A paixão do capitão de gelo

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    Capítulo 24

    Cônjuges

    Álcool, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Há cerca de algumas semanas, Seireitei enfrentou um caso inédito de Invasão. Pecadores do Inferno. Primeiramente, a identidade destes invasores estava oculta. Usando um Vastor Lorde como terceiro, sabotaram as pesquisas secretas de Kurotsuchi Taichou em consequência provocando uma grande desordem na cidade com o ataque dos Hollows-Quimeras, quando na verdade era apenas uma camuflagem para o real objetivo. A abertura de um portão. Instavel e temporário, suficiente para que pudessem conseguir o que queriam. A shinigami Kurosaki Karin. O Capitão Hitsugaya, oficial da Brigada e o mais próximo da shinigami era o único que sabia vagamente das intenções dos Togabitos. E ainda sim, não foi o suficiente para evitar o sequestro.

    Na noite do crime, ao descobrir a verdade do suposto atentado que Karin e Hinamori sofreram, ele e mais alguns líderes da Brigada e oficiais agiram por conta própria. Arriscando seus postos numa ação que infringia uma das mais severas leis de Soul Society invadiram o Inferno. Shinigamis, segundo a Central 46 e o Palácio Espiritual não podem interferir em nada que possa haver com Jigoku. Somente a vigilância do lugar era permitida e ainda sim, caso fosse uma situação de extrema gravidade, o Soutaichou ordenava e indicava quais seriam os soldados que participassem da ação.

    Por este motivo, depois que finalmente salvaram a garota e retornaram para Karakura, os nove shinigamis se encontraram numa situação extremamente delicada. Sob ordens do Soutaichou, a capitã Soi Fong e líder das Unidades Secretas Móveis abordou os cinco Taichous, anunciando alto e claro.

    - Capitães Kenpachi, Kyouraku, Hirako, Kuchiki e Hitsugaya. Estão retidos por invasão ilegal ao Inferno.

    A maioria se espantou e ainda preso na supresa desagradável, Hitsugaya escutou o resto da ordem.

    - O Comandante os espera.

    HISTUGAYA POV

    - Yama-ji?

    O tom surpreso de Kyouraku somente me deixou mais nervoso. Observei de soslaio, para os shinigamis de roupas e máscaras nos rostos. Dois lenços cobriam quase totalmente suas feições. Um preso em suas cabeças, evitando o reconhecimento pelo tipo de cabelo e outro abaixo dos olhos, cobrindo o resto do rosto. Baixei o olhar, vendo suas mãos segurem o punho das wakisakis presas em suas cinturas nas costas pela obi negra. Engoli em seco, sentindo uma gota de suor escorrer pelo meu pescoço. Um movimento precipitado e eles nos atacariam, cravando as espadas em nós. O silencio era tão pesado, entrecortado pelo vento que quase prendi o folego com o som de grama esmagada.

    - Oe, Soi Fong. Vamos...

    Os shinigamis ao nosso redor deram um passo, quase sacando as espadas. Apertei Karin contra mim. Arfando e encarando irritado Urahara. E pelo olhar estreitado, a capitã também não se agradou.

    - Urahara Kisuke, esse assunto não lhe diz respeito.

    O ex-shinigami se calou, parando no lugar. De todas as dificuldades que podiam acontecer... Por que justo isso? Eu pretendia assumir meu erro, seja qualquer a consequência, mas a saúde de Karin vinha em primeiro lugar. Sentia além do sangue do maldito pecador o sangue dela em mim. Não era preciso ninguém me dizer. Ela estava tendo uma hemorragia. E pelo tempo em que está ferida, uma aplicação de Kidou não resolveria.

    Sufocando o pânico, respirei fundo.

    - Não iremos resistir.

    Um silencio anormal ecoou nesse gramado. Isso me surpreendeu. Achei que Kenpachi pelo ao menos reclamaria, contudo, nenhum dos capitães disse nada.

    - Tsk.

    Evitei olhar a pessoa. Me analisando penetrante, Soi Fong acenou para o lado. De imediato, o atrito das espadas se embainhando quebrou o silencio.

    - Ótimo. A menina ferida e os outros shinigamis estão dispensados. Os capitães venham comigo.

    Se virando, agarrou o punho da zanpakutou presa em seu quadril, sacando e esticando para frente, retorceu a espada. Abrindo o Seikamon. Numa luz multicolorida o ar retorceu e o som de stacatto ecoou, dando lugar para portas de madeira se abrindo naquele branco. Várias borboletas infernais apareceram e nos encarando de soslaio, ela embainhou sua zanpakutou e esperou.

    Kuchiki acompanhado de Kenpachi e Kyouraku seguiram sem dizer nada. O nobre estava impassível, enquanto que os dois sem expressão alguma alem de tédio em Kenpachi e pesarosa de Kyouraku.

    - Isso me lembra aquela vez. Yama-ji nos dava um sermão por causa dos haoris.

    - Isso é uma chatice.

    Kenpachi bufou mais entediado e entraram no portal. Os shinigamis que nos cercavam acompanhavam os taichous e Soi Fong continuava me encarando séria, não, ela fitava minhas mãos que apertavam a garota contra mim nos meus braços.  Não havia dado sequer um passo.

    - Hitsugaya.

    - O que?

    Suspirei desviando o olhar para baixo, arfando nervoso. Hirako estava ao meu lado e pelo tom, cauteloso.

    - A Capitã mal humorada não vai esperar a noite toda.

    Tinha uma nota de riso em sua voz. Bem ele estava sorrindo para ela, o que com certeza apenas a irritou mais.

    - Eu sei disso.

    - Então vamos.

    Sim, devia ir. Mas pelo o que ela disse... Suspirei me irritando junto ao nervosismo, erguendo o olhar atravessado para o portal.

    - Eu a levo capitão.

    Minha raiva aumentou e apertei Karin mais forte ao encarar Abarai. Ele empalideceu com meu olhar, furioso e contido. Estava a ponto de estourar de stress. Essa noite simplesmente foi a mais sobrecarregada, cansativa e traumatica que tive e esse tenente me pede para levar... o bem mais precioso que quase perdi hoje?!

    Não mesmo.

    Ao meu lado, Hirako estalou a língua exasperado.

    - Não seja orgulhoso. Ela precisa já de uma equipe médica e Comandante quer nos ver agora.

    Estremeci apertando o olhar. Sim, sabia disso também e mesmo assim ainda não conseguia solta-la. Ataque, sua suposta morte, o seqüestro e o quase estupro. Meus nervos estavam em frangalhos com todos esses sinistros. Querer estar perto dela era tão demais? Essas reuniões demoram, o Soutaichou dará ainda uma punição para nós. Só poderei vê-la outra vez amanhã, se tiver sorte. No entanto... a temperatura do seu corpo aumentava drasticamente e esse sangue todo...

    - Hitsugaya!

    Hirako sibilou irritado e suspirei. Relutante a afastei de mim e Abarai esticou os braços, envolvendo Karin e tirando dos meus. O vazio me fez prender o fôlego.

    - Não se preocupe, Hitsugaya-taichou.

    Dito isso, se virou para o portal saltando no shunpo. Engoli em seco e caminhei com Hirako até o Seikamon. Yumichika e Madarame haviam acabado de atravessá-lo. Com todos em Dangai Soi Fong finalmente atravessou com o resto do Esquadrão Secreto e as portas do portão se fecharam. Levantei o olhar para frente, Abarai não estava mais aqui. Pela sua reiatsu acabou de chegar a Soul Society. Espero que Unohana esteja livre no 4º bantai.

    HITSUGAYA POF

    O tenente do sexto esquadrão apareceu de repente, no grande pátio do 4º bantai. Arfando correu em meio aos shinigamis para a varanda do prédio de telhados azuis. As pilastras das varandas vermelhas. Como sempre ao entrar estava movimentado lá dentro. Nervoso, abordou a primeira enfermeira que passou perto dele.

    - Preciso de Unohana-taichou. É urgente.

    - Como?

    A moça de kimono rosado piscou os olhos, espantada. Tsk. Desgrenhado da luta e coberto de poeira avermelhada chamava atenção. A enfermeira então olhou para a garota nos seus braços, febril e sangrando. Foi o suficiente para entrar em ação. Se virando ao corredor lateral, ela gritou para uns shinigamis do esquadrão, que saiam de um corredor.

    - Preciso de uma maca aqui!

    Os shinigamis atenderam correndo e ela caminhou até o balcão, pegando uma prancheta.

    - Nome da shinigami, por favor.

    Abarai se aproximou.

    - Kurosaki Karin.

    - Qual o bantai?

    - Décimo. A Unohana Taichou...

    - Está ocupada checando os guardas feridos do Seikamon oficial. Logo vou chamá-la.

    O tenente engoliu em seco. Lembrando que o Capitão Hitsugaya foi um tanto violento com eles. Pelo visto ainda não sabem.

    - A maca.

    O som de rodas de metal o tirou do devaneio.

    - A coloque aqui.

    Prontamente obedeceu. Mesmo desmaiada, a irmã de Ichigo arfava. A respiração saindo entrecortada junto a transpiração. Dois dos rapazes e a enfermeira correram levando a maca e entrando num corredor de paredes azuis, o teto brilhando numa forte luz branca. Isso o confundiu.

