Yu-Gi-Oh! Razor - Klabazaus Memories

  • Finalizada
  • Hirotogs
  • Capitulos 35
  • Gêneros Aventura

Tempo estimado de leitura: 8 horas

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    Capítulos:

    Capítulo 12

    Espada de Dois Gumes

    No capítulo anterior, João tristemente se despede de Valkyrie's Magician, e ruma até o castelo, com a terceira chave.

    “Meio cansado

    Meio sereno

    Meio parado

    Meio acordado

    Meio vivendo.”

    (Ricardo Lussier)

    (BGM: Pink Floyd - The Gunner's Dream)

     Jones havia tomado a direção oeste, e caminhava só, como João. Nesta direção, estendia-se um enorme deserto, de forma que era quase impossível orientar-se, pois tudo era exatamente igual para onde quer que fosse. Ventava um pouco, e uma pequena quantidade de areia era levantada pela brisa, mas não a ponto de formar-se um tempestade.  Não havia vegetação, ruínas, tampouco sinal de vida. Enquanto seguia, divagava sobre os infortúnios que haviam levado ele e seus amigos até aquele local. Seria o destino? Haveriam outros mundos como este, de onde criaturas abomináveis surgiam repentinamente? Na verdade, alguém la em cima sabia deste local? De fato, havia sido muito estranho tudo aquilo. Estava dando aulas e preparando provas e num segundo estava sendo transportado por um portal que nem sonhava ser possível existir. E Star? Onde estaria aquela doce garota que agora parecia tão diferente desde o início do ano letivo? Estava sempre tão quieta, tão sozinha (e de fato, os outros tinham motivos para a isolar do resto da sala), e apesar de tudo, era a melhor da sala. Ela e Jones apenas trocavam olhares. Na verdade, a diferença de idade entre ambos não era tão grande assim. Mas Jones nunca poderia imaginar que aquele olhar que foi direcionado a ele numa tarde de quarta seria o último. Seria a última vez que viria Star, antes que ela surgisse novamente, quase irreconhecível. Ainda tinha os mesmos cabelos pretos, ainda tinha os mesmos olhos castanhos, mas não tinha o mesmo semblante de antes. Não tinha nem mesmo as mesmas roupas: de onde teriam vindo aquelas asas? O que acontecera com Star? Estas questões assolavam a cabeça de Jones, enquanto sentia-se impelido a procurar por ela, onde quer que fosse. Não queria perdê-la, não importa se tivesse mudado. Afinal, uma hora todos mudam, não é mesmo? Enquanto estas preocupações o martirizavam, Jones percebe que se seguisse adiante, não teria outra chance para voltar, e se perderia no local para sempre. Jones decide voltar e rumar para outro lugar, e consente que, por hora, deveria deixar seus dissabores naquele deserto. Deu meia volta e rumou para onde conhecia, aquele velho e negro castelo.

    (BGM: King Crimson - Elektrik)

     O castelo de Klabazaus. Era estranho chamá-lo assim, visto que nunca haviam encontrado Klabazaus em seu próprio mundo. Deveria estar a destruir povos, ou a enganar mais pessoas no mundo de onde vieram. Não poderia dizer que seu mundo ficava na superfície, pois como João havia dito, era uma outra dimensão. Ao chegar no Castelo de Klabazaus, Jones avista duas figuras ao longe, que se aproximavam em ritmo lento. Não havia duelado até então, mas sabia as consequências de se perder ali. Temendo que fosse uma ameaça, ele logo busca refúgio para si, mas ao perscrutar as formas negras que tomavam cor e visibilidade maior a medida que se aproximavam mais, notou que se tratava de Monica e Hector. Monica vinha a frente, e parecia mais séria do que o normal. Seus olhos fitavam apenas o castelo de Klabazaus. Queria entrar, queria que o seu ato impensado fosse justificado pelo objetivo que poderia estar além daqueles portões. Não muito atrás, vinha Hector, que parecia preocupado com a dama a sua frente. Olhava para os lados, temendo uma segunda abordagem de monstros mais horríveis ainda, quem sabe. Ao notar Jones, este decidiu quebrar o silêncio que perdurara desde a partida destes da ravina aonde meninas tornaram-se estrelas.

