Os Cinco Selos

Tempo estimado de leitura: 24 horas

    14
    Capítulos:

    Capítulo 164

    Carrasco

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Yoo,

    Estou de ressaca hoje, consequentemente com uma puta de dor de cabeça, então estou sem criatividade para bostejar nas notas

    MAS O CAPÍTULO TÁ EM DIA, PORQUE O TIO NUNCA TARDA, SÓ ÁS VEZES

    Boa leitura ^^

    Atualmente...

    O Morte daquela linha temporal havia sentado na rocha novamente, sem deixar de ter sua foice em punhos.  Edward, por outro lado, estava encostado em uma segunda rocha e Lizzie estava sentada em seu pé. Enquanto um narrava a história, os outros dois escutavam atentamente cada parte, deixando escapar nada. Por fim, Edward achou uma boa hora para interromper:

    — Em nossa linha temporal, aconteceram coisas diferentes naquele dia — afirmou.

    — Como por exemplo?

    — Nós nunca ficamos naquela caverna por uma noite inteira, apenas algumas horas — explicou Liz.

    — Sim — concordou Ed. — Mikaela nunca enviou mensagem de lá e não nos relacionamos. Nós seguimos caminho com Teach e sua tripulação novamente. Deixamos Mikaela sozinha por um tempo para enfrentar uns demônios estranhos no bosque. Imagino que ela tenha enviado a mensagem para Bahamut naquele momento.

    — Entendo. — Morte refletiu. — E o que aconteceu depois?

    — Continue contando a sua história primeiro — cortou Ed.

    ***

    Cerca de dezesseis anos antes...

    Com a acordo entre Bahamut e Edward assegurado, os dois redirecionaram-se para Taric. A cidade tinha algumas construções e casas destruídas, estava enfestada de demônios e corpos mortos de humanos — nos quais os demônios banqueteavam-se. De imediato, Edward não deixou de notar na figura de asas negras e de pele branca que se destacava em meio aqueles seres parecidos: Lúcifer. Pegos de surpresa, os olhos dele e da Lizzie arregalaram-se instintivamente. Ao ver seu discípulo chegando no ar, Lúcifer também demonstrou estar surpreso.

    Parecendo estar divertindo-se com a situação, Bahamut pousou no chão e caminhou até parar ao lado do anjo caído.

    — Creio que vocês dois tenham assuntos pendentes. Irei na frente. Encontre-me naquela cidade mais à frente que dizimei. — Bahamut olhou para frente. — Todos vocês, sigam-me.

    O Rei dos demônios ordenou, e todos seus lacaios, sem exceção, o seguiu sem hesitar.

    Mentor e discípulo entreolhavam-se em silêncio e sombriamente, esperando até que todos os demônios tomassem boa distância dali. Os dois pareciam cada vez mais perto de explodir de raiva. Então, finalmente os demônios saíram da cidade de Taric.

    — Mas que merda você está fazendo aqui?! — explodiu Lúcifer.

    — Que merda eu estou fazendo aqui?! — Edward apontou para céu. — Você deveria estar lá em cima!

    — Eu fui banido do Reino dos Céus! — Lúcifer apontou para além de Ed. — Você deveria estar com os Selos!

    — Banido?! Mas que merda você fez, Samael?!

    Lúcifer cortou o ar com seu braço direito.

    — Deixa esse merda para lá! O que você está fazendo aqui, Morte?!

    — Eu não irei contar até-

    — Nós fizemos um acordo com Bahamut — respondeu Liz, com a voz calma. Ela estava sentada nos entulhos amontoados.

    Finalmente o silêncio voltou. Com os olhos carregados de fúria e arregalados, Lúcifer subiu seu olhar de Lizzie até Edward.

    — Um acordo? — disse o anjo, com uma momentânea calma. — Você deveria matá-lo, e não fazer um acordo com ele!

    — Nós não temos força o suficiente! — vociferou Ed. — Eu ganhei tempo para nós.

    — Não, Morte! Você fodeu todos nós!

    O braço direito de Lúcifer ficou envolto de uma energia negra e fora disparada em um ponto aleatório da cidade, obliterando todas as construções em larga quantidade e longevidade. Após isso, o anjo ficou ofegante, controlando sua raiva que havia sobrado mesmo depois de dispersar boa parte. Agora, Lúcifer sucedeu com a voz calma:

    — Eu iria garantir a vitória de vocês sobre Bahamut. Mais à frente, teria uma caverna. Lá, em implantei um dos livros dos Mephistos que continha uma magia forte o suficiente para selar o poder de Bahamut. — O anjo fintou diretamente seu discípulo. — Aquela demônio em seu grupo, Lilith, encontraria o livro e saberia o que fazer. Ela é esperta.

