Altas aventuras em Tóquio

  • Bergovi
  • Capitulos 16
  • Gêneros Aventura

Tempo estimado de leitura: 4 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 15

    A promessa

    Álcool, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Mais um capítulo fresquinho para vocês. Fiz o arco do MashaBi. O que será que aconteceu entre eles?

    Segue mais um capítulo para vocês.

    Boa leitura!

    Masha a segurava em seus braços e sentia o cheiro de álcool. Ela devia ter bebido todas, como imaginava. Vivian ainda estava acordada e andava a curtos passos e precisava de ajuda. Ele refletia ainda o fato dela o ter chamado de Masaharu, seu verdadeiro nome. Pensou que ela já sabia quem ele era de verdade o que o deixava totalmente vulnerável. Ela poderia estar apenas delirando.

    Ele chamou um taxi e seguiram para o ryokan. No caminho, o silêncio era predominante. Ele sentia as batidas do coração dela em seu peito. A única coisa que poderia fazer naquele momento era apenas estar ao seu lado. Não seria hoje que falaria o que tanto seu coração pedia. Contentava-se em deslizar seus dedos pelos fios dourados que repousava em seu peito.

    Ela o abraçava fortemente como se fosse se perder a qualquer momento. Ele pensava em sua viagem e que era a decisão mais difícil de toda a sua vida — voltar a falar com a sua mãe, que não falava a tempos. Estava preparado a encarar tudo o que viesse. Estava ainda irritado com o acontecido. Se arriscou demais em ter ido até ela. Mas precisava fazer isso.

    Vivian permanecia em silêncio. Estava, aos poucos, voltando a consciência. Sentia tanta vergonha por estar naquele estado ali ao lado dele que não ousou a julgá-la. Seu consolo era poder sentir o cheiro dele mais uma vez naquele dia. Aquele que ficou em seu corpo quando a abraçou fortemente. Ela ouvia as batidas do coração dele que estava na mesma cadência que o seu. Olhava para as mãos bem desenhadas que ele tinha e que a envolvia. Seus cabelos cacheados cobriam sutilmente seu rosto. Ela percebeu que seu olhar estava distante. Ele olhava pela janela aquela grande cidade iluminada que passava como um filme. Daria tudo para descobrir o que ele pensava mas a vergonha a fazia permanecer sem palavras. Foi liberta assim que o carro parou e reconheceu onde estava.

    Masha abriu a porta e a ajudou a sair. Apesar de estar consciente o corpo não obedecia ficar de pé. Ele a abraçou e seguiram lentamente para o seu quarto. Ela não aguentava mais o silêncio e venceu toda a vergonha que sentia.

    — Me desculpe, Masha-san. — Olhava para baixo e não o conseguia olhar nos olhos. — Estou decepcionada comigo mesma por isso.

    — Não deveria beber tanto assim, Bi. — Ele tentava a consolar. Odiava ver a tristeza em seu rosto. — Sem mim... — Conseguiu tirar um sorriso dela. — Quero te ver assim. Como se sente?

    — Sinto uma leve enxaqueca. — Franziu a testa para mostrar a dorzinha. Mas sentiu seu hálito nada agradável. — Preciso tomar um banho. — Ele permaneceu em silêncio e ela abriu a boca sem dizer nada. Foi direta demais e causou a impressão de que queria privacidade. Não sabia como consertar.

    — Tudo bem. — Disse se virando e indo para a porta. — Se precisar de mim te esperarei no hall. — Não conseguiria ir embora assim.

    — Ok. — Não conseguiu evitar um sorriso. Por um momento pensou que ele iria para sempre. — Obrigada. — Abaixou a cabeça em cumprimento. Seus olhos se encontraram enquanto a porta se fechava entre eles.

    Vivian foi para o banheiro e tomou aquele banho tirando todo aquele cheiro impregnado de bebida pelo seu corpo. Queria estar com ele naquelas últimas horas daquele dia que se chegava ao fim. Todo o tempo ao seu lado era precioso.

    Colocou uma roupa fresca e se esqueceu de passar um perfume. Escovou os dentes e fez vários gargarejo para tirar qualquer resquício de álcool da boca. Deu uma olhada no espelho e penteou os cabelos. Ela os deixou soltos e volumosos desenhando o contorno de seu rosto meio pálido. Testou e conseguiu andar em linha reta. Não hesitou e saiu do quarto.

    ***

    Assim que saiu do quarto, Masha seguiu pelos corredores escuros. Em seu mais íntimo, torcia para que não fosse apenas um “boa noite”. A queria ver e poder conversar. Ela poderia estar melhor. Era a sua esperança. Apenas algumas luzes iluminavam por fora da estrutura mostrando a beleza da estação.

