Os Cinco Selos

Tempo estimado de leitura: 24 horas

    14
    Capítulos:

    Capítulo 119

    Iniciação

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Yoo, enfim chegamos ao último capítulo da parte dois!

    Uma curiosidade rápida... Enquanto a primeira parte teve 62 capítulos, a segunda teve 57. Porém, pelas quantidades de palavras, são praticamente equivalentes!

    Fiquem com a sensação de capítulo triplo em um só

    Boa leitura ^^

    Deus se aproximava lentamente da entrada para o seu reino. Os anjos que ali estavam começaram a se ajoelhar, todos com ânimo. Mikaela também se ajoelhou, mas os Selos se mantiveram de pé.

    – Mikaela, se você é realmente uma de nós agora, aqui vai sua primeira lição: nós somos os Selos, os protetores do equilíbrio deste mundo. Servimos a ninguém, somos independes. Isso quer dizer que não ajoelhamos perante a ninguém – disse Edward, e Mikaela se ergueu em seguida.

    Sim, antes eles se ajoelharam, mas tudo naquela época era diferente. Antes, os cinco eram seres que acabaram de serem criados com o proposito principal de selar Bahamut, e conseguiram, sendo que anos depois o mataram. Pelo tempo que vivenciaram com humanos, perceberam cada vez mais sobre o equilíbrio que deveriam preservar. Tiveram a ameaça do Ganância e a guerra no céu, e eles conseguiram dar o fim a isto também. Foram criados por Deus e forjados por Lúcifer, mas, a forma final, foram eles mesmo que fizeram. Antes, Bahamut deveria os temer. Agora, todos devem temê-los.

    Ao passar pela porta, Deus parou. Todos sentiam a energia que os traziam paz dentro de si. Ele moveu a mão esquerda da esquerda para direita, fazendo com que os ferimentos de todos que ali estavam se curassem, tirando a sensação de cansaço também.

    – Edward, Dante, Pietra, Kleist e Aiken, há quanto tempo não os vejo, meus filhos – disse.

    – O Senhor não precisa nos chamar assim, use nossos nomes verdadeiros – Ed sorriu.

    – E qual seriam eles?

    – O que você nos deu... Morte, Fúria, Peste, Guerra e Fome.

    Deus manejou sua cabeça dizendo que não.

    – Eu lembro de dizer que vocês seriam conhecidos assim, não que seriam seus nomes. – Ele olhou para os anjos ajoelhados em silêncio. – Levantem-se meus filhos. – Enquanto os anjos se levantavam, Deus ergueu sua mão direita, e todos os anjos não corrompidos começaram a reviver.

    Gradativamente, anjos e mais anjos entravam na sala do trono, lotando-a. Edward ficou com uma expressão séria, e os selos perceberam isso. Entrando por cima do que já foi um teto, os arcanjos voaram até ao lado de Deus, mas um deles pousou ao lado do Edward. Ergueu-se e demostrou ser o Miguel.

    – Ora, você não era um traidor, então – disse Ed para o arcanjo.

    – Fui o único anjo que sabia sobre o plano – explicou Miguel. – Meu objetivo desde o início, do capítulo onze para ser mais exato, foi provocar você para desconfiar de nós, enquanto também levava os anjos de mente fraca a traição.

    – Eu ganhei de você – Ed sorriu.

    Miguel riu.

    – Cale a boca – o anjo voou para perto de Deus também.

    Tyrael foi o próximo a se aproximar de Edward, e deram um aperto de mão.

    – Você conseguiu, Morte – disse o Arcanjo. – Foi difícil?

    Edward deu de ombros.

    – Foi fácil. Do que adianta ter muitos poderes se só tem maestria em um?

    Tyrael sorriu. Ele não fazia muito isso, Edward soube que ele concordou com sua observação.

    Os anjos começaram a conversar em voz alta, começando um alvoroço. Dentre eles, Edward continuava quieto com uma expressão séria. Os Selos perceberam isto, e mantiveram-se quietos também.

    – Deus! – vociferou Edward rompendo o mar de vozes, silenciando-as. – Você reviveu uma grande quantidade de anjos e a Mikaela também. Com o seu plano, o equilíbrio, para se manter, achou cada morte necessária. Ao revivê-los, você trouxe um grande risco a este equilíbrio. – Ele fintou com olhos sérios e frios. – O Senhor sabe o que quero dizer com isto?

    Rompendo o curto silêncio, um anjo sacou sua espada e gritou:

    – Quem você acha que é para ameaçar Deus, seu traidor?!

