A paixão do capitão de gelo

Tempo estimado de leitura: 18 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 12

    Os Hollows-Quimeras

    Álcool, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Os experimentos secretos de Kurotsuchi Mayuri. Criação de hollows com diversas partes de outras criaturas. O laboratório interditado estava repleto de mostruários dos espécimes conservados em líquidos evitando o apodrecimento. A equipe escalada pelos Capitães do quinto, sexto, décimo e décimo primeiros esquadrões se encontravam numa situação difícil. Parece que uma das cobaias tinha escapado da cela.

    KARIN POV

    Calma.

    Fique calma e por Kami, não entre em pânico.

    Engoli em seco estremecendo enquanto encarávamos o hollow que nos espreitava. Era assim que parecia para mim. A criatura lembrava um felino com sua cauda sacudindo de lá para cá enquanto se abaixava nas patas dianteiras.

    - Ikkaku.

    Yumichika falou. Olhei sem acreditar quando o careca deu um passo e esticou os braços segurando a zanpakutou embainhada. O hollow felino emitiu um som quebrado, os olhos brilhantes observando com interesse o shinigami. Então, depois de um longo minuto de tensão, o monstro saltou e Ikkaku sacou de uma vez a espada saltando no shunpo. Segundos depois ele apareceu atrás do felino que pousou nas quatro patas diante de nós. Se virando e sorrindo, Ikkaku apoiou a espada no ombro, enquanto emitindo um ruído engasgado o hollow caiu duro para o lado. Vi assombrada um rachadura na máscara branca e a mesma se despedaçou. Os outros respiravam de alívio e foram até Ikkaku, que sorria de um jeito aberto e convencido. Eu passei bem longe da coisa.

    - Incrível, Ikkaku-san.

    Hinamori o olhava admirada e ele apenas bufou.

    - Não foi nada. Achei que esse hollow fosse grande coisa.

    Renji sorriu e balançou a cabeça enquanto Yumichika guardou sua espada como os outros, exceto Renji e eu. Ele porque com certeza estava planejando lutar contra alguma coisa. Eu, porque meus olhos continuavam pregados no Hollow. Esperei uns segundos, minutos e comecei a entrar em pânico de novo.

    - Bem, vamos embora logo daqui. Como Hinamori disse já encontramos o que...

    - Minna.

    Chamei nervosa. Estava encarando com horror o hollow. Eles se viraram confusos para mim, menos Hinamori irritada.

    - O que foi, Karin-san?

    - Esse bicho se mexeu.

    Estremeci de horror e comecei a andar para trás. Ikkaku estalou a língua com desdém.

    - Que isso, pirralha. Eu acabei de rachar a cabeça dele.

    Se viraram para o fim do corredor e a conversa morreu. O hollow continuava caído no chão, seu sangue preto se espalhando no piso liso. Renji estreitou os olhos, começando a ficar nervoso como eu.

    - Não faz sentido. Ele devia ter desaparecido.

    Enquanto ainda observávamos com cautela o bicho morto, sua perna estremeceu num espasmo. Ofegamos de susto e com seu corpo a sacudir a cabeça levantou urrando.

    - OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

    - Que porra é essa?!

    Ikkaku gritou, mas Renji não teve tempo de dizer qualquer coisa. O hollow levantou de uma vez se erguendo nas patas traseiras. Arregalei os olhos. Faixas brancas explodiram das bordas do buraco em seu peito, o cobrindo por inteiro como um casulo. Nós ofegávamos, chocados. Então escutei a minha direita.

    - Hajike, TOBIUME!!!

    Olhei para trás e Hinamori havia saltado com uma aura avermelhada em torno dela. Ela gritou e olhei para sua espada. Ela tinha pegado fogo. Jogando para frente chamas rosas explodiram do seu punho lambendo até a ponta transformando sua espada. Com três hastes, duas num gume e outra nas costas da lâmina, ela balançou a zanpakutou como um bastão e as chamas rosas explodiram do punho outra vez disparando uma bola de fogo. Ela acertou o hollow no casulo explodindo-o.

    O estrondo levantou poeira e sacudiu o chão. Cobrimos os rostos com as mangas na hora e tossindo engasgados, abaixamos. Ela ofegava agachada no chão e no lugar onde o hollow estava tinha chamuscado e torrado. O casulo se desintegrou em cinzas e Hinamori se ergueu devagar. 

    - Você é louca?! Avise antes de liberar sua Shikai!

    Yumichika gritou histérico, mas Hinamori continuou encarando a cratera que fez. Me aproximei dela.

    - O que foi?

    - Esse hollow... Era uma quimera, não é?

    Engoli em seco e olhei de relance para os vidros.

    - Acho que sim.

    - Karin-san.

    Encarei suas costas. Ao se virar para mim me espantei com sua expressão. Hinamori estava preocupada, muito preocupada. Quase me esqueci da raiva que sentia dela.

    - Esse hollow, ele deve ter...

    -OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

    Encaramos o mostruário a nossa esquerda e vi uma coisa atrás do líquido azulado, do outro lado do vidro. Aquilo correu e se jogou no mostruário. O baque empurrou derrubando-o. O vidro pendeu na nossa direção e Hinamori e eu pulamos para o alto, pousando em cima dos outros mostruários enquanto esse estilhaçava e derramava o líquido azul viscoso com a criatura nojenta que estava mergulhada.

    O soro azulado se espalhou pelo chão. Sem surpresa, os outros três também estavam no alto. Renji ficou em cima de um pilar, Yumichika num mostruário e Ikkaku parado no ar.

    - Você viu?

    Perguntei assustada a encarado de lado e Hinamori assentiu concordando.

    Olhamos ao redor, mas não consegui ver nada. Olhei de relance para Renji e Ikkaku, eles estavam concentrados, quietos. Ikkaku com a zanpakutou numa mão e a bainha na outra, Renji segurando sua Shikai abaixada. Mirei para Yumichika. Sua mão estava na bainha com o polegar empurrando a proteção da katana em posição.

    Tinha uma coisa aqui! A sensação de que estava nos caçando me arrepiava inteira.

    Onde estava? Não sinto nenhuma reiatsu. De repente, escutei um barulho perto de mim. Arregalei os olhos quando um hollow humanóide, de cauda e cabeça de lagarto apareceu girando na minha frente. Sua cauda veio com chicoteio certeiro.

    Bloqueei com a zanpakutou e o peso do golpe me jogou para longe.

    - Karin!

    Alguém gritou. Renji... Apoiei num pé no ar e tentei frear com a mão. Levantei a cabeça e hollow saltava para me pegar. Rindo. Me arrepiei com a visão da mascara branca escancarada, as luzes brilhantes onde eram os olhos. No ultimo salto, levantou o braço, suas unhas esticando como garras.

    - Hoero, ZABIMARU!!!

    Escutei um zunido e o hollow olhou pro lado espantado, um segundo antes de um chicote com lâminas chocar nele. Renji estava atrás dele e jogou o braço num arco, chicoteando sua zanpakutou e atirou o hollow pra longe. O bicho gritou e de repente Yumichika apareceu, na direção para onde ele voava. Sua zanpakutou também estava em Shikai. Vi uma foice de quatro lâminas. Ele pulou levantando do braço e antes que desse o golpe que rasgaria a máscara branca, o hollow sumiu.

    Yumichika arregalou os olhos e os estreitou. Mudou a direção do braço para esquerda e bloqueou as garras do hollow humanóide. O monstro se riu dele e os dois sumiram. Eu só escutava os tinires. As faíscas do choque de aço e garras. Parado no alto na minha frente, Renji puxou sua zanpakutou me olhando preocupado.