    Hector:  Ei, é o Jones? Sim, eu espero... – na verdade, já havia constatado que era Jones. Mas estava tão paranoico com a ideia de ser extinto, literalmente, que ainda relutava em crer que era seu amigo ali, em pé. A esse ponto, Monica já estava próxima a Jones, e Hector chega alguns segundos depois.

    Monica: Elas se foram.

    Jones: Uau, vocês voltaram mesmo. Espera: quem se foi?

    Monica: Num instante... tornaram-se pó de estrela, ou algo assim. E lá se foram, subindo... – Monica olhava fixamente para o nada, e notava-se uma transição de sua expressão neutra para um pavor desconhecido.

    Jones: Monica, está tudo bem? De quem você está falando?

    Hector: Ah... Jones, tem algo que você precisa saber. Suas alunas, Europa e Samara, eu acho... elas se aliaram completamente a Klabazaus.

    Jones: Eu não acredito! Elas foram enganadas dessa forma? Esse maldito!

    Hector: Eu não acho que elas tenham sido enganadas... mas acho que foram por vontade própria.

    Jones: E vocês se encontraram com elas?

    Hector: Sim. Tentaram nos matar com uma grande pedra. Começamos a duelar e, depois....

    Monica: Elas se foram.

    Jones: Como assim? Elas fugiram?

    Monica: Num instante... tornaram-se pó de estrela, ou algo assim. E lá se foram, subindo... – As mesmas palavras, a mesma expressão. Mas dessa vez, Jones entendera o que havia acontecido. Eram garotas que aprontavam, sim, e não tiravam as melhores notas, mas não deixavam de ser suas alunas. Jones não pode acreditar no que havia acabado de ouvir, e seus olhos inundam em lágrimas. Mas, estando diante de uma mulher, Jones recusa-se a chorar. Apenas vira-se, e tenta escolher com cuidado o que dizer a seguir.

    Hector: Eu... eu sinto muito... amigo.

    Jones: Estes cadeados são um problema para nós.

    Monica: Temos a chave. Ou melhor, elas tinham... agora nós temos. – Monica parecia ter se recuperado de seu transe emocional, e agora seguia pelo mesmo caminho de Jones, tentando mudar de assunto.

    Hector: Sim, aqui está.

    Jones: Muito bom. Mas faltam três delas ainda. – Como por um instinto divino, passos são ouvidos em corrida, enquanto um meio de transporte parecia se aproximar também.

    Hector: A cavalaria? Estamos mortos!

    Monica: Vão ter que lutar pra nos pegar. – Ao dizer isso, já preparara seu disco de duelo, mas em vão. Pois subindo uma colina, via-se Inácio a conduzir uma carroça, com Ricardo dentro. Inácio não parecia se preocupar com o peso do aparato, mas estava bem sério para o Inácio que todos conheciam. Ricardo trazia em suas mãos a chave de William.

    Inácio: Consegui uma chave, gente. – Inácio freia a carroça, causando um solavanco que desestabiliza Ricardo, sem o ferir. Com todo o tempo decorrido e os medicamentos de Monica, Ricardo já conseguia se levantar.

    Ricardo: Uma chave pro capitão! – Ricardo, diferente de Inácio, estava contente.

    Jones: Muito bom, Inácio. Mas o que há?

    Inácio: Eu conheci um herói no caminho, mas para trazer a chave para cá, ele teve que partir...

    Hector: Um herói? De verdade?

    Inácio: Ele era do exército de Klabazaus, e tinha bastante renome  no submundo. Mas...