    - Preparem a sala de cirurgia cinco! Aprontem uma barreira espírito-purificante e chamem a capitã Unohana e a tenente Isane, agora!

    Os três shinigamis que estavam no extremo do corredor adentraram numa sala, agitados. O tecido branco e preso no beiral de cima, pronto para ser solto quando a sala estiver pronta.

    - Matte! Porque a cirurgia?

    - Não há um resquício de reiatsu emanando da garota. A hemorragia parecer estar entrando em estado critico – o encarou – sabe a causa dos ferimentos?

    - Ela foi atacada por um agressor nos canais.

    - E a ausência de reiatsu?

    - Etto...

    - Existe um objeto inibindo os poderes.

    Todos pestanejaram com a voz, derrapando no corredor. Sorrindo afetado Urahara estava diante deles e na cabeça outro chapéu listrado. Renji quase se entalou.

    - Urahara-san... Como?!

    - Abri um portal. Agora vamos cuidar de Karin-san.

    Seu rosto assumiu uma expressão séria tão forte que a enfermeira nem o expulsou. Os shinigamis levaram a maca para a sala acompanhados de Urahara. Abarai tentou segui-los, mas foi impedido pela enfermeira.

    - Preciso que me diga o nome da custodia.

    O tenente refletiu um pouco. Geralmente é costume o esquadrão do shinigami se responsabilizar, os gastos eram para a recuperação de batalhas, mas nesse caso... Pensou melhor e se decidiu

    - Coloque como o bantai dela e o Capitão Hitsugaya.

    A enfermeira estranhou.

    - Mas não é necessário que o capit...

    - É a namorada dele.

    A mulher levantou as sobrancelhas.

    - Ah! Certo.

    Anotando na prancheta ela caminhou de volta no corredor, enquanto que ele espiou pelo beiral. As roupas e a capa florida ensangüentada estavam numa pilha em cima de uma mesa de aço. Do outro lado, conectavam monitores de pressão cardiarca num braço pequeno em tempo de cobrirem a menina num lençol branco. Urahara estava curvado sobre o pequeno braço, parecia concentrado em algo. De repente, uma reiatsu retiniu emanando de dentro da sala e o ex-shinigami jogou um objeto curto numa bacia de metal. De imediato aquilo pegou fogo. O tom azul espantando os presentes e ele proprio.

    - O que foi isso?

    - Chamas de jigoku. A coloração nesse tom azul é característica.

    Pulou de susto no lugar. Se virando, encontrou Unohana taichou e sua tenente o observando serenas.

    - Cap..

    - Espero que não seja tão grave assim a situação dela. Vamos Isane.

    - Hai.

    A outra acompanhou e sem surpresa a reiatsu de Urahara desapareceu. Um dos shinigamis chegou perto do beiral e puxou uma corda. Acima o tecido branco se desenrolou tampando qualquer visão de dentro. Renji piscou para o nada. A Brigada inteira não poderia saber da invasão, mas pelo visto os outros Taichous e fukutaichous sim. Suspirou e caminhou para a saída. Teria que falar com Matsumoto. Assim quando a reunião com os capitães acabasse ela poderia avisar Hitsugaya taichou. Isto é, se o Comandante não tirar o cargo de todos.

    Horas depois

    HITSUGAYA POV

    Parados diante do Comandante Genryuusai, os capitães envolvidos na Invasão em Jigoku escutavam o sermão interminável. Eu simplesmente fiquei alheio as palavras do Soutaichou pensando em Karin, se já foi atendida, a gravidade real dos ferimentos e se... estava bem. Mesmo que nunca diga em voz alta, exceto para ela, uma coisa ficou bem clara nesta confusão. Com todas as batalhas que sofri, nas vezes que quase morri ferido gravemente, jamais experimentei a dor que senti quando Hirako me falou aquilo mais cedo em meu gabinete. O clima pesaroso junto com a frase mórbida.

    Eu não suportaria perde-la. É... Excruciante demais.

    - Qual a razão então, para cinco dos capitães da Brigada invadirem o inferno?!

    Levantei o olhar com a pergunta, mecanicamente respondendo.

    - A intenção de um Togabito criar um hibrido para escapar de Jigoku, Comandante.

    O homem abriu os olhos um pouco ao me encarar. Simplesmente me mantive impassível. Pude sentir até o olhar incrédulo dos outros taichous.

    - De que maneira?

    Meu estomago se revirou. Isso seria mais difícil do que pensei.

    - O portão que abriram foi com o propósito de seqüestrar a shinigami de meu esquadrão. Kurosaki Karin. Supondo que possua uma parcela do poder destrutivo de Kurosaki Ichigo em seu sangue, eles... – minha garganta se fechou, embargada de revolta e horror - ... iriam entrega-la ao líder e...

    Minha voz sumiu e não consegui mais falar. Isso era mal por não manter o profissionalismo, mas não pude continuar. Meus sentimentos estavam saindo do controle. Um silencio estranho pesou nesta sala. E notei que não foi preciso dizer mais nada. Ouvi um resmungo entediado, mas não me importei. Kenpachi simplesmente não queria estar aqui. Como o resto de nós.

    - Esse híbrido de shinigami e pecador seria forte o suficiente para destruir as correntes. Segundo o hollow que persuadirmos, há muito tempo planejavam isso.

    Relanciei o olhar para direita. Hirako assumiu a explicação. Distorcendo a verdade claro, mas dado a situação delicada não havia outro jeito se não fosse assim. Do contrario, seríamos presos e tirados do cargo por desobediência. A Central 46 era irredutível.

    - Ainda sim não explica o fato de não informarem e esperarem ordens para a invasão!

    - Yama-ji. Não havia tempo. Os togabitos tinham tanta urgência para o híbrido que quase não impedimos. Além disso, Hitsugaya Taichou não poderia deixar a propria mulher presa no Inferno.

    Prendi o fôlego, mortificado. Meu rosto esquentava involuntariamente. Isso era intimo demais. Matte, ele disse que Karin era minha mulher? Mais mortificado lembrei das duas vezes que proclamei isso em público, sem perceber. Atordoado perdi quase toda a discursão. Mal ouvia o que Kyouraku e Hirako diziam.

    - E isso é tudo?

    Pestanejei com a voz potente do Comandante e me alertei. Não posso ficar devaneando.

    - Hai.

    Respondemos em unisomo.

    A luz suave do amanhecer iluminava essa sala pelos quadrados no alto da parede. Passamos a noite em claro somente nisso.

    - Devido esse motivo é justificável o ato impensado de vocês. Mas não impunível.

    O silencio pairou outra vez. Agora as conseqüências, pensei pesaroso.

    - O Gotei 13 não pode ficar com cinco esquadrãos sem um líder – batendo o cajado, continuou – todos sem excessão farão milícia, pessoalmente, de todas as missões encarregadas de seus esquadrões.

    Pisquei incrédulo. Isso...

    - Matte, Soutaichou. Não há como...

    - Não discuta Hirako taichou!

    - Por quanto tempo faremos a milícia?

    A voz de Kuchiki atraiu atenção de todos. Ele sequer demonstrava estava indignado com isso.

    - Um trimestre.

    Dessa vez Kenpachi entrou na discurssão.

    - Tsk. Porque tenho que fazer uma coisas dessas?! Essas missões são uma perda de tempo!

    - Perda de tempo ou não, todo esquadrão recebe dezenas por mês! Não tem como acompanharmos todas!

    Hirako estava um passo a frente, junto do outro capitão. Os dois se entreolharam irritados e para completar, Kyouraku sorriu amistoso ignorando a indignação do Soutaichou.

    - Yama-ji. Salvamos uma donzela em perigo e ainda impedimos os planos dos Togabitos. Três meses é demais para qualquer um.

    Os olhos do Comandante se injetaram de raiva.

    - BANDO DE IDIOTAS!

    O berro ecoou por essa sala estremecendo as paredes.

    - O cargo de capitão não permite o direito de agirem sem pensarem! O Gotei 13 é uma ordem militar que rege Soul Society! Disciplina é algo que falta em vocês!

    - Soutaichou...

    Nos viramos para Kuchiki, o semblante calmo era estranho nessa confusão.

    - A invasão em Jigoku foi pensada num risco calculado. Policiar missões de qualquer calibre não é tarefa de um capitão.

    O Comandante arregalou os olhos mais indignado.

    - BANDO DE IDIOTAS!!!

    Em seguida, escutamos uma serie de sermões sobre sermos exemplo e não o contrario. Suspirei esgotado e cansado. Fazer milícia é sem duvida a melhor punição que podíamos receber. Suspensão dos cargos, impossível. Seria como nos dar folgas e claramente não é isso que o Comandante deseja. No entanto, era explícito a intenção de não estender o assunto. Tudo o que queria saber é quando será o inicio. Nessa semana, dei entrada nos protocolos para uma licença especial. Passarei semanas ocupados e pretendo resolver meu casamento com Karin logo.

    /////////////////////////////////////////////////////////////////

    - Com licença.

