No princípio criou Deus os céus e a terra.
É claro que ele não fez tudo sozinho, os outros deuses lhe ajudaram.
Existem muitas religiões ao redor do mundo, cada uma tenta mostrar porque a sua é a certa.
O que ninguém ou quase ninguém sabe, é que todos os deuses existem e já foram grandes companheiros.
A religião original praticamente se perdeu no tempo, as pessoas que ainda acreditam nela não são levadas a sério.
Houve uma época em que os deuses se desentenderam e se dividiram, gerando várias religiões.
Foram tempos perturbadores para aqueles que habitavam a Terra, no cristianismo por exemplo a desunião entre os deuses foi chamado de "divisão das línguas."
Após isso, o mundo sempre esteve em um perigo constante de uma guerra santa.
Na Terra ela aconteceu algumas vezes, como as cruzadas por exemplo.
Mas a guerra que se aproximava não era entre os seguidores das religiões e sim entre os próprios deuses.
O mundo não estava preparado para uma guerra desse nível, os deuses não se davam bem a muito tempo.
- Já faz muito tempo que não nos falamos mais, por que agora? -
- O Apocalipse está próximo.
- Não era essa a sua última profecia?
- Não desse jeito.
- Quando te ajudamos a criar o universo sabíamos que isso poderia acontecer.
- O equilíbrio do universo se perdeu após nossa desunião.
- E o que você sugere?
- Trazer o equilíbrio de volta a Terra.
- É impossível fornecer a paz mundial.
- Eu não disse paz mundial, Heka. Eu disse o equilíbrio entre o bem e o mal. Nesse momento o mal é maior do que o bem na Terra.
- O que está querendo dizer? Que devemos descer a Terra e gerar semideuses? - perguntou Heka.
- Não, nós devemos fazer os deuses se entenderem novamente.
- Você sabe que isso não é possível, Jeová.
- Por isso eu sugiro que devemos criar um novo Deus.
- Não podemos dar esse tipo de poder à ninguém.
- Nós podemos.
- Nós podemos, mas não deveríamos.
- Qual seria sua objeção?
- Você me chamou aqui no seu Paraíso para isso? Eu não sou o deus da sabedoria.
- Eu sei, você é o deus da magia.
- Então porque me chamou?
- Você foi o único que eu consegui entrar em contato.
Heka suspirou.
- Se você quiser criar um novo deus, vá em frente. Mas nem todos irão aceitar isso.
- Você me ajudou a criar o universo, pode ajudar a resolver os problemas dele.
- Eu estou dizendo para seguir em frente com seu plano. - Heka disse e foi embora.
" O Demônio manda a besta com fúria
Porque ele sabe que o tempo é curto
Deixe aquele que ousa tentar entender
O número da besta... é um número humano,
seu número é seiscentos e sessenta e seis. "
John Helx estava em sua enorme mansão, na cama com sua amante.
O presidente das empresas Helx tinha uma vida agitada, regada a mulheres e drogas.
- Sr.Helx, sua esposa logo vai chegar. - disse May.
- É melhor que você vá embora logo. - disse John.
- Eu não entendo porque você faz isso. - disse May vestindo suas roupas.
- Que graça teria a vida? Deixe que eu te levo para casa. - ofereceu John.
John pegou seu carro e dirigiu até a casa de May.
Já devia ser umas duas da manhã, as ruas da cidade estavam vazias.
John se divertia fazendo manobras com seu carro na estrada.
Um carro da polícia que estava patrulhando as ruas passou por ele mas o ignorou.
Ninguém gostava de incomodar o multimilionário de trinta e cinco anos John Helx.
Todos o bajulavam, mesmo aqueles que sabiam de seus podres.
John sem notar acabou indo para a contra mão da estrada, estava em alta velocidade.
Um outro carro apareceu em alta velocidade em sua direção.
Nenhum dos dois conseguiu desviar a tempo, os dois perderam o controle.
Foi um impacto forte, os dois tentando controlar seus carros mas já era tarde.
O carro de John capotou, girou umas cinco vezes com força e parou de cabeça pra baixo.
Em dez minutos, a ambulância apareceu.
