A paixão do capitão de gelo

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 3

    Academia de Artes Espirituais - Ingresso no Gotei 13

    Álcool, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    A notícia que Ichigo fez um escândalo na porta do 1º esquadrão se espalhou por toda Seireitei. Todos queriam saber a razão, uns chocados com tal atitude do substituto, outros se divertindo (outros = 11º esquadrão). Apenas poucas pessoas sabiam e elas não contariam para ninguém. Era um assunto muito pessoal.

    Em cima do telhado do 8º esquadrão, dois capitães conversavam olhando a cidade. O de cabelos longos e brancos suspirou enquanto que o outro, de chapéu de palha e capa florida sorveu um gole de saquê.

    - Que situação.

    - Nem me fale. Bem que o taichou do 10º esquadrão pesasse menos a língua - deu outro gole -, o coitado do rapaz quase desmaiou.

    - Foi melhor assim. Evitou o pior.

    Ficaram calados, até que Ukitake quebrou o silêncio.

    - Percebeu?

    - Claro.

    Kyouraku deu risinho, enchendo o pires de novo.

    - Parece que o nosso capitão de gelo vai ficar muito agitado daqui por diante.

    Ukitake sorriu com o comentário. O que eles notaram também ficaria em segredo.

    Por enquanto.

    HITSUGAYA POV

    - Onde está?

    Tenho certeza que deve estar aqui em algum lugar. Do alto da escada, consegui ouvir um suspiro que me fez fechar os olhos segurando a raiva e girei para a folgada da minha tenente, deitada no sofá.

    - Matsumoto! Seja um pouco útil e levante-se. Preciso do livro caixa para organizar a contabilidade!

    A ruiva suspirou de novo. Nem me deu atenção.

    - Ah, taichou... É verdade mesmo?

    Me encarou triste. Não precisei perguntar, sabia bem do que estava falando.

    - A própria Kuchiki me informou, não lhe disse?

    Me voltei para a estante. Droga, não estava nessa prateleira. Empurrei fazendo a escada deslizar para o outro lado enquanto ouvia mais um suspiro.

    - Não consigo imaginar o choque que a família do Ichigo deve estar sentindo. Ela era tão nova, não é?

    Parei de procurar. Quinze anos senão estava enganado, era essa idade que devia ter.

    Espere um pouco.

    Então quer dizer que faz cinco anos que não vejo essa garota? Isso me deixou surpreso.

    - Taichou?

    - Hã? Claro.

    Saí do devaneio e por sorte, encontrei o maldito livro. Pulei da escada indo para minha mesa, já prevendo a tensão que vou passar. Encarei Matsumoto, ela agora estava sentada olhando para a janela.

    - Mudando de assunto, já terminou o relatório que te passei?

    - Nani?!

    Ela se espantou, quase fazendo aqueles seios enormes pularem do decote. Estreitei os olhos, me irritando.

    - O relatório... Sobre os hollows que andam aparecendo na floresta do distrito 40.

    - Ah, sim. Isso.

    - Já terminou?

    Piscando os olhos cinzentos, ela se levantou de repente.

    - Taichou, acabei de lembrar. Hinamori me pediu para ajudá-la mais cedo.

    - Com o quê?

    Ela riu abanando as mãos enquanto andava para a saída.

    - Ah, capitão... Coisa de mulher. O senhor não vai querer saber. Bem, já vou indo antes que ela ...

    - Dê a volta, tenente.

    Ela parou em frente a porta. Raramente a chamo pelo posto, então quando faço isso é porque estou por um fio de paciência. Matsumoto girou no lugar me olhando inocente, só me irritando mais.

    - Hai?

    - Faça o maldito relatório antes que eu corte o seu salário pela metade.

    Ela arregalou os olhos espantada.

    - TAICHOU!

    - Não vou repetir.

    Me levantei e com o shunpo, entreguei em suas mãos a papelada que ela tinha escondido, isso a fez ficar rubra de vergonha. Sentando em sua mesa, encarou o monte amuada enquanto que me sentei na minha.

    - Hoje você não vai fugir.

    - Capitão, não diga isso.

    A encarei por um momento e rápido começou a trabalhar. Suspirei, finalmente me concentrando. Depois de um tempo, Matsumoto me chamou.

    - Capitão.

    - Sim?

    Não levantei a cabeça, estava quase terminando. Então ouvi ela se levantando e um papel apareceu na minha frente.