    - Daijub...

    Algo se chocou nele, bem nas suas costas. Encarei incrédula quando vi que era Ikkaku. Os dois voaram acima de mim e me virei, assistindo enquanto bateram nuns tubos vermelhos gigantes que iam do chão até o teto. O choque amassou o metal perfurando e uma fumaça branca escapou. Renji e Ikkaku caíram estatelados no chão, gemendo. Tomei impulso e saltei, apavorada.

    - Renji! Ikkaku!

    Meu Deus! Meu Deus! MEU DEUS!

    Continuei saltando e ouvi uma explosão a minha direita. Pela visão periférica vi Hinamori, ela também lutava. Seu oponente tinha os braços como caudas de minhocas e chicoteavam. Hinamori bloqueava e jogou sua zanpakutou como bastão outra vez. A bola de fogo voando para o hollow que se esquivou. Fiquei preocupada, mas a tenente pode se virar (eu espero). Saltei mais uma vez e antes que chegasse até eles um outro monstro apareceu por perto. Era humanoide com braços gigantes. O pelo avermelhado se misturava com o preto e a máscara tinha dois chifres enrolados iguais a de um bode. Fiquei tão espantada com a visão que demorei para ver seu punho levantado. Ia esmagar os dois shinigamis tontos no chão!

    Fechei a mão livre e estiquei dois dedos. Um brilho amarelo pipocando das pontas.

    - Bakudou nº 9, Geki!

    Atirei o braço e a corrente amarelada de reiraku se enroscou na cintura dele. Sua cabeça abaixou incrédula para o kidou e bati o pé no ar, me firmando. Chicoteei o braço para a esquerda, girando e joguei o hollow em cima do que estava lutando com Hinamori. Ela arregalou os olhos se virando para mim.

    - AGORA!!!

    A tenente entendeu. Saltou com o shunpo e apareceu acima deles, balançando sua Shikai e atirou a bola de fogo. O projétil em chamas acertou os dois hollows presos no meu kidou explodindo.

    Ofeguei e ouvi aquele barulho de novo. Um rasgado de um segundo no som. Me curvei para frente inclinada e me dobrei girando para trás levantando a zanpakutou. A lâmina tiniu se chocando com um braço branco. Pisquei assombrada. Aquilo não era um braço, era o osso dele!

    Levantei a cabeça encarando dois pares de luzes me olhando de volta. A máscara com um sorriso de maníaco. O hollow esqueleto estreitou o olhar e ficou parado, medindo minha força com seu osso na minha espada. Eu ofegava assustada.

    - De... de...

    Meu olhou tremeu. Isso fala?

    - Deliciosa.

    Meus olhos se arregalaram mais e então ele lambeu a boca se inclinando ao por mais peso.

    - Quero a shinigamizinha deliciosa!

    Eu surtei. Estiquei uma perna e tomei impulso. O hollow parou de rir surpreso quando gritei botando mais força na espada, o empurrando para trás, atirando-o para longe de mim. O monstro esqueleto girou no ar e tomou impulso esticando sua mão ao arreganhar a boca. Não pensei, joguei o braço para trás me dobrando e atirei para frente girando o punho da zanpakutou.

    - Bata suas asas, YOU OU!

    A espada brilhou crescendo e disparou uma lâmina de vento zunindo. O hollow se entalou quando a lâmina o atravessou cortando seu corpo ao meio. O vento girava a minha volta se espalhando em correntes até circular pelo laboratório inteiro. Eu não parava de tremer. You Ou parou de brilhar e logo eu segurava duas espadas cinzentas de punhos unidos azul cobalto.

    Engoli em seco e olhei para onde estávamos Renji e Ikkaku. Arquejei, eles sumiram! Não. Espera. Eles não sumiram. Fechei os olhos por um segundo e senti três reiatsu juntas no corredor onde estávamos. Sumi aparecendo no lugar e encontrei Hinamori, Ikkaku e Renji. Todos eles com suas Shikais em posição de defesa e de costas um para o outro. Quando apareci se viraram e rápido me juntei a eles encarando um mostruário. Segurei You Ou com as duas mãos cruzadas, atravessada na minha frente.

    - Cadê o Yumichika?

    Perguntei apavorada. Ikkaku estava segurando uma espécie de barra de três partes de dois metros, a ponta com lâmina apontada e levantada e a parte com um tufo magenta também. De lado encarando um corredor lateral, ele estalou a língua.

    - Esse idiota ainda acabou com aquele lagarto!

    Fiquei mais apavorada e Hinamori gritou

    - YUMICHIKA-SAN?!

    Um segundo de silêncio e um grito nos respondeu. Olhamos na direção acima das nossas cabeças. Yumichika se dobrava de dor e seu oponente, o lagarto humanoide se riu e girou chicoteando a cauda, acertando seu lado esquerdo.

    - YUMICHIKA!

    Ikkaku e Renji gritaram. Enquanto ele voava para o chão os dois saltaram para pegá-lo. Antes que chegassem perto o hollow sumiu aparecendo diante deles jogando a perna. Os dois bloquearam com suas shikais se arrastando e mirei para Yumichika. Ia se choque no chão! Corri para ele soltando uma mão dos punhos. Levantei o braço girando minhas zanpakutous e uma corrente se formou. Atirei ela para frente a contorcendo e criando um bolsão de ar. Yumichika caiu em cima dela arquejando. Ao chegar perto dele dispersei o bolsão e ele caiu agachado.

    - Daijubou-ka?

    Então mirei onde levou o golpe. Estremeci com a visão.

    - Seu braço!

    Yumichika arquejou se endireitando ao olhar para mim.

    - Não se preocupe. Não quebrou.

    Encarei seu rosto e sua expressão era convencida, mas dolorosa. Como não quebrou? E aquele sangue todo é o que?

    - SE ABAIXEM!

    Hinamori avisou e nos agachamos no chão sumindo no shunpo. Uma bola de fogo disparada voava até o final do corredor. Arregalei os olhos quando Yumichika e eu aparecemos do seu lado. Outro hollow igual ao que ia esmagar Renji e Ikkaku saltava para nós. A bola de fogo o acertou explodindo-o e tudo o que estava perto. Isso incluía o hollow-quimera de duas cabeças asqueroso boiando naquele vidro gigante. O mostruário arrebentou e uma onda verde de vidro e gosma vinha até nós. Pulei para o alto junto dos outros e encaramos a coisa morta e nojenta rolar derrubando os outros mostruários. Era pálida com o cabelo de algas roxo. Apesar do meu pavor, meu estômago se embrulhou de novo.

    - HÁ!!!

    Virei o rosto na direção em tempo de Renji e Ikkaku chutarem o lagarto humanoide no estômago fazendo o bicho voar para trás. Eles saltaram sumindo e apareceram em lugares diferentes. Ikkaku na frente do hollow e Renji atrás. Juntando as partes da sua Shikai, o 3º oficial atirou a lança e o tenente chicoteou sua espada. A lâmina da lança se cravou na máscara atravessando-a junto do chicote com lâminas que acertou a cintura cortando por inteiro. 

    - Oe? Tudo bem aí?

    Ikkaku perguntou ofegante e Hinamori abaixou sua espada.

    - Tudo. E vocês?

    Renji puxou sua Shikai voltando-a em forma de katana, também ofegante.

    - Tudo.

    Nós olhamos ao redor para a bagunça que fizemos na luta.

    - Isso não é bom. Como vamos explicar para nossos Capitães?

    Estranhei essa pergunta de Hinamori e a encarei franzindo a testa, me confundindo mais com seu ar arrependido.

