A paixão do capitão de gelo

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 8

    Um nobre colega irritante

    Álcool, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    No escritório do 10º bantai Matsumoto, Renji e Hisagi conversavam a respeito da reunião de tenentes que aconteceu naquela manhã. Como o Capitão Hitsugaya se encontrava em outro lugar do esquadrão, Matsumoto pegou seu estoque particular de saquê do esconderijo. Renji e Hisagi se espantaram quando a ruiva tirou litros da bebida bem debaixo da mesa do capitão e acharam mais errado quando ela riu das suas caras e colocou um pouco para cada um. Ela tomava um gole alheia aos olhares de reprovação dos dois, quando um shinigami entrou esbaforido no escritório. Os três se viraram surpresos para o cidadão ofegante.

    - Matsumoto fukutaichou! Precisa ir imediatamente à biblioteca!

    Renji franziu as sobrancelhas confuso.

    - O que aconteceu?

    - A tenente Hinamori e a Kurosaki, senhor - respirou fundo - elas...

    Os três arregalaram os olhos, não foi preciso explicar nada. Saíram correndo do escritório até o local. Do lado de fora conseguiram ouvir os gritos e os baques e logo invadiram a biblioteca, encontrando Hinamori e Karin atracadas numa briga ferrenha. Karin tinha o nariz sangrando enquanto Hinamori descabelada e o queixo roxo. Os dois tenentes fizeram o que era certo, separaram as duas antes que se matassem. Elas ainda esperneavam e se xingavam quando aconteceu o inevitável.

    - Mas que bagunça é essa?

    Os cinco viraram os rostos para a entrada e viram Hitsugaya chocado e com uma raiva... Ele suspirou antes de perguntar gelado.

    - Alguém pode me explicar o que estava acontecendo aqui?

    KARIN POV

    - Shirou-chan!

    Olhei para Hinamori. Ela olhava aliviada para Toushirou que a encarou sem emoção alguma. Será que ela não notou que ele estava bravo? Eu engoli em seco, aquela explosão sumindo enquanto via Matsumoto repuxar o lábio preocupada. Hinamori tentou se soltar daquele cara, Hisagi acho, sorrindo e depois tentando se explicar.

    - Shirou-chan! Essa garota... Ela me atac...

    - Calada, Hinamori.

    A garota arregalou os olhos chocada. Toushirou então observou sério ao redor para bagunça que fizemos e estreitou os olhos. Ai, caramba.

    - Hisagi, Abarai. Tragam as duas.

    Ele deu meia volta e saiu enquanto Renji foi andando comigo junto com Hisagi que levava Hinamori. Ela ainda não acreditava que o Toushirou a tratou daquele jeito. Eu por outro lado entrei em pânico. Afinal, a culpa é minha, eu comecei a briga. Se bem que me deu um alivio tão grande bater nessa vaca, mas agora com Toushirou bravo desse jeito percebi que fiz uma tremenda burrice.

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    No gabinete do Capitão estavam eu, Hinamori, Rangiku, Hisagi, Renji e Toushirou. Um outro capitão, um louro de franja torta também estava aqui. Pelo kanji nas costas do seu haori era o taichou do 5º bantai, o capitão da Hinamori.

    Eu engoli seco de novo. Nós duas estávamos em pé, de frente a mesa do Toushirou que nos encarava travando os dentes dando uma boa olhada para nosso estado. Isso me deixou morrendo de vergonha. Meus cabelos que costumo dividir ao meio e amarrar uma fita branca em cada parte na nuca estava uma bagunça. Hinamori até puxou um dos lados descendo a fita pela metade e por isso dei um murro no seu queixo que arroxeava e ficava pior. O dela por outro lado, parecia que jogaram fixador e arrepiaram para todas as direções. Eu riria disso se não fosse o clima pesado e o sangue grudado no meu buço e os lábios.

    O silêncio que reinava era ensurdecedor.

    - Saibam que só pelo fato de se agredirem sem razão aparente, posso levar isso ao Comandante.

    Arregalamos os olhos. Toushirou estava em pé do outro lado da mesa. O olhar dele era pura reprovação e causou um aperto no meu peito. Por que doía tanto ele me olhar assim? Hinamori ofegou agoniada.