É claro que a prioridade no socorro foi inteiro para Helx,afinal ele era rico e foi atendido no melhor hospital particular da cidade.
Os enfermeiros corriam com a maca de John Helx para o quarto no hospital.
Fizeram de tudo para Helx ser salvo.
Já era tarde demais, John Helx estava morto.
Algumas horas antes, do outro lado da cidade, Tom Frealey estava tendo mais um dia normal de sua vida normal.
Era apenas um pobre homem, baseava sua vida em sua fé no Deus cristão.
Morava em uma pequena e simples casa, sozinho.
Tom costumava dormir cedo, era o zelador de um dos prédios das empresas Helx.
Acordava cedo todos os dias para ir trabalhar e receber um mísero salário.
Sua fé era reconfortante para ele.
Tom prestes a completar quarenta anos no dia seguinte estava deitado em sua cama cedo como sempre.
Sua única companhia era seu cachorro, um vira lata que havia resgatado das ruas.
Na porta de sua casa, um ladrão estava prestes a invadi-la.
O ladrão não sabia que Tom não tinha nada a oferecer.
O ladrão pegou um machado e quebrou o vidro da janela da humilde casa de Tom
Tom acordou assustado ao ouvir um barulho de vidro quebrando
Seu cachorro desceu as escadas latindo, como qualquer cão.
Tom ouviu batidas na janela de seu quarto.
Levantou-se e pegou um taco de basebol, com o qual costumava jogar com seu finado filho.
Tom nunca se recuperou do divórcio e da perda de seu filho, sua ex-esposa agora já era casada novamente e com três filhos.
Tom percebeu que seu cachorro havia parado de latir.
Algo foi arremessado pela janela do quarto de Tom acertando em seu rosto fazendo-o cair para trás.
Era seu cachorro, morto e já duro como pedra.
Um homem apareceu na janela com um machado em mãos, Tom logo percebeu que não era um ladrão que havia invadido sua casa mas um velho amigo.
- Zeke, por favor, eu não tenho o que você quer. - Tom suplicou.
- Eu sei disso, por isso é melhor você vim comigo antes que eu foda com sua vida. - disse Zeke.
Tom conheceu Zeke há exatos vinte anos, desde lá eles formaram uma grande amizade.
Tom ainda não era um homem bom cristão naquela época, era um bandido assim como Zeke.
Os dois gostavam de causar o caos na cidade, roubando e saqueando e espancando pessoas sem motivo algum.
Nesse meio tempo ele conheceu Janice, que viria a ser sua esposa anos mais tarde.
É claro que Tom e Zeke chamaram a atenção da população da cidade que vivia com medo da gangue de jovens que com o tempo ganhou mais membros.
Em um dia, a polícia fez uma operação em massa para acabar com a gangue.
A polícia conseguiu prender a todos acabando com a gangue, mas Tom Frealey conseguiu escapar.
Tom decidiu mudar sua vida, se casou com Janice e eles tiveram um filho que foi morto brutalmente em um assalto.
A desunião do casal aumentou após isso, até chegar ao ponto em que decidiram se divorciar.
Tom buscou a igreja, se converteu ao cristianismo.
É o que os deuses sempre reclamam, só procuram por eles quando suas vidas estão uma merda.
Desde então, Tom sempre foi um bom homem, ninguém sabia de suas atrocidades enquanto jovem.
Isso até Zeke sair da prisão, dezoito anos depois.
Zeke sempre cobrou de Tom os anos que ele passara na cadeia.
- Venha até aqui fora, agora! - ordenou Zeke.
Tom sabia o que Zeke iria fazer, matá-lo.
Tom avançou em Zeke com o taco de basebol e tentou atingi-lo.
Zeke entrou na casa e tentou acertar um golpe com seu machado mas Tom abaixou a tempo.
Um dos dois poderiam sacar uma arma e acabar com isso logo, mas não tinham armas.
Uma das regras da antiga gangue era nunca usar armas de fogo, apenas armas brancas.
Tom conseguiu acertar o taco no rosto de Zeke.