    - Destruímos o laboratório.

    Levantei a sobrancelha.

    - Destruímos? A gente 'tava se defendendo.

    Essa garota virou o rosto para mim, sua expressão irritada apesar de querer parecer calma.

    - Parece que não entende, Karin-san. Meu capitão foi buscar Urahara-san para analisar o que encontrarmos. E olhe como deixamos o laboratório?

    Percebi que Yumichika ia falar alguma coisa, mas não deixei. Agarrei mais o punho das minhas zanpakutous dando um passo até ela e ao ver, Hinamori arregalou os olhos.

    - Quem liga pra isso? Eles vão entender e Urahara não se importa com essas coisas.

    Duas reiatsus apareceram diante de nós, mas não liguei. Eu fulminava essa garota pelas coisas idiotas que acabou de dizer.

    - Oe, oe. Vamos nos acalmar.

    Renji tentou botar panos quentes, mas Hinamori não desistiu.

    - Diga para ela, Abarai-kun. Essa pirralha não...

    Me inflei de raiva e dei outro passo, sussurrando.

    - Cala essa boca, vaca idiota.

    Ela se entalou e percebi que os três caras arregalaram os olhos. Ouvi um engasgo atrás de mim, Yumichika com certeza segurava o riso. Hinamori começou a ficar lívida de raiva, se tremendo.

    - V..va... Você me chamou de...

    - Vaca idiota.

    - SUA PIRRALHA!!!

    Ela pulou em cima de mim e levantei o punho fechado preparando o murro. Antes que o barraco começasse agarraram meu pulso levantando-o e enrolaram um braço na cintura de Hinamori a puxando para longe. Renji a segurava e olhei atravessada para o cara que me impediu de dar um belo de um soco nessa falsa. Ikkaku sorria travesso e surpreso.

    - Calma, baixinha. – Então estreitou os olhos – É estourada que nem o seu irmão.

    - Humpf.

    Puxei o pulso e ele me soltou. Me virei de lado encostando a You Ou ao longo do meu braço, com o vento mais calmo virando uma brisa. Encarei essa garota atravessada enquanto Renji a soltava e ficou um silêncio... Hinamori ofegava, então numa pausa respirou fundo e sacudiu a zanpakutou para o lado voltando-a ao normal. Ao guarda-la na bainha em sua cintura, estreitou os olhos.

    - Peça desculpas.

    Levantei a sobrancelha.

    - O que?

    O olhar dela ficou mais duro.

    - Peça, Karin-san ou eu vou colocar isso no meu relatório para o Hirako Taichou.

    Apertei os olhos também.

    - Não mesmo.

    O clima ficou mais pesado. Renji então suspirou. O encarei e o jeito que me olhava me confundiu, repuxava o lábio preocupado.

    - É melhor pedir, Karin.

    Ofeguei. “Até tu, Brutus?!”

    - Eu não vou pedir perdão pra ela.

    Hinamori inflou de raiva.

    - Chamar de “vaca” alguém de um posto maior que o seu é um desrespeito.

    A encarei debochada.

    - Qual é? Bem que você queria cair no barraco comigo, admite.

    Os outros três assistiam entretidissimos, mas não liguei. Essa garota estava louquinha para terminar nossa briga na biblioteca, eu sei. Suspirando Hinamori controlou sua raiva e disse calmamente.

    - Não estou fazendo isso por você...

    Levantei a sobrancelha de novo. Não me diga.

    - ... Eu não quero prejudicar o Shirou-chan.

    Me entalei de raiva e agarrei com mais força os punhos das minhas zanpakutous. Hinamori me observou esperando mais uma ofensa, porem, que droga, ela tinha razão. Suspirei e abaixei meu tom à contragosto.

    - Gomena...

    -ooooooooooooooooo

    Arregalei os olhos de susto. Nos viramos encarando lá embaixo e o hollow-quimera nojento se erguia. Me arrepiei inteira com a visãoi das máscaras em seus rostos crescerem do nada. Os músculos de suas costas retesaram e com as pernas se apoiando no piso escorregadio pelo líquido, o hollow jogou os pescoços para trás.

    - OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

    - Só pode ser uma piada!

    Yumichika gritou e a criatura nos viu. Virando as máscaras para nós abriram as bocas e um brilho vermelho se juntava no centro. Arregalamos os olhos.

    - CERO!!!

    Não sei o que era, mas o tom de Renji foi apavorado. Sumimos no shunpo aparecendo na passagem onde arrombamos a porta de aço. As luzes voltaram a se acender quando pisamos no chão. Atrás de nós um estrondo sacudiu as paredes, a passagem e depois o teto começou a desabar.

    - Corram!

    Ikkaku gritou e disparamos na passagem. Girei a You Ou voltando-a ao normal e guardei na bainha, assim fica mais fácil de fugir. Porem o teto a nossa frente caiu bloqueando a passagem, nos prendendo. Paramos derrapando, o estrondo do desabamento sacudindo tudo e senti uma pressão espiritual crescer de repente. Olhei sobre o ombro e Renji derrapou também, com uma aura vermelha de reiraku em seu torno e estendeu a zanpakutou.

    - BAN KAI!

    Uma explosão de deslocamento de ar tomou a passagem e ouvi um grito agudo de um animal. O que era aquilo? Outro hollow-quimera?

    - Segurem!

    Não entendi, mas estendi a mão e agarrei numa coisa que parecia um osso. Abri os olhos e meu fôlego sumiu. Era uma camada de osso gigante. Senti um choque que estremeceu o troço onde me agarrei e uma lufada de ar me banhou. De repente, inclinamos para cima, subindo, a coisa onde me agachei e me agarrava serpenteando como uma cobra. Estávamos no fosso escuro. Subíamos rápido e então senti outro choque. Abri os olhos quando saímos no corredor principal e encarei o troço que nos salvou. Na minha frente Ikkaku e Yumichika se agarravam também na coisa de osso e entendi porque serpenteava como uma cobra. A cabeça coberta por uma juba vermelha se ergueu dando aquele grito e se virou para nós. Me espantei, o crânio branco parecia uma mistura de cobra e macaco.

    Ikkaku e Yumichika saltaram e segui o exemplo deles. Me virando para trás, vi Hinamori já pulando para o chão e o Renji... Curvei a cabeça, vestia uma roupa diferente. Uma pele marrom de um animal cobrindo seus ombros e o braço direito, na sua mão coberta por uma luva negra estava uma cartilagem que se ligava com as outras crescendo até virar a serpente gigante.

    Ele ofegou como os outros.

    - Estão todos bem?

    Ikkaku bufou sorrindo junto de Yumichika.

    - Pensamento rápido.

    Hinamori por outro lado se tremia de susto. Claro, como não percebi na hora?

    - “Pensamento rápido”. Devia ter nos avisado antes, Abarai-kun.

    Renji a encarou com ar de tédio e apoiou seu chicote osso em forma serpente no ombro. Eu sorri admirada. Enquanto a serpente se enrolava em sua volta levantando a cabeça me aproximei.

    - Qual é o nome do seu Bankai?

    Afinal, ele não disse quando o chamou. Se virando para mim, o Tenente ruivo e tatuado me olhou convencido.

    - Hihiou Zabimaru.

    A serpente soltou o grito quando escutou.

    KARIN POF

    HITSUGAYA POV

    - Repita, Renji.

