A paixão do capitão de gelo

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    Capítulos:

    Capítulo 6

    Depois da luta ... Uma amiga de infância

    Álcool, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Na arena entre os nono e décimo bantai, a plateia de shinigamis gritava eufórica. Vários riam até as lágrimas rolarem, outros encaravam espantados a garota que apontava a zanpakutou para o pescoço do desafiante. Qual era mesmo o nome dela? Kurosaki Karin.

    KARIN POV

    O troglodita idiota suava frio apavorado. Toda aquela pose machista se foi depois que liberei minha Shikai, não pude deixar de sorrir. Pressionei mais a lâmina em seu pescoço fazendo-o engasgar e me olhou de soslaio, cheio de medo.

    - Amanhã.

    - O que?

    - Sua semana de gueixa começa amanhã.

    Ele ficou chocado, até empalideceu. Ora, aposta é aposta e eu venci. Girei a You Ou para mim, encostando-a suavemente no meu braço, enquanto que o sujeito sumiu no shunpo morrendo de vergonha. Eu me senti eufórica, a adrenalina tomava conta de mim. Mesmo que estivesse ofegante e machucada, consegui. Derrotei o babaca!

    - Nada mal, Kurosaki.

    Prendi o fôlego. Girei para pessoa e realmente era ele. Toushirou estava à dois passos de mim e estreitava os olhos de um jeito que evaporou minha adrenalina.

    - Tou.. tou ... Taichou!

    Droga! Por que estou gaguejando? Engoli em seco e girei a zanpakutou voltando-a ao normal. Nem sei como consegui fazer isso.

    - Desde quando pode liberar a Shikai?

    Ele estava bravo?

    Não, não estava. Mas por que parecia que queria me esganar? Eu não consigo decifrar essa cara impassível dele! Involuntariamente comecei a entrar em pânico.

    - Bom, é que...

    - Karin-chan!

    Fui acertada por dois grandes volumes na nuca, me fazendo perder o equilíbrio e cair em cima dele. Bati em seu peito, quase deixando a zanpakutou cair da minha mão. Os olhos verdes me olharam surpresos e depois irritados para pessoa que me derrubou.

    - Matsumoto.

    - Taichou! O que senhor faz aqui?

    Ele suspirou. Com o rosto enterrado no seu peito o senti ondular. Por que não saio de cima dele? Suas mãos já me seguravam pelos ombros e me empurravam, me firmando no lugar, mas tinha algo errado. Invés de sentir aquela eletricidade hiper sensível desse contato sem querer, me sentia tonta. A minha barriga onde aquele babaca chutou doía tanto que meu fôlego rareava. Vagamente percebi mais cinco reiatsu ao meu redor, uma delas tão forte que me oprimia.

    - Hei, pirralha! Bela luta.

    - Não diga isso, Ikkaku! O vento da zanpakutou bagunçou tudo por aqui, até o cabelo dela.

    - Quem liga pra isso? Ela é mesmo irmã de Ichigo.

    Olhei para pessoas à minha volta. Um homem alto de cabelo desgrenhado e tapa olho sorria pra mim. A reiatsu dele tinha uma aura assassina. Ao seu lado, um careca sem as mangas do quimono negro discutia com um outro, bem bonito por sinal. O que era aquilo na sua sobrancelha? Penas?

    - Tudo bem, mocinha?

    Virei o pescoço para o lado. Um homem de chapéu de palha se curvava me olhando preocupado.

    - Oe, Karin.

    Ah, esse era Renji. Sabia que tinha uma reiatsu conhecida.

    - O que há Kurosaki?

    Toushirou apareceu alarmado em minha frente, me causando uma súbita vontade de sorrir. Mas antes que o fizesse, antes de qualquer coisa sair da minha boca, minhas pernas amoleceram e revirei os olhos, sentindo tudo o que restava da minha força se esvair. Antes de apagar, consegui ouvir o tinir de uma espada caindo no chão.

    KARIN POF

    HITSUGAYA POV

    - Kurosaki!

    Ela caiu desmaiando nos meus braços. Isso assustou à todos. Abarai e Matsumoto se aproximaram agitados.

    - Karin!

    - Karin-chan!

