Os Cinco Selos

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    14
    Capítulos:

    Capítulo 163

    Simulacro

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Yoo,

    Vocês já leram os livros do Tolkien?

    Atualmente estou lendo "O Silmarillion", e, porra, o cara é realmente foda

    Recomendação do Tio esta merda

    Boa leitura ^^

    Lizzie indicava para Edward em que direção emanava a aura do Morte daquela linha temporal. Edward sabia os riscos de deixar os Selos; aquilo bem poderia ser uma emboscada para matá-lo. Além disso, Mikaela estava grávida. "Não devia ter saído do lado dela", pensou. Mas algo estava errado. Desde quando Deckard e Miana contaram o terrível passado, seu coração doía de forma diferente e que não conhecia; não entendia. Talvez fosse o reflexo da própria dor que sentia por ele mesmo ter matado Mikaela outrora, porém fora uma situação completamente diferente. Ou simplesmente era seu ódio por saber que seus filhos passaram por esta situação.

    Mais sensitiva aos sentimentos de Edward do que qualquer um poderia ser, Lizzie sabia muito bem a confusão que se passava dentro dele. Nestes últimos dias, via Edward mais inerte em seus pensamentos de um modo que nunca viu. Sabendo que aquilo era um conflito interior onde não podia ajudar, ela limitou-se apenas a ficar em silêncio ao seu lado, como acontecia agora. Liz estava em silêncio agarrada nas costas dele, sinalizando para onde tinha que ir. Poderia ser uma emboscada ou a solução de suas confusões.

    Os dois sobrevoaram por um lugar que pareceu familiar para os dois e, ao chegarem ao local de encontro, tiveram a certeza de que era. O vale estava cheio de crateras e em ruínas, com resquícios de que uma grande luta aconteceu ali. Aquele era o mesmo vale onde Edward e os Selos mataram Bahamut em sua linha temporal. Estava bem menos destruído, porém.

    O Morte estava sentado sobre uma rocha, com a foice repousando em seu ombro. Edward e Lizzie chegaram ao chão. Os olhos azuis das mortes encontraram-se. O silêncio pareceu tornar-se sombrio e agoniante. O vento até parou de soprar.

    — E então? — questionou Ed em um tom sério. — O que você quer?

    Com a luz da lua, a lâmina azul da foice reluziu. Instantes depois, a lâmina projetava-se em um golpe gerado por Morte, mas Edward moveu seu corpo para o lado, e a ponta afiada cravou-se no chão. Em resposta, Edward atingiu-o com as costas da mão esquerda no peito, afastando Morte. Ele pegou Lizzie pelo braço e transformou-a em foice.

    Os dois avançaram um contra o outro ao mesmo tempo, fazendo as foices encontrarem-se em uma explosão de chamas azuis, rompendo a escuridão da noite. Com apenas a movimentação dos braços, as foices encontravam-se em rápidos deslizes e poderosos golpes. Ambos começaram a voar, não deixando de trocarem golpes.

    Quando chegaram nas nuvens, Morte recuou e investiu novamente com ataque frontal de baixo para cima. Sem muitas dificuldades, Edward moveu a lâmina de sua foice de encontro para o seu inimigo, fazendo a pressão do impacto dissipar as nuvens ao redor deles. Não satisfeito, Morte começou a voar rapidamente de um lada para outro, aparecendo por todos os lados. Por fim, desferiu um ataque pelas costas, mas Edward deixou seu corpo simplesmente cair no ar, e a foice passou rente a seu cabelo.

    Edward caia de costas em direção ao chão enquanto observava Morte cair em sua direção. Entrando em contado com o solo, mais uma cratera fora aberta e a cortina de poeira emergiu. Morte adentrou em meio a poeira golpeando em direção chão. O impacto dissipou toda a poeira e revelou que a foice brandiu contra o solo, poucos centímetros de Edward. Morte começou outra sequência de incessantes e contínuos golpes, todavia Edward apenas desviava.

    — Vocês têm razão. — Edward inclinou para trás, esquivando-se da foice que passou centímetros da ponta do seu nariz. — Tem horas que sou muito irritante.