    Kuchiki Taichou estreitou os olhos numa fria raiva. Não o culpo, eu também me sentia indignado. Numa sala de reunião no 6º esquadrão estavam reunidos ele, eu, Hirako e Kenpachi. Todos nós recebemos uma mensagem sua avisando que a equipe que escalamos havia voltado do 12º esquadrão. No inicio eu achei estranho quando ao chegar no quartel, um shinigami me escoltou até essa sala. Ao cruzar o beiral olhei na direção onde senti a reiatsu de Karin e levantei as sobrancelhas. Todos eles, sem exceção, estavam cobertos por uma camada de poeira. Os quimonos cinzentos e os cabelos quase brancos. (tirando Madarame)

    Me virei para Kuchiki.

    - Onde estão os outros capitães?

    Ele me olhou frio como sempre.

    - Ainda não chegaram.

    - Vamos esperar então.

    Fui até onde estava e dei uma olhada furtiva em Karin. Ela parecia muito preocupada. Estendi o olhar para os outros e a mesma expressão estava neles, exceto em Hinamori radiante ao me ver. Virei o rosto, incomodado. Ficamos esperando Hirako e Kenpachi chegarem e quando entraram, Abarai nos contou resumidamente o que encontraram. Meus olhos se arregalaram e na última parte, levantei a sobrancelha.

    Kuchiki escutou lívido de raiva e pediu para Abarai repetir. Engolindo seco, ele o fez.

    - O laboratório desabou, capitão.

    - A missão que tinham era de apenas observar e nos trazer o relatório. Não destruir o lugar.

    Nesse instante, Karin deu um passo a frente indignada. Arregalei os olhos para ela.

    - Mas Kuchiki taichou, não foi nossa culpa. O hollow-quimera de repente...

    Se virando para ela, ele estreitou o olhar frio e ameaçador.

    - Não lembro de ter pedido sua opinião, garota.

    Karin se entalou ofendida.

    - Mas...

    - Calada, Kurosaki.

    Avisei e ela me olhou. Num instante, seu ar irritado e indignado sumiu e voltou para o lugar onde estava junto dos outros. Nesse instante, Hirako se virou para Hinamori cruzando os braços.

    - “Hollows-quimeras”?

    Hinamori confirmou com um aceno e deu um passo a frente.

    - Sim, senhor. Segundo a teoria de Karin-san os espécimes que encontramos no laboratório subterrâneo era hollows modificados.

    Todos nós encaramos Karin que arregalou os olhos surpresa com nossa total atenção. Por debaixo da poeira, suas bochechas coraram me tirando um pouco da indignação pelo fracasso da vistoria.

    - Explique pirralha.

    Kenpachi exigiu ante o silêncio dela. Engolindo em seco, ela apertou os olhos para ele irritada, me surpreendendo de novo e escutei um quase riso. Espiei de canto e o louro debochado também tinha ficado surpreso e reparei que Kenpachi nem se incomodou, deu até um sorriso. Vai entender.

    - Enquanto era viva, Zaraki Taichou estudei na escola que pode se criar num laboratório um novo animal, ou como os senhores querem chamar (olhou para o resto dos capitães) uma criatura com partes diferentes de outras espécies distintas. Em outras palavras uma quimera.

    - E por que acha que os hollows no laboratório de Kurotsuchi eram quimeras?

    Hirako perguntou interessado e se virando para ele, Karin continuou.

    - Porque eram claro as partes que foram costuradas, Hirako taichou.

    Encolheu os ombros, repuxando os lábios.

    - Eu não sei bem como o Capitão do 12º bantai fez essas coisas. Mas ficou claro que várias tentativas saíram um fracasso.

    - Então está dizendo que as criaturas que os atacaram era um sucesso das experiências?

    Questionei e olhando para mim, Karin confirmou.

    - Sim, capitão.

    Abaixei a cabeça pensativo. Analisava tudo o que disseram, principalmente na explicação de Karin e franzi a testa com a conclusão que cheguei. Nada bom. Me virei para Kuchiki e ele fazia a mesma coisa que eu.

    - O que acha?

    Mirando para a garota que o enfrentou minutos atrás, seu semblante frio estava um pouco preocupado. Isso me inquietou.

    - Se a irmã de Kurosaki Ichigo estiver correta, então devemos interditar permanentemente o laboratório.

    Hirako se virou para ele.

    - Kuchiki Taichou, não se esqueça que o Comandante ordenou que se analisasse as cobaias de Kurotsuchi. Além de que o local ficou soterrado.

    O nobre o encarou.

    - Mesmo assim. É deveras preocupante que essas criaturas encontrem um jeito de escapar. E se espalhassem pelas cidades?

    Kenpachi bufou e nos viramos para ele.

    - Que seja. Pelo ao menos vamos ter um pouco de diversão por aqui.

    Sorriu animado pensando. Esse é outro capitão que duvido seriamente se é capaz de comandar um esquadrão inteiro. Afinal de contas, desde que assumiu o 11º bantai ficou conhecido por seu gosto insaciável em batalhas e a fama de ser o mais forte da Brigada.

    Madarame e Ayasegawa sorriam satisfeitos como seu capitão e bufei. Esses dois não tem jeito.

    - Isso seria um pandemônio.

    Kenpachi estalou a língua desdenhando e quase revirei os olhos. Encarando os outros capitães, tomei uma decisão.

    - Vamos reportar isso ao Comandante. Depois se for possível Urahara pode coletar uma amostra dessas tais quimeras, para o caso de uma delas escapar do laboratório.

    Me virei para Hirako.

    - Você o trouxe, não foi?

    - Sim. Ele ficou hospedado na casa dos Shiba.

    - Certo.

    Dando meia volta, encarei Karin que parecia espantada. Pelo jeito ela não sabia disso.

    - Quando voltar para casa conte a ele tudo o que nos disse. Urahara deve encontrar um jeito de exterminar de uma vez essas criaturas.

    Dando um passo, Karin se curvou em respeito quase me arrancando um sorriso. Era a primeira que me fazia isso.

    - Sim, capitão.

    HITSUGAYA POF

    KARIN POV

    Ao chegar em casa exausta fui direto para o banheiro. Me sentia imunda pela poeira dos escombros e também por causa daquelas criaturas nojentas. Depois de me lavar, aproveitei também para lavar meu uniforme e enquanto esfregava o sabão no tecido fiquei pensando.

    O laboratório ficava num acesso restrito. Devia existir outras entradas do que cair num fosso com um hollow para te devorar quando chegasse ao fundo (se não tiver sido engolido na queda). Parece que nós tínhamos encontrado uma espécie de antessala de souvenir e quanto aos hollows que nos atacaram... De onde será que saíram? E eles tinham tanta força. Um simples golpe na cabeça não adiantava. Foi preciso todos nós, Renji, Ikkaku, Yumichika, eu e até a falsa da Hinamori liberar nossas Shikai e destruí-los com violência.

    Me enrolei na toalha e estendi meu uniforme numa corda nos fundos do banheiro. Com certeza estaria seco até lá. Me troquei rápido e na hora do jantar cumpri o que meu capitão mandou. Contei tudo para Urahara. O louro de chapéu listrado e sandálias de madeira escutou tudo atentamente. Enquanto pegava mais arroz da minha tigela, se virou para mim.

    - Karin-san, você disse que não conseguia sentir a reiatsu das quimeras.

    Engoli o arroz.

    - Sim, era fraca demais. Eu não entendo. Pela força e agilidade delas devia ser grande, não é?

    Urahara pôs a mão no queixo, pensando.

    - Talvez.

    “Talvez”? Isso me deixou mais nervosa. Enquanto ainda o encarava, esperando que comentasse mais alguma coisa o cara de chapéu sorriu para mim.