    - Shirou-chan...

    - Hitsugaya Taichou, Hinamori. Não me faça repetir isso.

    Ela se encolheu com seu tom. O capitão dela que até então estava calado deu passo ficando perto de Toushirou.

    - Bem, bem... Agora será que podemos saber por que as duas resolveram digladiar? - olhamos pra ele espantadas e Hirako taichou estreitou os olhos - Estamos muito curiosos.

    Entrei em pânico de novo. Tentei a todo custo não olhar para Toushirou e quase fiz isso, mas rápido encarei sua mesa. Percebi que os três tenentes que estavam do outro lado da sala ficaram curiosos, principalmente Renji e Matsumoto. Dei uma olhada em Hinamori e quase morri. Ela encarava Toushirou ansiosa e até deu um passo em sua direção. Toushirou apenas franziu as sobrancelhas confuso e pra piorar ela começou a corar. Garota burra!

    - Shi... Hitsugaya Taichou, não foi culpa minha.

    - Explique.

    Arregalei os olhos e percebi que o capitão dela olhava para mim, mas não me importei. Estava apavorada com o que essa coisinha ia dizer. Não! Tudo menos isso! Ele não pode saber que brigamos por sua causa! E por um motivo tão idiota. Hinamori, essa vaca, me olhou triunfante atravessada e abaixou a cabeça cruzando as mãos.

    - Eu apenas fui a biblioteca para ler um livro e Karin-san se incomodou quando disse...

    Ela hesitou de propósito, adorando meu pânico.

    - Disse o que, Hinamori?

    Toushirou perguntou impaciente. Respirando ela falou:

    - Que ela deve...

    - Ter mais cuidado quando for usar minha zanpakutou!

    Interrompi atraindo atenção de todos. Hirako Taichou deu um sorrisinho de canto e tomou as rédeas do interrogatório.

    - E por que minha tenente se incomodaria com isso?

    Me virei para ele e o jeito como me encarava me fez entender que sabia que eu estava mentindo. Hinamori suspirou de raiva.

    - Capitão, não...

    Ele a calou com a mão interrompendo-a, ainda me encarando.

    - Deixe Hinamori, quero ouvir o que a irmã de Ichigo tem a dizer.

    Controle-se.

    Controle-se, controle-se, CONTROLE-SE!

    Mas minha veia saltava nervosa em meu pescoço me delatando. Engoli em seco o encarando, segurando o impulso de segurar as mãos, olhar pros lados... Tudo que mostrasse que eu estava mentindo.

    - É porque senhor, a minha zanpakutou tem a habilidade de retalhar tudo com uma pressão de ar cortante. E hoje de tarde eu meio que destruí o campo de treinamento do nosso esquadrão.

    - E as lajes da arena entre o nono e o décimo bantai, Karin-san.

    Hinamori completou petulante, quase suspirei de alivio. Essa pirralha sem querer acabou ajudando. Pela cara do Toushirou que duvidava da minha história ele começou a se convencer. O capitão dela, pelo contrário, deu um sorrisinho mais aberto.

    - Ah, então é como o Getsuga Tenshou do seu irmão?

    - Sim, senhor!

    Confirmei rápido demais, nervosa demais. Hirako Taichou cruzou os braços e me olhava risonho. Nesse gesto eu percebi que ele sabia exatamente a razão da briga. Toushirou nos observava desconfiado pelo meu deslize. Ai, droga.

    - E por isso as duas quase destruíram a biblioteca?

    - Elas também estavam se xingando de "vaca", não é? Ai!

    Olhei para trás e Renji esfregava as costelas, como se alguém tivesse lhe dado uma cotovelada. Matsumoto estava ao seu lado, séria, mas dava impressão que queria rir. O outro tenente observava com muita atenção algo na parede. Que vergonha.

    - Bem, Hitsugaya taichou, acho que tudo foi esclarecido. Vamos Hinamori.

    Me virei para frente e o Capitão louro se dirigia para porta. Hinamori o olhou surpresa, mas soube que era melhor assim. Foi andando atrás dele sem dizer nada. Assistimos em silêncio quando saíram deixando o clima um pouco menos tenso. Me virei para Toushirou e tinha os olhos pregados no meu rosto, o que me fez suar frio. Ele não acreditou, nem um pouco. Ainda me encarando - me deixando mais nervosa - estreitou os olhos.

