Dança celeste

Tempo estimado de leitura: 2 horas

    12
    Capítulos:

    Capítulo 2

    Os dançarinos das estrelas

    Linguagem Imprópria, Violência

    Oi pessoal, como vai tudo? Eu ando meio sem tempo, agora que a greve acabou e as aulas voltaram, mas vou me esforçar para manter tudo em dia.

    Eu fiquei muito feliz com a recepção que a fic teve, vocês não tem ideia de como os comentários e favoritos trazem felicidade para a autora aqui.

    Sem mais delongas, apresento a vocês o capítulo! Espero que gostem e boa leitura.

    Ishgar. Um continente dividido em quatro grandes territórios. O Reino Phyron, localizado na porção mais ocidental do continente. As Cidades Independentes, localizadas na porção central do continente entre o reino e o império. O Império Feärie, localizado na porção leste do continente e por fim, as Terras Místicas, um território neutro localizado na porção mais a nordeste do continente.

    Vários tipos de criaturas habitam Ishgar. Fadas de todos os tipos, elfos e há quem diga que até mesmo dragões ou descendentes destes. Mas de todos, existe um grupo especial: os Star Dancers.

    Tidos como mensageiros das estrelas e sacerdotes das mesmas, eles eram os descendentes mais próximos dos primeiros místicos que habitaram Ishgar. Capazes de canalizar e invocar o poder das constelações por meio de danças, eles eram tidos como sinal de boa fortuna. Antes vistos com respeito e admiração. Agora, caçados pelo usurpador do trono de fogo, o autoproclamado rei Acnologia I.

    A mulher que portava braceletes dourados com pingentes diversos corria preocupada, enquanto puxava uma menina com os mesmos braceletes pela mão. As duas se pareciam muito, ambas loiras de olhos castanho-chocolate e pele clara. Os braceletes diziam tudo: elas eram Star Dancers e no momento fugiam de tropas do usurpador Acnologia.

    Ambas, mãe e filha, moravam em Ryudon, uma cidade não muito pequena e nem muito grande, que era relativamente distante da capital Fyamor e bastante próxima à floresta dos fragmentos perdidos.

    As duas tentaram evitar entrar muito profundamente na floresta, mas as tropas insistentes as deixavam sem opção. Layla sabia que não demoraria muito para que fossem alcançadas. As tropas do usurpador eram famosas por duas coisas: sua insistência e sua crueldade.

    No início de toda aquela perseguição, Layla chegou a contatar as estrelas pedindo respostas, mas não havia muito que as estrelas pudessem revelar. A profecia já havia sido entregue há tempos e os detalhes referentes a ela eram um segredo decretado pelo próprio Rei Estelar.

    Por não ter recebido uma resposta clara, só restava uma opção: fugir das tropas que caçavam os star dancers, saindo de Phyron e buscando abrigo nas Cidades Independentes ou no Império. Se estivesse sozinha, é bem provável que Layla já tivesse escapado e não mais correria perigo. Mas ela tinha uma filha pequena, que também era uma star dancer, e fugir com uma criança não é a mais fácil das tarefas.

    As duas tinham cerca de um dia de vantagem com relação a seus perseguidores, mas estavam ficando sem tempo. A pequena Lucy já não conseguia mais manter aquele ritmo acelerado e a certeza da captura se tornava cada vez mais palpável.

    O barulho de cavalos foi ouvido e Layla soube que não havia mais tempo. Batedores haviam sido enviados para capturá-las, enquanto a parte mais lenta da tropa ficava para trás, se aproximando ao seu próprio ritmo.

    Layla deu uma última olhada aflita para trás e teve uma conversa rápida com sua filha.

    — Lucy eu preciso que preste bastante atenção. Eu quero que você corra na trilha mais interna da floresta. Se eles forem atrás de você, eu quero que entre na floresta. Pyxis vai mostrar o caminho se você precisar de ajuda.

    O pequeno pingente de uma bússola emitiu um leve brilho quando o nome “Pyxis” foi mencionado. Sem perguntar nada, Lucy apenas seguiu o pedido de sua mãe, mesmo que lá dentro algo lhe dissesse que pelo menos naquela vez, ela não deveria deixar sua mãe se afastar dela.

    Lucy começou a correr pela trilha mais interna enquanto sua mãe tomou a trilha mais externa. O ruído dos cascos dos cavalos ficava cada vez mais alto e gritos de soldados já podiam ser ouvidos. Eles as haviam alcançado.