Zeke agora com sua boca e nariz sangrando ficou nervoso e tentou acertar várias machadadas em Tom, destruindo toda o quarto ao redor.
Zeke após várias tentativas finalmente acertou o ombro de Jack com o machado espalhando sangue por todo seu braço.
O golpe fez com que Tom deixasse o taco de basebol cair no chão.
Zeke aproveitou a oportunidade e segurou Tom o jogando pela janela.
Tom quebrou a perna direita com a queda e agora estava todo ensanguentado.
Zeke foi até ele e o jogou em cima de um carro estacionado na calçada.
Zeke jogou Tom dentro do carro pela janela.
Zeke entrou no carro e começou a dirigir em alta velocidade.
Estava levando Tom para os seus antigos companheiros de gangue, todos queriam torturá-lo.
Tom estava desmaiado e ferido no banco traseiro do quarto.
Eles não sabiam, mas Anúbis, o deus egípcio da morte os estava acompanhando.
- Chegou a hora de um de vocês, não é mesmo? - disse Anúbis mesmo que ninguém pudesse escutá-lo.
Zeke continuou correndo com o carro.
- Isso não está certo. Eu não deveria estar aqui. - disse Anúbis.
Zeke olhava para trás de vez em quando para ver se Tom ainda estava respirando.
- É aqui que eu saio. - disse Anúbis se retirando, mesmo sem saberem de sua presença.
Zeke olhou novamente para Tom para ver se ainda estava respirando e quando seus olhos se voltaram para a estrada havia outro carro vindo na contra mão em alta velocidade.
- Mas que porra esse cara está fazendo? - gritou Zeke.
Zeke percebeu que não daria tempo de desviar.
- Foda-se você, Tom! - disse Zeke.
Zeke abriu a porta do carro e se jogou na estrada para se salvar.
Conseguiu rolar para o acostamento a tempo e apenas viu os dois carros se chocando e capotando.
Zeke mesmo machucado, fugiu do local.
Para sua sorte, não era uma área monitorada por câmeras.
Dentro do carro, Tom Frealey havia sido esmagado.
Após longos quarenta minutos, a ambulância finalmente socorreu Tom.
Tarde demais. Tom já tinha morrido.
Havia uma mínima chance de Tom ser salvo se fosse atendido nos primeiros minutos.
Mas a culpa não foi dele por ter batido logo no carro de John Helx, que também havia morrido a caminho do hospital.
No dia seguinte, os jornais de todas emissoras estavam falando no terrível acidente que resultou na morte do famoso empresário John Helx.
Todos lamentavam a morte de John Helx e xingavam e chamavam Tom Frealey de monstro.
Nos jornais haviam contado que Tom Frealey dirigia bêbado em alta velocidade na contra mão e que John Helx não conseguiu desviar a tempo.
Era tudo uma mentira, claro.
Escondiam a informação que John havia morrido por pura imprudência e que Tom não tinha culpa no acidente.
Nos noticiários e nas ruas, endeusavam John Helx como se fosse uma pessoa boa que se foi.
Aqueles próximos a ele sabiam que ele não merecia tal tratamento.
A verdade é que John Helx era um monstro pior do que Tom jamais foi.
John havia estuprado sua própria irmã há dez anos atrás, apenas para incriminar seu pai para que o deixasse em paz.
Seu pai foi preso, sua irmã indenizada pelo ocorrido.
Ninguém nunca soube a verdade, sua irmã nunca falou sobre isso com ninguém já que John a ameaçava.
Com o tempo, ela superou isso.
A parte dessa história que John nunca soube, foi que Ellen, sua irmã ficou grávida com aquilo.
John tinha um filho com sua própria irmã, mesmo que não soubesse disso.
O pobre garoto era autista, mas John nunca desconfiou que ele fosse o pai já que Ellen já era casada.
Seu pai saiu da cadeia cinco anos depois, também não denunciou o filho.
Não faziam isso porque Helx os ajudava financeiramente, viviam as custas dele.
O funeral de John estava lotado, várias pessoas da classe alta, seus familiares e jornalistas forçando lágrimas fingindo se importar com ele.
- Eu não acredito que estamos aqui. - disse Ellen.