    O anjo escutou um barulho suave de uma lâmina sendo desembainhada e súbito frio em sua garganta seguidamente. Quando percebeu, uma lâmina negra estava em sua garganta. Naquele instante, o anjo já soube que, se Aiken quisesse, sua cabeça estaria rolando no chão sem mesmo que percebesse.

    – Opa, calminha aí, mano – disse Aiken. – Acho que cê entendeu tudo errado. Não servimos a Deus, nem nada do tipo, então não há traição. Somos independentes. O que decide se estão do nosso lado ou não, são suas ações. Por causa disto, meu querido capitão apenas alertou a Deus sobre isto, certo, capitão?

    Edward nada disse e manteve seu olhar fixo em Deus.

    – Eu trouxe um grande risco ao equilíbrio, entendo – disse Deus. Ele manejou a mão e todos os anjos abaixaram as armas. – Prometo-lhe que isso não acontecerá novamente, Edward.

    – Fico feliz com isso. – E ficava mesmo, Edward não queria lutar contra Deus. – Aiken.

    Aiken embainhou a espada na mesma velocidade em que desembainhou, sem nem mesmo o anjo ver. Edward queria mostrar para todos que os Selos não serviam o céu, com isso ficou bem claro.

    Todos ainda estavam tensos e em silêncio, mas, desta vez, o silêncio foi rompido pelo bocejar alto da Lizzie que havia acabado de acordar. Ela vestiu o sobretudo do Edward e olhou ao redor, ficou um pouco confusa pela quantidade de anjos olhando para ela.

    – Perdi alguma coisa? – perguntou ainda sonolenta.

    – É... não muito – respondeu Dante.

    – Como vai, querida Lizzie? – cumprimentou Deus.

    Lizzie deu um sobressalto.

    – Deus! Estou ótima – ela sorriu, mas logo ficou com uma expressão desesperadora. – Ed, desde que cheguei no céu não sinto fome, mas eu quero comer!

    – Eu também não! – disse ele.

    – Nem eu! – disseram os selos.

    Miguel, ao lado de Deus, deu um longo suspiro.

    – Eles me lembram tanto o Samael... Lúcifer... não sei como devo chamá-lo. Que seja. Estávamos em uma situação tensa agora mesmo e eles já estão assim.

    Deus e os arcanjos assentiram.

    Edward se aproximou.

    – Nós já iremos partir para o plano existencial novamente. Mas antes, se o Senhor permitir, queremos fazer a iniciação da Mikaela aqui.

    – Tudo bem, meu filho.

    Edward estava se afastado, mas parou.

    – Ah, mais uma coisinha. – Ele se virou. – Por que meu cabelo é branco?

    Os selos, principalmente Mikaela, se aglomeraram envolto do Edward esperando ansiosamente pela resposta.

     – Porque eu quis.

    – Tão simples assim?! – vociferaram os selos.

    – Finalmente encontrei a resposta! –  vociferou Mika feliz.

    – Pensei que seria algo magnifico e filosófico – lamentou-se Ed.

    Os selos e Uriel se afastaram da sala do trono e foram até o pátio onde o confronto entre anjos e errantes aconteceram. A fenda para a outra linha temporal ainda jazia congelada com a espada da Uriel cravada em seu centro. Armadura de anjos e entranhas de errantes estavam espalhados pelo local também, em meio ao cenário de destruição.

    – Mas o que foi aquilo na sala do trono?! – questionou Uriel de maneira confusa.

    – Apenas um recado – esclareceu Dante. – Dizendo que os selos não servem a Deus e que não somos seus aliados.

    – Então você não me socorreria quando precisasse?

    Pietra riu.

    – Calma, Uriel. Pode ter certeza que ele seria o primeiro a fazer isso – disse ela.

    – Eu sei onde você quer chegar com esse comentário, Pietra – falou Dante com rigidez.

    – Sabe, é? – Pietra o encarou com seus olhos verdes intimidador seguido por um sorriso.

    Dante olhou para baixo.

    – Não. Desculpe-me. Não sei. Desculpe-me.

    Um pouco afastado dos cinco, estavam Mikaela e Edward. Lizzie havia ficado nas costas de Dante.

    – O que seria essa iniciação? – perguntou Mikaela enquanto descalçava suas botas.

    – Você irá se tornar oficialmente um de nós – respondeu Ed. – Temos um selo implantado em nossos corpos que, quando juntos, torna-se um único selo poderoso. Creio que não o usaremos mais, mas é importante você ter ele dentro de si... como se fosse uma marca nossa. Além do mais, como você sabe, nós temos runas que anula a imortalidade em nossas armas e, no caso do Dante, em seu corpo. Mas você não usa armas, muito menos seus punhos... mas usa magia. Por isso, irei implantar a runa em sua fonte de mana.