    - Veja isso. A quantidade de hollows está acima do padrão.

    Peguei o documento. É verdade, o número ultrapassava as estimativas, devolvi à ela.

    - Entregue isso ao 12º esquadrão. O centro tecnológico deve checar se tem alguma anormalidade e nos dar informações.

    - Sim, senhor.

    HITSUGAYA POF

    Um mês depois

    KARIN POV

    Morar com os Shiba sem dúvida era um susto a cada dia. Pra começar, hoje acordei com um estrondo. Me sentei de uma vez no futon sentindo o chão, até as paredes estremecendo.

    - QUE É ISSO?!

    - AH!!!!!

    Alguém gritou gemendo. Depois desses dias já reconhecia a voz.

    Ganju.

    Me levantei, equilibrando o corpo até a porta. No corredor - ainda não descobri de onde vinha aquela luz -, encontrei no final o amigo emo dele. Corri me apoiando nas paredes até chegar perto e o cutucar no ombro.

    - Hei, o que aconteceu?

    Ele se virou assustado e peraí... Chorando? Francamente, do que são feitos os "capangas" do Ganju? Mingau?

    - Deixa pra lá, eu mesma vou ver.

    Fui até a porta, mas antes que puxasse ele me segurou pelo quimono. Me virei espantada.

    - Que foi? Eu só...

    - Não faça isso.

    Estava morrendo de medo. Revirei os olhos e abri a porta.

    - Qual é? O que pode...

    Calei na hora.

    Uma rajada de fogo atravessou o portal me fazendo mergulhar no chão gritando. Por pouco não me acerta na cara! Não é a toa que o coitado estava apavorado. Tremendo, nós dois engatinhamos até a entrada e arregalei os olhos. No centro da sala de treinamento, tinha uma cratera chamuscada com um Ganju completamente surrado. Kuukaku estava pisando em suas costas enquanto gritava.

    - Seu estúpido ignorante! Quantas vezes tenho que dizer?! Concentre mais o seu poder espiritual e o libere aos poucos! Você o esgotou todo de uma vez!

    - Mas Nee-chan - ofegou - não tenho resistên...

    - Chega de desculpas!

    Deu um chute na sua cabeça, tão forte que doeu até em mim. Ganju revirou os olhos, com certeza desmaiou. Nesse momento, Kuukaku nos flagrou e pulamos de susto.

    - Perderam alguma coisa?

    - Não.

    Respondemos juntos.

    - Hei, garota!

    - Hai.

    Fiquei de pé.

    - Se arrume logo ou vai se atrasar.

    - Sim, senhora.

    Saí correndo. Se tem uma coisa que aprendi nesse mês é:

    Não responda. Obedeça. E vá rápido.

    Tomei banho e coloquei meu uniforme. Um quimono composto de calça vermelha e blusa branca com listras vermelhas também nas mangas. Penteei o cabelo e prendi numa fita branca, dando um laço e calcei as meias. Já pronta, fechei o quarto e subi a escada. No alto dela um dois gêmeos, ainda não decorei seus nomes, me entregou a mochila.

    - Aqui, Karin-dono.

    - Valeu.

    - Coloquei seu obentou também.

    - Obrigada de novo, hã...

    Ele só me olhou confuso. Dei um sorriso duro, pus as sandálias e me mandei. Ainda não havia amanhecido direito, portanto o campo ainda estava com aquele cheiro de orvalho. Ao me distanciar bem da casa, parei de correr e segui o caminho. Devido ao meu poder espiritual, Kuukaku "gentilmente" sugeriu que prestasse exame e entrasse na Academia de Artes Espirituais, Shinourijutsuin.

    Fiquei espantada de ter conseguido entrar na primeira tentativa. Lembro como se fosse hoje quando ela me contou a respeito.

    Flashblack

    - Karin!

    Girei para a porta. Eu ainda nem tinha me levantado do futon. Esfreguei os olhos sonolenta me sentando.

    - O que foi, Ganju?

    - Se arruma e vem comigo. Nee-chan quer falar com você.

    Todo meu sono sumiu. Ganju foi andando enquanto que eu lavei o rosto e dei um jeito no cabelo. Melhor não deixa-la esperando. Entramos na sala que vi ontem e Kuukaku estava lá. Ao me ver, apontou para uma almofada em frente.