- Aquilo que aconteceu há dez anos foi um momento de fraqueza de John. - disse seu pai, Wilson.
- Não digo nem por isso, nós só aceitamos não entregá-lo para herdamos sua herança. - disse Ellen.
- Foi por isso que ele fez o que fez.
- Nós te ódiavamos, aquilo foi um plano nosso para incriminá-lo.
- Você quer dizer que aquilo não foi a força?
- Nosso objetivo era colocá-lo na cadeia.
- Mas que merda, ele fez um filho em você.
- Eu não tive coragem de abortá-lo, eu disse para John que o filho era do meu marido.
Wilson estava chocado, o que havia acontecido há dez anos atrás era um plano de seus dois filhos não só de um como imaginava.
No funeral de Tom, a situação era diferente.
Apenas sua ex-esposa e seu atual marido junto de seus filhos foram prestar suas últimas homenagens a Tom.
Uma semana após o acidente ninguém se lembrava mais do acidente, seguiam suas vidas normalmente como se nada tivesse acontecido.
Wilson e Ellen agora haviam herdado as empresas Helx.
A esposa de John, herdou a casa.
Por outro lado, Tom havia morrido e tudo havia acabado ali pra ele. Sua vida era só mais uma das centenas que morreram pelo mundo naquele dia.
John Helx acordou, estava em um lugar estranho.
Havia pessoas andando por todos os lados, pareciam felizes.
Era um enorme jardim cercado por um enorme gramado.
A principio John não entendeu, mas viu um ser angelical voando, logo lhe caiu a ficha.
- Bem vindo ao paraíso, John Helx. - disse Heka aparecendo na sua frente.
- Você é Deus? - John perguntou.
- Sim, mas não o qual você procura. - Heka respondeu.
- Eu não entendi.
- Eu sou Heka, o deus da magia. Um dos criadores do universo.
- Está me dizendo que você é o deus certo?
- Sim e não, deixe-me explicar.
John estava confuso com tudo aquilo e de repente já sabia a resposta.
Todos os deuses que a humanidade conhece existem. Eles se organizam para manter a paz no mundo.
Era assim pelo menos antes dos deuses discordarem um dos outros.
Ainda no início dos tempos, eles se separaram e cada um "fundou" a própria religião.
Com o tempo, novos deuses surgiram o que acabou servindo de alerta para os outros.
O atrito entre os deuses apenas aumentaram com o tempo.
Vários conflitos na Terra aconteceram devido a isso.
A guerra santa se aproximava, um novo deus iria ser escolhido e enviado a Terra para equilibrar as coisas enquanto os deuses dialogavam.
A maldade era grande no mundo e precisavam de alguém para controlá-la.
- Você está dizendo que eu devo me tornar um deus? - perguntou John.
- Você sabe que não merece o paraíso, faça por merecer.
- O que você está dizendo?
- É melhor falar com alguém que você conheça. - disse Heka.
John olhou para trás e viu o deus cristão, Jave.
- Desça a Terra novamente, e mantenha a paz em nosso mundo. - disse Jave.
- Vocês querem dizer que eu sou um deus agora?
Para John era mais fácil compreender em um deus que conhecia do que um que nunca ouviu falar.
Quando Jave (ou Jeová para alguns) disse aquilo John logo entendeu.
Precisava controlar a maldade que havia no mundo com os poderes de um deus que lhe fora dado.
John antes de retornar à Terra para cumprir com sua missão, à qual ele havia aceitado já que estava morto e era isso ou a punição pelos seus pecados no inferno, recebeu dois avisos.
O primeiro é que não deveria abusar de seus poderes, só os usaria quando fosse necessário.
O segundo é que não poderia dizer as pessoas que era um deus, isso atrairia demônios até ele.
John Helx não recebeu todos os poderes de um deus, seus poderes eram limitados, não queriam que John se rebelasse contra os deuses.
John enfim desceu a Terra para cumprir com sua missão, ele poderia entrar em contato com outros deuses quando quisesse desde que não os incomodasse.
Por outro lado, Tom Frealey estava no purgatório face a face com Anúbis, sendo julgado se merecia ir para o paraíso ou para o inferno.