    Percebendo que aqueles golpes não levariam a nada, Morte afastou-se. As chamas azuis, subitamente, espalharam-se abundantemente. Dissipando-se, revelaram que Morte havia Despertado. O manto azul escuro envolveu todo seu corpo, deixando apenas as mãos esqueléticas à mostra. Sua foice havia ficado maior, cinzenta e cheia de runas e caveiras estampadas na lâmina. Em suas costas, asas de ossos. Seu rosto era ocultado pela escuridão do capuz, deixando apenas o brilho azul de seus olhos emanando.

    As sobrancelhas de Edward juntaram-se em uma expressão séria, que beirava a fúria.

    As chamas azuis concentraram-se na foice de Morte e ele avançou em direção a seu inimigo de outra linha temporal.

    A runa na região do coração do Edward incandesceu. A energia negra tomou conta de seu braço esquerdo ao mesmo tempo que as chamas azuis.

    Morte sentenciou um poderoso golpe com a foice. A pressão do impacto resultou na imediata fragmentação do solo e na forte ventania. Segundo depois, resultou nas chamas azuis sendo engolidas pela energia negra. Edward havia parado o ataque utilizando apenas sua mão esquerda para agarrar a lâmina da foice.

    — Cansei desta merda! — ele vociferou.

    Edward largou sua foice e moveu sua mão direita para dentro do capuz do Morte, que saiu da transformação como se o manto fosse fumaça — logo dissolveu-se no ar — e fora afundado no chão já em sua forma humana. Edward estava com sua mão na garganta dele, encarando-o com olhos furiosos.

    — Já me testou o suficiente?! É mais do que visível que sou muitas vezes mais forte que você! — vociferou, sem soltar o aperto. — Diga-me o que aconteceu pelo seu lado! Agora!

    Os dois ficaram encarando-se em silêncio, sem exercer movimento algum.

    — Eu conto — por fim concordou Morte. — Mas com uma condição.

    — Você acha que está em posição de fa-

    — Você irá me matar depois que eu contar.

    Edward largou pescoço e ergueu-se. De cima, ele fintou o seu eu daquela linha temporal caído no chão.

    — Que seja — assegurou Edward. — Estou quase fazendo isso mesmo.

    ***

    Cerca de dezesseis anos antes...

    Os Cinco Selos finalmente haviam se juntado novamente, sendo o Kleist o último a ser resgatado. Com isto, todos os cinco estavam com seu poder no ápice. Após uma luta em conjunto para derrotar o demônio Asmondeus e Leviatã, o gigante monstro do mar, um exército todo de soldados humanos dirigiam-se até o local do embate. Fugindo antes que as tropas vissem eles, os Selos e Mikaela saíram correndo, e, por acidente, Aiken caiu em uma entrada oculta de uma caverna. Sem escolha, todos os outros também se jogaram naquela entrada, descendo escorregando até o interior da gruta. Logo depois, Edward contou tudo sobre os Selos para Mikaela: quem eles eram, quem os criou e outras coisas. Terminando de contar a história, todos eles, exaustos, dormiram.

    Pelo menos, quase todos.

    Passando uma hora, Mikaela levantou-se e esgueirou-se pela caverna, tentando encontrar uma saída. Ela teve que seguir por um caminho inclinado, onde em seu fim emanava uma luz. Ao sair, Mikaela deparou-se com o céu estrelado e com a lua cheia. Admirando aquela cena por um tempo, sentou-se e depois passou a admirar o belíssimo mar que cercava Ounter: era tão cristalino que refletia a luz da lua.

    Com um olhar fixo em um ponto aleatório, ela refletiu sobre tudo o que lhe foi dito na caverna. Sua mão esquerda emanou roxo e o brilho tomou uma forma retangular. A ponta do seu dedo indicador direito emanou a mesma cor, e Mikaela começou a escrever naquela folha mágica improvisada. Terminando de escrever, ela invocou um pássaro rosa semitransparente, que pegou a folha com pés e saiu voando em direção a Bahamut.

    Poucos minutos depois, Mikaela olhou por cima do ombro e viu Edward aproximando-se. Ele sentou ao seu lado, e os dois ficaram em silêncio por um tempo.

    — Não consegue dormir? — ela perguntou.

    — Raramente consigo — admitiu. — E, quando consigo, são poucas horas de um sono terrível.