    - Sente.

    Obedeci rápido. Ganju ficou encostado no batente esperando, enquanto que  ela deu uma tragada do cigarro e me encarou.

    - Sabe que tem poder espiritual, não é menina?

    - Poder? Tá falando de quando via espíritos ainda viva?

    Bateu as cinzas num pote.

    - Não só isso. O fato de sentir fome e sede aqui em Soul Society conta como possuir energia espiritual. E pelo o que estou vendo, não é nada pequena.

    Me olhou bem dentro dos olhos, me fazendo ficar constrangida e virei o rosto.

    - Não posso fazer nada. De uns anos pra cá ela tem aumentado de um jeito que não consigo controlar.

    - O que me leva à conversa que queria ter com você.

    A encarei. Kuukaku estava sorrindo travessa. Isso me deixou um pouco apreensiva.

    - A partir de hoje vai treinar comigo e depois prestar exame para entrar em Shinourijutsuin.

    - Shinouri...

    - Shinourijutsuin. Academia de Artes Espirituais.

    Levantei a sobrancelha confusa, enquanto Ganju entrou correndo parando em frente à irmã.

    - Nee-chan, você não pode tá falando...

    - Exato, Ganju. Ela vai para Academia e se tornar uma Shinigami.

    Então olhou para mim com o ar mais travesso e... Satisfeita?

    - Peraí. Por que eu tenho que fazer isso?

    Kuukaku levantou a sobrancelha.

    - Ora "por que"? Para controlar seu poder. Não sei se notou, mas nessa madrugada minha casa estremeceu e não foi culpa minha.

    Sério? Pisquei surpresa. Ganju tinha o queixo caído e os olhos arregalados, foi engraçado de ver.

    - Mas Nee-chan, eu jurava que tinha sido um dos seus ataques.

    Ela o olhou com a expressão vazia.

    - Seu idiota tapado, era óbvio que a reiatsu não era minha. E o que quis dizer com "ataques"?

    O olho dela tremeu. Ganju engoliu em seco se afastando, enquanto ela se levantava devagar.

    - Ah, não disse isso. Quis dizer, quando você surta...

    - O QUE DISSE MOLEQUE?!

    Ele perdeu a cor e disparou correndo com Kuukaku atrás, sua mão brilhando em fogo. Só tive tempo de me jogar do outro lado da sala antes da explosão.

    Fim do flashblack

    Depois disso, tive o curso intensivo da Kuukaku, que sabe Deus como sobrevivi e prestei o exame. A sorte era que foi à tempo do início do ano letivo. Fiquei preocupada com o que iria fazer depois de morta, mas agora, é como se eu tivesse pulado o colegial e entrado direto na faculdade.

    Ao entrar em Seireitei segui a rota que dava na Academia. Nunca vou me acostumar com a mudança drástica toda vez que cruzo as cidades. Aqui, onde os shinigamis vivem tudo era arrumado num padrão perfeito. As ruas estreitas e calçadas, as paredes brancas. Os telhados das casas e esquadrões, sem contar a limpeza. De vez em quando, encontrava no caminho shinigamis. Corriam de lá para cá atarefados ou simplesmente parados conversando. E pensar que um dia serei um deles.

    Na porta de entrada da Academia senti uma familiar empolgação. O prédio era enorme no mesmo estilo da cidade. No pátio gigantesco que ficava entre a entrada e a portão da frente, vários alunos já haviam chegado. Os uniformes branco - azul celeste e branco - vermelho se misturavam com as fofocas. Detesto admitir, mas não havia feito nenhum amigo ou amiga e por um bom motivo. Quase todos os graduandos vinham da nobreza. Dá pra ter uma noção do quanto fiquei excluída por vir de Rukongai. Mas tanto faz, quero mesmo é me tornar uma shinigami.

    KARIN POF

    No centro tecnológico, o terceiro posto conferia os dados que passavam na tela do computador. Era o chefe do setor de investigação. Depois de verificar mais uma vez, chamou um subordinado.

    - Sim?

    - Envie uma borboleta infernal ao 1º esquadrão. Foi confirmado o ninho de Menos na floresta do distrito 40. Deve ter sido uma "Garganta" que gerou tudo isso.

    - Sim, senhor.

    Minutos depois treze borboletas do inferno estavam diante de cada capitão transmitindo as informações e em seguida veio a ordem.