    - Mudando de assunto, como vai os estudos e o ingresso no Gotei 13? – seu sorriso ficou mais amistoso – Kurosaki-san anda muito preocupado.

    Encarei meu peixe pensando e beliscando um pedaço com os hashis.

    - Bom, nada demais. Até agora só tive uma missão.

    - E que missão. Vistoriar num quartel de esquadrão.

    Então se curvou risonho, segurando sua tigela de arroz e os hashis na outra.

    - Ainda por cima num laboratório de Kurotsuchi Mayuri.

    O olhei e sorri. Esse homem era um sujeito bem legal. No outro lado da sala, Kuukaku engoliu sua comida e se curvou apoiando a mão no joelho.

    - Kisuke, essa menina é brilhante. Nunca me deu trabalho.

    Urahara a encarou de olhos arregalados. Escondi um sorriso por detrás da minha tigela de molho. Eu sei, é raro Kuukaku elogiar alguém mesmo com as bochechas rosadas de álcool.

    KARIN POF

    Mais tarde naquela noite, enquanto um shinigami sem posto fazia a patrulha na área do local de execução, ele resmungava a respeito da tarefa que lhe deram. Ou melhor, castigo. Seikon Shinta caminhava numa das passarelas paralelas que ficava entre ao "buraco". Não havia nada ali. O terceiro posto lhe deu essa tarefa porque o ouviu comentar a respeito da sua aparência. Pescoço inchado, olhos fundos e nariz grande. Enfim, o cara era feio e escutou bem na hora que fez um comentário, comparando-o com um cachorro bem gordo e velho que teve uma vez. Shinta era mesmo um azarado.

    Enquanto dava a volta escutou um barulho. Parou no lugar apurando os ouvidos. Depois de um longo minuto o barulho ecoou de novo. Shinta olhou para baixo franzindo a testa. Parecia que o som vinha do fundo do "buraco". Agarrou na bainha na cintura e com a outra mão a barra da passarela. Jogou as pernas para o lado saltando até cair na rua ladeada pelos muros. Se aproximando devagar engoliu em seco. Só daria uma olhada e depois reportaria ao tenente Kira.

    O barulho ecoou outra vez e Shinta teve certeza, parecia com a voz de um homem. Que estranho, não enviavam mais prisioneiros para esta área fazia uns dez anos. Chegou na beirada, o barulho sumindo e curioso, esticou o pescoço para baixo. O breu do "buraco" de no mínimo nove metros de profundidade não lhe permitiu enxergar nada. Estalou a língua, devia estar imaginando coisas.

    De repente, seu pescoço foi enforcado. Agarrou a coisa que se enrolou nele apertando e baixou o olhar para ela. Arregalou os olhos de choque. Era... Era uma cauda de minhoca. A cauda o estrangulou mais forte e o puxou para o "buraco". Shinta caiu num grito sem fôlego enquanto mirava dois pares de luzes como olhos.

    No dia seguinte

    HITSUGAYA POV

    No salão de reuniões do 1º esquadrão estavam enfileirados diante do Comandante todos os Capitães que Yamamoto Genryuusai escalou para investigar o laboratório de Kurotsuchi. Kuchiki e Hirako deram um passo a frente e explicaram como aconteceu a vistoria noite passada, enquanto que Zenpachi e eu ficamos quietos. Quando Hirako passou descrever as criaturas que atacaram a equipe que escalamos, olhei de relance para o Comandante. Seus olhos se abriram um pouco quando o louro debochado disse.

    - Hollows-Quimeras?

    Hirako confirmou com um aceno de cabeça.

    - Sim, Soutaichou. Foi o termo que a shinigami enviada por Hitsugaya Taichou adotou.

    O Comandante no mesmo instante mirou para mim. Dei um passo a frente e continuei o relatório.

    - Segundo ela, senhor, são seres criados artificialmente com partes de outras criaturas diferentes. As experiências de Kurotsuchi são hollows mortos reconstruídos com partes de outros. Adjuchas... – hesitei e encarei mais sério o Comandante – e Vastor Lordes, Soutaichou.

    Dessa vez, ele abriu completamente os olhos. Não o culpo. Eu mesmo fiquei chocado quando entendi o que Karin quis dizer. Somente os capitães da Brigada sabiam de que se tratavam os tipos de hollows que Kurotsuchi usava como cobaias.

    - E quanto às lutas travadas no laboratório?

    Ele se voltou para Zaraki. O capitão abriu um sorriso enquanto deu um passo a frente.

    - São fortes, Comandante. Muito fortes. Madarame e Ayasegawa me reportaram que as tais quimeras não desaparecem com um simples golpe na cabeça. – Então inclinou o pescoço, abrindo mais o sorriso empolgado – Se não forem decepados ou queimados, elas ainda continuam de pé.

    Um silêncio pesou no amplo salão de madeira lisa e paredes vermelhas. Esses detalhes não foram ditos completamente ontem. Então me lembrei... Estávamos zangados com o fracasso da vistoria, o laboratório soterrado. Escutando agora essas informações, agradeci a Kami que o lugar desabou. E com certeza os outros dois capitães à minha esquerda também.

    - Hirako Taichou, já trouxe Urahara Kisuke?

    O capitão louro assentiu confirmando.

    - Sim, senhor. Logo ele fará as investigações que...

    - Não é mais necessário.

    Arregalei os olhos. Na ponta da fileira Hirako parecia tão chocado quanto eu.

    - Mas Comandante é viável que ao menos Urahara investigue um meio de combater esses monstros.

    Yamamoto estreitou o olhar, coisa que eu nunca o vi fazer.

    - Segundo o relatório da equipe que escalaram já temos informações à essa questão, Hirako taichou. Quanto à Urahara Kisuke, envie-o de volta ao mundo dos vivos.

    Engoli em seco e continuei encarando a frente. Percebi a revolta que Hirako sentia, mas o Comandante acabou de deixar claro sua decisão. Ele bateu o cajado no piso de madeira e deu a ordem.

    - O prédio onde foi encontrado o laboratório com as provas das experiências de Kurotsuchi ficará interditado permanentemente. Kuchiki Taichou, transmita a ordem de explosão do prédio ao terceiro posto do esquadrão do 12º bantai. Reunião encerrada. Dispensados.

    - Hai!

    Dei meia volta caminhando para a saída com um mal estar. Ao espiar furtivamente Kuchiki, percebi que ele também não estava satisfeito com essa ordem. Ele estreitava imperceptivelmente os olhos, preocupado. Ao atravessar a passarela escutei um resmungo e encarei sem surpresa a pessoa. Zaraki estava decepcionado.

    - O que foi?

    - Humpf, o Velho quer acabar logo com essa história. Mayuri tem muita sorte mesmo.

    Franzi as sobrancelhas e ao meu lado, Hirako se aproximou.

    - Pela primeira vez Kenpachi tem razão.

    Ele me encarou sério.

    - O Comandante foi brando demais nessa decisão, não concorda?

    - Sim.

    Relanciei o olhar para o vazio, o mal estar aumentando.

    - Isso me preocupa.

    - Sei o que quer dizer.

    Nos encaramos parando na passarela. Encerrar esse caso sem a devida investigação é o mesmo que absolver o louco de Kurotsuchi. O que nossos subordinados encontraram não foram simples hollows deformados e a descrição das suas habilidades de combate e fraquezas...

    - O Soutaichou sabe o que está fazendo. Um escândalo desses acabaria com a reputação do Centro de Desenvolvimento Tecnologico se espalhasse em Seireitei.

    Kuchiki passou entre nós, frio como sempre. Mas pelo seu tom ele estava tão preocupado quanto Hirako e eu.

