Os Cinco Selos

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    Capítulos:

    Capítulo 123

    Especial 04 - Os Cinquenta Anos de Aiken

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Yoo, enfim o capítulo novo!

    A situação deste final está deixando um tanto quanto difícil de escrever, mas uma hora eu consigo postar

    Boa leitura ^^

    Sessenta anos antes...

    Desde quando se separou dos selos, Aiken sabia o que iria fazer: velejar no mar junto com o comerciante Teach, o Barba Negra. O último lugar que se encontraram foi na Baía do Náufrago, então iria começar por lá.

    A baía não ficava tão distante do vale em que ocorreu a luta contra Bahamut. Aiken teve que tomar cuidado para não se avistado pelos guardas que monitoravam a região entorno do vale, o que não era muito difícil.

    Chegando na baía, Aiken ficou em cima da montanha que o cercava. Ele pode ver o navio de Teach aportado no cais. Semicerrando os olhos, pode ver o Teach bebendo em uma taverna ao ar livre. Sua tripulação estava envolta dele festejando também. Pode ver Eugene brincando com outras crianças.

    Aiken desceu e foi até a taverna. Sentou-se de frente com Teach, e o velho teve que semicerrar os olhos para reconhecê-lo.

    – Aiken! Então você está vivo! – exclamou. – Estamos comemorando a morte do Bahamut. Tome este rum! – Ele pegou a caneca e deslizou-a pela mesa. – Cadê os outros?!

    Aiken virou a caneca bebeu tudo de uma vez. Deu um longo suspiro.

    – Eles tão bem, Teach. O capitão achou melhor nos separarmos por enquanto, tá ligado?

    – Que bom que todos estão bem!

    – Posso entrar para sua tripulação?

    Barba Negra gargalhou alto.

    – Mas é claro! – Bebeu o rum de sua caneca. – Mas precisará fazer algo antes.

    – E o que seria?

    Teach abriu os botões de sua blusa branca demostrando o desenho de uma lula negra em seu peito.

    – Tatuagem no peito!

    Aiken assentiu com a cabeça.

    – Perfeito! Pegue três corotes e vamos! – Teach se virou para tripulação. – Teremos um novo membro, o Aiken. Chamem o Emilion e vamos para o navio!

    Erguendo as canecas, a tripulação foi comemorando em direção ao navio.

    – Ei, Teach, qual é o nome do navio?

    – Se chama “A Vingança da Rainha Esmeralda”.

    – E quem foi essa Rainha?

    Barba Negra deu de ombros.

    – Ela não existe.

    – Então pra que cê deu esse nome?

    – Porque é maneiro, é claro!

    Emilion era careca e musculoso. Estava sentando em um caixote segurando uma agulha de osso na mão e um martelo na outra, um outro caixote com a tinta estava ao seu lado. Aiken foi instruído a beber os três corotes e a sentar em outro caixote. Ele rasgou o seu trapo, demostrando seus músculos magros, onde apenas seu torso era definido.

    –  O que você quer que eu tatue? – perguntou Emilion.

    Aiken pensou um pouco.

    – Uma caveira em chamas.

    Toda a tripulação fez “ooooh” criando eco.

    Emilion colocou a ponta da agulha na tinta, colocou no peito do Aiken e começou a martelar.

    Depois de uma eternidade, finalmente a tatuagem ficou pronto. O peito do Aiken sangrava. Ele se levantou e abriu os braços.

    – Sou o mais novo tripulante! – vociferou.

    A tripulação comemorava enquanto gritavam “Afro! Afro! Afro!”

    Com o passar de dez anos, Aiken já havia mais do que se acostumado com sua vida no mar. O sol não mais o incomodava, nem passar fome as vezes. As batalhas contra os piratas era o que ele mais gostava, apesar de restringir-se apenas em atirar os canhões ou defender o navio, às vezes, dos tiros de canhões. Não lutava contra os humanos, não diretamente.

    No momento, estavam com o navio em alto mar. Tinham uma encomenda para ser entregue em Nassau. O mar sob eles era cristalino, dando para ver as pedras, corais e peixes abaixo deles. Sobre eles, o céu azul com o sol brilhando intensamente. Estava uma brisa fria.

    Aiken, na cesta do mastro principal, estava dormindo. Eugene se aproximou do mastro. Ele havia ficado maior, já era um jovem quase adulto. Seu cabelo loiro recaia sobre seus ombros, e seus músculos eram bem definidos.

    – Aiken! – berrou.