    - Matsumoto.

    Rangiku se espantou.

    - Hai!

    - Leve Kurosaki até um quarto e dê um jeito no estado dela.

    Eu queria que o chão me tragasse. Dê um jeito? Ele quis dizer para limpar o sangue no meu rosto e ajeitar meus cabelos. Minhas bochechas queimavam quando Rangiku pôs a mão no meu ombro.

    - Vamos, Karin-chan.

    Acenei concordando sem tirar os olhos do chão. Mas enquanto ela me guiava até a porta, podia jurar que minha nuca ardia, como se alguém estivesse olhando fixo para mim.

    KARIN POF

    HITSUGAYA POV

    Quando elas saíram me virei para Hisagi e Abarai, mas eles também sumiram. Dei uma olhada para a esquerda e uma janela também estava aberta. Isso não me incomodou. Pelo contrário, me poupou do tempo de dispensá-los.

    Kurosaki...

    Se ela acha que me enganou com aquela mentira, então me subestimou feio. Fui até a janela aberta, checando se havia alguém por perto e saltei no shunpo. Segui a reiatsu daquelas duas tomando o cuidado de esconder a minha. Quando cheguei ao alojamento a sorte estava do meu lado, não havia ninguém. Entrei no corredor usando o shunpo de novo e apareci ao lado de uma porta semi aberta. A fresta não tinha nem dez centímetros, mas era o suficiente para escutar as duas. Eu devia sentir vergonha do que estava fazendo, mas a raiva e a curiosidade era maior, principalmente a última.

    - Ai, Rangiku! Tá bom. Assim vai esfolar meu nariz!

    Matsumoto riu e ouvi um barulho como estivesse se sentando.

    - Calma. Pronto! Já terminei. Agora só falta o seu cabelo, se importa de eu penteá-lo?

    - Não.

    Por algum motivo tive vontade de espiar. Eu não a havia visto de cabelos soltos desde aquele dia no riacho. Molhados passavam um pouco da cintura e a imagem deles caindo nas suas costas, livres das fitas, encheu minha mente. Quase puxei a porta, mas segurei o impulso. O que eu estava fazendo?!

    - Sabe que pode confiar em mim, não é Karin-chan?

    - Por que t..tá me dizendo isso?

    O tom de Kurosaki era nervoso e gago. Claro, ninguém que estava no meu gabinete acreditou naquela desculpa.

    - Você e Hinamori brigaram mesmo por causa da sua zanpakutou?

    Silêncio.

    - Acho que não.

    Esperei, então ouvi um suspiro forte, como se ela tivesse prendido a respiração.

    - Promete que não conta pra ninguém?

    - Claro que sim, por que brigaram?

    Ela suspirou de novo e disse de uma vez, antes que se arrependesse.

    - Foi por causa do Toushirou.

    Arregalei os olhos.

    Nani?!

    Matsumoto soltou um grito extasiada.

    - Eu sabia!

    - Rangiku, não grita!

    - Está bem. Mas Karin-chan, eu nunca pensei que gostasse tanto assim do Capitão.

    O tom dessa ruiva era cheio de malícia e imaginei Kurosaki com o rosto vermelho de vergonha. Eu mesmo estava com calor, meu pulso acelerado.

    - Não é bem assim, eu não gosto dele desse jeito.

    - E por isso quase destruiu a biblioteca?

    Silêncio de novo, então Matsumoto riu. À essa altura minha raiva tinha sumido.

    - Para com isso, senão não conto mais nada!

    Nesse momento, tive o desejo irracional que Matsumoto a obedecesse, o que felizmente aconteceu.

    - Olha, é que aquela Hinamori me provocou.

    - Como?

    Pensei também.

    - Ela me jogou uma indireta dizendo que temos os mesmos gostos.

    - Como gostar do Capitão?

    Matsumoto parecia querer rir, isso me irritou. Fique quieta, droga!

    - Sim. Quer dizer, não! Parece que essa garota acha que também 'tou apaixonada por ele.

    Ouvi um suspiro.

    - Pelo visto você notou.