    HITSUGAYA POF

    KARIN POV

    A manhã se passou para mim como um turbilhão. Trabalhos em aula e treinamento com espadas tomaram todo o tempo, mas eu não estava exatamente prestando atenção. Essa manhã antes de ir para aula, Urahara me acompanhou até Seireitei dizendo que precisava fazer umas compras e encomendas para sua loja, mas na verdade ia fazer outra coisa. Eu percebi que estava sério e pensativo desde a hora do jantar quando descrevi as criaturas nojentas que o Taichou do 12º bantai criou.

    Bom, isso não era da minha conta. O que eu tinha pra fazer já fiz. Na hora do intervalo peguei minhas coisas e fui direto para o campus. Na aula de Zanjutsu trouxe minha mochila quando percebi que acabaria bem no horário que devia sair. Então quando cheguei ao grande pátio da entrada da Academia sumi no shunpo aparecendo à umas cinco quadras de lá. Sorri empolgada. Estou melhorando, agora consigo saltar mais longe.

    No entanto, como a aula de técnicas de espada me cansou não pude mais saltar ou correr. Na metade do caminho parei ofegante e continuei o resto andando (que saco). Desde que comecei a viajar no shunpo tinha me acostumado a chegar cedo no esquadrão. Enquanto andava escutei uma conversa de uns shinigamis perto de uma loja. Parei franzindo a testa, o tom deles era estranho, alarmado. Cheguei perto da loja fingindo interesse nas coisas que a vitrine mostrava enquanto aguçei os ouvidos.

    - É sério, Hiou?

    - Claro que sim! Como inventaria isso?

    Pisquei com mais interesse. O cara parecia em pânico.

    - Onde foi que viu?

    Ouvi um ofegar entrecortado, nervoso.

    - Na área do local de execução. As jaulas... Todas elas arrebentadas... E ainda havia...

    - Ah, cale essa boca. Eu não vou acreditar nessa besteira.

    Olhei para o reflexo no vidro. O rapaz, o tal Hiou arregalou os olhos apavorado. Os três caras que estavam com ele desdenhavam do seu pavor.

    - É verdade.

    O mais alto de cabelo desgrenhado estalou a língua o mirando de cima.

    - Não seja ridículo. Aquele lugar não é mais usado faz uns dez anos. Devia inventar coisa melhor para livrar cara do seu amigo – fingiu pensar – Qual é mesmo o nome dele?

    Hiou fechou os punhos se tremendo.

    - Shinta não fugiria de uma ordem!

    O encarando debochado junto com os outros dois, o sujeito alto se riu dele.

    - Diga isso para o Kira fukutaichou. Com certeza ele vai achar muito interessante essa sua teoria.

    Depois disso os três riram indo embora deixando o tal Hiou desesperado. Me afastei também e continuei meu caminho. A conversa tinha me chamado muito atenção. O que tinha nessa tal área do local de execução que deixou esse rapaz apavorado? Bem, não era da minha conta.

    Cansada de caminhar usei o shunpo e apareci em frente aos portões. Atravessei o caminho de cimento indo em direção ao alojamento sentindo tudo normal, como se o que aconteceu ontem à noite não tivesse acontecido. Isso me relaxou. Eu ainda não esqueci da visão daquele esqueleto me chamando de “shinigamizinha deliciosa”. Me fez lembrar de coisas horríveis quando era mais nova. Era bem parecido com o que os hollows me diziam, só que invés de shinigamizinha diziam alma. Minha alma densa de poder espiritual me causou muitos incômodos. Desde espíritos idiotas até monstros querendo me devorar.

    Depois de me trocar fui direto até o escritório do Capitão. Antes de ir embora ontem, Toushirou me avisou que voltaria a me treinar. Um calor subiu no meu rosto. Como será que vou encarar ele? Toda vez em que o vi nesses últimos dias, a lembrança dele me beijando explodia na minha mente e graças a isso agora eu sei que gosto dele, gosto muito. Mas era tão injusto. Mesmo que tenha me beijado daquele jeito, mesmo que tenha dado uma surra em Sakai agindo como... (meu rosto pegou fogo)... Como meu namorado, Toushirou em primeiro lugar estava bêbado. Como um bêbado vai lembrar que beijou uma garota?

    Fiquei amuada, sou mesmo uma idiota. Tinha me sentido tão eufórica e boba no seguinte e ele nem se lembra.

    Suspirei ao atravessar o gramado que ficava em frente ao escritório e subi os degraus da varanda, entrando no hall e seguindo para o corredor. Abri a porta do seu gabinete sem hesitar, não quero que ele desconfie de alguma coisa. A vergonha podia muito ficar só comigo.

    - Taichou, eu...

    Parei no lugar. Ué? Olhei para a mesa vazia do Capitão e girei para o resto do gabinete. Rangiku estava estirada no sofá e tinha se sentado quando entrei. Ela sorriu ao me ver e se levantou.

    - Oi, demorou um pouco hoje.

    - Tive aulas de Zanjutsu, me deixou exausta. Ah...

    Olhei mais em volta, mas sabia que não o veria aqui. Franzindo a testa encarei Rangiku, que levantava as sobrancelhas.

    - O que foi, Karin-chan?

    - Você sabe onde está o Toushirou? Ele disse que ia voltar a me treinar hoje.

    Pisquei surpresa. Por que meu tom saiu tão magoado? Encarei Rangiku e ela me olhava risonha. Droga!

    - O capitão recebeu uma mensagem urgente. Disse que voltaria assim que pudesse. Ah!

    Arregalou os olhos indo até a mesa dele e pegou um papel me entregando.

    - Isso é para você.

    Peguei surpresa, o papel estava dobrado e olhei nos versos. Não tinha o meu nome. Levantei a cabeça.

    - O que é?

    A ruiva deu os ombros.

    - Eu não sei. O Taichou me deixou esse recado caso você chegasse. – me encarou mais firme – Sabe onde fica a sala de treinamento com espadas?

    Me lembrei do dia que me apresentei no esquadrão. Parecia há tanto tempo.

    - Sim.

    - Ótimo. Ele disse para te entregar esse bilhete e que o esperasse lá.

    Sorriu estreitando os olhos de um jeito malicioso. Meu rosto se cobriu de vermelho e enfiei o papel na dobra das blusas.

    - Arigatou.

    Saí do gabinete e fui seguindo até o prédio. Caramba, até Rangiku parecia saber que gosto do nosso Capitão. Que vergonha! Andando de cabeça baixa, atravessei o esquadrão logo encontrando aquele prédio. Entrei sem olhar para os lados e achei aquela sala onde tive minha primeira aula sem saber. Entrei e logo puxei a porta atrás de mim sorrindo um pouco.

    Fui andando até o centro da sala de treinamento e abri o bilhete esperando ansiosa por algo romântico e me decepcionando. Fechei o papel e tive vontade de amassar e jogar fora. Controlei a raiva suspirando e me sentei no chão cruzando as pernas na posição de concentração mental que aprendi no dojo e li o bilhete de novo estreitando os olhos.

    Kurosaki.

    Se você chegar antes de mim, quero que comece um novo tipo de treinamento. Se chama Jinzen

    Coloque sua espada no colo e sente-se na posição de meditação. Ponha todo o seu coração nela e conseguirá conversar com sua Zanpakutou.

    Deve estar se perguntando por que mandei que fizesse isso. Nos treinamentos, percebi que nunca usou You Ou separadas, exceto naquela vez na arena. Cheguei a conclusão que enquanto lutava no duelo, inconsciente usou uma habilidade diferente das espadas. O golpe que desferiu com a wakisaki foi uma rajada cortante de vento, ao contrario das lâminas de pressão de ar com as espadas juntas.

