Os Cinco Selos

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    Capítulos:

    Capítulo 122

    Especial 03 - Os Cinquenta Anos de Dante

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Yooo, quase não deu para postar capítulo hoje

    Calma, calma, os especiais já estão acabando!

    Boa leitura ^^

    Sessenta anos antes...

    Com a separação dos selos, Dante andou aleatoriamente até chegar na primeira cidade. Ele não tinha ideia do que fazer, mas tinha ideia do que queria: cerveja. Sem pensar muito, Dante caminhou em meio à multidão sedento por matar sua sede. Era difícil um cara como Dante passar despercebido, todos olhavam aquela massa de músculo de dois metros andando e olhando cada letreiro que visse pela frente. Ao achar o letreiro que estava escrito “Taverna do Junior” lambeu os beiços e sorriu.

    O bar era grande, feito de madeira. Pelas janelas, Dante pode ver que tinha muita movimentação lá dentro. Ao adentrar, Dante se surpreendeu, parecia ser maior do que aparentava. Por dentro, havia um segundo andar. Um músico tocava, pessoas bêbadas dançavam, algumas apenas caiam no chão. Era um bar bastante agitado, pelo jeito.

    Em um canto com a mesa vazia, ele se sentou. A cadeira parecia ser pequena para ele. Carregando uma bandeja com canecas, uma mulher de cabelos loiros com pontas encaracoladas e olhos azuis se aproximou. Estava trajada com uma roupa de tecidos leves.

    – Puxa, como você é grandão! – disse. Ela pegou a maior caneca de sua bandeja e colocou em cima da mesa. – Então precisa beber bem mais do que qualquer um, imagino.

    – Obrigado – ele agradeceu. Sorriu em seguida, mas não dava para saber se era para mulher ou para cerveja.

    – Se quiser mais, é só levantar o braço que virei correeeendo!

    Ao ver braços levantados, ela saiu correeeeendo.

    Em uma virada só, Dante bebericou toda a cerveja na caneca. Era mais amarga do ele lembrava, deixava o gosto pegajoso na boca, mas era ótima. Depois da servente vir correeeeendo lhe dar mais uma, ele começou a tomar mais devagar.

    Como de praxe em uma taverna, dois homens começaram a discutir e trocar socos. A música continuava, e ninguém tentava acalmar o ânimo dos dois. Mas eles cometeram um erro: esbarraram na mesa em que Dante estava sentando, assim, derrubando sua cerveja.

    – Ei, cara, minha cerveja – disse Dante.

    – Foda-se sua cerveja! – balbuciou o homem. Parecia estar bêbado.

    A servente se aproximou de Dante.

    – Tome esta – ela ofereceu outra caneca. Estava com receio caso Dante quisesse brigar também.

    – Cale a boca, vadia! –  vociferou o homem movendo seu braço para agredir a servente.

    Dante agarrou o braço. Com um sobressalto, a mulher se afastou.

    – Ei, cara, minha cerveja.

    De imediato, o homem socou o peito do selo, mas fora ele que machucou os dedos, quase foram quebrados.

    – Escute, grandalhão – disse um homem de óculos, com cabelo e barba grisalhos, atrás de um balcão enquanto limpava a caneca. – Poderia levar estes dois para fora da minha taverna?

    – Eu...

    – Em troca, você beber o quanto quiser sem pagar nada por hoje.

    Dante se levantou sorrindo. Os dois homens imediatamente sacaram suas adagas. Agora tinha que lutar juntos contra um ser de dois metros, afinal.

    – Isso é afiado – observou Dante olhando para as lâminas.

    O primeiro homem desferiu um golpe com a adaga, mas Dante apenas segurou a lâmina com a mão e desfragmentou-a facilmente com um aperto. Antes que pudesse fazer algo, Dante agarrou o homem pelo pescoço, e ele ficou se suspenso no ar. O segundo homem estava tremendo. Quando Dante olhou para ele, largou a adaga e começou a fugir, mas teve a fuga frustrada quando Dante bateu nele com o primeiro homem. Dante carregou um suspenso no ar, enquanto o outro ele arrastava pelo chão segurando pelo colarinho. A servente, com um sorriso doce, abriu gentilmente a porta, e Dante arremessou os dois para fora.

    – Vai ter volta! – gritaram os dois enquanto levantavam-se e corriam na mesma direção.

    Dante se voltou para dentro da taverna, e percebeu o olhar de todos sobre ele em silêncio.

    – Cadê a música?! – exclamou ele de braços abertos.

    Então a música voltou, assim como a bebedeira. Parecia que nada havia acontecido.

