Jóia Rara

Tempo estimado de leitura: 15 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 24

    Velhas Amigas

    Álcool, Hentai, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Violência

    UEPA! ASUHASUHA o que, a Helô atualizando rápido?????

    É minha gente, milagres acontecem kkkkkkk brincadeira, meus amores, é que eu aproveitei que meu bloqueio deu uma trégua e que eu estava realmente morrendo de saudade e desandei a escrever! uahsuashhu mas enfim, hoje eu tô trazendo UMA BOMBA TÁ SENHORES! É um capítulo muito importante, pessoal, leiam com muito carinho e esperem ansiosos pelo próximo, que se der tudo certo, sai semana que vem, ta? Porque olha... promete!

    Bom, nesse capítulo vocês vão observar algumas coisas crescendo, mudando, seguindo o curso natural, porque está na hora do famigerado clímax chegar para JR e eu espero que todos possamos finalmente descobrir cada pequeno e profundo cantinho do coração de nossa protagonista. Enfim, espero que gostem e boa leitura pra todos!

    Hinata

    O avião pousou em Tokyo por volta das 10 horas da manhã. Estava ensolarado e quente, estávamos no meio do verão. A diferença de temperatura que enfrentávamos era absurda e me fez sentir zonza. Me lembrou do quanto eu estava cansada, exausta, para falar a verdade. As longas horas de voo contribuíam genuinamente também. Mas além disso, eu não dormira direito por todo o resto daquela semana, pensava o tempo todo em Naruto, em nós dois e como seria quando o encontrasse de novo. Estava me deixando louca a profusão de sensações e a ansiedade mordiscando meu estômago todos os dias. Embora houvessem sido dias tão cheios do seu carinho, eu ainda estava atordoada com tudo isso.

    Lembrava-me de todas as noites, quando chegávamos à Pousada após completar as programações do dia, como Naruto suavemente me levava para o jardim dos fundos e fazia alguma coisa para me divertir. Tocara mais músicas no violão, cantara baixinho ou então me contava histórias de infância. Eu ficava abobalhada com sua voz nas melodias e o jeito como dedilhava as cordas do instrumento... me despertava uma sensação... quente. E depois, claro, ele passava minutos me beijando. Cada ponto do meu rosto, principalmente as bochechas e os lábios, explorava delicadamente, sem pressa e com muito interesse.

    Beijá-lo ainda era um evento novo para mim. E a cada toque de nossos lábios, uma sensação esmagadora irrompia por dentro de mim chicoteando à quatro cantos. No início ele tivera uma paciência genuína e intocável. Jamais pressionava, jamais impunha demais ou insistia em avançar. Mas eu era expert em estragar tudo e mesmo agora, apenas lembrando, corava violentamente quando inusitadamente meus sentimentos me pegaram de surpresa...

    Flashback

    A noite era iluminada por um luar indescritível. Parecia que a lua era muito mais próxima no Norte do mundo. Como se estivéssemos acima do restante do planeta inteiro, literalmente. Naruto estava tocando seu violão, sentado na grama, com as costas apoiada no muro. Ele estava distraído, seus dedos apenas buscavam inspiração, tão confortável e descontraído ao meu lado que me deixava ainda mais assustada com os sentimentos ecoando dentro de mim.

    O caso era que eu estava hiperventilando, ansiosa e com as mãos suando. Era estranho como a ansiedade me deixava à beira de um colapso toda vez que tínhamos esses momentos sozinhos e longe dos olhares de todo mundo. Exclusivamente, nesse dia, nós tínhamos sido descobertos por Shion. A fofoca correra solta entre os alunos depois que nossos amigos estavam sabendo da novidade e Naruto fazia questão de segurar minha mão muito bem na frente dos outros. Acho que ele não queria me deixar vacilar, na verdade, porque quando estávamos no meio de todos os olhares, minhas pernas tremiam e o rosto de Hiashi se pintava nitidamente no interior de minhas pálpebras.

    Mas Shion, bom, diferentemente de como os amigos fizeram, ela e outras meninas ficaram simplesmente furiosas. E claro que ela não perdera a oportunidade de me abordar quando eu me ofereci para buscar os nossos cafés e fiquei sozinha na fila da cafeteria. A postura dela, os cabelos longos e loiros, os olhos arroxeados me encarando com superioridade por cima, com um nojo estampado escorrendo dos lábios. A expressão corporal de alguém que não estava acostumada a perder. Não que estivéssemos em uma competição, afinal, eu nunca reivindicara Naruto dessa forma.