    - Humpf! Quem não notaria?

    Eu. Na verdade, de certo modo já sabia, só não queria admitir. Mas agora estava interessado na conversa.

    - Acho que Hinamori deve controlar mais seus sentimentos, pelo ao menos na frente dos outros. Bom, sabia que dia a menos dia ia acontecer.

    - Por que eles são amigos desde pequenos?

    - Também, mas existe outro motivo...

    Matsumoto hesitou e para minha surpresa, Kurosaki disse:

    - Por causa do tal Aizen.

    - Como sabe disso?

    - Ela mesma me contou, se bem que eu até entendo. Ver um cara, mesmo sendo seu amigo, tentar a todo custo se vingar pelo mal que te fizeram conquista a gente.

    O tom dela foi natural, mas por que escutei uma nota triste na sua voz?

    - Mudando de assunto, Karin-chan, você ainda não contou como começou a briga.

    - Ai! Por que não esquece isso?!

    - Me conte, onegai! Eu prometo que não se fala mais do assunto.

    Silêncio. Essas paradas na conversa estavam me deixando louco.

    - Vai rir de mim.

    - Por que?

    É mesmo. Por que?

    - Foi por algo tão idiota. Só porque chamei ele de Toushirou, ela me corrigiu dizendo: "É capitão Hitsugaya, Karin-san. Não deve chamar ele assim". Aí me irritei e joguei na cara dela aquele apelido irritante. Shirou-chan, Rangiku! Por que aquela coisinha de fitas chama ele de Shirou-chan?!

    Tive vontade de rir, Kurosaki quase gritava indignada. Matsumoto com certeza segurava o riso.

    - É o apelido dele de quando criança.

    - Mesmo assim! É ridículo! Santo Deus, o cara já tá crescido! Aí ela me ameaçou soltando sua reiatsu perguntando se eu sabia com quem tava falando.

    - E você fez o quê?

    - Eu - hesitou - joguei um livro nela e a derrubei no chão. Não me obrigue a contar o resto. Já foi bem feio e confuso na hora.

    Novamente se calaram e então Matsumoto caiu na risada. Tentei a todo custo não fazer o mesmo.

    - Para, Rangiku!

    - Eu... Eu não consigo... Vocês... Brigaram mesmo... Por isso?

    A ruiva se revirava numa outra risada.

    - Eu disse que era ridículo.

    - Não, é cômico! Por isso não quis dizer no gabinete?

    Matsumoto tentava parar de rir, mas não conseguia.

    - Claro que sim. Toushirou ia me chamar de infantil e com certeza pensaria errado porque fiz isso.

    - Seja justa. Nem você entende porque bateu na Hinamori.

    Kurosaki suspirou de raiva.

    - Já chega, tá bom? E para de rir. Se depender de mim, ele nunca vai saber porque me engalfinhei com aquela pirralha.

    Foi minha deixa. Liberei minha reiatsu e abri a porta com toda a naturalidade, como se tivesse acabado de chegar.

    - Quem nunca vai saber o quê?

    Elas arregalaram os olhos espantadas enquanto Matsumoto se virou para mim. Como imaginei, uma estava sentada de frente para outra. O rosto de Kurosaki estava vermelho vivo e parecia sufocada. Matsumoto se levantou de imediato escondendo o riso.

    - Taichou! O que faz aqui?

    A encarei sério.

    - Vim falar com Kurosaki.

    - Ah.

    Ela deu uma olhada para a garota ainda estática no chão. Era claro o pânico dela se eu consegui ou não ouvir um pedaço da conversa. Observei as duas fingindo confusão.

    - Algum problema?

    Matsumoto balançou as mãos disfarçando.

    - Claro que não, Taichou. O que queria falar com Karin-chan?

    Ela tentava me distrair, nem sei porque.

    - Nada de grave, nos deixe à sós.

    As duas se espantaram e finalmente Kurosaki teve uma reação. Engoliu em seco de medo.

    - Mas Capitão, acontece...

    - Saia Matsumoto.

    - Hai.

    Ela obedeceu. Mas antes de fechar a porta deu uma olhada de solidariedade e risonha para Kurosaki. Ao me virar para ela estava de pé prendendo a respiração, tentando em vão se acalmar.

