Lua de Sangue

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 2

    Vida Nova

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Mais um capítulo para vcs.

    Boa Leitura.

    A dor que eu sentia em meu peito, era algo que eu não conseguia mais suportar. Eu tinha perdido os meus pais há algumas semanas atrás. Eles morreram num acidente de carro que aconteceu na rodovia principal da cidade de Tóquio. Um caminhão que havia entrado na contramão se chocou com o carro de meus pais, que vinha no sentido contrário.

    Meu pai Kizashi e minha mãe Mebuki, estavam vindo de uma festa entre amigos numa sexta à noite. Eu não tinha ido com eles, pois odiava sociais entre amigos, principalmente os amigos de meus pais. E era por esse motivo que eu me amaldiçoava internamente por ter ficado em casa assistindo seriados na televisão ao invés de ter ido com eles.

    Eu teria morrido também.

    Tsunade, minha avó materna, tinha minha guarda, e de agora em diante, eu iria morar com ela. E isso não era bom. Não que eu não gostasse de Tsunade, longe disso, eu a amo. O ruim disso tudo era o fim de mundo onde ela morava.

    Vovó mora numa minúscula e pacata cidade chamada Konoha, que fica no sul do estado de Osaka. Duvido muito que esta cidade estivesse no mapa de tão pequena que ela era. E eu odeio cidades pequenas. Odeio o frio que ela faz o ano todo. Odeio por ela ser minúscula e não ter um shopping ou algo maior. Odeio por que todas as cidades pequenas, as pessoas que moram lá se conhecem. Todos cresceram juntos. Estudavam juntos. E saíam juntos. E quando alguém forasteiro aparece, aquilo era o centro de cochichos, olhares por onde passa, e atenção redobrada. E eu odeio ser o centro das atenções. Eu não consigo reagir muito bem e esse tipo de situações.

    Eu sou aquele tipo de pessoa estranha que sofre calada, e muitas das vezes isso era ruim para mim mesma, pois ninguém sabe o que acontece comigo. Nunca fui de ter muitos amigos, e muito menos sou uma pessoa festeira que gosta de sair para as baladas às noites para se divertir e encher a cara.

    Meu lance era a calmaria e o silêncio. Gosto de ficar no quintal de casa no final da tarde, sentada numa cadeira reclinável lendo bom livro de romance. Gosto do calor onde minha antiga cidade, Tóquio, proporcionava. E isso parecia que eu não veria tão cedo nesta cidade fria e chuvosa.

    Era noite, não sabia que horas eram, mas eu chutava ser uma sete e pouco. O Jeep Chevroleet 1995 verde-musgo que minha avó dirigia, estava a sessenta por hora. Os faróis iluminavam a pista molhada e deserta. A chuva fina que batia nos para-brisas era o único som que existia naquele carro, tirando o barulho do motor. Olhei para a janela ao meu lado, vendo as imagens borradas de uma floresta, os pontos de luz onde indicava casa de vez em quando eram vistas também.

    É uma vida nova, tente se habituar. É uma vida nova, tente se habituar.

    Eu repetia isso milhares de vezes na minha cabeça. Eu nunca quis sair de Tóquio e muito menos queria vim morar aqui.

    - Está quieta. - a voz de minha avó soou dentro do carro, quebrando o silêncio.

    Levantei meu olhar e a fitei. Ela mantinha seu olhar na estrada, mas desviava de vez enquanto seu olhar para mim.

    - Só estou pensando. - assustei-me com o som agudo de minha voz.

    O canto da boca de Tsunade ergueu-se um pouco, e me olhou rapidamente.

    - Konoha é uma cidade pequena. - ela começou. - Sei que tudo está acontecendo rápido demais e você pode parecer assustada com tudo isso, mas quero que você saiba que você não está sozinha. - ela me olhou de ombro brevemente. - Você tem a mim, e eu tenho você.

    Olhei para as minhas mãos encolhidas nas mangas do meu casaco roxo. Eu não queria tocar mais naquele assunto.

    - Eu sei. - murmurei.

    Era uma nova vida daqui para frente.

    Olhei para a janela ao meu lado novamente, vendo as gotas da chuva correr pelo vidro. Tentava enxergar os borrões que havia lá fora. Florestas e mais florestas. Konoha era uma cidadezinha pequena rodeada de florestas. Não havia prédios e sim casas.

    Fazia tempo desde a última vez que estive aqui. Eu tinha mais ou menos oito anos. Época em que meus pais pararam de vim para Konoha todos os verões, pois as despesas eram grandes. Então antes de nós virmos para Konoha visitar vovó, era vovó que passou a nos visitar todos os fins de ano.

    Não dissemos mais nada durante o resto da viagem, e alguns minutos depois, o Jeep parou em frente a uma pequena casa de dois andares. Saímos do Jeep e peguei uma de minhas malas e corri até a pequena varanda, me abrigando da chuva fina e fria que caía naquela noite. Vovó veio atrás de mim em passos largos com minha outra mala em sua mão e sua bolsa de lado em seu ombro direito. Ela parou ao meu lado e abriu a porta.

    A casa estava quente e escura, e o cheiro floral de produtos de limpeza invadiu as minhas narinas. Vovó acendeu a luz revelando a pequena sala quentinha e totalmente mobiliada, com móveis simples e pouco antigos, mas isso só deixava a casa com ar mais perfeito e aconchegante.

    Nós subimos as escadas e entrei em meu quarto. Ele era pequeno, com as paredes pintadas de um amarelo-creme. Uma cama de ferro de um dourado envelhecido estava postada no meio do quarto com uma colcha de retalhos e vários travesseiros com fronhas coloridas em cima. E o melhor desse quarto é que a cama era de casal.