    - Acalmem-se!

    Eles arregalaram os olhos. Com cuidado, apoiei o tronco dela no braço esquerdo e tirei a bainha pendurada em suas costas.

    - Matsumoto.

    Ela se aproximou mais um passo e lhe entreguei a bainha. Me abaixei, passando o outro braço na dobra dos joelhos de Kurosaki erguendo-a no colo. O rosto dela estava pálido e suava, mal conseguia respirar.

    - O que houve com ela?

    Madarame perguntou confuso.

    - Com certeza não aguentou o desgaste da luta.

    Yumichika tirou as palavras da minha boca, mas mesmo assim... Esses arquejos sem ar estavam me deixando nervoso.

    - Talvez seja isso.

    Encarei minha tenente. Ela não parava de olhar preocupada para a garota nos meus braços. Ao me perceber que a olhava...

    - Taichou?

    - Pegue a zanpakutou dela. Vamos voltar para o esquadrão.

    - Sim, senhor.

    Sem delongas, sumi no shunpo ignorando as expressões surpresas de Kyouraku e Kenpachi. Tinha outras prioridades, como cuidar da saúde de uma garota. Soltei um suspiro. Por que? - mirei seu rosto pálido outra vez - Por que ela se meteu nessa encrenca com Umesada? Aquele sujeito é a ignorância em pessoa.

    - Ahhhhh.

    Ela gemeu me alarmando. Quando a puxei para mais perto, se encolheu com a mão na barriga. Estreitei os olhos nesse gesto e travei os dentes entendendo. Ao pisar num telhado saltei de novo enquanto uma raiva crescia dentro de mim.

    - Umesada.

    Aquele cretino desgraçado.

    Saltei mais uma vez aparecendo no portão do esquadrão, junto com outra pessoa. Fui entrando sem olhar para trás.

    - O que faz aqui, Abarai?

    Se os guardas se espantaram com Kurosaki nos meus braços, imaginem com meu tom de voz. Parecia que eu queria matar alguém. O que era bem provável, estava possesso com um cretino idiota.

    - Vim saber como ela está, Hitsugaya Taichou.

    - Não precisava se dar ao trabalho.

    Segui em direção aos alojamentos. Com minha resposta percebi que ele tinha parado, mas me alcançou correndo até ficar ao meu lado. Ele se espantou com minha expressão e o olhei de canto.

    - Algo errado?

    - Não.

    - Ótimo.

    Não parei a passada, logo entrando na passarela que ligava o refeitório ao alojamento. Com Abarai, calado, ainda nos meus calcanhares. Por algum motivo a presença dele estava me irritando.

    - Hitsugaya Taichou... - hesitou - ... não seria melhor levá-la ao quarto esquadrão?

    - Não. Matsumoto com certeza foi buscar uma equipe já que não está aqui com você.

    O encarei atravessado, isso fez Abarai engolir em seco. Ele veio aqui por outro motivo. Meus homens se curvaram em respeito ao adentrarmos no alojamento e se espantaram ao me verem carregando Kurosaki. Ela gemia e se encolhia tentando respirar, aumentando minha raiva. Enquanto andávamos pelo corredor quis confirmar uma coisa.

    - Me responda.

    Ele se espantou com a quebra de silêncio.

    - Kurosaki foi a garota que humilhou Umesada outro dia?

    Abarai hesitou um pouco antes de dizer.

    - Sim.

    Suspirei para manter a calma. Minhas mãos crispavam apertando Kurosaki demais e me lembrei do primeiro dia em que ela veio aqui.

    " - Quem fez isso?

    - Eu sei lá.

    - Kurosaki!

    - 'Tou falando sério, eu nem conheço o cara. Agora com certeza ele não vai se esquecer de mim.

    - Por que?

    - Quebrei o braço dele"

    - Também fiquei surpreso quando ele desafiou Karin para um duelo.

    Saí do devaneio, foi quando notei que também estava irritado.

    - Hitsugaya Taichou...

    Abarai hesitava de novo limitando minha paciência. Ah, finalmente um quarto livre. Cruzei o beiral procurando o futon, estava ignorando o tenente.

    - Taichou...

    - Diga logo, Abarai.

