Os Cinco Selos

Tempo estimado de leitura: 24 horas

    14
    Capítulos:

    Capítulo 168

    Pesadelos

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Yoo,

    O capítulo de hoje está um pouquinho grande

    Motivos: porque eu quero. Isso aqui é uma ditadura

    Boa leitura ^^

    Edward estava no plano completamente escuro, contudo era capaz de enxergar seu corpo como se estivesse tomando luz do sol diretamente. "Lizzie? Sombra?", pensou, mas não obteve resposta. Com isso, ele chegou à conclusão que só sua consciência havia sido levada para este lugar, seu real corpo continuava no Reino do Medo. Agora seus pensamentos só podiam ser escutados por ele mesmo, e, estranhamente, sentiu-se levemente solitário por isso.

    Olhando ao redor, reparou que havia um foco de luz um pouco distante dele. Sem outra opção, logicamente direcionou-se para lá. A medida que se aproximava, fora possível ver que era uma pessoa, e logo foi possível enxergar o inconfundível cabelo ruivo de Pietra. Ao chegar perto dela, a escuridão começou a ser preenchida por cores, e Edward começou a sentir-se distante, cada vez mais longe, porém ainda perto, e fora de seu não-corpo.

    O cenário escuro transformou-se no interior de uma gruta. Lá estavam os Selos, Pietra, Aiken, Kleist, Dante e também Mikaela. Os cinco estavam discutindo ferozmente. Kleist e Aiken acusavam Mikaela pelo desaparecimento de seu capitão, enquanto Pietra e Dante a defendiam. "São fragmentos de memória da Pietra?", questionava Edward, em seu âmago, "Deve ser no dia em que o meu eu foi se encontrar com Bahamut e os deixou para trás". Ele não conseguia se mover, porém, como se fosse apenas um espectador. A discussão se arrastou por mais alguns minutos, alternando-se entre ofensas, acusações e teorias.

    — Ele confiou em você agora pouco, Guerra! — esbravejou Pietra. — Assim como ele confiaria em todos nós! Nós iremos esperar e veremos o que o capitão planeja com o tempo!

    O cenário começou a fragmentar novamente, reconstruindo-se e dando lugar a um a uma floresta sob o luar. Os Selos estavam reunidos novamente, com exceção a Mikaela, e discutiam mais ferozmente que da última vez. Debatiam sobre os recentes ataques que os demônios haviam feitos as cidades dos humanos, ataques que eles haviam frustrados, enquanto Morte continuava desaparecido ao lado de Bahamut. Desta vez, porém, a discussão terminou com cada um dos Selos indo para um lado, e Pietra fora deixada na floresta sozinha, com um semblante triste em seu rosto. Ela se encolheu abraçada com os joelhos e escondeu o rosto entre eles.

    Neste instante, Edward passou a sentir seu corpo novamente e a conseguir enxergá-lo, e olhou ao redor. "Agora também faço parte do cenário", pensou. Ele aproximou-se de Pietra e sentou-se ao seu lado, e ela continuou em silêncio. Edward ficou um tempo em silêncio, pensando no que iria falar e reunindo coragem.

    — Então o seu maior medo é ficar sozinha? — começou a dizer.

    — E por que não seria? — retrucou ela, ainda com o rosto oculto. — Sou o elo mais fraco e mais facilmente substituível entre o cinco.

    — Não é-

    — Sou. Você, capitão, é o corpo. Aiken, o cérebro. Dante, os braços. Kleist, as pernas.

    — E você é o coração, Pietra. — Ed esperou algum protesto por parte dela, mas, como não veio, prosseguiu: — Faz bastante tempo, mas você lembra como nós erámos logo após sermos criados?

    — Humpf, vocês eram um saco. Não paravam de discutir entre si, nem por um instante. Todos cabeças duras. Por quê?

    — Lembra o que você fazia para pararmos de discutir?

    — ... Ora eu ameaçava bater em vocês, ora eu batia.

    — Exatamente. E, por mais estranho que pareça, foi isso que começou a juntar a gente. — Ele fez uma pausa, dando de ombros. — Digo, todos nós começamos a ter algum em comum: tínhamos muito medo de você.

    Neste momento, Pietra ergueu o rosto com uma expressão indignada e fintou Edward.

    — Hey! — esbravejou ela.

    Ao ver que seu capitão esboçava um largo sorriso e semblante sereno, ela imediatamente corou e voltou a esconder o rosto entre os joelhos.