    Quero que converse com sua Zanpakutou. Descubra como pode repetir essa habilidade e o golpe.

    Fim.

    Sem um “oi”, “como está” ou qualquer coisa que demonstrasse interesse. Amassei o bilhete de raiva e enfiei no bolso da minha calça. Idiota!

    Agarrei o punho da minha zanpakutou e saquei devagar. Ela era longa e depois que a tirei da bainha fiz como Toushirou ensinou. Coloquei no colo e fechei os olhos respirando fundo. Durante uns bons minutos não senti diferença nenhuma, então tentei me imaginar no penhasco, a ventania me envolvendo. Em questão de minutos senti um pulso vindo do meu peito e da espada no meu colo. Meus cabelos se levantaram e abri os olhos devagar. Sorri satisfeita, diante de mim e ao meu redor, nuvens de tempestades cobriam o céu.

    - Ora, senão é a garota. Já faz um tempo.

    Me virei para a voz de tenor. O Falcão estava empoleirado no mesmo lugar onde conversamos pela última vez. Ele me olhava de um jeito acolhedor como se sentisse saudade. Fiquei rubra de vergonha.

    - Desculpe.

    Seus olhos se arregalaram.

    - Pelo o que está se desculpando, garota?

    Fiquei mais envergonhada e me aproximei, fazendo com que o Falcão se curvasse para continuar me olhando.

    - Faz um mês que não venho aqui.

    O Falcão estreitou os olhos como se estivesse sorrindo. Pisquei confusa

    - Não tem importância, mas já que está aqui me diga uma coisa.

    Fiquei mais confusa.

    - Fala.

    Curvando a cabeça, o Falcão imenso pareceu curioso.

    - O shinigami de cabelo branco... É seu Companheiro?

    Meu rosto ficou vermelho vivo e You Ou tremeu o peito. Eu não acredito. Essa ave 'tava rindo de mim!

    - Por que 'tá me perguntando isso?!

    Curvando a cabeça para o outro lado, You Ou fingiu inocência. Atá.

    - Então ele não é? Acho que tive a impressão errada.

    Suspirei me irritando ar ficar mais nervosa.

    - Ainda não me respondeu.

    Se aproximando mais de mim, o Rei Falcão me olhou de um jeito divertido.

    - Se ele não é o seu Companheiro não tem porque te responder. – abri a boca para reclamar, mas ele me cortou – Sei porque está aqui. Quer saber como se usa as espadas separadas?

    Esqueci da sua pergunta constrangedora.

    - Vai me dizer?

    Se endireitando na pedra onde estava empoleirado, You Ou me encarou atravessado, ofendido.

    - Não diga tolices, garota. Claro que te diria.

    Batendo as asas ele voou parando no ar diante de mim. Joguei o pescoço para trás enquanto o Rei Falcão se afastou um pouco. Era como se quisesse que eu o visse por inteiro.

    - Quando me chama, você clama para que bata minhas asas – assenti admirando-o e You Ou continuou – Ao me invocar apareço com minhas asas unidas e o vento onde está gira em sua volta como uma Tempestade. Por isso ao me virar move os ventos criando lâminas de ar cortantes.

    Arregalei os olhos.

    - As espadas unidas são suas asas.

    O Falcão estufou o peito orgulhoso e pousou no chão com o vento se deslocando sacudindo suas penas e meu quimono e cabelos.

    - Agora preste atenção, garota. Vê com são meu bico e minhas garras?

    Fiz o que pediu e me espantei. Eles brilhavam, o gume afiado de seu bico negro e baixei o olhar para as garras de suas patas também eram afiadíssimas. Eram curvas e pontudas. Engoli em seco e encarei You Ou.

    - Parecem navalhas.

    Ele estreitou o olhar satisfeito.

    - Exatamente, Karin. As katanas separadas são as navalhas do meu bico e garras. As rajadas que criar cortam tudo, contorcem e giram como nós quisermos. Isso aumenta nossas reiatsu de tal maneira que os Ventos ficarão furiosos. Só há uma desvantagem.

    - Qual?

    Eu estava gostando tanto da parte que ficaria poderosa e tal...

    - Minhas navalhas consomem muita energia espiritual para criar as rajadas e enfurecer a tempestade. – me olhou pensativo – Você entende? Não pode usar essa habilidade a toa.

    - Claro.

    You Ou fechou as asas e se curvou um pouco para mim tombando a cabeça. Me olhava tão orgulhoso.

    - O que foi?

    - Você cresceu. Noto que sua força aumentou.

    Sorri para ele boba e os seus olhos estreitaram risonhos. De repente, senti o chão sacudindo. Pisquei confusa e o chão sacudiu de novo. Olhei em volta e as nuvens mudaram de cor. O tom claro escurecia como da primeira vez que vim aqui.

    - O que é isso?

    O Rei Falcão apenas se endireitou sem se perturbar.

    - Estão tentando te despertar. É melhor acordar, Karin. Parece ser muito urgente.

    - Claro – fechei os olhos, mas antes de me concentrar os abri – Espera, como faço para usar as duas espadas?

    Ainda olhando You Ou disse despreocupado.

    - “Jin no Saiga”. Significa Presas da Espada. É a invocação mais próxima das minhas navalhas. E outra coisa. – me encarou enquanto o chão se sacudia de novo – Só precisa chamar uma vez.

    - Obrigada.

    Fechei os olhos e respirei fundo me concentrando. De repente, o vento parou e abri os olhos.

    Me inclinei para trás de susto, apoiando as mãos no chão enquanto meu coração batia nervoso.

    - Taichou!

    Toushirou estava com a mão no meu ombro, apoiado num joelho em minha frente. Já iria perguntar por que me interrompeu meu Jin... Sei lá o que, quando percebi a expressão do seu rosto. Era agoniada.

    - O que foi?

    Se endireitando ele se levantou e me levantei também pegando You Ou.

    - Venha comigo. Agora.

    Me deu as costas indo até a porta, pisquei confusa guardando a zanpakutou na bainha. Ele já estava no corredor praticamente correndo. Andei rápido até ficar ao seu lado e saíamos do prédio me espantando com a agitação ao redor. Todo mundo corria de um lado para outro, chamando, pedindo coisas. Que caos era esse? Então ouvi uma batida na madeira que ecoava alto. Comecei a ficar nervosa também.

    - O que é isso, Capitão?

    Toushirou estreitou os olhos mais preocupado.

    - É o alarme da Central 46. Estamos sob ataque.

    Quase fiquei pregada no chão e engoli em seco.

    - De quem?

    Respirando fundo, Toushirou parou se inclinando um pouco. Levantei a sobrancelha. Shunpo?

    - Dos Hollows-Quimeras de Kurotsuchi.

    Meu queixo caiu. Toushirou sumiu e desapareci junto com ele. Corríamos e saltamos pelos telhados dos quarteis e das casas numa velocidade anormal. Caramba, como é rápido. Já estava ficando sem fôlego. Percebi enquanto saltávamos que Toushirou seguia na direção contrária das explosões e dos gritos. Detesto admitir, mas estava ficando apavorada. Ataque? Das coisas nojentas? Eu lembro das histórias de Ichi-nii. Essas batalhas eram duras e demoravam desgastando quem lutava. Eu não acredito que vou ter minha primeira batalha!

    Saltamos outra vez aparecendo no pátio gigante de entrada do Centro de Desenvolvimento Tecnológico. Não tinha ninguém aqui e estava deserto. Toushirou agarrou o punho da sua zanpakutou e a sacou, enquanto que fiz o mesmo e a segurei abaixada numa mão como ele e fomos entrando no prédio.