    Ele piscou com meu tom. Eu estava impaciente e nervoso o bastante para rodeios. Entrando no quarto também ele rápido encontrou o futon e o desenrolou, forrando com lençóis e um travesseiro. Me abaixei com cuidado depositando-a delicadamente.

    - Ainda não ouvi sua pergunta.

    Ele pestanejou e então disse de uma vez.

    - O senhor permitiu que ela participasse desse duelo?

    O encarei, ele perguntou mesmo o que ouvi?! Logo se arrependeu.

    - Claro que não.

    - Então deve ter sido alguém de alto posto. Duelos são podem acontecer se um shinigami sem posto receber permissão do seu Capitão ou...

    - De um oficial, eu sei.

    Suspirei me levantando. Saímos do quarto, porém, continuamos no corredor.

    - Não foi Matsumoto. Ela estava o tempo todo comigo quando a notícia se espalhou.

    - Quem pode ter sido então?

    Não respondi, estava desconfiado de alguém. De repente, uma comoção vinha do hall. Nos viramos e Matsumoto estava à frente liderando um grupo de três shinigamis do 4º bantai. Ao nos ver, ela andou mais rápido.

    - Taichou! Onde está Karin-chan?

    Dei um passo para o lado.

    - Nesse quarto.

    Ela olhou para trás sobre o ombro.

    - Por aqui.

    Os quatro entraram no cômodo e se ajoelharam perto de Kurosaki. Dois dos shinigamis já retiravam suas bolsas das costas, enquanto que o terceiro fechava a porta. Não reclamei, era o melhor. Sem dizer nada, deixei Matsumoto lá e fui andando com Abarai ao lado. Uma olhada para seu rosto e já notei que estava preocupado.

    - No que está pensando?

    Ele se espantou me encarando, mas voltou a expressão de antes.

    - Estava pensando em avisar Ichigo, senhor.

    Acenei concordando, voltando o olhar à frente.

    - Faça isso, é a irmã dele. Só espero que não me arme um escândalo.

    Abarai ficou calado. É, também acho improvável.

    HITSUGAYA POF

    KARIN POV

    Minhas pálpebras tremeram. Lentamente fui acordando até encarar um teto de madeira. Onde estou? Aqui não é o meu quarto. Nesse momento, dedos afastaram uma mecha do meu cabelo na testa atraindo minha atenção. Virei a cabeça, a tontura fazendo as paredes girarem e encontrei duas Rangikus. Franzi a testa, as imagens se juntaram e ela me olhava carinhosa como uma irmã mais velha.

    - Como se sente?

    - Eu - engoli em seco - não sei direito. O que aconteceu?

    Ela se endireitou jogando o cabelo para trás. Estava sentada ao meu lado.

    - Você desmaiou quando viemos te cumprimentar.

    - Ah.

    Lembrei como em flash das cenas. Toushirou me encarando. O cara de tapa olho, outros dois discutindo (um careca e o cara das penas). Rangiku estava atrás de mim e havia o Taichou que me chamou de mocinha. Renji também estava lá.

    - Que lugar é esse?

    Minha voz saía tão fraca.

    - Um quarto no alojamento do esquadrão. O capitão te trouxe aqui quando caiu em cima dele.

    Seu sorriso foi cheio de subentendidos me fazendo corar.

    - O Toush... O Taichou... me carregou?

    - Nos braços.

    Fiquei mais vermelha e ao ver, Rangiku riu.

    - Não tem graça.

    - Tem sim. Mas mudando de assunto, aquele brutamontes te golpeou duas vezes no abdômen, não foi?

    Estreitou os olhos, não tinha como mentir.

    - Foi.

    Ela suspirou de raiva.

    - Eu sabia. Os paramédicos do 4º esquadrão encontraram duas costelas trincadas e um inchaço no diafragma. Vocês desmaiou por falta de oxigênio.

    Fechei os olhos, cansada. Não queria lembrar. O chute daquele cara era pesado como chumbo, nem sei como não me quebrei ao meio.

    - Ele me encurralou. Não tive escolha se não entrar naquele estúpido duelo.

    - Falando nisso, que incrível, Karin-chan! Não sabia que sua zanpakutou era em par e ainda por cima de vento.