    — Pietra, olhe para mim — ele disse.

    — Não.

    — Olhe para mim.

    — Não vou!

    — Olhe!

    Desta vez carrancuda, Pietra voltou seu olhar para ele. Edward agora estava com uma expressão séria, e seus olhos azuis estavam tão penetrantes que, apesar de querer desviar, Pietra não conseguia.

    — Você é o selo da Peste, um dos pilares que sustentam o equilíbrio deste mundo. Sua existência por si só é insubstituível. O elo mais fraco? Discordo completamente. Você é elo principal, aquele que fez todos os outros elos juntarem-se. — Fez uma pausa. — Erga sua cabeça, continue andando. Não tem forças para isso? Pois bem, eu carrego você nas costas. Não a deixarei para trás. Mas eu realmente preciso fazer isso? Você realmente precisa disso?

    Pietra continuou fintando-o por um tempo em silêncio. Em seguida, olhou para frente, absorvendo tudo o que Edward havia dito. Por fim, ela abriu um pequeno sorriso.

    — Obrigada, capitão.

    Em um piscar de olhos, Edward já estava de volta para o vazio. "Menos um", pensou. Em meio a escuridão, ao longe, ele viu mais um foco de luz. Aquele era possível reconhecer dali: pele marrom e um extravagante afro. Com a aproximação, o cenário começou a colorir-se novamente.

    Agora, Edward estava em um campo completamente aberto. Não haviam flores e nem árvores, porém, apenas a grama baixa com um belo verde até onde o campo de visão dele deixava ver. Sobre ele, fazia-se o céu azul com poucas nuvens e o sol cintilante. Edward tinha ciência que ali é um ambiente falso, mas a imersão era enorme: sentia o calor do sol, o odor da grama e vento roçar em sua pele.

    Aiken encontrava-se mais à frente. Diferente do que havia acontecido com Pietra, não teve fragmentos de memória. Fome olhou por cima do ombro e, ao fintar Edward, seu olhar e expressão fechou-se em fúria.

    — Como você ousa?! — vociferou.

    A passos largos, Aiken aproximou-se, moveu o braço direito para trás e depois para frente, acertando Edward em cheio com um soco.

    — Como você ousa nos trair, capitão?!

    Antes mesmo que Edward erguesse o rosto, fora acertado por mais um forte soco. Não parando por aí, Aiken o puxou pelo colarinho e acertou-o com uma cabeça e depois empurrou-o, derrubando seu capitão no chão. O Selo ficou por cima do Edward e continuou a socá-lo, alternando entre suas mãos.

    — Todos nós confiávamos em você! — E Aiken continuou socando, sem cessar. — Eu deveria ter previsto sua traição! — As mãos dele começaram a manchar-se de sangue. — Por eu não previsto, todos nós sofremos!

    Entre os socos, porém, Edward segurou um deles com sua mão. Seu rosto sangrava pela boca, nariz e supercílios. Seus olhos, imaculados, estavam tão frios quanto os de Aiken, mas não carregava ódio algum.

    — Você bate que nem uma criança — determinou Ed.

    Girando seu corpo, Edward reverteu a situação, ficando sobre Aiken. Sem hesitar e economizar nas forças, Edward desferiu um soco que arrancou sangue do rosto de Aiken logo de primeira, e não demorou para acertar um segundo.

    — Você se acha muito especial, né, Fome?! — Com o próximo soco, houve um estalo alto. — “Ei, olhe para mim, eu sou um pouquinho mais inteligente que os outros!”. Não fode, seu merda! — O ritmo dos socos passaram a diminuir. — Acredite se quiser, mas nós temos nossos próprios cérebros para pensar!

    Neste momento, Edward fora surpreendido com um soco no queixo, que o deixou desnorteado. Aproveitando-se disso, Aiken tomou a situação a seu favor novamente, ficando sobre Edward. O sangue pingava de seu rosto. E os socos voltaram a ser desferidos, com mais intensidade dessa vez.

    — Eu confiava em você! Eu nutria respeito por você, capitão! Era você que me guiava, quem eu nunca quis decepcionar! Toda a desgraçava que aconteceu, tudo é culpa sua!

    E último soco de Aiken atingiu o solo. O sangue em seu rosto empava com o suor, assim como em Edward, e seus rostos estavam inchados. O Selo da Fome estava ofegante e fintando seu capitão, que por usa vez devolvia o olhar com a mesma intensidade.