    Abordei uma enfermeira no balcão de informações. O 4º bantai estava movimento nessa tarde. Parece que um grupo de shinigamis voltou praticamente inconsciente de uma missão. Gemidos e gritos de suprimentos ecoavam por toda a parte. A mulher se espantou ao me ver. Reprimi um suspiro

    - Hitsugaya taichou, seus ferimentos...

    - Quero informações de uma shinigami do meu esquadrão.

    Ela piscou mais surpresa ainda. Pelo meu olhar entendeu que não admitiria um não, além do fato de estar com pressa. Somente ao meio da tarde a reunião terminou.

    - Claro. – se virou para o monitor procurando – o nome, por favor.

    - Kurosaki Karin.

    Esperei alguns minutos, segurando a ansiedade.

    - Está na ala pós-cirurgia, acabou de ser transferida para o quarto e... Matte! Capitão!

    Segui caminhando até o corredor de área de tratamento intensivo. Sentia a reiatsu dela lá. Os shinigamis paravam e se curvavam em respeito enquanto passava, assentindo mecanicamente. Quando finalmente entrei no corredor, depois de tantos que havia intricado, Unohana havia acabado de sair por uma porta, fechando-a em seguida. Apressei o passo e logo ela me avistou. A expressão calma.

    - Capitão Hitsugaya, achei mesmo que viria ainda hoje. Como foi a reunião?

    Parei diante dela.

    - Nada preocupante. Capitã...

    - Ela está dormindo, não creio que acorde agora.

    Meus ombros cederam de desamino, saindo do espanto e baixei o olhar.

    - Claro, eu... devia saber.

    - Mas poderá entrar se quiser.

    A encarei estranhando.

    - Isso não seria contra o repouso do paciente?

    Suspirando ela olhou para a porta ao lado.

    - Nesse caso, não. Conexão de Almas pode ser benéfico às vezes. A reishi do corpo está meio debilitada pela falta do atendimento imediato. A troca de energias servirá como uma barreira purificante à menina.

    Minha estranheza apenas aumentou.

    - Como assim?

    Seus olhos me encararam.

    - O miasma de Jigoku é um veneno. Demoramos na cirurgia para tirar todo do sistema fisiológico e a reishi está vulnerável.

    Engoli em seco.

    - Qual o real estado dela?

    O que me disse a seguir não foi nenhuma novidade, não entanto, Unohana me contou algo mais que me fez perder a noção de tudo em volta, exceto do que me contou. A realidade lentamente caiu em mim e olhei para a porta do quarto onde Karin estava, sorrindo um tanto tolo e tremulo.

    HITSUGAYA POF

    KARIN POV

    Gritos. Irados e histéricos me despertaram uns instantes do torpor. Não havia aberto os olhos, mas as vozes alteradas ficaram mais nítidas, atraindo minha atenção.

    - ... Como pôde ter feito isso?! Ela é a única herdeira do clã e você desgraça...

    - O sobrenome Shiba foi tirado no instante que renegeram o líder de vocês.

    - Ele não honrou o nome da família. Abandonando tudo por causa de uma quincy!

    - Um instante, ji-ji. Não meta a Masaki nisso.

    Pai? Essa voz... era do meu pai. E ainda, parecia que Toushirou estava discutindo também. Quem eram esses senhores? E porque essa discursão?

    - Acho prudente continuar a conversa em outro lugar.

    A voz dessa pessoa me pareceu vagamente familiar. Quem era?

    - Kuchiki, o senhor como líder do seu clã bem sabe do problema. A descoberta dessa herdeira trairia frutos de uma bela união com outro clã. Mas agora nem mais virgem ela é. Como arranjar um casamento nobre assim?

    - Karin não vai casar forçada!

    O choque me atravessou. Estavam falando de mim! Abri os olhos com esforço e a tontura me engolfou. Me deixando tão area que não consegui enxergar nada em volta. Antes de desmaiar ainda escutei.

    - Irá sim, Shiba Isshin. Quanto logo melhor.

    /////////////////////////////////////////////////////////////

    Casar... Shiba... Meus pensamentos estavam incoerentes. Nada fazia sentido. De repente, senti um toque em meu rosto. Deslizando até meu queixo e subindo por minha bochecha, acariciando minha orelha. Teria me relaxado, no entanto, invés de imagens boas uma pior explodia em minha mente. Cabelos azulados quase escondendo o rosto eufórico, deliciado e perverso. O peso do corpo dele me machucava, sua mão tentava rasgar minha roupa e entrei em pânico, tentando me mexer e não conseguia. Meu corpo não respondia. Chorando, balbucei apavorada, querendo que me tirasse disso.

    - Toushirou.

    O monstro de cabelo azul me abraçou, levantando meu tronco e chorei mais forte.

    - Não.

    - Karin, acorde.

    Um cheiro gelado clareou minha mente, me fazendo arfar e abri os olhos. Tremula encarei uma parede branca e os braços ao meu redor estreitaram mais, me aninhando no peito da pessoa. O cheiro gelado me aliviou tanto e fechei os olhos, enterrando o rosto em seu pescoço enquanto meus dedos agarravam suas blusas.

    - Esta tudo bem.

    O timbre da voz me acalmou mais e espiei levantando o olhar. Mechas brancas, rentes na nuca e a gola do haori confirmaram. Eu sabia que era ele assim que acordei, mas queria ver, sossegar o pânico da lembrança ruim.

    - Como me encontrou?

    Fechei os olhos, me aconchegando mais e Toushirou suspirou profundamente. Seu fôlego se filtrava entre meus cabelos.

    - Eu te encontraria em qualquer lugar.

    Me arrepiei com isso e seu rosto roçou o meu, seus braços me afastando o suficiente para que sentisse sua respiração banhando meu rosto, me entorpecendo.

    - Toush...

    Seus lábios me calaram. Moldando nos meus e prendendo com ânsia. O fôlego sumiu e antes que pensasse eles se moveram. Lentos, exigindo minha boca como se fosse sua propriedade e ainda sedentos, saudosos como se a qualquer segundo eu fosse fugir. A língua que costumava invadir minha boca não apareceu. Ela estava roçando meu lábio superior, apenas sentindo o gosto. Um gemido duplo ecoou por dentre o beijo mais sufocante que Toushirou já me deu e minha cabeça girou, mais tonta do que já ficou um dia. Ofegante, tentei respirar, mas ele não se afastava, ao contrario, me apertava mais e uma mão subiu pelas minhas costas até alcançar minha nuca. Dedos afundaram em meus cabelos, juntos aos arrepios e Toushirou inclinou minha cabeça para trás, para ter acesso melhor do que já tinha dos meus lábios.

    Estremeci mais em sintonia com seu beijo e num arfar, pesaroso Toushirou afastou o rosto. Entreabri os olhos confusa e enxerguei tudo borrado.

    - Está quase desmaiando.

    Minha confusão aumentou. Impressão ou tinha um tom sorridente na sua voz.

    - Como...?

    - Respire Karin.

    Sua testa encontrou a minha, colando e pude sentir o fôlego falho em meu rosto.

    - Unohana não vai gostar se prejudiquei sua paciente.

    Foi quando as coisas ficaram claras. Piscando observei em volta sem me mexer e vi que estávamos sentado numa cama de hospital. Um lençol branco cobria minhas pernas e pude sentir que vestia um kimono. Olhei meus braços e encontrei mangas brancas. Estava com certeza no 4º bantai.

    - O que aconteceu? Há quanto tempo estou aqui?

    - Quando voltamos de Jigoku, Abarai te deixou aqui e logo a levaram para a sala de cirurgia. Sua hemorragia estava forte demais.

    O encarei e Toushirou parecia tão... sereno. A expressão do seu olhar no entanto, fez meu coração disparar, enlouquecido de emoção. O verde estava intenso e profundo, dizendo tantas coisas, mas principalmente... o quanto me amava. Fiquei sem ar outra vez.

    - O que foi?

    Me perguntou calmo e respondi sem pensar.

    - Eu também.

    - O que?

    - Eu também te amo.

    Seus olhos arregalaram um pouco e brilharam. Lentamente um pequeno sorriso se abriu e ele se inclinou, colando breve os lábios nos meus e sussurrou ao se afastar.

    - Não sabe quanto é bom em ouvir isso.

    Meu rosto esquentou e curvando os lábios, Toushirou se afastou mais ao ponto de me soltar, somente segurando minha mão esquerda. Fiquei mais vermelha e encabulada mirei nossas mãos dadas e notei uma coisa que quebrou todo o momento romântico. Nervosa, engoli em seco e ele percebeu, apertando mais minha mão.

    - Karin...

    - Porque tem anéis no seu dedo e no meu?

    - Acalme-se, você...

    Puxei a mão da sua, mas ele agarrou mais forte, prendendo. Uma histeria subia dentro de mim e lembrei da discursão.

    - Toushirou!

    Tentei de novo e o apertou só aumentou. Isso não pode ta acontecendo. Quer dizer, encarei mais nervosa os anéis, em ouro fino e lisos adornando nossos dedos anulares, da mão esquerda. Eu não sou idiota. Isso só podia...

    - Karin, fique calma.

    - Como você pôde?!

    Quase gritei e levantei o rosto, meus olhos marejaram. A expressão serena dele me irritou, aumentando a histeria. Tentei soltar minha mão mas ele não deixava.