    Se sentou em um banco próximo ao jardim do hotel e ficou a olhar para cima. Vendo tudo o que tinha a sua volta. Começou a treinar e falar o que sentia para o nada. Estava decidido a falar o que sentia para ela. Por onde começaria?

    — Bi, eu... — Ele literalmente travava. — Você é... — Tentava outra forma de abordagem. Impossível. Estava ficando frustrado consigo mesmo pois não conseguia falar o que queria. Mas precisava se controlar e deixar fluir. — Você precisa saber que eu...

    — Masha. — Congelou assim que a ouviu atrás de você.

    — Bi! — Tentou disfarçar. Mas involuntariamente sorriu.

    — Você estava falando sozinho? — Ele engoliu seco mas ela retomou o assunto. — Eu falo sozinha também. Mas não quer alguém para te ouvir? — Ela se sentou ao seu lado e olhou em seus olhos.

    — Eu preciso te dizer algo. — Ela o mirava sem piscar dando a entender que estava a ouvir. — Eu vou viajar amanhã. — Precisou começar a entrar no assunto dessa maneira.

    — Sério? — Seu olhar transformou com o peso da palavra dele. Parecia uma despedida. — Pelo jeito não o verei mais. — Tentava se convencer e não chorar ali na frente dele.

    — Eu voltarei o mais rápido possível. Mas eu preciso fazer isso e não posso adiar. — Ela levantou seu olhar cruzando seus olhos. — Estarei aqui em dois dias.

    — Estarei te esperando aqui. — Sorriu enquanto batia levemente naquele banco. Mudou de assunto na hora. — Eu estou te sentindo triste. O que aconteceu? — Não esperava por essa pergunta.

    — Faz três anos que não falo com meus pais. Principalmente minha mãe. — Entrou no assunto de maneira mais generalizada. — Tomei uma decisão e é de extrema importância a ciência deles.

    — Tem a ver com o fato daquelas ligações? — Ousou a compreender melhor a situação.

    — Sim. — Como falaria para ela a respeito das fotos? Dele ser cantor? Que vai encerrar seu contrato de casamento por ela? Retomou o assunto fugindo disso. — Mas não se preocupe.

    — Tudo bem. — Desviou o olhar olhando para céu iluminado. Masha não falaria mais e ela não tocaria no assunto.

    — Bi eu... — A ansiedade voltava a provocar a sua mente vazia. — Eu quero que você saiba que eu... — Ela voltou a o olhar com expectativa. — Você é tão especial. — Admirava o longos cílios curvados que ela tinha.

    — Eu me sinto tão bem ao seu lado. E eu não sei o porquê. — Seus rostos se aproximavam enquanto seus olhos permaneciam concentrados um ao outro. — Eu queria ter o poder de curar toda a sua dor nesse momento. E que nunca mais nos separássemos. — Seus olhos se lacrimejavam pois seu coração estava cheio a ponto de explodir. A vontade de beijá-lo a consumia mas não poderia avançar. Ele era o cantor na maiores das dúvidas de sua mente.

    — Por quê está chorando? — Ele secou uma gota que escorreu pela sua pele. — Eu te prometo que nunca mais vamos nos separar.

    — Meu maior medo é nunca mais te ver. Me promete voltar rápido? — Ela estava vivendo um conflito em sua mente e em seu coração. Seu coração o queria para si mas sua mente o implorava para não ceder.

    — Eu te prometo, my beautiful life. — Vivian sorriu automaticamente. Adorava como ele a chamava assim. Ninguém nunca foi tão delicado em a chamar com esse apelido carinhoso e tão criativo.

    — Vejo tantas dúvidas em seus olhos. Eu realmente queria poder te ajudar. — Tentou mais uma vez fazê-lo falar.

    — Você me ajudou mais do que pode imaginar. — Ele estava feliz por a ter conhecido e por ter essa amizade. Um laço muito mais forte estava entre eles. — Eu tomei essa decisão por você.

    — Por mim? — Arregalou os olhos. — Mas como?

    — Eu te prometo que falarei quando voltar. — Ele tirou sua pulseira e colocou no pulso dela. — Quero que fique com ela. Para sempre se lembrar de mim.

    — É linda! Você tem bom gosto. — Vivian admirava o objeto que estava em seu pulso. Tinha a torre de Tóquio desenhada e uma estrela cadente.

    — É um presente e também é para você se lembrar da promessa. — Sorriu. — Me espera. Eu voltarei e nunca mais vamos nos separar.

    — Eu queria ficar para sempre aqui... olhando para as estrelas e ao lado da pessoa que me faz feliz. — Sua mente estava falhando e seu coração estava ganhando na disputa.

    — Você me faz feliz e eu quero fazer você feliz. — Pegou na mão dela e deu um beijo. Vivian fechou os olhos sentindo um arrepio percorrer todo seu corpo com a carícia dele.