    — Exatamente, Fome. A culpa é toda minha. Eu traí vocês. Eu trouxe o desiquilíbrio. Eu. Apenas eu. Então por que se culpa tanto?

    Um misto de fúria e dúvida formou-se no rosto ensanguentado de Aiken, parecendo ter uma briga em seu interior.

    — Orgulho-me por saber que tenho um subordinado que me admira tanto. Porém, entristece-me saber que ele carrega um enorme peso desnecessário sobre seus ombros.

    Então Edward fora jogado novamente para o vazio, e Aiken havia sumido. "Medo de não ser inteligente o suficiente para ajudar a nós... que ingênuo", pensou Edward, abrindo um pequeno sorriso. As feridas e o sangue em seu rosto desapareceram, como se nunca haviam estado ali. Ele se ergueu e viu outro foco de luz. Ao longe, parecia ser uma montanha de músculos. "Nem imagino quem possa ser..."

    Com a aproximação em direção a Dante, o vazio começou a ser preenchido pela cor. Os fragmentos de memória desta vez haviam levado Edward para uma cidade em chamas, deixando-o novamente como um espectador. Humanos corriam desesperadamente de demônios, outros ficavam para lutar e muitos já estavam mortos ao chão. Os demônios, porém, atacavam aos montes, dilacerando e devorado suas vítimas, banhando-se com sangue, e poucos deles caiam. Contudo, para enaltecer ainda mais o cenário de massacre, o Selo da Fúria entrou em cena. Os demônios, pelos punhos de Dante, começaram a perecer, ora um a um, ora um bocado de uma vez. As chamas vermelhas do Selo faziam o sangue de suas vítimas evaporar antes mesmo de macular sua pele. A sua frente, surgiu Jorge, um dos demônios que bebeu sangue de anjo do Lúcifer e revestia seu corpo com gelo.

    A batalha fora árdua e intensa, mas, em seu Despertar, Dante saiu vitorioso sobre o demônio. Até então estava tudo ocorrendo bem, entretanto Edward notou que as chamas de Dante continuavam intensas mesmo após o termino da luta. Pela situação em que se encontrava, o capitão teve a certeza que aquilo significava que a fúria não havia passado. Fúria voltou a obliterar os demônios intensamente e, ainda não satisfeito, começou a caçar os humanos também, levando a cidade em sua ruína total.

    Subitamente, Edward fora jogado para dentro do cenário, materializando seu corpo. Não muito distante dele, estava Dante. O corpo de seu subordinado estava cheio de fissuras que estavam tão rubras quanto lava, seus olhos ardiam em fúria.

    Edward suspirou.

    — Imagino que você vai querer conversar com os punhos assim como Aiken, certo?

    Como previsto, Dante avançou e acertou Edward com ambos braços direitos. O capitão dos Selos voou brandindo suas costas contra tudo em seu caminho. Fúria passou por ele e atingiu-o nas costas, arremessando-o ao céu. O corpo de Edward continuou subindo, e ele nada fez. Novamente, Fúria passou por ele e acertou-o no estômago, atirando-o para baixo. Morte brandiu suas costas contra o chão em uma forte explosão, fazendo levantar poeira e destroço, afundando o solo e fragmentando-o. Por fim, Dante recaiu sobre a cratera, aumentando-a ainda mais.

    Quando a poeira dissipou, revelou que Dante segurava Edward pelo pescoço. Edward estava com o corpo ensanguentado. Fintando Dante, ele riu.

    — Dominado pelo próprio poder? Patético — Ed disse.

    Em seguida, o capitão fora arremessado. Fúria caminhava em sua direção, mas inesperadamente levou as mãos ao rosto e começou a grunhir de dor. Agora, Fúria estava tendo um confronto interior.

    — Eu... não... queriaaa... — dizia em agonia.

    — Não queria o quê? — Edward se levantou do chão e cuspiu sangue. — Matar seres inocentes? Atacar-me? Bem, eu acho que tenho que discordar. O poder é seu. Responde ao seu desejo.

    — Não... — Ele negou, e as chamas vermelhas começaram a intensificar. — O... que... você... sabe...?

    — Mais do que você imagina. Todos temos trevas interior que tememos olhar, Dante. Mas há algo que difere você dos outros...

