutava os resmungos dos alunos que saiam de seus lugares e iam para outro, até escutar meu nome.

    - Sakura Haruno. - senti um friozinho no estômago quando escutei meu nome e me levantei, indo sentar na última cadeira daquela fileira da janela, a mesma que a Karin sentava com o garoto branquelo. - E Hinata Hyuuga.

    Parei no meio do meu trajeto quando escutei o nome da minha suposta e mais nova parceira de biologia. Tentei virar minha cabeça para trás e procurá-la, mas desisti e continuei meu trajeto e sentei-me no meu mais novo lugar, no fundão. Em seguida Hinata sentou-se ao meu lado, quieta e sem olhar na minha cara.

    Fiquei um pouco apreensiva e nervosa também. Mas em seguida eu me repreendi por está agindo como uma idiota. Hinata era só uma garota. Uma garota que todos insistiam em ignorar sua existência, e que ela também contribuía em certas partes para isso.

    Depois de terem mudado todos de lugares e discutido mais uma vez sobre ele ter feito isso, o Sr. Sarutobi começou a dar sua matéria, marcando o dia da sua prova da avaliação do terceiro bimestre.

    Vi a cabeleira de Karin sentada na frente e ao seu lado o mesmo garoto branquelo que ela sentava antes, Sai Uchiha. Uchiha. Novamente esse sobrenome. Será que aquele garoto era parente do tal Sasuke Uchiha? Mas só tinha uma pessoa que poderia tirar aquela dúvida. Ino.

    A aula passou se arrastando. O professor passava um assunto muito chato que eu já tinha estudado no segundo bimestre na minha antiga escola. Hinata estava quieta ao meu lado, não disse uma única palavra, e a única coisa que ela fazia era olhar para o quadro e copiar seu dever. Eu me sentia tensa na presença dela, bem desconfortável. Mas eu dizia para mim mesma que aquilo era coisa da minha cabeça e que eu estava bancando a idiota novamente.

    Pensei muitas vezes em puxar assunto com ela, tentar ser amigável, qualquer coisa para quebrar aquele gelo enorme e invisível que havia entre a gente. Mas percebi diante daquele silêncio que a sala fazia, um chiado de música vindo de dentro do capuz dela. Hinata aquele tempo todo tinha ocultado os fones de ouvido através do capuz e do cabelo para que ninguém percebesse. Tentei descobrir o que ela escutava, pois o chiado era alto, mas não consegui decifrar. Resolvi ficar na minha, e dar atenção àquela matéria chata que o professor passava e explicava.

    Depois de uma hora presa ali o sinal tocou, para o meu alívio. Arrumei as minhas coisas rapidinho, colocando-as dentro da mochila. Percebi que minha parceira estava se levantando de sua carteira e antes dela sair, sua voz soou fria e impactante, me pegando de surpresa:

    - Vá direto para casa depois da escola, e não saia mais hoje.

    Olhei alarmada para ela, que arrastava sua cadeira para trás e saía de lá.

    - O quê? - perguntei, totalmente confusa do que ela havia falado para mim.

    Hinata caminhou para fora da sala, ignorando a minha pergunta. Levantei-me rapidamente, tentando ir a seu encontro.

    - Hinata! - chamei-a, mas ela me ignorou e saiu da sala.

    Tentei ir atrás dela, e obrigá-la a me explicar o que ela queria me dizer com aquilo, mas fui interrompida por Rock Lee, que havia ficado na minha frente. Franzi meu cenho, e odiei Lee por isso. Ele estava me empatando de sair.

    - Você quer companhia para ir à próxima aula?

    - Ah... não. - tentei olhar pelo seu ombro, para ver se via Hinata, mas ela havia sumido. Bufei, inconformada, e olhei para Lee, que olhava o chão, parecia triste. Percebi que fui seca e grosseira com ele e resolvi me explicar: - Eu vou com a Ino. - ele me olhou. - Nós somos da mesma sala.

    - Ah, tudo bem. - ele sorriu, com um pouco menos de animação que antes.

    Saí da sala encontrando Ino me esperando. Ela sorriu animada e juntas fomos para a próxima aula.

    Na hora do intervalo, fiz a mesma coisa que ontem. Comprei alguma coisa para comer e fomos nos sentar no refeitório, já que estava chovendo lá fora para comermos ao ar livre. Ino falava com Tenten sobre ir a uma boutique que havia aberto no final de semana anterior. Tenten não estava muito a fim de ir, mas Ino era boa em convencer as pessoas e logo Tenten concordou, fazendo a loira soltar gritinhos animados.

    Gaara estava calado na dele com uma cara de tédio, como eu estava. Eu havia procurado pelo grupo de Sasuke, mesmo achando que quando ele me visse, ele poderia ser hostil comigo. Mas alguma coisa dentro de mim ansiava por vê-lo mais uma vez. Mas para a minha infelicidade ele não estava em lugar nenhum. Só vi o seu amigo Naruto e a ruiva da minha sala sentada bem longe, juntos com o garoto branquelo, Sai, e um outro de cabelos castanhos.

    - Ei, planeta terra chamando Sakura! - despertei de meus devaneios com a voz de Ino, ela estralava os dedos na minha frente.

    - Oi. - olhei para ela.

    Ela fez uma cara zangada.

    - Você não estava prestando atenção no que eu estava dizendo, né?