    – Interessante. – Ela se despiu de seu vestido negro, ficando apenas com sua meia de coxa e um short curto e liso que ela usava por debaixo do vestido. Sua silhueta detinha belas curvas. Mika começou a se virar para Edward, mas ele a manteve de costas ajeitando-a com suas mãos nos ombros dela. – Oh, como pensei, você não quer que eles vejam meus peitos. Então você é ciumento.

    – Não sou. Calada. – Ele fez uma pausa. – Posso começar?

    Olhando por cima do ombro ela assentiu.

    Edward mordeu seu dedo indicador até um pouco de sangue escorrer, e suas chamas azuis ficaram envolto na ponta do mesmo dedo. Mikaela jogou seu cabelo para frente, recaindo sobre seus seios. Edward, com o dedo em chamas, começou a desenhar um círculo nas costas dela queimando sua pele. A queimação que sentia era suportável para ela. Após ter terminado o círculo, ele fez um outro círculo dentro do primeiro. Em seguida, Edward desenhou cinco runas em pontos diferentes entre os dois círculos. Ele caminhou em direção aos selos. Edward esticou a mão em direção ao Aiken com seu dedo ainda envolto de suas chamas azuis. O selo da Fome fez um corte em seu dedo médio e o deixou envolto em suas chamas prateadas, e tocou com ele no dedo médio do Edward, deixando-o envolto em chamas prateadas também. O selo da Guerra fez o mesmo, mas com o dedo anular. O selo da Peste com o mindinho. E o selo da Fúria com o polegar. Cada dedo do Edward detinha uma chama: azul, prateada, amarela, verde e vermelha.

    – Mikaela, você traiu Bahamut e os seres da sua raça, os demônios. Você já cometeu pecados horrendos e imundos. Agora, você quer se tornar uma de nós... por quê? – questionou Edward se aproximando.

    – Eu percebi que este mundo é mais grandioso do que pensava. Por conta dos meus pecados imundos, quero me tornar um dos selos em busca de redenção. Darei meu poder, meu sangue e minha vida em prol de preservar o equilíbrio.

    Edward chegou perto, Mikaela pode sentir o calor das chamas.

    – Por estar em busca da redenção, você será responsável por trazê-la para nossos inimigos, seja de forma pacifica, seja pela morte. A partir de agora, você será o sexto selo. O selo da Redenção. – Edward tocou cada dedo em uma runa desenhada na pele da Mikaela.

    A queimação súbita que ela sentiu foi intensa. Cerrou os dentes de dor, mas não iria gritar. Não neste momento. Dava para ver a fumaça sendo         exalada de suas costas. Edward se afastou, uma película mesclando as cores de cada chama dos selos envolveu o corpo de Mikaela, fazendo-a flutuar. A queimação passou a envolver todo seu corpo. A mistura de cores emanou fortemente, seguida por uma explosão de cores ofuscantes. Mikaela caiu, mas Edward a pegou nos braços.

    Do fundo, os selos estavam com os olhos arregalados.

    – Isso que acabou de emanar da Mikaela foi poder divino? – perguntou Kleist.

    – Sim – afirmou Aiken. – Nós fomos criados por uma divindade, por isso temos este poder divino. Mikaela também foi criada por uma divindade... o selo deve ter despertado este poder divino adormecido dentro dela, como na gente.

    Edward trazia Mikaela em seus braços já trajada com seu vestido negro. Ela se sentia exausta e sem forças.

    – Bem-vinda ao grupo, Redenção – disseram os selos.

    – É bom ser uma idiota oficial – Mika abriu um sorriso cansado. Ela passou a mão no peito do Edward, observando a runa gravada em alto relevo em sua pele. – O que significa?

    – Depois conto sobre ela – respondeu Ed. Já havia ocultado sobre sua imortalidade, se fizesse o mesmo sobre o Sombra, uma hora iriam desconfiar dele.

    Lizzie desceu das costas de Dante, transformou seu braço direito na lâmina azul da foice e abriu uma fenda. Os selos se aproximaram dela.

    – Seja breve, Dante. Não espere cento e dezessete capítulos como Ed e a Mika – disse Pietra.

    – Ei, eu estava morta, sabe?! – reclamou Mika.

    Os selos entraram na fenda. Dante se aproximou de Uriel.

    – O que foi aquilo que a Mikaela e o Edward fizeram na sala do trono? – perguntou ela depois de um curto silêncio.

    – É... como posso te explicar? – Ele coçou a cabeça. – Foi meio que uma demonstração de que eles gostam um do outro de um jeito mais... profundo? É... isso. Profundo. Entende?