    Mas para ela, existia claramente um fogo cruzado entre nossos olhos e fizera questão de me avisar que jamais deixaria que Naruto fosse... meu. Naquele momento, apenas me senti amedrontada de que ela fosse contar à Mayumi imediatamente e estragasse o restante da viagem. Mas depois, sozinha com meus pensamentos, aquilo realmente me incomodou. Afinal... Naruto era meu? O modo como ela colocara a frase... tão possessiva e urgente. Invejosa. Completa e insanamente invejosa. Soava tão estranho, tão sem sentido, mas eu me sentira ameaçada de verdade, não apenas por medo de minha família, mas porque senti medo que ela o me tomasse.

    E isso me confundiu o dia todo. Involuntariamente uma sensação de necessidade me invadia toda vez que ele segurava minha mão ou sorria para mim. Eu me pegara querendo escondê-lo, fugir de todos os olhares. O sentimento mais indecifrável que já havia sentido. Naruto parecia alheio a tudo isso, nem havia notado o pequeno ultimato de sua ex. Portanto mesmo naquele momento à sós, nossa dose diária de privacidade, ele ainda nem imaginava o que se passava dentro mim.

    Eu suspirei, prestando atenção em sua canção melodiosa. Encarar seu rosto naquele dia estava sendo especialmente estranho. Tentador, na verdade. Tudo nele era nítido demais, convidativo e urgente, como se eu estivesse prestes a dizer adeus a qualquer momento. Me sentia frustrada, assustada e nervosa. Não conseguia entender o sentimento confuso e incoerente, mas as palavras de Shion ecoavam em minha mente e davam um nome para ele: posse.

    Balancei a cabeça e isso chamou atenção de Naruto. Ele parou de tocar, sendo puxado de volta de seus devaneios e me encarou interrogativamente.

    — Está tudo bem, querida? – perguntou com carinho. Eu fechei os olhos e assenti. Ele largou o violão na grama e se ajeitou, sentando-se com as pernas dobradas na minha frente. Seus dedos puxaram meu queixo para cima, forçando-me a fitar o azul de suas írises. — Hmm, não sei se acredito em você com essa carinha.

    Eu suspirei uma segunda vez e corei, incomodada. Naruto insistiu em meus olhos, curioso.

    — Me diga o que houve. – pediu.

    — Shion falou comigo hoje. – soltei, expirando o ar e sentindo falta dele. Naruto tencionou o maxilar e soltou meu queixo.

    — O que ela fez? – perguntou. A nota de nervosismo em sua voz não me passou despercebida. Isso me incendiou um pouco, como se ele tivesse medo do que ela fosse me dizer. O sentimento de posse se tornou absurdo dentro de mim.

    — Disse... que não iria deixar que você e eu ficássemos juntos. – eu editei. Ele arfou e balançou a cabeça de forma incrédula. Seus olhos inflamaram.

    — Quem ela pensa que é, afinal? – a pergunta soou como se fosse para ele mesmo, com um teor ardente de raiva e mágoa. Toquei seu rosto, sentindo-me nervosa por sua reação.

    — Ela te deixa com raiva. – eu analisei em voz alta e ele me olhou, alarmado. — Tudo bem, eu acho, deve ser normal, vocês tiveram alguma coisa e...

    — Hinata – ele interrompeu. E de repente, sorriu, meio bobo e descrente. Eu me calei e franzi a testa. Meu coração acelerou de forma imprudente, como se estivesse diante de alguma revelação importante. — Eu não sinto nada por ela. Mesmo.

    Sua explicação soara absurda. Ele não me devia nada, afinal. Naruto balançou a cabeça e riu. Seus olhos tinham um brilho diferente, sapeca como uma criança.

    — Eu... eu sei. Quer dizer, ela é muito bonita e... normal. Mas eu sei, eu confio em você. – murmurei, fazendo uma careta. Eu não tinha a menor prática com isso. Ele mordeu o lábio inferior, tentando conter o riso e segurou meu rosto, acariciando minhas bochechas com os polegares.