    Layla logo foi avistada pelos batedores que dispararam atrás dela. Ela sabia que conseguiria chamar atenção por um tempo, mas sempre havia a possibilidade de algum deles que estivesse na retaguarda ir atrás de Lucy. Layla apenas se preocupava em atrair a maior parte deles. Uma star dancer não cairia sem luta. Com esse pensamento, ela forçou suas pernas a se moverem mais rápido. Quanto mais ela conseguisse afastar esses batedores, melhor seria.

    -------------- DC --------------

    Lucy continuou correndo pela trilha interna e viu por um relance os batedores disparando na direção que sua mãe havia seguido. Por um breve instante, ela sentiu seu coração apertar, mas continuou a correr.

    Não demorou muito e a retaguarda dos batedores (que era uma quantidade quase ínfima se comparada à vanguarda) começou a persegui-la.

    Ela correu pela trilha o máximo que pode e começou a se embrenhar na floresta, na tentativa de despistar seus perseguidores que pareciam não ligar para a fama da floresta. A menina sequer olhava mais onde pisava, tamanho o desespero que havia se apossado dela. Ela não poderia deixar que aqueles soldados a capturassem e esse era o único pensamento em sua mente.

    Uma pisada em falso e um galho mais elevado foram o suficiente para tirá-la da trilha e fazê-la descer um barranco da maneira mais desconfortável possível.

    Os soldados que a seguiam estavam prontos para ir mais fundo na floresta, mas o capitão do esquadrão os impediu.

    — Deixem. Se entrarmos mais nessa floresta amaldiçoada, nunca encontraremos o caminho de volta.

    E dando meia volta, eles deixaram a menina cambaleante ali e por fim, saíram da floresta, certos de que a força principal havia conseguido capturar a mulher que havia corrido em outra direção.

    ---------------- DC ---------------

    Ao ser levada ao acampamento dos perseguidores, Layla já esperava o pior. Mas ao ver que Lucy não havia sido capturada, ela pôde se acalmar.

    A notícia de sua captura já havia chegado ao usurpador e ele foi pessoalmente verificar a informação. Não que ele não confiasse nos informantes, mas poderia muito bem ser algo inventado por um qualquer na tentativa de ganhar crédito com o governante.

    Layla foi arrastada até a tenda principal, onde o usurpador estava sentado como se estivesse no trono.

    — Ora, ora. Quando me disseram que haviam capturado uma Star Dancer, não pensei que teria uma surpresa tão agradável assim. — Debochou Acnologia.

    — Acnologia, o traidor. — Cuspiu Layla com o desafio em seus olhos — As estrelas não deixarão passar suas ações. Assim como Atlas Flame não deixou que assassinasse o rei!

    — Layla Heartfilia, a maior Star Dancer do continente, acha mesmo que serei punido pelas estrelas? Coloque-se no seu lugar! Sua insolência será a sua ruína!

    — Antes pagar o preço da minha insolência do que me curvar a um traidor como você!

    — CHEGA! LEVEM-NA DAQUI! E me façam o favor de se livrarem dela! — Ordenou Acnologia irado.

    Soldados arrastaram a mulher para longe do novo rei e um dos capitães ousou perguntar:

    — Meu rei, mas não está a procurar uma Star Dancer? Por que abre mão da mais poderosa do continente?

    — Seu tolo, ela é casada! Não me serve de nada! E o que não me serve, deve ser descartado. Entendeu capitão? — Perguntou Acnologia de forma fria — Seu silêncio me diz que sim. E mais uma coisa: a partir de agora, quero que levem os Star Dancers para a capital.

    Acnologia saiu daquele acampamento e tomou o rumo da capital. Ele tinha um reino para tomar conta. Na direção oposta aquela seguida pelo usurpador, o barulho de armas sendo afiadas podia ser ouvido. Homens bêbados pareciam festejar e o barulho do aço cortante se ouviu por um bom tempo. Mas nada haveria ali de mais marcante do que a postura da mulher que ousou desafiar o novo rei.

    Quando o acampamento saísse dali em busca de outros Star Dancers, apenas uma mancha carmesim mostraria o local onde ocorrera a execução. Aquela mulher seria sim lembrada, afinal, mesmo com a ira de Acnologia, Layla Heartfilia morrera em silêncio. No silêncio da noite sem estrelas que anunciava uma nova era.


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