    Pego de surpresa por aquelas palavras, Edward ficou sem reação. Ele olhou por cima do ombro para Lizzie, mas ela estava tão confusa quanto ele e deu de ombros. O silêncio continuou até Edward conseguir proferir:

    — Você... você não é aliado do Bahamut?

    — Aliado daquele ser doentio?! — Lúcifer cuspiu as palavras com fúria. — Eu não preciso de ninguém. Pelo ao contrário, eu precisava dele morto para cumprir planos maiores, e usaria vocês para cumprir isso.

    — Então iremos buscar aquele livro e-

    — Não. Já era. Para cumprir o selamento, precisaria de algo muito especifico. Agora que Bahamut sabe que Lilith o traiu, não conseguiremos mais.

    — Eu e você podemos fazer algo ainda.

    — Você é muito lerdo, seu idiota! — vociferou Lúcifer. — Não percebeu que Bahamut irá me matar agora? Ele tem você preso em uma coleira, mas não a mim. Sou uma ameaça, e ele sabe.

    Dessa vez, o silêncio durou tanto tempo que pareceu uma eternidade. Edward se remoía por sua tolice de tomar uma decisão tão crucial sem o consentimento dos outros, e Lúcifer por não ter levado em consideração essa situação.

    Lúcifer, com um olhar brando e calmo, fintou Lizzie.

    — Pequena Lizzie, continue sempre afiada.

    — Como o senhor ensinou-me, mentor. — Ela sorriu.

    Lúcifer devolveu o sorriso, mas logo fora desfeito ao fintar Edward. Seu olhar tornou-se estranhamente acolhedor e receoso sobre o discípulo.

    — Morte, o caminho pelo qual decidiu trilhar é pior de todos. Esteja disposto a perder mais do que você pensa. — Ele se aproximou. — Fiz muita coisa errada, mas estava disposto a faz algo certo: você. Queria torná-lo o ser mais poderoso deste mundo. Perdoe minha incompetência, meu discípulo.  Não trema, não abaixe a cabeça e não se submissa a nenhuma divindade.

    Subitamente, o anjo caído levantou voou e foi em direção a cidade dizimada de Zestria.

    Naquela noite, Edward sentou-se no chão. Pensando em tudo que fez. Remoendo-se pela péssima escolha que fez. Havia traído seus subordinados e Mikaela. Eles poderiam morrer, assim como seu mentor, por seu culpa. Para consolá-lo, Lizzie ficou abraçada junta com ele, mas só isso não foi o suficiente para distanciar a trevas que começavam a dominar a mente do capitão dos Selos.

    Fora possível sentir o poder de Bahamut e Lúcifer aumentando. Pouco tempo depois, os tremores e as explosões ocorreram. Por fim, a aura angelical de Lúcifer sumiu e a aura divina de Bahamut continuou.

    Seu mentor havia morrido por sua culpa.

    ***

    Os quatro anos passaram-se em um piscar de olhos. Por todo este tempo, Edward treinou cinco demônios especificamente criado por Bahamut: Chodan, Elliant, Morgus, Monmog e Manmog. Ataques pequenos foram feitos por demônios em alguns reinos — por causa do acordo, o rei deles não ordenou destruir tudo —, e os Selos trucidaram todas as tentativas de ataque. Inclusive, mataram todos os quatro demônios que beberam o sangue de anjo do Lúcifer: Gouth, Merlyn, Steck e Jorge. Bahamut também esteve bem ocupado construindo seu enorme castelo no meio do nada, bem distante de qualquer outro reino humano. É claro, também desenvolveu alguns outros tipos demônio e seus terríveis dragões retirados de um livro de fantasia chamado “Os Deuses da Morte”.

    O demônio Kalai passou a mensagem dizendo que seu rei solicitava sua presença. Edward começou a seguir o lacaio pelos corredores do belo e sombrio castelo do Rei dos Demônios — como de praxe, Lizzie estava em suas costas.

    Apesar de terem combatido demônios, os Selos não haviam feito qualquer ataque contra Bahamut, nem mesmo os anjos, e isso tornou-se preocupante. Independentemente do que Bahamut fosse dizer, Edward tinha certeza que haveriam consequências horríveis.

    Chegando na sala do trono, Bahamut estava sentado em seu trono alavancado com um cálice dourado entre os dedos. Dentro desses anos, ele havia se tornado algo bem perto de um alcoólatra. Seus Apóstolos, os demônios treinados pelo capitão dos Selos, estavam à frente do trono ou sentados em seus degraus. O rei dos demônios bebericou do vinho dentro do cálice e esperou calmamente até Edward ficar de frente para ele. Os dois trocaram olhares como se estudassem um ao outro. Kalai fez uma profunda reverência e retirou-se dali.