    — O que é isso, hm? Estou quase me sentindo ridiculamente lisonjeado. – ele respondeu, o riso em sua voz direcionou ondas de calor e fluxo sanguíneo para o meu rosto. Balancei a cabeça, sentindo a inquietação do sentimento irracional espetando minha consciência.

    — Pare com isso. Não é legal! – bufei. Ele riu, ainda incrédulo e alegre, insuportavelmente alegre. Eu cruzei os braços e então de repente eu estava em seu abraço, sendo esmagada contra ele, seus lábios em meu ouvido, ele ria e nos balançava com o movimento.

    — Oh, meu amor! – ele soltara a frase no ar como se ela escapulisse da boca. Inconsciente do fato, mas me deixando imediatamente viva. Ele nunca tinha me chamado daquela forma, tão... íntima, tão... bem, como se ele fosse meu namorado.

    Ele era. Oficialmente. E isso me causou arrepios, influenciado pela respiração dele chicoteando meu ouvido e minha nuca com sua risada e pela palavra, pelo apelido carinhoso que eu jamais esperaria. Mas mais do que isso, ele havia entendido o que se passava comigo, mais do que mim mesma e fazia piada disso, sentindo-se feliz como se esperasse por essa reação há muito tempo. Bom, apesar do constrangimento, ao menos eu o fazia rir.

    Naruto virou o rosto para beijar minha bochecha e se afastou um pouco para alcançar minha boca. Seu beijo agridoce me tomou de surpresa, suave e amoroso, causando um frenesi indecifrável em meu corpo. Eu estava sensível e quente demais, corada, ansiosa. E beijá-lo naquele momento só serviu para me deixar ainda mais confusa. Imprudentemente, num ímpeto que a mim não pertencia, eu abri os lábios para corresponder ao seu toque e joguei os braços ao redor de seu pescoço, apertando-o contra mim. O pegara de surpresa e ele produziu um som gutural, fazendo o beijo entrecortar e tomar um rumo muito diferente.

    Geralmente, eu nunca via Naruto ser grosseiro. Ele jamais me tocava com proximidade além da experimental que tivemos. Jamais insistia em beijos tão longos ou aproximações menos delicadas. Talvez ele estivesse mesmo decidido a seguir o meu ritmo, milagrosamente respeitando minhas fronteiras e medos. Não que eu não gostasse de ser tocada por ele... eu gostava. Irracionalmente eu gostava muito. Mas a verdade nunca deixava de ser dita em meu âmago e por isso eu sentia medo de avançar demais com ele, de deixa-lo se soltar completamente. Ainda éramos um experimento, assim juntos, e eu morria de medo de decepcioná-lo.

    Mas naquele momento o avanço partira de mim. E antes que pudesse me dar conta disso, eu já havia me inclinado em direção a ele, roubando seus lábios num beijo que jamais havíamos partilhado, mesmo nos primeiros urgentes e necessitados toques. Sua boca pressionava a minha com força, sugando a parte inferior, mordendo-a e depois explorando todos os cantos com a língua quente, girando a cabeça para lá e para cá numa dança agitada, roçando nossos narizes um no outro. Meus dedos apertaram os cabelos de sua nuca e ele deixou uma mão cair para minha cintura, os dedos segurando o tecido de meu moletom violentamente, puxando de leve para cima. Os nós das articulações de sua mão tocaram minha pele e eu fiquei de joelhos, me inclinando mais, prestes a fazer algo que eu jamais pensara ser capaz. Até que ele arfou e interrompeu o beijo de repente, ofegante, encarando-me com os lábios vermelhos e os olhos brilhantes, ardentes. Seus cabelos ficaram um pouco mais desarrumados e seu rosto tinha uma feição de homem que eu nunca tinha reparado.

    E então, eu me dei conta de que o havia atacado. Como um balde de água fria, eu me sentei na grama, completamente enrubescida. A respiração fugia de meu controle e meus olhos lacrimejaram pela vergonha. Naruto inspirou o ar, tentando se acalmar e depois seus lábios estavam de volta em minha cabeça, tocando meus cabelos de maneira gentil. Eu suspirei, não conseguia olhá-lo. Havia acabado de estragar todo o cuidado que tínhamos, em ir devagar e com muita calma. E nem sequer sabia por que tinha feito aquilo.