    — Por que terrível?

    — Vozes. Parece que eu escuto o sofrimento de todas as almas que eu ceifei e as que há muito morreram, todas clamando por salvação.

    — Deve ser perturbador. — Mika fez uma pausa. — Então... você me viu vindo para cá?

    — Sim.

    Mikaela virou para encará-lo, mas encontrou os olhos azuis e penetrantes de Edward sobre ela, fitando-a de uma maneira que nunca havia feito antes. Sem que percebesse, sua respiração parou, seu coração bateu mais rápido e ficou estática — apenas seus cabelos negros ondulavam com o vento.

    — Mikaela, você tem que escolher um lado.

    Então ela compreendeu. À primeira vista, achou que aquele olhar era ameaçador, contudo, na verdade, era um olhar carregado de preocupação e medo. Claro, ao lado dele estava um demônio, e ao lado dela estava um Selo. Dependendo do lado que escolhesse, Mikaela sabia muito bem que naquele momento um deles poderia acabar morto.

    Enchendo-se subitamente de vergonha por quem era, Mikaela abaixou o olhar e voltou sua atenção para um ponto aleatório no mar. Sua respiração começou a voltar ao normal, assim como o ritmo de seu coração, porém continuava muito tensa.

    — Eu já escolhi o meu lado, Edward. Estou aqui, não estou? — Mika esboçou um pequeno sorriso. — O que enviei para Bahamut foi minha última carta. E só dizia que vocês foram criados por Deus, uma raça única, os Nephilim.

    Mikaela assustou-se com o alto suspirou que o Edward deu — não havia percebido que ele estava tão tenso também.

    — Que bom. — Ele sorriu de uma forma espontânea.

    O sorriso no rosto de Mikaela tornou-se maior e mais radiante. Ela pendeu a cabeça para o lado e ficou observando Edward por um tempo. Percebendo isso, ele também ficou com os olhos fixos nela.

    — Posso fazer com você algo que os humanos fazem, mas que eu achava nojento até então? — perguntou Mika.

    — Acho que... sim...?

    — Está bem. Feche os olhos.

    Edward estreitou os olhos.

    — Isso é suspeito.

    — Apenas feche!

    — Está bem!

    Edward fechou os olhos. Mikaela aproximou-se e moveu sua mão a até a bochecha dele, fazendo a ponta de seus dedos entrelaçarem no cabelo branco e ondulado nas pontas. Delicadamente, ela puxou o rosto dele em direção ao próprio, fechou os olhos e seus lábios encontraram-se com os dele.

    — E como se chama isso? — perguntou ele em um sussurro. Seus lábios ainda continuavam bem próximos.

    — Beijo — Mika sussurrou de volta.

    — Diferente de um beijo na bochecha.

    — Por isso se chama beijo na boca.

    Os dois abriram sorrisinhos ao mesmo tempo. Dessa vez, Edward que a puxou e beijaram-se novamente. Repousando suas mãos nos ombros dele, Mikaela incitou-o a deitar, e foi o que fez. Em seguida, ela ficou por cima dele. Ambos tinham os rostos levemente corados. Pareciam apenas dois jovens humanos expondo seu primeiro momento de paixão.

    — Há uma outra coisa também — indagou Mika.

    — Melhor do que beijo boca?

    — Pelo que dizem, sim. Chama-se sexo.

    — Acho que nunca vi nada parecido. — Edward refletiu.

    Mikaela riu.

    — Te garanto que nunca viu.

    Ela inclinou-se para frente e eles selaram os lábios de forma delicada, porém calorosa.

    E, naquela noite estrelada, os futuros gêmeos foram gerados entre o amor de um nephilim e uma demônio.

    Observando o horizonte, Edward conseguia enxergar a luz do sol começar a macular o céu. Mikaela ainda dormia com a cabeça repousada em seu peito de uma forma tão pesada que ele nunca havia visto. Até mesmo Edward havia conseguido cochilar por um tempo, e, estranhamente, as vozes calaram-se naquela noite. Acordado por um tempo, Edward ficou um bom tempo refletindo. Ele começou a crer que o que sentia pela Mikaela poderia ser amor, mas não tinha certeza, nunca havia sentido essa sensação estranha dentro de si para saber como era. Além disso, havia um assunto muito mais importante e delicado do que sua dúvida: Bahamut.  