    - O que o senhor quer falar comigo, Capitão?

    Estranhei. Então era somente pelas minhas costas que me chamar de "Toushirou"?

    - Primeiro controle sua reiatsu, está agitada demais.

    Ela não disse nada, só engoliu em seco de novo. Ah, claro. Eu estava zangado quando me viu pela última vez.

    - Capitão, se for pelo o que aconteceu com a tenente Hinamori, eu já expliquei. Foi porque...

    - Não foi por isso que vim.

    Seus olhos negros ficaram maiores ainda.

    - Não? Então por que foi?

    Rápido tive uma ideia.

    - Preciso lhe dar uma punição pelo que fez. Afinal de contas, quase destruiu a biblioteca.

    - Eu não fiz sozinha.

    Argumentou em pânico. Não sei porque, mas estava achando muito engraçado depois que soube a verdade.

    - Claro que não e com certeza Hinamori também receberá a sua pelo próprio capitão. Quanto à você...

    Hesitei, apenas para ver sua reação. Kurosaki ofegava assustada. Parecia cruel, mas eu estava gostando.

    - Vai arrumar a bagunça que fez.

    - O que?!

    - Não discuta. E começará amanhã quando chegar da Academia.

    - Mas senhor, aquele lugar é enorme! Vai levar dias.

    Estreitei os olhos. Quase sorri, quase.

    - Pensasse antes de armar o escândalo. Está dispensada.

    Já de costas, comecei a sorrir e saí do quarto, mas não sem antes ouvir ela desabar no chão.

    HITSUGAYA POF

    No dia seguinte

    KARIN POV

    Arrumar... Ainda não acredito nisso. Arrumar um lugar de 70 por 30 sozinha! Se antes eu achava Toushirou maluco quando me treinou com a Shikai dele, agora me convenci. Não tem como eu fazer isso em menos de um mês e olhe lá.

    Perambulava na hora do intervalo, o horário que eu deveria correr para o esquadrão pensando onde eu estava com a cabeça quando briguei com Hinamori. Era óbvio que ele queria descontar porque quase arranquei os cabelos daquela falsa. Se bem que ele poderia ter levado nós duas ao Comandante. E caramba, eu tremia só em pensar de me explicar na frente de todos os capitães do Gotei, principalmente para aquele velho, como o Ichi-nii o chama. Soltei um suspiro, tinha que ir. Já seguia para o pátio da escola quando me seguraram pelo braço. Me virei para a pessoa e reclamar pela audácia quando pisquei surpresa.

    - Sakai?

    Ele apertou os olhos sorrindo enigmático.

    - Aonde vai, Kurosaki?

    Puxei o braço me soltando de sua mão.

    - Sabe exatamente aonde vou, não me enche.

    Dei meia volta e fui andando quando ele apareceu na minha frente com o shunpo. Travei os dentes. Irritante!

    - Espere um pouco e o nosso trabalho de dupla?

    - O que tem ele?

    Perguntei mal educada, não estava de bom humor. Ele sorriu de um jeito que amoleceria a barbie, mas a mim não. Se pudesse acertaria o punho na sua cara.

    - Você não ia me ajudar com o bakudou?

    Revirei os olhos.

    - Olha, essa semana não dá pra mim. Então, por que não treina sozinho, hum?

    Passei por ele e novamente sua mão me segurou pelo cotovelo. Olhei pra ela irada e depois pro seu dono. Sakai se espantou um pouco, mas não me soltou.

    - Se fizer isso de novo, nobre metido, eu juro que te faço sentir tanta dor que nunca vai esquecer.

    - Ai.

    Ele riu nervoso, mas me soltou. Duas brigas numa única semana, estava quase igual ao meu irmão. Sumi no shunpo saltando pelos telhados. Era o meio mais fácil de cortar caminho e também as ruas aqui eram tão intrincadas que quase me perdi uma vez. Apareci no portão, acenando para os guardas que me cumprimentaram e entrei no esquadrão. Estava sentindo os ombros doerem só de pensar no meu castigo. Andava por um gramado indo me trocar quando alguém apareceu atrás de mim. Eu juraria que era o Toushirou, mas a energia era diferente.

    - Uau, aqui é incrível!

