Back to The Past

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    Capítulos:

    Capítulo 2

    The Last Goodbye

    Bissexualidade, Hentai, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoiler, Violência

    Prólogo parte 2

    Há alguns anos atrás eu fui acolhida em um clã da mais poderosa raça do nosso reino. Um clã que era muito próximo a minha família.

    Quando era uma pequena  não sabia como o mundo funcionava, tinha minha mãe ao meu lado e meu pai também, apesar da sua ausência, eu sabia que ele me amava. Éramos a família perfeita.

    Em uma simples viagem de negócios dos meus pais pude finalmente conhecer pessoalmente o clã. Era um lugar, que assim como eu e minha mãe, herdava raízes japonesas. Em seus costumes e em suas tarefas diárias. A esposa do líder do clã era uma grande amiga da minha mãe naquela época, as duas se dava muito bem mesmo. Ela tinha dois filhos: Uma menina como mais velha, e um menino como mais novo. Logo me tornei amiga dos dois.

    Os tempos passaram, e eu estava ainda mais próxima do clã. Tudo não passava de momentos divertidos.

    Mas não era minha culpa não saber que minha mãe estava doente. Eu tinha sete anos naquela época, não poderia saber. Se alguém tivesse me dito antes, eu poderia ter me preparado, passado mais tempo com ela. Os médicos tentaram de tudo, mas era uma doença desconhecida por todos. Infelizmente ela veio a falecer.

    Mas antes, ela pediu para que Uranus, filho de sua melhor amiga, e sua irmã cuidassem de mim, foi uma promessa. “Deixe-a forte, por favor. Para que possa cuidar de si própria, para que tenha coragem para enfrentar esse mundo de caos, por favor”.  Foram suas ultimas palavras.

    Meu pai depois da morte da minha mãe não quis mais me ver, então me largou no mundo, fui acolhida pelo clã e todos me tratam bem. Atualmente eu e o Uranus treinamos muito, para que eu torne alguém forte. Sempre acordávamos mais cedo que todos para treinarmos.

                                    (***)

    Eu não fazia ideia de que horas eram, só que estávamos ali a muito tempo, estava começando a ficar cansada, e por mais que tentasse a flecha nunca acertava o alvo.

    Outra vez... E outra... E pela milésima vez eu tentava acertar a flecha no alvo.

    _Respire. Levante um pouco mais o seu cotovelo, mantenha ele reto, agora...  Atire!

    _Hai! _Fiz exatamente como ele mandou, preparada, atirei. Passou longe.

    A flecha passou pelo lado do alvo quase atingindo um morador que passava.

    _Me desculpee!! _Acenei.

    _Aria-san, tenha cuidado com essas flechas! Ainda mata alguém assim!

    _Haha... Desculpa Uranus..._Entreguei-lhe o arco e a aljava com as flechas.

    _Fique com eles. Eu prometi que iria treina-la, não posso voltar atrás com minha promessa, sua mãe acreditava em mim. _Ele sorriu.

    _Obrigada Uranus...

    Voltamos para a casa central do clã, ainda vazia e silenciosa. A maioria do pessoal ainda dormia, apenas alguns moradores estavam acordados fazendo suas tarefas matinais. Ou seja, essa era a melhor hora para treinar.

    Mas estávamos ali há horas, merecíamos um pequeno descanso.

    Sentamos em uma das varandas da casa, larguei a aljava e o arco no chão fazendo barulho.

    _E-ei! Cuidado com isso! Já pensou se eles acordam?! Sabe que eles não gostam de serem acordados dessa maneira... _Uranus advertiu.

    _Você é a prova viva disso Uranus... Ahaha.

    _Se alguém acordar de mau humor você será a responsável. _Ele virou a cara serio.

    _Calma, senho! Não irei mais fazer barulho, prometo! _Brinquei.

    Eu odiava quando Uranus tinha razão. Pois realmente acabei acordando alguém.  A sombra maligna dela se aproximava silenciosa, pude a ouvir de longe. Com sua respiração descompassada e seus passos firmes.

    _A-a-a-a-a calma... Não fui eu! Foi ele! _apontei para o Uranus.

    _Uranus...? Aria...? _Respirou fundo_ Bom dia... _Ela se sentou ao meu lado.

    _Ah? Eu to viva?! Uhuu! _Ela se aproximou do meu rosto.

    _Se você continuar falando eu te mato... _Seu tom de voz era ameaçador.