    — Os quatro anos passaram, Morte. Nosso acordo acabou — pronunciou o rei.

    Bahamut esticou a palma da mão em direção ao Edward, sua mão emanou sua energia roxa, contudo ele voltou a palma para si e fechou os dedos, dispersando a energia.

    — Mas... eu, particularmente, gostei de seus serviços com meu Apóstolos, e eles também, certo?

    — Sim, meu rei — concordaram os demônios em uníssono.

    — Portanto estou disposto a dar-lhe mais quatro anos. Você terá que aceitar apenas um termo. — Bahamut abriu um sorriso sombrio. — Você só terá que matar todos seus subordinados ou Lilith. Como sou muito benevolente, deixarei você escolher!

    Apenas Bahamut riu. De certa forma, os Apóstolo nutriam um certo respeito por Edward, pois sabiam que ele era forte, mas não tão forte quanto seu Rei, claro.

    Se Bahamut esperava por alguma reação explosiva vinda do capitão dos Selos, decepcionou-se. Edward e Lizzie mantiveram suas respectivas inexpressividades, viraram-se e redirecionaram-se para a saída do castelo.

    Com uma expressão de desagrado, Bahamut sorveu o vinho até a última gota e ergueu o cálice para pedir mais.

    — Mas que ser desprovido de humor — reclamou.

    ***

    Edward voava nas nuvens em alta velocidade, Lizzie segurava-se bem apertado nele. Dentre dos diversos cenários que imaginou, o que Bahamut disse era um novo. Estava desesperado. Tinha que decidir entre matar a demônio que passou a amar e seus subordinados no qual nutria um profundo respeito. Não queria matar eles. Entretanto, aquilo lhe dava uma certa oportunidade de movimento. Devia ter cuidado, qualquer passo em falso poderia resultar em mortes que ele não queria. Para isto, só um ser poderia ajudá-lo a traçar um plano para garantir que o equilíbrio continue.

    Quando se distanciou muito quilômetros do castelo do Bahamut e seus demônios, Edward pousou em cima de uma alta montanha. Lizzie deslizou de suas costas e sentou-se em uma rocha — agora, sua expressão era de preocupação.

    — Selo da Vingança, apareça — chamou Ed.

    De pronto, raios estalaram e zuniram ao seu lado. Entre eles, estava o Selo que age independente dos outros cinco, Vingança (ou Vash). Com seus olhos completamente azuis de pura energia, fintou Edward. Apesar dos raios terem se dissipado, alguns continuavam a estalar ao redor de seu corpo às vezes.

    — Capitão — cumprimentou o Selo, manejando sua cabeça.

    — Você já deve saber porque lhe chamei.

    — Sim. E vou direto com você: a situação é crítica. — Sem tempo para uma pausa dramática, rapidamente continuou: — Tem muitos futuros pelo qual caminhei, apenas três dos cenários você ganharam, e apenas um será possível minha ajuda.

    — Então vamos logo.

    — Com certeza. Para isto, você deverá escolher matar os Selos. Na verdade, irá apenas fingir. Terá que lutar com eles até ficaram quase mortos e inconscientes. Depois, terá que enviá-los para o Reino do Medo, para que sua presença fique oculta de Bahamut.

    — Reino do Medo? — questionou Ed. — Nunca ouvi falar.

    — De fato. É uma das dimensões paralelas igual ao Limbo, porém não tão antiga. Exatamente por isso, Bahamut não tem conhecimento sobre ela, e não poderá sentir o Selos lá.

    Mais rápido que os olhos do Edward podem acompanhar, Vingança projetou-se na frente de Lizzie. Seus dedos indicador ficou envolto de raios e ele tocou na testa dela. Subitamente, Lizzie sentiu os raios percorrem seu corpo, seus pelos e cabelos ouriçaram-se, depois emanou um brilho azul pelo corpo.

    — Liz saberá como abrir uma fissura para lá — explicou. Depois, olhou para seu capitão, com suas sobrancelhas juntando-se desmontando estar sério. — Não importa o que faça, você terá que continuar garantindo que Bahamut não destrua toda a humanidade durante anos. Por causa disso, você traçara um caminho doloroso, no qual ficará cheio de arrependimentos. Você saberá quando o próximo passo entrar em ação.

    Edward fez uma expressão triste diante daquelas palavras.

    — Tenho inveja de você, Vingança — admitiu Ed, com pesar. — Sabe de tudo que acontecerá.