    Monica: Virou pó e subiu?

    Inácio: Como você sabe?

    Jones: Parece que é o que acontece quando você morre por aqui. Se ficamos a beira da morte  ao perder um duelo, ficamos também vulneráveis a ataques. Ricardo, você teve muita sorte que estava duelando entre amigos.

    Ricardo: Eu iria demorar pra desaparecer, sou meio gordo.

    Monica: Que bela hora pra piadas... – As chaves, feitas de bronze, eram do tamanho de um martelo, e tinha um rosto esculpido que lembrava Klabazaus. Sim, as chaves eram pesadas.

    Hector: Duas chaves... ei, olhem lá! – João se aproximava. Era o único que não tinha causado espanto a todos ao chegar. João estava cabisbaixo e muito abalado. Carregava a pesada chave com apenas uma das mãos e, ao avistar seus amigos, pôs-se a clamar:

    João: Vamos logo com isso! Precisamos sair daqui rápido! Preciso ir no laboratório e fazer alguns testes com campos magnéticos e a teoria de Xeinsten e....

    Monica: Calma, João. Você vai ter tempo de anotar tudo o que viu aqui.

    Jones: Teoria de Xeinstein? Por quê? Não me diga que você...

    João: Assim que sairmos daqui, eu preciso dar um jeito de retornar!

    Inácio: Ficou maluco? Estamos nos matando pra sairmos vivos deste local e você ainda pensa em voltar?

    João: Eu não posso deixá-la esperando... eu prometi!

    Hector: De quem você tá falando, João?

    Ricardo: Háa, já sei! Ele se apaixonou por algum monstro daqui! Conta ae, Zé Bayer, quem é? Dark Magician Girl? Eae, Inácio, toma cuidado em!

    João: Monstro! Como ousa chamá-la assim! Minha doce Valkyria...

    Monica: Era só o que me faltava... – Monica estava de volta: sempre enfadada com as fraquezas dos garotos.

    Jones: Hahaha, sério, João? A Valkyrie’s Magician, se não me engano? – Com o caso amoroso de João, o clima parecia ter ficado mais leve.

    João: Exatamente, sim, isso mesmo! Eu voltarei aqui para vê-la!

    Monica: Com tanta menina lá no mundo normal, e ele quer uma do submundo...

    João: Em toda a Terra não há garota como ela.. – João falava com um tom sonhador, enquanto todos pareciam se divertir com a situação, que havia adocicado os ânimos de todos.

    Inácio: Não, cara. Você tem que fazer a mágica, deixar ela querendo e não voltar mais. É assim que se faz!

    Hector: Hahah! Ouviu o mestre?

    João: Não, isso não é certo! Enquanto eu viver, eu darei um jeito de estar junto dela! – Lágrimas de emoção escorriam pela face de João, enquanto ele olhava destemidamente ao horizonte, e todos se divertiam com a bravura de seu companheiro. Jones, no entanto, parecia ter sido por memórias. Aquelas palavras não lhe eram estranhas.

    Jones: Enquanto eu viver, eu darei um jeito de estar junto de ti...

    Inácio: Galera, tem três chaves. Cadê a última, Jones?

    Jones: Eu não encontrei ninguém.... e agora?

    Monica: Caramba, Jones. Logo você?

    Ricardo: Gente, eu tenho uma coisa pra contar, mas por favor, não me batam.

    Hector: Fale.

    João: Não bater? Por que o medo?

    Ricardo: Bem... sabe, quando eu encontrei Klabazaus, um de seus generais de Elite me encarregou de uma missão. Seu nome era Denner, eu acho. Ele me disse pra entregar uma chave a dois capangas, não me lembro quem. Acontece que, saindo do castelo, eu encontrei vocês e... a chave está comigo, ainda!

    Jones: Uau, que alívio! Não precisaremos procurar nada!

    Monica: Argh, Ricardo! Você só não é mais burro por falta de vitamina!