    E o Selo da Fúria investiu novamente, dominado pelo seu poder. Edward abriu e fechou os dedos de sua mão direta, e, com a aproximação de Dante, acertou-o com um potente soco, derrubando-o imediatamente no chão. Seguidamente, Edward pisou sobre o peito de seu subordinado para mantê-lo no chão e fintou-o com desdém.

    — Você é o Deus da Fúria. Não deveria temer o próprio poder. — Quando Dante tentou se mover, Edward aumentou a na perna e manteve-o no chão. — Há de dominá-lo, estudá-lo, assim poderá transformar sua fúria em sua armadura, e não em sua perdição. — Ele observou a intensidade das chamas diminuindo. — Confie em seu poder, assim como eu confio.

    Então Edward fora jogado novamente pela vasta escuridão. Todos seus ferimentos haviam sumido, mas sentia-se mentalmente cansado. "Por que eles não conseguem sentar e conversar como a Pietra?," pensou enquanto passava a mão em seus próprios cabelos.

    E último foco de luz acendeu-se ao longe.

    — Anseio por saber o que o inescrutável Kleist tanto teme.

    Conforme Edward se aproximava de Kleist, imagens formavam-se e reformulavam-se. As cenas alternavam em momentos posteriores a traição do Morte, onde relatavam situações onde Kleist comandava os Selos. Ora mostrava momentos de brigas, ora felizes. Edward não deixou de notar que Kleist parecia tenso na maioria das memórias. Em uma das cenas, ele viu o nascimento de Deckard e Miana em uma casa no campo, e aquele foi o único momento que os Selos estavam felizes juntos.

    Depois de tantas memórias, o cenário reformulou-se em um deserto com areia negra. Todo o lugar era iluminado pela bruxuleante luz da lua sangrenta que se fazia sobre ele em meio ao mar de estrelas e nuvens. Em sua frente, uma escada de pedra começou a alavancar-se bem alto, formando-se em seu ápice uma espécie de estrutura que se assemelhava a uma mão com quatro dedos entreaberta. Sem enrolar, o capitão do Selos começou a subir.

    A cada degrau, o som de bebê chorando ficava cada vez mais alto. Ao chegar no topo, os quatro dedos da “mão” revelaram ser, na verdade, estacadas que empalavam respectivamente os Selos: Dante, Aiken, Pietra e Mikaela. Seus corpos nus estavam ensanguentados, contudo não havia ferimentos, e claramente estavam mortos. No altar no centro daquela construção de pedra, estava o bebê gordinho de bochechas rosadas que tanto chorava. A criança tinha cabelos castanhos escuros e eram levemente ondulados e, com a aproximação de Edward, abriu seus olhos amarelos. Edward fintou o bebê e depois olhou ao redor, tentando interligar tudo.

    — Ah, este medo eu conheço muito bem, Kleist. — Fintou o bebê novamente. — Sentir-se impotente e não conseguir proteger aqueles que estão sob seu comando.

    Em um piscar de olhos, o bebê transformou-se em Kleist, e ele ficou fintando os Selos empalados pelas estacas.

    — Como você consegue? — perguntou Kleist.

    — O quê?

    — Comandar tão impetuosamente. Ordenar e não olhar para trás. Sem medo de seus subordinados acabarem... — ele apontou com a cabeça para os corpos estacados — mortos.

    — E quem disse que não tenho? — Edward deu de ombros. — Meus medos vão além, Kleist. Tenho medo, igual a você, de levá-los a morte por mau comando. Medo de minhas trevas dominar e fazer-me voltar contra vocês. Medo de não ser astuto o suficiente. E, por consequência disso tudo, medo de acabar sozinho.

    Surpreendido, Kleist fintou seu capitão que, até então, parecia ser uma figura que não sentia tanto temores.

    — E o que você faz com superar estes... pesadelos? — perguntou Kleist, curioso.

    — É tão simples que você ficará enjoado. Tem medo que suas trevas interior o domine? Bem... domine elas primeiro. Tem medo de não ser esperto o suficiente? Aprenda todos os dias. Medo de ficar sozinho? Agarre-se a aqueles que gostam de sua companhia. Tem medo que seus subordinados morram? — Neste momento, o olhar do Edward tornou-se sombrio. — Mate qualquer um que tente fazer isso.

    — Compreendo. — Kleist sorriu.