    Ao lado da cama tinha uma pequena cômoda antiga de madeira de duas gavetas, com um abajur antigo em cima. Do mesmo lado perto da porta, havia outra cômoda do mesmo formato de moldura da primeira, mas essa era maior e com quatro gavetas e uma porta que deveria ser para colocar sapatos. Um espelho médio com moldura de madeira estava acima desta cômoda, pregado na parede. Em frente à cama havia um guarda-roupa de quatro portas, também da mesma moldura das cômodas. Uma janela com cortinas de renda branca estava localizada na parede do outro lado da cama, onde pude ver os pingos da chuva descerem como se disputassem uma corrida entre si.

    Aquele era o quarto de minha mãe, e que de agora em diante seria meu.

    Vovó deixou minha outra mala perto de minha cama e eu olhei para ela. Ela era alta, seus cabelos eram loiros e longos, seus olhos eram de um castanho claro, tinha o corpo cheio de curvas, seus peitos eram enormes, e ela estava conservada.

    Tsunade era uma mulher de cinquenta e um anos na boa forma. Todos que a vê não dizia que ela tem uma neta com a minha idade, dezesseis. Mas o único motivo dela ser a boazuda de cinquentão ainda na flor da idade e ser avó, era que ela tinha engravidado de minha mãe aos quinze anos.

    Lembro-me da história que ela contava enquanto ela ia a minha casa de Tóquio passar as férias de verão com minha família. Ela contou que fugiu da Polônia com seu grande amor, meu avô Dan, que morreu há muito tempo. Seus pais - que são meus bisavós - possuíam uma cultura muito rígida e vovó estava de casamento marcado com outro homem assim que ela fizesse a maior idade. Não sei muito sobre sua história, só o básico. Mas eu achava lindo ela ter largado seu país de origem e vir para outro que as culturas eram diferentes do que ela estava acostumada, tudo em nome do amor que ela sentia pelo vovô.

    - Espero que se sinta à vontade. - ela começou, enquanto seus lábios se curvaram num sorriso tênue. - O quarto é pequeno, mas é o único que tem nesta casa além do meu...

    - Vó - a interrompi. -, tudo bem. É perfeito.

    Esforcei-me para o sorriso sair, mas ele saiu simples e chocho.

    Ela assentiu com a cabeça e começou:

    - Eu já a matriculei na escola. Você começa nesta segunda.

    - Já? - minha voz tinha saído uma pouco alta e incrédula.

    Não me lembrava de Tsunade tratando de assuntos de escola quando ela estava comigo esses dias em Tóquio. Ela estava ocupada demais tratando dos assuntos judiciais de minha guarda e o enterro de meus pais.

    - Sim. - ela caminhou até ficar ao lado de minha cômoda e virou seu rosto para mim. - Você perdeu semanas de aula, e não quero que perca o ano por causa disso. Só faltam três meses para o ano acabar.

    Mordi o lábio e me sentei na cama e fitei meus dedos. Vovó continuou:

    - Eu providenciei tudo enquando estava em Tóquio. - ergui meu olhar para ela. - Eu liguei para secretaria da escola e tratei de sua transferência.

    Assenti com a cabeça.

    - Tudo bem.

    Silêncio.

    - Eu sei que não está sendo fácil para você, Sakura. Também não está sendo fácil para mim. - ela soltou um suspiro cansado. - Mebuki era minha única filha. E eu sinto muito por causa disso, e eu também sinto muito pela perda de meu genro. Mas a vida continua, nós estamos vivas. Nós temos que segui em frente.

    Olhei para o chão, sentindo as lágrimas preencherem os meus olhos, mas não permiti que elas caíssem. Eu não iria mais chorar. Não na frente de Tsunade. Não quero deixá-la mais preocupada comigo do que já estar.

    Senti sua presença perto de mim, e vi seus pés de frente para os meus e senti sua mão em meu ombro.

    - Eu falei uma vez e agora eu vou falar de novo: Você não está sozinha neste mundo, minha neta. - senti meus lábios tremerem. - Eu vou cuidar de você de agora em diante.

    Ergui minha cabeça e a olhei novamente. Ela me dava aquele olhar maternal, o mesmo olhar que minha mãe me olhava. As duas eram muito parecidas, a única coisa de diferenciava nas duas eram a cor dos olhos. Os da mamãe eram verde claro, iguais aos do vovô, iguais aos meus.

    Levantei-me da cama e a abracei, afundando o meu rosto no canto de seu braço, sentindo seu cheiro de flores campestre. Era bom. Era reconfortante.

    - Obrigada, vó. Obrigada.

    - Sakura minha querida, não precisa agradecer. - ela disse com seus braços em volta de meu corpo. - Você é tudo o que tenho.

    Ficamos daquele jeito abraçadas por algum tempo antes de nos separarmos.

    Ela sorriu, tentando amenizar aquele clima melancólico.

    - Está com fome? Vou preparar alguma coisa para nós.

    Assenti.

    - Estou... um pouco.

    - Bom, eu vou descer e preparar o nosso jantar. - ela caminhou até a porta. - Aproveite e troque de roupa e se quiser tomar um banho, é a segunda porta do corredor. Pode colocar suas coisas lá se quiser.

    - Vou colocar sim. - sorri forçado sem mostrar os dentes.

    Ela saiu do quarto, me deixando sozinha.

    Suspirei.

    Dei mais outra olhada pelo quarto, tentando me acostumar com o local, pois de agora em diante... aquele era o meu novo lar.


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