    Hector: Isso não é mais um problema, com as vitaminas que você deu pra ele, antes.

    Monica: É verdade! Bem lembrado.

    Hector: Viu, Ricardo, Ricardo, viu só? Ela concordou comigo! – Hector surta de alegria. Estavam todos de volta, afinal.

    Jones: Bom, então, cada um que achou as chaves, queiram abrir seus respectivos cadeados. – Monica, Ricardo, Inácio e João vão até o portão e, após uma pequena dificuldade em encaixar grandes chaves como aquelas em cadeados tão grandes quanto, os portões são destrancados. João, Hector, Ricardo e Jones empurram com dificuldade uma das colossais portas, abrindo-a pouco a pouco. Inácio abre a outra porta como quem abre uma cortina de pano.

    (BGM: Sonic Youth - Superstar)

    Inácio: Certo! Estamos dentro!

    Hector: Arf..Arf.. Mas já? – Com exceção de Inácio, os rapazes pareciam ter se cansado um pouco. Monica apenas observava, e secretamente se alegrou da sorte de estar acompanhada.

    Monica: Por dentro é maior do que pensei...

    Inácio: Sim, vejam este pátio! Dá pra fazer uma série de exercícios aqui!

    João: Há algumas construções a mais aqui dentro. – Havia um moinho, uma capela escura e um depósito que parecia estar bem acorrentado.

    Hector: Vamos na capela ali, parece ser mais seguro do que entrar pela porta da frente de uma vez!

    Jones: É, acho que podemos, sim. – Ao entrar, notam que estava mais para uma pensão do que uma capela. Havia cadeiras, mesas com alguns pratos e alimentos meio comidos, talheres e utensílios domésticos. Em todos os quartos, haviam camas desarrumadas e quadros de monstros que, apesar de horrendos, pareciam bastante nobres.

    João: Parece uma espécie de mosteiro, aqui. Os habitantes devem ter saído apressadamente para alguma coisa...

    Monica: Olhe, tem um mapa ali... ah, está rasgado. – Havia um mapa que visivelmente foi arrancado às pressas da parede.

    Ricardo: Se eles saíram com pressa, devem estar voltando! Vamos sair daqui logo!

    Hector: Eu concordo!

    Jones: Para o castelo, então! – Seguindo para o castelo, todos revisavam suas cartas, arrumavam seus decks do jeito que podiam e discutiam sobre seus duelos passados no submundo. Jones e João iam mais a frente, investigando o local que, para um importante castelo, parecia bem deserto. João havia contado suas desventuras na cidade que visitara.

    João: Eu enfrentei o Ministro da Justiça do reino, e o venci. Ele também virou pó de estrela... mas me disse uma coisas bem interessantes.

    Jones: Foi bem nobre de sua parte salvar aquelas pessoas... então, o que ele disse?

    João: Ele me disse que os Cavaleiros Nobres que uso não eram só lenda... ele parecia conhecê-los muito bem, e disse que estava espantado em vê-los no submundo.

    Jones: Estranho... nas aulas de história que dei, eu sempre os mencionei como uma fábula... talvez devêssemos investigar isso depois.

    João: Sim, sim. Mas o que ele me disse sobre este mundo foi o que mais me intrigou. Ele me disse pra investigar mais, e se possível, visitar a biblioteca do reino.

    Jones: Há uma biblioteca aí dentro? Uau. Bom, que tal irmos lá?

    João: Vamos ver se conseguimos sem sermos mortos. – Todos se aproximam das grandes portas do castelo, que parecem estar cerradas. Há uma imagem de um touro nelas, e a argola de seu focinho parece ser uma maçaneta, mas que não surte efeito ao ser manejada.

    Monica: Ai gente, está fechada. E agora? Vamos pela janela?

    João: Se nós contornarmos, quem sabe haja uma porta nos fundos.