    - Todo o 10º esquadrão vá para floresta e extermine os Menos, erradicando do local.

    Hitsugaya suspirou, já imaginava isso. As borboletas negras foram embora enquanto ele se levantou indo até a porta.

    - Vamos Matsumoto.

    - Hai!

    KARIN POV

    Durante as aulas, duas garotas olhavam para mim e riam cochichando. Aquilo já estava me dando nos nervos, mas fiquei quieta. Não sou explosiva. Tá, tudo bem, sou, mas tinha que me segurar. As "princesas" eram da nobreza, arranjar confusão seria uma completa burrice. Na hora  da saída, enquanto andava no campus elas me viram passar e falaram bem alto para que ouvisse.

    - Tá vendo aquela pirralha? É uma plebeia do distrito Rukon.

    - Com certeza a deixaram entrar pelas notas pra compensar o tamanho.

    Riram e não consegui aguentar. Me virei com raiva

    - Como é que é?

    A loura arregalou os olhos debochando enquanto que a amiga de cabelo preto e óculos colocou a mão na boca, risonha.

    - Olha, ela fala.

    Me aproximei estreitando os olhos.

    - Foi você que me chamou de pirralha?

    Parei diante dela, que olhou para os lados franzindo a testa.

    - Ruka, você viu alguma coisa?

    - Não, não vi ninguém.

    Riram de novo, nojentas. Percebi vagamente que algumas pessoas se juntaram para assistir, mas não liguei. Agarrei a gola do seu quimono e a puxei pra mim.

    - Hei! Você sabe com quem...

    - Calada barbie ou vai perder os cabelos.

    Sussurrei e ela olhou para minha mão que segurava sua gola. Uma bola de reiraku vermelha brilhava crescendo do meu punho, mas ninguém notou a não ser a sua amiga. As duas arregalaram os olhos.

    - O que você...

    Espiei a outra de canto que já ia correr.

    - Parada ou vai sobrar pra você.

    A tal Ruka fechou a boca quietinha e olhei a loura. Essa suava frio.

    - Peça desculpas.

    - O que?!

    Era tão absurdo o que eu dizia? Aumentei um pouco a bola vermelha.

    - Peça.

    - Tá, tá, me desculpa!

    Ela gritou desesperada, quase ri.

    - Ótimo.

    A soltei de um safanão recolhendo o kidou. A loura segurou o pescoço ofegando e não pude deixar de sorrir.

    - Até amanhã.

    Fui me afastando, enquanto os outros me deram passagem sem entender nada. Ri sozinha. Até que não é tão diferente da escola normal, mas tenho que me apressar. Kuukaku é exigente quanto à horário e se eu não chegar logo... Senti um frio na espinha.

    KARIN POF

    - Atenção! Cada grupo seguirá o líder na direção que o Centro Tecnológico indicar. Se inimigo for mais poderoso que um Menos comum, liberem suas Shikai e não se separem! Entendido?

    - HAI, HITSUGAYA TAICHOU!

    Hitsugaya se virou para a floresta. Estavam numa clareira com todo o esquadrão. A partir dali seguiriam em todas as direções, numa tática de não monopolizar um lugar. Matsumoto se aproximou. Numa batalha ela mostrava realmente que levava à sério seu posto, pena que não era assim no escritório.

    - Taichou, estão todos prontos.

    Assentiu, tocando no comunicador preso na sua orelha. Era bem simples. Pequeno, prateado e não atrapalharia na missão.

    - Muito bem, Kaito.

    Do outro lado, uma voz anasalada e metálica falou.

    - À noroeste. Cinco Menos com nível de adjuchas.

    - IKOU ZE!! (VAMOS!!)

    Gritou e todo o esquadrão desapareceu com o shunpo, balançando a grama e as folhas nas árvores. À sua frente, um hollow de uns cinco metros se levantava. A máscara branca com chifres e um corpo de réptil. Agarrou o punho da espada pendurada em suas costas, pulando nos galhos e saltou para o alto. O hollow sequer percebeu quando desceu a zanpakutou.

    KARIN POV

    - Ah, droga!

    Por que fui perder meu tempo discutindo com aquelas duas?

    Estava quase entardecendo. Senão chegar logo Kuukaku vai me torrar que nem o seu irmão. Tomei um atalho e corri para dentro da floresta usando o shunpo. Era a terceira vez que tentava isso. Estava quase pegando o jeito quando pisei mal num galho e caí sentada.