    - Pois é.

    Eu queria dormir, mas Rangiku não deixava.

    - Foi a primeira vez que liberou a Shikai?

    - Um hum.

    Minha cabeça girava, o que será que me deram?

    - Impressionante. Aposto que o capitão ficou surpreso.

    - Falando nele, onde está?

    Perguntei por perguntar. Ela fez uma cara, apertando os lábios como senão quisesse me responder.

    - O que foi?

    - O capitão está ocupado conversando com alguém.

    - Alguém?

    Rangiku encolheu os ombros.

    - Seu irmão.

    Arregalei os olhos, eu conheço o Ichi-nii. A última coisa que teria era uma conversa com Toushirou.

    KARIN POF

    HITSUGAYA POV

    - Cadê a minha irmã?!!

    Suspirei pela enésima vez, tentando me controlar.

    - Descansando. Quer se acalmar, Kurosaki?

    O substituto me fuzilava pelos olhos, se pudesse voaria no meu pescoço. Eu também não estava longe de perder as estribeiras.

    - Não vou me acalmar, quero ver a minha irmã!

    - Alterado desse jeito não vou permitir.

    - O QUÊ?!

    Estávamos em pé no meu gabinete próximos dos sofás. Encarei Abarai, claramente arrependido de ter avisado Kurosaki. Agora me encontrava discutindo com ele, tentando manter a compostura, mas estava difícil.

    - Você ouviu, agora sente-se.

    - EU NÃO VOU ME SENTAR, TOUSHIROU! VOU VER A KARIN QUE SE MACHUCOU POR SUA CULPA!

    Arregalei os olhos.

    - O que disse?

    - VOCÊ OUVIU!

    Rebateu se tremendo de raiva, igualmente a mim.

    - ACHA MESMO QUE EU PERMITIRIA QUE ELA FIZESSE AQUILO?!

    - MAS ACONTECEU! O DESGRAÇADO QUASE MATA ELA E VOCÊ NÃO FEZ NADA!

    - Ichigo!

    - CALE A BOCA, RENJI!

    Cada fragmento de paciência e controle que eu tinha se perdeu. Quando percebi o gabinete tinha esfriado. As janelas estavam embaçadas e os dois shinigamis respiraram com vapor saindo de suas bocas. Eles me encaravam espantados e com razão. Minha reiatsu irradiava descontrolada como não era há muito tempo.

    - Não pense, nem por um segundo, que eu deixaria que ela morresse. Sua irmã se defendeu sozinha graças ao treinamento que eu estou dando. Então cale-se e pense de novo antes de falar, Kurosaki.

    Ele se assustou com meu tom sombrio e tropeçou caindo sentado no sofá. Minha mente virava um branco, se não me acalmar faria uma loucura. De repente, a porta foi aberta trazendo um sopro de ar quente clareando minha cabeça.

    - Shirou-chan?

    Pisquei para garota que estava na porta. Ela olhava chocada o estado do gabinete.

    - Hinamori?

    - O que deu em você? Aqui está congelando!

    Apertei os olhos morrendo de vergonha e controlei minha pressão espiritual, fazendo em minutos o cômodo voltar a temperatura de antes. Eu nem conseguia encarar Abarai e Kurosaki.

    - Suman. (algo como 'desculpe')

    - Tudo bem.

    Mas o substituto continuava me olhando espantado. Que ridículo, não acredito que perdi o controle desse jeito. Encarei Hinamori que entrava tentando entender o que interrompeu, mas nenhum de nós demonstrou nada.

    - O que faz aqui?

    Ela sorriu me oferecendo uma caixinha de madeira.

    - Só vim te trazer isso. São amanatous, seus preferidos.

    Aceitei sem dizer nada, enquanto suas bochechas coravam. Fazia um tempo, creio que dois anos que vinha notando esse comportamento estranho de Hinamori. Ela ficava envergonhada comigo por pouca coisa.

    Depois do silêncio constrangedor, ela olhou ao redor encontrando Abarai.

    - Então sobre o que vocês estavam falando, Abarai-kun?

    - Ah...