    Inácio: Ah, não! Nós não nos arriscamos dessa forma pra chegar aqui e encontrar mais portas fechadas! Uaaaaaaaaaargh! – Inácio toma distância e investe furiosamente contra a porta. Com um jogo de corpo que quebraria uma parede, Inácio consegue abrir as portas, causando grande tremor. Todos se espantam, não com o fato de Inácio ter logrado êxito no golpe, mas no fato de que agora poderiam ter chamado indesejada atenção.

    Jones: CARAMBA!

    Monica: Vamos morrer agora!

    (BGM: Moody Blues - Dear Diary)

    Inácio: Tudo que fecha, abre! Vamos lá! – Inácio entra despreocupadamente no castelo, enquanto é precedido por seus amigos. O castelo é suntuoso. Na entrada, nota-se várias estátuas de criaturas familiares, como Feral Imp e Dark Blade. Um grande tapete vermelho estende-se pelo hall, levando até uma escadaria reta. Um grande lustre pende do teto, com dezenas de velas a iluminar completamente o local. Há duas escadarias menores ao fundo, levando para baixo, e quatro portas de cada extremo da sala. Também são vistas armaduras pelo local. Há quadros de todos os tamanhos e formas nas paredes, e grande parte delas retrata Klabazaus.

    Monica: Que lugar chique, hã?

    João: Bem, é um castelo real, tinha que ser assim mesmo...

    Jones: Aqueles quadros... acho que Klabazaus é um pouco diferente do que imaginávamos... – O quadro ao qual Jones se referia mostra Klabazaus tocando uma espécie de Bandolim. Ele tinha sua característica expressão de sagacidade, mas parecia divertir-se com a música.

    Hector: Um rei, um monstro, um artista – Klabazaus.

    Ricardo: É, mas olhem aquele! – No quadro apontado por Ricardo, Klabazaus protagoniza uma pintura surrealista, onde toda uma cidade parece correr aterrorizada, enquanto um gigantesco Klabazaus prepara-se para agarrá-la por inteira, ao fundo.

    João: Este monstro é bem peculiar ,afinal...

    Inácio: Arrgh! Venha então, seu monstro! – Inácio havia subido as escadas sem avisar, e o seu grito foi ouvido do andar superior.

    Monica: O que foi isso? Cadê o Inácio?

    Ricardo: Vem de lá de cima!

    João: Vamos lá! – Todos apressam-se ao subir as escadas, mas Jones ainda contemplava o quadro de Klabazaus e seu bandolim. Ao ver que todos corriam, ele tenta segui-los, mas lembra-se do que Don Giovanni disse à João sobre a biblioteca.

    Jones: Em qual destas portas será que está a biblioteca? – Jones então olha pelas portinholas que haviam em cada porta, mas em todas elas só é possível ver um breu constante... exceto em uma, de onde uma tímida luz emanava. Ao abrir a porta, espanta-se por não estar trancada como todas as que viram até o momento. Entrando, depara-se com uma grandiosa biblioteca. As prateleiras estão todas organizadas, mas há muitos livros empilhados pelo chão. Crânios com velas em suas bocas iluminam o local. Há livros de todos os tipos – livros militares, como a Arte do Duelo de Skull Tzu, e até mesmo clássicos literários do submundo como Memórias Póstumas de Shi En, de Espada de Assis, e Amor de Destruição, de Camilo Castelo Negro.

    Jones: O submundo não parece ser tão diferente do nosso mundo... até literatura própria eles tem!

    Uma grande mesa posta sobre o centro do local, e que parecia servir como local de estudos,  chama a atenção de Jones, e ele se dirige até ela. Lá, há alguns sonetos de Klabazaus, escritos por ele mesmo, e que falavam de sua pessoa. Mas além de todos os livros e papéis, um diário está entreaberto ali. Jones o abre e, na página marcada, lê o seguinte:

    “Reino do Novo Punho Negro, 4 de Hidra – Assumi o trono, finalmente. Descobri, através de um reles clarividente, que meu irmão foi mandado para cima. Acha que pode fugir da vingança? Irei atrás de ti pessoalmente!