    _H-hai, eu entedi...

    Os dias se baseavam nisso. Treinos árduos, muitas ameaças, e diversão. Éramos felizes, e pensar que tudo isso se baseia na promessa que eles fizeram a minha mãe.  Enquanto Uranus me ensinava a usar o arco, a sua irmã me ensinava a manusear a espada, eu já estava ficando boa nisso tudo, podia ate mesmo me defender sozinha. Às vezes eu pensava nisso.

    Não costumávamos brigar, discutir ou qualquer coisa do tipo, eu apenas seguia as instruções que eles me davam.

    Infelizmente a paz não existia de verdade.

    Em tempos remotos ameaçados pela guerra, a paz não passa de um sonho. É verdade que o clã esta ate mais calmo, mas quase todos os homens do mesmo foram obrigados a ir para o campo de batalha lutar e se sacrificar por todos.

    Muitas mortes ocorreram... Feridos, e famílias desfeitas por conflitos idiotas.

    Eu sempre me perguntava: Afinal, para que serve tudo isso? Para que continuar essa matança sem sentido? Sabem ao menos como tudo isso começou?

    Eu treino há muito tempo para poder sobreviver nesse mundo em meio a conflitos e guerras. Uranus me acolheu...

    _Aria? _Chamou minha atenção.

    Acordei dos meus pensamentos. Estava confusa. Isso normalmente acontecia, cada vez com mais frequência.

    _Hai?

    _Ela esta nos chamando para irmos nos juntar aos outros. Vamos. _Ele se levantou e estendeu a mão me ajudando a levantar-me também.

    Eu tenho uma pequena duvida sobre o Uranus, desde o dia que o conheci anos atrás. Por que ele se refere a ela, como “ela”? Por que ele não usa um termo mais apropriado como-

    _Ah! Aria, que bom que chegou. Bom dia. _Cumprimentou a tia de Uranus.

    _Bom dia tia, bom dia Sí-. _Sentei-me no meu lugar de sempre.

    “Como eu já cheguei aqui? Estava na varanda agora mesmo!”

    Uranus sentou-se ao meu lado, cumprimentou sua tia e sua irmã que também estavam na mesa conosco, e nos servimos. Comemos em um silencio perturbador, isso me incomodava, decidi falar algo.

    _Uranus, o que você acha sobre a guerra?

    _Ah? Bom, desnecessária. _Voltou a comer.

    “Só isso?”

    _Aria, as guerras não passam de destruição para evitar mais destruição. _Comentou a tia de Uranus.

    _Como assim tia? _perguntei.

    _Vou lhe explicar. Imagine o nosso clã, e um dos clãs mais ameaçadores para nós. Agora imagine que o clã inimigo pode nos atacar a qualquer momento. O que isso traria?

    _Destruição. _conclui.

    _Isso mesmo.  Por isso nosso clã não pode aceitar que o clã inimigo continue vivo. Ou seja, nós o destruímos para evitarmos que eles nos destruam ainda mais. _Suspirou.

    _Que terrível... _E pensar que guerras são motivadas assim.

    _Mas é isso que penso! _Sorrio_ Não disse que é verdade. Além do mas, ambos os lados querem proteger alguém que ama.

    Lembrei-me da minha mãe.

    _A senhora esta certa.

    Eu era grata por tudo que tinha, não podia pedir mais nada.

    Retirei-me da sala um pouco depois de Uranus, o mesmo foi para o seu quarto, achei melhor deixar ele um pouco só, ele já deve estar cansado de me ter por perto tanto tempo assim. E eu fui em direção a varanda.

    A brisa suave, o som do vento balançando as copas das árvores, algumas crianças corriam de um lado para o outro brincando com uma bola, eles se divertiam tanto, crianças inocentes que não sabiam nada sobre a vida ou o mundo.

    “Se você continuar pensando assim vai acabar afastando todos... Pensamentos negativos não são bons”.

    Respirei fundo.

    Quando percebi que havia um livro do meu lado, um pouco empoeirado e velho, com a capa um pouco rasgada e gasta. Peguei-o com cuidado, abri devagar com medo. As folhas eram velhas e estavam quase se rasgando, as vi uma por uma. Todo ele estava escrito em japonês. Após folheá-lo notei não ser um livro, mas era precisamente um diário.

    “Quem teria um diário assim? Ele parece ser tão velho...”.