    - Me solta!

    - Não. Precisa me escutar e não sairei correndo atrás de você.

    - Eu não...

    - Iria correr filha, eu te conheço.

    Pestanejei de susto e virei o rosto para a voz. Parado perto da porta, encontrei um homem vestindo um shihakushou e um bracelete no braço direito, prendendo uma capa que suspeitei num segundo ser um haori. Chocada simplesmente assisti ele fechar a porta e se aproximar da cama, sentando um banco.

    - Antes que diga algo, lembra da conversa que escutou semana passada?

    Sorriu brincalhão e arfei mais.

    - Semana passada?! Mas parecia ontem.

    Fechei a boca e Oyaji soltou um risinho, como detestei isso.

    - Isso é bom, me poupa o trabalho de contar a história toda.

    - Que história?

    O olhei desconfiada, tentando ficar calma  e sua expressão se esvaziou, tornando-se séria. Ver isso me deixou mais nervosa, supresa.

    - Como ouviu, meu nome era Shiba Isshin filha e Kuukaku é minha sobrinha. Somos de uma das famílias nobres, há tempos expulsa de Seireitei por atos irresponsáveis. Bom, os velhos pensam assim.

    Toushirou apenas permaneceu quieto, segurando firme minha mão. O olhei desconfiada, me sentindo estranha nessa conversa.

    - Você sabia?

    - Sim.

    Minha raiva aumentou.

    - Então porque...?

    - Ele não podia Karin, até porque até pouco tempo Toushirou nem sabia que sou seu pai.

    O encarei surpresa,  muda e tentei dizer algo, mas não consegui. Aproveitando Oyaji continuou.

    - Vinte e cinco anos atrás eu era o líder do clã Shiba e capitão do décimo esquadrão. Toushirou na época era meu terceiro oficial e Matsumoto minha tenente.

    Meu queixo caiu. Quase rindo ele continuou.

    - Nessa época conheci sua mãe. Ela me salvou e apesar de eu ser um shinigami, me revelou que era uma quincy. O amigo Ishida de Ichigo é um quincy também, filho do primo de Masaki. Dois dias depois fui visita-la escondido e descobri que o hollow que derrotou infectou ela, quebrando sua alma numa transformação hollow desgovernada. Sabe do que estou falando.

    Assenti ainda muda. Ichi nii havia me contado sobre esse poder, do monstro que vive dentro dele e aprendeu a controlar.

    - Sua mãe ia morrer então fiz a única coisa que podia. Salvei a vida daquela que me salvou. Claro, meus poderes se perderam, virei praticamente um humano normal e passei a morar no Mundo dos Vivos. Eu não me arrependo disso, tenho três lindos filhos e tive uma esposa maravilhosa.

    Franzi a testa.

    - Mas...

    Seu sorriso sumiu.

    - Sim, tem um mas. Horas depois do seu seqüestro, os anciões descobriram sua existência. Me intimaram no Mundo dos Vivos e cobraram uma explicação. Porque não havia dito que uma das minhas filhas se tornou uma alma? Que voltou às origens da família? Simplesmente disse que não era da conta deles e praticamente invadiram o escritório de Unohana. A fizeram contar todo seu quadro, os exames e mesmo contra vontade, ela teve que fazer um. É tradição e cheguei tarde pra impedir.

    - Que.. que exame é esse?

    Toushirou apertou levemente minha mão e o olhei, seu rosto estava revoltado.

    - Quando uma herdeira esta na puberdade, fazem um exame para averiguar...

    - O que?

    Olhando para o vazio, seus olhos se estreitaram irritados.

    - A castidade. É quando arranjam casamentos entre a nobreza e o resultado os enfureceu.

    Todo o sangue fugiu do meu rosto. Olhei em pânico para meu pai e me espantei, ele sorria divertido e malicioso. Que tipo de pai é esse?! Nem se irritou!

    - Toushirou é um bom rapaz filha. Eu sei que ele te tratou bem.

    Piscou mais malicioso e me entalei. Queria que o chão se abrisse e me engolisse! Quase rindo, esse velho continuou.

    - Enfim, a discursão que ouviu foi quando eles souberam e causaram esse alarde. Byakuya até tentou apaziguar, mas não deu certo. Dias depois casaram você e Toushirou por procuração. Kuukaku assinou os papeis quase torrando tudo de tanta raiva. Ela era a única que podia te representar.

    Se virou para Toushirou.

    - Lamento que tenha estragado seus planos, mas ainda sim estão casados.

    Arfei mais chocada ignorando a risada de Oyaji e observei Toushirou. Ele ainda olhava para o nada, sua expressão meio irritada.

    - Não queria que fosse assim.

    Silencio. Ele se estendeu ao ponto que ficou desconfortável. Percebendo, Oyaji se levantou, batendo uma poeira imaginaria na hakama.

    - Bem, bem... felicidades aos dois. Acho que expliquei tudo. – caminhou para a porta, de repente, pensativo – Será que serei avô esse ano, ou depois? Não, acho que ainda esse ano!

    Arregalei os olhos. Saiu do quarto antes que gritasse com ele, na verdade, queria gritar, mas emudeci de novo. A mão agarrada na minha passou a brincar com meus dedos e voltei meus olhos para ele. Toushirou ainda fitava o vazio, ainda serio e pensativo. Eu deveria falar alguma coisa não é? Quer dizer, acordo num hospital e descubro que casei! Qualquer uma teria ficado histérica. E ainda a história do meu pai...

    - É tão ruim?

    Pisquei com seu tom embargado. Parecia... estranho.

    - O que?

    - A idéia de ser minha esposa.

    Me encarou serio, mas mesmo assim não conseguiu esconder. Ele estava magoado!

    - E-e-eu...

    - Daijoubu. A nossa relação tem pouco tempo e... mesmo sem esse problema com o clã, fui precipitado demais.

    Desviou o olhar, arfando leve. Parecia está se segurando. Lentamente comecei a me arrepiar. Meu nariz passando a arder. Um trincado súbito quebrou o silencio e olhei em volta, prendendo o fôlego. A mesinha ao lado da cama estava coberta por camadas de gelo. O trincado foi o vidro de um remédio em cima dela. Pasma vi o gelo aumentando e então o vidro espatifou. Junto com o liquido dentro dele. Olhei as paredes e mais gelo subia, lentamente mas forte. O encarei nervosa e percebi que não era magoa que ele reprimia, era pânico.

    Tentei manter a conversa normal, pelo visto ele estava alheio ao gelo em nossa volta.

    - Não é ruim. Eu... só não esperava. Achei que você tivesse me obrigado.

    - Eu nunca faria isso.

    O quarto ficou mais frio e me xinguei. Burra, Karin. Você é muita burra!

    - Eu...

    - Suman.

    Pisquei confusa. Por que ele tava se desculpando?! Suspirando tremulo, Toushirou fechou os olhos e o quarto se aquecia outra vez.

    - Não havia que notado que estava congelando.

    Meu rosto queimou. Aos poucos fui pensando mais na situação e meu coração disparou acelerado, ansioso ao lembrar como me chamaria agora e... simplesmente as palavras Hitsugaya Karin faziam todo o sentido pra mim.

    - Quando vou ter alta?

    Ele piscou com meu tom, de repente, jovial. Não escondi, na verdade ainda estava com vergonha e não parava de pensar em uma coisa.

    - Dependendo do seu estado, hoje mesmo. – me fitou com curiosidade, o pânico sumindo – Porque?

    Meu rosto esquentou mais. Me sentia boba, ansiosamente feliz e boba. Seus dedos ainda brincavam com os meus, o carinho passou a me arrepiar.

    - Bom... agora vamos morar juntos, não é?

    A dúvida em seu olhar sumiu, aderindo um tom quente, terno. Apenas fiquei mais vermelha.

    - Como nossa casa ainda está em obras, vamos ficar em meu alojamento no esquadrão. É isolado do resto quartel, mas será temporário.

    Sorri tímida.

    - Vo..você procurou por uma, enquanto e-eu estava aqui?

    Pensando longe, ele suspirou.

    - Na verdade, já era minha. Quase não a uso e é mais fácil para mim ficar no esquadrão.

    - Tudo bem, é ótimo.

    Voltando a me encarar ele fixou o olhar no meu, descendo lentamente enquanto se inclinava em mim. A essa altura estava tonta com seu fôlego soprando em meu rosto. Sussurrando, seu outro braço deu a volta em minha cintura ao puxar.

    - Sem dúvida.

    Colou a boca na minha, suspirando sedento e fechei os olhos, aproveitando o beijo que se molhava, minha boca sendo invadida por sua língua e tendo a minha sugada. Agarrei suas blusas, me entregando e devolvendo com igual volúpia o ardor dele. Mesmo que estivesse cansada pelos dias de internação, eu não vou abrir mão das minhas núpcias, que pelo beijo serão inesquecíveis.

    ////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

    Duas semanas depois.

    Apareci no grande pátio da academia, ignorando os sustos que dei num grupinho de garotas e segui meu caminho. Meu humor não estava dos melhores e se quiser saber, eu nem importava que se espantassem com minha expressão fechada, até um tanto irritada.