    — Não precisa sentir vergonha, querida – ele sussurrou, um pouco rouco. Eu ergui os olhos para encará-lo, novamente sem perceber, notando que ele ainda tentava se acalmar e conter o sentimento que brilhava em seus olhos. Seu corpo estava quente, irradiava calor para mim e ele estremeceu de leve quando eu segurei em suas mãos.  — Às vezes eu sinto essa... vontade também.

    Eu o olhei interrogativamente. Vontade? Que vontade? A pergunta ecoou por meus olhos e ele sorriu, constrangido. Isso era além do aceitável. Eu quem o havia atacado e ele estava constrangido? Franzi a testa e neguei com a cabeça, apertando seus dedos.

    — Desculpe – sussurrei. Precisei pigarrear para corrigir a voz e ele achou graça, rindo suavemente. O clima entre nós era tão tenso que eu podia sentir a densidade do ar.

    — Você não precisa se desculpar por beijar seu namorado, sua boba. – ele zombou, tentando amenizar. A denominação me fez esquentar o rosto outra vez.

    — É... eu acho. Mas eu... – gaguejei e então fechei os olhos. Não havia palavras para lhe explicar os motivos e em parte ele tinha razão. Havia sido só um beijo, no final das contas. Pelo menos, até aquele momento. Naruto fez um carinho em meu cabelo e se levantou, puxando o violão com uma mão e eu com a outra.

    — Vamos, vou te levar até seu quarto. Acho que por hoje você já experimentou bastante coisa, hm? – ele ofereceu, o riso contido em sua voz, mas eu ainda podia sentir a tensão vinda de seu corpo, juntamente com o calor.

    Eu aceitei a oferta e caminhei ao seu lado forçando-me a não falar mais nada que nos pusesse ainda mais naquela estranha situação constrangedora.

    Flashback off

    Bom, depois disso ele se mostrara muito mais aberto comigo, porém também muito cuidadoso. Me perguntava o que ele pensava sobre isso e por que parecia tão preocupado com nossas aproximações. Mas agora tudo isso parecia em segundo plano, vendo as pessoas desembarcarem do ônibus que nos levara até a escola, os alunos se espreguiçando após horas sentados, animados pela recepção dos pais. E sobre isso, bom, Naruto havia me convencido a ligar para Hiashi e dizer que pegaria uma carona com Tenten, pois o voo estava atrasado e ele estaria trabalhando. Surpreendentemente, havia dado certo, mas o motivo disso ainda me corroía por dentro.

    Quando nós dois descemos, fomos interceptados pelo abraço de Kushina. A sensação de estar em família me fez rir e ela nos soltou para me encarar, surpresa. Mesmo tendo passado apenas alguns dias, a viagem havia mudado tanta coisa em minha vida que parecia fazer uma eternidade desde que a vira pela última vez. O carinho maternal em seus olhos acolheu meu coração daquela forma arrebatadora de novo e eu sorri para ela, querendo lhe retribuir aquele mesmo afeto através do olhar.

    — Vocês estão tão corados e bem! Senti tanta saudade! Aposto que têm muitas coisas para contar, não é mesmo? Vamos, logo. Eu fiz um almoço maravilhoso para gente. Bom, Minato ficou cuidando das panelas, mas eu acho que estará tudo impecável...

    Ela tagarelava enquanto puxava nossas mãos até o motorista do ônibus que entregava todas as bagagens. Eu olhei alarmada para Naruto, esperando que ele entendesse o motivo. Havia mencionado uma carona por Tenten, mas não tinha dito que eu almoçaria em sua casa. Como justificaria o atraso para Hiashi?

    — Err, dona Kushina, tem certeza sobre isso? – ele perguntou, compreendendo minha súplica silenciosa. A ruiva se virou, com nossas malas uma em cada mão, arrastando pelas rodinhas. Ela tinha um olhar confiante cheio de segredos.

    — Sim, tenho certeza. Não se preocupe com o Sasaki, querida. Há algumas coisas a serem ditas hoje e depois disso tenho certeza de que ele não vai poder incomodar nenhum de nós.

    Com esse decreto, eu fui levada com o coração saltando para fora até o carro de Naruto.