    Ele me olhou esperando que dissesse alguma coisa, mas foi Kurosaki quem tomou a iniciativa. Ele se levantou do sofá caminhando até ela.

    - Nada importante, só vim visitar minha irmã.

    - Sua... Irmã?

    Ele sorriu.

    - É, ela agora está morando aqui em Soul Society. Bom Toushirou, 'tou indo nessa. Depois a gente se fala.

    Me olhou sobre o ombro piscando. Me espantei com o gesto enquanto foi até Abarai e o segurou pela manga.

    - Vem Renji, você também.

    - Mas o que...?

    - A gente precisa resolver aquilo, se lembra?

    O encarou tentando fazê-lo entender. Que desculpa fajuta. E pra minha surpresa Abarai concordou!

    - Ah, claro. Jya nee, Hitsugaya Taichou, Hinamori.

    Os dois sumiram batendo a porta. Francamente, eles acham mesmo que eu tenho algum tipo de relacionamento amoroso com Hinamori? Ela soltou um risinho atraindo minha atenção. Suas bochechas estavam mais vermelhas que antes.

    - Eles agiram como se fôssemos namorados. Que coisa, né Shirou-chan?

    Fechei a cara e coloquei a caixinha em cima da mesa.

    - Foi ridículo, na minha opinião. E é Hitsugaya Taichou, Hinamori, até quando vai me chamar por esse apelido?

    Ela ficou acanhada, triste com minha resposta, mas sorriu de novo.

    - Até quando eu quiser.

    Balancei a cabeça. Havia momentos que sequer entendo essa garota.

    HITSUGAYA POF

    KARIN POV

    Por causa do meu estado, Rangiku me avisou que hoje eu dormiria no esquadrão. Ela iria até em casa avisar Kuukaku. Com certeza, ela viria correndo me ver ou talvez não, nunca a tinha visto sair de casa. Até porque, quem sabe, ficaria só um pouco orgulhosa de mim. Afinal, eu derrotei um idiota e liberei minha Shikai. Assim ela esqueceria do meu castigo por ter me atrasado para aula.

    Falando nisso, como será que foram as aulas que perdi? Aposto que Sakai e a barbie aproveitaram para me criticar e contar vantagem, já que eu não estava presente. Perdida nesses devaneios, escutei vozes femininas vindo do corredor se aproximando da minha porta.

    - É verdade, Rangiku-san!

    - Não posso acreditar nisso. Nunca que ele perderia a calma desse jeito!

    - Estou dizendo, o gabinete inteiro congelava. O que será que deu no Shirou-chan?

    - Como vou saber?

    A porta se abriu. Rangiku entrou sorrindo acompanhada de uma garota do meu tamanho. O cabelo liso dela estava preso num coque com fitas coloridas caindo. O jeito delicado dela não combinava com a reiatsu que emanava. Fiquei chocada, era do nível de Renji, um tenente.

    - Oi Karin-chan, como está?

    - Um pouco melhor.

    Me sentei com cuidado, enquanto elas ficaram ao meu lado também se sentando. Gesticulando para garota das fitas, Rangiku nos apresentou.

    - Essa é Hinamori Momo, tenente do 5º esquadrão.

    A garota sorriu. Então era mesmo uma tenente.

    - Rangiku-san me contou o que aconteceu. É verdade que derrotou Umesada num duelo?

    Parecia impressionada enquanto que a ruiva soltou um riso.

    - Derrotou? Ela deu uma verdadeira surra nele. Aqui entre nós, todas as mulheres que foram importunadas por aquele grosseiro adoraram o que você fez.

    Riu de novo. Não pude aguentar e rir também sentindo uma pontada no abdômen.

    - Ai.

    - Não se esforce. Culpa sua Rangiku-san.

    A outra só piscou os olhos inocente. Sorri com isso.

    - Por que? Ah, Karin-chan, trouxe seu uniforme e uma muda de roupa pra você.

    Me entregando uma sacola de tecido, o gesto me deixou muito agradecida.

    - Puxa, arigatou.

    - De nada. Afinal, foram ordens do Capitão.

    Me deu uma olhada significativa que me deixou sem graça, porém, a tal Hinamori parecia que não gostou muito. Nesse momento, a porta se abriu.