    - Itaiiii!

    Droga de "passo relâmpago". Levantei esfregando o traseiro. Aprendi rápido os tipos de kidou com sua técnica e quanto ao hakuda, luta corpo à corpo, era boa por causa do karatê, mas aquela porcaria de shunpo não conseguia controlar direito e sempre acabava num lugar que não devia estar.

    De repente, senti cinco reiatsu distorcidas se aproximando de mim e então um coro de urros que eu conhecia muito bem. Girei com o coração na boca. As árvores ao longe estavam sendo arrancadas voando e chão tremia. AI. MEU. DEUS. Corri para esquerda desesperada. Atrás de mim, um hollow passou feito um trem de carga, me fazendo olhar para trás. O que era aquilo? Parecia um touro!

    Por me distrair, vi tarde uma cauda verde chicoteando. Ia me acertar. Agarrei-a com as duas mãos jogando as pernas para o alto. Isso deixou o hollow furioso. Ele girou com força e não consegui me segurar. Voei parando em sua frente e antes que me pegasse, lembrei o que Kuukaku me falou.

    Acerte a cabeça

    Fechei uma mão e apontei o dedo.

    - Hadou nº 4, Byakurai!

    Um raio branco disparou atingindo em cheio a cabeça. O bicho desintegrou enquanto caí agachada no chão. Mas meu kidou atraiu a atenção daquele touro. Vi as árvores à minha esquerda voarem. Arregalei os olhos e corri na direção que tinha vindo.

    - OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

    Atravessei a "estrada" que ele abriu e me embrenhei mais na mata. De repente, um punho enorme desceu na minha frente. Pulei pro lado, caindo e rolando até parar apoiada num joelho. O outro hollow olhou para mim e deu aquele grito. Tampei os ouvidos fechando os olhos. Quando os abri ele ia pisar em mim. Usei o shunpo e apareci atrás dele. Perto o suficiente para me notar. Droga!

    Voltei a correr sentindo as pernas doerem, agora com dois hollows atrás de mim. POR QUE?! Era só o que eu pensava. POR QUE?!

    Em minha frente, as árvores se abriram. O sol se pondo me cegando por um segundo até que vi. O caminho acabou, não pensei. Corri mais rápido e pulei do barranco, balançando as pernas na queda até afundar num lago. Nem parei pra raciocinar na loucura que acabei de fazer.

    Nadei indo a tona e me agarrei numa pedra, me içando. Agora minhas roupas ficaram pesadas, meu cabelo no rosto e meus cadernos... Argh! Destruídos. Tirei as mechas dos olhos e voltei a correr. Estava num riacho estranhamente raso e seu fundo coberto por areia.

    - OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

    Acima de mim, uma sombra passou voando e aterrissou alguns metros na minha frente. Era o touro. Era gigante. E corria pra me devorar. Não parei de correr e por debaixo do fôlego, recitei.

    - Grande Rei, Máscara de carne e sangue, a tudo o que existe. Carruagem do Trovão, roldana da distância. Use a luz e a divida em seis. Crave as lótus gêmeas na parede de chamas azuis...

    Ele levantou o braço, tomando tudo à minha frente. Tomei fôlego e me joguei, escorregando de joelhos inclinada para trás ao passar entre suas pernas. Apoiei a mão na areia girando o corpo. Sentir o pulso doer e levantei a outra mão. Com um brilho amarelo nela crescendo, gritei:

    - ... nas grandes chamas do abismo espera o paraíso! BAKUDOU Nº 61 RIKOJOU KOUROU!!!!

    Seis travas de reiraku, brilhando, prendera seus braços quando ele se virou. O impacto fez ele perder o equilíbrio e cair espalhando água. Eu estava sem ar. Mal tomei tempo e aquele outro hollow saltou para a margem à minha esquerda. Não esperei. Apoiei as mãos na areia , sentindo o pulso esquerdo abrir e me joguei para trás em tempo de evitar o soco me acertar. Quando girei caindo do outro lado, meus joelhos quase cederam e estiquei os braços, as palmas abertas e unidas e gritei, pulando a canção.

    - HADOU Nº 73 SOUREN SOUKATSUI!!!!

    Uma rajada furiosa de energia azul explodiu das minhas mãos, acertando os dois hollows. O corpo do que tentou me socar caiu para trás desaparecendo.