    ***

    Na mesa do almoço, Kushina não parava de tagarelar sobre como a casa ficava vazia sem as “crianças” e Naruto soltava esporadicamente algum comentário sobre a saudade da comida caseira de sua mãe. Mas eu estava muito longe dali, sentindo-me tensa pela sentença que Kushina havia soltado no ar sem preocupação. A curiosidade e o medo por estar ali com eles não conseguia me abandonar. Minato talvez tenha percebido isso e com seus olhos perspicazes, ele apenas mudou de assunto, acertando um Naruto esfomeado em cheio:

    — Então, como foi que isso aconteceu? – perguntou. Seu filho engoliu o lámen audivelmente e bebeu um pouco de chá, pigarreando. Eu analisei a pergunta e corei, suspirando baixinho. Kushina cerrou os olhos, encarando nós dois do outro lado da mesa.

    — Isso o quê? – ela pediu, curiosa. Naruto ajeitou-se na almofada e olhou para mim. Eu o encarei de volta, amedrontada, mas ele sorriu e corou um pouco. Seu sorriso foi crescendo gradativamente.

    — Os dois, é claro. – revelou o inteligente Minato. Kushina abriu a boca em um O e soltou um arfar surpreso.

    — Como é? – perguntou, ajoelhando-se. Eu encolhi os ombros e Naruto riu. Ele coçou a cabeça e então soltou:

    — Eu pedi a Hinata em namoro.

    Impetuosamente, Kushina gritou animada. Eu dei um pulo no lugar e ela se levantou, dando a volta para sentar entre nós e rodear seus braços de modo sufocante por nossos pescoços.

    — Oh, meu Kami! Eu pensei que isso nunca fosse acontecer! – ela festejou, a voz estava levemente chorosa.

    — Mãe! – Naruto protestou, sem ar, puxando o braço dela de seu pescoço. Ela nos soltou rapidamente e virou-se para mim, abraçando-me direito. Eu encarei seu filho por sobre seu ombro e ele sorriu.

    — Eu não acredito no que estou vendo. Não sabem como eu fico feliz. Por favor, já podemos decidir a data do casamento? – ela perguntou afobada. Eu tranquei a respiração e arregalei os olhos. Naruto bufou e puxou sua mãe de cima de mim.

    — Eu adoraria me casar com Hinata, mãe, mas será que posso curtir meu namoro primeiro? – zombou. Eu corei violentamente. Casar... comigo? Naruto queria se casar comigo?

    A vergonha me causou uma tontura irracional e Minato pigarreou, sorrindo em seguida com um olhar cálido de carinho sobre nós três. Eu encolhi os ombros, sentindo-me estranha de repente.

    — Acho melhor dar tempo ao tempo, Kushina. Vamos conhecer nossa norinha primeiro, não é? – ele se pronunciou com a voz calma, feliz, orgulhosa. Eu fiquei tensa ante a palavra “norinha” e constatei a verdade esmagadora de que eu era parte da família agora, literalmente. O casal que antes eu admirava, de longe, sentindo-me ansiosa por passar um tempo junto e absorver um pouco dessa energia, eram agora meus sogros.

    Meus sogros!

    Por Kami, isso era uma loucura. Ao meu lado, Kushina expirou, tentando retomar a compostura.

    — Ah, certo, certo. Eu me empolguei. E vocês são novos ainda, não é hora de me darem netinhos. Se bem que eu ia adorar criancinhas correndo por essa casa e...

    — Mãe! – Naruto protestou, escondendo o rosto nas mãos. Eu senti a sala girar, meu rosto estava tão quente que poderia explodir a qualquer minuto. As frases sonhadoras de Kushina criavam imagens assustadoras em minha mente. Eu dentro de uma roupa branca, com uma barriga enorme e depois eu segurando um bebê loirinho e bochechudo. Era surreal.

    E impossível. Quer dizer, estávamos namorando, sim, mas... Casar? Ter filhos? Isso parecia ser coisa de um futuro muito distante. Era inconcebível me imaginar nestas cenas, seriam uma sequência gigantesca de amarras para desfazer e de qualquer forma, não conseguia imaginar que Naruto aguentaria até lá. Além disso, Hiashi faria das nossas vidas um inferno.

    Hiashi...

    Isso me lembrou o porquê do almoço e as tais coisas que os pais de Naruto tinham para nos relevar. Voltei a ficar tensa imediatamente e decidi não mais delongar nisso. A qualquer momento ele me ligaria, irromperia por essa porta ou acionaria a polícia atrás de mim outra vez. Segurei as mãos de Kushina e olhei suplicante dentro de seus olhos azuis.