    Me espantei quando nos aproximamos dos portões vermelhos. Estavam arrombados. Engoli em seco e pulamos a escadaria pousamos já dentro do corredor. As luzes piscavam e as paredes estavam arranhadas e chamuscadas.

    - Capitão, por que estamos aqui?

    Sem se virar Toushirou seguiu em frente impassível. Cara, de onde arranja tanta calma?

    - O Comandante me enviou para encontrar o segundo Laboratório de Kurotsuchi.

    Arregalei mais os olhos.

    - S..se..segundo?

    - É só uma teoria. Mas Urahara Kisuke veio investigar mais cedo e encontrou o esquadrão nesse estado. Depois descobrimos que um soldado do Capitão do 3º bantai não voltou de uma vigia.

    Hesitou por um momento e continuou.

    - Os restos dele foram encontrados essa tarde nas ruas da Cidade.

    Todo o sangue que eu tinha fugiu do meu rosto e ouvi um tinir nervoso. Olhei para baixo e minha mão que agarrava a espada estremecia. Odiei isso e sacudi o braço. Para de tremer, droga!

    Levantei a cabeça e Toushirou me olhava sobre o ombro. Me encarando de lado estreitou o olhar e voltou o rosto para frente. Pisquei. Ele achou graça ou foi só impressão minha? Passamos por uma porta e Toushirou parou. Ele observava com muita atenção a parede ao lado dela.

    - O que foi?

    Me ignorando inclinou a cabeça dando um passo.

    - Se afaste.

    Pisquei para ele e seu braço com a zanpakutou levantou. Dei um pulo para longe enquanto Toushirou desferiu um golpe rápido e forte. Uma rajada de fumaça branca levantou quando ouvi um estrondo. A fumaça se dissipou e levantei a sobrancelha. Toda a parede por uns três metros lado a lado congelou e despedaçou. E ele nem usou a Shikai...

    - Vamos.

    Atravessamos a abertura, o gelo cobrindo tudo o que havia ao redor da “porta” que ele abriu.

    - Kurosaki, o laboratório que encontraram ontem a noite...

    - Sim?

    Olhei em volta como ele notando os vidros dos mostruários gigantes e pequenos todos quebrados. Pisei de novo e ouvi um esguichar. Olhei para baixo me arrepiando de nojo.

    Eca! Eram os líquidos onde estavam mergulhadas aqueles troços mortos.

    - Kurosaki?

    Levantei a cabeça.

    Ele tinha parado para me esperar. Me xinguei pela mancada.

    - Sim, Capitão.

    Dando uma olhada ao redor ele analisou friamente o laboratório.

    - Era igual a este?

    - Sim senhor.

    Me encarou e sua expressão era calma, concentrada. Me surpreendi.

    - E os hollows-quimeras que atacaram vocês?

    Entendi o que ele queria e me senti amuada. Por isso ele foi me buscar.

    - Sinto muito, mas quando a gente ia sair eles apareceram do nada. É como Renji contou para o Taichou dele. Eram tão rápidos e furtivos que quando percebemos...

    - Estavam cercados.

    Ele suspirou. Poxa, me senti tão inútil quando Toushirou virou o rosto dando mais uma olhada em volta. Na primeira oportunidade que tenho para ajudar não servi pra nada.

    - Tudo bem, vamos vol...

    Um estrondo sacudiu o prédio inteiro. Arregalamos os olhos um para o outro espantados e não foi preciso dizer nada. Saímos correndo dali e pulei no buraco que abriu na parede. Saltamos com o shunpo para chegar mais perto e ofegamos de choque. Uma horda inteira de hollows gigantes corria para o portão de saída do esquadrão. Eles iam praticamente enfileirados. Virei o pescoço na direção de que os hollows vinham e vi um prédio ao longe destruído.

    - As celas...

    Toushirou olhou na mesma direção que eu e ofegou mais forte. Em seguida, agarrou com força o punho da zanpakutou.

    - Vá para o esquadrão! Vou atrasá-los!

    O encarei apavorada.

    - NÃO! ELES VÃO TE MATAR!!!

    Ele me encarou de lado, sério e percebi que disse uma besteira.

    - Não discuta Kurosaki. Eu também não ficarei aqui, vou me juntar com os outros capitães. Agora vá.

    Engoli em seco e sumimos no shunpo. Saltei indo para o outro lado do muro que ladeava o portão com o kanji de 12 do esquadrão.

    Calma.

    Calma. Calma. CALMA!!!

    Ele é um Capitão. Já lutou muitas batalhas antes de você. É claro que Toushirou sabe o que está fazendo. No entanto, meu peito se apertou. De repente, o tom de alaranjado do entardecer desapareceu. Levantei a cabeça vendo nuvens negras cobrindo os céus. Respirei fundo aparecendo em cima de um telhado de um prédio pequeno em tempo de escutar.

    - Souten Ni Zase.... HYOURINMARU!!!

    Tomei impulso e voei. Enquanto subia no ar quase atravessando o muro olhei sobre o ombro. Toushirou tinha saltado no ar, segurando a zanpakutou com as duas mãos. O dragão de gelo gigante girava seu imenso corpo de gelo. Apontando para o chão, ele jogou o dragão em cima de uma horda do que achei que eram uns Menos Grandes, a boca escancarada de gelo caindo como uma avalanche. O estrondo abriu uma cratera engolindo tudo junto com as quimeras congelando e esfriando o lugar.

    Incrivel!

    Olhei para frente, para bater o pé na telha do muro e tomar mais impulso quando me choquei com uma parede invisível. Algo se agarrou nos pulsos e tornozelos me puxando e depois uma energia, azulada, me jogou para trás. Eu estava tão surpresa que nem consegui gritar. Eu voava num mergulho de ar pesado. Não conseguia me firmar para parar!

    De repente, bati no peito de alguém e um braço enrolou na minha cintura. De imediato, minha queda desacelerou. Levantei a cabeça e vi Toushirou. Ele encarava a frente sem entender nada.

    - O que foi isso?!

    Ofeguei assustada.

    - Não sei.

    Paramos no ar e ofegamos. Em cima do muro não havia nada, então o que foi que me jogou? Toushirou me soltou e ficou ao meu lado. Concentrado de novo e sem dizer nada sumiu no shunpo e o segui. Aparecemos no ar acima do limite do muro. Esticando a mão devagar, de olhos baixos, Toushirou encostou devagar a palma e uma onda fosca e mole como gelatina apareceu. Raios azuis estalaram rejeitando sua mão e ele recuou o braço abaixando a cabeça.

    - Droga.

    Pisquei surpresa. Nunca o tinha ouvido dizer isso. Olhamos para as ruas do outro lado do muro e levantei as sobrancelhas. Os hollows-quimeras passavam numa boa!

    - Eu não acredito! Por que essa... Barreira elétrica prendeu a gente e não eles?! Alias, por que essa coisa 'tá aqui?

    Toquei com os dedos na frente e a mesma coisa aconteceu como em sua mão, gelatina fosca e elétrica.

    - Não faço ideia, mas parece que só repele shinigamis.

    Engoli em seco e o encarei. Toushirou me olhava sério de volta respirando fundo agoniado. Pisquei, sabendo que fiquei mais pálida do que já fiquei um dia.

    Nós dois estávamos presos, sozinhos, num lugar que provavelmente virou um inferno com essas quimeras.


    Somente usuários cadastrados podem comentar! Clique aqui para cadastrar-se agora mesmo!