    Ah, o rei dos demônios é bem mais forte do que os seis juntos, disso ele tinha certeza. Os Selos haviam conseguindo derrotar ele uma vez, mas a situação era diferente. Bahamut não sabia da existência dos Cinco, fora um ataque “surpresa” e tiveram o intuito de selá-lo. Agora, porém, sabia da existência deles, o quão forte eram e, o mais complicado, terão que matá-lo.

    Edward deslizou gentilmente sua mão no cabelo de Mikaela, admirando o rosto sereno dela enquanto dormia. "Se falharmos, ela vai morrer, assim como todos meus subordinados e eu", pensou. Este último pensamento fez ele concluir que deveria fazer algo. Nem mesmo que tivesse de fazer um contrato com o próprio Diabo.

    Como se Mikaela fosse de vidro, Edward a retirou sobre si, deitando-a cuidadosamente no chão. Ele usou sua camisa para tampar a pele nua dela, e trajou seu sobretudo. Olhou por mais um tempo o rosto da mulher que julgava ser tão bela, depois ergueu o olhar, encontrando Lizzie de frente para ele com uma expressão séria. Como de praxe, ela subiu em nas costas dele; asas de energia negra formaram-se e os dois rumaram em direção ao horizonte.

    Lizzie e Edward desceram em uma ilha. Sentado no galho de uma das várias árvores, estava Bahamut, com a mensagem que Mikaela havia enviado. Com uma expressão indiferente, o Rei dos demônios fintou os dois seres abaixo dele.

    — Criados diretamente por Deus... quem diria? — disse Bahamut.

    — Se o filho dele fosse uma divindade comportada, provavelmente já saberia — retrucou Ed, friamente.

    — Ora, então você sabe. — Bahamut abriu um sorriso doentio. — Eu posso lhe matar facilmente, Morte. Cuidado com o que você fala. O que traz você aqui?

    Em resposta, a expressão do capitão dos Selos tornou-se sombria.

    — Tenho uma proposta para te fazer, Bahamut. — Ed fez uma pausa, notando que o rei dos demônios arqueou uma sobrancelha. — Desejo que você não mate nenhum de meus subordinados, inclusive Mikaela, e não destrua a raça humana por dez anos.

    Bahamut lançou seus braços ao ar.

    — Você está louco?! Por que eu abriria a mão de matar vocês e os humanos por dez anos? E Mikaela? Se você quer tanto defender aquela demônio, significava que Lilith traiu-me. Bem, todos os outros demônios avisaram-me sobre sua asquerosa falsidade, de toda forma.

    — Deixe eu terminar de falar, que saberá o que irá ganhar, porra.

    Com o súbito aumento de tom de voz de Edward, Bahamut cerrou os dentes e punhos de raiva. Ponderou muito bem sua fúria, mas sua curiosidade era maior.

    — Em troca disso — continuou Ed —, irei treinar quatro de seus demônios. Todos seus demônios de maior força foram mortos por nós, e, apesar de você conseguir criar outros fortes, nenhum deles saberá como usar este poder direito contra anjos.

    — De fato. — Bahamut coçou a barba, refletindo. — Pois bem. Irei apenas alterar três coisas: serão cinco demônios, quatro anos e não destruirei a raça humana de uma vez, apenas aos poucos.

    Edward mordeu seu lábio inferior com força.

    — Apenas quatro?! Eu nã-

    — Pense bem no que irá falar, Morte. — Bahamut o fintou da forma mais soberana que uma divindade como ele pode ter. — Você não decide nada por aqui. O que estou dando-lhe é a minha mais humilde benevolência. Tudo porque nutro certo respeito você, apesar de nossas situações. Não abuse de minha bondade. Fui claro?

    Agora, Edward cerrou os punhos com tanta força que um filete de sangue escorreu, gotejando no chão. Fechou os olhos — sua cabeça doía —, e sentiu o suave toque da Lizzie para acalmá-lo. Inspirando profundamente e depois expirando, tomou a decisão.

    — Concordo com seus termos, Bahamut.

    Continua <3 :p


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