    — Faz apenas dois dias que nos conhecemos e você me faz sentir assim... — Ela estava sendo rendida pelo chamego dele.

    Ele apenas sorriu e mais uma vez foi inundado por uma recordação...

    ‘— Masha-san, você está tão calado. Não falou a viagem inteira de Frankfurt até Narita. — Hiroito prestava atenção no amigo que apenas olhava para a janela mas parecendo olhar para o além. — Aconteceu alguma coisa?

    — Eu estou bem. Eu apenas quero chegar em casa e descansar. — A cabeça de Masha estava em turbulência. Ele fechava seus olhos e via a imagem daquela jovem lhe sorrindo. Ela tinha um imã que o atraía.

    — Você precisa mesmo descansar. Você estava tão distraído que acabei pegando a sua mala com as câmeras. — Hiroito o entregou a bolsa e se despediu. — Preciso ir. Até mais.

    O rapaz seguiu novo rumo e Masha pegou um taxi. Seguiu para seu apartamento e a primeira coisa que fez foi abrir a sua câmera. Ele procurava pela foto da moça e finalmente encontrou nos registros mais recentes. A cada foto que via ele abria cada vez mais um sorriso que não conseguia controlar.

    Foi tomar um banho e relaxar o cansaço acumulado em seu corpo. Vestiu uma calça e uma camisa e deitou no meio daquela enorme cama. Ele, pela primeira vez, se sentiu sozinho naquela casa imensa. Fechou os olhos e aquela moça veio de encontro com a sua mente novamente.

    “— Qual é o seu nome? — Ela não respondia a sua pergunta e lhe dava um sorriso cheio de ternura. Se aproximou e sussurrou bem baixinho em seu ouvido.

    — Você só saberá se me encontrar. — Se afastou e sentiu a respiração dela em seu rosto.

    — De que cidade você é? Onde você mora? — Ele insistia em saber mais daquela moça misteriosa.

    — Eu virei até você quando o inverno acabar. No décimo nono dia da terceira primavera. — Ela circulava ao redor dele em seu vestido de seda branca.

    — Mas onde? — Ele sentia que aquele sonho lúcido o estava fazendo voltar a consciência. Ela estava sumindo de seu campo de visão como uma névoa que simplesmente desaparece.

    — Aqui. — Ela apontou algo para lhe mostrar mas ele não conseguia entender e ao voltar seu olhar ela não estava mais lá.”

    Acordou assustado pois nunca tinha tido um sonho tão real antes. Se levantou e foi ao banheiro. Olhou pelo espelho e lavou o rosto pois ainda tinha dúvidas. A partir daquele dia ele botou na cabeça que a encontraria.’

    Ele saiu de seus devaneios e olhou para ela e lhe disse.

    — Para mim esses dois dias foram o suficiente para comprovar que o tempo é o melhor amigo do homem quando se tem um sonho.

    — Qual é o seu sonho, Masha-san? — Vivian falava baixinho e se aproximava dele.

    — Eu vou te contar tudo. Eu prometo. — Pegou as duas mãos dela e beijou. Ele sentia seu corpo esquentar e sentiu vontade de se aproximar mas... — Eu preciso ir.

    — Mas já? — Vivian ficou alarmada e uma pontada sentiu no seu coração a fazendo voltar a realidade de sua mente. — Te desejo boa viagem e... que você consiga resolver tudo o que precisa ser resolvido. — Soltou as suas mãos das dele e se levantou.

    — Estarei de volta em dois dias. Não se esqueça disso. — Ele ficou de pé logo em seguida e hesitou em abraçá-la e não se controlar mais. — Ainda vou ser teu guia turístico e te levar para mais lugares legais. — Imaginou que ela já estava sentindo a sua despedida. — Boa noite, Bi.

    Masha deu as costas e seguiu para seu rumo. Mas antes mesmo que chamasse um taxi, a viu correndo em sua direção. Ele voltou-se para ela e sentiu ela o abraçar fortemente. Vivian não teve como se segurar pulou em cima dele sentindo aquele cheiro natural viciante.

    — Eu vou te esperar, eu prometo. — Ela falou ao pé de seu ouvido e deu um beijo em seus lábios para selar aquela promessa.

    Não demorou muito tempo e o taxi havia chegado. Masha fez uma reverência com a cabeça e entrou no carro.

    — Shibuya. — Fez a solicitação e sorriu para a sua amada que o acompanhou até o carro virar a esquina.

    Masha encostou a cabeça no encosto do banco e viu uma floricultura no caminho. Pediu para o motorista parar. Ele acabou comprando lírios brancos para sua mãe. Queria retomar a amizade e matar toda a saudade que ele sentia dela.

    Continua...


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