    A servente agarrou o braço esquerdo do selo e puxou-o até chegarem perto do balcão. Dante sentou.

    – Você é muito forte – disse o homem grisalho. Ele pegou uma caneca, encheu de cerveja de um barril próximo e colocou em cima do balcão. – Bebida a vontade por hoje, como havia dito. Me chamo Rodrick Junior, e você é?

    Dante tragou toda a cerveja, limpou a espuma branca da boca em seguida.

    – Chamo-me Dante.

    – Aquela é minha filha – apontou com a cabeça – Júlia.

    – É um prazer, Dante – cumprimentou ela passando correeeeeendo.

    – Nunca te vi aqui na Cidade dos Espinhos. – Rodrick encheu novamente a caneca. – É um turista, ou algo do tipo?

    – Eu diria que sou mais como um andarilho. – Bebeu. – Vim de um lugar meio... distante.

    E foi assim que a noite de Dante seguiu: bebeu, bebeu, bebeu mais um pouco e apagou.

    Na manhã seguinte, Dante despertou. Ele estava com a cabeça apoiada sobre o balcão. A taverna estava vazia. Ao erguer-se, sua visão tremeu. O raio de sol queimou seus olhos. Sua cabeça doía.

    – Parece que a bela adormecida resolveu acordar.

    Dante seguiu em direção em que a voz veio. Semicerrou os olhos para ter foco e reconhecer a pessoa detentora da silhueta. Era Rodrick.

    – Bom... dia....? – disse Dante.

    – Sim, bom dia – Rodrick riu.

    – Deixou eu dormir aqui?

    – Bem, você é um andarilho, logo imaginei que não tinha onde ir. Júlia disse que era para deixar você desmaiado aí, já que você ajudou ontem. – Fez uma pausa. – A lixeira está atrás de você.

    – Lixeira...?

    Dante sentiu enjoo, pegou a lixeira e vomitou. Muito.

    – Sou o dono desta taverna há muito tempo, sei bem do que você precisa ao acordar.

    Em meio ao barulho de vômito, a porta se abriu com estrondo. Júlia adentrou, e estava ofegante.

    – Pai, gângsteres estão se juntando a nossa porta!

    – Por que gângsteres se juntariam em nossa porta, filha?

    – Talvez seja porque o grandalhão ali que está vomitando bateu em dois ontem...

    – Devemos chamar os guardas!

    – Não precisa, eu cuido disso – disse Dante se levantando da cadeira. Ele cambaleou e esbarrou na mesa. – Opa.

    – Tem certeza? – perguntaram os dois com receio.

    – Mas é claro! – ele engoliu o vômito que subiu pela garganta.

    Dante foi para fora da taverna. O sol fez ele cerrar os olhos, sua cabeça latejou. Ao conseguir abrir os olhos novamente, pode ver cerca de cem homens em sua frente. Ele chacoalhou a cabeça, então pode ver que na verdade eram vinte.

    – Foi ele, irmão! – apontou os dois homens que Dante expulsaram da taverna.

    – Hã?! – O homem mais alto, usando óculos de sol e de cabelo vermelho tomou a frente. – Então foi você que bateu nos meus irmãos ontem? Saiba que irei te matar. Encontraremos sua família e iremos matar também. Não terá per-

    Dante ergueu apenas dedo indicador esquerdo, e voltou a vomitar. Ele limpou sua boca com as costas da mão.

    – Pode volta a falar – disse ele.

    Enfurecido, o homem sacou uma pistola de mana, e todos os outros dezenove fizeram o mesmo. Com o primeiro tiro desencadeou uma saraivada deles. As pessoas ao redor correram ao escutar o barulho. Rodrick e Júlia assistiam com os olhos arregalados o selo sendo alvejado pelas balas. Depois de alguns segundos, eles cessaram. A camisa do Dante estava rasgada, e alguns finos filetes de sangue escorriam pelo seu peito.

    – Isso doeu um pouco – reclamou Dante. Ele estalou os dedos. – Vai doer bem mais em vocês.

    Em um piscar de olhos, Dante já estava alguns centímetros do líder da gangue. Tremendo, o líder teve que erguer a cabeça para olhar para o selo, que por sua vez estava por uma expressão séria. Antes que pudesse correr, Dante acertou o homem com um soco na cabeça, fazendo-o desabar no chão já desmaiado. Sob o sorriso sádico do selo, os dezenove começaram a correr. Bem, tentaram. Bastava apenas um soco para que eles caíssem no chão praticamente semimortos. Um minuto depois, Dante havia acabados com todos. Rodrick e Júlia observavam de dentro da taverna boquiabertos.