    - O que estão fazendo aqui?

    Nos viramos para a pessoa e Toushirou estava na entrada olhando sério as duas. Rangiku só imitou aquele jeito inocente que eu sabia que o irritava e quanto a outra, se levantou de um pulo abrindo um sorriso, tão espontâneo que me incomodou.

    - Shirou-chan, você não deve entrar assim sem bater. Aqui só tem mulheres.

    Levantei a sobrancelha. Shirou-chan?! Toushirou só cruzou os braços.

    - Hitsugaya Taichou, Hinamori. Quantas vezes tenho que repetir?

    Ela apenas sorriu acanhada. Impressão ou esqueceram que tinha mais gente aqui?

    - Antes você não se incomodava.

    - Sempre me incomodei e não mude de assunto. O que estão fazendo aqui? Kurosaki precisa de repouso.

    Ouvi um suspiro aliviado e Rangiku se levantou.

    - Só vim entregar os pertencentes dela, Capitão e Hinamori queria ver como ela estava.

    Toushirou encarou as duas e ao assentir concordando se virou para mim.

    - Como está? Fiquei sabendo do seu estado.

    - Bem melhor. Acho que até amanhã já me recuperei.

    - Ótimo. A propósito Kurosaki, seu irmão esteve aqui.

    - Mesmo?

    Estava encabulada com a atenção dele, para me situar olhei as duas tenentes e me espantei. Era inveja o que eu via nos olhos dessa tal Hinamori? Parecia que a qualquer minuto interromperia a conversa.

    - Infelizmente, ele foi embora. Mas acho que depois vem te ver.

    - Hum.

    Me virei para Toushirou. Ele não olhava para mim, estava pensativo me deixando bem curiosa. Nesse momento, a tenente baixinha se aproximou segurando sua mão. Arregalei os olhos para o gesto junto com Rangiku, mas ao contrário do que achei, Toushirou não se incomodou. Ele apenas olhou para ela.

    - Vamos, Shirou-chan. Ela precisa de descanso, não é mesmo?

    - Ah, claro. Melhoras, Kurosaki.

    Não consegui dizer nada. Continuei encarando até essa garota rebocá-lo porta afora. Me virei pra Rangiku depois que estavam longe, ela apertava os olhos para cena.

    - Quem é mesmo essa Hinamori?

    Não me importei com a falta de respeito, estava entalada com a antipatia. Se encostando no batente, me respondeu.

    - É a amiga de infância do Capitão.

    Pisquei surpresa. A... a... amiga?!

    /////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

    No dia seguinte, tinha me recuperado o suficiente para ir à Academia. Andava pelo campus numa aula vaga me lembrando de ontem. Toushirou de mãos dadas com a "amiga". A cena me dava nos nervos. Que tipo de amiga agia daquele jeito? E o Toushirou não fez nada. Ele deixou! Que raiva!

    Andava sem prestar atenção quando ouvi uma algazarra no grande pátio que ficava entre o prédio e a entrada. Corri com o shunpo aparecendo ao lado de Sagashi. Ele chorava de tanto rir.

    - Qual é a piada?

    Ele se espantou por me ver ao seu lado, mas revirou os olhos e apontou para os portões abertos.

    - Veja você mesma.

    E se dobrou de rir. Me aproximei um pouco e realmente quase me entalei em gargalhadas.

    Uma gueixa horrorosa andava de queixo erguido enquanto um grupo do 11º esquadrão fazia uma procissão, jogando flores de cerejeira dos cestos que carregavam. A gueixa torcia os lábios vermelhos carmim, quase escondidos pela barba e o bigode. E sua peruca, maior que a própria cabeça estava torta e descabelada.

    Atrás dela seguia uma litreira carregada por seus quatros amigos. Em cima dela estava o cara bonito de penas nas sobrancelhas, se rolando de rir junto com o amigo careca. Esse segurava uma lança de dois metros e dava cutucadas no traseiro de Umesada.

    - Ura, ura ura, URA! Depressa, gracinha! Ainda falta mais trinta quarteirões!

    Segurei a barriga de tanto rir. Esses caras estavam fazendo o preço da aposta ficar mais hilário ainda.


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