    Não acredito! Me virei e Sakai estava olhando admirado ao redor, alheio ao fato que acabou de invadir um esquadrão do Gotei!

    - O que você 'tá fazendo aqui?

    Olhei em volta em pânico. Alguns shinigamis pararam quando o viram e já corriam pra cá segurando suas bainhas na cintura. Sakai, esse tapado, apenas me encarou sorridente.

    - Que cara é essa, Karin? Eu só vim para te ajudar.

    Levantei a sobrancelha. Karin?  Desde quando ele se achou no direito de me chamar assim?

    Verifiquei em volta e mais soldados chegavam. Agarrei sua manga e desapareci o levando para outra área verde. Suspirei aliviada quando percebi que não tinha ninguém, então me virei pra esse idiota.

    - Escuta, Sakai, vai embora daqui. Invadir um esquadrão foi uma completa burrice.

    Ele deu os ombros.

    - Esses shinigamis não vão fazer nada.

    Oh, Deus. Me dê paciência. Quase dei um tapa no rosto.

    - Você é idiota? Eles vão te atacar sem perguntar depois.

    - Claro que não. Eu sou da nobreza, um herdeiro em potencial da família de Sakai.

    - Isso não vai te salvar da fúria do meu Capitão, Baka!

    - Com toda certeza.

    Gelei. Antes que me virasse senti a pressão espiritual pesar sobre mim. Sakai tinha os olhos arregalados e um instante depois uma espada apontava na sua garganta. Girei e vi Toushirou sério junto com mais cinco shinigamis. Eles seguravam suas zanpakutous pela bainha, apenas esperando por uma ordem. Meu coração batia nervoso quando vi o olhar de Toushirou. Era um verde duro de raiva.

    - O que te faz pensar, que sangue nobre te permite invadir o meu esquadrão, pirralho?

    Mais gente chegava e Matsumoto apareceu atrás do Toushirou. Ela se espantou com a cena e a atenção de Sakai, óbvio, ficou hipnotizada pelos seios enormes dela. Perdi a pena que sentia dele. Ele piscou confuso um minuto depois e olhou para Toushirou indignado.

    - Pirralho? Olhe só para você. Parece tão pirralho quanto eu.

    Arregalei os olhos. Sakai é louco?! Os shinigamis recuaram um passo temerosos inclusive eu. Até Rangiku mordeu o lábio. Toushirou apertou os olhos e deu um passo, fazendo esse idiota recuar outro.

    - Mais respeito comigo, moleque. Senão eu te corto inteiro.

    Então balançou a zanpakutou. Prendi um grito com todo mundo e Sakai gemeu. Esperamos ele cair, sangue brotar de um lugar e sua manga esquerda caiu. Olhamos para seu braço e um filete de sangue saía de um corte fino no ombro. Engoli em seco.

    - V... você quase decepa meu braço!

    O idiota reclamou histérico. Não aguentei e dei um tapa no seu peito.

    - Pelo amor de Deus, Sakai! Feche essa boca!

    Ficou um silêncio enquanto Toushirou me encarava.

    - Conhece mesmo ele.

    Me espantei com seu tom e nesse momento odiei Sakai e sua tremenda pose de nobre.

    - Capitão, esse cara é só um colega de classe estúpido. Pra começar eu nem chamei ele aqui, ele que invadiu o esquadrão.

    Toushirou então voltou a encarar Sakai que teve a decência de engolir em seco.

    - Tem razão, se nota o quanto ele é esperto. Sakai, não é?

    Abaixou a zanpakutou e se aproximou um passo. Com os dois perto um do outro, percebi que de certa forma Sakai tinha razão. Toushirou parecia tão jovem quanto ele, mas ainda sim, baixo em relação a sua altura. Me fez lembrar dois adolescentes se encarando antes de uma briga e caramba, tive a fantasia de ver meu capitão dar uma surra no outro. Sacudi a cabeça.

    - Pode ser colega de Kurosaki, mas nunca a siga de novo para cá. Com certeza, sua família ficaria decepcionada ao saber que seu herdeiro cometeu o crime de desacatar um Capitão da Brigada e ainda por cima fugir da Academia.

    Sakai empalideceu.