    Quatro soldados equipados com armaduras prateadas e lanças chegaram ao local. Imediatamente apontaram as lanças para Dante, e ele ergueu os braços.

    – O que aconteceu aqui?! – perguntou o soldado do meio. Todos estavam com elmos, não dava para ver seus rostos.

    – Bem, aqueles caras ali queriam acabar com a taverna, então bati nos vinte – respondeu Dante.

    Após alguns minutos com Rodrick e Júlia discutindo com os soldados para convencer que Dante era inocente, enfim liberaram eles.

    Dentro do bar, Rodrick gargalhava alto.

    – Você acabou com eles tão fácil, Dante! – Rodrick disse em meio ao riso.

    Dante deu ombros.

    – Eles apenas se achavam fortes.

    – Onde você aprendeu a lutar assim? – perguntou Júlia.

    – É... do lugar distante da onde vim... – respondeu ele.

    – Ah, do lugar distante... – disseram Rodrick e Júlia.

    – Que tal trabalhar aqui, Dante?! – propôs Rodrick. – Gostei de você.

    – Vai ter cerveja de graça?

    – Desconto, sim.

    – Feito.

    No segundo andar, Júlia mostrou o quarto de fundo em Dante ficaria. Uma cama, uma pequena mesa e um armário. Pequeno para ele, mas era melhor do que ficar na rua.

    O trabalho do Dante era simples: expulsar qualquer um que criasse tumulto.

    Dante estava sentando na cadeira que ficava no balcão. Rodrick colocou uma caneca em cima do balcão. Dante bebeu. Era doce e suave.

    – O que é isso? – perguntou ele.

    – Vinho.

    – Ótimo – bebeu a caneca toda.

    No outro dia, na mesma situação, Rodrick colocou outra caneca em cima do balcão. Dante bebeu. Era meio salgada e amarga e forte.

    – O que é isso?

    – Rum.

    – Ótimo – bebeu a caneca toda.

    No dia após o outro dia, Rodrick colocou uma outra caneca em cima do balcão. Dante bebeu. Era forte. O gosto se empertigou pela garganta, desceu queimando, e, estranhamente, o gosto ficou até no nariz.

    – O que é isso?

    – Whisky.

    – Delicioso – bebeu tudo.

    No dia seguinte, outra caneca. Dante bebeu. Cuspiu em seguida.

    – Que merda é essa?!

    – Água.

    – Água?! – Fez uma careta. – Dê-me a porra do meu Whisky.

    E assim seguiram os dias de Dante. Bebia e expulsava quem arrumava confusão. Graças a sua força, trazia os barris de bebidas que Rodrick encomendava facilmente. Com o passar dos anos, Dante começou a acostumar-se melhor com o cotidiano, claro. Começou a ficar mais conhecidos, principalmente com as mulheres. Descobriu coisas novas que nem sequer era capaz de imaginar que dava para fazer.

    Passando-se vinte anos, Rodrick estava ainda mais velho, com sessenta e dois anos. Enquanto Júlia estava com exatos quarenta. Ela já havia casado e teve um filho, o pequeno Marcelo. Seu marido, Robert, era legal, Dante gostava dele. Apesar disso, Júlia nunca havia deixado de trabalhar na taverna.

    Rodrick observou Dante sentado na cara enquanto ele refletia.

    – O que foi, Dante? – perguntou ele.

    – Hmmm, se você tivesse a habilidade de invocar chamas, o que aconteceria se conseguisse fundi-la ao seu corpo?

    Rodrick, que se apoiava com uma bengala, sentou-se ao seu lado.

    – Isso é uma pergunta difícil. Nunca pude invocar chamas. Você pode?

    – Não, não. Um... amigo pode.

    – Ah... um amigo. Sei – Rodrick fez uma pausa. – Mesmo que eu não possa invocar chamas, acho que seu amigo deveria começar tentando por meio da meditação.

    – Meditação?

    – Sim. Ora, nada melhor do que encontrar harmonia em seu corpo do que uma meditação.

    – Entendo. – Dante se levantou. – Vou contar para ele.

    Com a saída de Dante, Júlia apareceu atrás do balcão. Ela estava com poucas rugas e seu cabelo começando a ter alguns fios brancos.

    – Ele não envelheceu nada – comentou ela. – Será que ele realmente acha que a gente não desconfia de nada?

    Os dois se entreolharam.

    – É, ele realmente acha isso – concluíram ao mesmo tempo.

    – Até quando ele ficará com a gente, será? – perguntou ela.