    — Kushina-san, como vamos lidar com Hiashi? – murmurei. Ela mudou completamente a postura, o sorriso desaparecendo. O modo como inspirou pelo nariz profundamente e de olhos fechados me assustou e eu encarei Naruto alarmada de novo, esperando que ele soubesse de alguma coisa. Mas seu olhar era tão nervoso quanto o meu e percebi que talvez esse almoço não fosse mais um evento tão alegre como parecia.

    — Bom... agora que vocês estão juntos as coisas vão ser um pouco mais delicadas... – ela começou. De repente, abriu os olhos e segurou em nossas mãos, puxando-as para colocar a minha sobre a de Naruto. — Mas eu tenho certeza de que juntos vocês são muito mais fortes e vamos conseguir passar por isso, está bem? Vocês confiam em mim, não confiam?

    Eu senti a garganta fechar e ela se levantou, começando a recolher os pratos da mesa. Naruto estava imerso em pensamentos, o maxilar tenso e os olhos opacos, perdidos muito longe dali.

    — Eu e seu pai vamos limpar isso aqui e enquanto isso vocês podem esperar na sala. A conversa vai ser longa. – ela decretou, indo para a cozinha. Minato suspirou, parecia cansado. Sem dizer mais nada, ele apenas juntou mais algumas louças e a seguiu para o outro cômodo. Eu comecei a ficar desesperada, sentindo os olhos marejarem. Uma sensação estranha me tomou, como se estivéssemos correndo riscos. Naruto se levantou, ainda com o rosto sério e pensativo. Eu o segui até a sala, mas minhas pernas estavam tremendo, assim como minhas mãos.

    Ele sentou-se no sofá branco que há muito tempo eu não via e expirou pesadamente. Eu andei de um lado para o outro, ignorando quando ele me encarava com um pesar nítido. Ele estava com medo também, era impossível não medir a seriedade das palavras de sua mãe. Nunca havia visto seu rosto tão severo, tão sóbrio de qualquer alegria e festejo. Quase não parecia mais ser a mesma pessoa, como se ela carregasse uma verdade obscura através de seu discurso. Eu estremeci e parei no meio da sala, sentindo-me zonza.

    Naruto se levantou e rodeou seus braços ao meu redor, puxando-me carinhosamente contra seu corpo num abraço triste que fez meu coração partir.

    — Eu não sei o que está acontecendo, mas vamos ficar juntos, ok? Estou com você, querida. – ele sussurrou, embalando a nós dois. Sua voz tremera no final e a vontade de chorar fez meu peito inflar.

    Mas não demorou muito e alguns minutos depois, os familiares rostos de seus pais apareceram na porta. O olhar de Kushina sobre nosso abraço fez os pelos do meu braço se arrepiarem.

    ***

    O silencio era torturante. Kushina tinha o rosto entre as mãos e Minato a encorajava, acariciando suas costas. Eu comecei a me sentir impaciente, olhando-os sentados no sofá, na mesma posição havia 2 minutos. Eu agarrei o braço da poltrona e Naruto agarrava minha mão do outro lado. A tensão na sala fazia nossas respirações pesarem. Eu me sentia pronta para insistir que falassem, preocupada com a hora, com o assunto, com meu coração desenfreado e principalmente... com o futuro que nos aguardava depois daquilo. Tentei imaginar diversas vezes sobre o que poderia ser o conteúdo daquela conversa, mas nada além de uma explicação sobre a rivalidade acerca dos negócios me vinha à mente.

    E então Kushina levantou o rosto e respirou fundo. Sua boca abriu, querendo começar e ela a fechou logo em seguida, em dúvida, ponderando, sem saber como dar o passo à frente.

    — Mãe, eu vou ter um treco aqui, por favor, fala logo! – Naruto explodiu, angustiado. Eu assenti, ecoando seu desespero. Ela enfim olhou diretamente para nós e seus olhos imediatamente marejaram.

    — Antes de tudo eu quero que vocês saibam que... – pausou, buscando ar novamente e limpando as lágrimas que escorreram em suas bochechas. — Que eu amo vocês. Eu amo vocês. Nós amamos vocês com todo nosso coração.