    - Sua conversa está tão chata Ino que qualquer um não presta atenção. - disse Gaara com a voz entediada, dando um gole de seu refrigerante.

    Ino olhou para ele, enquanto abria a boca descrente.

    - É melhor você manter essa boquinha calada, Gaara no Sabaku, pois você é mais bonito sem falar nada.

    Gaara olhou para ela, arqueando a sobrancelha.

    - O que você estava falando Ino? - perguntei, tentando evitar uma possível discursão.

    Ela desviou sua atenção toda para mim.

    - Eu estava dizendo que seria legal eu você e Tenten irmos à boutique que abriu depois da aula. A Tenten já concordou e só falta você.

    - Boutique?

    Vá direto para casa depois da escola, e não saia mais hoje.

    A única frase que Hinata pronunciou veio em minha mente. Não tinha entendido o que ela quis dizer com aquilo. Ir direto para casa e não sair mais hoje? Por quê? Aquilo era muito estranho, e mais estranho ainda era que meus instintos me pediam para ficar em casa, para seguir aquele conselho estranho dela.

    Eu não tinha a visto depois daquela aula, e muito menos a vi no refeitório, já que todos os alunos precisavam ir até lá para comprar alguma coisa para comer. Ela sumia depois da primeira aula, eu nunca a via mais.

    Ino ainda me olhava junto de Tenten, esperando uma resposta positiva minha, mas novamente fui arrebatada por aquela sensação de seguir minha intuição.

    - Acho que não vai dar. - menti, e aos poucos o olhar brilhante e animado de Ino foi para um decepcionado.

    - Por quê? Poxa, você é nova em Konoha, eu aproveitaria para fazermos um tour pela cidade para você conhecer. - disse Ino.

    - Bom, eu não estava tão animada assim, mas um tour pela cidade com você iria ser divertido, Sakura. - completou Tenten.

    - Desculpe. - balancei a cabeça para os lados. - Mas minha avó me mandou ficar em... casa, pois ela chegará cedo do trabalho e vem trazendo uns amigos para que eu pudesse conhecer.

    Que droga de desculpa esfarrapada é essa, Sakura? Eu nunca fui boa com mentiras e essa foi à única coisa que consegui. Infelizmente.

    - Tsc. - bufou Ino, apoiando as costas em sua cadeira de ferro. - Que pena.

    - Fica para próxima. - tentei amenizar a situação.

    Depois que o intervalo acabou, fui para a minha aula de matemática, pensando em encontrar Sasuke sentado em sua carteira pronto para me lançar um daqueles olhares hostis para mim. Mas quando cheguei lá, seu lugar estava vazio, e continuou assim a aula toda. E comprovei que ele não havia vindo para aula.

    Fui para casa depois da escola, a chuva havia acessado um pouco, mas chovia fino. A casa estava silenciosa e fiquei a maior parte trancada em meu quarto, depois que arrumei a louça e a cozinha que estava suja. Fiz meus deveres e alguma coisa para quando Tsunade chegasse do trabalho comesse. Ela estava atrasada, e eu começava a me preocupar.

    O céu estava escuro e quieto demais, e uma angustia se apossou em meu peito. Eu me sentia agitada de alguma forma, e aos poucos eu ficava desinquieta enquanto as horas passavam e Tsunade não chegava. E novamente a frase de Hinata passou pela minha cabeça, me deixando mais nervosa. Eu não havia saído de casa e por algum motivo que eu não sabia, tinha obedecido àquela ordem dela.

    Quando o relógio bateu às onze da noite, escutei o ronco do Jeep de Tsunade estacionar em frente de casa. Pulei do sofá e corri para fora, abrindo a porta e podendo ver minha avó sair do Jeep, sua mão esquerda estava enfaixada.

    - Vó! - exclamei, indo até ela e a encontrando no meio do caminho.

    - Olá, querida.

    - O que foi isso? A senhora se machucou...

    - Calma, vamos entrar em casa, pois está frio aqui. - concordei e segurei sua bolsa e entramos em casa.

    - A senhora demorou. Fiquei preocupada. - falei, a vendo sentar-se no sofá e tirando os saltos dos pés.

    - Desculpe, querida. - ela me olhou. - Eu me machuquei no trabalho e fui para o hóspital na outra cidade fazer um curativo. Desculpe não ter te avisado.

    Senti meu coração aliviar um pouco por vê-la ali, salva. Mas aquele agitamento em meu corpo ainda estava lá. Minha avó escorou sua cabeça no sofá e percebi que ela estava bem cansada. Vi alguns vestígios de sujeira em sua roupa, e achei estranho aquilo.

    - A senhora está bem?

    Ela me olhou.

    - Sim, querida. - ela sorriu tênue. - Não fique preocupada, eu estou bem.

    Sentei ao seu lado e a abracei. Só aquela sensação de perder mais alguém me deixava doente. Minha avó era tudo que eu tinha agora. Senti seus braços me rodearem e não havia percebido que algumas lágrimas caíam de meus olhos até quando um soluço escapou de minha boca.

    - Não chore, querida. Eu estou aqui, estou bem.

    - Não me deixe, por favor. - murmurei diante dos soluços.

    - Não vou te deixar, querida, por Deus.

    Não sabia que meu emocional estava tão abalado assim, até aquele ponto que passou pela minha cabeça de perder alguém, a única pessoa que eu tinha.


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