    Certo, eu estou MUITO irritada. Cruzei o campus com o shumpo, entrando no prédio e logo surgi diante da porta da minha sala. Fazia uma semana que voltei as aulas e ainda as pessoas me olhavam chocadas. Suspirei tentando não me estressar hoje e entrei seguindo até minha fileira e subindo os degraus. A maioria dos alunos já estava aqui e muitos pararam para me olhar, cochichando.

    Estreitei os olhos, fingindo que não notei e sentei em meu lugar, largando a mochila na mesa e tirando a zanpakutou das minhas costas. Peguei todos os textos e uma pasta branca com meus trabalhos. Estava organizando tudo o que perdir dos dias que faltei.

    - Ohayo Kuro.. quer dizer, Hitsugaya.

    Suspirei amuada.

    - Ohayo Barbie.

    A garota se sentou na mesa, me observando atenta.

    - O que foi? Parece cansada.

    Ajeitei os papeis pegando meu pincel e a tinta. No entanto, encarei a folha em branco um pouco triste.

    - Nada, só... que faz uma semana sabe?

    - Ah. Bem, ele deve ta muito ocupado, vocês sempre conversam.

    Meus ombros murcharam mais.

    - É.

    De repente, minha pele ardeu. Ergui os olhos flagrando Sakai com seus amigos, me encarando desdenhoso. Isso me irritou.

    - O que foi plebéia? Por acaso perdeu alguma coisa?

    A palavra perdeu me irritou mais. Apertei o pincel e o ignorei. Não daria o gostinho pra esse nobre me provocar. Seria a quinta vez essa semana.

    - Em seus lugares. A aula já irá começar!

    O professor Igarashi anunciou alto.

    - Até mais tarde.

    Acenei mecanicamente pra Barbie e continuei meu trabalho. Era sobre formas de luta em situações de batalha. Teria que descrever o que fazer se caso o shinigami se encontrasse com os poderes selados, sem a zanpakutou, numa luta com múltiplos inimigos e por aí vai. Renji até que me ajudou bastante e aquele careca do Ikkaku também, mas... queria ter pedido ajuda ao Toushirou.

    Quando voltamos para o quartel naquele dia, ele me apresentou seu alojamento que na verdade, se tratava de uma casa. Os quarto e o escritório ficavam no segundo andar como já sabia, no entanto, na semana que fiquei por lá antes do seqüestro não havia notado o resto dos cômodos. As paredes verdes claras e o piso de madeira me deram uma sensação um pouco estranha. Mas seria só três meses, então tudo bem. Porem, quando pensei que ele ia me levar para o quarto e passar uma noite quente e romântica comigo, Toushirou me avisa que vai sair em milícia numa missão. Punição por ter invadido o inferno no resgate.

    Claro, ele não disse isso. Foi Rangiku. Falando nisso, ela me ajudou muito na cozinha. Aprendi em pouco tempo como cozinhar sem estragar a comida, mas... eu passava a maior parte do tempo sozinha. Parecia que me casei com ninguém. E agora meu estomago se embrulhava por qualquer coisa. Fiz uns sashimis ontem e mal agüentei olhar o peixe depois. Toushirou para me frustar chegou tarde do escritório e seguiu direto para o futon. Dormindo.

    Eu perdi duas horas cortando os filés e ele nem comeu! Que ódio! Meus olhos lacrimiram e me irritei mais. Limpei disfarçando para ninguém perceber (Sagashin me olhava preocupado) e continuei meu dever.

    /////////////////////////////////////////////////////

    O intervalo tocou e me levantei do lugar. Antes que o professor saísse desci correndo as escadas e o abordei. Sua sobrancelha levantou cética e arrogante quando estendi o trabalho, e notei cansada, que ele olhava minha aliança.

    - Aqui, sensei.

    Pegou as folhas sem nem me olhar na cara e saiu. Suspirei chateada. Serio, isso já está me irritando. Quando dei a volta para a porta uma pessoa me abordou. Travei os dentes. Sakai...

    - E então plebéia, como vai a vida de casada?

    Varias pessoas pararam e notei a Barbie se aproximando.

    - Kabuto, você...

    - Qual é Yuuki? Todos querem saber. É o escândalo do século!

    Prendi o fôlego, ofendida e bufei de raiva

    - Não te interessa.

    Dei a volta e Sakai continuou, a voz saindo arrastada.

    - Sabe, eu até achei que ficaria toda sorridente, mas parece que o taichou não esta dando conta do recado né?

    Varias pessoas riram e estremeci apertando os punhos. Eu devia ir embora, mas invés disso me virei encarando esse esnobe.

    - Minha vida pessoal não te diz respeito, nobre metido e acho bom parar, senão vai ficar sem falar por um bom tempo.

    Ele arregalou os olhos quase rindo.

    - Como é?! Essa pose de certinha não te serve mais. Casar adolescente, que loucura e ainda por cima está sendo um belo fracasso, estou certo?

    Apertei os olhos, tremendo mais e meus olhos arderam. Antes que percebesse uma lagrima desceu e os risos aumentaram.

    - Olha só, então é verdade

    Agi sem pensar, antes que me segurassem sumi no shunpo agarraram numa bainha da zanpakutou e estiquei acertando o queixo desse idiota. Sangue respingou e chorei de mais raiva. Todo mundo arquejou enquanto ele tropeçava com as mãos na boca, gemendo horrorizado.

    - Eu quero que você se exploda! Babaca!

    Se virei e corri no shunpo, louca pra sair daqui. Quando dei por mim estava saltando os telhados, quase chegando ao esquadrão e minha crise de choro passou, rápido. Magicamente. Ao aparecer nos portões, entrei pensativa sem reparar em nada. Serio, o que havia comigo? Não deveria ter chorado, batido sim, mas chorado? Não sou disso.

    Suspirei procurando esquecer o escândalo que armei, tenho que fazer um outro trabalho e... talvez o Toushirou pudesse me ajudar agora. Não o ouvir dizer nada de milícia esta semana. No entanto, quando entrei em seu escritório o procurando, encontrei Rangiku pintando as unhas... sozinha. Meu dia hoje estava ficando cada vez pior.

    - Oi Karin-chan.

    Sorri amarelo e sentei no sofá. Largando minhas coisas ao lado suspirei. Encarava minhas mãos, agarrando nervosa o tecido vermelho da calça.

    - O que foi?

    Fiquei calada. Seria bom contar pra ela? Afinal, é experiente e... ah que saber, eu não agüento mais viver assim.

    - Promete que não conta pra ninguém?

    Mal terminei de dizer e o ar deslocou ao meu lado. Se inclinando ansiosa pra mim, ela sorria, animada e maliciosa, quase me arrependi de ter falado.

    - Claro que sim. É sobre o que? Sua vida intima com o capitão?

    Me entalei, meu rosto tingindo de vermelho.

    - Co..como?

    Estreitando o olhar, sua malicia aumentou. Fiquei mais envergonhada.

    - Não precisa mentir, eu sei que não estava saindo como você quer, senão essa carinha de desamino não aumentava durante essas semanas.

    Suspirei derrotada e encarei minhas mãos.

    - É que...sabe...

    - Pode falar.

    Seu tom foi mais persuasivo e soltei tudo de uma vez.

    - Não aconteceu nada, Rangiku. E quando digo nada é nada mesmo. Todo dia ele chega cansado, evita de me tocar. Acho que é porque tive aquele pesadelo de novo

    Mordi o lábio, meu terror com Shuren ainda estava difícil de esquecer e soltei um berro quando Toushirou beijou minha orelha numa noite. Desde então ele não tenta nada.

    - Eu... não sei o que fazer. Acho que ele... enjoou de mim.

    Meu rosto atingiu um tom vermelho rubro, igual à minha calça. Para minha confusão, essa ruiva soltou uma risada, me fazendo encara-la irritada e magoada.

    - Para! Não tem graça.

    Controlando o riso ela se acalmou.

    - Tudo bem, é só que... eu não consigo imaginar meu capitão.. se sabe.

    Como se fosse possível fiquei mais vermelha. Ela se revirou em outra risada. Não agüentei, peguei minhas coisas, me xingando de burra por ter confiado nela. Antes que saísse pela porta, Rangiku me chamou.

    - Calma. Eu vou te ajudar.

    - Ah é? Como ?

    Devolvi sarcástica e ela sorriu. Ninguem merece.

    - Eu duvido muito que o Taichou não te quer mais. Então... vou te ajudar.

    Senti um calafrio na espinha com seus olhos brilhantes.

    - O..o que vai fazer?

    Se fingindo de surda ela andou de volta pra sua mesa de trabalho.

    - Hum... acho que o Taichou chega da reunião daqui a pouco. É melhor estar em casa Karin-chan.

    Sorriu mais maliciosa e escapuli dali até o alojamento do capitão. Entrei na sala e suspirei tremula. Serio, o que ela vai fazer? As idéias da Rangiku são geralmente malucas. Bom, deixei minha bolsa no sofá creme e comprido e subi as escadas. Tomar um banho e trocar de roupa. Como Toushirou geralmente só aparece a noite, peguei um kimono seu. Apenas a blusa clara e coloquei por cima das peças intimas. Criei esse habito quando viajou semana passada. A roupa tinha o cheiro dele e esquecia a saudade, mas... agora todo dia uso e depois guardo dobrada e passada no armario.