    – Hmm, acho que sim – respondeu.

    Dante abriu a boca para falar algo, mas Uriel colocou a mão em sua bochecha, ficou na ponta do pé e o beijou

    – Eu gosto de você, Dante. Profundamente – admitiu Uriel rapidamente. Virou-se e foi embora a passos largos.

    Dante ficou parado sem reação, levemente corado. Os selos observavam de longe, sorrindo, exceto Kleist.

    – Ela é boa. Nocauteou a massa de músculo ambulante de dois metros em questão de segundos –  disse Aiken.

    Pietra deu um tapa na cabeça dele.

    – Fica quieto, Aiken – disseram os selos.

    Após todos estes acontecimentos, os serafins ficaram como exemplo do que um anjo não pode ser ou fazer. Ficaram conhecidos como os sete pecados capitais, onde, quem fizesse o mesmo, seria permanentemente banido do céu sem direito a perdão.

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    De volta ao plano existencial...

    Edward, com Mikaela em seus braços e Lizzie em suas costas, saiu da fenda. O sol estava forte, devia ser por volta de meio-dia. A sua frente, estava uma floresta de árvores alta sobre um gramado verde de coloração forte. Edward inspirou profundamente.

    – Porraaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! – berrou de forma longínqua e continua. Um belo palavrão, de fato.

    – Qual é o seu problema? – perguntaram as duas.

    – Parecia-me antiético xingar no céu. Soltei toda minha raiva e frustação agora. Sinto-me bem melhor – sorriu.

    Em seguida, saíram Kleist, Pietra e Aiken. Dante veio logo após, deprimido. Aiken repousou sua mão sobre o ombro dele.

    – Calma, grandalhão. Pelo menos cê sabe que ela gosta de você – disse.

    – Eu sei! Mas... ela vai estar lá no céu... e eu aqui.

    – Se realmente gosta dela, a distância não importa – consolou Pietra. – Há um “céu” que os une, afinal. Melhor do que não contar nada e guardar para si.

    – Engraçado você dizer isso, Pietra. Nunca disse nada – indagou Edward a fintando.

    Enquanto os selos não entendiam, ela ficou vermelha igual a um pimentão.

    – Capitão! – vociferou constrangida.

    – Ora, sei de nada – assobiou.

    Os idiotas seguiram pela floresta. Pelo que Edward lembrava, aquela floresta levava até Eldos, onde morava Anne, a última da ordem dos Mephistos, e Diana, a filha de Kleist. Bem, isso se ainda estivessem vivas, eles não sabiam quanto tempo havia passado desde quando saíram, o céu é atemporal.

    Edward escutou um crocitar, imediatamente, olhou para cima sorrindo, e viu um corvo. Ele planou e posou na cabeça do Edward, ajeitou-se e aconchegou-se.

    – Corvo! Há quanto tempo... e ainda não aprendeu que lugar de se pousar é no ombro, seu corvo maldito!

    Corvo crocitou fervorosamente como resposta enquanto Lizzie acariciava suas costas.

    – Você tem um corvo?! Qual é o nome dele? – perguntou Mika enquanto acariciava a cabeça do pássaro.

    – Corvo.

    – Você tem um corvo que se chama Corvo?

    – Sim.

    – Eu tentei fazê-lo mudar de ideia – defendeu-se Liz.

    Caminhando por mais alguns minutos, enfim chegaram a uma casinha não muito grandiosa perto da floresta, em um campo aberto. De fundo, estava a cidade de Eldos, uma cidade onde boa parte fora construída perto do mar, mas o castelo fora construído acima do mar.

    Do lado de fora da casa, estava um jovem, com músculos medianos, cabelos negros que desciam até a orelha e olhos castanho claro, cortando tocos de madeira com um machado de um gume. Ao ver os selos, ele sorriu.

    – Mãe! O tio Ed e os selos voltaram! – vociferou ele para casa.

    – “Tio Ed”? Espera... – Edward olhou para o jovem. – Alfonso?! Você era um pirralho!

    – Bem, já fazem dez anos, é normal eu ter crescido. Agora tenho dezoito anos.

    Da casa, Anne saiu. Com o passar dos anos, ela parecia ter ficado ainda mais linda. Seus cabelos longos e negros se mantinham sedosos, os raios de sol deixaram seus olhos castanhos claros mais cintilantes.

    – Pessoal! Estava com saudades, vocês demoraram – ela disse com um sorriso.

    – Tudo tem o seu tempo – disseram eles.

    – Esta é Mikaela. E esta é a Anne – Edward apresentou uma a outra. – E aquele é o Alfonso, mas pode chamá-lo de Al.