Anúbis pegou o coração de Tom e entregou para Maat, a deusa egípcia da verdade.
Na mitologia egípcia ( que na verdade era real como todas as outras, apenas com algumas alterações em suas histórias devido ao atrito existente entre os deuses) no julgamento de um morto o coração dele era pesado numa balança junto com uma pena, a Pena da Verdade. Caso o coração fosse mais pesado que a pena o defunto era comido por Ammit (um demônio cujo corpo era composto por partes híbridas de leão, hipopótamo e crocodilo), mas caso fosse mais leve a pessoa em questão poderia ter acesso ao paraíso ou a alma voltaria ao corpo. Anúbis era quem guiava a alma dos mortos.
Apesar de Tom ser cristão, pelo menos pelo que dizia, foi esse o julgamento que foi concedido a ele.
As pessoas normalmente eram julgadas de acordo com sua religião, uma pessoa cristã por exemplo, era julgada pelo próprio Jave, mas não foi o que aconteceu com Tom.
Tom inicialmente ficou assustado por ter deuses egípcios lhe julgando, mas logo lhe foi explicado que todos os deuses existem.
Foi difícil aceitar no início mas logo se acostumou com a idéia.
Maat colocou o coração de Tom na balança junto com a pena.
O coração de Tom foi direto para o chão, era mais pesado que a pena.
- Tom Frealey, você não pode ir ao paraíso. - disse Maat.
Mas ao invés de ser comido por Ammit como o julgamento previa, Tom foi mandado para o inferno.
Os deuses presentes ali não tiveram nenhuma culpa nisso, Tom foi mandado ao inferno por outra pessoa.
Tom estava rodeado de chamas e sofrimentos de outras pessoas, mas ele não estava sentindo o sofrimento como era pra ser. Sentia-se estranho apenas.
Mas Tom estava de frente para alguém, era um homem. Tom o estranhou.
Havia uma pequena escadaria que levava a um trono onde o homem estava sentado.
- Estava esperando por chifres e cauda? - O homem perguntou descendo a escadaria.
- Quem é você? - perguntou Tom.
- Você me conhece muito bem. Eu sou Belzebu.
Tom sabia que estava no inferno, mas estava assustado com aquilo.
Ele sabia que os crimes cometidos durante sua juventude poderiam pesar em seu julgamento final, mas pensou que poderia ser perdoado caso se convertesse ao cristianismo. Tom percebeu que não foi o suficiente para salvar sua alma.
Uma das versões contadas sobre a origem de Belzebu era que Zebub era um infernunita arqui-inimigo de Baal. Este, junto com grandes magos da antiguidade, derrotou Zebub numa batalha épica que, por ter expandido suas forças no cosmo, abriu um abismo que sugou os dois deuses e os uniu em um só, o então "belth-zebul". Seu espírito foi arremessado ao inferno e lá perdurou na "fossa", até ser resgatado por Satã.
Essa era sua história real, mesmo que outras religiões pregassem diferentes origens. De qualquer modo, ele era real.
- Parece que você foi condenado ao sofrimento eterno, não é mesmo?
Tom estava assustado e com calor devido ao fogo, estava morto e sentia vivo.
Tom quis chorar ao imaginar que ficaria preso ali para sempre, e as punições nem haviam começado ainda.
- As pessoas acham que eu sou mal só porque eu sou um dos sete príncipes do inferno. - disse Belzebu.
- O que você queria que achassem de você com todas essas pessoas sofrendo ao seu redor? - Tom tomou coragem para falar.
- Eu vou provar que você está errado, lhe darei uma oportunidade.
- Que tipo de oportunidade um demônio pode dar?
- Eu posso lhe dar a salvação. Não a que você queria, mas outro tipo de salvação.
- Eu não acredito em você.
- Eu acredito em você.
- Você é o pai da mentira. Por que eu acreditaria em você?
- Está vendo aquilo? - disse Belzebu apontando para trás.
Haviam pessoas sendo torturadas, sofrendo e gritando de dor.
- Eu posso te libertar daquilo.
- Por que você faz isso?