    Com os cabelos molhados e vestida assim, desci e fui até a cozinha. Uma mesa média de madeira ocupava o centro, forrada numa toalha amarela e ao redor nas paredes estavam os armários de louças abaixo e de mantimentos acima. A pia ficava diante da janela e o fogão também ficava embutido nesses armários. Estranhei essa modernidade, na casa da Kuukaku não era assim, mas tudo bem. Pegando uma maçã da fruteira na mesa fui para sala e sentei no sofá. Começando outro trabalho.

    Meia hora depois corri até a cozinha e peguei outra fruta, estava com tanta fome de maçãs que não conseguia me controlar. Devorada a terceira quando uma reiatsu entrou de repente aqui dentro e então, antes que me virasse, mexeram no meu cabelo.

    - O que está fazendo?

    Prendi o fôlego com o tom abafado e me virei. A um palmo de mim Toushirou me observava de um jeito estranho. Ele arfava, seus olhos estreitavam e pasma vi o tom verde escuro, profundo e hipnotizante. Eu apenas o vi assim quando...

    - Karin?

    Sua mão espalmou minha bochecha, os dedos mergulhando nos meus cabelos, estremeci tonta.

    - Eu.. eu só estava comendo.

    - Ah.

    Seu polegar roçou meu lábio inferior, o deixando vidrado com o carinho que fazia em mim. Isso em todos os sentidos me arrepiava.

    - O.. o que você tem? Parece estranho.

    Agarrando o cachecol ele o tirou brusco, me espantando e sua mão escorregou pra minha cintura, agarrando e apertando. Arfando de susto, notei que estava sem a zanpakutou e o assisti chegar mais perto de mim, me empurrando contra mesa.

    - Não sei. Estou com tanto calor. E você está cheirando tão bem.

    Enfiou o rosto na curva do meu pescoço. Seus braços me prendendo pela cintura junto dele e chiei fechando os olhos, estremecendo mais. Pressionando meu ventre, uma ereção se monstrava amolecendo minhas pernas. Sua língua me lambeu demorada e gemi arrepiada. Serio, o que há com ele?

    - Toushi...

    Seus mãos desceram pras minhas coxas e levantaram a blusa até minha cintura, mal me situei e então elas me agarraram, tirando do chão me sentando na mesa. Um braço seu passou atrás de mim e ouvi a fruteira cair, as frutas rolando no chão. Soltei um gritinho quando ele me empurrou, gentil, mas apressado me deitando. Dedos chegaram a minha calcinha e ouvi um rasgo ficando nua da cintura para baixo. Ele abriu minhas pernas se debruçando em mim, enterrando o rosto na minha barriga e lambeu até chegar aonde queria.

    Chocada senti ele me sugar com avidez, sedento. Gritei alto agarrando a toalha da mesa e isso o estimulou, aumentando a força. Tentei me mexer, mas ele me prendia no lugar. Firme, agarrando minhas coxas enquanto se deliciava, gemendo rouco. Meu rosto queimou. Isso era bom e luxurioso demais. Eu não parava de gemer, sua língua passou a girar, lambendo toda minha intimidade. Sua saliva e o toque enlouquecido me excitaram demais, já estava molhada e pouco a pouco aquela sensação vinha, crescendo e travando minhas pernas. Quando dei por mim estava me arqueando, prendendo o fôlego. O ouvir engolir o liquido que saía de mim e estremeci mais, grogue.

    Achei que ia parar, mas continuou. Me torturando com sua boca até que na quinta vez desabei frouxa em cima da mesa. Me arrastaram mais para o meio dela, embolando a toalha e ouvi uma roupas caindo. Tonta entreabri os olhos em tempo de Toushirou se debruçar sobre mim, uma mão sua soltou o obi branco, abaixando sua calça e a outra abriu minha blusa, afastando as abas. Dentes roçaram meu colo e morderam meu sutiã. Como da primeira vez ele o rasgou. Arrancando de mim o tecido e abocanhou o mamilo, sugando forte. Me agarrei nele e me levantando pelo quadril, me penetrou de uma vez. Gemi alto e sua mão cobriu minha boca, abafando.

    Entendi por que. Estava praticamente gritando. Todo mundo a essa hora circulava por aqui. Ninguém precisava ouvir o que estávamos fazendo. Me arqueando, sua mão livre se enfiou entre nós deslizando até meu ventre. Senti uma energia entrando em mim, enquanto ele estava parado. Ela se alojou e então ficou inerte. Antes que entendesse ele voltou a me apertar contra ele e estocou forte, me fazendo gritar outra vez de prazer.

    A mesa balançava, batendo no chão e som me matava de vergonha. No entanto, estava grogue de mais. Ocupada em sentir as estocadas fortes e rápidas que ele fazia em mim. No meio deles, seus lábios abandonaram meu seio indo para outro. Esse morsdicando, quase rosnando e isso me excitava. Ainda me calava com a mão e não parava de me penetrar. Minha coxas batiam em suas pernas rápidas, quase doendo. Mas não machucava, pelo contrario. Não sei quanto tempo ficamos assim. Só percebi a demora porque minhas pernas deram câimbras. Na ultima estocada estremeci junto com ele e gemendo rouco, Toushirou se demarrou dentro de mim. O liquido quente me inundou e meu orgasmo escorreria por minhas coxas.

    Fechei os olhos ofegante e sua mão saiu da minha boca. Senti ele me agarrar pelos braços me puxando até sentarmos e ele tirou a blusa que eu ainda vestia, me deixando nua antes de me abraçar. O ar deslocou em nossa volta e de repente, minhas costas deram de encontro a uma parede. As mãos agarrando minhas coxas me puxaram para cima, tirando o membro excitado de dentro de mim e arfei com a sensação.  Toushirou então passou a se esfregar e minha agarrei nele, tremula e gemendo baixinho.

    Essas atitudes, o modo como me tratava me fez ter aquela duvida outra vez. E ele então parou de se mexer, se inclinando para longe e me encarando entorpecido, rubro de prazer.

    - Fale.

    Engoli em seco. Ele percebeu.

    - Com quantas mulheres.... você já...?

    - Uma.

    Franzi a testa, arfando. Ele deu um meio sorriso, o olhar baixo e mais denso de luxuria.

    - Ainda não entendeu?

    Fiquei mais confusa. Apertando ainda mais minhas coxas, suas mãos me subiram mais até meu rosto estar no mesmo nível que o seu. Arfando, seu folego que soprava me deixava tonta. Vendo isso, seu sorriso abriu mais, ao mesmo tempo que roçava seu membro na minha intimidade outra vez. Úmida e sensível. Prendi o folego.

    - Adoro esse rubor... é a minha principal fantasia.

    Estremeci, meus olhos aumentando de choque.

    - O.. o que?

    Ele quase riu. Tombando a cabeça, as mechas brancas e suadas caíram nos olhos que me observavam mais escuros, sedentos. Ai, meu Deus!

    - Não foi a única que perdeu a virgindade naquele dia.

    Parei de respirar.

    - Você...

    - Aconteceu do jeito que eu queria.

    Afundou o rosto na curva do meu pescoço. Suspirando, ele deu um passo me prensando mais. Suas mãos me puxaram pelas minhas coxas ao mesmo tempo em que sentia a ponta do seu membro em minha fenda. Lentamente ele me puxou para baixo, gemendo enquanto se afundava dentro de mim. Arquejei agarrando seus cabelos, minha outra mão arranhando suas costas. Ouvi um silvo de dor e Toushirou me puxou com mais força para baixo. Gemi ao sentir ele totalmente dentro de mim. Estava maior, mais rígido. Como...?

    - Tão apertada...

    Arremeteu me puxando. Gemi alto tentando me arquear, mas não consegui. Ele me apertava contra parede, se pressionando contra mim. O peito arfante subia e descia com força enquanto suas mãos deslizaram para meu quadril, me firmando no lugar. Enrosquei as pernas na sua cintura e Toushirou voltou a me penetrar. Forte e fundo. Mais calmo do que na outra vez. Desse jeito... Eu.. eu vou...

    - Ainda não... agora vamos devagar.

    Ele recuou e voltou a se enterrar. Arqueei sem folego, minha voz saindo alta. Ecoando pela cozinha. Com o rosto queimando entreabri os olhos, vendo a mesa totalmente bagunçada, a toalha embolada e amassada. Toushirou me penetrou mais forte, me fazendo estremecer. Ele começou a subir e me descer devagar, arremetendo contra mim e soltei gemidos altos. Minhas costas na parede grudavam de suor, junto meus cabelos úmidos e agora suados. Com certeza, desalinhados. Ele gemia rouco e profundo no meu ouvido. A respiração ofegante e irregular arrepiava minha pele, descendo e se espalhando enquanto algo dentro de mim vibrava e... infelizmente era meu ventre. Arfando vi as paredes da cozinha embasarem, meu senso de equilíbrio girar... Eu... estava desmaiando? Senti uma estocada forte e estremeci mais, minha cabeça girando enquanto o comodo ficava mais e mais quente.