    – Mikaela? Ela não deviria estar morta? – perguntou Anne.

    – Por que todo mundo faz questão de falar isso?! – Mika suspirou. – Sim, deveria. Mas aconteceu umas coisas e eu revivi.

    – Deus a reviveu – esclareceu Ed. – Não precisa esconder coisas dela. É a última das ordens dos Mephistos.

    Subitamente, a expressão da Anne ficou séria.

    – Edward, tenho uma coisa séria a contar – disse rigidamente, e os selos devolveram a mesma expressão séria. – Após vocês terem subido aos céus, Lúcifer veio aqui.

    – Lúcifer?! Ele fez algo com vocês?!

    – Não. Ele pegou um dos meus livros da ordem dos Mephistos e pediu para que lhe entregasse um recado. – Ela fez uma pausa. – “Aguardo-lhes no inferno, discípulos idiotas”

    – E o que continha no livro? – perguntou Aiken seguidamente.

    Anne pensou um pouco.

    – O livro inteiro contava sobre uma magia de criar uma pequena dimensão.

    – O mesmo que utilizei para criar minha personificação – observou Pietra.

    Aiken arregalou os olhos, e a atenção foi para ele.

    – Lúcifer criou o que os humanos temem... o inferno.

    – Impossível! A dimensão criada não pode ser tão grande quanto ele quer! – disse Pietra.

    – Acorde, Pietra! Ele é o nosso mentor, o arcanjo mais poderoso, ainda mais sem o selo de restrição de poder. É mais do que plausível e possível. Se ele quer tomar o céu, precisa de um grande exército. Aqui não seria um bom lugar para esconder um exército de criaturas.

    Em choque, eles olharam para Edward.

    – O que faremos? – perguntaram.

    – Nada. Não por enquanto – respondeu. – Lúcifer não colocou o equilíbrio em risco, então ainda não é da nossa conta. Além do mais, como vocês pretendem chegar ao inferno?

    Eles ficaram silêncio.

    – Teremos que nos separar de novo? – perguntou Pietra entristecida.

    – Não há mais necessidade – disse Ed.

    Kleist começou a andar em direção a cidade de Eldos.

    – Para aonde vai? – perguntou Pietra.

    – Ver a Diane – respondeu ele.

    – Posso ir com você?

    – Tanto faz.

    Ela o alcançou correndo e abraçou-o passando seus braços pelo pescoço.

    – Preciso de cerveja para afogar minhas magoas – disse Dante.

    – Oh, irmão, então vamos. Eu preciso para esquecer a solidão – Aiken tomou a frente e Dante o seguiu.

    – Por isso você é meu melhor amigo – Dante passou o braço envolto do ombro dele, e Aiken fez o mesmo.

    – É nois, irmão.

    – Podemos ficar aqui? – perguntou Ed a Anne.

    – Com certeza – ela sorriu. – Quero que me contem cada detalhe de suas aventuras. E de vocês dois.

    – Tão obvio que estamos juntos? – perguntou Mika.

    – Claro – responderam Anne e Al.

    Depois de algumas horas, a noite caiu. Sozinho, Edward subiu em cima do telhado, sentou-se e começou a observar as estrelas.

    – Ei, Sombra – chamou Ed. – Você queria saber porque eu luto e se eu tenho algum sonho, certo?

    – Sim. Estou curioso – sussurrou em sua cabeça.

    – É mais clichê e sem graça do que parece, então não se decepcione. – Ele fez uma pausa admirando as estrelas. – Eu sonho e luto pela paz.

    – E se esta paz nunca for alcançada?

    – Então nunca deixarei de sonhar e lutar. Tenho todo o tempo do mundo, sou imortal, afinal.

    Sombra deu uma leve risada.

    – Você vai me ajudar?

    – Justamente por isso quis seu coração. A energia negra vai percorrer em seu corpo tão fácil quanto seu sangue – respondeu Sombra.

    Edward riu com aquilo.

    – Isso sim foi inesperado.

    Mikaela o chamou para dentro da casa. Ele olhou para a lua que iluminava o céu negro, essa visão lhe lembrou de algo. Mikaela o chamou novamente, e por fim, sorriu descendo do telhado.

    – É... ela é como a lua para mim. Ilumina a minha escuridão mostrando-me o caminho certo. Lembro-me de todos nossos momentos juntos, e irei guardá-los com carinho.

    Continua na terceira parte <3 :p

    Obs: esta história não é sobre o que eu acho sobre Deus ou o que você deveria achar. É apenas algo fictício com intuito de descontrair. Se estiver incomodado, penso encarecidamente que vá é merda... digo, que se retire, por favor.


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