    Olhei em volta e não tinha ninguém que pudesse ser o dono do misterioso diário, nem mesmo as crianças estavam ali, elas já tinham ido embora. Tomada pela curiosidade tentei ler alguma coisa, mesmo que meu japonês seja horrível, aprendi algo alguns anos atrás.

    Na primeira pagina do diário dizia: “O que eu vou lhe dizer deve se manter em segredo”. Essa frase estava escrita em uma tinta um pouco mais escura. Virei para a próxima pagina.

    “Ele esta me consumindo, suas visitas são mais frequentes, ele insisti que eu o siga. Apesar de ser uma proposta tentadora eu não a aceitei, pois sei quais são as consequências. Eu atualmente estou sã de minhas atitudes.”. Era o que dizia. Não entendi muito bem o que essa parte quis dizer. Como assim? Estava confusa. Virei para a próxima pagina.

    “Destruição, guerra, perdas, mortes das pessoas que tanto amamos, eu vi tudo isso. Ele me mostrou tudo isso! Estou ainda mais assustado. Não posso simplesmente cometer esse estupido de ser corrompido tão facilmente, tenho que tomar cuidado. Mas se eu acabar sendendo a ele não pensarei da mesma forma. Isso com toda certeza acontecerá no futuro.”.

    A terceira página adiante eu não conseguia ler, não estava mais escrito em japonês, mas sim em chinês, e eu não sabia nada sobre. Procurando alguma outra coisa que podia entender cheguei a ultima pagina, essa estava escrita em japonês.

    “Não cometa nenhum desses erros”.

    Era só isso. Estava assinado no final dele com o nome Uranus.

    “O que?! U-uranus escreveu isso? Como...?”

    Se antes eu estava confusa não sabia mais como estava agora. Se Uranus foi quem realmente escreveu tudo isso deve ter alguma explicação. Irei falar com ele. Fechei o diário e fui ate seu quarto, lugar que eu nunca havia entrado em toda minha vida.

    Bati três vezes seguidas na porta. Sem resposta. Chamei por Uranus e não ouvi nada novamente. Entrei devagar no quarto, sem fazer muito barulho, ele estava deitado na cama olhando para cima. O chamei.

    _Uranus? _Ele olhou pra mim, como se não gostasse que eu estivesse ali.

    _O que você esta fazendo aqui? _Ele se levantou e vei para perto de mim.

    _Eu vim lhe entregar isso. _Mostrei o diário.

    _Onde você conseguiu isso?! _Ele gritou. Eu me assustei, fiquei com medo, ele me repreendia. Olhava-me com raiva, nunca tinha visto ele assim.

    _Estava na varanda. Você deve ter deixado cair. _Recuei alguns passos, infelizmente não percebi a pequena estante com alguns livros e bati nela.

    _Você o leu? _Fiz não com a cabeça.

    _Ah... Não devia mexer nas coisas dos outros. _Pulou na cama. Como sempre fui curiosa perguntei sobre o que o diário falava.

    _Como sabe que é um diário? _Abriu-o.

    _Deduzi. Na verdade folheie-o uma vez e estava escrito em chinês e tinha sua assinatura no final. Mas eu juro que não li nada! _Eu preciso salvar a minha vida, ele pode acabar me matando se eu falar a verdade.

    _Nada de mais, ele esta quase todo escrito em chinês, e eu não me lembro de ter escrito isso tudo. Ou ate mesmo sobre o que ele fala. Ele parece ser bem velho. _Respondeu.

    _Sua especia tem uma estima de vida muito maior que nós humanos, você deve ter escrito ele há muito tempo atrás. Esta ficando velho e isso esta afetando sua memoria. _Brinquei. Ele riu baixo.

    _Você deve estar certo, Aria. A minha juventude esta acabando.

    _Quantos anos você tem Uranus? _Me aproximei da cama.

    _Só saiba que sou mais velho que seus pais. _Ele se sentou na cama.

    _O que?! _Ele riu pela cara que fiz_ Não é nada engraçado Uranus! _Não consegui me conter e ri com ele.

    _Se me der licença, pode por favor sair do meu quarto?

    _Hai. E me desculpe pelo diário. Ate Uranus. _Fechei a porta do quarto e fui para o meu.