    – Espero que por muito tempo, filha. Sinto que, no momento em que ele nos deixar, algo grandioso estará acontecendo...

    Dante saiu da cidade indo de encontro com a floresta de espinhos, onde o nome “Cidade dos Espinhos” se dá por causa dela. Como podem imaginar, é cheio de espinhos. Tinha árvores com espinhos e as que eram feitos apenas de espinhos. Flores coloridas tinha espinhos. Perigoso, mas tinha não deixa de ser bonito.

    Ele subiu em um penhasco, como de praxe. Já havia destruído alguns antes. Na ponta, ele se sentou, e contemplou sua vista lá de cima. O sol de meio-dia iluminava toda a vegetação abaixo dele. Cruzou as pernas, fechou os olhos e controlou a respiração. As chamas vermelhas fluíram pelo seu corpo gradativamente. De alguma forma interior, como Rodrick aconselhou a fazer, tentou fazer suas chamas se fundir com ele.

    Depois de um tempo tentando sem sucesso, enfureceu-se e levantou-se. Assim, percebeu que a noite já havia caído.

    – A taverna! – vociferou. Ele ia começar a correr, mas parou. Sentiu sede de sangue transbordar da cidade. – Demônios...

    Imediatamente, Dante saltou do penhasco. Com o pouso, uma cratera foi aberta e uma pequena área foi devastada. Correu em disparada em direção a cidade.

    Escutou gritos. O barulho do aço fazendo seu serviço. Viu a cidade com algumas partes em chamas.

    Dante obliterou o primeiro demônio a sua frente com apenas um soco. Viu soldados lutando contra eles, alguns morrendo inutilmente, outros consigo confrontá-los. O brilho da magia dos magos clareava o ambiente, os gritos deles sendo dilacerados rompiam junto ao do aço. Pessoas fracas eram comidas facilmente.

    Ele virou ruas indo em direção a taverna, sempre matando qualquer demônio em sua frente. Ao virar a esquina da taverna e ver ela de porta aberta, correu ainda mais rápido.

    Lá dentro, viu um minotauro de pelagem vermelha, com chifres grossos e maior do que ele. Em suas mãos, estava o velho Rodrick se debatendo. Antes que Dante pudesse fazer algo, o minotauro abocanhou o pescoço do Rodrick e arrancou um pedaço. Mastigou enquanto o sangue escorria pela boca. Quando percebeu Dante, o minotauro jogou o corpo morto de Rodrick no chão. Dante percebeu que Júlia estava jogada ao chão perto do demônio, e o minotauro ia pisar nela. O selo disparou suas chamas vermelhas em direção ao demônio. Ele começou a queimar, mas Júlia não. As chamas ficaram envolto em seu corpo sem queimá-la.

    Com uma expressão séria, Dante caminhou calmamente em direção a Júlia. Pego-a nos braços e deixou ela em um canto que julgou ser mais seguro. Após de parar de ter o corpo sapecado pelo fogo, o minotauro correu e desferiu um soco no selo. Dante parou o soco de direita com a mão esquerda. O demônio tentou se soltar, mas não conseguia. Dante apertou sua mão e começou a torcer o braço do minotauro lentamente. O demônio se ajoelhou enquanto grunhia de dor.

    – Escolheu a taverna errada – disse Dante friamente.

    As chamas vermelhas engoliram o braço direito do Dante, e ele acertou um soco no peito do minotauro. Um buraco três vezes maior que o punho do selo foi aberto no peito do demônio, ele caiu morto para trás, e a parte de trás da taverna foi destruída pela pressão do soco, não pelas chamas.

    Percebendo que havia acabado aprender a controlar suas chamas para queimar o que ele quisesse, teve uma ideia: incinerar todos os demônios.

    Na manhã seguinte, a história que a Cidade dos Espinhos fora invadida por animais selvagens espalhou-se. E também de que um ser envolto em chamas vermelhas obliterou todos estes animais um a um antes do amanhecer.

    “Um surto de frenesi é capaz de nos despertar grande força e demostrar que somos capazes de fazer algo que não imaginamos. Como já sabem, o selo da Fúria leva isso ao extremo. Se você vê-lo irritado, e você ser o causador desta fúria, bem... essa será a última coisa que verá. Apenas sua morte irá saciá-lo. Nada mais, nada menos.”

    Ao acordar, Júlia estava sob um teto. Percebeu que estava em casa, deitada em sua cama. Sentia uma forte dor de cabeça. Escutou o barulho da porta se abrindo.

    – Ah, você acordou – disse Dante.