    Sem resposta. Eugene pegou sua bota, olhou para cima e jogou-a. Ao ter sua cabeça acertada pela bota, Aiken acordou.

    – Aiken! – chamou de novo.

    O selo colocou sua cabeça para fora do cesto.

    – Que cê quer, mano?

    – Aquilo é um navio pirata?! – apontou.

    – Claro que não! Eu já teria avisado.

    Aiken pegou a luneta ao seu lado e observou o navio, que agora pode ver nitidamente que tinha bandeira negra.

    – Puta merda! – Colocou a cabeça para fora do cesto novamente. – Bandeira negra ao leste!

    – Idiota! – vociferou Eugene.

    Ao soar do sino, toda a tripulação começou a se mover. Teach saiu de sua cabine e foi mancando com sua perna-de-pau até o timão.

    – Quando tempo nós temos, Aiken?! – berrou Teach.

    – Cerca de vinte minutos!

    Um grande círculo mágico vermelho foi criado a frente do navio pirata. Houve o som do disparo de canhão. Quando as balas passaram pelo círculo mágico, pegaram impulso o suficiente para poder atingir o Vingança da Rainha Esmeralda.

    – Puta merda! Eles têm um mago!

    – O quê?! Pensava que todo pirata era burro! – berrou Barba Negra virando o timão.

    – Isto é estereótipo feio, pai! – disse Eugene.

    – Isso é trapaça – Aiken sacou suas katanas negras. – Então não tem problema.

    Aiken saltou da cesta e, com o simples balançar de suas lâminas, as duas bolas foram cortadas em vários pedaços. Houve mais tiros, e ele cortou tudo em pedaços novamente.

    – Sinto algo de errado vindo daquele navio. – Aiken se virou para trás. – Teach, apenas fuja! Tenho pressentimento que não devíamos lutar contra eles.

    – Segurem-se, homens! – berrou Teach girando o timão o máximo do que pode.

    A Vingança da Rainha Esmeralda se inclinou para a direta, homens escorregaram pelo convés. Aiken saiu correndo direção a traseira do navio. Suas chamas prateadas arderam em seus dois braços e disparou-as no mar. Com o contado, o vapor subiu criando uma neblina, ofuscando-os.

    – Aiken, você nunca nos ajudou tanto para fugir, o que está acontecendo? – perguntou Eugene ao seu lado.

    – Apenas tenho um mau pressentimento sobre aquele navio.

    Aiken parou de lançar suas chamas ao mar guando achou que era o suficiente para o navio pirata perderem eles de vista.

    A noite havia chegado. O céu negro e estrelado havia tomado conta. A brisa estava muito fria. A tripulação estava em silêncio, observando caso encontrassem novamente o navio pirata.

    Dentre algumas ilhas, Aiken se sentiu atraído por uma dela. Sentia algo emanando dentro dela, como se o chamando. Depois de um tempo remoendo-se por dentro, Aiken pediu para Teach os levassem para lá, o que ele concordou depois de um tempo.

    O tempo começou a fechar, a chuva fraca começou a cair em seguida.

    Depois de alguns minutos, o navio finalmente se aproximou da ilha. Por onde eles vieram era alto demais para subirem. A ilha era cortada ao meio, e eles passaram por entre ela. Havia um arco de pedra acima deles que intercalavam as duas metades. Pararam com o navio com distância o suficiente para não ficarem encalhados.

    Teach queria esperar até o amanhecer para que fossem para ilha, mas Aiken não. Junto com o Eugene, foram de bote para terra firme. Amarraram o bote em uma estacada de madeira que eles fincaram na areia.

    Eles seguiram pela floresta. Podiam sentir a sede de sangue dos animais que se escondiam na escuridão, mas nenhum iria atacá-los, pois Aiken emanava sede de sangue ainda maior. Aiken e Eugene passaram pelo arco natural de pedra para conseguir seguir para a segunda metade da ilha. Até agora, não havia nenhum indicio de civilização.

    Enquanto a palma da mão ardia em chamas prateadas para fornecer luz, deram de cara com uma caverna.  Ao se aproximar das paredes, escritas rúnicas a marcavam. Entreolharam-se, então adentraram. Parecia ser uma caverna normal, porém, um pouco mais afundo, fissuras que emanavam uma luz azul no chão e laranja nas paredes apareceram. Seguindo os brilhos, eles chegaram em uma parte ampla da caverna onde o caminho levava para baixo, descendo de forma espiral. Era fundo, só notavam o tamanho da profundidade por causa das fissuras que emitiam o brilho.