    O coração contra o meu batia frenequetemente, tão diferente da maneira como me penetrava, numa lentidão torturante. Toushirou estava sendo tão calmo comigo. De repente, meus arrepios dobravam. Os tremores aumentaram enquanto era balançada a cada estocada e uma sensação crescia nos meus nervos, subindo dos meus pés os deixando dormentes e seguia caminho parando no meu ventre que estremecia mais e mais por dentro. A euforia que sentia ia crescendo, meu corpo todo ficando tenso. Toushirou percebeu e passou a ir mais forte, logo dentes mordiscaram meu pescoço subindo e descendo, alcançando a pele sensível atrás da minha orelha. Virei o rosto arquejando, agarrando mais seus cabelos e meu sexo latejou mais forte, rápido.

    Se apertando ainda mais em mim, Toushirou acelerou e não aguentei. Um gemido alto e angustiante ecoou e todo meu corpo estremeceu. Minha mente estilhaçava em mil pedacinhos enquanto engolia o folego, apertando os olhos. A sensação aguda gritava por dentro de mim enquanto ele continuava me penetrando. Estava paralisando, tremendo em espasmos e sentindo cada nervo se eriçar, tirando meu ar. Ainda ouvia alguém gemendo em meu ouvido, a respiração morna e abafada. Dedos me apertaram e me levantavam enquanto me puxava, o sexo rígido e latejante saindo e se enterrando dentro de mim. De repente, ficou mais escorregadio. Foi então que percebi um liquido quente escorrendo por entre minhas coxas, nos melando. Senti ele parar de se mover, me abraçando forte enquanto eu estremecia. Um zumbido tomava meus ouvidos me deixando tonta e fraca e minhas pernas se descruzaram, eu nem conseguia mais me segurar nele.

    Dando um passo para tras, Toushirou nos desencostou da parede e afundei o rosto na curva de seu pescoço. Arquejando e o ar deslocou em nossa volta. Um instante depois me deitou num tecido grosso e macio. O corpo febril e suado me prensava, me impedindo de respirar direito (mesmo que estivesse arquejando) e então ele se afastou um pouco. Uma mão deslizou por debaixo da minha nuca e ergueu minha cabeça. Ao colocar de volta, repousou em cima de algo também macio que haviam colocado lá. Entreabri os olhos, sentindo o corpo quente e suado descer sobre mim e antes que dissesse mais alguma coisa Toushirou se apertou, seus braços segurando bem firme no lugar e  arremeteu. Soltei um gemido tão alto ao jogar a cabeça para trás que me puxou com mais força, me penetrando bem fundo. Um folego arquejante bateu de encontro com minha pele arrepiada, chegando no meu colo. Baixei o olhar, vendo mechas brancas suadas e bagunçadas. Toushirou estava com o rosto enterrado no meu busto e se remexeu, soltando um braço ao se esticar acima da minha cabeça, sua mão agarrando o encosto do sofá enquanto a outra ele abaixava mais a calça, ao ponto que ao chegar nos joelhos a chutou pra longe, jogando no chão.

    Espere, sofá?

    Olhei mais atenta em volta e arfei surpresa. Nós estavámos na sala! A mesinha de vidro do centro ainda estava com meus rascunhos. Do meu trabalho que tinha entregar amanhã. Toushirou voltou a me agarrar e se enterrou. Seus lábios deslizaram para um seio meu, lambendo ele todo até abocanhar o mamilo e suga-lo. O barulho e o gemido rouco que soltou me deixou mais molhada. Tremula encarei o teto, sentindo ele me penetrar mais forte e rápido, ao ponto que minhas coxas batiam nas suas pernas.

    Nem me importava mais que alguém escutasse meus gemidos. Não podia segurar. Arquejava e arquejava e então gemia, tremendo por dentro e por fora. Minha intimidade já estava tão sensível e ele parecia tão rígido ao me penetrar, tão quente. O tecido embaixo de mim se embolou todo, de tanto de ser friccionada com as estocadas dele e mais uma vez aquela sensação estava vindo. Me deixando mais tonta que já estava.

    - Toushirou, eu... não...

    Arquejei alto quando se enterrou mais forte e estremeceu. Saindo rápido de mim, um liquido quente melou minhas coxas enquanto ele gemia sugando meu seio. Quando parou, seus lábios soltaram meu mamilo, inchado. Ele arfou se erguendo acima de mim, ficando sentado entre minhas pernas. Simplesmente fechei os olhos, pouco me importando com o modo dele me olhar. Éramos casados. Certo, que nos forçaram, mas ainda ele era meu marido e também não é a primeira vez que me vê assim. Já estava quase dormindo quando suas mãos agarram minha cintura, me puxando até me sentar em seu colo. Seus lábios se colaram nos meus entreabertos e sua língua mergulhou por dentro da minha boca, passando sinuosa na minha e sugando. Gemi estremecida e agarrei seus cabelos o puxando para perto.

    O beijo lento e profundo se molhava mais e mais, a medida que ele me apertava, mantendo bem junto dele. Suados nossas peles se colavam e como estava sentada em suas pernas, sentia que continuava excitado. Tonta, afastei o rosto e baixei o olhar ignorando seu prostesto. Serio, naquele dia eu não vi o sexo dele, evitava olhar por vergonha, mas nunca pensei que me causaria esse efeito. Como imaginei estava excitado e era... bem adotado, de todos os jeitos. Um súbito desejo me fez o segurar, fechar a mão envolta e subir e descer. Toushirou gemeu e se inclinou para trás, encostando no outro braço do sofá. Meu rosto queimou. Tanto de vergonha como de lascívia. Olhando para minha mão estava pensando se podia ou não. Se ele ia deixar. O membro já estava bem excitado com ela, então... talvez... Toushirou ia gostar.

    Antes que perdesse a coragem me afastei um pouco e me inclinei. Ao estar perto do meu rosto, abri os lábios fechando os olhos. O engoli até senti a ponta tocar na minha garganta. Quase me engasguei e deslizei os lábios um pouco sugando e depois voltando. De repente, meus cabelos foram agarrados na nuca e fiquei mais vermelha. Ele devia estar me olhando, no entanto, seus dedos apenas remexeram meus cabelos, como se dissesse pra continuar e fiz. Escutando baixo seus grunhidos, gemidos. Pelo visto ele estava gostando e curiosamente eu também. Me sentia latejar outra vez, com o gosto salgado dele e como enchia minha boca. Isso era realmente bom. Contudo, de repente, ele me puxou para cima. O encarei confusa, será que fiz errado? Antes que perguntasse, Toushirou me virou de costas e sua mão deslizou no meu ombro, me empurrando até ficar debruçada.

    - O que...?

    Separando minhas pernas, ele me agarrou pela cintura e senti o sexo me invadindo de uma vez. Quase gritei com a sensação e ele me empurrou voltando a me puxar, me penetrando tão forte que era balançada no sofá. Agarrei uma amolfada, fechando os olhos e arquejando. Ele entrava todo dentro de mim, ainda mais fundo que antes. O choque dos nossos corpos aumentava de ritmo a medida que ele acelerava. Eu nem consegui respirar direito. Arquejando entreabri os olhos, encarando a almofada azul agarrava. Ele... ele tinha sido mesmo virgem? Esse vigor todo parecia não ter fim. Minhas pernas já estavam bambas, minhas coxas meladas tanto dos meus orgasmos como do gozo dele. De repente, me penetrou mais forte e gemi alto. As estocadas tão rápidas que arquejava ao ritmo delas.

    De repente, ele gemeu. Diminuindo o ritmo. Olhei para o piso, vendo se alaranjar com a luz entrando pelas janelas. Meu rosto queimou mais de vergonha, apesar de já estar rosada de tanto sexo. Passamos a tarde inteira assim. Meu corpo estremecia não só de prazer, mas de exaustão. Apenas não desabei no sofá por que ele me segurava, puxando meu quadril ao me penetrar.

    Resfolegando, Toushirou parecia sem ar acima de mim. Sem surpresa senti um liquido escorrer morno pelas minhas coxas e então se enterrando todo mais uma vez, suas mãos me seguraram no lugar. Estremecendo um som rouco e abafado ecoou acima de mim, acompanhado do líquido quente me inundando, tirando meu ar. Agarrei a almofada estremecendo enquanto ele gemia tremulo. Dessa vez, demorou. Apertei os olhos enterrando o rosto na almofada, sentindo-me encharcada outra vez e então parou. Lentamente o membro saiu de mim e soltei o ar, ofegante e aliviada. Desabei deitada e encolhida de lado, sentindo o liquido quente e grosso sair de mim, misturado ao meu.

    Estava tremendo tanto, enxergando tudo embasado que a sala girou. De repente, fui abraçada e me tiraram do sofá. Tonta, girei a cabeça, apoiando num bíceps ao olhar para ele. Toushirou ainda resfolegava, seus olhos ainda meio nublados ao focarem em mim. Quando encontrou meu olhar, um tímido sorriso apareceu. Um constraste e tanto do seu rosto afogueado.

    - Vou te dar um banho.

    Engoli em seco. Saindo do torpor. Ele... não quis dizer o que entendi, não é?