    O modo como ela disse isso, me incluindo, me causou uma sensação terrível. Ela estava prestes a dizer alguma coisa que meu cérebro insistia em adivinhar, como se já conhecesse a verdade. Eu me inclinei sobre a poltrona, ansiosa, tremendo à beira de um colapso nervoso.

    — E nos perdoem, queridos... Nos perdoem por termos escolhido esse caminho, por termos colocado vocês nesse destino tão cruel... Principalmente você, Hinata, nos perdoe por tudo o que precisou viver e... oh, meu Kami... – Kushina começou a chorar, seu soluço ecoando pela sala. Minato imediatamente a abraçou, sussurrando em seu ouvido palavras de conforto.

    Eu senti meu peito apertar e entalar na garganta. Naruto encostou as costas em sua própria poltrona e soltou o ar pela boca, devagar. Seus olhos azuis encaravam a mãe como se não a conhecesse. Kushina se recompôs com o apoio de seu marido e então olhou diretamente nos meus olhos, com um reconhecimento tão maternal e tão real que tudo dentro de mim estalou com a verdade que sairia de seus lábios:

    — Hinata... eu era amiga de sua mãe. – ela fez uma pausa para respirar e sondou minha reação. Porém, parecia que eu estava ligeiramente formigando. — Nós... nós éramos confidentes e numa brincadeira gentil, ela costumava me chamar de... “K”.  

    O longo minuto de silêncio que se instalou no cômodo foi quebrado pelo meu arfar. O mundo parecia me esmagar, como se eu não conseguisse mais respirar. Eu lhe encarei sob uma cortina de lágrimas, incapaz de lhe enxergar, incapaz de falar qualquer coisa. Meu corpo começou a tremer, dos pés à cabeça, sem controle, sem possibilidade de se recompor, enquanto as peças iam automaticamente se encaixando em minha mente. Kushina... É claro! Desde o começo, sua reação quando me viu pela primeira vez, o modo exagerado como recebera uma estranha em sua casa, quebrando um copo no chão pela surpresa. Tudo voltou num flashback vertiginoso... A maneira como ela me acolhia tão maternalmente, como parecia me conhecer intimamente, como era tão acolhedora e como ficara tão feliz quando soube que estava namorando seu único filho... E também, a rivalidade. O fato de ter ficado tão perplexa quando soube que eu estava sob a guarda de Hiashi, tudo isso finalmente fez o sentido, preencheu a lacuna que faltava, fez meu destino parecer ter um trilho.

    E ao mesmo tempo, tudo desmoronou. Ela sabia de tudo. De toda a verdade. Ela sabia quem era minha mãe, ela era a única que sabia a verdade. Ela era tudo o que Akemi tinha. Meu coração despedaçou por estar diante da mulher que guardara o segredo de minha mãe a sete chaves, vergonha inundando meu corpo. Vergonha por tê-la deixado partir, por ter lhe roubado a oportunidade de reencontrar a única pessoa que conhecia o verdadeiro mundo a qual pertencia.

    Eu olhei para Naruto ao meu lado, em choque. Sua presença em minha vida ganhou um novo sentido, como se fosse... certo, como se fosse predestinado. Era uma coincidência insuportável que fosse justamente ele o meu salvador. Era vertiginoso e cruel, fazia todas as paredes e muros de conhecimento desmoronarem e me deixarem completamente exposta, pela primeira vez, às verdades obscuras que jamais fizeram sentido para mim.

    — Hinata – Kushina chamou minha atenção, ela parecia alarmada pela emoção que via em meu rosto. Se aproximou, pegando em minhas mãos trêmulas, apertando-as. — Ela era minha melhor amiga, meu bem... minha verdadeira irmã gêmea. Eu sinto muito, querida, eu sinto muito. – lamentou, chorando junto à mim. Minato suspirou atrás dela e para minha surpresa começou a chorar também.

    — C-Como isso pode ser real? – eu sussurrei. Ela acariciou meu rosto, sorrindo. Seu sorriso se parecia tanto com o de Akemi, como se elas partilhassem a mesma visão de mundo. E partilhavam. Partilharam.

    — Eu sei... Eu vou contar tudo. Hoje vocês vão saber o motivo que traz todos nós para essa sala. Hoje vocês vão saber que isso – ela pegou nossas mãos e as uniu outra vez — É a mais pura prova de que eu e minha velha amiga sempre estivemos certas. 


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