    28 de Hidra – O castelo está retomando sua forma, parece melhor, mais suntuoso. Esses construtores são bons. É claro, eles tem que ser, senão morrem!

    7 de Succubus – Ao colocar o trono na sala real, o castelo foi finalmente inaugurado. Agora posso dar início ao Ataque Relâmpago do Mal e, depois, trazer o maldito covarde de volta pra casa.

    12 de Succubus – Maldição de dimensão diferente! É necessário grande concentração para minha forma espectral transitar por lá, mas acho que consigo me firmar. Ao voltar, visitei a estátua do maldito na fronteira do submundo e tive certeza de que faltava pouco, muito pouco! Raviel!

    25 de Succubus – Consegui adquirir um deck de uma exposição. Usarei esse como fonte para dois hologramas amaldiçoados, e atrairei aquele verme. Ao tocar qualquer um dos dois, será aprisionado e eu poderei sugar sua energia vital!

    1 de Lagarto  – Dos 3 decks, o rato pegou justo o não-amaldiçoado! Terei de usar ajuda deste mundo... talvez alguém próximo àquele verme”

    Outras anotações referentes a exércitos e ataques estavam registradas, mas aquelas que Jones leu pareciam ter uma relação entre o que havia passado até então.

    Jones: Então... Klabazaus foi ao nosso mundo atrás de seu irmão, Raviel! E aqueles três decks.... dos quais eu peguei um... ele havia posto lá! Mas se ele buscava seu irmão, por que veio atrás de mim? O que eu tenho haver com essa vingança dele? O reino parece ter sido destruído... será que foi... esse Raviel? Quem é ele afinal? Eu vou nessa fronteira, pra ver se consigo respostas. Mas meus amigos estão lá em cima... terei de ir rápido!

    Jones deixa o castelo, e vai até a carroça que Inácio havia construído. Deveria haver um jeito de movê-la.

    (BGM: Black Sabbath - Planet Caravan)

    Jones: Se pelo menos... ei, quem são aqueles? – Ao longe, Jones vê os Tangrishnirr of the Nordic Beasts, que haviam seguido a carroça de Inácio. Eles não reconhecem Jones como sendo aquele que os havia salvado, mas se oferecem mesmo assim para levá-lo.

    Jones: Acho que foi desses bodes que o Inácio falou... ainda bem que ele os salvou. Agora, preciso me apressar! Vamos, amigos!

    As feras correm em grande velocidade, em movimento coordenado, de forma que a velocidade média da carroça eleva-se um pouco. A viagem é extremamente rápida, e em poucos minutos, Jones já havia atravessado uma cadeia de montanhas. O sol do submundo estava se pondo, e uma lua, branca como a do mundo normal, surgia por detrás dos montes. Não haviam estrelas, mas Jones vê passar um vulto por cima das montanhas que atravessara, e não conseguiu identificar o que era. Chegando a um abismo enorme, os animais param. Além do abismo, é possível ver, muito ao longe, uma faixa de terra que se estende até onde os olhos alcançam. Assustados com a quase queda, os animais se dispersam, e vão em direção a colinas distantes.

    Jones: Oh, não! Voltem, voltem! Droga... e agora, como voltarei? Terei de achar essa estátua o quanto antes. – Jones põe-se a procurar a estátua, na fronteira do submundo, local onde estava. As terras estavam completamente assoladas, e quase negras por ali.  Pequenos grupos de montanhas eram o que compunham a paisagem, todas de uma altura relativamente baixa. Ao procurar por sinal de algum monolito de mármore no qual poderia ter sido esculpida a estátua, Jones avista uma caverna na última das montanhas das quais havia passado. O local parecia estar iluminado. Ao adentrar, nota que o teto está caído e , na verdade, a luz da lua era que iluminava o local. Brilhante como ouro refinado em uma quentíssima fornalha, mostrava-se uma estátua de um homem muito alto, montado em um cavalo equipado para a guerra.