    Escutei um pequeno riso abafado, mas não liguei. Estava tão molinha. Lânguida e cansada. À meio caminho do sono ouvi uma porta deslizando. Abri os olhos e percebi que entramos no banheiro. Caminhando até o box de vidro Toushirou me pôs bem debaixo do chuveiro. Ainda com o braço em minha cintura, abriu o registro e uma água fria nos encharcou. Seria melhor se estivéssemos numa banheira, mas a nossa casa ainda estavam construindo. Ia demorar um pouco.

    Pegando um frasco na cantoneira ele invés de colocar na mão, derramou sabonete liquido em mim. O liquido claro e perfumado cobria meus ombros, entre meus seios e descia pela minha barriga. Antes que a água tirasse tudo, ele me soltou fechando o registro e depois suas mãos deslizaram em mim, espalhando o sabonete. Enquanto fazia isso ele me massageava, descendo ao ponto de ficar de joelhos diante de mim. Limpando minhas pernas.

    Suspirei relaxada e fechei os olhos, me segurando nele por mal ficar de pé. Eu sabia que ele não ia tentar nada. Quer dizer, também estava bem cansado como eu. No entanto, quando foi lavar minha intimidade arfei leve estremecida. Pensando besteira. Tive que olha-lo pra confirmar e realmente não estava fazendo nada demais, só me lavando. Nem demorou tanto e se levantou, começando a se ensaboar também.

    O ajudei, morrendo de vergonha. Ele percebeu e me abraçou, abrindo o registro de novo enquanto nos enxaguávamos. Seus lábios abaixaram até meu pescoço, roçando leve e suspirei fechando os olhos. Isso é loucura, quer dizer, mesmo que ainda latejasse dos momentos atrás, me sentia dolorida. Não ia aguentar mais uma vez. Não sei quanto tempo ficamos assim. Só percebi algo estranho quando seus lábios estalaram, ainda beijando meu pescoço. Nesse instante, sua língua deslizou breve e arfei mais, soltando um gemidinho. Ele arquejou e os braços ao meu redor me apertaram. Dando um passo, Toushirou me encostou na parede. As lajotas frias e úmidas me arrepiando. Arquejando, sua língua subiu lambendo minha orelha e numa voz que nunca ouvi me sussurrou.

    - Vire-se.

    Arfei tremula, mas não consegui me mexer. Minhas pernas estavam bambas, mal me matinha em pé. Me soltando do abraço, suas mãos deslizaram pela minha cintura, me puxando. Colando a boca na minha orelha, senti uma mordiscada e um beijo.

    - Vire-se, Karin.

    Sem pensar fiz o que pediu, ou melhor, mandou. E ele encurralou contra parede, ao mesmo tempo em que pressionava o membro excitado na minha bunda. Arquejei surpresa e o senti me segurar, me erguer ao ponto de ficar nas pontas dos pés. Tensa, senti o membro se acomodar entre minhas nadegas, roçando até encontrar minha outra entrada e apertei os lábios, fechando os punhos contra os azulejos. Lentamente e firme ele se empurrou me penetrando até estar quase todo dentro de mim. Estremeci de dor. Ainda não estava acostumada. Soltei o ar arfando e uma de suas mãos agarrou meu seio, segurando e massageando. Me distraí com isso e então ele recuou voltando a se enterrar. Gemi dolorida e ele continuou, sem parar e devagar, bem fundo até que a dor diminuiu ficando uma sensação gostosa, quente e latejante (ainda que dolorida).

    Com uma face apoiada na parede, vi uma nuvem de vapor sair da minha boca. Grogue, ergui os olhos e o vidro todo, o piso e as paredes se cobrindo com cristas de gelo e aumentavam. A água do chuveiro foi desligada e uma brisa circulava por aqui, me arrepiando de frio. Eu teria avisado pra ele, mas minha língua parecia embolada. A respiração falha e ofegante banhava minha nuca e a mão em meu seio me apertou. Arquejei alto e ele aumentou o ritmo, se afundando mais. Percebi vagamente o tempo passar e o banheiro, invés de quente, se transformar num congelador. Não adiantava falar com ele, Toushirou não ia me ouvir. Então simplesmente fechei os olhos, aproveitando essas núpcias atrasadas com meu marido.

    KARIN POF

    HITSUGAYA POV

    Suspirei sonolento, abraçando a cintura dela enquanto me aconchegava ao seu lado, nos cobrindo com o lençol. Fazia uma hora que saímos do banho. Na verdade, quando terminamos nossas núpcias atrasadas. Entreabri os olhos, encarando seus cabelos negros. Ainda não acredito que fizemos sexo praticamente na casa toda. Tenho certeza que alguém ouviu. Karin gemia alto demais e esse som me estimulava tanto que a fazia gemer assim mais e mais. Quando ela desmaiou exausta no banho, a lavei e vesti uma camisola nela. Era bem simples, azulada e larga. Acho que deve ter encomendado a roupa, como aquelas peças íntimas estranhas. Sorri com isso, particularmente gostava muito delas.

    Enquanto dormia no futon arrumei e limpei a casa toda. Não era nossa, seria apenas temporário até terminarem de construir a que vamos morar. Mas... sinceramente, o que houve comigo hoje? Estava doendo de desejo claro, mas não ao ponto de leva-la a exaustão. Karin podia até negar, mas ainda estava traumatizada pelo maldito Pecador. Seus pesadelos vivídos me deixaram tenso e receoso ao toca-la com mais intimidade. Queria dar tempo para ela superar, afinal de contas, nunca falava sobre seus medos e durante essas semanas agitadas quase não ficamos a sós. Exceto quando vamos dormir. Suspirei a apertando mais contra mim. Karin se remexeu se ajeitando e segurou meu braço, nossas mãos entrelaçando.

    Um sentimento terno me inundou nesse gesto. Principalmente porque ela estava dormindo.  Essa folga veio em hora certa. Precisamos de uns momentos somente para nós, contudo, ainda não entendo de onde veio aquele calor todo. Simplesmente, minhas roupas pareciam pesadas demais e comecei a pensar naquele dia quando transamos pela primeira vez. Quando dei por mim estava misturando todas as fantasias e desejos que queria com ela. Essa... ânsia só iria passar quando estivesse com Karin. E foi o que fiz. Por uma tarde inteira.

    Estremeci meio entorpecido. As imagens do que fizemos passando pela minha mente. Ela me levou a loucura. Simplesmente não ficava satisfeito, a cada vez que a sentia estremecer de prazer, mais a desejava. No banheiro não pretendia continuar, Karin mal conseguia se manter de pé. Mas senti-la toda languida e o seu rosto rosado me atiçou outra vez e continuamos de outro jeito. Meu desejo por ela me descontrolou totalmente. Sem contar que quase não tomei cuidado. Lentamente soltei minha mão da sua e escorreguei por sua barriga até chegar bem abaixo. Devagar retirei o kidou que havia colocado dentro dela. Não queria prejudicar e muito menos machucar o que ela guardava. Afinal, Karin carregava...

    - Han!

    Meu braço em sua cintura foi empurrado para longe, me espantando. Se livrando do lençol ela se sentou de repente, encarando o vazio e arfando.

    - O que foi?

    Me sentei ao seu lado e ela gemeu outra vez, pondo a mão na boca ao falar nauseada.

    -  Acho... que vou vomitar.

    Nem pensei. Enrolei o braço em sua cintura e sumi aparecendo na cozinha, diante da pia e puxei seus cabelos para trás, segundos antes dela se curvar e provocar. Como não havíamos jantando não demorou muito, mas mesmo assim ela continuava mal, forçando o estomago a por para fora o que restava, ou seja, nada. Abri a torneira e ela limpou a boca, arfando e suada.

    - Tudo bem?

    Assentiu tremula e a soltei. Pegando um copo d’agua ela sentou numa cadeira, encarando o vazio. Fiz um esforço tremendo para não sorrir. Não era engraçado, mas significava um dos sinais. Sem dizer nada preparei um chá para ela. Acalmar o estômago.

    - Toushirou.

    - Hum?

    Estava diante do fogão, colocando a chaleira.

    - Será que é aquilo de novo? – olhei sobre o ombro e ela se debruçava na mesa, escondendo o rosto nos braços – eu pensei que nossa troca de reiatsu tinha ficado normal.

    - Talvez você deva ir até o 4º bantai amanhã.

    - Hum. Tá bom.

    Encarei a chaleira. A ansiedade estava mais forte agora. Queria contar tanto a ela, mas continuei quieto lembrando de semanas atrás.

    Flashback on

    - Conseguimos conter a hemorragia. Os outros ferimentos não foram tão sérios. A luxuação no ombro esquerdo, as costelas trincadas já foram tratadas. O feto continua bem apesar...

    Franzi o rosto.

    - Matte. O que disse?

    Me encarando calma Unohana taichou explicou serena.

    - A menina Kurosaki está gravida de 2 semanas, capitão.

    Prendi o folego, chocado. Unohana esperou que eu assimilasse a idéia, me encarando. Sua experiência como médica de longa data me dizendo com o olhar que sabia quem era o pai. Ao contrario do que esperava, fitei a porta do quarto, sorrindo sem perceber.

    - Grávida...

    Flashback off


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