    Não aguento mais. Minhas pernas cederam e desabei no chão. Estava sem fôlego, exausta e molhada. Quando eu chegar em casa, será que Kuukaku vai acreditar em mim? Isto é, se eu sobreviver à um hadou dela. Meu coração se acalmou um pouco e então um impacto estremeceu o chão.

    - OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

    Virei para onde o riacho seguia e meu sangue fugiu do rosto.

    Outro hollow andava em minha direção. Me levantei e tropecei uns passos caindo de novo. E agora? Não tenho mais forças, gastei quase toda minha reiraku. Me arrastei com o coração aos pulos aterrorizada, ele estava a cinco metros de mim. Já ia gritar quando uma outra reiatsu apareceu, fazendo o hollow e eu nos curvarmos com a pressão. O céu de repente escureceu e ouvi uma voz rouca dizer.

    - Soten Nin Zase, Hyourinmaru!

    Senti uma rajada de ar frio e no instante seguinte uma cascata de gelo azul celeste cobriu o hollow, despedaçando-o por inteiro. A pessoa que me salvou pousou de costas na minha frente. Eu sabia quem era, mas não acreditava. Ele guardou a espada na bainha em suas costas enquanto que o céu voltava ao normal e se virou para mim.

    - Daijubou-ka?

    Continuei muda. Caramba! Era mais bonito do que me lembrava.

    - Oe?

    - Toushirou.

    Ele arregalou os olhos verdes, surpreso.

    - Kurosaki Karin?

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    - Taichou? Tudo bem por aqui?

    Uma mulher perguntou. Olhamos para ver quem era e uma ruiva escultural apareceu do lado de Toushirou.

    - Claro, Matsumoto.

    Então ela olhou para mim, confusa.

    - Quem é essa garota, Capitão?

    - É a irmã de Kurosaki Ichigo.

    Ele disse de um jeito tal normal que me surpreendeu. Rangiku me encarou surpresa.

    - Karin-chan?!

    Sorri para ela.

    - Oi.

    - O que faz aqui? Aliás, onde esteve esse tempo todo?

    Me ajudou a levantar e consegui ficar de pé com dificuldade. Meu corpo inteiro doía.

    - Estava voltando da Academia quando esses hollows apareceram. Falando nisso, o que vocês estão fazendo aqui?

    - Cumprindo uma missão. Todo o 10º esquadrão foi convocado.

    - Ah.

    Ele tinha crescido, não parecia mais uma criança. Aliás, nunca pareceu. Seu cabelo branco estava mais curto e com um corte diferente. Também usava um cachecol verde. De pé, percebi que eu batia no seu queixo e bom, não me agradou muito. Olhei em volta e mais shinigamis chegavam, dando seus relatórios ao Toushirou que se afastou. Rangiku por outro lado, se aproximou de mim.

    - Puxa, Karin-chan. Nem te reconheci.

    - Também, foram o quê? Cinco anos?

    - Acho que sim.

    Me olhou de cima abaixo. Eu teria ficado com vergonha, mas estava cansada demais pra isso.

    - Você ficou linda.

    - Que nada.

    Suspirei para tirar uma mecha dos olhos.

    - Soube o que aconteceu. Sinto muito.

    - Não sinta. Pelo ao menos não foi em vão.

    Sorri e ela me acompanhou. Acho que queria me abraçar, mas cruzou as mãos nas costas.

    - Então, quer dizer que vai se tornar uma shinigami?

    - Pois é, Kuukaku disse que eu precisava. Meu poder espiritual é meio grande então tenho que aprender a usar.

    - Kuukaku? Shiba Kuukaku?

    Levantou as sobrancelhas.

    - É. 'Tou morando com ela desde que cheguei.

    - Nossa, que bom.

    Mas sua cara dizia "Não acredito!". É, nem eu. Toushirou se aproximou de nós me provocando um frio na barriga, de um jeito bom.

    - Já dispensei os outros, Matsumoto. Pode ir.

    - Arigatou e o relatório?

    Perguntou inocente. Toushirou apenas estreitou os olhos.

    - Faremos quando chegarmos ao esquadrão.

    - Ah.

    Ela olhou para o lado disfarçando. Quase ri.

    - Hein, taichou. Karin-chan está morando com Shiba Kuukaku.

    Ele se voltou pra mim.