    — Engraçado dizer isso, capitão, pois eu invejo você. Você sabe quem você é. Tem uma vida. — Vingança olhou as próprias mãos. — Eu já viajei por tantas linhas temporais que nem lembro de qual eu vim. Se existem vários de você, também significa que há vários de mim, mas nunca me encontrei com um outro eu. Talvez tenhamos mentes compartilhadas, mas não há como ter certeza. Não posso ter uma vida, não posso amar, não posso divertir-me com meus companheiros, ou seja, vocês. Tecnicamente, eu nem mesmo existo. Meu único dever é garantir o equilíbrio. Mesmo eu sendo um ser infinitamente mais forte que você, capitão, eu respeito-lhe profundamente, porque sei que você irá cumprir o mesmo dever que o meu, apesar de você saber que pode perder tudo em prol disso.

    Sem dizer mais nada, os raios zuniram e o brilho aumentou, então Vingança desapareceu em um piscar de olhos. Edward refletiu sobre tudo o que ele disse por um instante. Ele olhou para trás e viu Lizzie estática, sem emitir qualquer movimento.

    — Liz?

    — Ed... eu... eu vou ter que ferir Dante, Kleist, Aiken e Pietra até eles estarem quase mortos? — Os olhos de Lizzie ficaram úmidos. — Mas... eles são inocentes. Seu eu fizer isso... qual será a diferença entre mim e uma arma qualquer?

    Edward cerrou os punhos. Não sabia o que dizer. Ele pensava a mesma coisa, afinal, mas sobre si. Só foi capaz de acolhê-la em seus braços em um forte abraço, na mesma medida que ela também o abraçou. "O que estamos prestes a fazer?", questionou os dois.

    ***

    Já era noite quando Edward, Lizzie e os Selos encontraram-se no vale. Os quatro estavam exatamente da mesma forma em que se lembrava — bem, disso já sabia, não envelhecem. Kleist mantinha-se inexpressivo, Aiken com um ar sereno, Dante parecia desconfiado e Pietra abriu um sorriso ao vê-lo.

    — Capitão... — ela disse, dando um passo à frente.

    Edward pensou a respeito se só deveria avisá-los que deveriam entrar na fissura que dava ao Reino do Medo, mas Vingança havia especificado que eles deveriam estar muito feridos. Além disso, ele precisava de feridas bem convincentes em seu corpo para que Bahamut não desconfiasse. Então, não, não poderia pegar leve.

    Lizzie fora transformada em foice e Edward talhou o chão próximo a Pietra.

    — Bahamut ordenou-me a morte de vocês. Prepararem-se — avisou Ed.

    As chamas vermelhas do Dante explodiram em fúria, seguida pelas chamas amarelas, prateadas e, por fim, verdes.

    — Eu sabia que era um traidor! — vociferou Dante.

    A luta entre os Cinco persistiu durante horas. Já estava amanhecendo quando os únicos de pé era Pietra e Edward. Verdade seja dita: nenhum deles haviam conseguindo lutar com toda sua força contra o seu próprio capitão. Apenas Edward lutou com toda sua força, o que levou a este final. O vale estava praticamente todo destruindo e carbonizado.

    Pietra estava mal conseguindo manter-se de pé. Seu corpo estava coberto de sangue e cheio de rasgos. Seu cabelo estava empapado de suor e sangue. Edward não estava muito diferente, mas conseguia manter-se de pé sem problemas, apenas estando ofegante. Os dois fintaram-se profundamente e Pietra disse:

    — Nós confiamos em você, capitão. Pensamos que, depois de tantos anos, você finalmente traria um plano para derrotarmos Bahamut. — Ela olhou para o lado e observou os corpos dos Selos ensanguentados e depois voltou seu olhar para seu capitão, que agora estava de cabeça baixa. Lágrimas escorreram. — Mas você nos traiu. Mikaela também cofia cegamente em você. Ela teve duas crianças suas, você sabia? Deckard e Miana... lindos demais para serem filhos de um mostro como você!

    Edward ergueu a cabeça, e Pietra surpreendeu-se ao ver a expressão de dor no rosto dele. Com as palavras de sua subordinada, Edward sentiu-se como se uma faca invisível transpassasse em seu coração e girasse. Controlando a vontade de chorar, ele conseguiu dizer:

    — Perdoe-me, Pietra. Eu não queria que fosse assim. Perdoe-me, por favor.

    Ele apertou forte a haste negra de sua foice e golpeou Pietra na cabeça com a parte cega da lâmina ensanguentada. Depois cortou o ar, abrindo uma fissura vermelha. Edward jogou cada um dos Selos lá dentro e o portal fechou-se.

    Ele caiu no chão de joelhos e, com o raio de sol do amanhecer em seu rosto, lamentou-se por ser tão fraco, sentindo o vazio interior aumentando dentro de si.

    Continua <3 :p


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