    – Então... este era o lugar que você disse que estava te chamando? – perguntou Eugene.

    – Pelo jeito – respondeu Aiken olhando para a profundidade.

    – Admito que, se não fosse um dos selos comigo, estaria todo cagado de medo.

    – Cê é sincero.

    Eugene deu de ombros.

    – Apenas a verdade.

    Aiken começou a descer. Eugene chutou uma pedra para dentro do abismo a sua frente, então seguiu o selo. Após descer uma eternidade de degraus, enfim chegaram ao final. Eugene estava ofegante ao lado de Aiken.

    Cristais vermelhos flutuaram. Pedras começaram a ser atraído por eles, e quatro seres de pedra com aparência de tigres se formaram. Os tigres avançaram. Eugene segurou o cabo de sua cimitarra. Aiken sacou suas katanas negras. Com a lâmina esquerda, cortou dois dos tigres ao meio, e com a direita cortou mais dois.

    – Fácil – disse Eugene sem sacar a cimitarra.

    – Cê mata da próxima vez, então.

    – Tô de boa.

    Seguiram pelo túnel. Conforme mais afundo estavam, mais estreito ficava. Aiken sentiu seu pé afundar e escutou o barulho de engrenagens.

    – Abaixa! – vociferou.

    Ao mesmo tempo, ambos se jogaram no chão, e múltiplos tiros de dardos foram disparados por todo túnel de um lado para o outro por quase um minuto. Os dois continuaram abaixados até terem certeza que podiam levantar.

    – Que porra de lugar é esse? – questiounou Eugene.

    – Chuto que esteja relacionado aos Mephistos.

    – Mesitos?

    – Mephistos.

    – Mepitos?

    – Mephistos!

    Enquanto discutiam como pronunciar-se Mephistos e sobre a ordem em si, chegaram em uma parte onde as rochas tornaram-se blocos lisos de uma rocha negra. Mais afrente, adentraram uma sala redonda toda revestida com estes blocos negros, assim como o teto abaulado. As fissuras que emanavam laranja e azul ficaram mais intensas. A sua frente, havia uma estátua gigante de um anjo encapuzado com suas asas à mostra, segurava com as duas mãos uma espada que apontava para baixo, que apontava para um altar, onde estava um dos grimórios da ordem.

    Eugene observava a sala boquiaberto enquanto Aiken se aproximou do livro. Este era verde-musgo, tinha suas extremidades ornamentadas com ferro e, no centro da capa, estava o símbolo da ordem: um olho vermelho assemelhando-se ao de um gato.

    Aiken abriu o grimório, folhas em branco.

    – Oudrik... prost.... excalium – Uma pausa. – Nós observamos das trevas para servir a luz.

    O grimório levitou, emanando verde, as palavras começaram a ser escritas enquanto as páginas eram foliadas rapidamente. Demorou menos de um minuto. O livro recaiu sobre o altar. Quando Aiken pegou o livro na mão retirando-o do altar, a caverna estremeceu. Eugene e Aiken se entreolharam.

    – Corre! – vociferaram.

    Então os dois correram. As rochas negras caiam em blocos, eram tão pesadas que a cratera que se abria era enorme. Agora, eles corriam no túnel estreito com o teto acima deles ameaçando a desabar.

    – Aiken, mais a frente tem os dardos, e não acho que o túnel aguente até sairmos! O que faremos? – perguntou Eugene enquanto corria na frente.

    – Segura o livro.

    Aiken jogou o livro e Eugene o segurou, depois o selo pegou-o nos braços. Com a esclera negra e a íris com um prateado intenso, as chamas prateadas ficaram envolto das pernas do Aiken e correu ainda mais rápido. Os dardos foram disparados, mas nenhum os atingiram. Ao sair do túnel, ele desmoronou.

    Eles haviam chegado na escada em espiral.

    O lugar tremia. As paredes ruíam.

    Ainda com Eugene em seus braços, Aiken flexionou os joelhos, as chamas aumentaram em suas pernas e então saltou deixando o rastro das chamas para trás. A cratera era funda, mesmo voando, demorava a chegar ao fim.

    – Puta merda! – vociferou Eugene apontando para cima.

    Um bloco de rocha gigantesco caia na direção dos dois. Aiken inflou suas bochechas, olhou para a esquerda e cuspiu chamas prateadas, impulsionando-o para a direita. Ao chocar-se contra a parede, Aiken começou a subir aos tropeços a escada.

    – Merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda! – diziam os dois enquanto subiam a escada que desfragmentava-se.

    Criou-se em vão de um lance para o outro, Aiken saltou e continuou correndo.

    – Merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda!

    Onde pisava começou a desfragmentar-se, mas Aiken conseguiu pular para o fim da escada antes que caíssem, e seguiu para fora.

    O sol do meio dia queimava forte.

    Os dois olharam para trás observando a montanha ruir por completo, sem deixar algum vestígio de que um dia já fora um esconderijo para a ordem dos Mephistos.

    – Isso foi legal pra caralho – disseram os dois.

    Aiken olhou para o Eugene – que ainda estava em seus braços –, e ele abriu um sorriso.

    – Meu alazão... – disse Eugene.

    Aiken abriu os braços imediatamente, e Eugene caiu de bunda no chão.

    – Foi mal, mas o negão aqui curti outras coisas – disse Aiken.

    Enquanto Eugene gargalhava no chão, foi atingindo por um fraco chute do Aiken.

    – Levante-se – propôs o selo em um tom sério.

    Eugene olhou ao redor, viu-se com vários demônios cercando-os, e rapidamente se pôs de pé. Entre os demônios de andar quadrupede, havia um de andar bípede. Este demônio estava envolto em um manto roxo com adornos, onde o capuz cobria seu rosto, e empunhava um cajado na mão esquerda.

    – Oh, entendo. Não era um navio de piratas, mas sim, de demônios – esclareceu Aiken. – O livro emanava magia, onde qualquer um perto da região que tem contado com o mínimo de magia podia senti-lo, até demônios.

    – Dê-me o livro – exigiu o demônio mago em uma voz rouca.

    Aiken, gentilmente, pegou o livro da mão do Eugene e jogou ele no chão um pouco a frente.

    – Pegue-o – disse Aiken exercendo olhar e tom de soberania.

    O demônio não se moveu. Um de seus lacaios aproximou-se do livro, mas fora recompensado pela katana negra que Aiken arremessou cravada em seu crânio. Sacando a segunda katana, Aiken avançou e cortou um demônio ao meio, descravou sua katana da cabeça do demônio e continuou os ataques.

    Eugene, desajeitadamente, sacou sua cimitarra. Viu um único demônio a sua frente, ergueu a cimitarra acima da cabeça e avançou gritando. Ele golpeou o demônio, mas as garras apararam a lâmina. O demônio jogou o Eugene para o chão e jogou-se em cima dele. Enquanto o demônio tentava o abocanhar com seus dentes afiados, Eugene o bloqueava com espada. Os dois se debatiam no chão. A saliva do demônio escorria sobre o rosto do Eugene. Com um grito, Eugene conseguiu forças o suficiente para tirar o demônio sobre si com um empurrão. Ergueu-se rapidamente e golpeou o demônio seguidamente até ele parar de se mover. Ofegante, Eugene disse:

    – Eu consegui, Aiken! Eu consegui! Matei um demônio! – Ao olhar para o selo, Eugene viu cerca de vinte corpos mortos de demônio. – Humildade passou longe aí, mano.

    O demônio mago lançou um feixe de raios com o cajado. Aiken jogou seu corpo para o lado, e o feixe passou zunido ao seu lado. Com a katana esquerda, cortou o braço esquerdo demônio que segurava o cajado. Com a katana direta, cortou o braço direito. Ao virar a katana esquerda com a ponta para baixo, cravou-a no pé do demônio e agarrou-o pela garganta.

    Aiken lambeu os lábios.

    O demônio teve a cabeça decapitada.

    A katana direita pingava sangue em sua ponta.

    “Nem sempre fome está relacionada a comida. Existe a fome pelo conhecimento, pelo poder, por desejos carnais e a do sangue. O selo da Fome tem a personalidade descontraída e carismática. Uma personalidade perfeita para esconder sua fome insaciável pelo sangue.”

    Houve tiros de canhão.

    Aiken começou a correr em direção ao Vingança da Rainha Esmeralda junto com Eugene tentando acompanhá-lo logo atrás reclamando que correr era o que mais estavam fazendo.

    As duas embarcações trocavam tiros de canhão. O navio de Teach ainda se mantinha firme, do mesmo jeito que a do inimigo também. Podia-se escutar os berros do Teach sobrepondo aos gritos de dor de quem tinham membros arrancados pelas balas de canhão.