    Jones: Poderia ser... Raviel? – Jones toca a estátua, e subitamente , tudo se apaga. Ao abrir os olhos, Jones nota que ao seu redor tudo está escurecido. Não há chão, não há céu, não há nada. Há sons constantes de um bumbo, que bate duas vezes seguidas, repetidamente. De repente, é surpreendido por uma pesada mão que lhe toca o ombro.

    ???: Você demorou um pouco, cara. Quase que eu não acordo!

    Jones: Quem é você? Onde estou? – A figura que dialogava com Jones era o grande homem da estátua, com armadura de guerra, de cor avermelhada, um capuz que cobria sua cabeça, sem ocultar seu rosto. Era possível ver seus cabelos e olhos brancos, bem como uma grande espada em suas costas.

    ???: Hahaha, estamos dentro de você. Mais ou menos na divisão da alma e do espírito, onde eu estou.

    Jones: Eu quem?

    Raviel: Eu sou Raviel.

    (BGM: King Crimson - Larks' Tongues in Aspic Part II)

    Inácio: Quer brigar? Pode vir! – No castelo de Klabazaus, um grande ogro vermelho estava diante de Inácio. Tinha um rabo de cavalo preto e placas de aço por todo o corpo, que lhe serviam de proteção. Enquanto dialogavam, surgem João, Ricardo, Hector e Monica, e se deparam com o grande monstro.

    ???: É muita audácia para um ser tão inferior invadir de forma tão atrevida o castelo do grande senhor Klabazaus! Irei lhe aniquilar!

    Monica: Aaaai! Quem é esse?

    Patrick: Oh, vejam só, não são só patetas fracos! Prazer gatinha, eu sou Patrick, o Esmaga Crânios! E se você vier comigo, eu adio sua sentença em alguns dias.

    Monica: Er... você não faz meu tipo, sabe, desculpe.... – Patrick, o Esmaga Crânios, general de Elite de Klabazaus, enfureceu-se com a rejeição, e ameaçava destruir a todos, puxando sua grande clava espinhosa.

    Patrick: Tolos... todos vocês. Acho que vou me livrar de todos mesmo, começando por você!

    Ricardo: Aaaaah! Vamos morrer!

    João: Eu invoco Noble Knight Brothers (Lvl 4 – 1200/2400 – LIGHT), em modo de defesa! – Três irmãos cavaleiros levantam seus escudos e protegem Inácio do golpe.

    Patrick: O quê?

    Monica: João!

    João: Subam, vão até Klabazaus! Eu seguro ele aqui!

    Hector: É melhor fazermos o que ele disse, vamos! – Todos se dirigem para a próxima escadaria, que ficava no final da sala atual. Nesta sala, era possível ver que ali se guardavam as armas: era um arsenal. Todo o tipo de espada, lança e mangual estava pendurado pelas paredes, e a sala não possuía janelas, apenas portas.

    Patrick: Acham que vão aonde? Voltem!

    João: Eu invoco especialmente, em modo de defesa, Noble  Knight Gawayn (Lvl 4 – 1900/500 – LIGHT)!

    Patrick: He, então vai duelar mesmo comigo? Vamos lá, moleque, vou mostrar o por quê de me chamarem de esmaga crânios!

    De volta à caverna onde Jones encontra Raviel....

    (BGM: Pink Floyd - Matilda Mother)

    Jones: Você está dentro de mim? O que quer dizer? Você não é irmão de Klabazaus?

    Raviel: A história é um pouco complicada, mas acho que temos um pouco de tempo... Tudo começa neste mesmo reino onde você está agora.

    ...Continua


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