    - Voc... - Toushirou apertou os olhos - O senhor não faria isso, faria?

    - Mandarei uma mensagem nesse instante senão sair daqui, agora.

    Sakai não esperou, sumiu no shunpo deixando os shinigamis surpresos e depois os homens caíram na risada. Toushirou olhou para trás sobre o ombro e rápido se calaram. Um deles tentou ficar sério e se curvou.

    - Com sua licença, taichou.

    Em seguida, eles sumiram. Rangiku se aproximou ficando ao meu lado.

    - Karin-chan, quem é ele?

    - Já disse, é só um idiota.

    - Um idiota que te seguiu e invadiu esse lugar. Que tipo de colegas você tem, Kurosaki.

    Olhei para Toushirou, piscando. Que tom indignado era esse? Parecia que estava dizendo que a culpa era minha. Ele me encarava atravessado guardando a espada na bainha mais sério que o normal. Estufei o peito de raiva, mas me segurei.

    - Desculpa pelo incomodo, Capitão.

    Saí pisando duro, direto pros alojamento. Eu lá tenho culpa se Sakai era um idiota sem noção? Primeiro, aquele castigo, depois essa indireta. Toushirou estava sendo muito injusto comigo.

    KARIN POF

    HITSUGAYA POV

    Desde o incidente de mais cedo não voltei a ver Kurosaki. Ela com certeza estava na biblioteca cumprindo o castigo que ordenei. E também, eu havia ficado no gabinete a tarde inteira revisando as missões que tivemos mês passado. Tinha que entregar ainda esse final de semana ao Comandante o relatório mais sucinto possível. Contudo, a imagem daquele rapaz conversando com ela numa área afastada me tirava a concentração.

    Aquele sujeito teve a coragem de me chamar de pirralho. Um nobre como os outros que havia estudado comigo, se confiando em excesso na sua posição. Na época não me incomodava tanto, afinal de contas, as próprias pessoas de Rukongai me evitavam por causa dos meus poderes. Mas esse sujeito... Por algum motivo, lembrar do seu rosto me enchia de raiva, principalmente porque um dos meus homens havia me dito que ele chamou Kurosaki de "Karin".

    Eles eram tão íntimos assim? Sem perceber, apertei tanto o pincel que o objeto se partiu ao meio. Matsumoto se virou com o barulho e rápido escondi os pedaços na minha manga.

    - Taichou, algum problema?

    - Não, aliás Matsumoto você não devia começar o relatório sobre o desempenho de Kurosaki no esquadrão?

    Ainda me olhando do sofá, onde esteve sentada a tarde toda, ela riu envergonhada e foi se levantando ao seguir até a porta.

    - É mesmo, capitão. Vou agora mesmo procurar sobre algumas coisas.

    - Não é necessário. Tudo o que precisa está bem ali, na sua mesa.

    Matsumoto parou no mesmo instante e se virou para sua mesa de trabalho. Uma pilha de papeis a esperava desde semana passada. Ela riu de novo e foi até lá, se sentando e encarando amuada os documentos.

    - Puxa, como fui me esquecer. Bem, é melhor começar.

    Balancei a cabeça e peguei outro pincel da gaveta. Depois de uns minutos, ouvi um suspiro e levantei os olhos. Essa ruiva folgada estava com o queixo apoiado numa mão segurando o pincel. Dei uma olhada na mesa e uma folha mal estava escrita. Me irritei.

    Matsumoto...

    - Taichou, será que são muito amigos?

    - De quem está falando?

    Ela me encarou despreocupada.

    - De Karin-chan e aquele rapaz. Sakai, não era?

    Minha irritação aumentou.

    - Como vou saber?

    Voltei a atenção para papelada na minha mesa, mas ainda assim Matsumoto continuou, me atormentando.

    - Eu acho que são. Afinal, ele a seguiu até aqui e ainda ela tentou evitar que ele desacatasse mais o senhor.

    Então riu, me fazendo levantar os olhos. Matsumoto sorria de um jeito bobo observando a paisagem lá fora pela janela.

    - Ele até a chama por Karin. Que kawaii, taichou!

    Suspirei com a raiva que me inundou e novamente quebrei o pincel. Só que em mais pedaços

    HITSUGAYA POF


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