    Os navios estavam distantes, apensar; e isto era bom.

    Aiken tomou distância, disparou-se em corrida em direção ao mar e, quando aproximou-se da água, saltou. Ele passou por cima do navio do Teach e ia em direção ao navio dos demônios.

    O selo ergueu o braço direito, uma bola de chamas prateadas do tamanho da palma da mão se formou. Duplicou-se de tamanho, depois quadruplicou, até tornar-se uma bola gigante de chamas. Ao abaixar o braço, bola de chamas começou a cair lentamente. Ele aumentou o peso das chamas até ficar com quinhentos quilos. Quando se chocou contra o navio, ele foi dizimado de uma vez só. Pedaços de ripas, membro e outras coisas voavam em meio as chamas.

    Por uma semana, o navio teve que ficar ancorado para reparações, cuidar dos tripulantes feridos e etc. E, também por uma semana, Eugene ficou contando de como ele extraordinariamente matou um demônio.

    Aiken ficou em um canto lendo o livro dos Mephistos. A maioria das magias escritas neles não lhe interessou, apenas duas. A junção da duas em si lhe interessou, para ser mais exato.

    A primeira, possibilitava-lhe a criar monstros a partir de sua mana. Basicamente, apenas dava forma, e isso Aiken já sabia fazer com suas chamas. Mas algo lhe chamou atenção: se você imaginasse os ossos, a carne, o sangue, você poderia fazê-lo mais real. Mas, para isto, precisaria saber cada composição. Se você fizesse, por exemplo, os ossos faltando certa estrutura, poderia dar errado, assim como se você fizesse ossos de menos, a criatura não iria se sustentar. Precisaria saber dos mínimos detalhes. Para muitos, aquilo seria muito complexo e impossível, para Aiken, seria desafiador e possível.

    A segunda magia possibilitava transmitir comando para um ser conectando seu cérebro ao dele. Por exemplo, se você por meio desta magia conectasse o seu cérebro ao do seu pássaro e, podendo ser mentalmente, ordenasse a cantar, ele cantaria. Nada de complexo. Mas uma dúvida veio em sua cabeça: se, por meio da primeira magia, ele criasse um cérebro para um determinado animal e conectasse este cérebro ao dele, seria possível criar, de certo modo, uma vida com livre-arbítrio?

    Aquela dúvida o incomodou, e teria que ser saciada de qualquer forma.

    Durante meses e meses Aiken pegou diversos livros em bibliotecas. Estudou minuciosamente cada um deles, mas sempre achava que faltava algo, e lia cada vez mais. O que os humanos não sabiam, ele deduziu, e torcia para ser o certo.

    Depois de pouco mais de um ano, Aiken se sentiu seguro o suficiente para testar sua teoria.

    O dia estava nublado. Ele estava sozinho sobre a areia, perto do mar cristalino da cidade de Ounter. Estava com receio se daria certo ou não.

    – Vamos lá, então.

    Fechou os olhos, esticou o braço direito e abriu os dedos da mão. A chama prateada dançou harmonicamente em seu braço e começou a ondular em sua frente. Pensou em um lobo. Em cada detalhe em que um corpo de lobo era formado. Cada mínimo detalhe o possível. Por último, ele precisava dar uma função a ele, e desejou apenas que ele ficasse sentado.

    Quando abriu os olhos, lá estava ele, um lobo com pelagem prateada sentado. O corpo sólido e a areia afundada por causa de seu peso indicavam que tudo havia dado certo.

    – Bem, cê não virou gelatina até agora, quer dizer que deu certo... eu acho.

    O lobo continuava parado com seu olhar indo além do Aiken.

    Com os dedos indicador e médio, Aiken tocou a cabeça do lobo prateado. Um pequeno círculo magico branco se formou. Imediatamente, o lobo piscou e olhou para o Aiken que sorria de orelha a orelha.

    – Role.

    O lobo prateado rolou.

    – Corra em círculos.

    O lobo correu em círculos.

    – Eu consegui! – vociferou Aiken jogando os braços para o ar. Ele se tocou que o lobo ainda corria em círculos, então parou de comemorar. – Pare. Sente.

    O lobo parou e sentou.

    – Após o estalar dos meus dedos, quero que você pense por si só. Mesmo assim, não deixe de seguir minhas ordens, não ataque humanos e nem qualquer coisa que eu julgue desnecessário atacar.

    E estalou os dedos.