    – Aquilo foi um sonho, Dante? – perguntou ela.

    Houve um curto silêncio.

    – Não.

    Ela se virou para ele.

    – Onde está meu pai?

    Dante abaixou a cabeça e a manejou de um lado para o outro.

    – Desculpe.

    Júlia levou as mãos ao rosto e começou a chorar. Dante a acolheu em seus braços e consolou-a.

    Depois de algumas horas, o marido da Júlia e seu filho chegaram. Estavam em uma cidade, quando souberam sobre o que havia acontecido, vieram correndo. E Dante deixou os três sozinhos.

    Dante estava em cima do penhasco. Ele trouxe uma garrava de whisky consigo. Abriu e tomou um pouco. Olhou para o céu.

    – Desculpa, Rodrick. Você me deu um trabalho e um lugar parar morar, mas não fui capaz de recompensá-lo a altura – suspirou. Virou a garrava de cabeça para baixo e o whisky começou a ser derramado do penhasco. – Prometo que, enquanto eu estiver aqui, protegerei sua filha e seu neto.

    Quando o líquido acabou de ser derramado penhasco abaixo, ele também jogou a garrafa. Virou-se para ir embora, mas parou. Seus dedos tremiam e as chamas vermelhas começaram a envolver seu braço direito. A fúria estava o consumindo de novo. Ao perceber, ele agarrou seu braço direito com o esquerdo, e ficou ofegante. Ele se sentou. Fechou os olhos, controlou a respiração, então começou sua meditação.

    Por um tempo, ele conseguiu se acalmar. Mas a visão de Rodrick morrendo a sua frente voltou. Junto com ela, a sensação de impotência por não ter salvado seu amigo, sensação de falho... a fúria.

    Agora, Dante lutava contra sua fúria interior. As chamas vermelhas ficaram agressivas. Já não havia tanto controle sob si. A sua pele começou a ser transformar devido sua magia de revestimento, deixando-a parecida com escamas vermelhas de um dragão.

    Não, não, não, não, ele repetia em sua cabeça.

    As chamas explodiram. Dois braços apareceram em baixo dos originais, algumas fissuras incandescentes abriram-se espalhada pelo seu corpo. Estavam em seu Despertar.

    – Não! – vociferou Dante abrindo os olhos.

    As chamas vermelhas que acabaram de romper o céu pararam. Em seguida, elas começaram a ser absorvidas pelo o corpo do Dante. Sentiu seu corpo queimar por dentro, mas não lhe causava dor. A sua pele escamada começou a escurecer, tornando-se negra. Mais fissuras incandescentes rasgaram-se em seu corpo. O brilho em sem olhos ficaram mais intensos. E, por fim, um nimbo vermelho com outros círculos vermelhos dentro estenderam-se em suas costas. Vapor exalava de seu corpo.

    –Eu... consegui? – questionou abrindo e fechando os dedos da mão direita.

    Ele concentrou suas chamas vermelhas em seu braço, mas, ao invés de ficarem envolto, seu braço começou a ficar vermelho-incandescente.

    – O custo para eu atingir essa forma foi um amigo. Caro demais. – Fez uma pausa e olhou para o céu. – Irei carregar este pecado. E prometo que qualquer inimigo que me ver nesta forma não sairá vivo.

    Perguntou-se quando se tornou tão sentimentalista.

    Com o braço incandescente, Dante socou o penhasco, destruindo-o por completo. Mais um para lista. E novamente foi comentando no jornal sobre as fortes chamas vermelhas de um ser.

    Passaram-se trinta anos desde então. Agora, era Júlia que estava velha, e mesmo assim nunca deixou de cuidar da taverna. Precisaram contratar mais gente para trabalhar nela, claro. Seu filho decidiu virar aventureiro, afinal. Dante estava servindo os clientes. Escutou o barulho da porta se abrir rudemente atrás dele.

    – Dante! – vociferou uma voz feminina.

    Ele reconheceu a voz imediatamente. Era Lizzie. Virou-se, e viu ela chorando e Uriel. Atropelando qualquer pessoa na frente, foi até elas.

    Júlia observou os três murmurando algo. Dante se virou para ela. Com um sorriso, Júlia assentiu. Então Dante saiu correndo quebrando a porta da taverna com seu corpo.

    – Pai, você disse que quando ele fosse embora, algo grandioso estaria acontecendo. Sempre desconfiou que ele fosse um dos selos. Ao ver de relance o que ele fez com o minotauro, pude ter certeza que era. – Ela sorriu. – Por favor, salve o mundo novamente, Dante.

    Continua no próximo especial <3 :p


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