- Está com pena deles? São assassinos, estupradores, pedófilos. São os piores seres humanos que existem. Pessoas como você não merecem esse tipo de tratamento.
- O que você quer que eu faça então?
- Volte a Terra.
- Como eu vou fazer isso? Eu estou morto. - indagou Tom.
Belzebu riu.
- Nós podemos fazer um pacto, eu lhe devolvo sua vida e você me da sua alma.
- O que você vai fazer com minha alma? Eu estou morto!
- A sua alma é pra você não ter pena dos humanos, você irá voltar a vida para causar a desordem e a discórdia.
- Por que eu faria isso?
- Por que os deuses já perceberam, estamos ganhando. Eles enviaram alguém para vigiar a Terra também.
- Você quer que eu impeça essa pessoa?
- Apenas mantenha o mundo como ele está.
- Por que você mesmo não faz isso?
- Por que eu como todos os outros estou preso aqui no inferno. Se você quiser evitar o sofrimento eterno, eu sugiro que aceite.
- Como vocês estão ganhando, se não podem sair daqui? - perguntou Tom.
Belzebu apontou para a frente.
Havia uma porta transparente se mexendo e em chamas na parte superior da parede.
- Aquilo ali é o portão do inferno, nós só podemos sair daqui quando aquilo abrir.
- Mas como vocês estão ganhando?
- Não percebeu? As chamas do portão estão fracas, ele está se quebrando. O conflito entre os deuses está enfraquecendo o portão e aumentando a maldade no mundo.
- Você quer que eu garanta que o portão se abra?
- Parece que você entendeu.
- Mas se você não pode sair porque eu poderia?
- Porque você é um humano.
- Você espera que eu aceite?
- Sim, não foi fácil desviar você de seu julgamento verdadeiro. Você recebeu um julgamento egípcio porque eu o desviei para que você tivesse acesso ao inferno diretamente, já tentei isso com várias pessoas e você foi o primeiro que deu certo.
Após alguns minutos conversando, o que no tempo do inferno era uma eternidade, finalmente chegaram a um acordo e Tom Frealey aceitou a proposta.
Foi concedido a Tom a imortalidade além de poderes de um demônio, claro que ele não recebeu nada exagerado como o poder para sair por aí destruindo tudo.
O poder que recebeu foi o poder da fraqueza humana, ele poderia manipular as pessoas como bem entendesse.
Ele também recebeu a ordem de não revelar a ninguém que era um demônio, afinal os deuses o destruiriam facilmente.
John Helx havia sido escolhido para ser um deus na Terra por ser alguém famoso e poderia acabar resultando grandes influências nas pessoas.
Tom Frealey foi escolhido por ter sido a primeira pessoa que os demônios conseguiram desviar de seu julgamento real.
Tom caso fosse julgado de acordo com sua religião não teria acesso ao inferno.
As pessoas julgadas por sua religião correta e fossem condenadas ao inferno não poderiam entrar em acordo com os demônios, já que estariam seladas ao sofrimento eterno justamente.
O grande problema era que John e Tom estavam mortos, como seria explicado que eles voltaram a vida?
Com os poderes cedidos a eles, poderiam resolver essa questão, mas seria bem mais complicado.
Já haviam se passado um ano desde a morte dos dois.
Os deuses Jeová e Heka pensaram nessa questão, tiveram que fazer uma coisa que não gostavam de fazer.
Alterou a memória de todos fazendo com que achassem que John Helx não havia sido morto no acidente. Todos achavam agora que John tinha entrado em coma.
Ninguém conhecia Tom Frealey antes do acidente, não foi tão difícil fazer com que as pessoas o esquecessem novamente.
O único problema era seus familiares, os demônios não tinham poder para eliminar as lembranças deles.
Caberia ao próprio Tom explicar o que aconteceu sem revelar a verdade caso encontrasse um deles. Tom decidiu não chamar atenção.
John Helx e Tom Frealey estavam de volta a vida.
As pessoas não sabiam que eles foram mortos um dia, não precisavam saber.
Agora eles eram deus e o diabo.
E os dois estavam prestes a travar uma guerra involuntariamente.