    O lobo imediatamente saltou sobre Aiken, derrubou-o no chão e começou a lamber o rosto dele. Em seguida, saiu correndo pela areia, distanciando-se do selo.

    – Isso é liberdade demais, pare, mano!

    O lobo parou e olhou para Aiken abanando o rabo.

    Por dias, Aiken deixou o lobo – apelidado de Senhor Pelos Prateados – em meio as pessoas. Era incrível. O Senhor Pelos Prateados interagia sozinho com qualquer pessoa da tripulação, assim como alguns humanos fora da tripulação. Comia quando sentia fome e mijava e cagava pelo convés sempre quando necessário.

    Um dia, Aiken arranjou briga com um homem. Desejou matá-lo, mas não ia, claro. Porém, ele havia ordenado ao lobo a fazer coisa por si e não atacar pessoas em que Aiken julgava desnecessário. Por culpa do desejo de matar do Aiken, o Senhor Pelos Prateados o atacou, mas Aiken o desfez de imediato. A partir dali, só passou a criar lobos quando era necessário.

    Já que sua teoria deu uma resposta mais do que satisfatória, Aiken passou muitos anos estudando sobre tigres, gorilas e leões para poder fazer um exército.

    Em meios a estes anos, infelizmente, teve-se a morte do capitão Teach. Ele morreu da melhor forma o possível: comendo uma prostituta em um bordel. Bem, a meretriz não matou ele, não diretamente. Seu coração parou devido aos grandes esforços que ele estava fazendo, era velho, afinal. “O velho era ganancioso demais”, dizia Eugene anos depois da morte de seu pai, anos depois de sua dor finalmente ter passado.

    Eugene, após a morte de seu pai, pediu a Aiken para treiná-lo, pois queria ser um bom capitão. Aiken não podia fazer isto. Entregou-lhe o livro dos Mephistos, Eugene teria que aprender tudo sozinho. E o desgraço conseguiu, tornou-se reconhecido por se um dos capitães mais forte de seu tempo, o único capitão mago, e passou a ser conhecido como Barba Negra.

    Quando aprendeu a criar lobos, gorilas, leões e tigres, Aiken decidiu invocar todos de uma vez e o máximo deles que podia.

    – Despertar: Deus da Fome.

    As chamas prateadas se espalharam exuberantemente pela areia da ilha. Um manto prateado feito pelas chamas envolveu o corpo do Aiken. Um mascara prateada também feita pelas suas chamas cobria seu rosto. O manto e mascara ondulavam.

    Aiken se concentrou e, quando as chamas começaram a se espalhar e criar os animais, as chamas explodiram mais uma vez. Ao abaixarem, o exército de cerca de trinta animais prateados – diversificados entre gorilas, lobos, leões e tigres – estavam envoltos do selo. E Aiken estava com um nimbo prateado se estendendo do meio de suas costas até acima de sua cabeça.

    – Este poder... está um patamar acima do Despertar. – Ele observou todas a suas feras. Sua nova força. – Uma nova transformação... não, um complemento do meu Despertar – sorriu.

    Passando-se cinquenta anos desde sua entrada na tripulação do Teach, junto com a tripulação de Eugene, Aiken havia acabado de começar a navegar. Porém, vindo da baía do Náufrago, viu as chamas coloridas dos selos emanar.

    – Eugene, tenho que ir! – vociferou.

    Eugene saiu da cabine do capitão. Estava velho, porém musculoso. Sua barba negra descia até o peito. Ele também viu as chamas dos selos.

    – Sentirei sua falta, velho amigo – despediu-se Eugene.

    – Não vá chorar, velhote.

    Como despedida de todos que vão embora da tripulação, Eugene levou os punhos cerrados ao seu peito direito.

    –  Como capitão, eu o liberto de seus deveres como tripulante dos comerciantes do Barba negra. Você cumpriu bem os seus deveres enquanto esteve conosco – disse.

    O restante da tripulação levou o punho ao peito.

    – Como irmãos do mar, desejamos boa sorte em sua nova vida a partir de agora – vociferaram a tripulação.

    Aiken levou seu punho ao peito.

    – Como um eterno irmão do mar, desejo-lhes uma vida cheia de aventuras, cervejas, dinheiro e putas! – vociferou Aiken com um sorriso.

    Em meios aos gritos de despedida, as chamas prateadas do Aiken envolveram a todos a tripulação e ele saltou em direção aos selos.

    Era o fim de sua aventura pelos mares.

    Continua no próximo (e último) especial <3 :p


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