    - Mesmo?

    - Um hum.

    Por que não consegui dizer nada? POR QUE NÃO CONSEGUI DIZER NADA?!

    - Então já vou indo, capitão. Até mais, Karin-chan.

    - Tchau.

    Ela sumiu. Espera, eu e o Toushirou estamos sozinhos? Olhei em volta e realmente sim. Estamos sozinhos. Comecei a ficar nervosa, tentando não encará-lo e fracassando.

    - Kurosaki.

    - Sim?

    - O que houve com os três Menos que estavam aqui?

    Ele me encarava curioso. Como arranjava tanta calma? Pensei e mesmo assim o achando lindo. Lindo? Que isso, Karin? Se concentra!

    - Peraí. Você disse Menos?

    - Os hollows que viemos exterminar eram Menos do nível mais comum até adjuchas.

    O que?! Eu poderia ter morrido! De novo!

    - Você lutou contra eles?

    - Foi. Bom, não tive como evitar. Vieram pra cima de mim.

    - Impressionante.

    Corei um pouco e virei o rosto. Foi quando percebi a hora pelo céu.

    - Essa não.

    - O que foi?

    - Devia estar em casa antes do entardecer, Kuukaku vai me matar.

    Parecia que ele queria rir, mas se segurou.

    - Por que não usa o Shunpo?

    Maldito "passo relâmpago", mas não vou dizer que não sei direito.

    - Agora não dá. Gastei toda minha energia.

    - Entendo.

    Então fez uma coisa que me deixou corada que nem uma rosa. Toushirou se virou de costas se abaixando um pouco.

    - Eu te levo. Suba.

    - O que? Por que?

    Ele olhou sobre o ombro, levantando a sobrancelha.

    - Não disse que não consegue? Vamos suba.

    Se virou, esperando.

    - M... m... mas eu...

    - Suba logo Kurosaki senão vou te jogar no meu ombro. Você escolhe.

    Me entalei com aquele tom, ele não manda em mim. Por outro lado...

    - Tá bom.

    Subi nas suas costas e abracei seu pescoço. Senti ele segurar minhas coxas e pra disfarçar o choque elétrico que me percorreu, sussurrei.

    - Arrogante.

    - Eu ouvi isso.

    Levantei as sobrancelhas. Impressão ou ele tava se divertindo? E a piada era eu! Sem perder tempo, sumimos do riacho. Enquanto me levava senti o cheiro do seu cabelo. Era gelado e gostoso, como hortelã no inverno.

    KARIN POF

    Na Academia de Artes Espirituais havia uma comoção no campus. Parecia que um capitão e seu tenente do Gotei 13 estavam fazendo uma visita. Karin nem se importou em saber quem era. Só pensava na tarde de ontem e no cheiro de hortelã. Seu pulso, aberto graças àquela manobra estava enfaixado e bom, teve uma sorte grande que Kuukaku não brigou com ela. Até cuidou dos seus ferimentos.

    Na quinta aula do dia, interromperam a aula do Professor Igarashi. Ele foi atender a porta e depois de uns minutos se voltou para a turma.

    - Kurosaki Karin!

    Se espantou.

    - Hai!

    - O Reitor a está chamando no seu gabinete.

    Nani?!

    Levantou da cadeira, descendo os degraus laterais até o nível onde ficava a mesa do sensei. Todos fofocavam às suas costas, inclusive a loura e a sua amiga. O que será que ela fez?

    A secretária do Reitor a esperava do lado de fora e a acompanhou até o gabinete. Karin estava nervosa quando bateu na porta e o Reitor mandou que entrasse.

    - Sente-se.

    Ela o fez, mal reparando na decoração da sala.

    - O senhor queria falar comigo?

    - Sim.

    Ela engoliu em seco. Ele descobriu. De algum jeito, ele descobriu que ameaçou duas colegas com um kidou fora das aulas. Pegando um papel, ele analisou enquanto falava.

    - Soube que ontem à tarde você exterminou três adjuchas sem auxilio de ninguém. É verdade?

    Piscou confusa.

    - Sim.

    - Pois bem. Recebi hoje a visita de um Capitão do Gotei 13 e ele me avisou a respeito de uma ordem baseada nesse fato.

    Entregou o papel.

    - Meus parabéns, agora você faz parte do 10º esquadrão.

    Ela ficou chocada.

    COMO ASSIM?!


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