    “Eu às vezes tenho que me conter mais.”. _Pensei , não devia ter lido o diário dele. Afinal é algo pessoal. Pode ate ser que quando menor ele escreveu isso brincando. Ri pensando nisso. Imagina um Uranus aprontando brincadeiras assim.

                                                                                (***)

    _Você não devia a deixar ver aquele diário! _Bateu forte com a mão na mesa derrubando alguns livros no chão.

    _Perdão senhor...  _Ele abaixou a cabeça envergonhado.

    _Não fale nada! Pensei ter mandado você destruir isso anos atrás! Quando aquilo aconteceu!

    _E-eu... Ela não me deixou  fazer isso. Eu sinto muito.

    _Patético... Não posso esperar mais, já estou me arriscando muito. Mate-a.

    _Mas ela é sua-

    _Mandei mata-la! Agora! Faça que tudo pareça um simples acidente, entendeu?

    _Sim.

    _Não me decepcione.

                                                 (***)

    Já estava ficando tarde quando Uranus me chamou para irmos ao um lago aqui perto, fora dos limites das terras do clã. Eu aceitei. Pensei que sua irmã iria junto com agente, mas não. Encontrei-o no portão principal, falei um “oi” pra ele e fomos para o lago.

    As estradas eram cercadas por grandes arvores, varias das suas folhas caiam no chão formando um grande tapete verde. As arvores por estarem uma muito perto da outra acabavam impedindo a luz do sol, deixando a estrada um pouco escura.

    Andamos por alguns minutos ate chegarmos perto das montanhas nevadas, logo mais a frente estava o lago.

    _Ei Uranus! Chegamos! _Corri na sua frente animada.

    _C-calma, Aria! _Ele começou a correr atrás de mim.

    _Vai ficar pra trás se demorar tanto! Vamos rápido!

    Eu estava correndo, quando de repente tropecei em alguma coisa, caindo colina a baixo. Uranus se assustando acabou se desequilibrando e caindo comigo. No final da pequena colina perto do lago nós paramos, estávamos ambos sujos.

    _Você esta bem? _Ele se levantou e me ajudou.

    _Sim... Ahahaha.

    _Do que você esta rindo?! _Ele limpou o kimono.

    _De você! _Provoquei e voltei a correr.

    _Ora sua... _Ele começou a correr atrás de mim.

    Tirei a parte de cima do meu kimono, soltei meu cabelo e pulei no lago. A agua estava fria, perfeita. Depois de mim Uranus entrou. Nadei ate o fundo e fui seguida por ele. Voltei a superfície e comecei a jogar agua um no outro. Riamos da situação.

    _Trégua! Desculpa! Para, para Uranus! _Pedi para que ele parasse, já estava cansada.

    _Você pediu isso Aria. Ahaha  _Saímos do lago e vestimos os nossos kimonos. Sentamos na grama em cima da colina.

    O sol já estava se pondo, encostei minha cabeça no ombro de Uranus e o mesmo corou. Ele estava tão quente... Já estava ficando escuro, e o céu que estava num tom alaranjado agora estava tomado por um escuro, como um grande tecido negro. As estrelas logo apareceram junto à lua. A luz da lua refletia no lago, e tudo ficou ainda mais claro. Uma noite perfeita.

    _Aria...?

    Ele me chamou baixinho, mas não conseguia responder. Estava cansada. Fechei meus olhos e em questão de minutos dormi, ali junto a Uranus.

    _Me desculpe...

    Água? Esta chovendo? Uma pequena gotinha de agua caiu no meu rosto. Uranus, o que foi?

    _E-eu não queria fazer isso. Mas é para o seu próprio bem. Eu quero que me escute. Talvez não nos encontremos novamente, mas saiba que sempre estarei pensando em você. Não quero que veja mais mortes, não quero que veja o que eu me tornei. Então por favor, não importa qual seja seu rumo a partir de agora, não se esqueça de mim...

    O que você esta falando Uranus? Eu pensei que era um sonho, que tudo que ele tinha falado era mentira. Não entendi muito bem.

    _Adeus...

    Meu corpo começou a doer. Meu kimono estava molhado com algo. Tinha algo dentro de mim que eu não podia descrever o que era.

    Uranus estava chorando baixinho. Meu corpo começou a ficar frio, tentava me mover, mas não conseguia. Abri devagar os meus olhos, acordando. Comecei a chorar ao ver aquela cena., era horrível.

    Uranus estava me abraçando, todo seu kimono esta vermelho de sangue, meu sangue.


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