    O cenário rachou como se fosse vidro e tudo começou a desmanchar como poeira. Edward fintou seus dedos e observou eles desaparecerem, fragmentando-se continuamente.

    — Será que os meus Selos também sentem estes mesmos medos? — questionou-se.

    ***

    Edward abriu os olhos, e viu que duas lâminas estavam apontadas para ele. Em sua volta, estavam Pietra, Dante, Kleist e Aiken, sendo que as espadas em sua garganta pertenciam aos dois últimos. Os quatro encaravam-no com expressões carrancuda.

    — Você se parece muito com o capitão, mas não ele — disse Dante.

    — Diga quem você é e, talvez, não o mataremos — ameaçou Pietra.

    — Lizzie... — Ed engoliu seco —, uma ajudinha, por favor?

    Houve o eco do baque quando Ran’grorn caiu ao chão, e Selos moveram a cabeça em direção ao som. Lizzie estava de pé sorrindo e acenando para eles. Os Selos voltaram a entreolhar-se, porém confusos. Não havia como existir alguém como Lizzie. Segundos depois, seus rostos ficaram ainda mais furiosos.

    — Isso só nos dá mais motivos de querer matar você, capitão — indagou Pietra.

    — Lizzie, explique para eles a situação, rápido!

    E Lizzie explicou tudo. Os quatros pareciam devastados: sentiam-se culpados e triste. Lizzie utilizou de suas chamas azuis para curá-los da fadiga de passar anos ali. Mesmo com Edward negado, ela também o curou, e recebeu um afago nos cabelos como agradecimento.

    — Cure-o também. — Ed apontou com a cabeça para Ran’grorn.

    Os Selos, Lizzie e até mesmo Ran’grorn olhou com olhar desconfiando e incrédulo.

    — O que você quer a mais de mim, Morte? — perguntou o Senhor do Medo.

    — Ora, estou apenas sendo generoso, e ainda ousa questionar-me?

    Sem precisar que Edward pedisse de novo, Lizzie foi até Ran’grorn e fez suas chamas o curar. Depois que os Selos saíram deixando os três a sós, Edward fintou com olhos sombrios o Senhor do Medo.

    — Escute bem, Ran’grorn. Seu dever é proteger esta Árvore. Se um dia eu descobrir que você está fazendo algo além disso, eu voltarei e dizimarei este lugar por completo. Compreende?

    Revigorado, Ran’grorn fintou Edward com seus ofícios ocos que deveriam ser seus olhos e fez uma profunda reverência.

    — Como desejar.

    Assim, Edward e Lizzie saíram do castelo. Lá, as folhas vermelhas cintilantes da Grande Árvore pairavam no ar até chegar ao solo. A Árvore havia perdido boa parte de sua energia ao não parasitar mais os Selos. Contudo, a cena proporcionada era bela.

    Continua <3 :p

    Curiosidades:

    Reino do Medo: é um plano que existe em paralelo ao Reino dos Humanos, assim como o Limbo. Este Reino prospera graças a Árvore de folhas vermelho-sangue, que se alimenta do medo das almas que ali passaram a habitar. Por ser um lugar “novo”, há muito ainda para evoluir. E, para proteger tudo isso, Ran’grorn foi escolhido como Guardião pela própria Árvore entre as diversas almas.

    Além disso, é um Reino exclusivo desta linha temporal, pois não existe na linha temporal dos nossos Selos. O porquê? Simples: Lúcifer deveria criar o inferno nesta linha temporal, mas ele morreu. Já que não há como existir o inferno sem Lúcifer, o Reino do Medo fora criado para suprir este vazio, mantendo o equilíbrio.

    Como foi criado? Sei lá, talvez a partir de uma grande explosão cósmica? Como eu vou saber, oras? Não sou uma criatura onisciente e nem onipresente. Também não me pergunte como um castelo foi parar lá.

    Se você é um ser que consegue lembrar da caracterização do Limbo, deve ter notado algumas semelhanças: a predominância da coloração negra e laranja e as almas penadas. Mas não passa disso. O Limbo é um local sem uma figura que o controla e é onde as almas vão quando seus pecados pesam demais, dessa forma não chegam ao céu, e ficam sofrendo eternamente remoendo seus pecados; podendo até assumir outras formas poderosas. Em contrapartida, o Reino do Medo possui almas carregadas de pecados e outros com poucas. Todas sofrem sem exceção para que o Reino prospere.


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